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quarta-feira, 20 de abril de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR| 9 dicas quadripolares para visitar o Faial

1- Arrende uma casa

A oferta de hotéis nas ilhas maiores (especialmente em S. Miguel e na Terceira) é francamente boa. Nas ilhas mais "pequenas" não há uma escolha de hotéis xpto por aí além. Mas há turismo rural e de habitação muito interessante, há casas em airbnb (curiosamente quase todo explorado por pessoas do Continente que perceberam o filão e mudaram-se para as ilhas para explorar o nicho) e há arrendamento temporário de apartamentos feito por gente da terra. 
Depois de pesquisarmos casas em airbnb, de fazermos contas, de apurarmos necessidades optámos pela opção que nos daria mais garantias: pedir conselhos aos nativos, claro. Assim, a minha amiga Teresa contou-me que o Jorge, seu namorado, costumava ficar hospedado nos Apartamentos de São João, ali na rua de S. João, por detrás da Igreja Matriz da Horta, mais central seria impossível. 
Dito, feito. Por 60€/noite arrendámos uma casa bastante simpática e acolhedora com dois quartos enormes com casas de banho privadas, kitchenette equipada e wi.fi. O bónus? Um jardim muito querido com espaço para as crianças brincarem e cujos baloiços fizeram as delícias da Ana. Tudo isto com um serviço de limpeza inigualável e uma simpatia que não nos admirou. Afinal, estávamos nos Açores...

Rua de São João, 25 - A, Matriz, 9900-129, Horta Portugal | 0,9 km do centro da cidade |  Mostrar no Mapa 
Telefone: +351(927)517518 |

2- Faça de um taxista o seu amigo de viagem 

Nos Açores os táxis não têm taxímetros. Existem  preços tabelados e que são valores médios propostos. Por exemplo, uma volta à ilha do Faial (que demora aproximadamente 3h30m)  pode variar entre os 65€ (até 4 pessoas) e os 90€ (de 6 a 8 pessoas) mas depois existem visitas mais curtas como uma ida ao vulcão dos Capelinhos ou à Caldeira que custa entre 25€ e 45€ com retorno e 15 minutos de espera para visita incluídos e de acordo com o número de passageiros conforme explanado acima.
Os taxistas açorianos são bastante civilizados quando comparados com os de outras cidades e muito amáveis e prestáveis, de uma hospitalidade única como qualquer bom açoriano. Portanto, imagine que encontra um de que gosta logo à saída do aeroporto, peça-lhe o cartão e combine com ele as suas necessidades de trajectos e planeie horários: garanto-vos que são fidelíssimos e pontuais. E sérios, que é coisa que muitos dos lisboetas estranham naquelas paragens. 

Mais informações aqui. Atenção que cada ilha tem os seus tarifários, ok?

3- Faça refeições em casa. Com produtos da terra. 


No supermercado encontra facilmente massa sovada (uma espécie de pão doce que se fabrica no grupo Central) ou pão lêvedo ( que se produz  no grupo Oriental) pode barrar com manteiga dos Açores e queijo de S. Jorge (mais picante) ou queijo do Faial (mais amanteigado). O chá Gorreana é produto interno e produz-se em S. Miguel e há também café de comércio justo que se produz em S. Jorge (nós conseguimos mas foram os meus sogros que o trouxeram da ilha) e que é fabuloso!
Para entrada aconselho qualquer marisco açoriano (é o melhor marisco do Mundo) mas as lapas grelhadas, os cavacos e as cracas. 
Para as refeições principais não há como fugir à carne de vaca, que se pode comprar em qualquer talho, tão tenra que ao cortar-se parece manteiga. Tempere os bifes com pimenta da terra (o grande segredo da cozinha açoriana na minha óptica) e cozinhe-os, acompanhados de inhame ou batata doce. Se preferir peixe, nos Açores encontrará uma belíssima variedade de peixe óptimo para grelhar. Eu sou louca pelos bifes de atum ou de tubarão e as lulas recheadas à moda da minha sogra são o meu prato preferido em todo o Mundo. Para sobremesa compre fruta como as feijoas ou os araçás, se quiser fugir ao cliché do ananás ou do abacaxi, que são dulcíssimos e sumarentos. Há ilhas onde as goiabas crescem muito bem e são um must taste. Licores há para todos os gostos e feitios, refrigerante só há um que não me canso de recomendar (kima de maracujá, fecórse e se vos oferecerem como opção fanta de maracujá mandem-nos dar uma voltinha ao bilhar grande!). Desta vez provámos mais que um vinho do Pico e não nos arrependemos. Vinho de cheiro e angelica são obrigatórios! (Para quem fuma mámen diz que o "Além Mar" é um tabaco único. Eu dispenso.)



