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domingo, 27 de janeiro de 2019

Ana sobre o derby



Benfiquista convicta- filha de um sportinguista e de uma portista- ontem, antes do jogo, a Ana pergunta com a maior sinceridade:

"Não podem perder os dois?"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Todos os caminhos vão dar ao escroto



Estamos numa reunião de amigos e estou a contar as minhas peripécias sobre a minha visita a Roma. 

A Ana já me ouviu contar as mesmas peripécias um sem número de vezes a diferentes amigos e revira os olhos e afasta-se para brincar com as LOLs e eu aproveito a folga para me rir e desabafar que mámen quis ver todas as igrejas e estátuas e calhaus e que eu queria era ver restaurantes e mercados de rua e lojas giras e ruas pitorescas e quando uma amiga me perguntou "afinal, o que viram mais em Roma?" dei uma resposta parva e rimo-nos imenso. 

Aquilo passou e no domingo a Ana vai à catequese, esse local tão fértil de barracada quadripolar e no regresso começa a contar-me o que fez. 

"Pintámos uma história sobre Moisés."

"Ah, que giro! A catequese é bem gira, Ana! Estava lá a catequista de sempre ou ainda está doente?"

"Não, já não está doente desde que tu estavas em Roma, lembraste? Quando falei contigo no skype até de dei o recado dela a dizer para tu dares beijinhos ao Papa!"

"Ah, boa!"

"Ah, ela perguntou se sempre viste o Papa. E eu respondi que sim. E perguntou: "então, Ana o que é que a mãe viu mais em Roma?"

"E o que tu respondeste?"

"Ah, o que tu disseste no outro dia à tua amiga." (pausa enquanto me observa). Muuuitos escrotos. O que são escrotos, mamã?"

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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Uma aventura como fada dos dentes (Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada continuem a botar os olhinhos nestes guiões!)



