sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Deixai vir a mim as criancinhas!

‎"Glória e o reino distante 

 A Glória, muito curiosa que era, disse à mãe: 
- Mãe, quero partir para o reino Polaridades, lá diz que quem encontrar o tesouro perdido há mais de 1000 anos, fica com ele. Vale uma fortuna...
 - Podes ir! Mas três coisas: quero que tenhas cuidado, que partilhes o tesouro e que leves a tua Fada de Olhos Fechados - disse a mãe, muito preocupada. 
- Claro! - disse a Glória, muito excitada. 
A Glória foi apanhar um avião que voava para o país Quadripolaridades. 
Embora a meio do caminho tenha havido o contratempo do avião ficar sem gasolina, conseguiram continuar o seu percurso. 
Quando chegaram, a Glória foi para o reino Polaridades e disse:
 - Vossa Majestade, vou tentar encontrar o tesouro perdido. Tentou ir aos prisioneiros do reino... 
Sim, lá estava o tesouro! Mas a chave estava guardada por um troll. 
Tentou dar facadas, marteladas e pancadas. No fim descobriu que a única coisa que tinha que fazer era tocar-lhe. 
Voltou para casa com o tesouro e a mãe ficou feliz de ter a sua filha de volta."

 Rita Garcia (9 anos), filha de mãe quadripolar, também ela forte candidata a quadripolar. 
Este texto valeu-lhe um 97% num teste.

Pólo Norte <3 you, girl!

E hoje...

... acaba o prazo de inscrições do PPC 2012.

Ultrapassámos os 850 participantes.

Vamos lá ver as contas finais à meia-noite de hoje.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Uma 'ssoa está- que está!- quinada dos três costados

e pensa " Pólo Norte Ruth, mulher, deixa-te de merdas e esfrega mazé o chinese oil  nas costas e não intelectualizes!". 

Abre o frasco e é interrompida  pela voz do mámen:

- "Se forem tão profissionais a desenvolver o produto como a colar rótulos amanhã acordo com a Corcunda de Notre Dame".

...


Análise do campo de forças dos tempos que se avizinham #1

Pais de mámen virão em Dezembro passar as "festas" connosco


Pontos fortes:  Vem queijo ilha (um queijo inteiro, tipo, uma roda gigante). Vem uma grade de kimas de maracujá. Vem pimenta da terra (e é o único tempero que eu ponho na comida, nem sequer sal e pimenta eu utilizo quando tenho pimenta da terra). Vêm lulas recheadas. Vem doce de goiaba directamente da goiabeira do quintal deles. Vem bolo de Natal açoriano. Vêm espécies, donas amélias, doce branco. Vem massa sovada como deve de ser.


Pontes fracos: Em Janeiro, se calhar dar uma queda há um tremor de terra em Lisboa, tal a gordura anti-ciclónica que vou andar a passear.
Vem a minha sogra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Tal como nas relações de longa duração...

... este blog, de vez em quando, precisa de um momento de tensão.
Tal como não tenho pudor eu dizer a uma amiga, daquelas íntimas e verdadeiras, que não vou tomar café casual com ela porque simplesmente não me apetece nesse dia.  
Da mesma forma como não digo que não quero pinar porque me dói a cabeça porque a verdade é que, de vez em quando, epá não tenho vontade, prefiro ver um filme e encharcar-me em gomas.
As minhas amigas, as mesmo amigas, preferem não assistir ao constrangimento de me verem inventar uma desculpa e agradecem a minha sinceridade e o respeito em vez de preferirem que eu lhe minta piedosamente. E sabem que, quando estou com elas estou de corpo e alma, e esqueço-me do tempo a passar e que no dia seguinte é dia de trabalho.
Mámen já prefere uma recusa de pinanço (embora amue, obviamente) do que ser levado por parvo enquanto eu finjo um orgasmo ou fico a pensar quando é que aquilo acaba porque tenho que tirar carne para descongelar da arca. E sabe que, quando a coisa se dá, dá-se como deve de ser, a puta da loucura e faz-se, assim, filhas que são lindas, lindas, lindas (aguentem-nos!).
Nas relações a sério, nas de intimidade, as pessoas mesmo que não gostem de tudo nas outras, aceitam as suas merdas e as minhas merdas assentam, regra geral, no facto de eu não gostar de fazer fretes e ser curta e grossa, porque não faço cerimónias com as pessoas que vivem na minha vida, que lhe conhecessem os cantos e têm um lugar marcado e só seu à mesa do meu coração, para se sentarem. 
De vez em quando é preciso tocar na ferida, abanar as relações, abandonar a hipocrisia, dizer o que se pensa mesmo que o que se pense seja errado do ponto de vista da "educação", do politicamente correcto, do protocolo social. 
E isso faz com que na vida, tal como neste blog, algumas pessoas não gostem da minha postura e se vão embora. Aceito e assumo com naturalidade as suas partidas. Porque, feitas as contas, sei que quem fica fica porque quer, porque gosta, porque se sente bem. E com essas pessoas eu posso ser eu, sem esforço, sem cerimónias, sem ter que medir de forma calculista cada palavra ou atitude, posso ser eu de improviso. 
E essa é a melhor forma de poder receber os outros, a mais pura e verdadeira. 
Neste blog, tal como na vida, quem fica porque gosta terá lugar à mesa para se sentar (a não ser que seja como o meu amigo Emanuel, a quem uma operação à coluna correu mal e não consegue sentar-se o que dá origem a que eu, carinhosamente, o apelide de "Sempre em pé").

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Este era um blog que não se dava ao trabalho de responder a hate mail e comentários idiotas. Mas estou de licença de maternidade, a miúda está a dormir a sesta e tenho tempo. E hormonas.

Estava uma pacata (cof! cof!) mãe de família (cof! cof!) sentada à espera que chovesse hate mail proveniente de testemunhas de Jeová (avé, amigos, que eu sou do bem, leio a revista "Despertai!" no comboio se ma oferecem à porta da estação e tudo, só não resisto a uma piada fácil!) e, vai na volta, e alguns leitores ofendem-se por eu achar que os postais de Natal pintados com a boca por tetraplégicos, regra geral com temas de flores e naturezas mortas, são feios que dão dó. Não há condições!
Ora vamos lá por partes, que não quero deixar ninguém confuso.
Aqui estão as principais críticas ao post e respectivos esclarecimentos, para facilitar a leitura da coisa:

CRÍTICA 1- "A Pólo Norte por vezes parece desconhecer a realidade, roçando a desumanidade". 

Ora beinhe, se há gente que conhece a realidade de fazer postais de Natal cujas receitas revertem para associações, sou eu. Ah, pois, com esta não contavam, né?
Pis bem, tendo eu uma deficiência congénita, e tendo pertencido durante décadas à associação que representa os afectados da mesma, fui convidada, natais a fio para desenhar postais. Enviava sempre uns 5 ou 6 desenhos para serem escolhidos e seguirem para a gráfica e adivinhem só qual era, regra geral, escolhido? O mais feioso, pois está claro!
PREMISSA 1- As pessoas que escolhem desenhos feitos por deficientes para postais de Natal têm sempre mau gosto.

Quando cresci e comecei a fazer desenhos mais giros era-me pedido que assinasse os postais com letra de escola primária para que eles parecessem genialmente feitos por uma criança de menor idade que a minha real.
PREMISSA 2- As pessoas que escolhem desenhos feitos por deficientes para postais de Natal gostam sempre de postais o mais infantilóides e toscos possíveis. 

