terça-feira, 31 de julho de 2012

Aos 31 de Julho de 2012 (carta à Ana que aí vem)

Querida Ana, 

O teu mundo começa em mim. 
Sou a tua casa de partida para uma vida que se avizinha, tal jogo da Glória, Monopólio, talvez. 
Sou a linha condutora da tua vida, o teu início, a estrada que te prepara a pole position, as boxes onde poderás voltar sempre que precisares de combustível para correres em direcção à meta. À vitória. 
Sou o som do tiro que dá aviso de partida para a vida, o árbitro que não permitirá falsas partidas, o treinador que acordará todos os dias de madrugada para te acompanhar nas tentativas, nos erros, nas melhorias de tempos, na superação. Sou quem te irá aplaudir na corrida, animar nas subidas íngremes e esperar na meta. Quem te ensinará a sacar da rolha de champagne no pódio. 
Sou quem te permitirá todas as possibilidades, quem te incentivará em todas as tentativas, quem te mostrará que a vida será o jogo que quiseres jogar, com cronómetros que se ajustarão ao teu próprio tempo e ritmo, porque tu farás girar o Mundo.
Sou a que, no final das competições da vida, se orgulhará das camisolas amarelas, que pendurará as medalhas na parede, as taças na prateleira. Quem guardará, no final de cada graduação, o respectivo cinto colorido nas gavetas da memória. 
E espero-te, Ana, como se a vida, desde que moras em mim, fosse uma permanente véspera de Natal. Arrumei a minha casa emocional, limpezas profundas, lixo no respectivo caixote, trastes da arrecadação. Pintei as paredes do meu coração, brancas e alvas, para te acolherem. E escolhi a decoração do amor, enviei convites aos amigos que permanecerão para ti, cheira a festa no ar e a mesa está posta com a magia com que brindas a minha alma desde que te concebo em mim. 
Espero-te, Ana. E o teu mundo começará em mim. 

O Mundo divide-se entre... (home edition)

E vocês: se pudessem dividir o Mundo entre facções de pessoas, como o dividiriam?

(a caixa de comentários é vossa)

As minhas tias

Já falei dA minha tia aqui. A minha tia é uma figura de referência incontornável na minha vida. 
Relembrando, era a minha tia que me desenhava as bonecas mais pirosas, me comprava as prendas mais caras, me ensinou a pintar com lápis de cor "sempre para o mesmo lado" e, sim, foi a responsável por me ter dado umas luvas sem dedo iguais às da Ninon e da Rosali. E era ela que fazia aumentar o meu índice de popularidade na escola não só pelas prendas que mandava de Londres como pelas roupas que ela própria me costurava, modelitos únicos. A minha tia é a rainha da comida pré-feita, dos congelados e das coisas fáceis. Da descomplicação.
A minha tia deu-me a minha prima, irmã-emprestada, irmã-dada, irmã. E a minha tia torna, todos os dias, a minha vida melhor.
Tenho outra tia na minha vida. A minha tia-avó é outra pérola. Vive em Londres há 40 anos e acolhe-me sempre com o mimo de quem não me vê crescer, com a magia de quem é avó por procuração. A minha tia-avó aparou-me golpes de capricho inimagináveis como aquela vez em que, com 8 anos, e armada em diva, lhe pedi como prenda de aniversário um casaco de peles para o meu tamanho. De peles verdadeiras. E ela não se fez rogada. Escusado será dizer que levei uma reprimenda daquelas da minha mãe e só usei o casaco uma única vez para me mascarar de viúva Porcina. Oh, vil tristeza!
A minha tia-avó tem sempre notas embrulhadas e devidamente guardadas no soutien que saca, às escondidas do meu tio, e me esconde na mão, enquanto ma fecha. Tem o sorriso e os olhos do meu avô e histórias divertidas para contar. Muitas delas que sempre o envergonhavam. 
As minhas tias são pára-choques da minha vida, foram atenuantes de regras e castigos e serão sempre forças propulsoras de sonhos e caprichos. Parte integrante de mim. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Nem todos os patinhos sabem bem nadar"- reagiu mámen. E nem eram patinhos. Eram passarinhos, pá!

Numa de competir com mámen, o tipo que conheço com maior criatividade e habilidade, decidi fazer uns quadros para o quarto da bebé. Coisa muito simples e cujo efeito final não me deixou nada envergonhada. Recebi elogios, até. Coisa única já que na escola primária a minha mãe topava sempre os meus trabalhos de expressão plástica afixados na parede, ainda que não estivessem assinados, tal era a mixórdia de cola, papéis de lustro mal cortados e pintura fora dos limites que ostentavam. 
No liceu a situação não sofreu grandes melhorias: eu fui aquela que, em Trabalhos Manuais, moldou uma bola de barro, espetou-lhe um cotovelo para tornar a bola côncava e criou o famoso e sempre recordado cá em casa "Cinzeiro sempre em pé". 
Mas pronto, os quadros ficaram bem e eu fiquei cheia de moral. Tanta que me decidi aventurar no fabrico de pássaros de tecido. Consegui um tutorial na internet e meti mãos à obra. Afinal, às tantas é possível que a onda maternal me tenha trazido mais paciência, habilidade, inspiração.
Fiz um:

Hummm. Fiz o segundo:


E à terceira foi de vez:


"Foi de vez? Como foi de vez?" - perguntam-me vocês. "Ficaste satisfeita com o resultado final?"
Não. Desisti. Porque a onda maternal pode trazer muito boas intenções. 
Mas não faz milagres. 

domingo, 29 de julho de 2012

Eu, "ingrejosa", "fustrada", "com dor da cotovelo" me confesso...

Partilhei na página de facebook do Quadripolaridades o seguinte status: "Um dia experimento assistir ao "Esta cara não me é estranha" sem som na parte em que a Cristina Ferreira fala. Hoje foi o dia."
Logo se insurgiu uma voz indignada: "só dor de cotovelo..." e ainda " julgar uma pessoa so pelo timbre de voz soa me a inveja... tenho dito!!". À primeira lá lhe perguntei se precisava que eu lhe dispensasse Gaviscon. À segunda aconselhei à senhora uma consulta no otorrinolaringologista porque lhe andam a "soar" coisas estranhas (quer a voz da senhora quer a minha suposta inveja) ou então que carregasse no "Não gosto" na página do facebook e tratasse de fazer uma petição para a apresentadora gravar um disco.
Depois, como a senhora persistiu numa argumentação inteligente entre o "és uma invejosa frustrada" e " querias era ter a voz dela" mostrei-lhe que, para além disso tudo, sou uma ditadora que censura opiniões inteligentes e bania-a do grupo do facebook. Não sem antes ter tido um laivo de maturidade e acompanhar o acto de carregar no botão de "banir utilizador" com a expressão em voz alta: "És o elo mais fraco: adeus!" Oh, avé moi!
Depois fiz um exercício de reflexão e eis que me decidi a confessar publicamente todas as invejas que sinto relativamente aos protagonistas do "Esta cara não me é estranha" e que são:

- Sinto inveja da voz da Cristina Ferreira. Com aquele corpo, aquela cara, eu sou mesmo original: tenho inveja é da voz.
- Do Goucha tenho resmas de ressabiamento do refinado gosto na escolha de blazers e sapatos. Do uso natural de verbos na segunda pessoa do plural como "Tendes que votar" ou "Ide fazer xixi ao intervalo".
- Do Mico tenho inveja da sua proeficiência ao nível da Língua Inglesa.
- Do António Sala, já se sabe, inveja profunda do António Aleixo que ele tem recalcado dentro dele.
- Da Luciana Abreu tenho inveja da eloquência com que a senhora se expressa. E dos olhinhos de Bambi.
- E do cabelo do Ricardo Sollero? Que frustrada que sou por não ter um igualzinho!
- Do José Carlos Pereira tenho dor de cotovelo dos implantes capilares que o senhor fez há tempos.
- Do Luis Jardim sinto uma frustração enorme do cabelinho lambido pela vaca domingo após domingo. E da riqueza lexical no que se refere à Língua Portuguesa, you know?
- Da Alexandra Lencastre mais inveja da capacidade dela em decorar histórias da wikipedia.