Uma pessoa é mãe de uma criança em idade de mudança de dentes. 
Uma pessoa tem uma experiência prévia bem sucedida. 
Uma pessoa cria uma porta de fada dos dentes na parede do quarto da filha e sente-se uma super mãe no que confere à matéria dos dentes.
No primeiro dente caído uma pessoa comprou um peluche de unicórnio, escreveu uma carta assinando-se como a fada e ainda espalhou farinha maizena à laia de pó de fada.
A filha de uma pessoa rejubilou com a queda do primeiro dente e reacção da respectiva fada.
Uma pessoa recebe visita dos cunhados no dia a seguir ao Natal.
Uma pessoa entre sobras de bolo rei, doces expostos em mesas suplentes na sala, malas de roupa dos cunhados e toda uma rotina alterada com as visitas anda numa fona.
Uma pessoa acha-se capaz de lidar com uma fona.
No dia em que os tios chegam e menos de uma hora antes de os ir buscar ao aeroporto, cai o segundo dente da filha.
Uma pessoa percebe que não vai conseguir manter o standart ao nível da fadice dos dentes.
Uma pessoa pensa "agora vou buscá-los ao aeroporto e logo improvisamos".
Uma pessoa fica até às duas da manhã a pôr a conversa em dia com os cunhados.
A pessoa bebe gin dos Açores e fica ligeiramente entorpecida.
A pessoa adormece assim que mete o rabo na cama.
A pessoa é violentamente acordada pelo marido cinco minutos antes do despertador tocar e fazer um cagaçal para acordar toda a família.
O marido de uma pessoa suspira aflito: "Foda-se: a puta da fada dos dentes!"
Uma pessoa pensa "que classe!" enquanto se controla para não pingar nas cuecas tal o cagaço que apanha por acordar com esta prosa poética.
Uma pessoa e seu marido correm para o quarto da cria.
A filha de uma pessoa suspira quando sente a fada a mexer-lhe na almofada para lhe roubar o dente.
O marido de uma pessoa diz "shiiiiiiu e despacha-te, pá!"
A pessoa pergunta ao marido de uma pessoa pela moeda para meter no lugar do dente.
O marido de uma pessoa volta a praguejar baixinho e vai ao quarto remexer na sua própria carteira.
Uma pessoa, estremunhada e cheia de remelas, reza ao Santo Maló, padroeiro dos dentes, para a cria não acordar com toda aquela agitação.
O marido de uma pessoa volta com um ar de indignação total e estende uma nota de 20 euros acompanhada de um grunho: "não reclames, não tenho mais trocado e não podemos pagar a porra do dente com multibanco".
Uma pessoa pensa que vai passar a carta da fada porque aquela hora e depois de ser acordada daquela maneira nem escrever o nome sabe, quanto mais juntar palavras e construir um texto para uma carta.
Uma pessoa já está por tudo e numa acrobacia saca do dente debaixo da almofada, espeta a nota de vinte euros lá debaixo e dirige-se à cozinha para ir buscar a farinha Maizena para completar a tarefa.
Uma pessoa, de dente roubado em riste, ouve a filha de uma pessoa a acordar.
Uma pessoa, no pânico de ser apanhada em flagrante fado-delito, abre o armário de pequeno almoço e esconde o dentinho dentro de uma chávena de café.
A filha de uma pessoa acorda e fica extasiada com a nota de vinte euros que a fada lhe deixou.
O marido de uma pessoa exibe o maior sorriso paternal amarelo da história dos sorrisos paternais.
A filha de uma pessoa acorda os tios para mostrar a notinha azul que ganhou da fada dos dentes.
Uma pessoa faz o pequeno almoço para a filha de uma pessoa, põe a chaleira a aquecer para fazer o café batido para as visitas e liga a máquina de café de cápsulas.
O marido de uma pessoa vai à padaria para trazer pão fresco para a família.
A família feliz senta-se, finalmente, a tomar café e a comer pãozinho na paz do senhor.
Uma pessoa faz a sua rotina todo o dia.
Uma pessoa, como é sexta-feira e tem visitas, vai para um bar de cervejas artesanais curtir a cena.
Uma pessoa usa, inclusive, a casa de banho desse bar para fazer o número 2.
Uma pessoa ainda vai para a Fábrica Braço de Prata.
Uma pessoa chega de madrugada e ainda vai com o marido de uma pessoa e os cunhados para a cozinha fazer uma ceia.
O marido de uma pessoa pede-lhe que mostre o pequeno dentinho aos cunhados de uma pessoa.
Uma pessoa dirige-se ao armário para onde atirou o pequeno dente da Ana* para dentro de uma chávena.
Uma pessoa percebe que a pequena chávena foi a que usou para beber um merecido expresso de manhã, ao pequeno almoço.
Uma pessoa auto-flagela-se mais de uma semana até conseguir escrever este post. 
Uma pessoa questiona-se porque não se dedicou à vida religiosa e viveu uma vida de clausura sem marido nem filhos. 
Uma pessoa sofre muito. 
Dos nervos. 

[* Nome fictício para efeitos meramente exemplificativos]

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O segundo dia de missa da Ana# terceiro acto*

Na hora da saudação de paz na missa, as pessoas começam-se a saudar e a cumprimentar e ouço a Ana para os colegas da catequese que se sentaram ao lado:

"A minha mãe diz que não sou obrigada a dar beijinhos!"


[*Ia escrever um post sobre o assunto do dia mas a Ana explica tudo melhor que eu.]

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O segundo dia de missa da Ana# segundo acto

Meto uma moeda no porta-moedas da Ana para ela a poder dar na altura do ofertório.

Aproxima-se o rapazinho com o saco, vejo a Ana abrir o porta-moedas, olha com surpresa para a moeda de um euro, deposita-a pouco convicta no saco,olha para o rapazinho e pergunta:

"Podes dar-me o troco?"

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O segundo dia de missa da Ana# primeiro acto



O senhor padre começa a falar para os meninos da catequese em tom pedagógico A dada altura pergunta: - "Quem é o vosso melhor amigo?"


Todos os meninos em coro: "Jesuuuuuuuus. "


Ana numa vozinha esganiçada: "A Biiiiiiiaaaaa!"