Se eu tenho jeito para desenho? Nenhum. Se eu fazia, ano após ano, os malditos desenhos? Sim.
PREMISSA 3- Os deficientes que desenham para postais de natal, muitas vezes, fazem-nos por pena das pessoas que lhes pedem os ditos e naquela de ajudarem as instituições. Há muitos deficientes autores de postais de Natal que gostam tanto de desenhar como eu de aturar gente sem sentido de humor. 

CRÍTICA 2- "Não é por ser pintado com a boca por um tetraplégico que um postal de Natal tem que ser necessariamente feio"

CONTRAPOSIÇÃO 1- Não é por se ser tetraplégico que tem que se ter jeito para pintar.
CONTRAPOSIÇÃO 2- Infelizmente, não é o esforço empreendido para se pintar com a boca que dá origem a postais bonitos.

CRÍTICA 3- "Não és dona do conceito de estética!"

Pois não. E vamos lá a ver: nem tu! :D O que eu disse no post anterior é que EU os achava me-do-nhos. Repito, regra geral, são feios que doem. E agora? No meu conceito de estética nunca vi um que achasse bonito. Vou para o Inferno? Vou? Vou?

CRÍTICA 4- "A tua popularidade, mais que merecida, porque tens um sentido de humor fantástico e por teres organizado (tal como eu já organizei na minha cidade -e não ando a gritá-la aos sete ventos- uma campanha de angariação para doadores de medúla óssea), não te dá o direito de dizeres tudo, ok??? Porque não conheces o mundo todo!!! Ou talvez conheças, não sei!"

Ai que andamos "confusadas"! Então eu tenho "uma popularidade merecida" e não posso usar o meu blog para promover uma acção de solidariedade que existe porque as pessoas que fazem o meu blog "ter uma popularidade merecida" se identificaram com a causa e querem mover-se? Hummm.
Então, mas se o meu blog tem uma "popularidade merecida" não é aproveitá-la para fazer chegar a ideia das brigadas distritais de possíveis dadores de medula óssea ao maior número de gente? Hummm.
Então, queres lá ver que eu, no pós 25 de Abril, no meu próprio blog, não tenho direito de dizer tudo o que me vai na real gana? Hummm.
Lamento, mas tenho Tal como tu tens o direito de discordar e de o dizer no teu blog. Tal como tu tens o direito de deixar comentário no meu blog com o link de um post no teu blog em que permites comentários que me ofendem. E, óbvio, tal como eu tenho direito de  não o publicar e, ainda, na loucura, o enviar para a caixa de spam.
Direitos? Ah, filha, direitos temo-los todos e eu ainda tenho o de reiterar, todas as vezes que me apetecer,  que não gosto de postais pintados pela boca por tetraplégicos. NÃO GOSTO! E agora? Fazes queixa ao provedor da blogosfera? 

CRÍTICA 5- "A Pólo Norte organiza acções de brincar à caridadezinha."

A Pólo Norte manda-vos para a puta caridosa que vos pariu ou para o real e caridoso caralhinho?

CRÍTICA 6- " Tenho pena que o objectivo ultimo de quem organiza as campanhas NACIONAIS, seja o da sua autopromoção pessoal e que tenha a necessidade de estar sempre aos gritos que é muito caridosa... "

Outra vez confusos, tss, tsss! Vamos lá a entendermos-nos: ou se chega à conclusão que eu tenho necessidade de me acharem caridosa ou se chega à conclusão que eu sou uma puta insensível que goza com postais ranhosos pintados por tetraplégicos. Em que ficamos? Quero ser conhecida por ser caridosa e depois digo que não gosto de postais de naturezas mortas e cores desmaiadas pintados com a boca? Não faz muito sentido? Ou será de mim?
Auto-promoção? Sim, sim. Aliás, eu vivo da popularidade deste blog. Ajudar a organizar brigadas de recolha de possíveis dadores de medula óssea é uma forma de captar clientes, digo eu. Ah pois, mas eu não vendo nada nem recebo patrocínios nem me associo a marcas e até tenho uma profissão que nada tem que ver com o blog. Hummm. Será que me agendaram uma tour e ninguém me avisou? Vou cantar com esta voz rouca ou dançar a coxear? Irei servir de mulher-bala no circo? Ou mulher barbuda? Avisem-me para parar de tirar o buço, sff!

CRÍTICA 7-  "O curioso é que pessoas assim, que no mesmo blog misturam porcaria como este post com a maternidade, são idolatradas...pergunto porquê, uma pessoa que pensa assim será um exemplo para alguém? "

Se eu quisesse ser exemplo para alguém teria concorrido a Miss Mundo. Ah,  espera lá não tenho 45 Kg nem 1, 75 m. Hum, e mesmo que tivesse não sou do género paz no Mundo e na Cova da Moura. Pois... Pior, não gosto de pirilampos mágicos feiosos, que acumulam pó e que só ficam kitsh nos tabliers dos taxistas. Exemplo? Sim, sim, o que eu mais ambiciono na vida é ser exemplo para alguém.
Ah, e qual a relação entre o post dos postais feiosos e a minha maternidade? Deixem experimentar espetar um pincel na boca da miúda e já vos conto.

CRÍTICA 8- "Os acidentes acontecem a qualquer momento, esperemos que essa estúpida nunca tenha que lidar com estupidez semelhante acerca de um trabalho seu ou de um familiar"

Deixo aqui expresso, na posse das minhas (limitadas) faculdades mentais que se um dia ficar tetraplégica NÃO autorizo a que ninguém me enfie um pincel pela boca abaixo. E, ainda que na altura, me queira expressar pintando, peço encarecidamente que me vedem o acesso a qualquer tipo de arte plástica porque se isto com as mãos já é a bosta que é, com um capacete com um pincel incorporado, o Magritte e o Matisse ficarão a auto-flagelarem-se nos túmulos, ok?

CRÍTICA 9- "Há assuntos com os quais não se brinca!"

Falso. Neste blog brinca-se com tudo. Neste blog ri-se de tudo.
Neste blog conta-se que no casamento da sua autora estiveram presentes imensas pessoas de cadeira de rodas e canadianas e que se gozou com o assunto dizendo que todos tinham tido um acidente de viação numa camionete de Barraqueiro a caminho do copo d'água.
Neste blog gargalha-se ao lembrar-se do dia em que o meu amigo Luis, bi-amputado, sacou das duas próteses numa gincana nocturna e depois andou-se à procura das "pernas" dele, desenfreadamente. O mesmo Luis que desencaixou uma prótese enquanto dançava numa discoteca e toda a gente pensou que tinha feito uma fractura exposta, enquanto eu me ria até ir às lágrimas.
Ou daquela vez que o Rui, também bi-amputado, me respondeu de forma gozona "são minhas" quando , numa colónia de férias, deixaram umas meias mal cheirosas espalhadas pela camarata e eu procurava o badalhoco do dono.
Neste blog ri-se de tudo, brinca-se com tudo. Porque neste blog acredita-se na igualdade de tratamento.

E se um postal é feio é feio, e não é por ser um tetraplégico o seu autor que eu passo a achá-lo bonito.

Venham, agora, as testemunhas de Jeová!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que dizem "árvore de natal" e as que dizem "pinheirinho".

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Um post que deixa qualquer um de olhos em bico

Sexta-feira, depois de uma tarde no hospital a levar uma injecção de Voltaren intramuscular e Nolotil intra-venoso e já menos quinada das costas fui jantar a casa de um ex com as respectivas famílias (atenção, é o único ex que me fala, para perceberem do santo que se trata!).

