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quinta-feira, 9 de junho de 2016

"Vou a Cascais, o que é me aconselhas a fazer?"

Ver o nascer do Sol no Guincho. Tomar uma meia de leite e um mini-croissant açucarado uma mini-bola de Berlim recheada com doce de leite na Sacolinha ao pequeno almoço. Descobrir que a Cresmina é a melhor praia da linha. Ou que a de S.Pedro é a melhor para levar os filhos. Comer um croissant de gila no Gianni dentro do Jumbo. Visitar o Museu Paula Rego. Andar de BICas na ciclovia do Guincho. Espreitar a Dejà Lu na Cidadela de Cascaus. Comer Hot Dogs no Centro Comercial Riade. Comprar sapatos de criança na Sapataria Paulo no Centro Comercial Assunção. Passear no paredão de manhã entre Cascais e o Estoril. Ver uma partida de futebol enquanto se come um hamburguer especial no Piper's. Ir às termas no Estoril. Ir às compras de fruta e legumes aos sábados de manhã no mercado de Cascais. Conhecer o borboletário. Beber uma cerveja especial e levar toda a família ao Jardim da Cerveja numa noite com música latina tocada ao vivo. Alugar uma gaivota na praia da Conceição e pedalar muuuito. Comer lamujinhas no Camões. Descobrir o nome "cascalense" da praia das Avencas. Namorar ao pôr do sol na esplanada do Farol Design Hotel. Encontrar na Avenida Valbom a Comer um gelado Santini no Santini original ou, se a fila estiver assustadora, descobrir que a gelataria Tchipepa não lhe fica atrás. Alinha num baptismo de voo no Aeródromo de Tires. Levar os miúdos para jantar e fazerem a sua própria pizza no Mr. Pizza Cascais. Descobrir que a Garret no Estoril é a pastelaria mais charmosa do Mundo. Tropeçar no alfarrabista mais querido da vila na Avenida Valbom. Subir ao terraço da House of Wonders e descer ao restaurante vegetariano para jantar (é, provavelmente, o melhor restaurante da vila neste momento). Comprar espanta espíritos de conchas e búzios no passeio ao pé da Baía. Espreitar a Boca do Inferno. Fazer um picnic no Parque Marechal Carmona e tentar encontrar penas de pavão caídas na relva. Comer um muffin no Bulain. Visitar o Museu Condes Castro Guimarães. Ter pena do que fizeram à praia de Santa Marta. Lanchar uma tosta na esplanada do Bar do Guincho ou na esplanada da Pedro do Sal. Maravilhar-se com a beleza do Farol de Santa Marta. Descobrir a Quinta do Pisão. Descobrir, sem pistas de nativos, onde se esconde o Alcatruz. Jantar a Picanha e a batata recheada da Mercearia Vencedora. Apanhar sol na pequeníssima praia da Rainha. Tentar perceber, depois disto tudo, porque é que os cascalenses parecem mais felizes.
 
É porque, de facto, o são.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A CONHECER | Maria Albertina



O Maria Albertina é o novo restaurante bbb da linha. Não é um restaurante com decoração de capa de revista mas é castiço e pitoresco. Não é um restaurante de estrelas Michecoiso mas come-se tão bem, a carta de vinhos é tão boa, o pessoal é tão atencioso que merece estrelas, luas, sóis e palavras bonitas ditas pelos clientes.  Não é um restaurante caro mas a comida é tão fresca e simples e ao mesmo tempo engenhosa e surpreendente que uma pessoa fica ali numa espécie de dissonância. Não é um restaurante com paredes de tinta de ardósia e menus escritos a giz, empregados com fardas pretas presunçosas e chapéus estrambólicos. É um restaurante que nos faz sentir em casa, sem peneiras, nem maneirismos, sem mariquices e frufrus. 
Chegámos para jantar a um dia de semana e levávamos a cria. Num instante deram-lhe papel e lápis de cor, um prato com bonecos, um individual colorido e uma palhinha castiça e rendi-me mesmo antes do pedido vir para a mesa. "Quem meus filhos beija, minha boca adoça", já se sabe.
O peixe era fresco, tão fresco que temo que o tenha ouvido a dar o último suspiro já no prato. Estava saborosíssimo grelhado em forno de lenha: di-vi-nal! O naco de carne estava no ponto, ao passarmos a faca parecia manteiga, já não comia carne tão boa desde a última vez que estive nos Açores. O vinho da casa era muito, muito bom (bom demais que vim para casa meio atordoada) e as farófias (minha sobremesa preferida) eram das melhores que já comi. E- oh senhores- se eu sou especialista na degustação de farófias! Mámen comeu um vaso de mousse de chocolate com morangos crocantes e "berlindes" que acredito que estivesse genial. Digo isto porque o cretino nem me deixou cheirar a taça!  
No final o chef Eduardo Crespo veio cumprimentar-nos à mesa e só tínhamos palavras de parabéns para o brindar! 
Acreditamos que o Maria Albertina tem tudo para ser um sucesso. No que depender de nós, já nos rendemos. Mesmo que chame Vanessa à sua menina.



