quinta-feira, 25 de abril de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Isaltino ainda está preso?

Aqui.

Crónicas de um baptizado: a morta

Depois de uma noite na belíssima localidade da Praia da Vitória (pensão Terezinha rules!) voltámos ao aeroporto das Lages.
Na onda da prioridade (obrigada Ana!) lá passamos nós, todos lampeiros, à frente da fila para o embarque. Nós, um rapaz cadeirante e... um caixão com uma senhora morta. Sim, morta. Quinada.
Entro no avião e colocam-nos na última fila do avião. Uma fila à nossa frente o senhor de cadeira de rodas, tetraplégico. Respiro fundo. Imagino que tenham colocado o caixão no porão.
Aperto os cintos (o meu e o da extensão da Ana) e respiro fundo, outra vez.
Muita turbulência. Fico nervosa. Passo a Ana a mámen. Chamo a hospedeira e explico-lhe que tenho problemas renais e, embora haja indicação para conservarmos os cintos apertados, tenho mesmo que usar a casa-de-banho. "Ah, sendo assim, tenha cuidado mas pode servir-se da casa-de-banho aqui já de trás, ok?"- avisa-me a hospedeira, simpática. (Puta!- soube-o depois)
Levanto-me e vou ao wc ali atrás. Bato com os olhos no caixão, ali a 50 cm de onde eu estava sentada, com dois comissários de bordo a "velá-lo". Caixãozinho com morta a bordo. E eu ali estava, descansada, entre respirares fundos de alívio, entre o morto e o paralítico, sentada alegremente. Seria um pronúncio?
Entrei na casa-de banho e só de lá saí quando aterrámos. Passou-me a vontade de fazer xixi num ápice.
Em compensação... "borrei-me" toda de medo!
 
 
Literamente.
 
 

Crónicas de um baptizado: o Chico

Viajar com uma criança é o ticket para o mundo VIP: ele é prioridade nas filas do check in, ele é prioridade nas filas do raio-x, prioridade no embarque, simpatia extra por parte das hospedeiras, diploma de baptismo de voo por parte da SATA com direito a fotografia com o piloto no cockpit, enfim, um rol de mordomias.
A viagem começou a correr bem... até à Terceira. Na Terceira o embarque estava marcado para as 10h15. Eram 11h e nem uma notícia. Às tantas no altifalante: "O atraso verificado deve-se a más condições climatéricas no aeroporto de destino. Daremos notícias dentro de uma hora"- Ao meio-dia nem uma notícia.
Já passada vou ter com um assistente da SATA. "Olhe, desculpe, podía-me dizer quando é que temos notícias?". A mulher suspirou e respondeu-me: "Senhóra, vamos lá ver se não é quando o Chico* vier da areia".
Calo-me para não fazer papel de ignorante. Ali ao lado, mámen cochila com a miúda.
Passada meia hora, impaciente, volto à carga: "Sabe-me dar informações do voo para São Jorge. Acabei de ligar à minha sogra e ela diz-me que está nos em Las Velas." A assistente encolhe os ombros.
Passados uns minutos informação sonora: "O voo para São Jorge foi cancelado. Dirijam-se aos balcões... blablablá"
Incrédula por ter que passar uma noite na Terceira e não chegar a "casa" naquele dia arranco em direcção à mesma assistente: "Mas hoje não há mais voos para São Jorge? Eu espero o que for preciso! Posso esperar?"
- "Ui, senhóra, vai esperar até ao Chico* vir da areia!"
 
Passada, chego-me ao pé de mámen e pergunto-lhe "Quem caralho é o Chico?"
 
Mámen riu-se durante meia hora.
 
 
 
 
 
(* Expressão típica açoriana que significa "esperar ad eternum")

terça-feira, 23 de abril de 2013

Todos por um: agradecimentos finais

Pólo Norte e Mámen agradecem a todos os amigos que se juntaram a nós no sábado. Não às marcas (às quais subscrevo tudo o que está escrito aqui) mas este agradecimento é especial para os amigos e pessoas individuais:
  • os que se tornaram dadores (foram 301 mas um beijinho especial ao rapaz que desmaiou e à Ana do Cacomãe que, mesmo grávida de 7 meses, deu o braço ao manifesto)
  •  os que levaram os amigos (foram tantos mas uma palavra especial de carinho à Tehur que arrastou um clube inteiro de motociclistas para se inscreverem como dadores de medula óssea)
  •  as que coagiram os maridos (e também às que, não sendo bem sucedidas em convencê-los, tentaram e apareceram na mesma)
  •  os que arrumaram e organizaram tudo na véspera (beijinho à Andreia, ao pai das duas M.'s, ao José Cid, ao Cocómen, ao Sr. Vitor da recepção, ao guarda costas e guarda tudo, às M&M e a todos os que possa omitir não intecionalmente)
  • os que levaram bolinhos e comida ( um abraço à Rita que nao pode comparecer porque o pai celebrava 80 anos no sábado mas que apareceu na véspera com um bolo maravilhoso, à Gina que arrastou o marido e uns amigos da Margem Sul para nos trazer caixas de morangos, à querida e doce Mariana que também apareceu no fim da noite de sexta para deixar comidinha, à Raquel dos Le Bons Vivants sempre solidária, à Patrícia Figueira, à Vera Martins, à Rafaela Frade e a tanta gente cujos nomes não consegui decorar  )
  •  os que transportaram mercadoria (beijinho à Vanessa e às menina dos Bichinhos Carpinteiros)
  •  os que cravaram patrocínios e os que ofertaram peças, mão de obra, vouchers,  os que se voluntariaram para ajudar (beijo à Luísa Santos, à Ana Bernardo, à Vera Leitão, à Titá Negrão, à Zitaminas, à Magma Photo e ao Tio do Algarve,  mas são tantos, tantos, tantos, impossível aqui referir todos)
  • os que tiraram cafés (uma palavra de especial apreço à menina dos Bicharocos Carpinteiros, marido, sogra e tia que tiraram bicas o dia todo!)
  • os que ajudaram a vender coisas (beijinhos à Isa Sena e filho ma-ra-vi-lho-so, à linda Ana Sá, à Lina e Rita Garcia, ao Rui Garcia, à ANA, à Rosa, ao Zé Miguel, à Débora, ao Vicente e demais)
  • os que no fim ajudaram a limpar (não me lembro de todos mas a Bárbara e o Filipe foram incansáveis)
  • os que tomaram conta da criançada (granda xi-coração à Cátia Simões e sus muchachos que foram de uma competência, dedicação e profissionalismos irrepreensíveis, Pólo Norte <3 you all. As meninas das pinturas faciais- se me lerem isto relembrem-me os vosso nomes!, a dos balões e a livraria que contou o conto são os maiores!))
  • os que tatuaram (grande beijo repenicado à Marina "Andreia", ao Sérgio e ao Rui)
  • os que foram tatuados (foram tantos mas um abraço especial à Niki Ansiedades, à Marta do Dolce Far Niente e à Pedagogia do Terror que é pró em segurar mãos)
  •  os que recolheram sangue e  os que ajudaram a preencher formulários (todas as enfermeiras e aquele enfermeiro giro da camisa preta doram incansáveis!)
  • os que tiraram fotografias  (Selma, Célia, Olga, Pau, Sofia, Carolina, Selma: sois grandes! - mais a Carolina que os outros, mas enfim... :P)
  •  os que serviram bolos e quiches (beijo repenicado à Teresa Martins e à sua companheira que só lá ia 5 minutinhos e acabou por não arredar pé o dia todo e cujo nome, infelizmente, me escapou)
  • os que compraram e os que connosco lancharam (tantos, imensos mas uma homenagem especial a algumas bloggers e leitora do blog: Leonor Noronha, Maria João Nunes, Bê Oliveira, Nicole Souto Vidal, Ana do Cacomãe, Tê, Me, Raquel do Asinhas, menina do Rei vai nu, Niki Ansiedades, Lénia do Not so fast, Marta do Dolce Far Niente, Ana do Pedagogia do Terror, menina do A Secretária Encantada et al. Um grande beijo repenicado à menina que veio, de propósito do Entroncamento, à Andreia dos balões que veio do Alentejo a correr dar-nos um abraço e à Rita cadeirante que se preveniu quanto às acessibilidades e não arranjou desculpa para ficar em casa) 
  • os que cantaram (odeio tunas mas a Cruzituna não me fez sangrar dos ouvidos, tá? Foram engraçados, até... :P)
  • os que se emocionaram e que nos abraçaram (um abraço especial a todos de volta mas não posso deixar de referir a Marta Luísa, a Sibila e a Ana Brás, exemplos de mulheres com "M" maiúsculo e cujo carinho me emocionou milhões)
  • à família do Rodrigo (um abraço sentido ao padrinho e às tias que a nós se juntaram)
 enfim, os amigos que fizeram o que fazem os amigos: os que se juntaram.

