quarta-feira, 21 de junho de 2017

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Catarina (35)



A Catarina é leitora deste blog.
Uma tipa inteligente e audaz, perspicaz e boa gente.
A Catarina viveu cercada pelo Inferno, viu os cenários das suas memórias, os espaços que pertencem às suas lembranças, vida vivida, terras com raízes suas confundidas com as das árvores arderem assim.
A Catarina não conseguia dar notícias e eu rezei por ela. Não a conheço pessoalmente mas sei-a inteligente e audaz, perspicaz e boa gente.
Eu não sou de apontar dedos, ruminar em culpas, preocupar-se com acusações políticas. Lá chegaremos quando as terras e as cinzas estiverem arrefecidas.
A Catarina esteve assim e eu fazia refresh de minutos a minutos no seu perfil de facebook. E rezava. E eu não sou de rezar.
Mas quando a impotência nos esbofeteia a cara, nada nos resta senão sermos humanos e vulneráveis, humildes e crentes num desfecho com vida. Porque aqui - não haja enganos- há apenas desfechos porque não há nenhum final feliz.
Sejamos humanos e rezemos, oremos, enviemos energias positivas, façamos figas ou o que nos aprouver. Juntemo-nos para acrescentar e sejamos humanos e empáticos.
A Catarina- inteligente e audaz, perspicaz e boa pessoa- está bem. E eu vergo-me à sua valentia, faço uma vénia à sua coragem.
"Acredita, mesmo para mim que estava em cima do telhado na minha melhor versão gata em telhado de zinco quente islâmica, a sensação de me limitar a meter água e de esperar que o fogo venha ter connosco é só pior..."
Tenho um novo herói: Catarina, a grande.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os finalistas (com chapéu de cartolina preta à americana e tudo)

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Tenho assistido, por força do trabalho do homem cá de casa, a um fenómeno interessante que surgiu nos últimos anos: as festas de finalistas. 
No meu tempo éramos finalistas em duas fases da nossa vida: no fim do secundário e no término da universidade. Tal como éramos caloiros no primeiro ano da universidade, apenas. Aparentemente, sou do tempo dos dinaussáurios. 
Hoje em dia vejo festas de "finalistas" no último ano do Jardim de Infância, no quarto ano das escolas primárias, no nono ano dos liceus e por aí além. Tenho, ainda assistido, em fotografias do facebook da minha rede um proliferar de fotografias de meninos a envergarem pseudo-capas académicas e chapéus de finalistas à americana, feitos de cartolina preta, alguns até (heresia!) com capas com fitas autografadas pelos colegas da escola primária. Que irão rever no quinto ano...
Hoje toda a gente foi finalista uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes e , finalmente, finalista- finalista na universidade. Também há os finalistas no último cinturão do judo, os finalistas na nataçao, no centro de línguas e na catequese. Já não aguento finalistas!
Temo o dia em que, à saída da maternidade, "adeus-adeus vamos para casa", alguma enfermeira espete um chapéuzinho de cartolina ou de feltro, vá, na cabeça de um bebé e uma faixa à miss a dizer "Finalista do berçário". Na colónia de férias, um monitor se encarregue de "finalistar" as crianças no último dia com o título de "finalista da praia 2013". 
Porque ser finalista deixou de ser um título único, que coroa o fim definitivo do percurso escolar de um indivíduo e passou a ser um título cíclico, um título ocasional, a fazer perder o encanto que têm os títulos que demoram a alcançar, a deixar cair a magia dos títulos que implicam tempo, esforço, trabalho... acumulados. Porque ser finalista passou a ser banal.
Chegaram ao fim deste post? Boa, vou ali buscar a cartolina para vos fazer um chapéu. Considerem-se leitores finalistas do presente post. 
Eferreá!

[Repost]

A genética não foi minha amiga (mas quem tem uma mãe tem tudo ;) )

A minha mãe sabe fazer malha. Crochet. Penteados maravilhosos nos cabelos da Ana. Fazer bainhas. Pregar botões. Trabalhar com trapilho. Cartonagem. Forrar com tecidos todos os objectos possíveis e imagináveis. Bricolage variada. Dá uns toques de costura. Fazer vestidos de Carnaval com sacos de lixo se for preciso. Pintar a miúda no Carnaval sem que pareça uma travesti. Fazer o melhor bolo de bolacha do Mundo. E salame. E bolinhas de côco. Decorar todas as canções infantis para ensinar à neta. Sabe fazer macramé. Trabalhar com madeira. Fazer bijuteria e laços para o cabelo da Ana. Desenhar bem. Pintar bem. 