Descobrir um restaurante bom, bonito e barato na Linha

Quem? Restaurante Maria Albertina
Onde? Rua Ary dos Santos, 62, Parede
(antigos Viveiros da Madorna)
Contacto: Pelo telefone 21 453 2667
Saber mais? https://www.facebook.com/maria.albertina.madorna 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A EXPERIMENTAR | Arranjar o smartphone num sítio BBB

Era uma vez uma miúda que recebeu um smartphone de presente de aniversário e depois com o excitex e porque uma certa amiga lhe decidiu ligar para o stupidphone, cinco segundos após ter aberto o embrulho deixou cair o smartphone e era uma vez um vidro. 

Vai daí a miúda fez uma sondagem entre amigos e leitores e dos mil sítios indicados ou me pediam um valor de reparação mais caro que o próprio telemóvel ou então mandavam-me confiar o telemóvel a uns senhores indianos entre o beco e a esquina da rua não sei quê e a modos que uma pessoa gosta de confiar nos outros mas o telemóvel é novo e já nem em mim confio para segurar nele quanto mais.

Então, finalmente, depois de mil recomendações que os indicavam, consegui arranjar um sítio que me inspira confiança (I mean não-tenho-que-deixar-o-telemovel-novinho-em-folha-numa-loja-refundida-de-indianos-e-rezar-para-que-passadas-24-horas-me-devolvam-o-mesmo-telemóvel) e que não me cobrou o couro, o cabelo e as pontas espigadas e fui parar ao iServices. 

Pelos vistos, há uma série de lojas iServices mas acabei por ir parar à loja da Marina de Cascais que tem SÓ a vista mais bonita do Mundo, ali mesmo, mesmo a piscar o olho ao Farol de Santa Marta. 

Já tinha dado indicação de tooodos os detalhes acerca do modelo de telemóvel (não é um iPhone mas eles arranjam todos os smartphones) e quando cheguei ia matando o empregado de coração quando o senhor se apercebeu que me esquecera de referir um pormenor importante na nossa conversa prévia para que o mesmo pudesse encomendar o vidro: não tinha indicado que o bicho era branco.  

A solução era esperar mais um dia (caramba, tipos rápidos e bons!) para que viesse um novo vidro branco mas eu afiancei que não, que queria um telemóvel mulato e único, a modos que, meia-hora depois de ter esperado num pequeno deck à porta da loja com aquela vista ali estava ele: o meu telemóvel novinho em folha, inteirinho e... multi-racial.

Tenho agora sempre comigo um mulatão esperto e sensível E garanti ao empregado que isto vai virar moda. Ele só se ria. 

Saí de lá feliz e contente com o serviço prestado e com o (inesperado) resultado final. Foram 5 estrelas!  Se foram caguinchas como eu e se se recusarem a confiar o telemóvel em sítios duvidosos espreitem aqui: http://www.iservices.pt/

A modos que agora a questão que se impõe é: eu não preciso de uma capa para o telemóvel. Preciso de um airbag para smartphone. Já inventaram? Já? Já?



