sábado, 10 de setembro de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR| De Lisboa à Ericeira são 40 minutos de distância

Este ano as forçadas mini-férias de Verão foram a 40 minutos de Lisboa. Quem espera que a Ericeira tenha muito pouco para oferecer engana-se. Passámos uma semana muito, muito boa e estas são as dez coisas que mais gostámos na zona da Ericeira e Mafra:

1- O tempo nunca está verdadeiramente quente. 
Pouco amantes dos dias abrasadores e do calor sufocante nos assumimos. A Ericeira é fresca, o que no nosso caso é um ponto a favor. Em Agosto parece que, ainda assim, tivemos bastante sorte e podemos usufruir de dias bastante soalheiros. No entanto, conte-se com uma neblina matinal e noites que não dispensam casacos leves em cima do pêlo. A água do mar combina com a temperatura ambiente e é fresca e desobediente. Gostamos tanto. 

2- Há uma série de programas para os mais pequenos
Visitámos a Tapada de Mafra ali ao lado num fim de tarde em que o tempo estava mais farrusco que o habitual. 

[The only people for me are the mad ones]



"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awww!” 

 Jack Kerouac.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Complementar uma história é...

... ler isto tudo e sorrir.

[Fomos no último banco virados para trás para vermos melhor. Eu elogiei o lenço na cabeça da bióloga que conduzia o carro eléctrico e só no fim, com o cabelo em versão palha d'aço desencantada num baú velho num sótão poeirento e volume de ronald mcdonald sem caracóis, percebi a sua razão. Estava feliz mas não me consegui rir muito e tinha que estar feliz de lábios cerrados para não comer mais pó que uma pessoa a acampar num festival de Verão no Alentejo profundo e os meus dentes não acabarem parecidos com os da Duquesa de Alba no fim da vida. Ah. mas viste melhor os javalis e os bambis, Pólo Norte? Até poderia ter visto se a miúda não tivesse deixado os óculos de sol no carro e eu acabasse por ter que lhe emprestar os meus porque os do pai não lhe serviam de maneira nenhuma e no fim da visita parecia que tinha fumado muitas daquelas coisas que fazem rir e tinha mais pó nas vistinhas que uma múmia egípcia se fosse desenterrada. Eles adoraram. 
Se ignorarmos tudo isto, pois que eu também.]

Faz tudo parte do sistema respiratório, right?

Mámen trouxe-me uma caixa de gelado. Diz que faz bem à garganta.

 Estou mal  é dos brônquios mas quem sou eu para o contrariar...

Bronquite: definição

Bronquite-  nome feminino inflamação e/ou infeção da membrana mucosa da árvore brônquica

(quadripolarês)-  brônquios copulados, sensação de cuspir os pulmões, tosse de cão cheia de gosma, sintoma de quem se está quase a finar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Ele tem deficientofobia. Já eu tenho grotescofobia.




"A tolerância, do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moralculturalcivil ou física.
Do ponto de vista da sociedade, a tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar outra pessoa ou grupo social, que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo. Numa concepção moderna é também a atitude pessoal e comunitária de aceitar valores diferentes daqueles adotados pelo grupo de pertença original." in Wikipedia 

Não acho que deva haver tolerância para com as pessoas com deficiência. A tolerância vem de tolerar, suportar, aguentar. A tolerância abre um fosso entre duas partes e coloca uma das partes numa posição de poder sobre a outra: tolerante e tolerado. 
As pessoas com deficiência não precisam de tolerância. Precisam de respeito, precisam de ser garantida a sua igualdade de direitos e deveres, precisam de ver resolvidas as questões de desigualdade, precisam de pertencer a um todo e não serem incluídos nele à força. Precisam que o Mundo celebre a diversidade ao invés de insistir em tolerá-la ou aceitá-la. 
O meu amigo Luis assume que "não deveria existir uns jogos paraolímpicos porque nós não somos "para" coisa nenhuma... deveria haver uns jogos olímpicos onde as categorias de deficientes estivessem inseridos". Deveria. Deveria, da mesma forma que há provas masculinas e femininas atendendo às diferenças significativas e biológicas de cada género. Acontece que não há. E não havendo o que se espera é que as pessoas com deficiência não fiquem fora do maior espectáculo do Mundo, dando os seus testemunhos de força, vigor, ritmo, velocidade, energia, trabalho em equipa,  disciplina, concentração que é disso que o desporto é feito. E como bónus, testemunhos de superação. 
E para isto- a que este senhor chama de "espectáculo grotesco" e "número de circo"- não se pretende tolerância nem aceitação. Apenas respeito. E no melhor dos cenários, com a inteligência que não se espera de todos, celebração da diversidade. 
Porque grotesca é só a intolerância. A imbecilidade de  procurar eco e validação externa com likes de acéfalos da mesma espécie. Porque grotesca é a não aceitação. E, sobretudo, o desrespeito. . Ou cretinice, vá...