A mãe dele é uma porreira e assim que me vê entrar pela porta, na presença de mámen e da nora actual, larga sempre um animador e sensível "Ai filha, a pena que eu tenho que vocês não se tenham entendido, tu é que eras boa para o meu filho, tu és assim com'á gente, cá da malta!" .

Já depois do jantar bem regado, a minha ex-futura sogra chama-me a um canto e entrega-me um embrulho:
- "Guarda, guarda, filha! Antes que eles vejam, que a gente não acredita nas coisas mas assim com'ássim tentar não custa nada e tens aqui uma coisa que te vai acabar de vez com as dores nas costas. Vai por mim que eu é que percebo disto!"
Olho para o embrulho e vislumbro isto:



Perante o meu ar de espanto atira-me com um "Guarda isso e chegando a casa lês o papelinho que tem lá dentro e percebes tudo..."

Chego a casa. E é isto:




Em detalhe percebe-se melhor. Ou talvez não. 



...

...

...

(A minha mãe diz que se bebe. Mámen diz que se esfrega nas costas. Só falta dizerem-me que é tipo supositório, meu Deus!)


Quando me vêm com aquela merda de conversa...

... de que a miúda vai crescer rápido, "e eles crescem a correr e o camandro, e não tarda muito já te esqueceste que passaste tão mal na gravidez, vais ver, é só operarem-te às 500 hérnias discais com que ficaste depois de estares grávida e já estás pronta para outra!" eu faço questão de contar, muito pormenorizadamente aquele dia em que mámen saiu de manhã para ir trabalhar e eu fiquei, com uma barriga de sete meses, deitada no sofá, estiquei o braço para a mesa de centro para alcançar o telecomando, empurrei-o e projectei-o para o outro lado da sala, tentei levantar-me e fiquei entalada entre o sofá e a mesa, ali a meio caminho e não me conseguia levantar, tipo tartaruga de barriga para cima e se me atirasse ao chão podia magoar a bebé e aguentei, estoicamente, naquela posição durante o programa do Goucha e da Cristina Ferreira, do jornal da TVI, da Fátima Lopes e quando mámen chegou, às seis e meia da tarde e me perguntou "porque raios estás a ver os Morangos com Açúcar?" eu respondi com umas trombas " tu fazes o favor de me ajudar a levantar?" e vai ele "estás com os olhos cheios de lágrimas, o que é que se passa?", e depois eu "tenho xixi até à menina dos olhos!" e então, só depois disto tudo, de verem o quão baixo em consegui chegar percebem que não me apanham noutra igual nem que a Merkel tussa.

Piadas tão más que me fazem rir, até às lágrimas, durante 10 minutos seguidos

Qual é a banda de música preferida das testemunhas de Jeová?

The doors.




Mrs. Scrooge

Minha gente! Estamos em No-vem-bro! Repito: Novembro!

Por este andar, dentro de um ano ou dois, estão a "montar" a árvore de Natal assim que chegam a casa das férias do Verão, querem lá ver?! "Ah, sacode ali a areia dos pés, Joana Isabel, e vai à arrecadação buscar as fitas e as bolas para pôr no pinheirinho!"

Bem sei que o Natal é quando o homem quiser e as bandeirolas carmim com o desenho do menino Jesus nas palhinhas deitado estiverem hasteadas nas janelas dos beatos mas... é Novembro ainda!

Porra, serei a única que no dia 26 de Dezembro já está desejosinha de atirar para o ar o pinheiro artificial, as bolas que o gato faz rolar pelo chão, as fitinhas que soltam fagulhas prateadas pela sala toda e os pisca-piscas das séries de luzinhas? 

Sou a única que se farta do Natal em tempo útil, quanto mais pensar mandá-lo vir em Novembro?

Vão mazé comer castanhas e beber os restos de jerupiga que este mês ainda não é Natal, pá!

domingo, 25 de novembro de 2012

Não sou boazinha, não vou ajudar todos os desgraçadinhos e- reitero!-não tenho pretensões de ser a Oprah da blogosfera

Mas, caramba, fui educada com valores cívicos, de responsabilidade social e respeito pelo próximo.
E tomei esta causa como sendo a minha. 
Comigo vieram alguns amigos:

Castelo Branco- 28 possíveis dadores de medula óssea

Faro- 75 possíveis dadores de medula óssea
Lisboa- 80 possíveis dadores de medula óssea
TOTAL PARCIAL- 183 novos possíveis doadores de medula óssea na primeira semana!
Obrigada a todos!

Pólo Norte <3 you all!

(Amanhã será em Braga mas saibam quando é a brigada de recolha no vosso distrito aqui!)

Gente de Santarém, ainda vão a tempo! Corram!


O corridinho algarvio...

É o que eu espero que esteja a acontecer agora em Faro, a propósito disto:


sábado, 24 de novembro de 2012

Segurança Social a caminho!

Pólo Norte a acabar de ministrar formação parental (ironia das ironias).
Dentro do carro do carro duas formandas a quem deu boleia. Liga Mámen e atendo o telefone em alta voz...

Pólo Norte- Então e a Ana portou-se bem?

Mámen- Uma santa! Esta ali entretida há imenso tempo...

(sorrisos embevecidos no banco de trás)

Pólo Norte- Ohhh! Manda-me uma fotografia! Está entretida com o quê?

Mámen- Está entretida a brincar com a ratinha...

(Agora imaginem os olhos arregalados reflectidos no espelho retrovisor)

...

...

....

                                  

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ah, e o PPC, Pólo Norte?

As inscrições acabam dia 30 de Novembro e, neste momento, ultrapassámos as 850 inscrições!

Nao há desculpa para quem me enviar pedidos de participação depois dessa data, por amor de Deus!!!

Do que estão à espera? Vão ficar a ver os outros receberem um postal enquanto vocês se contentam com e-cards ranhosos?

Retrato do meu país

"Supermercado do centro comercial das Amoreiras, fim da tarde de terça-feira. Uma jovem mãe, acompanhada do filho com seis anos, está a pagar algumas compras que fez: leite, manteiga, fiambre, detergentes e mais alguns produtos.

Quando chega ao fim, a empregada da caixa revela: são 84 euros. A mãe tem um sobressalto, olha para o dinheiro que traz na mão e diz: vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 70 euros.

 Começa a pôr de lado vários produtos e vai perguntando à empregada da caixa se já chega. Não, ainda não. Ainda falta. Mais uma coisa. Outra. Ainda é preciso mais? É. Então este pacote de bolachas também fica.

 Aí o menino agarra na manga do casaco da mãe e fala: Mamã, as bolachas não, as bolachas não. São as que eu levo para a escola. A mãe, meio envergonhada até porque a fila por trás dela começava a engrossar, responde: tem de ser, meu filho. E o menino de lágrima no canto do olho a insistir: mamã, as bolachas não. As bolachas não.

 O momento embaraçoso é quebrado pela senhora atrás da jovem mãe. Quanto são as bolachas, pergunta à empregada da caixa. Ponha na minha conta. O menino sorriu. Mas foi um sorriso muito envergonhado. A mãe agradeceu ainda mais envergonhada. A pobreza de quem nunca pensou que um dia ia ser pobre enche de vergonha e pudor os que a sofrem. 

 Tenho a certeza que o ministro Vítor Gaspar não conhece este menino, o que seria obviamente muito improvável. Mas desconfio que o ministro Vítor Gaspar não conhece nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou se conhece considera que esse é o preço a pagar pela famoso ajustamento. É isso que é muito preocupante. "

por Nicolau Santos aqui

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ainda sobre o concurso do bebé Nestlé...

... mães com bebés com menos de 4 meses, POR FAVOR, não sejam tontas e não macem os vossos amigos para likarem nas fotos das vossas crias. 