4-  Cumpra todos os clichés 


Está a ver aquele cliché que diz que nos Açores há as 4 estações no mesmo dia? Não é cliché! Leve roupa fresca que o tempo é sempre mais quente no que diz respeito à temperatura, mas a humidade no ar é manifestamente superior e é raro o dia em que não sejamos brindados com um pequeno aguaceiro. Sim, o tempo nos Açores é verdadeiramente quadripolar!
Quanto a clichés para visitar no Faial, recomendamos uma visita à Caldeira (linda, linda!) e não perca a visita ao vulcão dos Capelinhos com uma paisagem ímpar de cortar a respiração. Vá beber gin ao Peter's (à noite com a afluência dos marinheiros a coisa pode ter especificidades muito próprias), suba ao Monte da Guia, ao Monte Carneiro e à Ponta da Espalamaca, aprecie a praia de Porto Pim e as suas areias negra e deslumbre-se com um passeio pela Marina da Horta. Não se negue a nadar com golfinhos ou a ver baleias ou ainda a mergulhar com tubarões (recomendo as empresas Dive Azores, ou o próprio Peter's). O Faial vive-se, devagarinho como o tempo que passa devagar e intensamente como o amor que sempre perdurará em quem visitar estas ilhas.








5- Mas não deixe de arriscar entrar em novas portas

Nós adoramos encontrar novos sítios, ouvir dicas dos habitantes da ilha, entrarmos em portas entre-abertas e mal sinalizadas. Foi assim que descobrimos a "CASA"- um dos nossos novos spots preferidos nos Açores. A CASA é uma casa de chá, um bar, um terraço com esplanada, um jardim com esplanada, uma sala de concertos, enfim, é um espaço multi-usos charmoso e eclético, sempre surpreendente, onde fomos ao entardecer para beber um chá (e a carta de chás é imensa) e onde voltámos para uma refeição ligeira de tostas com pão da terra, queijo de cabra, mel e alecrim que nos ficará, durante muito tempo, na memória. 
E foi também assim, à descoberta, que nos maravilhámos com a fantástica nova igreja dos Flamengos, cuja fachada foi preservada e recuperada ao máximo e fundida numa nova igreja moderna e progressista numa obra de arquitectura fa-bu-lo-sa! Imperdível!








6- Passeie sem destino nem trajecto planeado, Alguma coisa irá acontecer. 


Nós alugámos um carro por um dia (40€ por 24h) e decidimos partir sem destino. Chegámos a Flamengos e vimos um arraial. Parámos e logo um aldeão nos informou: "Senhores, as sardinhas e o pão são por conta do Divino Espírito Santo".  Este povo é muito religioso e, no Grupo Central, logo após a Páscoa começam as festas em honra do Senhor Espírito Santo, onde as comunidades celebram as graças que Este lhes dá e honram a sua benção. Ali ao lado tocava a banda filarmónica (os açorianos têm uma tradição musical fortíssima), um senhor vendia galos e galinhas que os crentes ofertaram para o efeito, um conjunto de pessoas assava sardinhas, outro servia pratos das mesmas prontas com pão e uma mesa no meio da estrada convidava todos a juntarem-se e a partilharem aquela refeição improvisada. Assim fizemos e não abandonámos a festa sem antes entrarmos no pequeno império (capelas onde se guardam as coroas do Divino Espírito Santo) e mámen cumprir as tradições religiosas açorianas com a filha, o que sempre me comove muito. 
Ah, isso acontece só nos Flamengos? Não. Acontece em várias freguesias das diferentes ilhas e sem dia e horas marcados. É partir à descoberta e misturar-se com os habitantes das ilhas 