Crucifiquem-me agora!

Se fores ao Festival Sudoeste...


... aposta as tuas fichas no da ursa!

Obrigada à Joaninha, que se lembrou da Pólo Norte na Zambujeira do Mar.

Nova versão do ditado: "Patrão fora, dia santo na loja"

Pinto da Costa casou no Brasil
Fim de semana sem árbitros em Portugal.

Obesidade mental?

A SIC está a promover um programa que irá estrear em breve. Vai-se chamar "Toca a mexer" e o canal encontra-se, neste momento, em fase de castings. Basicamente, procuram gordos que se voluntariem para ir dançar na televisão nacional. 
Questão: os produtores acreditam mesmo que a estratégia de captação de futuros concorrentres é eficaz? Ou acham mesmo que é tudo umas cambada de imbecis que não percebe que o apelo não passa de um "és badocha, vem aqui abanar as banhas para gáudio da plateia, Popotinha mais linda, que não tarda muito recomeça a Casa dos Segredos e alguém tem que servir de bobo da corte, agora que já esgotámos os cromos dos "Ídolos""?!
Toca a fazer-lhes um pirete, mazé!

sábado, 28 de julho de 2012

"Porra, eu sabia que ontem não deveria ter areado as panelas com esfregão palha de aço!"

Jogos Olímpicos quadripolarizados!

Cachecóis e Jogos Olímpicos. De Verão.

Ontem senti-me um bocadinho labrega por ser portuguesa. A comitiva de atletas olímpicos ostentava, orgulhosamente, cachecóis que sobraram do último Euro. 
Só me conseguiria sentir mais envergonhada se fosse brasileira e os atletas envergassem bikini de fio dental e sunga, restos de colecção, nos Jogos Olímpicos de Inverno. Na Gronelândia.

(Vá lá, que ainda assim não levaram as vuvuzelas...)

Como deixar mámen em apoplexia ...

"Quem irá acender a tocha final?"- pergunta mámen.

Resposta de Polo Norte: "Eu adoraria que fosse o Elton John vestido de maillot cor-de-rosa!"

sexta-feira, 27 de julho de 2012

It's a Lacroix e chegaram os Jogos Olímpicos!

A minha mãe e a hierarquia dos dedos da mão

Hoje foi dia de acabar a decoração do quarto da Ana. A minha mãe deu corda aos sapatos e decidiu-se a ajudar-me. Correu bem... durante os primeiros 5 minutos. 
Ela sugeria uma ideia e, antes que eu desse o meu aval, já a estava a operacionalizar. A minha mãe não é despachada. A minha mãe despachalhona (despachada + trapalhona) e, da última vez que me ajudou a colocar livros numa estante rebentou com uma prateleira. Quando decide passar loiça por água parte, invariavelmente, 10% da loiça em questão. Dito isto, a negociação com a minha mãe é uma trabalheira. 
Já aborrecida por ela fazer orelhas moucas às minhas instruções saí-me com um "Mas afinal quem é que é a mãe?"
Resposta: "E quem é a mãe de todas?"

...

...

...

(Nada temeis: ainda assim as grávidas têm prioridade e quem decidiu fui eu!)

Toda a verdade sobre o Pipoco Mais Salgado

É grato privilégio do Pipoco ter o gosto de, em ano bissexto, e apenas nos dias 29 de Fevereiro, tomar uma mini na minha companhia, Pólo Norte, proprietária do blog que ele teima em rebaptizar de baby blog, à laia de pirracinha e raivinha dos dentes, porque toda a gente sabe que o sonho do Pipoco é ter um boobs blog como o meu, com meninas de copa D a enviar-lhe fotos do decote pintado com lápis dos olhos eyeliner preto com o dizer "I <3 Rúben Patrick".

Por coisas cá minhas, a minha desmotivação em fazer amizades a partir disto dos blogs levou-me a adiar por décadas a primeira mini , mas a insistência do Pipoco Mais Salgado, motivada pela ânsia em privar de perto com minha copa F e com o meu QI de 50, a meio caminho entre a debilidade mental e a subdotação loira, acabou por me fazer ceder e abrir uma excepção, não sem antes me ter certificado que o Pipoco não via em mim mais que um decote de fundo com uma cerveja fresquinha em primeiro plano e, naturalmente, estando eu absolutamente certa que o Pipoco era igual, bastante idêntico, àquilo que nos mostrava na qualidade de Rúben Patrick.
Acontece que ontem o Pipoco quase, e aqui chamo a atenção para a palavra quase, me emocionou com este post que, exceptuando todas as falsidades que o enaltecem e me colocam na posição que foi, afinal dele, naquela de deslumbramento pela minha pessoa, podia até ter-me feito "lagrimar", não fosse o facto de acabar a porra do texto com um "És enorme", adjectivo infeliz para qualificar quem está em final de gravidez e, literalmente, enorme.
Posto isto, volta Rúben Patrick, que estás "aperdoado". És grande, estás cá dentro, continua a ser tu 24 horas sob 24 horas. E "faz-me um filho"!*


(* Ou então, pede só uma geladinha para ti e um ginger-ale para mim, que as coisas têm que ser como são! Porque 29 de Fevereiro é quando uma ursa quiser...)

Clube de Leitura Quadripolar- CLQ '12

Pois bem, somos quase 50 quadripolares que irão adoptar o livro "Amor em Tempos de Cólera" do Gabriel Garcia Marquez como leitura do mês de Agosto. Ena, tantos!
O fórum para discussão do Clube de leitura está criado. E foi criado um fórum porque não quero excluir quem não tem facebook. O que não invalida que a página de facebook também esteja criada, ok?
Quem quiser juntar-se é entrar em http://www.clubedaleitura.pt/. Depois seguir o seguinte trajecto: clubes/clubes de leitura de verão/entrar/clube de leitura quadripolar/entrar. Depois de submeterem a vossa inscrição, a ursa aprova e passam a fazer parte deste clube ultra secreto e mega fixe. 
Vamos inserindo novos tópicos de discussão ao longo do mês e no dia 24 fazemos a derradeira discussão da obra. Com chá e biscoitos virtuais. 
Vamos experimentar como corre a dinâmica da coisa. Porque em Setembro fazemos o "Clube de Visionamento de Filmes Hardcore" ok?*

(*Ou não, porque já temos outra obra escolhida para o próximo mês, que isto agora vai ser ler até enjoar!)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A pedido de várias famílias

Aqui.

Ursa- a blogger com voz de garrafão mal lavado

Foto by Prezado

Update dos meus "eu já": "Eu já fiz a Iva Pamela falar para uma tipa chamada Pólo Norte."

O mérito não é de quem conta a história

Contar uma história é simples: observa-se a realidade, organizam-se ideias, escolhem-se palavras. 
No entanto, ninguém consegue prever o impacto que as palavras poderão ter em quem as lê. Ninguém consegue prever se a mensagem é recebida pelo outro exactamente da mesma forma como foi emitida. E acaba por ser esta a magia da comunicação. 
A história da Bia é a história de tantos meninos com leucemia. Infelizmente, a história da Bia continuaria a ser apenas a história de uma Bia se não fossem vós. Porque os leitores do meu blog são os melhores do Mundo. Porque os leitores do meu blog não lêem histórias e ficam indiferentes. Porque os leitores do meu blog não esperam que lhes seja pedida ajuda, voluntarizam-se, maçam-se em querer saber como podem ajudar. Dão-se ao trabalho. Porque os leitores do meu blog arregaçam as mangas e partem para a acção. Porque os leitores do meu blog sabem que podem fazer a diferença, querem fazer a diferença e fazem-na.  
Porque as palavras chegam aos leitores do meu blog ainda com mais força do que foram emitidas. Porque o mérito não é de quem conta a história. O mérito é de quem faz da história realidade. O mérito é de quem faz da história cinco minutos da sua vida para fazer uma transferência bancária, uma hora da sua vida para encaixotar coisas e colocar a encomenda nos CTT, uns dias para tricotar roupinha de bebé. O mérito é de quem passa a conceber a sua vida enquanto dador de medula óssea para ajudar alguma Bia no Mundo. Que bom que fosse esta!
Porque o mérito não é de quem conta a história. O mérito é de quem a faz acontecer. 
Obrigada a todos!