 O casal quadripolar agradece do fundo, mais fundo, do seu coração. Obrigada!
Pólo Norte <3 you all! 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Todos por um: 4 momentos quadripolares

1- Quando no grupo de facebook estávamos todas, entusiasmadas, a anunciar as ofertas que íamos recebendo e a Erica sai-se com um "PASSOS COELHO OFERECE UM ORÇAMENTO DE ESTADO AUTOGRAFADO!"
2- Quando subo para o primeiro andar de elevador, depois da porta se estar quase a fechar, entro esbaforida e comento com um senhor "Cheira a pum aqui dentro!", à espera de uma palavra de solidariedade e de reprovação e ele me responde "Olhe, fui eu!"

3- Quando me cruzo com a fofa mais linda Mada e lhe peço : "Madalena, cantas-me uma canção?" e ela me estende o porquinho mealheiro e me responde, sobranceira: "Tens dinheiro?" 
(Não há dinheiro, não há palhaços!)

4- Quando o amigo da M, que não lê blogs, se cruza comigo, ouve toda a gente chamar-me "Pólo Norte", deixa-me afastar-me e pergunta-lhe: "Chama-se Pólo Norte e está a usar um vestido hippie. É daquelas seitas hippies, é?"

"Todos por um"- resumidamente, foi assim


in Diário de Notícias (21 de Abril de 2013)


Todos por um: agradecimentos # 2

Primeiro apareceu a Marta Rosa. Trouxe com ela o Bruno* e a Madalena. Depois chegou a Joana Oliveira* e o noivo*. Pouco a pouco, durante o dia, as minhas pessoas, as de cheiro, as de pele, as da minha vida do dia-a-dia, do passado, do presente e do futuro foram-se juntado à causa que se tornou de todos. 
Vieram as minhas amigas da faculdade, a Rita e a Margarida, com os rapazes (beijinhos ao Paulo e ao Pedro*) e as crianças ( sobrinhos mafiosos e Laurinha, não vos dei a atenção que queria mas juro que vos compenso no próximo lanche de isctenianas fixes!). Veio a Marta, que comenta o blog da amiga da irmã e ontem me pode materializar (solidariedade por teres que aturar essa miúda, pá!). Veio uma antiga colega de faculdade- a Marina- que não me via há 11 anos e que saiu da Benedita em direcção a Lisboa com o marido e a filha só para se poder juntar a nós (Obrigada, miúda, adorei rever-te!). 
Depois chegou a minha amiga Rosa* que depressa assumiu um posto de vigia e vendeu peças como se não houvesse amanhã (e serviu de babysitter para a sobrinha). O meu mano Zé Miguel* juntou-se à tarde, de salgadinhos na mão, respondendo ao apelo que fizemos depois de almoço para que nos reforçassem as reservas de comida. A Bárbara e o Filipe* também vieram e ajudaram a vender, a arrumar, a limpar no fim da festa. 
A Sónia e o Jorge vieram dar-me um abraço (tenho saudades vossas, em breve reponho as cervejolas em falta!), a Eunice e o Alexandre também. Já vou disse o quão grata sou por a vida nos ter juntado?
A Alexandra, ao Rui, à Ana de São João e à Sara Sá que não me falharam e com quem desejo, com a maior brevidade, repetir um lanche ou um jantar! Gosto tanto de vocês, pá!
A família Querido veio em peso, nunca me falham: um beijinho especial à Manelita, ao Jorge*, à minha Dé* e ao Vi, pelo apoio permanente e constante em todas as minhas causas.
A minha amiga Catarina, acabada de chegar da Guiné, que me reencontrou ali no meio da multidão e com quem não consegui estar mais de 10 minutos. Mas que foi, porque sabia o que a sua presença representaria para mim. 
A minha mãe veio coroar o dia, juntando-se daquela forma pragmática e pouco lamechas mas desmesuradamente emocional. Foi ela que me educou assim, atenta ao Mundo, responsável por fazer o que estiver ao meu alcance pelos outros. A ela não lhe agradeço a presença: agradeço-lhe os valores, o apoio de sempre e o amor.
À Ana por ser uma porreira, por alinhar nos múltiplos colos, por não chorar, por não exigir a presença constante da mãe e por me deixar partilhá-la com o Mundo, por ser a filha que eu sempre sonhei ter e que ontem pude partilhar com quem partilhou o seu tempo e a sua energia na nossa causa. 
Por último, o Mámen, amor da minha vida, companheiro de sempre e para sempre, de todas as ocasiões, das mangas arregaçadas, dos pesos carregados a fazer a minha vez, da atenção dada à Ana para compensar a minha necessidade de chegar a todos, da soneca no sofá da Sandra enquanto a equipa planeava os detalhes na madrugada do próprio dia do evento, da compreensão por irmos comprar a roupa que vai usar ao baptizado da filha na véspera de embarcarmos para os Açores às dez da noite, pelo xi-coração no regresso a casa, sensação de tarefa cumprida, de amor pelo próximo partilhado. 
Quero agradecer a cada uma destas pessoas, pessoas da minha vida, do cheiro, do toque, das memórias que se constroem todos os dias. Ontem fizeram história na minha vida com a vossa presença. O amor e a amizade não se agradecem mas vocês sabem o que a vossa vinda representou para mim. 
Obrigada, sim?

(* todos possíveis dadores de medula óssea desde sábado)

domingo, 21 de abril de 2013

Todos por um: agradecimentos # 1

À SMS (és fabulosa e passei a ser a tua fã número 1!), à Miss Glitering (a mais querida!), à Filipa (a determinação, assertividade e profissionalismo em pessoa!), à Erica (mulher-menina dos dinheiros, da concentração, do fócus), à Selma (criativa, dinâmica e alegre como há muito não via) e à Sandra (sabes que fomos separadas à nascença, não sabes?):



Obrigada. Do coraçâo. Uma por todas. Todas por um.

sábado, 20 de abril de 2013

É hoje!