Encontrar o local perfeito para tratar de um telemóvel doente

Quem? iServices
Onde? Lisboa, Porto, Cascais, Faro, Luanda
Contacto: Pelo telefone 216 080 790
Saber mais? http://iservices.pt/

terça-feira, 18 de agosto de 2015

PROGRAMA QUADRIPOLAR | 5 spots a visitar este Verão em Cascais


Depois de uma longa travessia no deserto, Cascais começa a dar sinais de retoma, voltando ao charme a que sempre nos habituou, não abdicando de se afirmar como uma vila mas recuperando algum frenesim urbano de outros tempos (áureos),

Esta semana, por motivos de trabalho, tivemos que ficar por Lisboa e aventurámo-nos a explorar (com tempo e olhos de turista) a nossa própria terra. 

Estes são os 5 lugares que consideramos imperdíveis para visitar em Cascais este Verão:

domingo, 7 de junho de 2015

A EXPERIMENTAR | Mister Pizza Cascais


O melhor restaurante family friendly do Mundo 

Sentámo-nos na esplanada à sombra.
O restaurante não estava a abarrotar.
As miúdas foram fazer as suas próprias pizzas com empregadas fofinhas e pacientes.
Bebemos uma sangria maravilhosa. 
Na esplanada elas puderam correr e fazer desenhos a lápis de cor e a giz num espaço para o efeito. 
Comeram as próprias pizzas.
Ofereceram-lhes um copinho com uma bola de gelado de morango. 
Os pais conversaram sem medo que elas destrambelhassem (a esplanada é fechada).
Os pais estavam tão confortáveis que se deixaram ficar... até às três e meia da tarde e ninguém os mandou embora ou fez cara de stress. 
O dono do restaurante foi à nossa mesa perguntar-nos a nossa opinião. 
Elogiámos de forma o mais sentida possível.
Ofereceram um chupa-chupa às miúdas antes de irmos embora. 
Saímos com a certeza que é o restaurante menos indicado para quem não gosta de miúdos e o melhor restaurante do Mundo para pais como nós. 

Voltamos sempre. Voltaremos sempre ao Mister Pizza Cascais.




Levar os miúdos ao restaurante mais baby friendly de Cascais

Quem? Restaurante Mister Pizza Cascais
Onde? Rua da Torre, 1155 F, Torre- Cascais
Contacto: Pelo telefone 210 996 296
Saber mais? http://misterpizzacascais.pt/

domingo, 14 de dezembro de 2014

Les villes sont mortes. Vive les villes.

Eu fico muito nervosa quando passo em Cascais. fecham-se lojas de comércio tradicional, as lojas que eram uma manta de patchwork desta vila, contavam nas montras as histórias, o tempo e o crescimento dos últimos anos, o crescimento que também as matou. 
De Cascais da minha infância resta pouca. A Ana nunca saberá que no lugar da igreja universal do reine de Deus foi um dia o Oxford, onde fui ao cinema sozinha pela primeira vez. Havia também os cimenas São José e o cinema do Pão de Açúcar, que agora se chama Auschan. Não há, neste momento, nenhum cinema na vila. Só nos shoppings, todos iguais, todos homogeneizados com letterings e estratégias de marketing, pipocas em copos de design, gomas que passam nos crivos do HACCP e afins. Não há cinemas na vila e a Ana nunca saberá o bom que é sair do cinema com as amigas e ir a pé até à praia da Rainha, a minha preferida em Cascais, fazer a análise crítica do filme. 
Fecham lojas em Cascais, todos os dias. A baixa está uma lástima, com montras vazias com autocolantes de mediadoras imobiliárias e eu fico triste. A Rua Direita foi tomada por lojas indianas, marroquinas e chinesas, a venderem recuerdos portugueses fabricados na Tailândia, galos de Barcelos em tons de pastel e imagens da nossa senhora de Fátima com luzes de discoteca.
Fechou o Oxford, fechou a pastelaria Cisne e a Lua-de-Mel, a Cenoura do canto do Visconde da Luz já morreu há que séculos e  o Tchipepa anunciou que ia fechar no Verão passado. 
E eu que vou ao mercado todos os sábados de manhã, que frequentava a Lua de Mel, que prefiro os croissants do Gianni a todos no Mundo fico triste porque estão a esvaziar as vilas, a plastificarem as fachadas dos prédios, normalizando as terras, exterminando o patchwork da diversidade do comércio tradicional, criando terras bonitas e com as ISOs todas para quem ver de fora dizer que são bonitas, sim senhora, para ganharmos reconhecimento nas revistas de turismo lá de fora, que se os estrangeiros dizem que isto é bom é porque deve ser mesmo, estamos no bom caminho. 
Construam-se menos hotéis para quem vem e revitalizem-se as vilas e as cidades para quem permanece. Devolvam-se as terras a quem as pertence. A quem a elas pertence. 