Eu?

Foto de Liliana (Pólo Norte) Caridade.


Foto de Liliana (Pólo Norte) Caridade.


Eu sei fazer-lhe olhinhos de gato das botas do Shrek.


(O meu mural de espanta-espíritos hygge, feito pela minha mãe, é oficialmente o mais bonito do Mundo].

O tipo de ídolos que gostaria de ensinar a minha filha a admirar

                                             Ines Alves, 16, fled yesterday’s inferno from the 13th floor of the block in West London


Bravo, Inês! Bravo!


[Crowdfunding para ajudar a família da Inês: aqui.]

This is us ou a revolta dos psicoterapeutas

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Não sou uma pessoa de séries: não saco nada da internet pirateado, não gosto de esperar o regresso de novos episódios semana após semana, muito menos de esperar novas temporadas, esqueço-me de gravar episódios quando não estou em casa, às vezes estou semanas sem ligar a televisão e não sou metódica nem como espectadora.
Mámen, ao contrário de mim, tem uma adição tão grande que, para não se deixar viciar, opta por nem sequer começar a ver. À excepção de mini-séries de carácter histórico (papa-as todas como apaixonado por História que é...) e da Guerra dos Tronos, que este ano promete estragar-me a festa de aniversário cá em casa, tal o entusiasmo que para aqui vai já a contar os dias que faltam para 17 de Julho. 
Bem, estou a dispersar porque do que eu quero mesmo escrever é desta série que tem o condão de me prender, aliás, de nos prender aos dois, à televisão desde que a nossa amiga Ana Margarida nos falou dela. 
"This is us" é uma série tão boa, mas tão boa, que o título consegue ser o pitch perfeito para se apresentar a si mesma.
É uma série onde as nossas vidas, as vidas de cada um de nós, com histórias diferentes e opostas, com contextos e trajectórias tão díspares conseguem encaixar em cada episódio: o meu casamento no casamento de Randall e Beth,  o nosso estilo de parentalidade cool  reflectido na parentalidade do Jack e da Rebecca, a minha história de resgate do amor na história de Kevin e Sophie, a  pressão com a necessidade de perfeição do corpo e a fome emocional de Kate, a morte e os lutos mal resolvidos a emergirem com a morte de William, o adeus à vida executiva após perceber que ninguém recebe medalhas por trabalhar de sol a sol como Randall and so on and on. 
"This is us" é- so far- a minha série preferida de todos os tempos. E a única que me consegue levar do riso às lágrimas em minutos, da discussão em voz alta à introspecção em segundos, da chamada para reagendar psicoterapia à edição de posts deste blog em milésimos de segundo. 
"This is us"? Sim. No que me toca, "this is so fucking me!"


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Está oficialmente inaugurada a silly season




"Al bailar el mundo entero comendo marisco
Que es la fiesta del camarón

 Camarón, camarón, hay que picazón ´
Se me pone la cara roja y mi palpita el corazón"

Epá, nem sei que diga...


[Aguardo pelas faixas da ameijoa, da conquilha e do mexilhão...]

 [Ainda fui ver duas vezes se não era a Ana Malhoa. Juro. ]

Mea-culpa no Divertidamente



Só agora assistimos ao filme "Divertidamente".

A Ana perdeu o interesse a meio do filme e eu e mámen continuámos, entusiasmados, a visioná-lo até ao fim.

No fim mámen elogia o guião. Eu torço o nariz e contra-argumento que aquilo não está bem feito e que tem imprecisões.

"Como imprecisões?"- diz-me o psicólogo de serviço.

"Meu caro, na cabeça da mãe da Riley quem comanda o centro de operações é a tristeza. Toda a gente sabe que, para a história ser credível, só haveria uma personagem no cérebro da mãe. Uma personagem bem gooorda, espaçosa e amarela: a culpa. "



A CONHECER | O paraíso do Dão














Rio. Cerejas colhidas directamente das árvores das redondezas. Barragem. Cerejas, Vinho frisante. Cerejas. Calor. Cerejas. Piscinas. Cerejas.  Sossego. Cerejas. Paz.  Cerejas. Simpatia. Cerejas. Sol.

[Referi as cerejas?]


Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa: so far, o sítio mais paradisíaco em Portugal para uma escapadinha. Melhor? Só com  (ainda mais) cerejas.





Encontrar um resort paradisíaco em Portugal

Quem? Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa
Onde? Vale da Aguieira, 3450-010 Mortágua 
Contacto: 231 927 060 
Saber mais? Aqui

terça-feira, 6 de junho de 2017

Parabéns, mámen!



Assume que ainda lhe custa. Muitos dias. Não todos. Que ainda lhe apetece. Muitos dias. Não todos. Que seria mais fácil recomeçar. Mais prazenteiro. Melhor. 

Ainda assim mantém a sua posição de pedra e cal. Mámen escolheu parar de fumar há um ano e eu sinto um orgulho desmedido nele. 

Bravo, grunguinho!


[Para quem quiser deixar de fumar, recomendo a leitura do método aqui de casa aqui. E do método de uma grande amiga aqui. E coragem!]

Coisas bonitas em Junho: Ariana, (a) Grande



"What's wrong with the world?"

E penso na minha máxima da idade adulta: ""When injustice becomes law, resistance becomes duty."

Bravo, Ariana (a) Grande!



Letra para a comunidade surda:

[What's wrong with the world, mama
People livin' like they ain't got no mamas
I think the whole world addicted to the drama
Only attracted to things that'll bring you trauma
Overseas, yeah, we try to stop terrorism
But we still got terrorists here livin'
In the USA, the big CIA
The Bloods and The Crips and the KKK
But if you only have love for your own race
Then you only leave space to discriminate
And to discriminate only generates hate
And when you hate then you're bound to get irate, yeah
Madness is what you demonstrate
And that's exactly how anger works and operates
Man, you gotta have love just to set it straight
Take control of your mind and meditate
Let your soul gravitate to the love, y'all, y'all
People killin', people dyin'
Children hurt and you hear them cryin'
Can you practice what you preach?
Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love (Love)
Where is the love (The love) [2x]
Where is the love, the love, the love
It just ain't the same, old ways have changed
New days are strange, is the world insane?
If love and peace are so strong
Why are there pieces of love that don't belong?
Nations droppin' bombs
Chemical gasses fillin' lungs of little ones
With ongoin' sufferin' as the youth die young
So ask yourself is the lovin' really gone
So I could ask myself really what is goin' wrong
In this world that we livin' in people keep on givin' in
Makin' wrong decisions, only visions of them dividends
Not respectin' each other, deny thy brother
A war is goin' on but the reason's undercover
The truth is kept secret, it's swept under the rug
If you never know truth then you never know love
Where's the love, y'all, come on (I don't know)
Where's the truth, y'all, come on (I don't know)
Where's the love, y'all
People killin', people dyin'
Children hurt and you hear them cryin'
Can you practice what you preach?
Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love (Love)
Where is the love (The love)? [6x]
Where is the love, the love, the love?
I feel the weight of the world on my shoulder
As I'm gettin' older, y'all, people gets colder
Most of us only care about money makin'
Selfishness got us followin' the wrong direction
Wrong information always shown by the media
Negative images is the main criteria
Infecting the young minds faster than bacteria
Kids wanna act like what they see in the cinema
Yo', whatever happened to the values of humanity
Whatever happened to the fairness and equality
Instead of spreading love we're spreading animosity
Lack of understanding, leading us away from unity
That's the reason why sometimes I'm feelin' under
That's the reason why sometimes I'm feelin' down
There's no wonder why sometimes I'm feelin' under
Gotta keep my faith alive 'til love is found
Now ask yourself
Where is the love? [4x]
Father, Father, Father, help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love?
Sing with me y'all:
One world, one world (We only got)
One world, one world (That's all we got)
One world, one world
And something's wrong with it (Yeah)
Something's wrong with it (Yeah)
Something's wrong with the wo-wo-world, yeah
We only got
(One world, one world)
That's all we got
(One world, one world)]

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Luísa

Foto de Liliana (Pólo Norte) Caridade.