(Hoje às 16h, a Bia e a mãe estarão em directo na TVI. Quem não se sintonizar é um ovo podre!)

terça-feira, 24 de julho de 2012

A LER | Amor em tempos de cólera


Livro de Agosto: "Amor em tempos de cólera" 

(Kima patrocinada pela Almofariza e pela Susana. Leque patrocinado pelo Pipoco Mais Querido.)

Momento speechless do dia

Mesa de café. Prima de 22 anos, Pólo Norte e mámen. 

Prima- ... e estava lá, sossegada, e veio um senhor, um bocadinho mais novo que vocês, e começou a meter conversa...

Pólo e Mámen (em uníssono)- Um SENHOR um bocadinho mais novo que nós? Um SENHOR???

Sabes que estás "grávidobcessiva" quando...

... vês este anúncio e pensas automaticamente na resposta "universalmente" óbvia:



 - "PARIR"?

Lanche gourmet? A ursa explica


Obrigada Titá! Nham. Nham.
(O frasco chegou meio entornado mas não alterou o sabor do doce, garanto-te!)

Um mês depois do primeiro post a falar da história da Bia

  • Houve pessoas que me enviaram e-mails a garantir que se tinham inscrito como dadores de medula óssea;
  • A família da Bia recebeu um "pé-de-meia" generoso da comunidade quadripolar, que ajudou a fazer face às despesas do mês;
  • Criou-se um apartado postal para onde as pessoas têm enviado contribuições em espécie;
  • A revista Nova Gente desta semana publicou uma reportagem de três páginas sobre a história da Bia;
  • O Guilherme nasceu às 34 semanas. Continua internado à espera de conseguir aprender o movimento de sucção. Aguarda-se os resultados de compatibilidade das células do seu cordão umbilical;
  • Criou-se um movimento de entre-ajuda inimaginável;
  • A Bia conheceu o Paulo Sousa Costa, a Carla Matadinho e a bebé Letícia. A família foi portadora de uma encomenda de bens reunidos por um grupo de pessoas generosas e, aproveitando a ocasião, ofereceu o livro do Paulo autografado, gesto que muito comoveu a mãe da Bia;
  •  Amanhã a Bia e a mãe estarão presentes no programa "A tarde é sua", na TVI, apelando para uma maior inscrição de dadores de medula óssea;
  • As minhas amigas Eunice e Sónia foram incansáveis na divulgação da história da Bia. Assim como a blogosfera em peso. Fico comovida que a "crise" ainda não tenha corrompido a generosidade de todos;
  • A Bia está transformada numa irmã babada e participativa. Um mimo que só ela; 
  • Eu ainda tenho a m(Ana) da Bia na barriga. E o kit de recolha de células do cordão umbilical já ali está, à espera que ela nasça, e renove a esperança da Bia. Desta ou de qualquer Bia que precise. 

Nunca mais serei apelidada de pé de chumbo

Com as cãibras que estou a ter ponho-me, estática, de pé e num instante serei uma guru de breakdance.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A LER | 10 Sugestões de casal Norte-Mámen

Porque já estávamos a dispersar e nunca chegaríamos a um consenso, abusei do meu poder de Presidenta do Clube e fiz uma shortlist. Mámen quis meter o bedelho. Daqui tem que sair um livro.
Em que número votam?


1- "A queda de um Anjo"- Camilo Castelo Branco
2- "Dom Camilo e seu Pequeno Mundo"- Giovannino Guareschi
3- "Amor em tempos de cólera"- Gabriel Garcia Marquez
4- "Como água para chocolate"- Laura Esquivel
5- "Presságio de fogo"- Marion Zimmer Bradley
6- "O Fio das Missangas"- Mia Couto
7- "Feliz Ano Velho"- Marcelo Rubens Paiva
8- "Os contos"- Eça de Queirós
9- "Alice no País das Maravilhas"- Lewis Carroll
10- "Orgulho e Preconceito"- Jane Austen

(Que vote na caixa de comentários quem quiser participar)

Clube de leitura blogosférico de Verão

Provavelmente o único ressabiamento que tenho pelo facto de não ser americana- para além de não me chamar Kimberly Tiffany, não ter participado no "Toddlers and Tiaras", não ter sido cheerleader e não ter um namorado que tenha vestido blusões de basebol- é o facto de nunca ter podido participar naquela cena dos "clubes de leitura". 
Daí que, com poucas semanas pelo caminho até à "hora A", pensei em criar um "Clube de Leitura Blogosférico de Verão". Escolhemos um- e apenas um-  livro para ler durante o mês de Agosto e, em data a estipular, juntamos-nos todos virtualmente para o analisar. 
Conto com a ajuda, de quem queira alinhar, para escolhermos uma obra, suficientemente clássica, consensual e conhecida, que nos acompanhe nos dias de praia, no comboio a caminho do trabalho, nos dias de ócio ou whatever. 
Quem alinha? Que livro sugerem?

(Como sempre, depois pensamos nas regras de funcionamento da coisa, ok?!)

Pólo Norte prepara o plano de dieta pós-parto (e eu quero lá sentir-me blogoexcluída?!)

O que deve ingerir para recuperar a forma



Inspire-se nesta dieta, que deve ser iniciada após o nascimento da criança e seguida durante o período de amamentação (ou abiberonção, vá!)

Jantar
Preparar 1 sopa de legumes 60 g de carne magra ou peixe ou 1 ovo
Sintonizar a televisão no TLC no programa "Hoarding: Buried Alive"
Ver antes de jantar
Guardar a sopa inteirinha no frigorífico
Preparar um chá
Ceia
1 água das Pedras
Contar carneirinhos baratinhas para adormecer

Pequeno-almoço
Lembrança da casa badalhoca que se viu na véspera à noite no TLC
Eno digestivo
1 copo de água para acompanhar
Meio da manhã
Tentar sintonizar novamente o TLC
Perceber o que é o stress pós-traumático lembrando-se do esterco do programa da noite anterior
1 chávena de chá para a azia


Almoço
Arriscar comer 1 sopa de legumes
Lembrar-se das ratazanas a passear em cima do lixo na casa porca da noite anterior
Correr para o wc e vomitar
Arriscar nos sais de fruta


1º lanche
1 água com gás
1 sessão de ioga para tentar apagar da cabeça as imagens da véspera
2º lanche
1 dose de fluoxetina
coragem q.b. para voltar a sintonizar o TLC novamente ao jantar

Fui a primeira a desejar-te "Feliz Ano Novo" mas poupei-te à cantoria...



Parabéns, Zé!
Para ti ergo a minha taça!

UDV? Vão comer cocó às colheradas!

