Segunda-feira, dia da partida. O plano era ficar um dia em São Miguel e voltar para Lisboa no dia seguinte-terça.
Como adormecemos exaustos no domingo, na manhã de segunda foi fazer as malas à pressa e ir buscar a minha amiga Rosa à casa onde estava a pernoitar. Cheios de pressa, estacionámos o carro, onde fiquei com a Ana, enquanto mámen foi bater à porta para que avisar a minha amiga que chegáramos e darmos todos à sola. De dentro do carro começo a ver mámen armado em parvinho a falar para a porta e... nada de Rosa sair de casa! "Maaaauuuu. Mas apanhou chuva na moleirinha ou quê?"
De repente, vejo-o voltar ao carro, com ar stressadíssimo. Mr. Prezado, que ficaria um dia mais em São Jorge, saira de manhã de casa (onde estava com a Rosa) e, convencido que nós já teríamos embarcado, fechou a porta à chave. A porta e a Rosa que, sem rede de telemóvel não pudera pedir ajuda. As janelas do rés-do-chão da casa davam todas para o lado oposto ao da porta e... para o mar! Brilhante!
Como também nós não tínhamos rede naquela zona carregámos no turbo e vai de procurar Mr. Prezado algures em Las Velas, quando demos pelo estupor tranquilamente sentado numa esplanada no outro lado da vila. Agarrar na chave na operação da PJ "Free Rosa!" e dar de frosques para o aeroporto.
A caminho do aeroporto vemos o avião a chegar. Deixem-me relembrar que estávamos numa ilha e que o mesmo avião que aterra e faz descarregar passageiros e mercadorias é o mesmo que em poucos minutos descola levando novos passageiros e mercadorias. Nós e as nossas malas, portanto.
Numa viagem à Faísca McQuenn lá chegámos ao aeroporto, com o check in a fechar. O que vale é que a senhora do check in vinha a ser prima do vizinho do primo de mámen e lá nos fez o favor de despachar a nossa bagagem. Mas... onde estava o meu cartão de cidadão? Malas outra vez para trás na passadeira rolante, medalhinhas de ouro para um lado, saco da roupa suja para outro, nada de cartão de cidadão. Na sala de embarque, ali ao lado e separada por um vidro, toooodos os passageiros me deitavam um olhar de raiva pelo atraso que eu estava a causar. Finalmente, a Rosa saca, não sei de onde, do cabrão do cartão e voamos para a sala de embarque onde, como resposta ao olhar de ódio profundo dos restantes passageiros, decidi pegar na miúda ao colo e evocar a minha prioridade, acabando por ser a primeira de todos a embarcar. Pronto, agora odeiem com razão!
São Miguel é, oficialmente, a minha ilha do coração (se alguém souber de um emprego para mim em São Miguel, mudo-me já, sem pestanejar!). O tempo estava bonito, alugámos um carro catita, visitámos todos os spots: furnas, lagoa das furnas, fábrica do chá Gorreana, lagoa do fogo e lagoa das sete cidades. Tudo tão perfeito que, assim que abanquei nas Portas do Mar para jantar e beber a minha última kima de maracujá, comentei que estava a correr tão bem que parecia mentira. E era.
O meu querido penso do pé começou a ficar muito babado e era inevitável ir até ao hospital Faltava-me mais alguma coisa do que acabar as férias nas urgências?
No hospital com mámen a amparar-me dei de caras com um enfermeiro giro, giro, na triagem. Mas tão giro que eu já não via um homem assim tão giro ao vivo há uns bons meses. A dor do pé até aliviou um bocadinho com aquele consolo visual. E ainda por cima, simpático. Como era a primeira vez que estava no hospital era necessário preencher uma ficha. E perguntam vocês qual a primeira pergunta que o enfermeiro giro, giro, me faz? Bem que deixei escorregar a manita esquerda mas mámen deitou-me um olhar fulminante e lá tive que responder "casada" à pergunta idiota sobre o meu estado civil. Mas qual era a pertinência daquela questão para a terapêutica do meu pé, caramba?