7- Aproveite a localização do Grupo Central

O Grupo Central, infelizmente, está pouco divulgado (sou suspeita, é o meu grupo preferido nas ilhas!). Mas, especialmente as ilhas do triângulo (Pico, Faial, S. Jorge), têm uma localização privilegiada. Se o tempo o permitir (e o tempo nem sempre o permite) e os horários dos barcos forem favoráveis aos planos de rota, as viagens de barco são uma mais-valia: em 3 horas conseguimos chegar a S. Jorge (com escala feita na Madalena- Pico) e numa hora e quinze minutos alcançamos o Pico. Aos fins-de-semana os horários permitem que se parta às sextas-feiras e se regresse aos domingos ao final da tarde. A viagem? Isso não vos posso garantir. Já vi várias vezes toninhas (golfinhos mais pequenos) a brincarem com as ondas que os nossos barcos fazem e a nadarem ali ao nosso lado, já vi o mar tão agitado que percebi porque existe um livro chamado "Mau tempo no canal" e a minha pobre mãe já quase que viu S. Jorge por um canudo, No Verão, regra geral, a coisa corre sempre bem. No resto do ano contem com uma divertida e surpreendente imprevisibilidade. 

8- Confie nos ilhéus.
Os açorianos são pessoas especiais. Regra geral bem dispostos e solícitos, fazem da sua hospitalidade bandeira. Os açorianos gostam de receber e abrem, literalmente, as portas das suas casas, a quem vem por bem. E eles conseguem perceber quem vem, realmente, por bem. Por isso, não desconfie se um açoriano convidar o seu filho para beijar uma coroa do Espírito Santo que tenha acabado de receber em sua casa, se lhe oferecer para lhe dar boleia de volta à cidade se o encontrar a regressar cansado depois de um trilho pedestre ou se reforçar a sua sandes com queijo extra por mera simpatia. Os açorianos são, na sua maioria, orgulhosos da sua naturalidade e os melhores guias turísticos das sua lhas, não se importando de desvendar segredos e spots que não vêm nos guias nem se negando a dois dedos de conversa em qualquer esplanada. Não há estranhos que não tenham potencial de se tornarem amigos para um açoriano. 
Um aviso, há duas coisas que irritam os açorianos: referirem-se ao continente como "Portugal", uma vez que pertencemos todos ao mesmo país e perguntarem a um açoriano que não micaelense porque carga de água ele não tem "sotaque açoriano". É que isso não existe, tá? (o que nós, aqui no continente, chamamos de "pronúncia dos Açores" é apenas o sotaque de uma ilha- S. Miguel. Para terem noção e a título de exemplo: no Faial fala-se de forma muito parecida com a que se fala em Coimbra).



9- Não compare as ilhas (todas são melhores que as restantes em alguma coisa)


As ilhas são todas tremendamente belas e tremendamente diferentes.
Cada ilha é única e especial, por isso, é uma parvoíce perguntarem a alguém que as conhece a todas qual é a mais bonita. Não há resposta para essa pergunta.
Se me perguntarem a mim direi que S. Miguel tem um equilíbrio perfeito entre a cidade e a natureza e uma beleza natural muito diversificada e toda ela de se tirar o fôlego, S. Jorge é a ilha mais "crua", a mais natural, a com menor intervenção humana, a mais apetecível para aventureiros e exploradores e tem o sítio mais bonito dos Açores (a Caldeira de Santo Cristo), o Pico é a mais imponente e rústica, a mais caseira e com cheiro a vinhas, a de beleza mais agreste, a Terceira tem as pessoas mais maravilhosas, festeiras, divertidas e o sentido de comunidade com que mais me identifico.
Ah, e o Faial, Pólo Norte? O Faial é a ilha onde mais me sinto em casa nos Açores, simultaneamente pequena e bela, arejada e luminosa, transpira azul por todos os poros. A Horta é uma pequena cidade cosmopolita e de charme, uma cidade boutique. O Faial é a ilha mais mimosa. 





Fomos em trabalho e aproveitámos para levar a nossa filha para visitar os avós. Queremos agradecer a Azores Airlines que patrocinou a minha viagem e a de mámen, ao abrigo da sua estratégia de responsabilidade social e sem a qual teria sido impossível a ASBIHP (associação com a qual colaboramos) realizar acções nas escolas de pessoas portadoras de deficiência no sentido de sensibilizar e informar as comunidades educativas com vista a uma real inclusão sócio-escolar destes cidadãos. Obrigada, Azores Airlines!

domingo, 17 de abril de 2016

Sabes que não há originalidade para baptizar os filhos como a açoriana quando...