Mulher séria tem ouvidos, sim!

             



 Foi isto que aconteceu na semana passada, em Estocolmo, durante um dos últimos espetáculos da sua tournée pela europa. Pouco mais de dois minutos depois de ter entrado em palco, Amy Schumer foi interrompida pela frase “mostra-nos as mamas”. Gritada por um homem que envergava uma t-shirt com a frase “I love pussies”, e que aparentemente estava a achar delirante o seu próprio comportamento. Como se o facto de aquele ser um espetáculo que prima pelo humor e pela ironia, lhe desse abertura para fazer um comentário do género. E o facto de ela ser mulher, permitisse a automática sexualização do seu corpo. Pela expressão que fez ao ser interpelado pela artista, que se lhe dirigiu diretamente numa curta conversa, o homem nitidamente achou que a laracha ia ser recebida com empatia. Que, provavelmente, a artista se iria rir de tal “disparate” e que até embarcaria nele. Mas não foi isso que aconteceu. E ainda bem. 

 Amy Schumer, que tem um longo historial de momentos em que deixou claro que comportamentos sexistas não são do seu agrado, optou por chamar o homem ao palco. Quando este se recusou, Schumer apelou a que a restante audiência olhasse e apontasse diretamente para ele. Perguntou-lhe o que fazia da vida e, quando a resposta foi “vendas”, aproveitou para ironizar: “Oh, vendas? E como está a correr agora? Está a resultar? A mim parece-me que ninguém está a comprar esse comportamento”. Com o homem agora visivelmente embaraçado e com uma audiência de milhares de pessoas a rir da situação, Schumer deu a sua estocada final: “Foste muito querido, mas se continuares a gritar, vais a acabar a gritar ‘mostra-nos as mamas’ no parque de estacionamento, que é onde irás parar, filho da mãe”. 




 Primeiro: com tanta laracha possível, era mesmo preciso usar uma que recorre imediatamente à sexualização do corpo feminino? E se quem estivesse em palco fosse um homem, a piadinha teria cariz sexual à mesma? Se fosse um Jerry Seinfeld, por exemplo, diria algo como “mostra-nos a pila”? Isso passar-lhe-ia sequer pela cabeça? Muito provavelmente não. Mas Amy Schumer é uma mulher. “Ainda por cima”, diriam algumas pessoas, uma mulher que já apareceu nua em capas de revista. “Pior que isso”, diriam outros, uma mulher que fala de sexo em público. Uma mulher sem papas na língua. Uma mulher que, muito provavelmente, “até está a pedi-las”. E isso, dizem-nos a experiência, as estatísticas e os inúmeros casos de comportamentos abusivos que chegam a tribunal, torna-a uma pessoa ‘mais dúbia’. 



Paula Cosme Pinto in "Expresso"

As minhas pazes com a Igreja Católica

"Não sei quem disto fez notícia, mas sei que li, algures no tempo e no espaço destes 33 anos de vida, que Sophia de Mello Breyner Andresen, num discurso de entrega de um prémio que lhe atribuíram, referia que aquilo que distinguia a boa da má poesia era, muito provavelmente, a coincidência entre as palavras e aquilo que elas, as palavras, quererão verdadeiramente dizer. O abismo insaciável entre as paredes nuas das coisas e as coisas apalavradas, com sentido, era cortado num milionésimo de segundo por uma palavra de fundo, um eco, um sonho de verdade. 
 Sophia usava uma metáfora estupenda: lembrou-se disso quando ia no autocarro e, ao passar pelo Campo Grande, reparou que uma das janelas do autocarro coincidia na exacta medida daquele momento com a janela de um prédio antigo. Assim a poesia, as palavras, assim a linguagem, assim o amor."