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sexta-feira da terceira semana #2

Eu: "Mas porquê é que te portaste mal na segunda-feira e só me contas hoje? Estás-me a mentir. "

Ana (ofendida)- "Eu não! Só não te contei..."

Eu (a tentar manter o tom pedagógico mas já coiso)- "Oh, Ana: estás a brincar comigo? Não me contaste porquê?"

Ana - "Para teu bem..."

Eu (em choque)- "Para meeeeu bem?"

Ana- "Sim, para teu bem! Ias ficar triste com o meu comportamento cinco dias...

Eu: "E?.."

Ana (mega sorriso): "E? E assim só ficas um..."

Sexta-feira da terceira semana #1

Ana de manhã: "Mãe, que dia é hoje?"

Eu: "Sexta. Porquê?"

Ana (a enrolar): "Ah, esqueci-me de dizer que houve um dia desta semana em que me portei pouco bem."

Eu: "Pouco bem? Pouco bem como?"

Ana: "Assim um bocadinho para o mal..."

Eu: "Ana, não acredito! Em que dia da semana? Ontem?"

Ana: "Ahhhn, não: na segunda-feira."

Eu:" E só me dizes hoje?!"

Ana: Então, hoje é que é  o dia que a professora pinta as bolinhas e as manda para casa...

Querida fada dos dentes




... a miúda fez um ano e nada de dentes. Um ano. Doze meses. Nicles batatóides. De repente, à nossa volta, tooooodas as crianças ostentavam garbosas cremalheiras e a nossa ali estava, de sorriso de velhinha, sem um feijãozinho de dente sequer à espreita. Nós suspirávamos e relevávamos porque a miúda era tão fácil de criar e"a cavalo dado não se olha o dente" e tudo e tudo. 

Catorze meses, na altura em que nós ainda contávamos os meses. Zero dentes. Zerinho. Nem um para salvar a honra da nossa genética. Às escondidas via-o a procurar no google anomalias de dentes em crianças, seres humanos que nasciam sem dentes e outras atrocidades dentárias que tal. 

Dezasseis meses e guess what? Nada. Na-di-nha. As pessoas achavam graça à cara fofa e desdentada da miúda, que já andava e balbuciava algumas palavras, parecendo que tinha um desenvolvimento precoce. Só que não. Não era sobredotada: era subdentada! Isso mesmo: tinha era uns dentes retardados, atrasados, hibernados. Ou melhor, não tinha dentes. Nós ríamos mas eu, na verdade, verdadinha, andava também à sucapa a cirandar pelo Etsy e pela Amazon a tentar descobrir como mandar vir aquelas dentaduras postiças brancas e alvas que usam as meninas do Toddlers and Tiaras que isto há que encarar os problemas de frente e eu estava determinada a encontrar uma solução dentária para a menina, benzáDeus tão perfeitinha, loirinha e de olhos azuis e com este dentó-problema, misericórdia da Nossa Senhora das Cremalheiras. 

Dezoito meses (em linguagem de gente normal: um ano e meio) e ... uma pontinha branca, alva, uma pérola rara na boca da miúda! E no espaço de um mês começaram a romper-lhe dentes na gengiva como cogumelos. Em dois meses tinha um sorriso Colgate maravilhoso e nós suspirámos aliviados pelo milagre bucal. 

Desde então, querida fada dos dentes. temos sido colaborantes contigo. A miúda não come doces (porque não gosta, na verdade, aqui o mérito não é nosso!). Comprámos as pastas de dentes apropriadas para cada idade, as escovas certas e agora a escova eléctrica, ensinámo-la a usar fio dentário e compramos as fisguinhas de cores para a incentivar, até a porra da ampulheta dos dentes com ventosa para se colar no espelho e determinar o tempo que a miúda deve gastar na escovagem dos dentes, até a porra da ampulheta comprámos! 