Um dos fenómenos a que tenho assistido é dos meus contactos de facebook- invariavelmente os que não prosseguiram os seus estudos a nível superior- escreverem no campo das habilitações da rede social: "UDV (Universidade da Vida)". 
Ao princípio pensei que fosse gozo. Depois, pensei que fosse só picardia entre os que não são licenciados mas que passam a vida a meter-se com os "doutores". Tenho dois ou três espécimes desses em meu redor que passam a vida nisso: "Ahhh, não sabes mudar o óleo do carro? Pois, és "doutora", não te ensinaram isso na universidade, né?" ou "Afinal, afinal, és "doutora" nem sei para quê, nem olhar bem para o quadro de electricidade e perceberes que disparou o disjuntor tu sabes... Bah!"
Depois percebi que era mesmo a sério. Que há quem acredite que viveu mais por não ter frequentado a universidade. Como se a vida fosse uma coisa e a universidade outra e não se compadecessem em marcar presença na vida de uma pessoa em simultâneo. 
Os argumentos são quase sempre os mesmos: "comecei a trabalhar no duro assim que acabei o nono ano, a trabalhar no sítio x (inserir profissão que implique o mais possível mãos sujas) ainda nem tinha 18 anos, casei e comecei a sustentar a minha família aos 21" e por aí adiante. Como se esperassem a admiração e o reconhecimento público pela escolha ou inevitabilidade que os fez não prosseguir estudos superiores. 
Eu escolhi ir para a universidade. E, como inevitabilidade, tive que frequentar uma pública. A média de entrada no meu curso, no meu ano, foi de 16,5 valores. O que implicou, segundo esse prisma, que eu tenha feito uma ESDV (escola secundária da vida) muito mais intensa do que a maioria das pessoas que, por não serem tão dedicadas à escola ou terem mais que fazer, nesse ano não terminaram o secundário e não entraram na Universidade. 
Falo dos que se estavam a cagar para a escola e que hoje sentem necessidade de espetar no facebook que frequentaram a UDV. Dos que ironizam os "doutores" com desdém, como se fosse errado cada um ter seguido o caminho que lhe pareceu melhor. Como se os "doutores" fossem os culpados deles terem que ter frequentado a "UDV".
Tenho a dizer que, não obstante ter frequentado a Universidade. não deixei de viver durante esse tempo. Fiz sacrifícios, estudei, vi ex-colegas alugarem as suas primeiras casas e andarem com as suas vidas para a frente tão precocemente, estudei mais, não tive uma data de fins-de-semana a ultimar trabalhos de grupo, tive que dar explicações para ter dinheiro para as minhas despesas do dia-a-dia, fiz amigos, namorei, fiz sexo louco e desenfreado, acordei anos seguidos às seis e meia da manhã para estar às oito em Lisboa na faculdade. Vivi, meus amores! Vivi que me fartei! E- pasmem-se!- andei na universidade ao mesmo tempo!
Os que não conseguiram frequentar uma faculdade por motivos que nada tiveram que ver com escolhas, por inevitabilidade, merecem o meu respeito. Como merecem o meu respeito os que não o fizeram por opção. Mas com isso não quer dizer que possam pedir, à laia do Relvas, uma equivalência à UDV. Porque vida, senhores, vida todos tivemos.
Se me sinto melhor que alguém por ter tirado um curso superior? Não. Deviam ter conhecido aves raras que andaram comigo na universidade e perceberem que não é isso que define as pessoas. Agora não me venham dizer que por tê-lo feito vivi menos que os outros. 
E há que saber aceitar a realidade. Sem eufemismos. Eu não percebo de óleo de motores do carro nem de disjuntores. Vocês não andaram na universidade. Cada um vive a vida que vive. Na vida não há universidades, MBA's ou programas MIT's. Há vidas. Aceitem-no sem recalcamentos nem tentativas de redução da dissonância cognitiva. 
Sim, lá estou eu armada em "doutora". Licenciada. É licenciada que se diz.
Portugueses com a puta da mania.  

sábado, 21 de julho de 2012

Melhor que gaviscon

Quando vejo fotografias de corpos fotografados do pescoço para baixo e coxas adjacentes deitadas na areia com fundos de mar ao longe, só me vem a cabeça pessoas biamputadas.
Cotos não são uma imagem sexy. A sério.
Só tenebrosa.

Idiotice em três actos

Encontrei uma ex-colega de escola na padaria.

Acto I

Colega- Então, novidades?

Pólo Norte (neste momento portadora de uma barriga imponente) - Nada de especial, tirando estar à espera do grande dia.

Colega- Vais casar?

...





Acto II

Colega- E planos para as férias de Verão?

Pólo Norte (olhando chocada para a imponente barriga)

Colega- Vais ter o bebé, né?

Pólo Norte- Não, vou pedir um clister de hélio para reforçar o perímetro abdominal e transformar-me num balão...





Acto III

Colega- Onde vais ter o bebé? Vais levar epidural ou vai ser tudo ao natural?

Pólo Norte- Vai ser cesariana com anestesia geral.

Colega- Então, vá. Gosto em ver-te. Uma hora pequenina e desfruta o momento.

...

...

...

It's the postman! It's the postman!


A tia Andreia, presidente da seita Quadripolar, não podia deixar de quadripolarizar a Ana. 
Ou, neste caso, tripolarizar. 

Amámos!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Verdadeiramente cool é perceber, finalmente, porque é que "as coisas são como são"

Isso de sair de casa de sandálias e pisar cocó não é cool, Sheila Carina, o que é verdadeiramente cool é acreditar que pisar cocó é uma profecia de sorte, verdadeiramente cool é ser sexta-feira e arriscar jogar no Euromilhões porque se pisou cocó, cool é comprar uma raspadinha cheia da fé que hoje é que é, cool é achar que hoje te vais poder tornar excêntrica e, mais cool ainda, é perceberes, o porquê daquilo que "as coisas são como são" e que o ganhaste hoje foi tão só e apenas um valente pé cagado. 

(Rúben Patrick, confessa que tinhas saudades da Scheila Carina, cariño!) 

O carteiro toca uma vez...

Eles dizem "Havaiana"... Eu oiço "Lá vai Ana!"





Obrigada à Quézia, que me lê do outro lado do Atlântico. Valeu!

Os génios desenvolvem as suas teorias em momentos de ócio

Newton bastou-lhe sentar-se à sombra de uma macieira, levar com uma maçã na pinha e tumbas...Lei da gravitação universal. 

A mim basta-me não saber onde meti a porra do comando da televisão,  ficar obrigatoriamente retida na TVI 24 e percebo que o Primeiro Ministro e o Presidente da República falam muito de-va-gar e com uma linguagem deficitária, tendo, com toda a certeza, uma afasia em comum. Tumbas... Lei da imbecilidade política nacional.


Da Bia. Da famosa Bia.

Saiu hoje na Nova Gente uma reportagem sobre a nossa Bia. Todos a comprar a revista!

Entretanto, a mãe teve alta. O Gui continua no hospital a ganhar peso e a aprender a comer.

A família está babada como qualquer família que acolhe um novo membro!

Obrigada a todos! Nunca será demais agradecer.

Mámen? Ah, mámen será sempre mámen...


E as pistas das prendas estavam todas aqui (ou, ter um mámen que trabalha com crianças torna a vida muito mais divertida e colorida...).

quinta-feira, 19 de julho de 2012

NY por um fio mas o reconhecimento público (e um prémio que não me cabe)

"Olá Pólo Norte (ainda não sei o seu nome...),

É com enorme que lhe venho anunciar que lhe foi atribuído o Prémio Limetree de "O melhor post do mundo!" da Limetree. Parabéns!

Infelizmente não conseguiu ficar nas 15 finalistas, mas como sabe, temos um prémio especial para um post que achemos muito bom de entre os não finalistas. 
Desde o início que gostámos do seu post.

O Prémio Limetree, caso não esteja recordada, é o webdesign e ilustração de um blog, pela equipa que desenhou a Limetree: Wonder Design e a ilustradora Raquel Pinheiro.

Tem também direito a um vale da Limetree para si e 10 vales para oferecer a amigos, leitores ou seguidores. Para usufruir do seu vale deverá registar-se na Limetree (muito simples, basta ir a www.limetr.ee). Depois diga-me qual o endereço de email com que se registou para que o vale seja emitido e enviado.
Quando quiser atribuir um dos 10 vales a alguém basta que nos informe qual o endereço de email a que deverá ser atribuído.


Aguardo o seu contacto para combinarmos os pormenores deste prémio.


Mais uma vez parabéns!"


E diz que os organizadores da coisa acharam que o meu post era o melhor do Mundo. E eu fico lisonjeada. Mas eu sou leal aos meus fornecedores e não troco o design do Prezado nem por um header pintado a ouro e com frescos de anjinhos-ursos barrocos. 
Portantosssss, vou ali saber se o prémio pode reverter para um quadripolar leitor do blog e já vos canto uma cantiga. 
Escusam de agradecer. 

O Mundo divide-se entre... # 76

... as pessoas que em criança tiveram como animal de estimação grilos que viviam em gaiolas coloridas de plástico e os outros.