O evento de hoje começou a ser pensado na terça-feira passada. Tivemos 4 dias, repito, 4 dias para juntar a tropa de elite toda e pôr de pé uma ideia.
Claro que ter as pessoas certas connosco é 90% do segredo. A Filipa é a pessoa certa para organizar um evento com poucos recursos no Pólo Norte, que seja, tem o gosto refinado e a capacidade de transformar um iglo num palácio de gelo e a assertividade, o foco, a concentração e a determinação para gerir recursos e pessoas. É implacavelmente eficiente, a Filipa.
A Sofia é mesmo, mesmo querida. Tem a boa vontade e uma honestidade invejáveis, optimismo para dar e vender e energia positiva a rodos. E tem o carinho de uma multidão de pessoas que lêem o seu blog e,  só por isso, lhe querem bem, gostam dela, se sentem inspirados por ela para ajudar.
A Sónia, acelerada e sempre a correr, é a verdadeira MacGyver blogosférica. Desdobra-se em tarefas, multiplica-se em papéis, omnipotente e omnipresente, envolve-se a si, à família, aos amigos e conhecidos. Arrasta mundos de gente, arrasta-nos pela capacidade de entrega, dedicação, envolvimento e exemplaridade.
A Selma é a energizer do grupo, bem disposta, multifacetada, mulher dos sete ofícios e das mangas arregaçadas, despachada como tudo! E a Erica contra balança-a, mais séria e sem dispersar, mais certinha e concentrada. Complementam-se tão bem!
A Sandra é a Sandra. Altruísta, generosa como ninguém. Pragmática, terra a terra, com ekevado sentido de missão e de responsabilidade social, a mulher com a maior capacidade de empatia que eu já conheci. Com a Sandra tudo- repito: tudo!- é possível! E é uma honra que ela me espicace e me obrigue a mexer-me, a olhar para o Mundo em redor, a chamar-me a atenção para tudo aquilo que somos capazes de fazer.
Mas, felizmente, não são apenas estas as pessoas certas que reunimos para organizar o evento. São as pessoas que possuem marcas e que, sem pestanejar, anuíram em juntar-se à causa. São as bloggers habilidosas que nos cederam pecinhas feitas à mão. As pessoas que, sem no conhecerem de lado nenhum, se mobilizaram em torno da causa.
É a Gina Godinho que veio entregar comida e caixas de morangos, depois de um dia de trabalho, eram 22 h ao local do evento. E vinha de longe! É a Mariana que chegou já connosco de saída, cansadas e de tralha a tira-colo e que nos retempreou com o seu sorriso e com a ideia de uma quiche com caril. É a Sofia que esteve o dia todo enfiada na cozinha para poder contribuir com comida pronta a a servir e a quem envio daqui um beijo de parabéns para o pa que, hoje, completa 80 anos. É o colega da Sandra e as filhas pequenas que estiveram a expôr vernizes durante meia-hora e a outra colega muito desembaraçada.
É a Isa que conseguiu a t-shirt autografada e as chuteiras do Ronaldo,



quinta-feira, 18 de abril de 2013

As sete violinas ou esta coisa dos corações

Nunca estive com a Sónia nem com a Sofia. E Erica adoptou um cão abandonado que eu divulguei aqui no blog e a Selma é da ilha de mámen, Também nunca as vi mais magras. A Filipa era uma desconhecida até há dois dias atrás e apenas conheço o cheiro à Sandra.
Todas soubemos da história do Rodrigo. Podia dizer, até, que havia como denominador comum o facto de sermos todas mães. Nem isso, por enquanto.
Eu escrevi à Sónia, a Sofia, por sua vez, comentou no facebook do Quadripolaridades. Trouxe a Filipa. E Selma e a Erica fizeram birra para entrar no grupo de trabalho. A Sandra tinha que entrar, nem precisámos de o verbalizar.
O Rodrigo precisava que não assobiássemos para o lado. Não é de nós que o Rodrigo precisa, é de um Mundo que se organize para ele poder ter todas as possibilidades. Mesmo que se tornem em impossibilidades. Para que a sua mãe possa poder escolher ir até ao fim do Mundo atrás de uma cura, de uma fé, de uma esperança. Para que a sua mãe não cruze os braços à espera de um fim. O fim que eu recusaria assim como a Sónia, a Sofia, a Sandra e a Filipa, que também são mães. O fim que a Selma e a Erica tentaria travar, porque têm coração e fé.
Juntámos-nos e a magia aconteceu aos nossos olhos.
"Ah e tal, Pólo Norte, e o anonimato?" Gente, sou a loira com o maior mamaçal e que se lixe o anonimato: o Rodrigo está a morrer! Abraçar-vos-ei a todos, tanto quanto os meus braços aguentarem. E o meu pé, que ainda está ao alto. E se ficar com mau feitio há ali outras seis magníficas, mais generosas e mais inspiradoras que me farão a vez. 
Isto só é possível porque somos sete. As sete violinas. Obrigada a todas. Gosto mesmo muito de vocês (mesmo das que pesam menos de 50 Kg). Sois as maiores!


E agora a conversa é convosco: encontro-vos lá? 


À querida Padaria Portuguesa

Crónicas de um hospitale- fui ressonada magneticamente

Diagnóstico feito, estive internada uns dias à espera de uma ressonância magnética que viesse confirmar o diagnóstico. Entretanto, com o efeito da medicação, os movimentos regressaram, as dores atenuaram e eu só estive internada para poder passar à frente na fila de espera do maldito exame. Sim, ocupei uma cama mais dois dias que o previsto porque só assim me davam prioridade para fazer uma ressonância magnética.
Ainda aleguei que tinha estado grávida recentemente, que podia levar a Ana ao colo ou que, efectivamente, estava com mobilidade reduzida mas, aparentemente, não constituiam motivos de prioridade. Internada é que era.
Chegou o dia e lá fui eu ser ressonada. A coisa começou mal logo à entrada: à porta os avisos diabólicos! Não se podia

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Todos por um- "Como é que eu posso ajudar?"

Como podem ajudar?

Marcas de produtos- Doando uma (ou mais) peça(s) com indicação de PVP, para nossa referência. Acompanhem com algum merchandising para publicitarmos. 


Marcas de serviços: Doando uma experiência (uma noite num hotel, um jantar num restaurante, etc) com indicação de PVP, para nossa referência. Acompanhem com algum merchandising para publicitarmos. 


Artesãos/Bloggers habilidosos-  Doando uma (ou mais)  peça com indicação de PVP, para nossa referência. Acompanhem com cartões de divulgação, links de páginas de FB, enfim...

Prestadores de serviços- Doando tempo e Know how. É educador de infância e pode oferecer uma hora a brincar com as crianças? É cozinheiro e pode oferecer uma hora a ensinar uma plateia a fazer um bolo? É maquilhador e oferece-se para, durante uma hora, elaborar pinturas faciais? Sabe construir brinquedos com despedícios e pode ensinar os miúdos a construirem um brinquedo? Um espectáculo de marionetes durante meia hora? Um pequeno workshop de origami para os pais aprenderem? Um terapeuta pode ensinar uma massagem simples para bebés? 

Pessoas com boas mãos para a cozinha- Ofertando bolos, tortas, bolachas, bolinhas, salgados para serem vendidos à fatia. Ou bolos de cake design para serem vendidos por inteiro. 

Público em geral: aparecendo, tornando-se dadores de medula, arrastando amigos convosco para o mesmo fim, visitando a feirinha, deixando os miúdos brincarem no espaço próprio para eles e, bebendo um café connosco, que somos umas fixes! (Por falar nisso, alguém tem algum contacto na Delta ou numa qualquer marca de cafés?)



"Ah e tal, como é que eu posso ajudar?"- Agora já sabem! 




"Todos por um"- chamada aos visitantes


Andamos atarefadas com a organização do "Todos por um". 


Será no próximo sábado, em Lisboa. 



Iremos ter recolha de possíveis dadores de medula óssea (caraças, não dói nada! É uma picadinha!).



Iremos ter uma venda de montes de coisas giras doadas por marcas (a preços muito mais baratos que os de venda ao público), por artesãos, por bloggers habilidosos e pessoas generosas sem fim. 



Iremos ter um espaço de comes e bebes (e sábado não há cá dieta para ninguém).

Iremos ter um espaço infantil para os miudos não apanharem uma seca (e mámen estará lá, voluntário à força que só ele, a dinamizar uma hora do conto). 

Iremos ter a Pólo Norte, a Cocó na Fralda e a Miss Glittering para vos receber de braços abertos e, no meu caso, de pé ao alto!

Vão mesmo faltar?
Mudei. Sinto que mudei.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Se a blogosfera podia assobiar para o lado e não se mobilizar para ajudar o Rodrigo? Poder, podia... mas não era a mesma coisa.

"Todos por um" é o tema do evento que terá lugar no próximo sábado, dia 20 de Abril, entre as 10h e as 18h, na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.