... estás a ser atendida por uma senhora no supermercado e a plaquinha com o nome diz...

"Pilia".

...

...

...

sábado, 16 de abril de 2016

Sabes que tudo está no sítio certo, no tempo certo quando...

... estás sentada no Peter's a beber gin (sem mariquices) num dia de sol com vista para o Pico. O teu marido pega na tua filha às cavalitas e contam bandeirolas e riem alto.
Fechas os olhos e felicidade não é mais que isto. Isto chega.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Dia-1: Os Açores nunca me farão estremecer*

 Uma viagem nossa para os Açores nunca começa no dia 0. Porque para isso era preciso que corresse tudo nos conformes, aquela coisa de correr tudo como planeado, sem sobressaltos, coisa para gente organizadinha, previsível, enfadonha e… sortuda!
Na ante-véspera da partida lembrei-me de olhar para os documentos do voo e para a validade do meu cartão de cidadão. Expirada há 3 meses. Assim como o passaporte (expirado há um ano). E todos os documentos possíveis inviabilizados.
Tive um micro-segundo de pânico, “ai jasus, ai jasus, que vai o pai e a filha e eu fico em terra” e depois procurei soluções. Onde? No facebook. Claro: “ó da guarda, ó da guarda: há alguém que me acuda?”. Entre pessoas que tinham a certeza que eu não podia viajar com os documentos provisórios se no dia seguinte fosse renovar o cartão de cidadão, a pessoas que não só tinham a certeza como já tinham viajado com os documentos provisórios em voos domésticos como era o meu caso, a pessoas que não senhora, tens que fazer um cartão de cidadão com extrema urgência, outras a dizerem-me que me davam um BI dos antigos se eu pedisse e ficava tudo legal, outras a sugerir-me que viajasse com o cartão caducado que ninguém dava por isso e outras a dizerem-me que se fossem a mim ficavam mas é em terra que era um sinal dos Deuses (que no meu caso não estão loucos, são mesmo uns alcoólicos de primeira apanha), li de tudo. 
Na manhã seguinte, segui os conselhos mais prudentes e com menor grau de risco, não fosse o homem embarcar-me com a miúda rumo aos meus sogros e bye bue, Pólo Norte, evadiam-se para a terra do queijo para não mais voltar. Meti-me a caminho de Lisboa depois da Eva (uma distinta leitora deste blog) me ter feito passar a gostar mais de escuteiros/escoteiros e ter feito a boa acção do dia/mês/ano indo para a loja do Cidadão das Laranjeiras às 08h30 da matina e ficando a guardar-me senhas consecutivas para eu poder ser atendida antes das 11h (só nessa hipótese os cartões de cidadão com extrema urgência conseguem ser emitidos e entregues no próprio dia). Entre sms e para-arranca na A5 e na 2ª circular eu fui a senha 10, a 17, a 23, a 37 e, finalmente, a 43 (a ver se não me esqueço de jogar com estes números no Euromilhões). Entrei na loja do Cidadão das Laranjeiras como quem corta a meta de uma maratona e fiz o cartão de cidadão em 11 recordistas minutos! Literalmente.
Ignorei que a senhora me sacou 1 cm da altura (podia ter subtraído um ano na data de nascimento mas não, deu-lhe para ali, promovendo-me a hobbit, portanto), não intelectualizei, bebi um café com a Eva (obrigada, minha querida!) e fui trabalhar. Às cinco e meia lá estava, no edifício J do Campus de Justiça e em 30 minutos tinha o cartão de cidadão novo. Tudo direitinho. Tudo despachado. Tudo (estranhamente) demasiado fácil.
Cheguei a casa tarde, fizemos as nossas malas umas três horas antes de termos que sair de casa rumo ao aeroporto (a Ana já tinha feito a dela três dias antes pois andava numa ansiedade que só visto) porque nós somos recordistas a fazer malas, dormi ali num intervalo e eram seis da manhã e estávamos a ir para o aeroporto. Frescos e fofos. 