Ora, se o objectivo é que o bebé vencedor seja a cara das papas Cerelac não é óbvio que os bebés escolhidos terão que ter idade para já comerem papa?

Concurso bebé Nestlé? Não, obrigada!

Sucedem-se os pedidos de like por parte dos meus amigos que têm filhos para ganharem o concurso. 
A mãe de mámen ligou-me com um "vá lááá" e levou de volta um "jamais!"

Por curiosidade fui espreitar melhor os contornos do concurso. Um dos jurados é, nem mais nem menos, que o André Sardet. 

Questão pertinente: "Tendo em conta o (mau) gosto que se conhece ao André Sardet (em termos musicais no geral e no cabelinho à raistaparta em particular) há mesmo alguém que fique lisonjeado pelo facto do seu filho ser escolhido por ele e, eventualmente, ganhar o concurso?"

No ortopedista...

Médico- Diagnostico aqui, pela análise da TAC, duas hérnias discais que terão que ser operadas. Para começar não vai poder carregar com pesos superiores a 5 Kg, ok? 

Pólo Norte (com ar preocupado)- Huuuum, está bem. 

Médico- Então? Já foi operada tantas vezes, que semblante é esse?

Pólo Norte- Ah, com a operação posso eu bem. Agora não carregar pesos superiores a 5 Kg é que me deixa preocupada. É que a miúda já pesa 5,5 Kg e ou a ponho à dieta ou lhe amputo as duas pernas para me livrar do meio quilo, deixe-me lá analisar bem a situação.

...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Desta feita, uma quadripolarização que é um caminho

Ainda no cabeleireiro... (passem-me um x-acto!)

Mámen vai ter comigo ao cabeleireiro e ainda assiste à parte final do corte e ao brushing. 

Pago a conta, saímos.



Mámen- Admira-me que tenhas deixado aquela mulher cortar-te o cabelo...

Pólo Norte- Era chata como a potassa, bem sei...

Mámen- Nem era tanto por isso. Ela tinha era uma mão paralisada e a outra com que te cortou o cabelo tremelicava. 

Pólo Norte (em pânico)- Tenho o cabelo torto???

Mámen (a medo)- Um bocadinho mas ajudaste uma pessoa que teve, claramente, um AVC a manter o seu posto de trabalho. 

Pólo Norte (em choque) - A mulher teve uma trombose, deixaste-a cortar-me o cabelo e só agora me avisas???

Mámen- Queres lá ver que achaste que aquela dificuldade em falar, como se tivesse uma batata na boca, era só por ser fanhosa?!

...

...

...


(Sim, eu mereço!)

O problema não é meu. É delas...

Está-me a cair mais cabelo que a uma vassoura comprada nos Chineses. Ontem decidi ir ao cabeleireiro dar um corte no dito cujo.
Eu não sou fiel a cabeleireiros (já a mámen sabe Deus o que custa, quanto mais...) e quanto mais desconhecidos melhor, menos conversa da treta. Sim, eu tenho um problema com cabeleireiras.
Esta cabeleireira tinha um sotaque esquisito, não sei bem explicar, era um bocadinho fanhosa, não se percebia bem o que dizia e eu tentei empatizar com ela. Juro que tentei.

Cabeleireira (a partir de agora tratada por "a fanhosa")- Então o que é que vai ser?

Pólo Norte- Era para cortar o cabelo. Uns 5 dedos, por favor.

A fanhosa- Ah, o cabelo está um bocadinho oleoso. Quer shampoo para cabelos oleosos?

Pólo Norte (em pensamento: "tomei banho esta manhã, mas ela pensa que eu sou a Isabel Jonet ou quê'"): Não, por favor. Quero um shampoo normal.

A fanhosa- E uma máscara, vai querer? Sabe, o seu cabelo precisava mesmo de uma máscara.

Pólo Norte (com sorriso amarelo)- Não, quero lavar o cabelo com shapoo normal, cortá-lo e secá-lo com volume. Só isso.

(A fanhosa aguenta três minutos em silêncio amuada enquanto me lava a guedelha)

A fanhosa (numa nova investida)- E enquanto está à espera, quer fazer manicure ou pedicure?

Pólo Norte (já a ficar séria)- Não. Quero só mesmo cortar o cabelo.

A fanhosa- Podia aproveitar e pintar o cabelo. Agora está muito na moda as madeixas californianas, não quer experimentar?

Pólo Norte- O quê? Raízes escuras e pontas queimadas? Ó senhora, para isso basta deixar de pintar o cabelo que faz o mesmo efeito...

A fanhosa (já ressabiada)- Agora que estou a penteá-la reparo que o seu cabelo está muito seco: não quer pôr uns pingos?

Pólo Norte- Mas então decida-se: na lavagem estava oleoso agora está seco? Em que ficamos?

(A fanhosa amua enquanto me corta o cabelo e aguenta mais 5 minutos calada)

A fanhosa: Quer cortar à franja?

Pólo Norte- Cortar a franja? Cortei-a no Natal e ando a rezar todos os meses para ela me crescer e agora que já passei a fase tenho-uma-palmeira-espetada-na-testa você quer-me voltar a cortar a franja? Nem pensar!

A fanhosa- Não quer fazer mais nada?

Pólo Norte (tentando a estratégia monossilábica e antipática)- Não.

A fanhosa- De certeza?

Pólo Norte (já sem empatia nenhuma): Senhora, corte-me o cabelo a direito, sem escadear e sem invenções, por favor! E seque-me com secador normal! E no fim apresente-me a conta que eu pago. Pode ser?

(Mais 5 minutos de silêncio e com um ambiente de cortar à faca)

A fanhosa (tentando quebrar o gelo)- O seu bebé é muito lindo. Vê-se que está tratado que é um mimo.

(Pólo Norte sorrindo o mais amarelamente possível)


A fanhosa: Amamenta?

...

...

...


(Eu mereço?)



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para os interessados...

... o fatinho para o cão que com arranjo poderia ficar um mimo à miúda também se vende na Primark. 

(Não, mamãe, continua a não se vender na secção de vestuário infantil!)

Fashion readers, escutem a V. ursa!

Se vos disserem que botas de borracha galochas é que é, que são muito linda ó ó, que giras e que catitas mas se até a melhor fashion blogger se refere a elas como "interessantes" (atentas ao entusiasmo empregue no uso do adjectivo "morno") quarailho ... vocês desconfiem!

Vão acabar o dia com os pés cozidos e a cheirar horrores a chulé. 

"Pólo Norte e em que pé está aquele projecto dos quadripolares solidários?"- perguntam-me vocês.






~

E, agora, ainda ficam de fora?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pólo Norte, literalmente, com suores frios a pensar no Carnaval de 2013


Mãe- "A menina" está com uma auréola de cabelo ralo na cabeça e caiu-lhe cabelinho aqui numa zona ao longo de todo o perímetro cefálico.

Pólo Norte- Sim, é nas zonas de pressão, no sítio onde ela pousa mais a cabeça quando está deitada. 

Mãe (a olhar para a cabeça da miúda com ar pensativo)- Huuuum, achas que isto não cresce até ao Carnaval?

Pólo Norte- Ahn? Porquê?

Mãe- Podiamos mascará-la de Santo Antó...

Pólo Norte (interrompendo com ar de terror)- Nem penses! Passa para cá a miúda JÁ!

(5 minutos depois, aproximando-se de mansinho e acariciando a cabeça da baby bear)

Mãe (com olhos de gato das botas)- Santo Antoninho, vá...

