Todas as mulheres pressentem-no. O ponto "f" dos homens. Ainda que estejamos extremamente atraídas, embeiçadas ou, pior até, já apaixonadas há sempre um segundinho de alerta que teimamos em desprezar mas que está lá. Não se consegue escapar à intuição.
A minha amiga Maria já teve um namorado que era professor e não tinha um único livro em casa. A Vanessa teve um que só conseguia pinar em sítios públicos e quando estavam num sítio privado "brochava".
No meu caso ele era da Falagueira. Perguntam-me vocês: "Onde raio é a Falagueira?" Falagueira. Damaia. Amadora.
Oh, o João. O primeiro João da minha vida. O João do sinal sexy em cima do lábio, o João que me comprava Pinta-Línguas e me oferecia, o João da colónia de férias na praia da Gala, o João com quem dancei o primeiro slow, o João do "Sleeping in my car" dos Roxette, embora com 14 anos não tivéssemos carro e tudo o que não nos apetecia era dormir.
Oh, o João. O primeiro João da minha vida. O João do sinal sexy em cima do lábio, o João que me comprava Pinta-Línguas e me oferecia, o João da colónia de férias na praia da Gala, o João com quem dancei o primeiro slow, o João do "Sleeping in my car" dos Roxette, embora com 14 anos não tivéssemos carro e tudo o que não nos apetecia era dormir.
Mamãe interveio. "Sugadita com as hormonas, miúda, não vês que o miúdo não é boa rés?" O drama, o horror, a tragédia. O meu João dos pólos às riscas das Amarras, o meu João que repetia pela 3ª vez o 5º ano porque chumbava sempre por faltas, o meu João que beijava com a língua tão macia, o meu João que traficava droga com 14 anos..."Tu és uma velhaca, mãe! O João não é cá desses! Odeio-te!!!"
Ficou um amargo de boca. Finda a colónia de férias, Cascais ficava a uma eternidade da Falagueira. Mãe não me passava as chamadas que o João me fazia da cabine telefónica e na casa do João não havia telefone fixo. O João dava muitos erros e não gostava de escrever cartas. E ficou a nostalgia do João, nome que cada vez que era pronunciado provocava na minha progenitora um ataque de nervos.
Ficou um amargo de boca. Finda a colónia de férias, Cascais ficava a uma eternidade da Falagueira. Mãe não me passava as chamadas que o João me fazia da cabine telefónica e na casa do João não havia telefone fixo. O João dava muitos erros e não gostava de escrever cartas. E ficou a nostalgia do João, nome que cada vez que era pronunciado provocava na minha progenitora um ataque de nervos.
O alerta do factor "f" deu-se anos depois. Trabalhava eu no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Seguia num corredor do "pavilhão da metadona" e oiço um: "Pólooooooooooooooooooooo!". Pólo em sobressalto, olha para o polícia que lhe fazia sombra e pensa "Porra, eu sou o Zé dos Plásticos e conheço toda a gente, mas... até aqui na prisão? Oh Deus, quem é aquele?"
O João aproximou-se. O mesmo sinal nos lábios, agora com cicatrizes. E quando se virou para mim, com um ar muito despachado e admirado e me perguntou com os melhores modos "O que caralho fazes aqui?", eu retorqui: "Olha que porra, isso pergunto-te eu, tu é que estás preso, caramba!". O João revirou os olhos com aquele ar de "dahhhh!" e respondeu um- para ele- óbvio "Dahhh, tráfico de droga!". Continuou a olhar para mim à espera da minha resposta. Revirei os olhos com a mesma atitude e respondi no mesmo tom" Dahhhhh, psicologia!".
O João aproximou-se. O mesmo sinal nos lábios, agora com cicatrizes. E quando se virou para mim, com um ar muito despachado e admirado e me perguntou com os melhores modos "O que caralho fazes aqui?", eu retorqui: "Olha que porra, isso pergunto-te eu, tu é que estás preso, caramba!". O João revirou os olhos com aquele ar de "dahhhh!" e respondeu um- para ele- óbvio "Dahhh, tráfico de droga!". Continuou a olhar para mim à espera da minha resposta. Revirei os olhos com a mesma atitude e respondi no mesmo tom" Dahhhhh, psicologia!".
Confirma-se, mais uma vez, que, no meu caso, a paixão não é cega. É autista.
E que as mães, às vezes, acabam por ter razão. Mesmo a minha.
E que as mães, às vezes, acabam por ter razão. Mesmo a minha.














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