(a propósito disto)



domingo, 22 de junho de 2014

Sobrevivi a uma venda de garagem

Ou melhor, em Cascais, eleva-se sempre as expectativas e chama-se à coisa "Garden Sale". Chegámos pela fresca, cheios de sacos e com um ar desnorteado. Nunca vendi nada na vida, acho que nem rifas. Não tenho qualquer aptidão comercial. Mas hoje a ideia era diferente: fazer uns trocos, livrar-me dos monos (ou como se diz na gíria dos garden salers "destralhar") e fazer um programa diferente a dois com mámen. Assim foi.
A coisa começou logo na entrada do Parque Marechal Carmona, o sitio onde decorria a pseudo feirinha da ladra. Virámos à esquerda depois da entrada, o que significa que escolhemos ficar no lado que não é o de passagem para os visitantes do parque. Mámen ripostou porque raios queria ir eu para o lado onde passava menos gente, onde estava o meu sentido de oportunidade mas contrapus com o facto dali poder ficar na relva em vez de no caminho cheio de pó, de ter a sombra das árvores e de me diferenciar da confusão. Encolheu os ombros e fez-me a vontade. A contra gosto. 
Estendidas as toalhas comecei a dispor dos objectos criteriosamente seleccionados na véspera. Ia mirando um a um, com olhar de mãe que vê os filhos partir para a guerra, num silêncio de pesar. Puxei da cadeirinha mete-nojo e sentei-me. Olhei para o lado e a vizinha da banca bebia café num termo (nota mental nº 1- trazer comida e bebidas para estas andanças é essencial). Mámen- esse santo- prontificou-se a ir a um café buscar bebidas quentes e a um supermercado ali perto abastecer-se de pic-nic e fiquei sozinha. 
Começam a chegar as primeiras pessoas. Uma inglesa pede-me para ver um bule em forma de autocarro britânico que trouxe da minha primeira viagem a Londres com o homem e que por ser tão piroso kitsh nunca chegámos a usar. Comprámo-lo numa lojinha de Covent Garden e assim que a freguesa mo pediu para o ver, fiquei com um nó na garganta. Passei-o para a sua mão e, na tentativa de regatear preço apontou um defeito na pintura do bule. Arranquei-lho da mim "que sim, senhora, tinha toda a razão, onde já se viu eu estar a querer vender um bule com defeito, mil perdões, milhões de desculpas, retiro já o bule da banca". A mulher ainda tentava negociar, que não havia problema, que bastava eu fazer uma pequena atenção mas que não, que ia lá vender uma coisa estragada, por quem sois... Foi-se embora com um ar confuso e eu respirei de alívio, enquanto guardava o meu bulinhe querido num saco refundido. 
A seguir veio outra senhora e começou a remexer numa capa de lã muito gira que comprei quando estava separada, lembro-me que assim que a vesti pela primeira vez me senti muito distinta, a capa aumentava-me a auto-estima e costumava coordená-la com umas botas de peter-pan de meia estação e sentia-me mesmo gira quando as vestia. As botas estragaram-se e, por causa disso, deixei de usar a capa de lã. A freguesa perguntou-me o preço e inflacionei um bocadinho, na tentativa vã de a dissuadir a levar a minha rica capinha. Nem ripostou, remexia na carteira quando eu avancei com um "mas não a quer ao menos experimentar?". Disse-me que não era preciso, que gostava mesmo da capa. Estava eu a acabar de proferir a frase "ah, espere não a leve, que tem aí uns inestéticos borbotos..." quando o homem regressou com os cafés e o lanchinho. De repente, só o vi a agarrar na capa e a elogiar a cor, que com certeza ficaria a matar com a tez da senhora, que era de uma lã boa, os borbotos eram da falta de uso e de estar a apodrecer no armário, que nunca me tinha visto com aquela capa... 