A noite foi terminada em casa da minha amiga Susana com a trupe da querida Almofariza, que nos emprestou uma casa chiquíssima em Porto Formoso para pernoitarmos. Bebemos, comemos e rimo-nos muito. Era o que precisava para dar o mote "tudo está bem quando acaba bem" às férias atribuladas.
Deitámo-nos e eram 5 da manhã acordámos para estarmos no aeroporto sem precalços para o check in. Muito vento, a casa a abanar, candeeiros a dar a dar. Uns pensaram que estavam meio tontos, outros que raio de Porto Formoso vinha a ser aquele com tanta ventania, outros (eu) que o pai da Almofariza nos tinha vindo acordar para não chegarmos tarde ao check-in e que tinha feito uma chinfranzeira de barulho descomunal e outros (que eu não acuso mámen nem que me cortem o pescoço) continuaram a ressonar "só mais um bocadinho, já vou, vai tu à casa de banho primeiro".
No aeroporto a primeira pergunta foi: "assustaram-se muito com o sismo?". Desatei a rir que nem louca. Era só mesmo isto que nos faltava.
A resposta dou-vos agora :"falando mesmo a sério, a parte menos tétrica de todas as férias foi, precisamente, a do tremor de terra".
Tarefa cumprida: temos miúda baptizada.
Pela primeira vez. Que vamos organizar um segundo baptismo no Continente, para celebrarmos termos sobrevivido para contar as peripécias aos amigos de cá.
São Miguel é, oficialmente, a minha ilha do coração (se alguém souber de um emprego para mim em São Miguel, mudo-me já, sem pestanejar!). O tempo estava bonito, alugámos um carro catita, visitámos todos os spots: furnas, lagoa das furnas, fábrica do chá Gorreana, lagoa do fogo e lagoa das sete cidades. Tudo tão perfeito que, assim que abanquei nas Portas do Mar para jantar e beber a minha última kima de maracujá, comentei que estava a correr tão bem que parecia mentira. E era.
O meu querido penso do pé começou a ficar muito babado e era inevitável ir até ao hospital Faltava-me mais alguma coisa do que acabar as férias nas urgências?
No hospital com mámen a amparar-me dei de caras com um enfermeiro giro, giro, na triagem. Mas tão giro que eu já não via um homem assim tão giro ao vivo há uns bons meses. A dor do pé até aliviou um bocadinho com aquele consolo visual. E ainda por cima, simpático. Como era a primeira vez que estava no hospital era necessário preencher uma ficha. E perguntam vocês qual a primeira pergunta que o enfermeiro giro, giro, me faz? Bem que deixei escorregar a manita esquerda mas mámen deitou-me um olhar fulminante e lá tive que responder "casada" à pergunta idiota sobre o meu estado civil. Mas qual era a pertinência daquela questão para a terapêutica do meu pé, caramba?
A noite foi terminada em casa da minha amiga Susana com a trupe da querida Almofariza, que nos emprestou uma casa chiquíssima em Porto Formoso para pernoitarmos. Bebemos, comemos e rimo-nos muito. Era o que precisava para dar o mote "tudo está bem quando acaba bem" às férias atribuladas.
Deitámo-nos e eram 5 da manhã acordámos para estarmos no aeroporto sem precalços para o check in. Muito vento, a casa a abanar, candeeiros a dar a dar. Uns pensaram que estavam meio tontos, outros que raio de Porto Formoso vinha a ser aquele com tanta ventania, outros (eu) que o pai da Almofariza nos tinha vindo acordar para não chegarmos tarde ao check-in e que tinha feito uma chinfranzeira de barulho descomunal e outros (que eu não acuso mámen nem que me cortem o pescoço) continuaram a ressonar "só mais um bocadinho, já vou, vai tu à casa de banho primeiro".
No aeroporto a primeira pergunta foi: "assustaram-se muito com o sismo?". Desatei a rir que nem louca. Era só mesmo isto que nos faltava.
A resposta dou-vos agora :"falando mesmo a sério, a parte menos tétrica de todas as férias foi, precisamente, a do tremor de terra".
Tarefa cumprida: temos miúda baptizada.
Pela primeira vez. Que vamos organizar um segundo baptismo no Continente, para celebrarmos termos sobrevivido para contar as peripécias aos amigos de cá.
