[Afastei-me da Igreja há tanto tempo que não o sei medir. Passei a ser avessa a rituais e sermões, aboli da minha vida a fé em padres e mensageiros, deixei de acreditar na forma e, por isso, me fui afastando do conteúdo. 
Criei uma espécie de religião muito particular,uma religião à minha medida, eu, pretensiosa que não se quer adaptar à religião de todos, acreditando num Deus muito meu, como se Deus pudesse alguma vez ser pertença singular dos Homens, afastando-me da Igreja. Digo-o com algum lamento e arrependimento mas ciente que as experiências que fui tendo me conduziram a este ponto: crente descrente porque não acredito naquela coisa do "não praticante". 
Quem acredita em Deus pratica o bem, pratica a comunhão, pratica a partilha, pratica a cumplicidade. Pratica porque lhe sente a falta, lhe faz sentido, vive com mais oxigénio quando faz parte disto tudo. 
Foi no domingo, por ocasião da renovação de votos do meu casamento. O Cruz é, em primeiro lugar, nosso amigo e em segundo, padre. O padre que nos casou. Ali estava ele, dez anos depois, a renovar-nos os votos. 
Pensámos numa série de configurações para assinalarmos esta efeméride. Decidimos, finalmente, num programa a dois que culminou na capela do Hospital dos Capuchos, onde o Cruz é capelão. A Capela do Hospital dos Capuchos é despojada e não tem altares de talha dourada como a Igreja onde me casei, faltam-lhe bocados de estuque e há azulejos em falta nos painéis mas nunca vi uma igreja tão Igreja. O Cruz, lá à frente, a falar connosco, a partilhar, a comungar da sua sabedoria como um pai que embala um filho para um sono feliz. Sobre a sua cabeça aquela luz, a luz que a clarabóia deixa passar, criando uma imagem etérea e arrepiante. 
A assistir à missa muitos familiares de pessoas doentes, internadas ali ou noutros Hospitais, alguns doentes psiquiátricos e sem-abrigo de camisas limpas e pó nos cabelos, casais jovens que vêm de longe, gente comum que se encontra todos os dias nos cafés e nos passeios das estradas. Nós lá no meio, eu e ele, e o Cruz a embalar-nos, a falar de amor e partilha e as suas palavras a serem como a poesia de Sophia: "a coincidência entre as palavras e aquilo que elas, as palavras, quererão verdadeiramente dizer". 
Houve música a ecoar nas paredes gastas, de violão e de vozes e apertos de mãos de estranhos, muitos apertos de mãos de muitos estranhos, sem-abrigo a olharem-nos nos olhos e a desejarem "Paz de Cristo" de forma sentida como a poesia de Sophia: "a coincidência entre as palavras e aquilo que elas, as palavras, quererão verdadeiramente dizer".
Houve uma senhora a oferecer-me um leque e outra uma garrafa de água a ele, porque comunhão é estar atento às necessidades do outro e não ver como ele está vestido para assistir à missa. Não houve bandejas a pedirem esmolas a meio da celebração mas apenas dois sacos abertos à porta da igreja, no fim da missa, a quem quisesse contribuir. E voluntários a venderem pães de Deus caseiros, fruta apanhada em quintais por fiéis, broas de milho cozidas em forno de lenha para que as receitas revertessem a favor da Igreja. E o que sobrou, no fim- vi-o eu- foi oferecido com naturalidade a quem precisa, de forma discreta e humana. 
Houve um Cruz que desceu com a cruz e benzeu todas as pessoas, fila a fila, algumas com fotografias de familiares doentes na mão, outras a ostentarem fotografias de filhos e netos nas carteiras abertas e parou, perto de nós ["dêem as mãos!" ] e nos benzeu assim, cúmplices e misturados no meio da multidão, a luz da clarabóia sobre nós, as paredes gastas, o som do violão, estranhos a rezarem por nós, desconhecidos a desejarem-nos felicidades, as nossas mãos juntas ali, ele sussurrou-me "Amo-te!" e eu respondi-lhe igual, de lágrimas nos olhos e nó na garganta:"a coincidência entre as palavras e aquilo que elas, as palavras, quererão verdadeiramente dizer".
Restaurei a minha fé na Igreja, no último domingo, num Deus que não é meu mas de todos, estranhos e amigos, desconhecidos e cúmplices, crentes no poder dos afectos e do bem.  
Foi poesia, aquilo que vivi: ""a coincidência entre as palavras e aquilo que elas, as palavras, quererão verdadeiramente dizer". 
Verdadeira poesia. Em forma de fé. 