Check in fácil e rápido. A cadeira da Ana ainda nos garante prioridade no embarque. Ana feliz e bem disposta, tendo em conta as horas a que saíra da cama. Comprámos-lhe um livro para a viagem, Família controlada, ordeira e tranquila.
Entrámos no avião e tirámos a fotografia da família feliz. Cintos de segurança postos, a  estucha das regras de segurança, o plano de fazer uma soneca até à ilha e ahhhh… Uma hora depois no mesmo sítio mas com a Ana menos bem disposta, toda recostada em 63423 almofadas e a fazer tendas com as mantinhas da SATA. A capitão avisa que há uma avaria num dos computadores de bordo e pede-nos que desembarquemos para a equipa de manutenção proceder à reparação e a testes. Saímos (carregados com a Ana mais almofadas mais mantas que isto é filha do pai dela, tem o gene da acumulação), a Ana ao nosso colo olha para a Portela de frente e faz a pergunta sacramental: “Chegámos aos Açores, mãe?”.
Voltamos às portas de embarque, a Ana estava mais impaciente, já estávamos por tudo (até bagels comemos, imaginem, e comer bagels nesta família é bater no fundo) e duas horas depois chamaram-nos para um novo embarque. Here we go again. A Ana sentou-se, a hospedeira querida achou que a miúda não tinha mantas que chegassem e ofereceu-lhe mais uma e outra almofada (e a Ana confidenciou-lhe a nossa real pelintrice confessando que em casa temos imensas iguais- a culpa é de mámen que traz sempre uma em cada voo que isto quem nasceu para pelintra nunca sonhará com uma casa de sonho que não esteja toda mobilada com móveis do IKEA) e… mais 1 hora na pista, a Ana em modo burro do Schrek (“Já chegámos? Já chegámos? Já chegámos?”) e nós nem a pista de outro ângulo haveramos visto  quando veio a constatação final: o avião estava mesmo com uma avaria e o voo cancelado.
Nisto já eu ligava para a Santa Romina- padroeira dos sata-aflitos- e percebera que hoje não chegaria à ilha. Uma hora e meia à espera das malas nos tapetes, carregada com 6278254 almofadas e 3521459 mantas, Ana a perguntar “isto é o aeroporto dos Açores, pai?!”, cheias de fome, já na converseta com todos os passageiros (beijinho ao moço que ganhou o “The Voice” que conseguiu controlar o vozeirão para lhe dar o “amok” que nos apetecia a todos) e duas alternativas: ou ficaríamos num hotel muuuuito simpático de Lisboa (e eu, pelintra para não destoar, disse logo que em último recurso pois que sim, de borla até injecções nos olhos, ir agora a casa sujar loiça é que não!) ou iríamos para S. Miguel e logo se via.
Como nesta casa lidamos bem com os imprevistos, o que nos estava mesmo a chatear era a barrigada de fome com que estávamos todos e queríamos era tratar disso que a barriga não tem culpa da miséria, alinhámos na segunda opção.
E é assim, que 35 euros de extrema urgência de um cartão de cidadão que não precisava da extrema urgência, menos 1 cm no lombo, doze horas depois (na verdade treze mas agora estou em horário açoriano e aguentem-me!), 3 aviões, 2 ilhas, 3 fatias de pizza no bucho patrocinada pelos vouchers da SATA,752 fotografias depois e progressivamente de família feliz a família mal encarada, muita kima de maracujá na fraqueza que dei cabo do stock do carrinho do avião, 2524329 almofadas e 4724328 mantas depois estamos na ilha. Não na que deveríamos estar, mas isso agora não interessa nada!
Na prática vamos ter que correr atrás do prejuízo (viemos em trabalho!) mas é tudo uma questão de perspectiva: a nossa jornada começa amanhã. Hoje é o dia -1, portanto.