Esta iniciativa foi criada no sentido de ajudar a encontrar uma solução para o Rodrigo, que tem leucemia e que precisa urgentemente de um dador de medula compatível.

Uma vez que o IPO já deu alta ao Rodrigo e a solução poderá estar fora do país, esta iniciativa conta com uma venda solidária de artigos que serão doados por várias marcas, bem como por mães, amigas e bloggers.

O valor total das vendas reverte a favor do Rodrigo, para que a mãe possa encontrar uma solução além-fronteiras.

 O evento, para além de uma venda solidária terá também unidades de recolha de sangue/medula (estamos só à espera da confirmação do CEDACE que se viu a braços com a nossa pressão de tempo. Não é capricho, o tempo é que não é amigo do Rodrigo...), actividades para crianças, fotografia e bloggers fixolas para vos receberem e darem três dedos de conversa (ou uma mão cheia).

Gostaríamos de vos convidar a todos para aparecerem, trazerem amigos, namorados, vizinhos, ex-namorados, família por afinidade, colegas de trabalho. Sem desculpas! Uma picadinha aqui (não dói nada, já sabem!), uma compra gira ali, os miúdos brincam ali e temos um sábado bem passado em prol do Rodrigo!

Quem quiser colaborar com a doação de peças novas para venda e consequentes receitas para o Rodrigo faça o favor de entregar em mãos ou enviar as mesmas (com indicação do preço de venda ao público) e com recepção garantida, no máximo até à próxima sexta-feira, para:

Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa
A/C Professora Sandra Alves
Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. Av. De Ceuta, edifício urbiceuta. 
1350-125 Lisboa

Esperamos por todos vós! O Rodrigo precisa de todos nós!

Pólo Norte, SMS & Miss Glittering


(Obrigada à Sandra, à Selma, à Filipa e à Erica que são as mais maiores grandes por se juntarem aqui às três mosqueteiras!)

A Luísa, a Mãe da Luísa, a Isabel, a Leonor e o Martim (o Hugo também lá estava mas é alentejano e não entra nesta história)

Ontem conheci a Luísa. A Luísa é leitora deste blog há imenso tempo. Daquelas leitoras que não tem blog, pelo que, estava eu em desvantagem face a ela que me conhece as trapalhadas de trás para a frente, o mau feitio, o destrambelhamento, as mariquices. Da Luísa conhecia pouco mas, lá no fundo, conhecia muito. 
Houve uma altura em que, deslumbrada, me apetecia conhecer toda a gente que lê este blog. Depois outra, já escaldada, em que queria era escrever neste blog, mas nada de travar conhecimento com quem o lê. Agora penso que gostaria de conhecer algumas pessoas, sei de cor quem são. Curiosamente, a maioria não tem blog e lê de forma unidireccional. Talvez, por isso, por esse desconhecido conhecido, por esse vazio de informação que deixa margem para a minha imaginação, sinto-lhes curiosidade na expressão da voz, no tom do olhar.
Ontem, conhecer a Luísa, vou regressar a casa. À terra. Ao Minho. Ao meu Minho. A Luísa trazia a mãe, aquelas expressões da minha avó, a pronúncia que é música, acordeão e realejo, cantigas à desgarrada. Uma alegria na voz mesmo com o luto no corpo, um entusiasmo nos olhos mesmo com a dor na alma. As mulheres do Minho são assim.
Depois a Isabel, a irmã da Luísa, cabelos negros do Norte, sorriso de menina, fácil e descomplicado, luminoso como os brincos de princesa, as flores ou os de ouro, tanto me faz. E trouxe o Martim, meio arraçado, pequenino como a minha Ana (mais açoriana que minhota, raça da miúda!), ar sério, cabelo escorrido, vai ser importante o Martim, tem aquele ar distinto de quem tem sobrenome com "Y", compenetrado no alto dos seus 7 meses. 
Mas, a Luísa trouxe, de forma única, a pequena Leonor, magia em forma de criança. Esta não é arraçada (desculpa André!), o Minho num corpo de 3 anos: a frescura do verde dos campos, o entusiasmo das gentes do campo, a alegria da dança do vira. Fala como uma miúda crescida, desembaraçada como só o são as mulheres do Minho, expressiva e extrovertida, já com um bocadinho de música na voz, que não a perca. 
E a Luísa é a Luísa, foi tão fácil confirmar o que já sabia, que ia gostar dela ao vivo como por detrás de um monitor, a ler-lhe emails, a partilhar a sua dor, a partilhar com ela a minha alegria. A Luísa é exactamente como eu sabia e conhecê-la não foi mais que reconhecê-la, como se reconhece as pessoas que estão destinadas a fazer parte das nossas vidas. 
Ontem, embalada naqueles risos minhotos, nos olhares de mulher do Norte, naquele sentir a família feminina, família Sibila (Agustina sabe-o!) senti-me no regresso a casa, a voz dos meus avós, as expressões maravilhosas, o linguarejar, as mangas arregaçadas, a energia do Minho. Não apenas do Norte. Do Minho. 
Ontem senti-me em casa. Obrigada Luísa!

1oo Quadripolares que vale a pena conhecer # D. Palmira (1)




"Todas as noites venho aqui dar de comer aos bichinhos, faça chuva ou faça sol. Venho de autocarro até aqui e dou-lhes ração e água. Tenho dois cães em casa mas também gosto muito de gatos."

"Já pensou levar para casa algum destes gatos e alimentar os que adoptaria?"
"Não se escolhe dar de comer a um ser vivo e não a outro. Venho aqui e dou a todos. Não quero adoptar nenhum. Os gatos são animais de rua, são selvagens. 
Os gatos não usam coleira."