Orgasmo lésbico, mojitos, psicóloga especializada em comportamento de massagistas, máquinas de fazer pipocas e afins

Saí de casa dos meus avós em 2005. Desde então, tenho lutado, ano após ano, para que no Natal e no meu aniversário a família mais próxima não me ofereça coisas para a casa. O argumento é o mesmo desde há sete anos: não é a casa que faz anos, sou eu. E os avós, a mãe e a tia sempre perceberam a coisa. 
Mámen está formatado e, desde que me conhece, que consegue ser o tipo mais exímio na arte de acertar nas prendas. 
O namorado da mãe, por sua vez, encontra-se no extremo oposto. À pála disso já recebi um pijama da Hello Kitty e, o ano passado, ofereceu-ME um comando extra para a Wii, justificando que era para a minha mãe "ir lá a casa" jogar comigo. Grande cabrão!
Este ano a família começou a sondar-me. "Ah, ainda te faltam os intercomunicadores? Queres como prenda de aniversário?" ou "Vi uns fatinhos giríssimo na "Laranjinha". Queres um vale de oferta como prenda de anos?". 
Resposta: não! Sou eu quem faço anos, não é a Ana. "Ah, quem meus filhos beija, minha boca adoça!"- respondeu, ofendida a minha mãe. Disse-lhe que sim senhora, que tinha razão, que no aniversário dela ir-LHE-ia oferecer  um vale de oferta da Lanidor para que ME pudesse comprar roupinha à vontadex. "Para ti? Isso tem lá algum jeito?", ripostou, ofendida. "Ah mãe, quem tua filha beija, tua boca adoça!". 
Ontem fui "enjoiar" a prenda da minha amiga Xuxi. Aparentemente, a minha amiga mais recente mas a única que acertou na mouche. Tive um orgasmo proporcionado por uma mulher. 
Ok, ela era massagista e o  orgasmo foi de foro muscular mas, a verdade, a verdadinha, foi que, se retirar a parte em que ela me contou a vida dela  toda e pediu um bocadinho de terapia de marquesa, as duas horas de esfreganços, óleos, drenagens e apertos vários foram das melhores coisas que me fizeram nos últimos meses. E note-se que a duração da massagem era, originalmente, de 45 minutos. Xuxi, obrigada! És ab fab, dear!
Cheguei a casa a levitar. Agarrei num copo cheio de gelo e emborquei um mojito sem álcool enviado pela minha amiga Xana. Outra que sabe da vida! 
Aos 32 anos, percebo aquela coisa de que os amigos, às páginas tantas, nos conhecem melhor os gostos e os desejos que a família. Quase que posso jurar que o novo aspirador oferecido pela minha mãe ("ah, não queres prendas de mãe, então levas com prendas de dona-de-casa, para aprenderes!") se ria para mim, ao fundo da sala, ainda dentro do caixote. Bem como a nova máquina de fazer pipocas.
E eu nem gosto de pipocas. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Aniversário em tempos de facebook

Eu sou do tempo em que anotávamos as datas de aniversário dos amigos numa agenda. Lembro-me de, todos os anos, no autocarro que nos trazia da colónia de férias da Vagueira e depois na da Gala, trocarmos moradas, telefones e datas de aniversário com os novos amigos. 
Os amigos de sempre não tinham a data escrita senão na memória, porque a festa anual repetia-se à força de juntos a comemoramos. Ainda hoje, ainda que as vidas nos tenham separado, não há dia 10 de Outubro em que não me lembre que a Joana faz anos, 12 de Março o Francisco, 29 de Fevereiro a Sofia e o Hugo e 18 de Março o João. 
Ainda hoje, ligo sempre no dia 2 de Janeiro para a Cláudia e no dia 25 de Setembro para a Rita, vizinhas de infância. Mando sms a 23 de Fevereiro para a Ana, a minha ex-colega preferida dos tempos da Casa Pia. Decorei as datas de aniversário das pessoas importantes que a vida me veio trazendo: 24 de Abril é o dia da Xana, 26 de Fevereiro o da Catarina, 26 de Setembro o da Cláudia, 29 de Fevereiro o Zé Miguel, 12 de Março o da Inês, 1 de Novembro o da Rita. 21 de Outubro o do Pedro, 28 de Setembro o da Rosa e 16 de Outubro o da Vanda. 
Esta é a razão pela qual não coloquei a data do meu aniversário nos lembretes do facebook. Porque não quero desejos de parabéns dados pelos meus amigos à força de um alarme do facebook. Porque sei que, para os amigos que são importantes, a data mora lá, na lembrança de festas de anos partilhadas, de risos vividos comigo, de parabéns cantados em coro.
É por esta razão que, ontem, me comovi com cada um dos telefonemas, mensagens, e-mails. Porque se lembraram que era o meu dia. Porque, também para eles, 17 de Julho é o dia da Pólo Norte.
E sabem-no sem que seja preciso o Mark Zuckerberg lhes dar o toque naquela de "não te esqueceste, pois não?"

Como amolecer uma ursa?- Exemplo 4

"Hoje faz anos a ursa mais popular da blogosfera, a Miss Polo Norte, cujo blog tenho o prazer de seguir, quase desde o início.
Os seus textos são como as cerejas, é impossível ler só um, com a vantagem adicional de uns serem bastante mais condimentados que outros. Uns são umas verdadeiras ginjas, outros menos doces. Há também alguns verdadeiramente picantes e outros ainda agridoces, numa variedade que não se encontra nas cerejas… Através deles vai dando aos seus leitores a sua perspectiva da vida e da sociedade, partilhando o quer partilhar, deixando de fora o que bem entende.
Gostava de lhe oferecer um bolo, mas hoje não estou em maré de cozinha e, também não ia chegar a tempo ou, pior ainda, podia chegar estragado ou fazer-lhe mal e isso não quero de forma alguma. Todos os seus leitores sabem do seu estado avançado de gravidez e não quero correr esse risco.
Não a conheço pessoalmente, por isso não sei se é alta ou baixa, magra ou menos magra. Sei que tem um grande coração e unhas afiadas que sabe usar, com frontalidade e sem subterfúgios. Dizem que atrás de um grande homem está uma grande mulher. Não sei se é verdade, tenho uma versão alternativa, mas não digo agora, Sei, com toda a certeza que atrás desta grande ursa está uma Grande Mulher.
Muitos parabéns, Pólo Norte!"

Obrigada, Tio!

E porque já cá cantam 32...