Coriscas mal amanhadas do meu coração, tirem as kimas da friza: cheguei!

Amanhã? Amanhã logo se vê! Adaptando a máxima daquela grande filósofa, Elsa de Arendelle: os Açores nunca me farão estremecer*…

(* Pelo sim, pelo não, nunca fiando, vou ver a previsão sismológica para a manhã...)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O primeiro passatempo publicitário deste blog (e só alinho porque me vão pagar em géneros)



Passatempo I Love Kima / Kima Lovers 

 Neste blog é-se fã de Kima, e tem-se a firme convicção de que a Kima de Maracujá deveria ser considerada "Património Cultural da Humanidade pela UNESCO". 

E, neste blog, gostamos de partilhar com os amigos as coisas boas da vida. E como não gosto que ninguém viva na ignorância quero acabar no instante com aquele "O Mundo divide-se entre quem já provou kima de maracujá e os outros".

De modo que tenho 1 pack de Kima para oferecer a quem se revelar tão louco por Kima como eu. 

Tudo o que têm que fazer é soltar essa imaginação e enviar uma foto criativa, a segurar num cartaz, ou uma folha de papel (ou numa superfície à escolha), com a frase * I Love Kima*. Inspirem-se e não se acanhem. 

E depois não se queixem que nunca provaram a melhor e mais refrescante bebida do Mundo, ok?
Mostrem lá essa vontade de beber Kima! 


 Regras de participação: 
 - Fazer gosto na página de Facebook da Kima aqui
 - Enviar uma foto criativa, a segurar num cartaz, ou uma folha de papel ou numa superfície à escolha, com a frase * I Love Kima*, para o e-mail: quiosquedakima@gmail.com 

 A foto mais original será escolhida por mim e por um elemento da equipa de Social Media da Kima e anunciada no dia 24 de maio. 

 Notas
 - Passatempo válido até dia 21 de maio de 2015 às 23h59 
 - Apenas uma participação válida por pessoa 
 - O vencedor tem até 5 dias úteis, após o anúncio de vencedor, para fornecer via e-mail (quiosquedakima@gmail.com) a sua morada completa.
 - No 7º dia útil (após o anúncio de vencedor) será anunciado novo vencedor, caso o anterior não tenha reclamado o prémio 
 - O vencedor será anunciado até 5 dias úteis após o fecho do passatempo - O passatempo só é válido para Portugal (Continental e ilhas)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Finalmente, o esclarecimento sacramental sobre os posts dos Açores








Estava a 8 euros o quilo, o queijo-ilha. 

Trouxemos 10 quilos.  Temos queijo até final de Fevereiro. 

Princípio de Março, vá. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pergunta para efeitos de estatística e de pedido de atribuição do grau de açoriana honorária pelo Governo Regional dos Açores

Quantos dos leitores deste blog ficaram com vontade de visitar os Açores* por causa do que aqui se escreve?






(*Açores, não a minha sogra, ok?)

De boas intenções...

Há uma altura do dia maravilhosa nos Açores: quando o sol se põe sobre o mar. É um instante e eu vinha com a ideia de o fotografar.
Sábado, ao entardecer, agarrei na máquina fotográfica e fui interceptada pelo meu sogro.

-"Ah, levo-te aí a um miradouro que tiras uma fotografia supimpa"

Era a ver o senhor a subir o interminável caminho, entre curvas e contra-curvas e o sol a pôr-se. Chegámos ao miradouro e estava escuro como o breu.

Ontem, à mesma hora, tentei sair de mansinho. O sogro again:

"Na, na, na, na. Hoje levo-te a um miradouro mais perto. Bora!"

Aproximámo-nos do miradouro mesmo, mesmo a tempo do exato momento em que na linha do horizonte há apenas aquela nesga de sol. O que nos esperava? Um nevoeiro cerradíssimo.

...

...

...


Pelo sim, pelo não, hoje a seguir ao almoço dou de fuga e só volto à noite. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O menino mija?

É, provavelmente, a minha tradição favorita açoriana. Os amigos e parentes vão, nos dias seguintes ao dia de Natal, de porta em porta fazendo a pergunta sacramental: "O menino mija?", ou na sua versão mais soft, "Vim ver se o seu menino Jesus faz xixi!". E as portas abrem-se, e as garrafas destapam-se e há massa sovada, queijo e bolo de Natal nas mesas das ilhas e brinda-se. Brinda-se muito à laia do menino jesus fazer xixi. 
E eu, que já não passo as festas natalícias nos Açores há alguns anos, envio sms e mensagens aos amigos e peço-lhes que não desmontem o pinheiro até dia 16 e que me guardem aguardente de amora, angelica e vinho de cheiro que dia 16 de Janeiro lá estarei a gritar, porta a porta, como boa açoriana honorária que sou: "O menino mija???"