Dona Palmira

domingo, 14 de abril de 2013

Os leitores deste blog são melhores que os dos vossos #9

Uma das coisas de que mais gosto neste blog (ainda vão sendo algumas) é o caminho bidireccional entre mim e as pessoas que me lêem. Regra geral, já devem tem reparado, nunca uso a expressão "as pessoas que me lêem" ou "os meus leitores", primeiro, porque as pessoas lêem o blog, não a mim, depois porque os leitores não são meus, são leitores de blogs, entre os quais o meu, ponto. 
Mas há casos- felizmente, cada vez mais- em que leitores do meu blog fazem parte da minha vida, ainda que nem sequer sejam eles autores de blogs, ainda que não lhes conheça o rosto, o cheiro, mas estes são meus, pessoas que fazem parte da minha vida, de quem gosto e quero saber, ainda que com um monitor pelo meio.
É o caso da Marta., que fechou as portas ao coração depois de um desgosto de amor. A Marta que mora no meu pensamento, volta e não volta, "estará mais animada?", "já lhe terá nascido a sobrinha?", "gostava que encontrasse um novo amor, ó Deus os namorados!", à noite nas minhas orações muito próprias.
A T. ensina-me receitas à distância. Pensar na T. é imaginar o cheiro a casa, à nossa casa, a éter durante o dia, a bolos saídos do forno ao fim do dia. A T. tem o coração das cores das linhas que enriça, com uma mestria tal, que se transformam sempre em coisas bonitas. A T. tem um toque de Midas e eu gosto de a sentir por perto. 
Depois há a I., desenrascada e desbocada, a quem o marido partiu o coração, mas com uma energia e uma garra de "I will survive" invejáveis. Vai dar a volta, eu "conheço" a I. mas "a miúda, como estará a passar por isto?`". Beijinhos imaginários e colo para afastar a dor.
A A. é dura. Muito directa e frontal, às vezes ríspida. Gosto tanto dela, mulher do Norte, coração de ouro, move montanhas para ajudar, tem aquela generosidade tripeira, de mangas arregaçadas, andar despachado. Nunca a vi mas conheço-a.
Há ainda a L., de quem não consigo escrever depois de um email que recebi ontem, a L. de quem tenho pensado tantas e tantas vezes, com apreensão mas sem querer ser intrusiva, a quem enviei tantas vezes energias positivas, "tudo vai correr bem". Não correu, mas só desta vez. A L. tem aquela aura a quem a vida vai dar certo, eu sinto-o. A natureza é sábia and "you'll see clearly now the rain is gone". É Primavera, o Mundo vai-te abrir janelas para entrar o sol, fecha os olhos e fotossintetisa. Tudo regenera. 
A S., nome de personagem de livros, que me envia doces sempre que a a alma me amarga. Que tem o condão de me fazer sentir a alma quente em cada dentada que dou a uma queijada. Tem a sensibilidade e o timming perfeitos e imagino-a muitas vezes, num exercício com um misto de abstracção e diversão. Gosto-a como quem gosto das coisas que nasceram para ser gostadas, as coisas óbvias, não se tem outro remédio senão gostar.
A D., irmã de um amigo de infância de mámen, que a vida teima em não fazer cruzar. Os Açores a unirem-nos, as massas sovadas, as espécies, o Atlântico, lá longe, ali com ela, a Califórnia. Os caracóis da D., ondas de um mar tão nosso, a voz do irmão, outra vez a dolência das ondas. Pensar na D. é pura sinestesia, lavar da alma. 
Ainda a Z., lá tão longe. Que fica feliz quando me acontecem coisas boas, que partilha em primeira mão comigo notícias maravilhosas, que passeia a barriga de 9 meses para ajudar quem precisa, generosidade sem fim. Terão resolvido a vida? Os miúdos como estarão? O pequeno, que lindo que era. Estará crescido e parecido com a irmã? Queria ajudar, ajudá-los. mas sei que tudo se vai resolver. A  vida é matreira mas, no fim, as pessoas boas merecem só coisas boas e é isso que vai acontecer. Beijo-os, à distância e em pensamento, muitas vezes. Senti-lo-ão?
Por fim, a L., cuja doença e morte da avó acompanhei. A cumplicidade que se pode sentir com um desconhecido, as mesmas referências, o Minho, a pronúncia saudosa que lhe adivinho, o partilhar de uma dor como se fossemos família, irmãs, primas, a empatia total. A L. que me envia livros para a Ana, que se lembra de nós nós em cada imagem colorida. Terá sardas? Olhos minhotos? Devo-lhe um abraço apertado. Será hoje. 
Hoje abro uma excepção, como abriria para qualquer uma destas pessoas que não lê apenas o meu blog mas que tem a capacidade de me ler a mim, de chegar até ao meu coração e existir na minha vida, mesmo que não fisicamente. Hoje abro uma excepção e vou dar o xi coração devido à L. conhecê-la, pensa ela. Reconhecê-la, sei-o eu. 

Ainda que não fosse por mais nada, que fosse por estas pessoas, gente real por detrás de um monitor, este blog já valeu a pena. Obrigada por existirem. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Crónicas de um hospital: a visita emocionada da minha filha

Não pude receber visitas da Ana aqui em cima na enfermaria (nem quis, para ser verdadeira, que isto é muita bicheza no ar e eu quero a miúda rija e saudável). Mas na terça lá veio ela, lá abaixo, à sala de espera de uma consulta qualquer. Corrijo: à sala de espera da consulta de otorrinolaringologia onde, mais uma vez, constato que chamarem os doentes desta especialidade através do altifalante é uma tortura para quem não é surdo: repete-se umas 2653 vezes o nome dos moucos até que uma ajudante de enfermaria, sensata, vem à sala, fisicamente, e grita o nome do paciente em questão, gesticulando muito devagar os lábios para ver se é percebida. 
E foi assim que me encontrei com "a minha rica filha" (Cinha, estou contigo!) na sala de espera do serviço de otorrino, sentada ao lado de um Panda gigante de peluche (que não sei o que alif az pespegado) com as lágrimas nos olhos assim que botei as vistas em cima da miúda. 
Claro que ela se atirou logo para mim. Literalmente. Atirou-se do colo da minha mãe para o meu e eu esqueci-me que tinha descido de pijama e robe de chambre com o carimbo do hospital. Mas não só se atirou, esfregou-se em mim, era ver braços por todo o lado, a boca a lamber-me o rosto, as mãozinhas a esbracejar como se me quisesse fazer festinhas. Fiquei toda orgulhosa e comovida. 
"Ai que a minha filha teve saudades minhas!". "Ai que ela sentiu tanto a minha falta!" "Ai que ela é tão meiguinha". Enquanto elogiava a sensibilidade sobredotada da miúda desviei-me um bocado e a Ana suspirou, emitiu umas vocalizações de pura euforia e reproduziu todas aquelas manifestações de ternura, afecto e alegria. 
No cabrão do Panda. 
Ainda bem que a hora de visita não foi prolongada: ser trocada por um urso não é fácil para o coração de uma pobre (e quinada) mãe. 


(Onde é que se entregam os miúdos para adopção mesmo? :P )

O Rodrigo que podia ser a Ana. A minha Ana.


Imaginem que a rapariga da fotografia sou eu. Podia ser. Não tenho sardas e não sou tão nova mas, tal como ela, sou mãe. Imaginem que estava sozinha, que mámen tinha morrido, que era viúva como a Vanessa, a rapariga do retrato. 
E imaginem que este rapazinho era uma menina, que o Rodrigo era a Ana. A Ana que vocês souberam que viria num dia de Inverno, música de Sérgio Godinho, num pedido que espalhassem a notícia da alegria que mal me cabia no coração. 
Imaginem que era diagnosticado à Ana um cancro com pouco mais de dois anos de vida. A mesma Ana, cujas histórias de gravidez  vocês acompanharam a par e passo, para quem enviaram pensamentos positivos a cada sobressalto, por quem, genuinamente, ficaram felizes quando chegou a este Mundo, tornando-se sobrinha quadripolar de todos vós. 
Imaginem que a Ana estava a morrer. E que eu deixava de escrever, deixava de ser alegre, de ter bom humor e passava a viver um pesadelo. Que tentava com todas as minhas forças salvar a minha filha, aquela cujos olhos azuis já vos descrevi, os que me enchem a alma e os dias de um amor que transborda do peito. Imaginem, mais uma vez, eu sozinha, sem mámen, exausta, com a única responsabilidade de lutar para que a Ana sobrevivesse. Sem garantias mas com o dever de qualquer mãe: de a proteger, se fosse preciso, com a minha própria vida. 
Imaginem que no final de tratamentos violentíssimos o corpo da Ana não reagia e que se constatava que tinha 90% das células infectadas. Imaginem que a Ana estava a morrer e eu precisava de vocês, de ti e de ti, da tua família, dos teus amigos, de todos. 
Que eu precisava de ideias para ir procurar ajuda, de moradas de hospitais, médicos, de contactos, de ajuda monetária, de convencer toda a gente que estivesse ao meu alcance a doar medula, numa esperança, ínfima que fosse, de enganar o tempo e travar a puta da doença. 
Imaginem que eu tirava este retrato: da minha filha cansada, doente, desanimada comigo a segurar-lhe o rostinho, pequenino, desesperada, sem ânimo, energia ou força mas com a única ideia de salvar a minha filha. 
Imaginem que eu não estava a escrever este texto com lágrimas nos olhos, com as mãos a fazerem figas e a bater na madeira, em jeito de superstição e imaginem que tudo isto era real para mim e para a Ana.
Imaginem que podiam fazer algo por nós. Faziam-no?

Vamos fazer pelo Rodrigo? Antes que o tempo acabe?


Contribuam monetariamente para se juntar dinheiro para se poder, se for preciso, partir com o Rodrigo para o fim do Mundo, que seja, para o curar. 

Titular: Cátia Vanessa Zeferino Patusco
NIB: 5200 5201 0010 3209 0016.4
IBAN PT50. 5200 5201 0010 3209 00164
SWIFT CDOTPTP1XXX

E inscrevam-se como possíveis dadores de medula. Por mim. Pela Ana. pela Bia. E pelo Rodrigo. )


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Avé Armstrong!

