domingo, 24 de maio de 2020
quarta-feira, 8 de abril de 2020
segunda-feira, 6 de abril de 2020
O mundo divide-se entre...
... quem organiza os livros na estante por tamanho dos livros e quem organiza por ordem alfabética de autores.
sábado, 28 de março de 2020
Nova estratégia de mámen: embebedar-me.
O mundo divide-se entre quem prefere vinhos do Douro e quem prefere vinhos alentejanos.
sexta-feira, 20 de março de 2020
O mundo divide-se entre... (edição quarentena)
... os casados que dentro de nove meses serão pais e os que serão divorciados.
quarta-feira, 11 de março de 2020
terça-feira, 3 de março de 2020
segunda-feira, 2 de março de 2020
Confessem lá sobre as saudades que vocês tinham de uma quadripolarização
"Oi!
Ouvi dizer que te faltava a Ucrânia, portanto aqui tens a praça central de Kiev! A panorama ficou um bocado tremida porque isto foi na manhã depois de descobrir o vodka ucraniano...
De bónus, tens Prypiat, do alto de um prédio de 16 andares (bem contados, que subi a pé), com o sarcófago de Chernobyl a ver-se ao fundo! Tive de pedir o papel ao guia e deixá-lo na zona de exclusão, não fosse estar contaminado. xD
Beijinhos quadripolares radioactivos
Ana C."
Querida Ana: finalmente o teu email publicado e a Ucrânia quadripolarizada. Yeahhh!
[Conheçam todos os países já quadripolarizados aqui.]
[Conheçam todos os países já quadripolarizados aqui.]
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Papoilas e amor
Neste Carnaval ensinei a Ana a desenhar uma macaca no chão usando
apensas uma pedra pontiaguda, expliquei-lhe o que era ironia e treinámos
mais de meia hora o jogo que eu inventei para treinar ironia e que se
chama #sóquenão,
ensinei-lhe o que é uma duna e a magia de subir até ao topo duma e
descer a rebolar e cantámos juntas a música do Reininho, ensinei -lhe o
jogo da mamã dá licença, ensinei-lhe o sabor da erva azeda e não gostou
tal como eu não gosto, ensinei-lhe que
borboletas podem ser confundidas com fadas que nos protegem e, sem ela
saber, ensinei-lhe que as mentiras de mãe um dia serão compreendidas e
perdoadas, ensinei-lhe o que era um narciso do rio, juncos e lampreias e
que os mosquitos são o animal mais chato do Mundo, ensinei-lhe a
diferença entre um pato e um ganso e que com uma cana ou um pau as
caminhadas se fazem melhor, ensinei-lhe a beleza de um ramo de papoilas e
a secá-las no meio de folhas de um livro pesado e que temos que voltar a
fazer um herbário, ensinei-lhe que os gansos voam sempre em bando e que
as teias de aranha são a construção mais complexa do mundo, ensinei-lhe
o sabor da bolacha americana e o cheiro da Vagueira, ensinei-lhe que
para jogar uno convém arrumarmos o baralho todo por cores e qual a forma
das lagartas antes de virarem borboletas, ensinei-lhe o sabor do
orvalho roubado à pele de uma folha e a dor das urtigas nos dedos,
ensinei-lhe que ler ao sol numa varanda virada para o lago é catártico e
que as viagens de carro passam mais depressa se formos a cantar,
ensinei-lhe o que é uma casa de um guarda florestal e que dormir no meio
dos pais é a memória mais quente e íntima de toda a infância.
Ensinei-lhe pouco, neste Carnaval, comparado com o que ela me ensinou
que foi e é sempre tudo sobre o amor.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
Deus é sereia
Quando chegámos à Fuzeta olhaste para a areia com os olhos muito esbugalhados: taaaaantas conchas, mãe!
Eu sorri e convidei-te a descalçares-te e começaste a explicar-me que as sereias só visitam as praias com areias cheias de conchas. Que são estas conchas as jóias que as sereias já não querem usar e assim as disponibilizam aos humanos. E a cada concha que apanhavas havia uma expressão de espanto: olha esta toda riscada, olha esta com tantas cores de arco-íris por dentro, olha este búzio que enroladinho.
O gáudio de te ver durante mais de uma hora a maravilhares-te com pedaços do mar da cor dos teus olhos.
E quando o sol começou a mergulhar no horizonte sentaste-te, cansada e em silêncio, e encostaste-te a mim, sentadas à chinês no areal. E eu levantei-me, enfim, e enquanto virava as costas para irmos beber um chocolate quente ali no borda d’água e tu um chá de limão e aquecermo-nos, comecei a ouvir um barulho repentino da maré a encher, a água a subir inesperadamente, o mar há um minuto parado e quieto, agora, de repente, a manifestar-se.
Olhei para trás e estavas estarrecida: “mãe, shiiiiuuu! Ouve as sereias a abanarem as caudas debaixo do mar e a dizerem-nos adeus!”
E depois um sussurro: “adeus, sereias! Adeus!”
E ensinaste-me neste fim de tarde, Ana, tudo o que é importante saber sobre fé e amor, crença e sonho. Deus pode ter cabelos de algas e cauda de sereia.
Obrigada por trazeres até mim esse segredo sem filtros, como esta fotografia, como tu, querida Ana, meu grande amor.
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