[O Padre José Cruz celebra  todos os domingos e dias santos, às 19h00, e todas as quartas-feiras com adoração do santíssimo, às 17h00 no Hospital da CUF Descobertas e aos domingos pelas 17h no Hospital dos Capuchos.]

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Não sei por quanto tempo mas...

... ele voltou.

Quadripolarização durante despedida de solteira? Done!


"Olá Pólo,
Finalmente segue a quadripolarização de Maastricht, na Holanda.
Tirei a foto na minha despedida de solteira, daí aquele belo ovo a adornar a paisagem, com que tive de andar todo o dia!
Coloquei "we ❤ pólo norte!" Porque efectivamente é assim, eu e 4 amigas, tudo emigrado na Holanda, somos tuas leitoras assíduas! (Ana M.,  Ana R., Liliana, Magda e Joana).
Espero que gostes! 
Bjinhos

Ana M"


Adorei, querida Ana! Que cuides dos tempos de casada que aí vêm como cuidaste desse ovo: com cuidado e zelo.

Beijinhos enormes para ti e para a outra Ana (vivam as Anas), a minha xará Lilas, a Magda e a Joana


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

Às mães que acompanham hoje, pela primeira vez, os seus filhos no seu primeiro dia de escola


Talvez não tenhas dormido. Talvez tenhas dobrado dez vezes seguidas a roupa que ele levou hoje para a escola. Talvez tenhas ficado com um nó na garganta enquanto lhe engomavas a bata. Talvez te tenha apetecido recuar e mantê-lo em casa dos avós. Talvez tenhas equacionado parar de trabalhar durante mais um ano para ficar em casa a tomar conta dele. Talvez estejas cheia de medo de o entregar a uma educadora desconhecida. Talvez tenhas medo que ele se sinta abandonado quando virares as costas, que não perceba porque o deixaste ali, que procure por ti, que te chame sob choro, que as lágrimas não sequem. Talvez receies que ninguém, excepto tu, o consiga acalmar, lhe conheça os hábitos, as reacções, as respostas, lhe saiba dar beijinhos se ele cair e fizer um dói-dói, conheça a canção certa para o fazer adormecer. Talvez te sintas tu abandonada e de colo vazio quando virares as costas, talvez as tuas lágrimas teimem em não secar, talvez precises tu do beijo dele para te confortar após cada susto que ele te prega ao cair, talvez sejas tu que precisas de ouvir a tua própria voz fazer música para sentires que tens o poder de o adormecer. Talvez olhes para o relógio de dez em dez minutos, talvez gostasses de ter vídeo-chamada directa com a educadora, talvez o tempo não passe, talvez imagines que agora é a hora de comer, quem o estará a ajudar com a sopa, que agora é a hora da sesta, se chamará ele por ti. Talvez sintas que custa muito, que o teu coração está tão apertado que quase não aguentas com o sufoco, talvez nunca mais sejam horas de o ir buscar. 
Talvez sintas isto tudo, algumas coisas ou nada e ainda bem para ti. 
Quero só que saibas que te compreendo. E que mesmo que te diga que o sufoco nunca vai passar, vai melhorar. 
Confia em ti, nas tuas escolhas, na escola e na educadora. E está atenta a tudo. Sempre que te sentires desconfortável fala, sempre que sentires que deveria ser diferente faz-te ouvir, muda sempre que achares que não estás no caminho certo, elogia sempre que for para elogiar, faz todos os reparos que entenderes, participa activamente naquilo que te fizer sentido, faz da educação do teu filho um trabalho de equipa, torna a educadora tua aliada, respeita o espaço e papel de cada uma. Confia. 
O sufoco da separação nunca vai passar. Sente-lo desde que vos cortaram o cordão umbilical e persistirá. 
Mas confia em mim: tudo vai melhorar. 
E poderá ser uma experiência muito, muito feliz. Para ele. Mas também para ti. 