Acabei de tomar drogas.
Tenho a boca dormente e nem sou capaz de acertar nas teclas, como deve de ser.
O Lance Armstrong é, de ora em diante, o meu ídolo.


Vantagens de estar internada (num hospital público e sem televisão no quarto)

1- Não começas o dia a praguejar contra o despertador. Mordes a língua quando a ajudante de enfermaria abre as persianas às 6 e meia da manhã e acordar com a claridade a cegar-te as vistas.

2- Não precisas de fazer a cama. Vais tomar um duche e quando voltas: voilá! Cama feita de lavado, lençóis esticadinhos.

3- Não perdes tempo a escolher outfits. Pijama num dia, camisa de noite noutro.

4- Não vês junk TV, não papas os programas da manhâ, não tens wireless. Lês um livro por dia.

5- Comes pouco e saudável: não há sal na sopa, os condutos têm quantidades miseráveis e a fruta, regra geral, está verde.

Não me lixem!

Quando, há menos de um ano vos contei a história da Bia assusti, comovida, a uma onda de amor colectiva. Toda a gente quis ajudar a Bia e, naquele Julho de 2012, a família recebeu um belíssimo balão de oxigénio quadripolar.
A Bia lá continua a travar a sua luta, desta feita com a companhia do irmão Gui, cada vez mais rechonchudo e mais lindo

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que dizem "salsicha" e as que dizem "salchicha".

Atendendo a milhares de pedidos de explicação (ok, foi só um!) sobre aquilo do "mãezinha não te apagues"

Eu explico:


Crónicas de um hospital: como descobrir um telespectador da Júlia Pinheiro no meio de uma extensa enfermaria (mista)

Enfermeira: Então senhor José, vai almoçar uns bifinhos com cogumelos?

Doente: Ó sra. enfermeira, diga-me lá: são cogumelos do tempo?


(Não, não estou no Hospital Júlio de Matos...)

Crónicas de um hospital: a companheira de quarto

Sandra Cristina. 42 anos. Assistente de laboratório. Cabelo loiro platinado e um pele de fazer inveja a uma miúda de 20. Conhecemo-nos na manhâ de segunda, somos companheiras neste quarto de hospital. 
A Sandra Cristina diz muitas vezes "é evidente" e também "chiça penico!". Quando está com dores diz "chiça penico" umas 232 vezes por minuto. 
Há dois horários de visita. Um das 13h às 14. E outro das 16h às 20h. Desde segunda que recebe a visita de um homem muito bem apessoado à hora de almoço. Tem sapatos de comercial, e embora ainda não tenha tido lata de lhe perguntar, aposto que é comercial (os sapatos traem-nos sempre). Chega, dá-lhe um beijo na boca e fica ali a falar da vida enquanto lhe dá o almoço à boca. As enfermeiras entram e ela lá se justifica "aqui o meu irmão isto  " ou pede ele" podia arranjar uma almofadinha extra para a minha irmã". Riem-se quando a enfermeira sai e piscam o olho. A mim não me dizem nada e eu tenho pena porque andei desde segunda, encasquetada, por haver famílias cujos irmãos se osculam nas beiças. 
Na visita da tarde vem outro homem. Mais velho e com pêlo a saltar-lhe do peito, tipo volumoso, uma permanente peitoral. Num dia dá-lhe uns chinelos novos, no outro umas revistas. Beija-a sempre na boca mas só com beijos bate-chapas. 
Mantive-me calada estes dias todos. A Sandra Cristina não é de muitas conversas. E eu não quero parecer intrusiva. 
Ontem a Sandra Cristina estava melhor. O "irmão" veio à hora de almoço e ela pediu-lhe ajuda para tomar banho. Ouvi uns "ais" dentro da casa-de-banho que partilhávamos mas, já se sabe, uma cirurgia à coluna não é pêra doce. O "irmão", coitado, deve ter tido uma carga de trabalho para a ajudar, saiu transpirado e com a roupa respingada. Ouvi, ao longe, um "chiça penico" seguido de risadinhas. A Sandra Cristina é uma pessoa limpinha, apreciou o banho de certeza. 
À tarde chegou o outro senhor e trouxe o Fábio e a Íris e lá foi avisando "temos que poupar a mãe quando tiver alta, que agora não pode fazer muitos esforços, têm que a ajudar a fazer as coisas que o pai trabalha muito e não pode". "É evidente!"-. respondeu a minha companheira de quarto. A Sandra Cristina fica mais queixosa na presença do homem com pêlo volumoso com mise ao peito. 
Três dias depois pergunto-lhe a que foi operada, afinal. Responde-me, secamente, como se não quisesse socializar: "medula ancorada". 
E eu deslindo o mistério todo desta D.Sandra Flor Cristina da Rinchoa e seus dois maridos : com tanto marinheiro a saltar-lhe à espinha, CHIçA PENICO, não é de admirar que a medula ancore. É EVIDENTE!


("Irmão"! Pfff. Eu sou mesmo toné...")

A palavra que não existe no dicionário porque não faz sentido que exista

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Crónicas de um hospital: o internamento

Acordei paralítica. Não é eufemismo: paralítica. Não me mexia nem conseguia sair da cama. Mámen começou a gozar e eu ali, tipo vegetal. Às tantas o tipo assustou-se. Fomos para o hospital na expectativa de levar uma injecção de Voltaren ou whatever e me vir embora. Maldisse as hérnias umas 2325 vezes e acho que esgotei todo o meu vocabulário de palavrões.
No hospital levo a primeira injecção. A dor, a dormência continuavam. Vai ao soro e aos analgésicos intra-venosos. Tudo na mesma. Quer dizer, tudo pior que para além das dores nos costados agora doía-me o nalguedo que se fartava e tinha uns 32 furos na mão (veias mais lindas e mais bailarinas da sua dona: fodei-vos!).
O médico lá nos adianta: têm que ir para o Hospital de São Francisco Xavier. "Ah, está bem, vou buscar o carro e vamos já, não se preocupe!"- sossegou-o mámen. Nada disso. O doutor achou por bem que eu teria que ir de ambulância. Nesta altura eu já não praguejava, eu já tinha reencarnado numa peixeira do Bolhão. Chegam os bombeiros e enrolam-me numa coisa tipo aqueles sacos térmicos prateados que arrefecem os vinhos nas tascas e sacam das sirenes. Sim, com sirenes e tudo! Um show! E, pronto, mais um "eu já" ali para cima para o separador da ursa: "eu já cheguei a um hospital mascarada de Kenny dos South Park mas em versão silver-Cher". Uma lindeza!
Chegada ao hospital S. Francisco Xavier eu só dizia: "é uma ligeira dor nas cruzes" mas ninguém me dava ouvidos e, quando dei por mim, parecia um peru a entrar no forno no dia de Natal mas em versão máquina de TAC. 
Entretanto, metem-me nos cuidados intensivos e mámen ali, assustado como tudo, tipo "dói-te assim tanto as costas?". Ia eu responder quando o homem apanha o susto da vida dele: Pólo Norte apaga. Sim, tipo aquele faduncho do Hérman do "mãezinhaaaa, nãaaooo te apagues!". Mámen pensou que eu tinha quinado e desatou aos berros, até que o vieram acalmar. Tinham-me dado a beber e administrado no soro dois relaxantes musculares, cujo efeito secundário era sonolência. Mámen, ainda agora sussurra: "Sonolência o caralhinho, que parece que entraste em coma em dois segundos!" (ok, ele não diz "caralhinho" porque é um queque, mas eu agora não me lembro do vernáculo beto que ele usa). 
Não morri. Acordei a entrar noutra ambulância. Eu e dois senhores doentes psiquiátricos que também vieram transferidos para este hospital, de onde vos escrevo agora. 
Na ambulância, meio atordoada, com um bombeiro do Dafundo a dar-me a mão e a fazer-me festinhas na cabeça e a dizer-me "vá, tenha calma!" pensei que tinha quinado e estava no Inferno. "Tenha calma?" As putas das médicas deram-me um relaxante muscular que até me tinha provocado dormência na boca e ele ainda queria mais calma? 
Entretanto, acorda um dos tripulantes e reage mal à camisa de forças. Olha para mim, e diz: "Shakira!" ao que o outro, mais calmo e controlado responde "Não faça caso... Dona Madonna!"