Percebes que és anti-social quando...

... dás conta que este ano passaram 10 anos desde o término da universidade e a primeira coisa que te vem à mente é a alegria que sentes por nenhuma alminha se ter lembrado de querer organizar um jantar para comemorar a efeméride.


(Se na altura não almoçava na mesa da cantina da Reitoria com a maioria deles e levava com eles todos os dias, passados dez anos havia de ter vontade de um mega repasto conjunto por alma de quem???)

Mãe de Pólo Norte- o regresso

(Troca de sms's com a minha mãe)

Mãe da Pólo Norte: "Olha o fatinho que acabei de comprar para a Ana!"


Pólo Norte- Credo! Esse fatinho é muito esquisito. Compraste onde?

Mãe- Qual esquisito qual quê?! Comprei aqui no Supercor, no supermercado do El Corte Ingês

Pólo Norte- Mãe, o Supercor não tem secção de vestuário infantil...

Mãe- Ai tem, tem! Estava num repositor com mais fatinhos. Estás-me agora tu a dizer que não tem, queres lá ver, lá vens tu com a mania que sabes tudo...

Pólo Norte- Mãe, NÃO tem! Volta atrás e vê lá em que secção compraste isso...

(5 minutos depois e o telemóvel não volta a tocar)

Pólo Norte (a insistir e com curiosidade genuína)- Então?

Mãe- OK, voltei para trás e percebi que era a parte da roupinha dos cães. MAS isto com um arranjo vai assentar que nem um brinco à menina...


...

...

...

(Eu mereço?)



domingo, 18 de novembro de 2012

Uma mulher sabe que controla as emoções... (as saudades que eu tinha de um despique com o meu Pipoco)

...quando, depois de sair do consultório da pediatra, já depois de desembolsar 75 euros sabendo que ainda vai ter que comprar uma dose de 150 € de vacinas, debaixo de um ar condicionado insuportável mas sem poder despir o casaco porque a miúda bolçou a camisa, chega ao wc do consultório e a miúda está (muito injustamente) borrada até ao pescoço e na atrapalhação quando levanta as pernas da bebé para a limpar com as toalhitas escapa-lhe o pé da miúda e uma mulher, neste contexo adverso, com cocó por todo o lado (e a camisa bolçada e o calor dentro do casaco) consegue respirar como lhe teria ensinado a professora na preparação pré-parto e consegue não mandar tudo para o real caralho. 

(Beijinho, engenheiro!)

sábado, 17 de novembro de 2012

Há maridos bons, maridos espectaculares e maridos quadripolares



" Ouvi a história da Bia, do João José e de tantas outras crianças que não pude ficar indiferente. Qualquer pai sabe que a verdadeira sorte grande vem na forma da saúde dos filhos. Assim a minha mulher convenceu-me, ou assim pensou, a tornar-me dador de medula. Afinal a coisa é tão simples quanto um inquérito de 2 minutos, uma picadela mínima e outros 2 minutos a comprimir a zona do penso. Colocando isto numa escala posso afirmar que ir ao supermercado com a minha mulher é uma verdadeira tortura face a tornar-me dador de medula. Portanto não acredito que existam grandes desculpas para uma pessoa saudável adiar algo tão simples quanto isto. Cá por casa já se diz que com sorte seremos um PIN. Espero que sim, que um dia o telefone toque e seja a sorte grande na vida do filho de alguém. Beijinhos e abraço à família"

Marido de uma leitora quadripolar que compareceu arrastado pela loiraça voluntariamente na brigada de recolha de possíveis dadores de medula óssea ontem, em Lisboa.

(Para saber onde será a próxima recolha adiram à página de facebook dos Quadripolares Solidários)

Ana contacta, pela primeira vez, com o movimento gay


Ou sabes que és uma mãe quadripolar quando te esqueces de anotar no álbum da miúda o dia exacto da sua primeira gargalhada mas anotas o dia do seu primeiro arco-íris. 

A pupila suplanta a mestre

Pólo Norte chega ao local de recolha de medula óssea admoestando voluntariando Mámen.
Assim que entro no edifício, e alunas põem os olhos em mim a empurrar o carrinho de bebé, soltam muitos gritinhos e guinchinhos.

Mámen para Pólo Norte- "Pooorrra! Será que são leitoras do teu blog?"

Pólo Norte- "Não, humpft! Esquecemos-nos de retirar os óculos de sol à Ana e está irresistível..."

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 15


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

http://estradapraandar.blogspot.pt/2012/11/esta-cena-da-insularidade.html

Guess who's back?



As saudades que eu tinha de uma Margaridice ou é nestas alturas que a expressão "chapadas de pila piroca" se aplica tão bem!


(Para quem é leitor há pouco tempo aconselho a carregar no link da etiqueta e a enjoiar!)

Fashion bloggers apoiam o arremesso de pedras da calçada da manifestação de ontem!

Finalmente poderão calçar stilletos sem medo.

Uma aventura no meu primeiro evento blogosférico

Há uns dias, fruto das hormonas pós-parto, acedi, pela primeira vez, a um convite para um after hours enquanto blogger. Como o mesmo tinha lugar num hotel em Cascais e perto de casa, lá fui. 

Difícil escolher uma roupa que não tivesse bolsada (o leite azedo, mesmo depois de ir à máquina, deixa umas ligeiras nódoas que são um must!). A Ana arrota-me sempre em cima do ombro, pelo que, estou a ver se crio a tendência "enchumaços" debotados. (Hey fashion bloggers, diz-se "enchumaços"?). 

Como a estupora da miúda estava rabugenta tive que a levar para a casa de banho enquanto tomava um duche (ao que cheguei, senhoras!) e quando saí pensei secar o cabelo. A gaja odeia o barulho do secador e berra que nem uma vuvuzela, pelo que, não me restou uma alternativa senão apanhar o cabelo molhado numa trança. Entretanto, chegou a baby-sitter e eu apanhei boleia do homem da casa, decidida a maquilhar-me em frente ao espelho do carro para parecer menos uma esfregona e dar um ar de gente à minha tromba. 

Dentro da mala um babete, umas Uggs cor-de-rosa (ela odeia estar calçada e descalça-se em todo o lado), tampas de chucha, um gorro e a bomba do ranho. Tudo, menos a porra da bolsa de maquilhagem! "Olha que se foda!"- pensei- "Aquilo deve estar lá montes de gente, entro de fininho, fico anónima a comer um croquete e a beber um drink e espaireço um bocadinho". 

 Pois. Eu devia ter desconfiado quando na recepção do hotel respondem à minha pergunta "Boa tarde, sabe dizer-me onde é o evento after hours?" com "Ah, acho que são aqueles senhores que ali estão a conversar". Resumindo: eram as altas patentes da marca em questão, um fotógrafo, a RP e duas raparigas muito simpáticas da agência de comunicação. Convidadas bloggers? Eu e uma fashion blogger de 19 anos, devidamente maquilhada, giríssima num outfit com padrão leopardo (oh, saudades dos tempos do meu macacão leopardo!), com um soutien push up, claramente com "enchumaços" ("Hey fashion bloggers, diz-se "enchumaços"?), muito carismática e mega eficiente, que logo me estendeu o cartão do blog (wow!) e me apresentou o fotógrafo que a acompanha SEMPRE. 

 Conversa de marketing e tal (a esta hora só me questionava se estaria a cheirar a azedo do leite, que dentro da mala tinha um babete bolçado...) e a pergunta "qual a estratégia dos V. blogs?". Estratégia? Wtf? A moça (19 anos, atentos!) super proactiva "Eu faço-me à vida, contacto as marcas!" e eles a dirigirem-se a mim:  "E você, Pólo Norte?". As respostas que sempre denunciarão que eu nunca deixarei de ser plebe na blogosfera "Ah, eu faço-me à vida: trabalho das 09h às 19h todos os dias, mesmo!". 

