... entre as pessoas que, mal espreita o Outono, ainda andam de chinelos e as que passam logo a andar de calçado fechado/botas
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
Ana explica à avó como dá a volta ao pai...
terça-feira, 28 de setembro de 2021
Ana com febre*
"Do que gostaste mais do fim-de-semana fantástico, Ana?"
Gostava de morrer velha.
Gostava de morrer velha. Velha, velhinha. Ainda melhor, gostava de morrer velha e de velhice. Como se a vida quisesse pedir a conta final e fechar a despesa, satisfeita e de papo cheio, pronta a levantar o rabo da mesa e sair de mansinho, olhos fechados, memórias arrumadas, papo cheio, sensação de fecho da loja.
domingo, 26 de setembro de 2021
O Mundo divide-se...
...... entre as pessoas que acordam com o humor certo e não querem conversa de manhã e as outras.
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Merdas que vocês fazem aos vossos filhos para serem nomeadas para ganharem a "grã ordem de mérito da maternidade abnegada, sacrificada, carmelita descalça, cheia de culpa judaico-cristão, freudiana" e que nunca pensaram que um dia descessem tão baixo ao inferno-maternal de tal modo que batessem no fundo.
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Apartas o cabelo ao meio
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
Inventámos o nome de uma síndrome
terça-feira, 14 de setembro de 2021
Primeiro dia de aulas do 4º ano
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
As fitas
Mas depois ele continuou "e as fitas? Lembras-te das fitas?" e um portal de memórias recalcadas se abriu, como se fosse uma epifania do passado, uma visão de dor que enterrei num poço da minha memória- a psicologia explica- acabava a hora da visita a seguir ao jantar que era dado demasiado cedo, acho que pelas 19h, e a minha mãe e todas as visitas iam embora e vinham as irmãs, vestidas com o hábito creme, com as fitas.
Às vezes eu choramingava, tinha 4 anos, 5, 7, 8, era pequena, choramingava "não quero as fitas! Tenho comichão e não me consigo coçar" e elas não me respondiam, não me explicavam, não me consolavam, limitavam-se a apertar as fitas à volta do meu corpo pequen ino e prendiam com firmeza e eu ficava sem me mexer toda a noite, às vezes durante muito tempo a olhar para o tecto da enfermaria e a pensar que a comichão iria passar e que a minha mãe chegaria no outro dia e ouvir os gritos de outras meninas: "tirem-me as fitas! Tirem-me as fitas!", depois passos delas e o silêncio a calar os gritos das outras meninas.
Eu desisti de pedir, percebi que não me ouviam, não queria que os passos se aproximassem e se pedisse apertavam com mais firmeza, nem uma palavra, às vezes eu enchia o peito de ar para ficar com mais folga e poder mexer-me melhor até mas tirarem de manhã, muito cedo, acordavam-nos as sete para lavarem o chão com lixívia e umas máquinas que aspiravam e enceravam, tudo tinha que cheirar a limpo, a doença cheira mal.
Nunca ninguém me abraçou, consolou ou alargou as fitas, em noites apertadas e silenciosas à espera de manhãs asséticas e da minha mãe chegar outra vez.
Ele carregou com o dedo na ferida cicatrizada em vão"lembras-te das fitas?" e eu lembrei e perguntei, agora, à minha mãe se era real ou se o sonhara. "Era para vocês não caírem das camas!" e eu sei que ela acredita nisso, as irmãs diziam e ninguém questionava as irmãs- é a memória da minha mãe sobre as fitas mas não é a realidade e eu nem me lembrava que havia esta realidade mas ele perguntou pelas fitas e agora não me consigo esquecer de dormir de colete de forças grande parte da minha infância naquele hospital, do cheiro a lixívia e de tudo o que mais queria no Mundo era a hora em que chegava a minha mãe.
domingo, 12 de setembro de 2021
Tudo o que aprendi na gravidez foi com o Lobo Antunes
sábado, 11 de setembro de 2021
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
E estava óptimo. Mas hoje sinto-me a lamber todas as salinas desde Aveiro a Rio Maior.
Bacalhau à Brás.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Materno skills aos 9 anos e um mês da miúda
Saber qual a quantia exacta que a fada dos dentes coloca debaixo da almofada quando lhe cai um dente- checked
Saber o ângulo que os olhos devem arregalar para impor respeito à miúda quando lhe abrir os olhos sem parecer que acabei de fumar umas ganzas nem que sou um carneiro mal morto- checked
Saber o tipo de bolachas e de leite que o Pai Natal come para lhe deixar na varanda na véspera de Natal- checked
Treinar a cadência da expressão “che-gan-do a ca-sa con-ver-sa-mos”- checked
Saber sempre o nome da melhor amiga actualizado para poder usar com legitimidade a frase “não penses que falas comigo como falas com a tua amiga Joana”- checked
Saber que ela está com febre sem usar termómetro e apenas encostando os meus lábios à sua testa- checked
Ter lenços de papel na carteira que aguentem saliva para poder limpar caras badalhocas da mesma forma que odiava que a minha mãe me limpasse a mim- checked
Saber o tempo médio de um castigo para não ser rígida demais nem branda em demasia- checked
Bater palmas com convicção na plateia de cada teatrinho da escola mesmo que ela tenha tanto jeito para as artes cénicas como eu- checked
Saber exactamente o timing da contagem progressiva do "uuuuum, doooooooois...." e nunca chegar ao "trêêêês!" dando-lhe tempo para ela sair de onde está sem eu ter que me descabelar com ela- checked
Dizer com ar convicto “não te deixo comer gelados de água que isso é uma porcaria, escolhe antes um de leite”- checked
Não me esquecer de reparar em como vai agasalhada e acrescentar, invariavelmente, um “não te esqueças do casaco, que vai fazer frio!”- checked
Nunca a deixar entrar no portão da escola sem lhe dizer que a amo, mesmo que às vezes, sem querer ou de propósito, a possa vir a embaraçar- checked
Conseguir abrir a puta da tampa do Ben u ron- checked
It's Wednesday and I'm not in love
Am I alone?
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Socorro!
O prémio do objeto escolar mais inútil vai para a borracha nova da minha filha
A minha família e amigos dividem-se entre...
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
sábado, 4 de setembro de 2021
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
Casamentolimpíadas: rumo à prata!
O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.
Casamentolímpicos: rumo à prata