Engoli em seco, quando a mulher se afastou com  minha capinha querida, miando que ainda por cima era uma peça vintage que a Tie Rack já nem existe em Portugal, enquanto mámen, esse estupor insensível, me arregalava os olhos. 
Entretanto, um casal de franceses comprou uma camisola da Gant e outra de lã de caxemira do homem que, todo contente, arrumava o dinheiro na latinha, enquanto eu- incrédula- lhe perguntava se ele tinha noção que nunca mais iríamos ter a vida que já tivemos para comprar camisolas de lã de caxemira daquela qualidade. Encolheu os ombros e disse-me que lhe estavam ambas larguíssimas e já não as iria nunca mais usar. ainda lhe soltei uma praga de que, os homens depois dos 40 engordam, vais-te arrepender, ao que me respondeu que gostava da ideia dos objectos terem uma segunda vida. Estupor, que sempre me disse que não acreditava na reencarnação!
A seguir começou a chuviscar e eu pensei que era altura de ir para casa mas não. Mámen, sempre alerta, ex-escuteiro dos quintos costados, trouxera um plásticozinho para cobrir a mercadoria... Bufei. Bufei muito.
Nesta altura, a nossa vizinha de banca desistira (um abraço solidário, se me estás a ler!) e mámen insistiu que tínhamos que mudar, mesmo, de localização. Assim foi.
De repente, localizados no meio do caminho, começaram a chover clientes. Muitos clientes. A primeira apontou-me um cachecol Pierre Cardin: "é verdadeiro?". Antes de eu alvitrar um "Não tenho a certeza", já mámen dizia que sim, por quem nos tomais vós, pode sentir a qualidade através do toque, ora experimente lá. E lá foi a senhora, toda contente, com o meu cachecol branco, que não uso vai para mais de dez anos, mas que me foi oferecido pela minha tia e lhe custou os olhinhos da cara. 
A machadada final foi quando uma grávida me perguntou o preço da banheira Shantala da Ana, objecto que nunca me deu jeitinho nenhum. Mas olhando para ela vinha-me à memória a minha filha bebézinha, coisa mais linda de sua mãe, com ar de gato escaldado a entrar na banheira, e dava-me memórias sorridentes. Mámen avançou com o preço e a senhora disse que a levava. Perguntei-lhe se esperava um rapaz ou uma rapariga e avançou-me que era um rapaz. "Mas a banheira é cor-de-rosa, isso para si não é um problema?". Que não, não era, viesse daqui a shantala. 
Enquanto ela se afastava com a minha banheirinha, os meus olhos enchiam-se de lágrimas. "És um insensível, mámen!"- atirei-lhe, com revolta. "Pensa que vai ter uma segunda vida, outro bebé lá dentro, fazer outra mãe feliz..." respondeu-me o idiota.  "Segunda vida já tinha ela..."- ripostei.  Desta vez mámen perdeu a paciência: "servir de alguidar para tirares a roupa da máquina de lavar não é segunda vida, Pólo Norte! E para a próxima ficas em casa que és a pior negociante de que há memória..."
Engoli em seco e calei-me. Para a próxima não é preciso ficar em casa. Basta que, em vez de café, ele me traga vodka e uns calmantes. Muuuitos calmantes.