 Aquelas altas patentes todas a falarem-me sobre a marca, um barman para nos ensinar a fazer cocktails (e ela, com 19 anos, a comportar-se com classe e devidamente, a colaborar, a tirar fotografias), enquanto eu, burgessa, a justificar a minha falta de entusiasmo com "ah, eu quero mesmo associar a palavra cocktail ao Tom Cruise, deixem lá isso! Colaboro, bebendo!". Cara de esfregona, discurso de proletária e atitude de alcoólica, oh céus! 

 No fim, ofereceram-me uma massagem de pedras quentes que, prometo usar para atirar à minha própria cabecinha, tal a figura triste que ali fui fazer porque "quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré!" 

Neste caso, lagartixa com cheiro a leite azedo, para piorar. 


 (Quanto à marca, não se apoquentem! Se vier a falar dela não só vos aviso que me refiro a este post, como será para dizer, como sempre, a minha opinião sincera porque não me vendo por uma massagem. Ainda que me aqueçam as pedras...)

Familia feliz: definição.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como tornar um bebé quadripolar? Pólo Norte explica.

Comprei umas meias com guizos giríssimas na Primark. Hoje decidi enfiá-las nas mãos da Ana, uma vez que, aos 3 meses, ela começa a descobrir que tem extremidades.

Neste momento estou divertida a vê-la esbracejar. Está irritada por não saber de onde vem o barulho e olha para todo o lado. E quando está irritada, esbraceja...
E quanto mais esbraceja e mais barulho os chocalhos fazem mais irritada fica.

Eu não sou má, estou só a treinar uma filha perspicaz, minha gente!

"Sabes que não és madura" ou "a culpa é dos Onda Choc" ou ainda "há muita gente que não vai perceber este post, pffff, morram, seus pitos!"

Sabes que não és muito madura quando numa entrevista te perguntam "Qual é o teu maior sonho?" e tu respondes:

 "Meu maior sonho é dar a volta ao Mundo, ir ao Egipto ver os Faraós, fazer amigos porque a viajar, uó uó, nunca estamos sós, ir a Paris ver a Torre Eiffel e ver o Papa e a cara dele, quando nos vir de mochila às costas na Praça de São Pedro. Eu adooooro viajar!"

O carteiro toca uma vez...

As tias blogosféricas da Ana são o máximo. Desta feita, a tia (também) Ana da Madeira conseguiu fazer-nos suster a respiração. 
Ora digam lá se não temos razão para tal:


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Esta casa esta a ficar sobrelotada...


Depois do cão Lello, apresentamos-vos "Passos", o coelho quadripolar. 

Jonet, primeiro dente da Ana, Marcelo, medula óssea, mails que me atropelam e, claro, Merkel

O primeiro dente da Ana, um feijão na gengiva superior, está a romper. O Mundo anda demasiado depressa e a minha filha é uma acelerada. Não conto isto à laia da minha filha ser uma sobredotada e hiperactiva, aliás, este até é um facto que não me alegra sobremaneira. Gosto do sorriso desdentadíssimo da minha bebé e se isto continuar a este ritmo estou a ver que lhe vou tratar da primeira cárie aos "18 meses". 
Outra coisa que me irrita é as pessoas continuarem a falar da idade dos seus filhos pequenos em meses. Parece a história das gravidezes em semanas. "Ah e tal, a Ritinha começou a andar aos 17 meses". Caramba, não é mais fácil dizer que a miúda começou a andar praticamente ao ano e meio. "Ah, a primeira frase inteira que a Mariazinha disse foi aos 23 meses". Hellooo? Dois anos? A Ana tem 3 meses.  Já aqui o disse? E só conto referir-me à idade dela em meses até fazer um ano, prometo!
A Isabel Jonet não tem carisma nem o dom da eloquência. Tem o cabelo ensebado e não simpatizo com ela um boi. Isso não lhe tira o mérito à obra do Banco Alimentar que ajudou a erguer e irrita-me que haja gente que me convide no facebook para boicotar a recolha de alimentos para o Banco Alimentar de dia 1 de Dezembro. Mas está tudo parvo ou quê? Era a mesma coisa que me dizerem para renegar o meu país porque o Passos Coelho é um idiota. Ainda que com a crise, sou orgulhosamente portuguesa! Ou para deixar de ser católica porque o Papa é alemão como a Merkel e tem um ar muito mal encarado. Não há cú!
A Merkel está em Portugal e isto tem sido um escarecéu. Acho que a Merkel está-se borrifando para a opinião que os portugueses têm dela, os portugueses ainda não votam nas eleições alemãs do próximo ano. A Merkel é tipo aquela personagem do Nilton e só sabe dizer "Paga o que deves!" e o resto são peanuts, ou melhor, são wursts! Salsichas, em português. 
O Marcelo Rebelo de Sousa, homem que muito admiro, tem andado a passar-se aos poucos e poucos. O último vídeo dele é de bradar aos céus e um apelo à peninha dos alemães. Acho triste o apelo à esmolinha e às vezes fico a pensar se aquele "Rebelo" do nome do meio não denunciará um grau de parentesco com a Margarida "Rebelo" Pinto, tal o ar que às vezes lhe entra na cabeça. 
Entretanto, recebi um mail de alguém que está aflito. Agora sim, falem-me de geração à rasca, que agora me faz sentido. Alguém que podia ser a minha vizinha do lado, alguém que teve oportunidades e a quem a puta da crise lhe atrapalhou os planos. Alguém que me pede ajuda com dignidade e de quem não tenho pena, apenas um enorme respeito pela sua lucidez e humildade que, lá está, não apelando à peninha apela à solidariedade.  
O problema dos tempos que correm é que já não há atribuição causal interna. Estamos todos dependentes das ameças externas, do clima social e económico, das empresas que podem fechar a qualquer altura, dos lay-offs que não poupam ninguém, especialmente, os mais preparados academicamente e, por isso, melhor remunerados. O problema dos tempos que correm é que não depende de nós, do nosso arregaçar das mangas, de nos fazermos à vida. A pessoa que me escreveu a pedir ajuda podia ser eu, tu ou a minha prima e isso faz sentir-nos mais abanados, mais envolvidos na tentativa de ajuda. Porque sim, depende de nós ajudar o próximo e isso os portugueses são mais capazes do que ninguém. 
E eu consegui reunir cerca de 50 pessoas, nos bastidores deste blog, que se juntaram a mim para ajudar, ainda que eu diga que não amamente, que eu diga palavrões e que tenha tanto carisma como a Isabel Jonet. Pessoas lúcidas que não confundem a causa com o boneco do urso abstracto e sem nome próprio a sério que dá a cara por ela. E também somos mais de 200 em campo a organizar brigadas de recolha de medula óssea por todo o pais e, olhem, quem ficar de fora é Relvas...
O Mundo não está para brincadeiras e depois eu penso que, afinal, ainda bem que está a nascer o primeiro dente da Ana porque no passado nós comemos a carne e à geração do futuro há que roer os ossos. 
A Ana? A Ana irá dar luta e lutar por um Mundo melhor com unhas e dentes. O primeiro vem a caminho. 


domingo, 11 de novembro de 2012

Isto é que vai uma grande algarviada!


 Os algarvios quadripolares também são uns despachadões, materializando aquela piada de que "os algarvios são alentejanos sem travões". Em Portimão vai haver uma brigada!