sábado, 3 de setembro de 2016

Para os meninos ursos, muitos anos de amor

"Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade." 

Afonso Cruz in "Jesus Cristo Bebia Cerveja" (Alfaguara)


Estamos de partida para assinalar a data em que assumimos perante o Deus em que ele acredita e as pessoas em que eu mais acreditei e acredito na vida que, sim senhor, queríamos tentar ser o final feliz um do outro. 


Muitas vezes temo-lo conseguido.
Hoje também. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Só por causa das tosses...

Lombok(Indonésia)-Kuta, Selong Balanak Beach

Lombok(Indonésia) -Sengigi Beach

Os amigos das outras pessoas trazem-lhes ímans, canecas e t-shirts deprimentes como recuerdos das férias.
As minhas quadripolarizam-me os sítios como se espetassem uma bandeira de amizade quadripolar pelos sítios por onde passam.

Obrigada, querida Marta.


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

Leonor vai para a fonte, yeah!

Trôpega vai para a fonte
Leonor pl'a noite escura;
Quer agarrar a litrosa e não a segura.

Leva na cabeça as extensões,
O copo de plástico nas mãos de taberneiro,
Cintura descaída e à mostra o mealheiro,
Desfila aos tropeções;
Bexiga cheia de contrações,
Passa incólume que a noite é escura.
Vai com uma piela e ninguém a segura.

Descobre o wc mais à mão,
Faz xixi de pé de forma escanifobética
A bjeca é diurética,
Tão com os copos mas tão, tão
Doem-lhe a vesícula, o baço e o coração,
Pra andar precisa que lhe dêem a mão.
Vai com uma tosga e não segura.


Dúvida ao nivel do humor nacional

A stand up comedy portuguesa é o upgrade das cassetes de anedotas de antigamente, é isso?

Filha de psicóloga sabe somatizar

"Mãe, estou cansada, não quero continuar a pintar"- diz-me na sala de espera do novo pediatra. 

Ele chama-nos à porta do consultório no preciso momento em que ela volta à argumentação:

"Doem-me as pessoas que estão dentro da minha cabeça, mãezinha!"



[Sim, tive que lhe explicar que a moça não tem vozes na cabeça e não tem, aos 4 anos, uma distúrbio mental mas que o episódio preferido dela do "Era uma vez a vida " é o dos neurónios...]

Choque da manhã



QUE FIZERAM ÀS BARRIGUITAS?

E como foi o Campo de Férias, Pólo Norte?

"Ugly ducklings do not become beautiful swans, just confident ducks."
                                                                                                                                       Maeve Binchy

Foi especial.
Não há outra palavra que o descreva melhor que esta: "especial".
Todos os anos trabalhamos uma temática. Este ano não foi excepção e o foco esteve nas questões da auto-imagem.
Na verdade ter uma deficiência- nesta caso específico uma deficiência motora- interfere na forma como as pessoas se vêem. Para além das visíveis imperfeições do corpo, da falta de postura vertical em muitos dos casos, da assexualidade que os outros atribuem aos corpos de pessoas com deficiência há todo um mundo de questões por trabalhar. E foi essa a nossa meta: trabalhar as questões da auto-imagem, auto-conceito e auto-estima, num tempo restrito e com uma abordagem que fosse de encontro ao nosso público-alvo.
Tínhamos apenas uma parte do campo de férias financiada, pelo que, não consigo deixar de agradecer aos mais de 100 amigos, leitores e simpatizantes deste blog ou apenas pessoas que confiam na missão que perseguimos todos os dias que tornaram possível que a totalidade dos inscritos participassem no evento. também não consigo deixar de expressar publicamente a minha amizade e gratidão à Maria Esteves Pereira, à Ziza Almeida e à Débora que prescindiram de uma semana de férias para se voluntariarem nesta epopeia e percorrerem este caminho comigo.
Fizemos muitas coisas: dinâmicas de grupo onde trabalhámos as questões