(Para além do signo o facto de eu ser filha única também serve de atenuante, certo?)

domingo, 8 de junho de 2014

Cascais est mort, vive Cascais

E enquanto uns escorraçam os clientes o Tchipepa fechou portas, seguindo-se à Cidabela e à Lua-de-mel e a senhora de olhos azuis- que estava sempre na caixa do Gianni quando lá íamos comprar os melhores croissants com gila do Mundo- reformou-se . 

Ontem a minha terra celebrou os seus 650 anos e eu não me apetece desejar-lhe os parabéns. Porque mudando-se os tempos, eu só queria que se mantivessem as vontades...

domingo, 2 de março de 2014

AGENDA | Carnaval na Malveira da Serra

O Carnaval, deste ano, será vivido na Malveira da Serra, aqui às portas de Cascais. O corso da Malveira não sendo sobejamente conhecido é o preferido desta casa (honra seja feita ao de Torres Vedras, que também adoramos, mas ainda é muita confusão para a Ana).
Na Malveira da Serra há duas sociedades rivais: a da Malveira e a de Janes, povoações pegadas, mas tão pegadas que se confundem mas apenas para os não locais. Os locais levam a rivalidade muuto a sério, culminando os festejos invariavelmente com tareias nas respectvas sociedades recreativas assim que um janense se atreve a entrar na da Malveira ou um malveirão na de Janes. 
No corso da Malveira há mascarados foliões, não há muitas borregas de fora com smabimbices, há crítica social e há bailarico. Há Carnaval genuíno, saloio e português. Pequenino em tamanho mas muito mas mesmo muito divertido.
Hoje seremos mais três.



(atentos ao profissionalismo do design dos cartazes...)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cascais, passado recente

As nossas mães compravam-nos a roupa na Cenoura, na Materna ou na Rabina. O Conde Barão só tinha coisas para a casa. Subíamos a rua Direita e iamos comer gelados ao Tchipepa só pelo prazer de escorregarmos na rampa gigante, onde hoje não cabe a altura de um pé. Aos fins-de-semana ia brincar ao parque, onde havia uma macaca que atirava cocó às pessoas e onde os adolescentes se beijavam lá no cimo do caracol. Perseguíamos pavões e dávamos comida aos patos e havia uma ponta de madeira, que hoje já não há. No Verão dávamos mergulhos no Mexilhoeiro e em noites encaloradas íamos à Feira do Artesanato, onde tirávamos fotografias a preto e branco que registavam o nosso crescimento todos os Verões. 
Quando voltávamos à escola as fotografias tipo passe eram tiradas no César e os livros eram comprados na papelaria da Rua da Polícia, cheia de comércio local vivo. Malas de pele eram em duas barracas ao pé da estacao. Roupa de desporto era na Faraó. Aos fins-de-semana íamos ao cinema ao Oxford ou às salas no primeiro piso do Pão de Açúcar, a que na altura ninguém chamava Jumbo. Aos domingos era dia de feira na Praça de Touros.
Roupa de cerimónia era na Pombra Branca e os bolinhos eram sempre da Sacolinha, onde havia um senhor sempre vestido de preto que fazia desenhos com borras de café. 
Depois, crescemos e queríamos ir ao Bauhaus ou ao News, mas só depois de uns copos no bar dos 300 ou no 24. Para o Bauhaus íamos a pé pela linha do comboio e quando regressávamos do News chamávamos o táxi a crédito ( 466 01 01) e pagávamos 500 escudos. Não sem antes irmos aos bolos. 
Namorávamos encostados ao muro ao pé da Palm Beach e achávamos romântico partilhar um hamburguer da Abracadabra. O Dramático era o sítio onde íamos ver os jogos de hóquei mas, mais importante, era onde os concertos mais fabulosos do país vinham até nós 
O Coconuts veio mais tarde e todas passámos pela maravilhosa experiência do strip-tease masculino em primeira mão. 
Casámos, tivemos filhos e Cascais está irreconhecível para muita gente mas ainda não para as memórias de quem cá viveu num passado recente. 

(Obrigada Rita, Carolina, Pau, Carolina e Paula Carvalho pela viagem: cascalenses ao poder!)