Na sala de espera deste hospital penso em ti. Ataco por todas as frentes: oro, desejo coisas boas, projecto energias positivas, penso pensamentos bonitos. 
Nascer ao entardecer é bonito e poético como se a vida se anunciasse tranquila e doce, serena e dolente. 
 Na banca do mercado vi-as. A senhora que mas vendeu garantiu-me que eram as primeiras e as mais frescas, pronúncio de um novo dia que começa em vós, da frescura do Verão que a tua vinda anuncia, inaugura e celebra. 
 Que a tua vida seja assim: simples, bela, meiga e doce. Perfumada. ~

Um beijo da tia moura

domingo, 7 de maio de 2017

Feliz dia da Ana Maria


Nasci de 32 semanas. Antes do tempo, para lá do que se tinha desejado, longe do que se tinha projectado. 
Ela tinha 20 anos e quando pariu levaram-lhe o bebé para longe do colo, perto dos médicos, das máquinas e das incubadoras. Ela não sorriu no dia em que foi mãe, antes do tempo, para lá do ideal que se tinha desejado, longe do que tinha projectado, sonhado, construído na sua cabeça e nos seus planos. Ela não recebeu os parabéns no dia em que se tornou mãe, só o choque, o medo, as lágrimas. Ela não pode ser mãe de colo, de mama, de toque, de cheiro até que dois meses depois me trouxe para casa. Para o seu regaço. Para o lugar onde sempre pertenci e não pude logo morar. 
Ela foi mãe (é mãe) todos os dias da sua vida desde então. Eu passei todos os dias da minha vida a tentar recuperar-lhe o sorriso, a tentar dar-lhe motivos para se sentir orgulhosa e parabenizada pela pessoa em que me tornou, para ser a melhor filha que eu consigo ser. 
Nós crescemos uma com a outra, acertámos os relógios e passámos a estar no tempo certo, a sermos aquilo que desejamos ser (livres, sempre livres), a projectarmos coisas simples: colo, presença, amor. Nós somos uma da outra, desde aquele primeiro dia que percebemos que nada nos poderia apartar, nem o tempo, nem os sonhos ou anseios e muito menos os planos. 
Para a minha mãe só quero sorrisos. 
Parabéns mãe, não os que não te deram no dia em que te tornaste mãe mas os que mereces pela mãe que és desde então: a melhor. 
Feliz dia da Ana Maria. Porque MÃE só há uma. A minha.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O Mundo divide-se (edição "fuck my life")

O Mundo divide-se entre as pessoas que já enviaram um email com a frase "junto envio-lhe um peido" ao invés de "junto envio-lhe um pedido" e as outras. 

Selecção natural das espécies aplicada ao Facebook em 3 passos

1- Eliminem-se todos os contactos que partilham notícias da cnnotícias.net ou posts que apregoam "TAP Portugal está oferecendo gratuitamente dois bilhetes para todos em seu aniversário", pessoas que partilham as crónicas do Henrique Raposo,  pessoas que escrevem "Boa noite minha jente linda do facebook, kero comentários!", gente que posta fotografias de uma imagem de uma santa acrescentando "SE TENS FÉ PARTILHA ! Esta foto deve correr o mundo, para ver se o Mundo fica melhor. Obrigado a Nossa Senhora de FÁTIMA #amém", gente que escreve status anti-vacinas, anti-acolhimento de refugiados, e anti coisas que são tão básicas que dói, pessoas que alinham em "Desafio amor próprio, aceito! Se você não foi marcada, não fique brava, pois eu só marquei quem eu acho que realmente vai topar desafio! Poste 1 foto sua em que você esteja sozinha e marque 25 ou mais mulheres do seu facebook. E se marquei você, é por que eu acho vc linda e poderosa.", pessoas que partilham telediscos de kizomba (sim, eu digo telediscos, não me chateiem!), senhoras que postam frases como "em cima da cadeira" ou "na gaiola do canário" para sensibilizarem para o flagelo do cancro da mama e afins. 

2- Depare-se com uma sensação de paz profunda.

3- Curta a solidão.

Bom dia!



Quando o nosso filho crescer
Eu vou-lhe dizer
Que te conheci num dia de sol
Que o teu olhar me prendeu
E eu vi o céu
E tudo o que estava ao meu redor
Que pegaste na minha mão
Naquele fim de verão
E me levaste a jantar
Ficaste com o meu coração
E como numa canção
Fizeste-me corar

Ali
Eu soube que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele ficar maior
E quiser saber melhor
Como é que veio ao mundo
Eu vou lhe dizer com amor
Que sonhei ao pormenor
E que era o meu desejo profundo
Que tinhas os olhos em água
Quando cheguei a casa
E te dei a boa nova
E que já era bom ganhou asas
E eu soube de caras
Que era pra vida toda

Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele sair e tiver
A sua mulher
E quiser dividir um tecto
Vamos poder vê-lo crescer
Ser o que quiser
E tomar conta dos nossos netos
Um dia já velhinhos cansados
Sempre lado a lado
Ele vai poder contar
Que os pais tiveram sempre casados
Eternos namorados
E vieram provar

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Que foi contigo a minha vida toda

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Foi um amor para a vida toda

Foi um amor para a vida toda

Carolina Deslandes

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A CONHECER | Histórias por metro quadrado



                            

É sobejamente conhecido o meu amor por Aveiro. Se Cascais é a minha vila porque nasci a amá-la, Aveiro é a cidade que o meu coração escolheu para amar, assim,conscientemente e racionalmente, sem deixar de ser pela paixão arrebatadora que se renova de cada vez que volto. 

Aveiro tem luz e pessoas luminosas, tem ria e mar, tem bicicletas com gente de todas as idades penduradas como se fossem feitas de nuvens em vez de matéria orgânica, tem tripas de ovos moles e bolachas americanas e tem o Casablanca e a Vagueira de todas as memórias felizes da minha infância, palco do meu primeiro beijo. 

Usualmente presa ao passado, desta vez decidi que era altura de conhecer as novidades, de me render ao novo e desconhecido, de me embrenhar nesta Aveiro cosmopolita e urbana para lá das casas riscadas da Costa Nova do Prado e do meu coração.

O Histórias por metro quadrado não é um hotel nem um hostel: fica ali no meio, entre o luxo e o design instalado e o pitoresco e o caseiro improvisado. Diria que é um boutique hotel de charme e design, pequeno em número de quartos mas grande em comodidades, com uma equipa de colaboradores feliz e bem disposta e que se nota que lá gosta de trabalhar, o que é indício de que fizemos a escolha certa para pernoitar. 

A localização, a 5 minutos dos canais e a 1 minuto a pé da Praça do Peixe, é soberba. O edifício- um antigo armazém da alfândega restaurado- com personalidade e ADN. Os quartos pequenos e elegantes, diferentes e clean, responderam o minha resistente onda hygge. 



À noite ainda tivemos tempo para ir beber um chá à charmosa Casa de Chá Arte Nova, numa noite de Primavera que parecia de Verão ou talvez o sol estivesse em mim, tão feliz que sou sempre que ali volto. E antes de dormir ainda cedi ao capricho de uma tripa de ovos molos, ali na Praça do Peixe. Tudo isto sem andar mais que 100 metros, caramba, que delícia!

                       

Mas a surpresa estava reservada para o pequeno almoço caseirinho e pouco tradicional no retaurante com uns murais maravilhosos e um ambiente colorido e energético e que foi o factor "wow" da estadia. Mais não conto, deixo-vos com as imagens. 

                      

   

Um beijinho para todo o staff que tão bem nos recebeu, em especial para a Maria João e para a Flávia- distinta pólete que me falou do espaço- e que poderão conhecer caso se desloquem à Histórias por metro quadrado e pedirem um arroz árabe à moda quadripolar. 

Ela saberá o que vos responder.

[Querem saber mais? Aqui.]

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem perante alguém a espirrar diz "santinho" e entre quem diz "saúde".

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Maldito algoritmo do facebook

Uma pessoa anda a discutir com gente new age anti-vacinas e fadinhas e floribelas e logo o facebook faz das suas e sugere likes em páginas coiso:


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tenho um casal amigo...

Era uma vez um casal que foi almoçar a dois num restaurante bonito, perto do rio, e para além de uma excelente feijoada de marisco, decidiu beber dois jarros de vinho frisante de pressão fresquíssimo.
A ideia era regressarem à quinta onde sogros e filha estavam e fazerem uma sesta para curar o alegretto.
Assim que chegaram, a família empurrou-os para dentro do carro para irem all together lanchar a Viseu.
Passados 10 minutos, o membro masculino do casal -sem saber como- deu por si a patinar numa pista de gelo com a filha.