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A PROVAR | Morcela de arroz com ananás

Deixo-vos aqui a melhor sugestão possível para uma entrada de uma refeição:

AGENDA QUADRIPOLAR |Inauguração da nova Mercearia dos Açores



27 de Novembro, em Lisboa
Quinta-feira será um dia bom para os lisboetas.
A novíssima Mercearia dos Açores será inaugurada na Rua da Madalena, 115, em plena baixa de Lisboa.

 para comemorar, será oferecida uma mega Degustação de Produtos dos Açores, em parceria com o Chef Joe Best, DaCozinha.

Quem se atreve a faltar?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Soluções do enigma do post anterior


1- Fofó- pum/peido

2- Sueira- camisola/sweatshirt

3- Gama- pastilha elástica

4- Pana- alguidar

5- Mesa de passar- tábua de engomar

6- Mapa- esfregona

7- Prendedor- gancho

8- Acendedor- isqueiro

9- Ensocado- pesado/maciço

10- Blica- pilinha

11- Alvarozes- jardineiras

12- Vento encanado- corrente de ar

13- Canada- estrada

14- Poderios- imensos

15- Carro de praça- táxi

16- Descreta- esperta/perspicaz/astuta

17- Estôa- loja

18- Sifão- sanita

19- Requim- querido/fofinho

20- Friza- frigorífico

E agora um pequeno quizz para continentais (não vale googlar)

Palpitem lá o que querem dizer as seguintes palavras (as minhas favoritas em açorianês):

1- Fofó

2- Sueira

3- Gama

4- Pana

5- Mesa de passar

6- Mapa

7- Prendedor

8- Acendedor

9- Ensocado

10- Blica

11- Alvarozes

12- Vento encanado

13- Canada

14- Poderios

15- Carro de praça

16- Descreta

17- Estôa

18- Sifão

19- Requim

20- Friza

sábado, 1 de novembro de 2014

Sabes que os teus amigos micaelenses são os mais quadripolares quando...

... trazes na bagagem como souvenir um saco do talho com uma língua de vaca fresquinha!


(Valter, tu não existes, hóme!)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Tudo o que as pessoas sempre quiseram saber sobre os Açores

Os Portugueses ficam muito ofendidos quando vão para o estrangeiro e algum tipo natural de outro país pergunta se Portugal é uma província de Espanha. A indignação é imediata: "Já viste que coisa, aqueles ignorantes nem sabiam onde ficava Portugal e tal?!"
Muitas vezes são estes mesmos Portugueses que quando se fala sobre os Açores arrotam umas postas de pescada jeitosas e umas pérolas dignas de um revirar de olhos indicador de falta de paciência.
Como eu não gosto que os meus leitores façam figuras tristes quando estão a discutir assuntos de geografia nem que pareçam uns parolos quando se referem aos usos e costumes do seu próprio país, vamos aqui desmistificar alguns pontos:

PÉROLA-TIPO 1- "Ah, estás nos Açores? Pois, eu estou em Portugal..."
Faz sentido, é que os Açores são território espanhol. Aliás, são umas ilhas que pertencem às Canárias. Pensando bem, se calhar pertencem à Holanda: então o queijo deles não é flamengo? Não, pá, na Holanda fala-se flamenco, não é flamengo. Oh, então são italianos porque o queijo chama-se "Terra Nostra". Dah!"

PÉROLA- TIPO 2- "Os Açores são S. Miguel e o resto é paisagem"
Esta é digna de se dizer a qualquer pessoa natural de uma terra de Portugal Continental que não da capital do Império: "Portugal é só Lisboa e o resto é paisagem". Com a diferença que aqui a paisagem é significativamente mais bonita.

PÉROLA TIPO 3- "Nos Açores não se faz nada. Aquilo é um tédio."
Pois bem, tendo eu família no grupo Central posso-vos afiançar que o tédio é uma constante; desde caminhadas em S. Jorge pela Serra do Topo a descer para a Caldeira de Santo Cristo, até pesca submarina, mergulho, às famosas touradas da Terceira, os comes e bebes durante as épocas das sopas do Espírito Santo em que qualquer desconhecido é convidado a sentar-se a uma mesa corrida no meio da rua e comer sopas, alcatra, massa sovada e arroz doce, beber um gin tónico no verdadeiro Peter's no Faial, poder tirar fotografias que saem sempre fabulosas sem que se precise de um workshop de fotografia digital prévio, visitar as vinhas e as adegas do Pico ou subir ao pico do Pico, o que não falta são coisas para nos entediar.
Já em São Miguel há de tudo: campo e cidade, gastar as solas a ver montras, ir fazer um picnic à zona das Furnas, sentar-se numa esplanada a comer os deliciosos petiscos regionais, jogar golf num campo moderníssimo, visitar a fábrica do chá Gorreana, perder a vista numa das lagoas, enfim, um tédio... Com a vantagem que qualquer uma das ilhas dispensa um gps para fixar potenciais quecódromos porque o que não falta são paisagens idílicas propícias à cópula. Em suma, muito entediante. (Bocejo)