Morram os Pinypons, morram, pim!

Começo por fazer o devido disclaimer: "Sou uma pinypon-ressabiada!". A minha mãe- para além do trauma das fantasias de Carnaval- tinha uma embirração com Pinypons e sempre que podia (e podia sempre) substituia-os por barriguitas com o argumento "são muito mais giros e não são porcarias de plástico". 
Ora o ditado "filha és, mãe serás" aqui em casa é mais "filha recalcada és, mãe ressabiada serás" e jurei a mim mesma e à nossa senhora da Famosa- a marca que comercializa as bonecas- que assim que tivesse uma filha não ia hesitar um minuto no que a Pinypons diz respeito. 
Acontece que as bonecas mudaram e passaram de pequeninas fofinhas de formas toscas a matulonas doces a sexys e com olhos iguais às bonecas de desenhos animados japoneses e com duas faces. Sim, as bonecas têm duas caras: uma que ri e outra que pisca o olho; ou uma que ri e outra que faz beicinho e eu não quero brincar faz-me espécie que a Ana brinque com a boneca que ri, sabendo que escondida na cabeleira postiça verde neón está a cara do olho piscador, à laia de Joker do Batman. 
Faz-me espécie que as bonecas lindas e pueris do meu tempo tenham passado por uma extreme makeover travestizada, pá, que querem?!



A Ana tem 4 anos e até à data não lhe dei nem um Pinypon, razão pela qual é difícil explicar porque raios tem ela duas caixas de plástico de 42 litros cada uma com Pinypons. Reproduzem-se como cogumelos as putas das perucas coloridas, acho que tem mais numa das caixas que todas as que possam existir nos bastidores do "Finalmente".
Encontro mini hamburguers do tamanho de uma unha do dedo mindinho do pé dela no meio das almofadas do sofá todos os dias (sim, há uma mini hamburgueria pinyponiana e alguém lha ofereceu!) e juro que estou assim (imaginar o meu dedo indicador e o polegar a tocarem-se furiosamente espetados) de lhe contar que as fadas não existem e acabar com o seu imaginário Floribeliano se der de caras com mais algum mini unicórnio perdido pela casa. Odeio sereias à custa de estrelas do mar de tamanho microscópico que vinham no Mundo de Sereias Pinypon e que emigram furiosamente para o saco do aspirador, que encontro amiúde, no meio do balde da roupa suja, por debaixo do tapete da sala ou debaixo da cama dela onde, aliás, vivem agora estas duas caixas com todo o universo pinycoiso. Sou perseguida, em pesadelos, pela Pinypon Cinderela (A sério, não podiam deixar o universo dos contos infantis fora disto?! Não? Não?) e acredito, sinceramente, que sofro agora duma espécie de pinyponofobia. 
No aniversário dela presentearam-na com a casa dos Pinypons e eu fiquei sem saber o que fazer. Logo pensei "vou refundi-lo e dar-lho só quando ela tiver uns 16 anos" mas ela foi mais rápida que eu e quando dei por isso já brincava com as bonecas, já acendia e desligava as luzes, já havia todo um excitex à volta do presente. Respirei fundo e pensei "espera lá que já te conto uma história, deixa-nos vir de férias, deixa..."
Viemos das férias. Hoje arrumei-lhe o quarto dos brinquedos e desviei a grande maioria das Pinpypons para bem da minha sanidade mental e  da arrumação da minha casa. 
Sensação de tarefa cumprida quando constato que a casa das bonecas não cabe na caixa gigante que comprei, logo, não consegue ser arrumada. Bufo, zango-me e praguejo e peço, encarecidamente, num post de facebook, aos meus amigos que não ofereçam mais Pinypons à Ana. Quero, desesperadamente, a extinção de todos os Pinypons como aconteceu com os dinossauros nem que para isso tenha que rezar para que um pinypon-meteorito caia no planeta Terra. 
Venho, assim, por este meio pedir desculpas públicas à minha mãe e rogar pela volta dos Barriguitas. Sou menina para iniciar uma petição para isto e tudo #peloregressodasbarriguitasabaixoaspinyponsDeborahKrystall. 