E assim, começa a minha aventura neste périplo hospitalar. Amanhã há mais. 

Entretanto estou a treinar a voz. O bombeiro disse que eu era parecida com a Jessica Simpson mas mais gordinha. Eu dos Simpson só conheço a Marge, a Lisa e a Maggie, pelo que, não sei se era, propriamente, um elogio...

(Já disse que me doem as cruzes?)

domingo, 7 de abril de 2013

Dúvidas que me consomem depois de assistir ao comentário de José Sócrates

- Ele estava a usar lip gloss?
- Qual a marca de BB cream que usa? Quero um igual com auto-bronzeador e tudo!
- A gravata da cor do Senhor dos Passos terá algum significado, tipo os pronúncios de "Os Maias"?
- O Sócrates levou um retoque na aba direita do nariz ou é de mim?
- Tirando isto, contem-me tudo que estava distraída: o que é que ele disse mesmo?


- Ele estava MESMO a usar lip gloss, não estava?

(Falo do rímel ou vai parecer embirração?)

Inquietações de uma psicóloga

Estou indecisa se coelhopatologizei ou se tenho passosfobia.

Eu não me quero rir da desgraça alheia mas depois cruzo-me com coisas destas...


(clicar para aumentar)


Se o livro chega à vigésima edição é capaz de o decorar todinho, digo eu...

A colecionadora de memórias

A minha mãe foi buscá-los ao meu antigo quarto, agora quarto da Ana na casa da avó. Quando os vi quase que me apeteceu chorar, dar-lhes beijinhos, sei lá.
Ali estavam eles, pedaços da minha infância, o pormenor do rendado das páginas, a textura tão única, as cores aguareladas, as imagens inesquecíveis.
A minha mãe encontrou dois livros da Majora, duma colecção enorme que eu tinha, os dois últimos resistentes à prima que se seguiu. E agora tenho um novo hobbie: calcorrear todos os alfarrabistas deste país à procura dos restantes exemplares.



Aceitam-se pistas.



sábado, 6 de abril de 2013

Frio polar? Pólo Norte explica o que é frio polar!


"Querida Pólo -Norte,

O mais perto que estive do Pólo Norte foi quando pus os pés na Islândia, no mês passado, e como não podia deixar de ser tratei de espalhar a palavra e quadripolarizar uns marinheiros que por lá andavam (estavam um bocadinho para o estáticos, talvez fosse do frio gélido que se fazia sentir). Pus de lado a ideia de evangelizar os locais porque embora civilizados e mui educados são - digamos - parcos em simpatia!... :$ 

E pronto, depois da evangelização a sul, com a Namíbia, Botswana, etc... eis que chega a vez da Islândia! Nada mau para começar o ano de 2013, não é? ;)"

O brrrrrr igada, querida Dulce!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Casar é como a tropa de antigamente # O fotógrafo mamasólico

A ideia de se fazer um casamento "lácoste" pode ser muito útil, mas não em todos os campos. No  que diz respeito fotógrafo (aprendemos a lição!): deve-se poupar mas não tanto. 
A minha convicção era simples: não queria fotografias tradicionais, daquelas em que os noivos ficam duas horas tipo homens-estátua à torreira do sol e há o jogo das cadeiras, sem cadeiras, entre os convidados que se posicionam no enquadramento. Deixem-me situar-vos: estávamos em 2006, ok? O conceito de "reportagem fotográfica" não estava difundido como nos dias de hoje.
Sendo assim, o critério de bola de neve foi o seguido e aproveitámos a sugestão dos nossos vizinhos, que se tinham casado há meia dúzia de meses, e que se encontravam muito satisfeitos com a relação qualidade/preço do fotógrafo que contrataram.
Eu devia ter suspeitado: o estúdio ficava ali, num espaço exíguo mesmo à saída da estação de comboios de Queluz. A senhora que nos atendeu dizia muitas vezes "perontos" mas nós estávamos focados no facto de sermos nós a custear todas as despesas do casamento, logo, poupar no fotógrafo era a prioridade.
Na reunião de briefing apresentámos a nossa ideia e, mais uma vez, eu deveria ter desconfiado quando os dois senhores destacados para fazerem a reportagem sussurram, no fim da reunião, um para o outro: "ah isto é que é uma "runião de brife". Mas, o preço, o preço...
No grande dia lá estavam os dois, Roque e companhia, fotógrafo e "câmbara men" (era assim que ele se apresentava) a fazer o seu trabalho. Tinha-lhes avisado antecipadamente que não queria fotografias em casa a segurar o telefone, com o reposteiro como setting, a olhar-me ao espelho nem com o noivo a beijar uma moldura com a minha fotografia de solteira. Nem montagens com arranjos de flores, símbolos de clubes e afins. Fotografia simples, sem invenções. Just shoot!
O dia correu bem, não houve provas expostas num placard durante o copo de água por instruções nossas. Fomos de lua-de-mel e quando chegámos fomos levantar o álbum e DVD da reportagem do casamento.
As fotografias estão simples e sem pirosadas à excepção de um detalhe curioso: todo o enquadramento das fotografias dos noivos tem como ponto central o meu decote. Todas. Sem excepção.
Os meus amigos ainda hoje se congratulam por eu ter sido o género de noiva que não impinge o visionamento do DVD do casamento a todas as visitas no pós-festa.. Mal sabem eles que, apesar de tudo, do vídeo estar um bocadinho menos pornográfico que as fotografias, só pode mesmo ser visionado sem som. É que o "câmbara men" gostava muito de André Sardet.
Eu deveria ter suspeitado: o vizinho que nos recomendou a porra do fotografo veio, tempos depois, a tornar-se no CEO do prédio. E usava calças encarnadas. :/
Nunca mais voltei a Queluz e já passaram 7 anos. Mas sei que, ainda hoje, na montra do estúdio se encontra em exposição um belo mamaçal vestido de noiva.
"Foi feitiço, não sei que lhe deu..."



O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que dizem "lerruá merrrlan" e as que dizem "leroi merlin".

Ora bolos!