O último a chegar é marroquino!


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aos 9 de Novembro de 2012: carta à Ana que aqui chegou

Ana, 

Faz hoje três meses que te materializaste neste Mundo para me ensinares a amar melhor. 
Ensinaste-me que se pode amar cegamente, sem grandes conceptualizações. Amar por instinto como um animal, amar com os olhos, com o cheiro, com o paladar. Amar com o pensamento e durante o sono, outrora pesado. Amar em silêncio e no meio da confusão.
Amar numa maternidade em pânico pela primeira vez sozinha com o meu bebé, num primeiro passeio de carro, na primeira noite em branco a ver-te dormir e a contar cada segundo do teu respirar. Ensinaste-me a amar melhor num primeiro banho desajeitado, no aprimorar da ciência de dar colo, no conhecimento gradual do que vão sendo as tuas preferências.  A amar sorrisos involuntários e voluntários, gemidos, sons, guinchinhos e gritinhos, ecos de aprender a comunicar. Ensinaste-me a amar no receio, no medo, nas tentativas e nos erros, nas frustrações e na persistência. 
Ensinaste-me a amar a nova identidade, o papel social, a natureza de ser mãe. A amar o tempo esquizofrénico, tão lento e tão rápido, tão tempo de ti.
Ensinaste-me a amar o choro tão teu, a capacidade de te acalmar tão minha, o cordão umbilical invisível e eterno, tão nosso. A amar a gargalhada experimental, os olhos cada vez mais vigilantes, estrelas azuis, o sorriso grande, de lua cheia.
A amar o novo conceito de família, de casa, de lar. O sol que representas na minha vida, fonte de luz e calor. 
Ensinaste-me a amar o amor que te dedico e que é inesgotável. A amar o verbo em que te tornaste e que conjuga este amor tão singular na primeira pessoa do plural. 
És o universo em mim e ensinaste-me, filha, mais que tudo, a "anar". 

Um beijo da tua mãe

Uma no cravo...

Como raios se exige a demissão de uma voluntária?

Pólo Norte defende Isabel Jonet

A senhora é coerente: a avaliar pelo aspecto (sempre) oleoso do cabelo da senhora é certinho que não toma duche com a água a correr.

(Será a copo?)

Trás! Uma chapada de luva branca das gentes de Marrocos de Cima, perdão, da Margem Sul

A equipa que está a tratar da brigada do distrito de Setúbal é constituída por meia dúzia de mulheres frenéticas e com tanta energia que envergonha o furacão Sandy. 

Na Margem Sul os caríssimos quadripolares que ainda não se inscreveram como dadores de medula óssea já não têm desculpa para adiar eternamente. É no dia 1 de Dezembro, de manhã, feriado e tudo. 


Quem fica de fora é yo!

O Mundo divide-se entre... #88

... as pessoas que vivem em terras em que ao meio-dia toca a sirene dos bombeiros e as outras.

É por posts como este que não me apetece associar este blog a marcas

Aviso os caros leitores que o shampoo Head & Shoulders Menthol deveria patrocinar a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal.

E que eu terei que actualizar este teclado com teclas em braille depois do banho desta manhã.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pais ecológicos

Aos 3 meses está a nascer o primeiro dente da cria (sim, é uma subdotada precoce, que querem que faça?!) e o choro intensifica-se no meio de muita baba e mãos em gestos bulímicos por parte da miúda.

Mámen vê-me cansada e decide aligeirar o ambiente. Agarra na Ana e vai em direcção ao caixote de lixo da cozinha, ameaçando:

Mámen- Pronto, vai já para o lixo! É que é já!

Pólo Norte- Pára!!! Que irresponsável...

Mámen- Ahahahah! Estás a ficar uma mãe mariquinhas...

Pólo Norte- Pára: vais pôr no caixote azul, no verde ou no amarelo?

Ó gente da minha terra!

E, pronto, as coisas neste blog acontecem a uma velocidade estonteante.

Temos quase 200 pessoas mobilizadas a tentar organizar brigadas de recolha de potenciais dadores de medula óssea em (quase) todos os distritos do país. Tentaremos que, durante o mês de Novembro, não haja um leitor quadripolar que seja, em território nacional, que tenha desculpa para não se tornar dador.

À medida que tivermos datas e locais fechados, vamos divulgando aqui as acções de recolha. Entretanto, a capital inaugura a coisa:


Assim, gente da minha terra, como podeis contribuir:

1- Caso ainda não sejam dadores, comparecendo em massa neste dia. O evento está criado numa página de facebook é clicarem para irem sabendo mais pormenores.
2- Divulgando este cartaz por todo o lado: nas árvores, nos muros da cidade, nos vossos blogs, no facebook, via e-mail, whatever.
3- Convidando os vossos contactos do facebook que residem em Lisboa a conhecer o projecto e a comparecer.
4- Falar sobre isto na escola, no escritório, à mesa da sala de jantar, no ginásio, à senhora que vos faz as unhas de gel, na catequese, à balconista que vos atende no shopping, enfim, a toda a gente!
5- Interiorizando que a solidariedade se usa o ano todo, não é um outfit de Natal!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Chamada quadripolar

A todos os que me enviaram e-mails a perguntar como podem ajudar na organização das recolhas nos respectivos distritos peço o favor de adicionarem este perfil de FB e juntar-se-ão ao grupo mais dinâmico alguma vez visto. 

Até já!

(Continuam a faltar quadripolares de Évora, Bragança, Vila Real, Braga, Guarda, Viseu, Madeira e Açores)

"Quadripolares solidários"- o movimento

Se já coisa que gosto e admiro nos leitores deste blog é a sua capacidade de fazerem acontecer coisas. Bem sei que os leitores deste blog lêem outros blogs também mas o total de leitores, a combinação final, o somatório de todos eles, destes, é como uma molécula de DNA e pertence apenas a este blog: é unica!
Ora, ontem depois do meu post zangado decidi lançar o desafio: e se facilitassemos a vida aos leitores indecisos a tornarem-se dadores de medula óssea? Se um quadripolar por distrito decidisse por mãos à obra e organizasse uma brigada de recolha na sua cidade para que todos pudessem acorrer? Será que haveria no universo de pessoas que lê este blog gente generosa e altruísta o suficiente? Gente que não se importa de oferecer o seu tempo na organização de uma coisa destas?
Aparentemente, sim! Bolas, Pólo Norte, nunca subestimes os leitores quadripolares, caramba!
E assim, em menos de 24 horas temos não só pessoas que se predispõem a organizar uma brigada em Lisboa, Porto, Faro, Leiria, Setúbal, Viana do Castelo, Santarém e Coimbra como pessoas que se querem juntar em equipa para fazer a coisa em grande e bem feita. 
Claro que isto dá trabalho! É preciso contactar centros de histocompatibilidade, arranjar um espaço, mobilizar pessoas e dinamizar a recolha! Mas claro que quadripolares que são quadripolares são capazes de mover o Mundo por uma boa causa. Não tenho forma de vos agradecer sem ser continuar a escrever este blog, com as palavras ternas que às vezes me escapam e escondendo as lágrimas de comoção que teimo em culpabilizar às hormonas pós-parto.
Vocês são mesmo os maiores!