O resto deixo para a vossa imaginação.

terça-feira, 14 de março de 2017

14 de Março de 2017: à minha avó Ana




Eu era feliz mas não sabia muito bem o que era isto de ser feliz. Talvez, quando somos pequenos, acreditemos tanto na sobredimensão das coisas que achamos que o que sentimos ainda não é aquilo, não é bem o auge, falta sempre um bocadinho. Talvez por sermos pequenos e, mesmo assim, já termos tudo o que é importante desconfiemos que a vida não pode ser só aquilo, que tem que haver mais para a frente, mais e melhor,
Talvez seja esta a magia da felicidade, quando a temos no expoente máximo: não a intectualizarmos, não a trazermos à razão e ao pensamento, vivermos naturalmente como se aquilo fosse a norma, como se viver, assim, feliz e tranquilo, fosse tão natural como respirar. 
Acordar espreguiçando-nos, comer papa com remelas nos olhos, ver desenhos animados na televisão, chegar à escola com alegria por reencontrar os amigos, aprender coisas novas que vão de encontro à nossa curiosidade, ter a sensação de que hoje se sabe mais que ontem, brincar e fingir que podemos ser o que quisermos, sendo-o, efectivamente, transformar um galho num cavalo, flores de amoreiras em pequeninas jóias, sentir alegria genuína quando o meu avô, montado na sua bicicleta, me ia apanhar à escola e me dava boleia na parte de trás, chegar a casa e comer o pão com manteiga aquecido no bico do fogão, o cheiro da minha avó, o beijo na sua pele enrugada e macia, esperar a minha mãe chegar do trabalho, fazermos juntas os trabalhos de casa, jantarmos todos- apertados- na mesa redonda que ocupava mais de metade da sala, adormecer sempre com alguém preocupado em dar-me um beijo de boas noites e garantir que estava tapada. 
Depois, talvez pela adolescência, estraga-se tudo numa partida inglória de hormonas, leitura de maus escritores e questões filosóficas que nos atormentam a moleirinha e pagamos a factura- bem cara- o resto das nossas vidas, à procura da felicidade que se teve sem fazer nada, de mão beijada, sem qualquer mérito próprio, só porque tivemos a sorte de nascer rodeados de afecto e termos por perto uma data de pessoas para quem somos prioridade, que se importam connosco, que nos amam incondicionalmente só porque fazemos parte delas, porque lhes pertencemos, porque somos todos primeira pessoa do mesmo plural. Nós. 
Passei grande parte da minha idade adulta a gerir hormonas, a preterir escritores e a seleccionar outros novos, a ler gente melhor e a domar todas os meus fantasmas kafkianos Acho que o resto da minha vida vai ser passado a recuperar o que já tive. Não são coisas complicadas, talvez seja isso que aprendemos o resto da vida e que desconfiamos por serem todo um cliché: a felicidade está mesmo nas pequenas coisas- o prazer de acordar com tempo para me espreguiçar, ver televisão sem preocupações na cabeça, só a curtir o programa, manter a curiosidade para aprender afastando a presunção de que já se sabe tudo, brincar sem receio do ridículo, experimentar ser o que quisermos e pudermos ser sem medo de mudar, de falhar, de tentar de novo, encontrar amigos com genuína alegria por estarmos juntos, olhar para a natureza como se cada ramo pudesse ser o que nos dita a nossa imaginação.
Talvez seja essa a tristeza de sermos adultos: a sensação de que não se podem recuperar pessoas. De que nunca mais estaremos completos. Que fomos, algures, felizes porque tínhamos junto de nós todas as pessoas que amávamos. Todas, sem excepção, sem lugares por preencher na mesa de Natal, sem datas no calendário por celebrar à força das pessoas que partiram, de não faltar, absolutamente, ninguém para termos o coração cheio desse afecto bom de quem nasceu connosco, de quem sempre lá esteve. Nós.
A angústia de sermos adultos é este entalamento de não conseguirmos que coexistam no tempo quem nos fez"nós" e quem criámos enquanto "nós", passado e futuro, felicidade completa do afecto de quem nos protege, de quem nos quer acima de todas as coisas, de quem nos ensinou o que é ser amado com o afecto de quem nos cabe a nós proteger, de quem queremos acima de todas as coisas, de quem nasceu para nos fazer aprender a arte de sermos nós a ensinar o amor. 

88 anos.
Hoje a minha avó celebraria 88 anos.

E a sua ausência nunca permitirá que eu volte a sentir uma felicidade completa, uma felicidade de fechar os olhos e sentir que alguém me beija a fronte e me tapa o corpo, aconchegando-me e fazendo-me acreditar que não me falta absolutamente nada.
A minha avó faz-me falta todos os dias. Até que a morte não nos separe. A nós. 
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