Cascais para não cascalenses (ou não)

O que muita gente não sabe de Cascais é que o Santini não é, necessariamente, a gelataria preferida da vila e que todos nós brincámos na rampa da outra gelataria, lá no último andar e que cascalense que é cascalense contempla a baía mas nunca toma banho na Praia do Peixe. Que os melhores restaurantes para comer peixe não são os do paredão e que, na verdade, em Cascais se podem beber as melhores cervejas do Mundo ao som de salsa e merengue.
Que há um parque maravilhoso onde as famílias podem brincar, ler, deitar-se na relva, dar comida aos patos, subir ao cimo do Mundo, procurar penas de pavões perdidas como se estivesse a caçar um tesouro e dormir em dias de poesia com estrelas, ir o museu e até casar. Ou tirar fotografias depois da cerimónia na igreja ali ao lado e que pena que tenham fechado o Miese en Scéne. Resta-nos a mezzanine mais gira do Mundo para beber um gin tónico, ali a meia dúzia de metros. 
Que a rua Direita mudou e não foi para melhor mas que alberga o melhor restaurante Indiano de Lisboa e arredores. Que não temos cá padarias da moda mas metemos na sacolinha qualquer sítio que queira ter pão e bolinhos melhores do que os cascalenses. 
Que tomar um café no museu pode ter efeitos purificadores para alma e que ninguém conhece a praia das Moitas pelo nome verdadeiro. 
Que os melhores croissants do Mundo (com gila ou doce de ovos, tanto me faz) vendem-se no sítio mais improvável e que o restaurante desse sítio tem o terraço mais catita da vila. Que em dias de futebol há um boteco escuro que guarda os melhores hamburguers especiais da linha acompanhados por cervejas, tangos, chandys ou afins. Em Cascais ninguém diz panachê.
Um dia, juro, faço um post com muitos links para poder partilhar Cascais dos cascalenses. 
Até lá, deixo-vos achar que Cascais é Santini e o resto é conversa. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cascais, Toy, AlphaVille e ... oh céus!

Hoje, em Alcabideche, canta o Toy nas festas da Nossa Senhora do Cabo. Ouvi-o assim que fui à janela,  pegámos no carro e na miúda e viemos até Cascais. 
Em Cascais, já instalados na esplanada do Jardim da Cerveja, ouvem-se agora os cantores dos anos 70 do Remember Cascais com "Forever young" e "I'm feeling like a fool, bye bye daddy cool". 
Temo ir até ao Estoril. Dentro do espírito burlesco que assolou a linha nesta sexta-feira, será que o Boy George ainda é vivo?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A propósito do post ali de baixo sobre o Santini

Deixem-me explicar-vos uma coisa, os gelados do Santini de Cascais são os melhores do Mundo, essencialmente, por uma razão: comer um gelado do Santini de Cascais não é, apenas, deglutir fruta congelada.
É uma experiência.
Uma experiência que não se pode repetir no Santini de São João do Estoril nem no do Chiado. Ir ao Santini pressupõe escolher o nosso sabor preferido e descer a Avenida Valbom, devagarinho. Parar na Galileu, ali ao lado, e espreitar os livros disponíveis. Em pequena, esta paragem rendia-me sempre uma "Anita". 
Continuar a descer, sonhar que um dia se ganha o Euromilhões e se compra a "Casa da Pérgola", ali ao lado da loja Viva, e continuar a ver as montras. Parar lá ao fundo, antes da Loja das Meias, e comprar uma revista na tabacaria do lado esquerdo. Virar ali na rua da Lucullus e fazer o caminho inverso, ainda a saborear o gelado (afinal, pedem-se sempre dois sabores). Subir a Rua Direita e mirar os vendedores de rua. Acabar de comer o gelado sentada em cima do muro das escadas de acesso à praia da Rainha. Com sorte, tendo como banda sonora um qualquer cantor que toque para os turistas, ali ao lado, na esplanada. No ar o cheiro a maresia. Gaivotas no céu.
É por isto que os Gelados do Santini de Cascais são os melhores do Mundo. Entendem?