(Gente de Beja, Évora, Viseu, Castelo Branco, Portalegre, Braga, Bragança, Aveiro, Vila Real, Madeira e Açores? Quem se junta?)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Quase Natal, as doenças dos outros, correntes, fotografias de crianças e a hipocrisia de quem não quem saber

Estou zangada. Pelo que, se o caro leitor não quiser continuar a ler, esta é a altura em que muda de blog.
Estou muito zangada. Zangada com a vida e com algumas pessoas. Muitas pessoas, infelizmente. Estou zangada porque o Guilherme não é compatível com a irmã, com a Bia, e o jogo da loteria da vida é um jogo estúpido de batota.
Estou zangada porque é possível que, no meio dos leitores deste blog, um deles seja o código PIN para a cura da Bia. Ou do João José, de que não falei ainda e que, com apenas 8 meses, trava uma luta desigual contra a puta da doença. Ou da Arina, que ainda não encontrou um dador compatível. 
São crianças que precisam apenas de tempo. Do tempo de todos aqueles que ainda não se inscreveram como dadores de medula óssea, por falta de vontade, porque se vai adiando, porque hoje têm que ir ao shopping, porque aos fins-de-semana gostam de dormir até mais tarde, porque, porque, porque...
São crianças cujas caras deveriam ser vistas na esfera íntima, serem preservadas mas que há que expôr porque há gente a quem a campaínha da solidariedade só toca quando vê um rosto, quando percebe que um nome não é só um nome, que uma história não são apenas palavras contadas. Há que mostrar que a Bia tem olhos azuis, que o João José tem um rosto redondo de lua cheia e que a Ariana tem pele cor-de-chocolate de leite. E só mostrando pode ser que haja esperança que alguém deixe de adiar o dia em que se dirige a um Centro de Histocompatibilidade para se tornar um possível dador. 
Estou zangada. Estou zangada porque, há que dizê-lo com frontalidade, pondo o dedo na ferida, sem eufemismos, estou zangada porque estas crianças podem morrer nesta espera. Os olhos podem-se fechar, o rosto e o tom de pele empalidecer para sempre. Estou zangada porque não consigo abrir a cabeça de toda a gente que se cruza por mim e explicar-lhes que podem salvar uma vida. 
Estou zangada porque também sou mãe e morreria pela minha Ana, para a salvar e porque há uma hipótese de alguém fazer isso pelos filhos dos outros, sem morrer, sem sacrifício e vai vivendo adiando o dia. 
Estou zangada porque sei que há gente que ainda está a ler este post, gente para além dos que já desistiram de o ler porque lhes toquei na ferida, porque não permitem que eu lhes aponte o dedo, porque querem evitar a culpabilização, estou zangada porque sei que há gente que ainda está a ler este post que pode ser o código PIN para a cura da Bia, do João José e da Ariana e ainda nada fez para os salvar. 
Do que estão à espera, caramba?

Prenúncio da semana

2ª feira, novo e-mail.

Remetente: Autoridade Tributária e Aduaneira.

...

domingo, 4 de novembro de 2012

Ana apresenta o novo elemento da familia

Era para se chamar Chicco, Laranjinha, Pré-Natal, Cenoura e, por fim, Early Days by Primark. Nao chegávamomos a um consenso. Finalmente, apresentamos-vos:

Lello- o cão quadripolar.

[Dias das ruas que voam]

[Receber uma amiga e querer fazer-lhe uma tour de carro pela minha cidade. O tempo escasseia e os semáforos travam a velocidade e as estradas de sentido trocado (sentidos trocados?) confundem o motorista. Jantamos no Campo Pequeno, já ali o Saldanha. Há pouco a dizer sobre as Avenidas Novas. No Marquês falamos do Pedro Santana Lopes e no luxo da Avenida da Liberdade e os quiosques com esplanada que a tentam lisboanizar. O Parque Mayer discreto, escondido, envergonhado com luzes fundidas que, outrora, davam glamour à cidade. Rossio de cara lavada, estação a cheirar a pedra molhada, pombos escondidos do temporal. Na baixa a rua do Ouro, da Prata, a Augusta, a da Conceição. Lojas bonitas, verdadeiramente antigas, verdadeiramente tradicionais que não precisam de decoradores de interiores para simular um tempo passado que não têm. A praga das Padarias Portuguesas e o marketing que os portuguesas comem e não choram. A corderosização do Cais Sodré a contrastar com as putas de cara cinzenta, encovada, as capitais do Mundo num quarteirão de boites manhosas, bares decrépitos e Lisboa é, encantadoramente, isto, minha amiga! Em Santos a vista do Le Chat, a rua da Amália (é de S. Bento, bem sei, mas para nós é a da Amália) e corta-se em direcção ao Largo de Camões, ponto de encontro exclusivo de todos os lisboetas noctívagos e reparo que a Bagatela passou a ser uma Padaria Portuguesa e ainda fico a gostar menos do Zé Diogo Quintela. À frente a célebre fotografia com o Nandinho, verde de tanto esperar para ser atendido na Brasileira, a memória do incêndio no Chiado, o meu pai a dizer-me "fica aí quietinha!" e o calor do final dos anos 80. Ao longe os armazéns, o arco-íris de gente, a revolução no Largo do Carmo, o elevador da Glória da canção, subimos até ao Príncipe Real, Bairro Alto nas Vielas, as lojas bonitas, a vista do Lost In, o Rato socialista, a Estrela com a basílica e o Jardim. De volta ao corredor desta cidade-casa, um Mundo transeunte, sem medo das chuvas, um Mundo étnico, um Mundo que é Mundo no Martim Moniz. O Intendente que já não é o que era e que agora é muito pouco. Marcha à ré, a Sé, a prisão do Aljubre, Portas do Sol, neste caso, da Lua. Só nesta cidade castiça pode haver um Jardim das Pichas Murchas e, depois, a Graça, acabar a noite na Graça, a fumar um cigarro no miradouro, o homem da esplanada faz as contas do fecho de caixa, o som das moedas, no rádio um fado (que mais?) e dois bêbedos a dar corpo e alma à canção: eram "os Loucos de Lisboa que nos fazem duvidar se a terra gira ao contrários e os rios nascem no mar."
Lembro-me já, em casa, que me esqueci de lhe mostrar a minha rua preferida de Lisboa



Mas mostrei-lhe, certamente, que há dias em que as ruas voam, também. 
Volta sempre! ]

(* À Almofariza)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Este dia haveria de chegar...

... uma fashion-blogger quer entrevistar a ursa.

Estou desejosa de responder a perguntas do género "Qual a peça sem a qual nunca sais de casa?" ou "Quem é que te vestiu no dia do teu casamento?" com respostas glamourosas como "cuecas" ou "a minha prima, porque eu estava de ressaca da festa da véspera".

Me aguardem!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Diário do PPC- Dar a cara pelo PPC? Há quadripolares para isso!



Sabes que cresceste quando... #2

... Benidorm e Lloret de Mar te soam a destinos do Inferno. Sais à noite e preferes um gin tónico a uma vodka laranja. Escolhes as guerras que queres travar e já não vais a todas. Percebes aquela coisa do "less is more". Preferes estar feliz do que teres sempre razão. Te preocupas mais com o menu do jantar do que com o que vais vestir no dia a seguir. Deitas-te mais cedo por opção. Deixas de acreditar que vais ser descoberta por um caça-talentos. Vais a concertos e preferes estar sentada nas bancadas que no relvado aos saltos e a levar com móches. Não usas os disparates todos que vês nas revista só porque estão na moda. Mascar pastilha elástica parece-te deselegante. Não fazes exercício para te vingares do facto de Educação Física ter sido uma disciplina obrigatória até ao 12º ano. Chega o ano em que já não vais ao pão-por-Deus, já não ofereces pão-por-Deus mas acompanhas o teu filho, pela primeira vez, no seu primeiro pão-por-Deus. 
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