Vamos à dentista regularmente (beijinhos Dra, Filipa Cordeiro!) e estávamos convictos que, uns dentes pequeninos, bem tratados e fofos que vieram com um ano de atraso tivessem maior tempo de validade, esperando que lá para os dez anos de vida da miúda- a avaliar pelo ritmo dentário- nos deparássemos com a queda do primeiro dente e o nascimento da primeira favola. 

A modos que não, ó senhora dona fada dos dentes! Na semana passada, na cadeira do dentista, apanhou-nos desprevenidos e incautos a Dra. Filipa anunciando que o dente da Ana estava a abanar. Troçámos e rimos, que não, que não, estava a ver mal, os dentes ainda estavam no prazo de validade, não podia ser.  Na-na-ni-na-na-não!

Viemos para casa incrédulos e em negação, excelentíssima senhora dona fada dos dentes, a acreditar que a médica dentista estava a delirar até que ontem, a trincar uma fatia do primeiro bolo de alfarroba que consegui fazer sem saber a papel de música, ali estava ele: o cabrão do dente a vacilar!

E a miúda em euforia porque já deve estar com saudades de ter uma varanda corrida nas gengivas e corrente de ar na boca, afinal já passaram quatro anos anos e meio. Só que não! SÓ passaram quatro anos e meio, tá?

Estúpida fada dos dentes, baza! Está bem que a miúda tem seis anos, está bem que esta é a idade que caem os dentes (devias ter-te lembrado da correlação entre idades e dentes lá pelos sete, oito meses de vida da cria mas está bem, cá te esperamos...), está bem que tooodos os colegas da sala já estão desdentados mas... caraças: ESSES DENTES AINDA SÃO SEMI-NOVOS, ok? SEMI-NOVOS!

Fada dos dentes, por aqui continuamos em negação. Ele diz que o dente abanou porque o bolo de alfarroba estava rijo que nem cornos. Eu digo que ando a ver se descubro onde a minha mãe escondeu os meus dentes metidos naqueles berloquinhos de ouro para ver se to espeto, requentado e desdatado, debaixo da almofada da miúda para veres se nos deixas em paz, tá? Enquanto isso, a miúda anda com os dedos a abanar violentemente aquele dente bebézinho e ingénuo, tadinho. Não se faz! Não há direito!

Vai morrer longe, ó fada dos dentes! Morrer lon-ge. 

Uma mãe em negação

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Viva o prof de Educação Moral Religiosa e Católica (EMRC) da minha filha!

"É éme érre cê,  É éme érre cê
Glorioso jota cê
Glorioso jora cê*!"

A Ana vem a entoar cânticos religioso-futebolísticos da escola!


[* sendo que "JC" é Jesus Cristo, sim?]

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Um dia ascenderei ao grau master de maternidade e conseguirei escrever recados bonitinhos na lancheira da miúda

Por enquanto, de manhã ainda mal consigo soletrar o nome da miúda mas esforço-me muito para não ser a pior mãe do Mundo quando ela sacar da lancheira à hora do lanche...






Suspeito que não serei seleccionada #1



Fui a uma entrevista de trabalho, daquelas new age, com psicólogas recém-licenciadas, com um tom informal de somos-todas-supé-porreiras-podemos-tratar-nos-por-tu-e-põe-te-lá-à-vontade-para-te-tirar-nabos-da-púcara e antes de perguntas sobre o meu percurso profissional e a minha experiência, começou logo com perguntas pessoais e eu a vê-la, e eu a vê-la e a pensar ok-não-quero-trabalhar-num-sítio-que-contrata-este-serviço-externo-de-recrutamento quando:

- "Qual foi a maior lição de humildade da sua vida?"

- "Olhe no outro dia lembrei-me que tinha troçado da Carolina Patrocínio contar que a empregada lhe tirava os caroços das cerejas enquanto, alegremente, comprava uvas sem graínha muito inflaccionadas para os lanches da minha filha..."


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Anita na escola-#suspironúmero1

Na primeira semana trouxe uma bolinha amarela (looongo suspiro pela estratégia das bolinhas mas já dei a minha opinião à professora, por isso, siga) e contei a história no instagram do blog (se ainda não o seguem são umas bananas podres!)

