domingo, 8 de agosto de 2021

Aos 9 de Agosto de 2021, à Ana por ocasião do seu 9º aniversário

Há nove anos era sobre mim. 

 Sabia que este era o último dia em que não seria mãe, o último dia em que seríamos dois, o último dia em que a minha vida seria diferente, não sabia eu do quê, mas diferente de certeza. 
Não me enganei. Mas não sabia nada, ainda assim. Porque quem está grávida de primeira viagem nunca consegue sequer imaginar um ínfimo com o que vai contar. 

Neste dia, há nove anos, eu não sabia. Achava que deveria ser bom. Nunca conheci nenhuma mãe com saúde mental não ser extraordinariamente feliz nesse papel. Portanto, iria ser bom, de certeza. Fosse lá isso da maternidade o que viesse a ser. Mas depois foi. Ou melhor, fui. Fui mãe, fomos três, foi a vida a dar a maior cambalhota de sempre. 

E essa foi a grande mudança: deixei de conjugar o verbo ser no singular e passei a fazê-lo num plural, apertado e simbiótico, do qual nunca deixarei de fazer parte. Nunca mais serei uma. Nunca mais serei só eu. Porque todas as células do meu corpo respiram para proteger e amar aquele ser pequenino, neste dia há nove anos, ainda mais pequeno, escudado pela minha carne, sangue, ventre, útero, entranhas. 

Amanhã finalmente cá fora, exposta ao Mundo mas, ainda assim, desde então, todos os dias engolida pelo meu amor, cuidado, preocupação e afecto. Protecção. 

 Há nove anos eu achava que já era mãe. E era. Mas nisto da maternidade todos os dias contam, todos os dias somo amor, instinto e a essência duma existência maior, mais robusta, mais fibrosa que só nasceu quando te pari, Ana. 

Amanhã fazes 9 anos mas hoje celebro eu 9 anos desde a minha despedida de ser uma, desde que deixei de existir só. Ser mãe é deixar de ser singular. Que passaste a ser o meu plural.

 Há nove anos que já não é sobre mim. E ainda bem, Ana. 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

quinta-feira, 17 de junho de 2021

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O Mundo divide-se entre...

... quem anda a googlar cenas da monarquia britânica e os outros.


[Amantes de "The Crown" unidos!]

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

domingo, 1 de novembro de 2020

8 anos

 



Porque é que não há comida azul? Porque é que os chás e o atum vêm em latas e as salsichas e o grão em frascos? Os búzios namoram com as conchas? Porque é que os famosos querem ser famosos se depois não gostam que os reconheçam e falem com eles? Porque é que os homens baixos não usam sapatos de salto alto? Os nervais têm poderes mágicos debaixo de água? Porque é que há queijo de vaca, cabra, ovelha e não há de porco? Porque é que o Japão que é uma ilha inventou o sushi para conservar o peixe e os Açores inventaram pacotes de leite e queijo? Porque é que há quem ache que o mundo não é redondo e embirram é com as crianças que acreditam em fadas? Se me dizem que as fadas não existem porque nunca as viram porque é que acreditam em Deus se também nunca o viram? Há países onde não há quatro estações do ano: como será a quinta estação do ano? Primaveral ou outoverno? Porque é que não há uma dança típica portuguesa para um casal dançar como o tango na Argentina e o flamenco em Espanha? Se há bonsais, não deveria também haver animaisais? Porque é que põem actores sem deficiência numa cadeira de rodas a fingir que têm deficiência se isso é tão estupido como pintar um actor branco para fingir que ele é castanho? Porque há um dia da igualdade se toda a gente sabe que devíamos era ter um dia da diferença? O papa é o CEO da igreja? Porque é que não há flores com as pétalas verdes? Porque é que há países onde o cabelo das mulheres tem que ser tapado por causa dos olhos dos homens: não deviam eram tapar os olhos deles? Porque é que se nasce a chorar em vez de a rir? Não devíamos aprender língua gestual na escola? Porque é que os cozinheiros mal criados é que têm programas na televisão em vez de serem os simpáticos e gentis? As fadas, os unicórnios e o Pai Natal vivem todos no mesmo Bairro? Como é que os meninos cegos constroem puzzles e fazem legos? Se os filhos nascem da barriga das mães, as mães quando têm que morrer não deviam murchar na barriga dos filhos?

Ana: há oito anos a abanar o meu Mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, em criança, fizeram visitas de estudo à Central de Cervejas e os outros.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O Mundo divide-se...

O Mundo divide-se entre os pais que forram os livros, mamam com as bolhas de ar, furam com agulhas, dizem palavrões e fica uma porcaria por demais e os outros.




 [Também há os que compram aquelas capinhas mas toda a gente sabe que isso não é parentalidade sofrida e com sacrifício, pré-requisitos essenciais nisto de se ser pai...]

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A Primavera em nós

 As pessoas perguntam como fazemos para isto durar há uma vida. 

As pessoas não sabem que isto não é uma vida são várias como nos jogos de computador que para passares de nível tens que correr, cair, descobrir truques para passares à próxima etapa, morreres às vezes e não frustrares e desligares a porra toda, insistires e recomeçares tudo certinho para avançares. 

As pessoas não sabem que isto não é uma vida são três: a minha, a tua e a nossa e as três desdobram-se em todas as vidas que já vivemos e as que estão por viver, tudo o que e quem já fomos, o que somos e o que mudamos, quem seremos e a incógnita do que está por vir. 

As pessoas não sabem que o desafio é acompanhar o ritmo da mudança um do outro e de nós e das circunstâncias (e de não as conseguirmos controlar tantas vezes) e no fim crescermos para o mesmo lado e não nos desencontrarmos nos patamares, na direção em que andamos e às vezes eu abrando e tu apressas-te, outras tu paras para eu te conseguir apanhar, às vezes tomamos balanço e avançamos muito e é incrível e se estamos os dois exaustos ou quase a perder-nos sentamo-nos a conversar à sombra da árvore do bem querer, caem folhas de cansaços e chove mas nunca deixámos de ter esperança que a Primavera é cíclica e volta sempre e que devemos esperar pelas flores. 

As pessoas perguntam-nos como fazemos para isto durar há uma vida e não sabemos explicar que nunca pensámos ou decidimos que ia durar todas estas vidas, limitámo-nos a viver, a errar, a falhar e a desejar e querer insistentemente acertar e a descobrir que é na companhia um do outro que as cegonhas fazem ninho no Mundo, as andorinhas regressam sempre e o amor é um pedaço perfeito de sol. 

As vidas mudam, nós mudamos mas, ano após ano, a Primavera nunca deixa de regressar

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