(Seguidos dos da Mabi, comidos em Milfontes e dos do Emanha saboreados com vista para o relógio gigante da praia da Figueira da Foz). 

domingo, 10 de junho de 2012

A praça virou mercado (post regionalista)

"Diga-se, desde já, que serei «velho do Restelo», «bota-de-elástico». Aceito os apodos e espero ter oportunidade de me demonstrarem que errei.
            E explico: o mercado saloio vive da espontaneidade, da vizinhança, das vendedeiras e vendedores que, há anos, se conhecem pelo nome, sem necessidade de uniformizantes placas identificativas como nos supermercados (onde os contratos a prazo mudam os empregados como quem muda de camisa…); sem necessidade de etiquetas nos produtos; todos vestidos à saloia, sem necessidade de uniformes – e lembrei-me logo das estátuas funerárias perfiladas, todas iguais e uniformizadas que se mostram no Buddha Eden, ali na Quinta dos Loridos (Carvalhal), Deus me perdoe!...
            Fui à apresentação, e, portanto, não partilho da euforia oficialmente veiculada. Cheguei atrasado à sessão. Vi, porém, a passadeira vermelha para os VIPs (será que fecharam a outra entrada nascente, bem adequada para o efeito?), passadeira bordejada de velas tremeluzindo (a recordar que estávamos em noite de Senhora de Fátima ou em cerimonial de Iemanjá, seria?), guardada por duas meninas das Relações Públicas e, por perto, dois guarda-costas. É a primeira vez que vejo guarda-costas em iniciativas da Câmara; deve ser moda ou a Polícia Municipal estaria noutras funções. Uma multidão acotovelava-se, dizia impropérios contra a organização, porque alguém estava a tocar, mas não se via nada e, na torre, insistentemente, constantemente, repetidamente, passavam as imagens do que iria ser o novo visual do mercado. Lembro-me da etiqueta duma Carolina, toda contente… E havia dois holofotes a bailar na entrada, como naquelas festas dos clubes nocturnos. A gente punha-se em bicos de pés. Se calhar, os músicos estavam lá adiante, em frente dos felizardos (uns 200?) que tinham conseguido cadeiras. A multidão acotovelava-se, «com licença»... E veio alguém dizer que uma garrafinha de água, por ordem da Câmara, custava um euro e meio, e uma bica um euro, também por ordem da Câmara, que mandara afixar os preços, para ser tudo igual. Fôramos pela Carminho. A noite de 12 de Maio estava uma delícia de temperatura e de amenidade. Mesmo de encomenda para fados numa voz vibrante e jovem e far-se-ia silêncio quando ela começasse. Demorou a começar e muita gente abalou antes, rogando pragas à organização, decerto inexperiente nestas andanças (opinava-se). Quando sentimos que Carminho iria entrar em palco (eu digo ‘palco’, mas não cheguei a ver se havia, pois cá de traz não se enxergava nada!), todos pensámos: agora a publicidade à nova imagem desaparece e as câmaras põem-se diante da fadista e nós, cá ao fundo, e os que estão lá fora vêem a menina projectada na torre, ouvem-na melhor e… «silêncio que se vai cantar o fado!»… Nada disso! No mesmo ritmo frenético, as imagens continuaram; havia tentativas de se ver se Carminho vinha de preto ou de vermelho; as vozes de indignação impediam uma audição perfeita e estou convicto de que, apesar de se ter declarado muito contente por estar ali a actuar, Carminho gostaria de ter tido um público mais atento e silencioso. O Sr. Presidente ainda veio até à porta, antes do fado, e os circunstantes aproveitaram para lhe dizer do seu descontentamento, falarem da pirosice da passadeira vermelha e das velinhas, da falta de visão de quem terá sido pago para organizar o ‘evento’. Todos nos interrogávamos como era possível isto estar a passar-se em Cascais…
            Carminho quase nos ia apaziguando, no final, cantando para além de uma hora, na voz doce e profunda que muito lhe admiramos. E esperamos que volte, noutro cenário."

Faço minhas as palavras do meu ilustre amigo José D'Encarnação no seu "Notas e Comentários"
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