Quem está comigo?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

"Eu não quero ser bonita, eu quero ser respeitada."





Da estralópiteca São João, minha amiga e artista da cassete pirata no seu "Não mudes nunca"

O Mundo divide-se entre...

... quem está de férias em Agosto e os outros.

[Praticar a vulnerabilidade]

Bordados feitos pela Andrea. Quero- desesperadamente- um. Para me lembrar dos dias em que quase me falta o ar e das flores que brotam após cada suspiro de dor como se os pulmões se enchessem de ar e de coragem e se desvendasse aos meus olhos o encanto de uma Primavera completa.



["Praticar a vulnerabilidade".
 Assim, esta expressão ali deitada aos meus olhos. Encontrei-a no instagram da Andrea- que sigo silenciosamente há meses, não sei como lá fui parar, mas fiquei, como se algo nos unisse, aparentemente nada, ela num Canadá de lagos grandes e melancólico, eu num Portugal de mar descarado e escancarado ao sol, talvez a filha, não sei, a cumplicidade da maternidade, talvez não, talvez nada e isso seja tudo o que nos une. 
"Sou uma solitária e uma introvertida". Sorrio. Pode-se ser solitário e extrovertido, garanto-lhe no silêncio da minha leitura. "Aderi ao instagram em 2013 durante um processo de separação que me deixou completamente só. [...] Este é um lugar que eu uso para me ligar às pessoas e partilhar merda pessoal e mundana que acontece no meu dia a dia". Volto a sorrir. Confio sempre em gente que diz palavrões assim, de forma poética e crua, irreflectida e emocional. 
"Tenho 34 anos. Sou caranguejo. Há muito tempo. Leio muito. (...) Tenho uma depressão crónica que trato com medicação, longas caminhadas, yoga, Steve Brule, ponto cruz e estando fora de casa. Negligencio a minha depressão com álcóol. Sou um caso em progresso. 
Tenho uma doença no sangue (...) que fez do meu sistema imunitário uma espécie de merda mas que me previne de ter que trabalhar num emprego convencional. 
Estou interessada noutros espaços siderais (...) e em ligar-me a outros humanos. 
Sou mãe e acho a maternidade claramente alienadora. A minha dependência depende furiosamente de me auto-cuidar, pelo que, educar Willa é um esforço de equipa muito grande. 
Penso que o mundo precisa de vulnerabilidade e leveza e de algumas pessoas que estão seguras dos seus pontos fracos e em paz com o facto de serem seres humanos trôpegos. "
Respiro fundo. Quando abdicámos da nossa vulnerabilidade? Quando desistimos de nos mostrar fracos e carentes, precisados de colo e de cuidado? Quando passámos a usar em full time uma carapaça para não darmos o flanco, para não nos atacarem nos pontos nevrálgicos, para não nos magoarem como se abdicar da nossa vulnerabilidade fosse o caminho certo e não combater a maldade, a crueldade dos outros?

Quadripolaridades de uma mãe

Não sei se estou desejosa que comece o Jardim de Infância para ter a cabeça um bocadinho sossegada por não a ter sempre por por perto; se estou desejosa que não comece a escola para ter o coração mais sossegado por a ter tanto tempo do dia longe.


Suspiro*

E assim começa Setembro...


E Singapura- pelas mãos da querida Marta na infinity pool do Marina Bay Sands- está quadripolarizada!

Obrigada, Martinha!


[Todos os países quadripolarizados aqui]
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