PÉROLA Nº 4- "Eu fui aos Açores há 20 anos e sei que aquilo é um atraso de vida, só havia vacas e três semáforos, as pessoas vestiam-se de forma muito rural e só havia RTP1, RTP2 e RTP Açores".
Pois bem, eu fui a Londres há 20 anos e não havia telemóveis. Nem rede wireless. Nem caixas multibanco. Nem um restaurante de sushi em cada esquina. Não volto a Londres: é que Londres ainda deve ser um atraso de vida.
Meus amigos, o tempo e o progresso chegam a todo o lado, pelos visto excepto à vossa capacidade de ver o Mundo em constante evolução. Algumas cidades de Portugal Continental há vinte anos deveriam ter os mesmos 3 semáforos e vacas (com quatro patas e com duas) ou querem ver que Ponte de Lima, Castelo Branco, Chaves, Silves ou Sines eram cidades muito evoluídas? Já tinham shoppings e escadas rolantes, cupcakes, vernizes Riské e auto-estradas com via verde, querem ver?

PÉROLA Nº 5- "Nos Açores não há cinemas, teatros, concertos e outros eventos culturais como em Lisboa por isso as pessoas são mais atrasadas"
Vamos lá a ver uma coisa, nos Açores não há trinta peças em cartaz como não há no resto do país que não Lisboa e Porto, portanto, deixemos-nos de caganças de continental.
 Mais: acredito que a minha amiga de S. Miguel vá mais ao teatro que eu que, face a tanta oferta e a tão pouco tempo, vou adiando ad eternum a minha ida ao teatro até deixar as peças sair de cena. É que nos Açores as pessoas têm tempo, interesse e energia para, efectivamente, usufruírem da vida cultural que lhes é proporcionada, ainda que em menor escala.

PÉROLA Nº 6- "Há internet nos Açores?"
Não. Aliás, sempre que lá estive todos os post foram escritos via satélite. Eu ditava, o satélite apanhava e transcrevia. Uma modernice da ursa mais famosa da blogosfera continental. 

PÉROLA Nº 7- "Não se percebe nada do sotaque açoriano"
Falar de um sotaque açoriano é como ignorar o sotaque alentejano ou minhoto e encaixar tudo num sotaque português. O sotaque muda de ilha para ilha e o mais conhecido é o sotaque micaelense. Mas, concordo, é dificílimo percebê-los. Aliás, proponho que me convidem como tradutora cada vez que alguém cá vier de férias e precise de tradução. Eu faço o hérculeo esforço. A sério, é só convidarem-me que eu faço tal sacrifício.

A linha do horizonte é sempre azul. A gastronomia é, sem qualquer hipótese para os outros sítos do pais, a melhor de Portugal. Há tempo para se estar com os filhos sem ser à noite quando eles já estão a  dormir. Não se perde tempo em filas loucas de trânsito, à espera que caia o sinal verde dos peões para atravessar a passadeira, em transportes apinhados de gente, e esse tempo é optimizado em outras coisas tão mais úteis, como ter uma vida muito mais permeável à comunidade e com muita mais interacção social.
Ponta Delgada não fica atrás de qualquer capital de Distrito do país. E as ilhas todas ainda estão super caracterizadas. As pessoas são genuínas e simples. Hospitaleiras e generosas. Com bom fundo.
Únicas com as ilhas. 


Quadripolares micaelenses: coloquem podrios de kimas nas frizas, sff!


Obrigada SATA por nos ajudarem, mais uma vez, a fazer alguém feliz! Amanhã a Mariana fará o seu test drive na cadeira eléctrica mais gira de todo o sempre!

Pólo Norte <3 SATA!

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