Nos próximos dez anos :
Quero conhecer índios da Amazónia. Quero praguejar em filas de trânsito. Quero tirar um curso de fotografia.Quero andar de limusine e apanhar um pifo de mojitos com a Xana e a Catarina. Quero dar colo à minha filha. Quero dormir numa cabana nas Ilhas Bijagós. Quero vestir o 36. Quero que a minha medula seja compatível com a de alguém. Quero ir às festas do Senhor Santo Cristo e coroar. Quero ter um cão rafeiro alentejano. Quero oferecer um curso de massagens a mámen. Quero voltar a usar lentes de contacto de cor. Quero pintar todos os cabelos brancos. Quero ir a Quioto. Quero comprar mais umas dezenas de óculos de sol. Quero tomar uma vacina que me cure do herpes labial. Quero voltar a andar de moliceiro. Quero ser dona de um hostel. Quero uivar para a lua com a Rita. Quero que as minhas maminhas não descaiam. Quero trabalhar nas Produções Fictícias. Quero que nunca acabem as kimas de maracujá. Quero dançar um tango com um Argentino. Quero ler muitos livros. Quero uma horta de ervas aromáticas. Quero organizar festas de anos de crianças. Quero ir ao Rio de Janeiro.  Quero que seja inventado o sushi light e quero comer quilos de sushi sem engordar. Quero continuar a ter lata para mandar alguém para o caralho quando me apetecer. Quero que seja inventada a depilação verdadeiramente definitiva. Quero apanhar muito sol na pele mas sempre com protector solar. Quero mil jantaradas com os amigos no jardim da casa nova. Quero levar os meus melhores amigos à Caldeira de Santo Cristo. Quero olhar para o talão do multibanco sem fazer uma careta. Quero casar em Las Vegas. Quero ter um closet. Quero um daqueles aviões comerciais com uma faixa a dizer que alguém me adora. Quero ser madrinha de casamento da Daniela. Quero uma biblioteca com escadas de biblioteca. Quero perder o mínimo de gente possível. Quero ser Presidente de uma Associação. Quero experimentar fazer ioga sem me desmanchar a rir. Quero que me façam uma serenata. Quero dizer à minha mãe mais vezes que a amo. Quero ganhar um prémio qualquer da Fundação Gulbenkian. Quero fazer um cruzeiro pelas Ilhas Gregas. Quero ter uma lareira. Quero voltar a gostar de fazer anos. Não quero deixar de ser mulher em prol dos diferentes papéis sociais que vou assumir progressivamente. Quero voltar à Tunísia de carro. Quero engolir pirulitos no mar. Quero banhos de imersão em banheiras redondas. Quero ser madrinha do bebé da Catarina. Quero encontrar "the job". Quero SPA's e massagens todos os meses. Quero ir à Turquia. Quero acreditar que vou acertar na chave do Euromilhões. Quero ir a uma sessão espírita. Quero comprar um colar de pérolas verdadeiras. Quero que o meu nome passe nos créditos de um filme. Quero aprender a aceitar a morte. Quero continuar a gostar de escrever. Quero manter o bom humor. Quero organizar um baptizado em S. Jorge. Quero fazer novos amigos. Quero fazer uma daquelas brincadeiras do "Free Hugs".  Quero experimentar comida de outros países. Quero aprender a tocar um instrumento musical. Quero ir a um Carnaval de caretos em Trás-os- Montes. Quero entrar num filme pornográfico caseiro. Quero que a Roger & Gallet continue a fabricar o meu perfume. Quero andar de balão. Quero ganhar sempre que jogue Scrabble. Quero apresentar o mar à minha filha. Quero andar no Expresso do Oriente. Quero aceitar com dignidade as primeiras rugas.  Quero fazer outro cruzeiro. Não quero que me dê nenhuma pancada para fazer uma tatuagem. Quero manter este blog até me continuar a dar pica. Quero plantar um limoeiro. Quero assistir aos nervos do primeiro dia de escola. Quero nunca me esquecer do cheiro e do som da voz dos meus avós. Quero continuara a não ter medo de dizer o que penso. Quero assistir aos sonhos concretizados de todos os meus amigos. Quero concretizar os meus. E continuar a sonhar. Quero viver.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

31 coisas que deves fazer antes de completares 32 anos

1- Ter um animal de estimação que é parte da família 
2- Mascarar-te de personagens cliché no Carnaval 
3- Ter o teu momento "Closer" 
4- Apaixonar-te pelo teu melhor amigo 
5-  Coleccionar coisas estúpidas
6- Sobreviver a um desgosto de amor 
7- Recolher e partilhar memórias para um dia se poder dizer "Eu ainda sou do tempo..." 
8- Viver um grande amor (ou o maior) 
9- Assumir que já houve dias em que foste uma grande puta
10- Tirar esqueletos do armário e analisá-los, sem raiva, à luz dos anos passados
11- Acumular títulos ridículos ao longo da vida
12- Conhecer homens errados (para que, quando chegar a altura, possas valorizar o certo) 
13- Ir actualizando as tuas máximas de vida
14- Rodear-te das pessoas certas e canalizares as tuas energias para gastares com elas 
15-Recusar a auto-vitimização e as generalizações idiotas
16- Fazer, pela primeira vez, uma declaração pública de amor
17- Aprender a ver o Mundo de pernas para o ar
18- Apanhar um desgosto quando descobres que cresceste a acreditar numa farsa
19- Aprender, à força, o que é a saudade.
20- Reencontrar um ódio de estimação de adolescência e constatares o bom que é teres amadurecido
21- Arrepender-te de teres magoado alguém que amaste
22- Aprender a amar em abstracto. 
23- Pedir desculpas, de forma genuína, a alguém que magoaste intencionalmente
24- Juntar novas músicas à banda sonora da tua vida
25- Concretizar, pelo menos, uma das tuas viagens de sonho
26- Engolir tudo aquilo que criticavas na tua mãe
27- Criar os teus próprios rituais e instituíres as tuas próprias tradições
28- Enfrentar as perdas com olhos postos nos ganhos
29- Sentir que o que não te derrubou fez de ti uma pessoa mais forte. E melhor. 
30- Valorizar o conceito de família. 
31- Não ter medo de assumir que és feliz. 



Nos últimos dez anos (Post anual revisto e aumentado. E, a partir de agora, sempre escrito na véspera do meu aniversário)