Na segunda trouxe dois verdes e quando a senhora do café lhe perguntou como ia tudo pela escola respondeu:

"- Trouxe dois verdes..."

- "Ah, grande Aninha!"

- "Sabes o que aconteceu depois?"

- "Não, querida. Que foi?"

- "Veio uma cabra e comeu-os..."

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Problemas com que uma mãe tem que lidar a uma segunda de manhã

A miúda continua em negação e a perguntar "vá lá, mãe, a sério quando é que o próximo jogo do Portugal para ganharmos o Mundial?"

[Quão mau é eu estar a ponderar recuperar do youtube o jogo da final do Europeu de 2016 e deixá-la feliz com retroactivos?]

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Carta à auxiliar da sala do Jardim de Infância da minha filha



Querida Fernanda,

No fim do ano lectivo, o último da Ana antes de ingressar no primeiro ciclo e, por isso, o último em que acompanha a minha Ana queria agradecer-lhe.

Sabe, é que muitas vezes as pessoas- os pais incluídos- se esquecem do papel das auxiliares. Eu- às vezes- também mas hoje não.


Queria agradecer-lhe o papel que teve durante este ano na vida da minha filha. Não foi um papel auxiliar nem secundário, foi um papel insubstituível e principal.


Foi a Fernanda que acolheu. todas as manhãs, a minha Ana na sala. Que lhe deu bons dias risonhos. Colo nos dias em que estava mal disposta. Que a conduziu à reunião de tapete. Que lhe ajeitou ganchos a escorregar no cabelo liso e escorrido.

Foi a Fernanda a primeira a alertar-nos para o impacto que a minha doença estava a ter no comportamento da Ana. A dizer-nos que a sentia triste, preocupada, meia deprimida.  Foi a Fernanda que resolveu muitas birras da Ana não querer ficar na escola de manhã, sabendo-me doente e de cama em casa e querendo ficar comigo, a tomar conta de mim, numa parentalizacao precoce que nunca lhe permitimos. Foi a Fernanda que lhe deu colos, que a abraçou, que limpou uma diarreia somática, que lhe fez companhia quando a tristeza da Ana não lhe apetecia brincar com os outros meninos, que nos atendeu todos os telefonemas - sem se mostrar enfadada ou aborrecida - depois do pai a deixar na escola para nos certificarmos que tinha, enfim, serenado. Foi a Fernanda que introduziu a Ana nas brincadeiras das colegas sem a forçar, que a juntou e foi facilitadora na sua relação com as meninas com um perfil comportamental semelhante ao dela, que a incentivou a escalar e a saltar à corda, que lhe desinfectou esfoladelas nos joelhos, arranjou penteados porque o pai não tem lá muito jeito e foi a Fernanda que se mostrou sempre de coração partido face à reação da Ana à minha incapacidade de ter uma vida normal, de regressar à nossa vida normal, de termos a vida virada do avesso.

No tempo lectivo foi a Fernanda que a virava sempre do lado certo, que conversou com a Ana na hora do recreio, que a escutou e ouviu, que a serenou e lhe prometeu que isto tudo ia passar. A Ana contava-nos isso e garantia-nos o quanto acredita em si.

E a Fernanda nem sabia que ia passar (nem nós ) mas passou. 
Também graças a si.


À Fernanda que anteontem, depois de dois períodos lectivos difíceis, de um 2018 particularmente duro para toda a nossa família e perante a falta de talento desportivo da Ana, crashou a prova de corta-mato a meio para a resgatar do último lugar.

Obrigada por tudo e por tanto, Fernanda. Nenhuma palavra consegue transmitir a gratidão que o meu coração de mãe lhe dedicará para sempre. Obrigada por amparar a Ana num ano em que lhe doeu tanto na alma crescer.