A culpa foi minha que sou uma porreira. Embaixadora que é embaixadora não pode facilitar, caramba!
Em cima da bancada havia tooodos os ingredientes que eu tinha enviado por email para poder confeccionar o meu "Ceci nest pas un gateau". Repito: tooodos. E uma batedeira xpto, bancadas cor-de-laranja e gente simpática a fazer um pequeno vídeo aqui da je a cozinhar o bem fadado bolo. 
Olhei de soslaio e lá estava ela: a Vaqueiro líquida. Não querendo dar bandeira, com ar de MacGyver da culinária, que dum clip faz um magret de pato, pensei para dentro "oh céus!" mas na versão a.p. (antes do Pocoyo) e decidi fazer o bolo com a margarina líquida. 
Fiz o creme que ia rechear o bolo (e sustentá-lo) e a coisa começou a descambar. Estava mooole!  Olhei em volta à procura de contacto visual de mámen que, entretanto, tinha desertado com a Ana pelo espaço e, já envergonhado com a minha tendência natural para dar barraca, se tinha posto a milhas do meu horizonte visual. Precisava de validação, caramba! O creme estava mole. Acrescentei mais margarina líquida e a coisa não melhorou. Pensei ligar para a minha mãe, com quem tinha treinado o bolo na noite anterior, e cujo produto final tinha ficado top. Tive vergonha na cara e retraí-me. Agora ligar para a mãe, onde é que já se viu? Eu, que estou para a culinária como o Lance Armstrong está para a ética desportiva. Armei-me em forte e prossegui. 
Assim que tentei tirar o recipiente que continha o creme da batedeira não me entendia com aquilo. Larguei um palavrão baixinho. A coisa prometia. 
Comecei a construir o bolo, propriamente dito. Camada a camada. Consegui arranjar paciência e motricidade fina, sabe lá Deus dos bolos onde. Não estava mau de todo- suspirei. 
O problema era cobrir o bolo. O creme estava mooooole. Aquilo parecia topping de creme, senhores!
Mas pensei: mulher enrascada é pior que um homem bêbedo. (Queeeero a minha mãe!) 
Entretanto chegou a Rita Ferro Alvim, linda e fresca, com cara de quem ia fazer um bolo top, um bolo como deve de ser, sem creme mole, naquela de me fazer sentir (ainda mais) miserável. Uma cakeless!
Tinha que me apressar e não assistir ao produto final da sua receita para escapar ao vexame público. Então, agarrei no outrora bem fadado bolo ( e agora bem f*d*do bolo) e levei-o ao frigorífico. Sei que vai solidificar e ficar tão bom ou melhor que o bolo sobressalente que levei e que apresentei como resultado final aos senhores da Vaqueiro. O tal que fiz na véspera com a minha mãe, com margarina em barra, daquela old school, daquela Vaqueiro clássica que torna tudo mais apetitoso. 
O problema não é meu. Nem da minha falta de jeito. Nem da minha mania de improvisar e não seguir as receitas a preceito. A culpa é da Vaqueiro líquida. 
Que é excelente para tudo: fritar bifes, fazer panquecas, crepes, ovos mexidos com gemas e claras. Para tudo. Menos para a porra do bolo de bolacha. 
Ainda bem que lhe chamei ""Ceci n'est pas un gâteau"". Assim não corro o risco de defraudar as expectativas de ninguém.

(E sim, estava saboroso como tudo o meu bolo e da minha mãe!)



Em breve o videoclip desta fabulosa experiência estará disponível. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Update de um certo status de há umas semanas atrás

Le Relvas est mort, vive le Relvas!

Contra-proposta ao Ministro Mota Soares


Pólo Norte propõe contratar putas meninas da má vida em part-time para fazerem mais Pedros Mota Soares políticos. 


Eu é mais bolos...


O segundo evento blogosférico em que irei participar será hoje. 
Contextualizando: no dia 19 de Maio será comemorado o World Baking Day e a ideia e a esperança deste projecto é que cada vez mais pessoas façam bolos, que tenham coragem para pegar nas varetas e alegrar o dia com um bolo. A campanha de 2013 tem o mote “Bake Brave” e este é um projecto a nível mundial.
O desafio é confeccionar uma receita e apelar à coragem de fazer um bolo e a organização convidou 8 intrépidas bloggers para serem embaixadoras desta causa. A saber:
  • A Miss Glittering do "Às 9 no meu blog"- sim, a pessoa, que faz aqueles pequenos-almoços de capa de revista. Dahm it!
  • A Rita Ferro Alvim do "Socorro, sou mãe!"- que tem pinta de dona-de-casa perfeita, de boas famílias e gosto refinado. Encontreia-a um dia na Pizza Hut e enquanto eu já tinha uma nódoa de pizza no mamaçal (e a minha miúda ainda nem come pizza), ela ali estava fresca e airosa com dois miúdos impecáveis (e, sim, comiam pizza!), bem disposta e com a roupinha que era um brio...
  • A Marmita do "A minha marmita" e a autora do "Abram a boca e fechem os olhos"- ambas autoras de blogs de culinária que me fazem aumentar 1 Kg de cada vez que me babo com uma das suas fotografias de comida.
  • A Fe do "Blog da Carlota"- outra mãe daquelas que uma pessoa pensa que só existe na ficção. Sempre que a tento imitar a pendurar a miúda na anca, em vez de ficar estilosa e glamourosa como ela, pareço só uma cigana. A Fê teve a filha há um ano e está magérrima top-model, aposto que cozinha coisas daquelas chiques, lights e boas, ainda por cima. 
  • A Mónica do "A Dona de casa perfeita"- com um blog com um nome destes, vale a pena comentar?
  • E, a jóia da coroa... a Joana Roque do "As minhas receitas" que, com dois livros de receitas publicados, ídolo-culinário da minha amiga Xana, dispensa qualquer tipo de apresentação. 
e... (rufos!)
  • A Pólo Norte. 
Perguntam vocês: a Pólo Noooorte? 
Pois. Foi a pergunta que também eu fiz aos senhores. Eu???' Euzinha??? Tende a certeza???  Tipo, vamos levar a barrasqueira da Pólo Norte ao pé daquelas senhoras só para a humilhar?
(Relembrando que eu sou aquela pessoa que quando se "juntou" levou o cônjuge à urgência hospitalar por ter feito ovos mexidos com 18 gemas. Sim, leram bem: 18 gemas. Então se os ovos mexidos são amarelos só devem levar gemas, pá. E como aquilo não crescia, vai de juntar gemas atrás de gemas. Crise hepática para o homem.)
Convenceram-me com o argumento "Se a Pólo consegue fazer um bolo, então tooooooda a gente consegue e é esse o espírito da coisa!". Hey guys, is that a compliment?
Portanto, lá vou eu cozinhar para os senhores. Levo mámen e Ana para fazerem claque.  A minha receita chama-se "Ceci n'est pas un gateau" para verem a moral com que estou. Levo, também, muita córage, que sou uma trapalhona e estou convencida que vou meter os pés pelas mãos.
E levo um bolo "plano B", feito ontem à noite com a ajuda da minha mãe, para dar a volta ao texto se a coisa descambar ao ponto de lhes incendiar a cozinha ou assim.
Um bolo sobressalente- perguntam, chocados. Que foi? A Pipinha Vacondeus fazia isso com todas as receitas, pá!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estou aqui consumida...



Não me consigo decidir se a Laura se parece com a mulher do Dr. Phil, quando no fim no programa ele a vai apanhar e a leva pela mão para os bastidores, se a Lenka do "Preço Certo" quando acena a cabeça enquanto ouve o voz off anunciar o preço dos produtos.

O coração é uma casa (à Marta)

Sabes, Marta, o coração é uma casa. 
Mais que uma casa, o coração é um lar. Uma casa não são quatro paredes, uma casa tem que ter vida lá dentro. 
E casa que é casa tem que ser habitada. Janelas abertas, de par em par. Uma casa deve ser arejada. Precisa de ser decorada. Da violência dos móveis a serem arrastados para, por fim, tudo encaixar de forma perfeita. Tudo estar no seu devido lugar, como se as coisas reconhecessem os seus efectivos lugares.
Sabes, Marta, uma casa precisa de pregos na parede. Mesmo que, nesse martelar, magoes um dedo. E tenhas que soltar palavrões. Precisa de um sofá confortável onde possas deitar a cabeça em cima de um colo para receberes cafuné. Precisa de luz e janelas abertas, já te disse?
De uma limpeza geral de vez em quanto. De flores nas jarras, com cores e cheiros que te refresquem a alma. Precisa de molduras na parede, com retratos de outros dias, bons e maus, de momentos que fazem a tua história. A história da tua casa. 
Uma casa precisa de uma campaínha com um toque bonito que te faça levantar com prazer para abrir a porta a quem chega. Precisa de cortinados alvos que deixem entrar a luz. Sempre a luz. 
Não feches a tua casa, Marta. Abre-a e recebe visitas. Começa por emprestar o teu sofá. Põe-na a  arrendar. Coloca as tuas condições, estabelece um preço mais alto do que o do mercado-que seja!- para teres a certeza que só a arrenda quem pode e quer. 
A tua casa precisa de um hóspede, Marta. Para a poderes partilhar. Sem medos. 
Com a alegria de quem não tem apenas uma casa. Mas, sim, um lar. 


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