Ganhei uma viagem à Eslováquia com o meu melhor amigo e curtimos milhões. Fiz um piercing. Andei na faculdade. Baldei-me pela primeira vez a uma aula. E apanhei-lhe o gosto. Fui aos Açores sozinha com o meu namorado e foi uma trabalheira para que a minha mãe alinhasse nisso. Conheci as minhas duas melhores amigas e vivemos montes de aventuras juntas. Fui a Londres uma vez, e outra e muitas outras. Percebi que pertenço aquela cidade(Começa agora, porque o que está riscado já foi há mais de dez anos)
Estagiei numa prisão e encontrei detido o meu primeiro namorado condenado por tráfico de droga. Percebi que não podia ser Psicóloga Criminal. A minha avó teve um AVC e pensei na possibilidade da morte pela primeira vez. Acabei a licenciatura na era pré-Bolonha. Vesti pela primeira vez um traje académico para fazer os meus avós felizes na Benção das Pastas e nunca me senti tão ridiculamente vestida. Respondi a dezenas de anúncios mas enviei um CV espontâneo para a Casa Pia de Lisboa quando estalou o escândalo da pedofilia e fui chamada para lá trabalhar. Estive lá mais de dois anos e adorei o trabalho mas detestei a instituição. Apanhei um processo disciplinar interno e orgulho-me disso. Assisti a um show de dança do varão. Arrependi-me veementemente de ter seguido Psicologia. Fui madrinha da Tatá. Cortei o cabelo. As minhas melhores amigas piraram-se para a Guiné-Bissau e Luxemburgo. Voltei a Londres e aos Açores mais que uma vez. Descobri que o sítio mais bonito do Mundo é a Caldeira de Santo Cristo, em S. Jorge. Coleccionei avidamente relógios da Swatch. Desisti de ser Psicóloga Social. Tive vontade de trabalhar não por gosto mas por dinheiro. A minha mãe teve um cancro na laringe e mesmo depois de ser operada não a consegui convencer a deixar de fumar. Tornei-me membro activo de uma associação. Fui a Cabo Verde com uma amiga e não morri de amores pela Ilha do Sal. Comecei a fumar.Trabalhei 60 Km longe de casa e demorava 2 horas e meia para cada lado no trajecto casa-trabalho para ganhar experiência em Psicologia Organizacional. Fui madrinha de casamento da Cláudia. Fiz o meu primeiro blog com quatro amigas. Casei. Tirei o piercing. Aluguei a minha primeira casa. Mudei de estado civil mas nunca no bilhete de identidade. Devorei revistas de decoração.Tive o meu primeiro carro: um Citröen AX potentíssimo. Li centenas de livros. Viajei para a Tunísia e ainda trago o cheiro do jasmim a embrulhar-me a memória. Vi o nascer do sol mais bonito de sempre em pleno deserto. Deixei de gostar dos relógios da Swatch e tenho quase cem a tiquetar numa gaveta lá de casa. Fiz um inter-rail com a minha prima e visitámos Madrid, Barcelona, Andorra, Paris, Côte d'Azur, Mónaco, Turim e Roma numa famigerada auto-caravana. Vi dezenas de filmes. Apaixonei-me quando não o devia ter feito. Engordei. Fui a festivais de Verão. Fiz arranjinhos entre amigos e acumulei três casais consumados no curriculum. Fui a Barcelona quando estavam a rodar o "Vicky Cristina Barcelona". Quase que tive a minha primeira experiência lésbica numa casa de banho das Ramblas. Deixei de falar com o João. Transferi a tara dos relógios da Swatch para as contas da Pandora. Experimentei drogas novas. Tive aulas de escrita criativa particulares demasiado "produtivas". Odiei o namorado da minha mãe. Conheci pessoas da net que permanecem como amigos e outras que nunca o deveriam ter sido. Descobri que a vodka tónica é a melhor bebida alcóolica do Mundo. Enchi duas pulseiras da Pandora e quando começaram a estar na moda fartei-me e arrumei-as. Separei-me. Pintei o cabelo de castanho. Dei sangue. Trabalhei numa empresa com os melhores colaboradores do Mundo. A empresa faliu. Roí as unhas até ao sabugo. Caí num enredo que mais parecia uma novela mexicana e agora rio-me disso. O meu avô morreu. Pensei que ia morrer. Nunca mais voltei ao cemitério depois do dia do funeral. Deixei de fumar. Experimentei sushi. Mudei de empresa e mudei essa empresa. Fui a festivais de Verão. Comprei dezenas de óculos de sol. Fiz novos amigos. Estive prestes a cometer um homicídio qualificado de 1º grau. Viajei sem destino. Tornei-me viciada em sushi. Fiz mais uns blogs até ter o Quadripolaridades que é O blog. Consultei pela primeira vez um psicólogo. Bem como um astrólogo. Dei esmola a pessoas velhinhas sempre que me cruzei com uma que pedisse dinheiro na rua. Voltei a beber ginger-ale. Pensei em emigrar. Sonhei em ser proprietária do Aya. Reconciliei-me com a vida que tinha e fiz dela a vida que eu quero ter. Viajei para a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo, a Alemanha e a França. Fui muito feliz em Orval. Bebi um Cosmopolitan no terraço do Sofitel. Penso no meu avô todos os dias mas já não dói quando o faço. Voltei a deixar crescer o cabelo e voltei a ser loira. Viajei clandestinamente e adorei. Nunca dei esmola a um arrumador de carros que fosse. Senti o tempo passar rápido demais. Despedi o meu Director Geral. Vivi montes de flirts e casos. E um one night stand com um desconhecido. Pensei deixar tudo para trás e começar de novo mas depois arrependi-me. Fiz praia como há muito não fazia. Reencontrei o meu pai passados quase dez anos. Traí. Apanhei algumas tosgas. Coloquei unhas de gel (sem brilhantes) mas ainda assim arrependi-me. Fui traída. Voltei a roer as unhas. Pensei em ser mãe. Deixei de fazer planos. Comprei uma Bimby e aprendi a cozinhar. Não me apeteceu fazer 30 anos mais do que uma vez. Comecei a coleccionar máscaras. Soube que ia ser tia num restaurante suiço em S. Martinho do Porto e criámos a tradição do "moche à prenha". Consegui preparar uma festa surpresa genial sem me "descoser". Fiz uma road trip pela Escócia com a minha melhor amiga e o homem que amo. Fiz uma lipoaspiração não invasiva. Vi focas em pleno oceano Atlântico. Tomei o pequeno almoço na Garret tantas vezes quanto me apeteceu. Apaixonei-me pela ilha de Skye. Bebi whisky de quase 50º. Fiz nudismo numa praia do litoral alentejano. Arrependi-me de ter traído. Comecei a usar uma aliança simbólica no dedo anelar direito. Despedi largas dezenas de pessoas. Chorei, pela primeira vez, ao despedir uma em especial.  Fui desrespeitada como nunca tinha sido antes. Voltei à Vidigueira. Levei duas anestesias gerais. Percebi que tenho amigos com quem posso mesmo sempre contar. Dei entrevistas a revistas da minha especialidade. E a jornais generalistas. Voltei a andar de gaivota. Consegui lugar no qual me encaixo a cem por cento no colo de um homem. Fui tia da Catarina. Aderi de vez ao Skype. Fiz uma viagem pelos caminhos de Portugal com uma mochila às costas. Apaixonei-me pela Barragem do Alqueva. Deixei de me preocupar antes das coisas acontecerem. Estive numa praia fluvial pela primeira vez. Fui o mais feliz que já experimentei ser num restaurante em Monsaraz. Comecei a olhar para os tintos do Douro com outros olhos, traindo o meu amor exclusivo aos tintos Alentejanos. Ainda não enjoei de ovos moles de Aveiro. Nem de doces em geral. Fui a tribunal e ganhei um processo judicial. Estive num clube de Swing. Vi o pôr-do-sol na Barragem do Alqueva a dois, com gargalhadas cúmplices. Gastei rios de dinheiro em restaurantes. Perdi a minha vesícula. Passei a ser cordial com o namorado da minha mãe. Vivi a selecção natural das espécies aplicada aos amigos e eliminei gente que não cabia na minha vida. Bebi tantas kimas de maracujá quanto pude. Inesperadamente nasceu em mim um sentido instinto maternal. Mudei de área profissional e voltei às origens.Percebi que antes de ser Directora de Recursos Humanos, sou Psicóloga. E que antes de ser Psicóloga, sou mulher. Herdei uma casa. Tornei-me menos ansiosa e mais tolerante. Nunca perdi o sentido de humor. Revi as minhas prioridades. Comecei a negociar com arquitectos e empreiteiros para transformar a casa herdada na minha casa de sonho. Passei um Natal no hospital. Completei 30 anos. Conduzi um carro "follow-me". Conheci a ilha de Santa Maria. Coleccionei muitas milhas de avião em trabalho. E muitos Km de carro. Preferi sempre o comboio. Comprovei a generosidade do povo açoriano e fui às festas do Divino Espírito Santo. Lá fiz amigas que conto serem para a vida. Vi o Guernica ao vivo. O meu blog permitiu-me conhecer, em Madrid, um par de novos amigos. Comi mulles em Bruxelas. Pedi desculpa à Susana. Fui feliz em Bruges e andei de comboio a cantar músicas pirosas a caminho do Luxemburgo. Ajudei a minha sobrinha Catarina a apagar as velas do seu primeiro aniversário. Comprei um termómetro kitsch na Floresta Negra. Apaixonei-me pela Alsácia. Fui ao Jardim das Borboletas. Comemorámos outro Natal em Agosto. Vi quadros de Magritte ao vivo. Fui tia da Mariana. Fui feliz nas Termas de Monchique. O Aya fechou. A Cláudia divorciou-se. Dos três arranjinhos que fiz entre amigos já tenho menos um no curriculum. Fiz franja e arrependi-me na hora. Tentei pedir desculpas ao João. Recebi centenas de postais de Natal. Enterrei o assunto João definitivamente. Troquei prendas de Natal inúteis. A minha avó morreu. Voltei ao maldito cemitério. Eu, enquanto neta dos meus avós, morri de vez. Fiquei numa tristeza sem fim. Inscrevi-me como dadora de medula óssea. Cortei relações com uma das minhas primas. Não tive Natal. Fiz um filho. Voltei a jogar Monopólio. Penso nos meus avós todos os dias. Descobri que estava grávida. Levei a minha afilhada ao Jardim Zoológico. Sinto orgulho, todos os dias, no pai que escolhi para a minha filha. Adorei dar a notícia da minha gravidez à minha mãe, tia, Daniela, Catarina, Xana, Cláudia e Rosa. Jantei no terraço mais cool de Nova Iorque. Conheci o sósia do Joaquin Cortés e a minha alma gémea ab fab. Fui parar a um Hilton onde pernoitei de borla à custa da avaria de um avião da Ibéria. Emocionei-me ao ouvir um coração numa ecografia. Consegui um livro autografado pelo António Lobo Antunes. Descobri que ia ser mãe de uma menina. Alcancei a serenidade familiar e conjugal com que sempre sonhei. Decidi que ia dar o nome da minha avó à minha filha. Baldei-me ao trabalho para acompanhar uma amiga a um exame médico. Decorei, a dois, um quarto de bebé. Comemorei um aniversário colectivo numa data em que ninguém fazia anos. A Inês e o Pedro casaram e eu não pude estar presente. Consegui, passados quase dois anos, uma licença e um alvará de construção. Aumentei, com a ajuda dos amigos, a minha colecção de máscaras. Contribuí para ajudar a família de uma menina com leucemia. Recebi prendas de pessoas que só me conhecem pela escrita e fiquei emocionada. Senti o tempo passar devagar demais. Assisti à transformação da minha mãe num monstro de pré-avó. E adorei. A minha franja cresceu. Fiz planos priorizando aspectos que nunca tinha equacionado. Escrevi tracinhos que simbolizavam dias, colei-os no frigorífico e fui-os riscando à medida que foram passando. Senti-me impaciente. Odiei estar grávida. Diverti-me com a sensação de ter uma criança a mexer-se na minha barriga. Não me apeteceu fazer 32 anos. 
Fiz caminho, caminhando. Fui infeliz mas, na maioria das vezes, fui muito feliz. Vivi.

domingo, 15 de julho de 2012

"Os livros da Anita"- by mámen

Hoje, estendi a toalha no areal. Antes disso, escavei um fosso onde encaixar a barriga e dois pequeninos para as minhas "wonderland boobies".  Deitei-me de barriga para baixo e comecei a babar.

Mámen (com voz de apresentador de circo): "Ainda antes de Anita no ballet ou Anita vai à quinta, apresento-vos a minha filha: Aaaaanita vai ao bunker".


....

...

sábado, 14 de julho de 2012

Como se comenta isto?

Sintonizo a televisão na RTP1.
Porra, como é que os dois filhos de um casal cego decidem homenageá-los cantando o "Anda comigo VER os aviões"? :/

O Guilherme nasceu!

O irmão da Bia nasceu.
E, com ele, a esperança -que se espera seja concretizada- de que a Bia renasça também.

Bem-vindo, Gui! Olá, bebé!

American people does it better

Hoje acordei cedinho e comecei a ver o "Encantador de cães" na SIC Mulher.

Lá estava retratada a história de duas cadelinhas agressivas: a "Gucci" e a "Prada".

Ainda bem que isto ainda não chegou a Portugal.

Temo pela moda de se chamar aos cães "Modalfa" e "Zippy".

Sim, vamos para o inferno! (à Luna e ao Pedro)

À Luna


Ao Pedro

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Porque hoje é dia 13...

Mamonas assassinas

Este post tem sido adiado sucessivamente. Primeiro, porque sei que vai gerar polémica, em segundo lugar porque as minhas hormonas já não são o que eram e corro o risco de ser gratuitamente mal-educada e, em terceiro, porque escrever sobre isto implica alguma pachorra e bom senso. Mas eis que chegou o dia. 
Tema: amamentação.
Preparados? Eu não faço intenções de dar mama à minha filha. Pronto, já disse.
Poupem-se as pessoas que estão já de dedos no teclado a quererem-me esclarecer sobre a cartilha de benefícios da amamentação que eu já a conheço de cor: o poderoso factor imunológico do leite materno, a vinculação (discutível a meu ver e olhem que eu sou psicóloga e o pai da cria pedopsicólogo, tá?) afectiva que se cria nos momentos de amamentação, a portabilidade e acessibilidade das mamas no que diz respeito ao transporte do leite, a melhoria do desenvolvimento neuro-psicomotor infantil e cognitivo, o possível aumento do QI (ainda bem que a minha mãe não me amamentou senão imaginem a sobredotada incompreendida que eu seria?!), a promoção de um melhor padrão cardio-respiratório durante a alimentação, a diminuição mais rápida do volume do útero e consequente emagrecimento por parte da mãe, o menor risco de hemorragia no pós-parto e, claro, o factor anticoncepcional da coisa. Para não falar do factor economicista da coisa. 
Pronto, agora que vos provei que conheço, de cor, as vantagens da amamentação vou repetir: não pretendo dar de mamar à Ana e é por opção. E só mudarei de ideias caso a obstetra me diga, peremptoriamente, que a vida da minha filha ficará comprometida se não o fizer. O que, até ver, não será o caso. 
E, sim, poderia disfarçar e dizer que "não posso amamentar" e que tenho muito desgosto por isso. Que, assim que parir, terei que tomar um antibiótico fortíssimo para curar a puta da infecção que me persegue há meses e que, devido à gravidez, não posso tomar. E que não o poderia tomar também se estivesse a amamentar. E esse argumento até é verdadeiro. 
Mas a verdade, a verdadinha, é que nunca fiz intenções de amamentar. Por inúmeras razões que vão desde as fúteis e estéticas às de comodismo. Às de egocentrismo e incapacidade de abnegação total. Às de necessidade de não anular o meu bem estar emocional em troca de leite directamente vindo da fonte para a minha filha. E, porque, fundamentalmente, é uma decisão passiva de ser uma escolha e há alternativas em que eu acredito. E escolho-as, conscientemente. 
E, meus amigos, eu própria não fui alimentada a mama (secou o leite à minha mãe) e sobrevivi à prematuridade, a 1600 Kg de peso à nascença, a uma doença gravíssima, a uma cirurgia com 15 dias de idade no Hospital Pediátrico de Coimbra (salvé, Dr. Torrado da Silva!) porque na Estefânia se recusaram a operar-me e a uma meningite no pós-operatório. Tirando as sequelas que ficaram (ortopédicas e urológicas) eu sou aquela que nunca ficou constipada, nunca teve uma dor de ouvidos ou garganta. Sou a pessoa mais resistente que possam imaginar! Quanto ao QI? Epá, sempre fui uma excelente aluna, nunca chumbei a uma cadeira que fosse, quanto mais um ano? Sou perspicaz e espertíssima! Quanto à vinculação com a minha mãe? Esta dispensa explicações.
Resumindo: eu sou a prova provada que, embora o leite materno seja a situação ideal, o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta. 
E, quanto mais a gravidez avança, mais certezas eu tenho quanto a este ponto: a Ana será alimentada a leite adaptado. Não dependerá de mim de duas em duas horas mas sim de ambos os pais. Porque, depois da gravidez, passamos a ser uma equipa. E criará uma relação igualmente vinculativa com ambos os progenitores e não uma privilegiada comigo. E, sabem que mais, para mim a parentalidade só assim faz sentido. 
O plano é, fundamentalmente, eu poder aliviar os 9 meses de exaustão que estou a carregar nos ombros e não perpetuá-los com a amamentação. Poder dormir quando for a vez do pai dar o biberão. E serão vezes igualmente repartidas porque, nesta família, o bebé não será da mãe e ao pai não caberá apenas a tarefa de "ajudar". O plano é não correr o risco de stressar com possíveis dores, encaroçamentos e frustrações do bebé não "pegar" nas ditas cujas. Não ter que fazer algo que encaro como sacrifício e não como prazer. Ou, como escreveu alguém numa caixa de comentários mais abaixo: "mais vale um biberão com amor do que uma mama com sacrifício".
Não condeno as escolhas de nenhuma mãe. Por mim, tirem fotografias às barrigas cheias de estrias, tenham partos em casa, dispensem médicas e contratem doulas, comam placenta, tenham partos debaixo de água, façam cesariana por opção, dispensem epidurais, amamentem até à adolescência, usem leite materno para fazer bolos, coloquem as fotografias dos vossos filhos na Internet. Cada um sabe o que é melhor para si e o que eu valorizo não tem que ser o que os outros valorizam. Não temos que nos reger todos sob a mesma batuta. Importante é que as escolhas que cada um toma sirvam a cada um, que lhes proporcionem bem estar e felicidade. Portanto, quando alguém me perguntar porque não amamento a resposta é simples: "PORQUE NÃO QUERO!". 
O que eu quero é usufruir, com a alegria que as escolha que faço (fazemos) me irão proporcionar, a maternidade. Neste caso, porque nas minhas mamas mando eu.
E eu é que decido. 
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