Cresceu mais forte e segura, muito graças a si. Não é o seu trabalho que aqui enalteço: foi a sua capacidade e generosidade de cuidar e amar a Ana quando e onde ela tanto precisou. Obrigada por lhe ter limpado as lágrimas, feito sorrir e lhe ter dado, todas as vezes sem nunca o negar, o colo que a minha ausência não me permitia e nem em casa, muitas vezes, tinha força anímica para compensar. 

Nem sempre foi fácil mas nunca a vi de má cara e sabemos que a Ana não é uma miúda simples e fácil de compreender. Oh como a admiro! Ensinou-a pelo exemplo de amor, generosidade, humanidade e afecto e deu continuidade ao trabalho que tentamos fazer em casa. É tão boa nesse papel, sabe?!



Foi uma excelente companheira de equipa juntamente com a educadora mas- principalmente- connosco. Aceitou o compromisso de fazer da minha Ana uma menina melhor, todos os dias, sem ter expectativas do que era ser melhor, apenas respeitando a direcção, os gostos, interesses e personalidade que ela foi demonstrando. Respeitando e apoiando a Ana na sua essência, sem a querer mudar. 



A Ana é a nossa semente, minha e do pai. Todos os dias a regamos para que cresça saudável e feliz. Mas foram ambas- a Fernanda e a Helena também- que todos os dias úteis, das nove às quatro da tarde, na nossa ausência, lhe abriram a janela da infância e lhe mostraram o sol. Porque o vosso amor foi fotossíntese para esta Ana, a minha Ana, agora mais forte e em flor.


Obrigada por tudo. Por ser exactamente a pessoa em quem a minha filha procurou o colo que a minha ausência não permitia ser eu a dar. Que a minha doença não estava a ser capaz de providenciar nas doses necessárias. O seu colo não é auxiliar, foi educador, de amor e afecto e teve um papel principal.

Um papel que nunca esqueceremos.

Um beijinho nosso. Um beijinho com sabor a colo de mel. A um colo principal.
Liliana- mãe da Ana“

terça-feira, 19 de junho de 2018

O "quorta"-mato da Ana

É hoje. Acordou chorosa e insegura. A corrida não é o seu forte (aguenta-te filha o ADN deu-te esses olhos, também não lhe exijas milagres...) e dizia-me que ia chegar em último. 

Toda a conversa motivacional: o que importa é participar, não podes é desistir, foste escolhida para correr, és super esforçada. 

Acalmou-se um bocado e pediu-me se podia levar uma peça minha, em jeito de amuleto (yeah, sou essa mãe...). Foi à minha gaveta da bijuteria, ainda lhe sugeri que trouxesse o fio com o pendente do trevo de quatro folhas, mas veio alegremente com outro colar nas mãos...



(Nem abri o pio. Tenho esperança que não mostre a ninguém porque a T-shirt da escola o tapa. E assim com’assim ainda não sabe ler o “q” de nove...)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Ana, a fashionista



Ninguém sabe o que é um pré-AVC até acordar com a filha de sabrinas de Verão com collants grossos de Inverno, saia de ganga fina de Verão, camisola de manga comprida, óculos de sol e chapéu de chuva na mão a gritar, entusiasticamente, "Já estou vestida, mamã!"

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Para acabar a publicidade dos negócios de família...

Eu- "Já avisei os leitores do Quadripolaridades que o teu blog voltou!"

Mámen: "Obrigado. Olha lá e já publicitaste a empresa da tua prima?"

Eu: "Yep!"

Ana: "Espera lá, isso não é justo: agora tens que pedir os cromos que me faltam da caderneta do Pingo Doce!"

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[Faltam o 45, o 69, 85 e 91 ]

segunda-feira, 19 de março de 2018

Tive medo de lhe perguntar se, por acaso, brincou de super-heroína no recreio da escola...




Chega a casa com a saia plissada e diz-me: "Hoje descobri que a minha saia è mágica!"

"Ah, sim? Como?"

E desaperta os botões da saia, fica em cuecas, aperta o cós da saia à volta do pescoço, aperta os botões, a saia vira "capa de super herói" e começa a "voar" pela casa.

Sem saia, de cuecas,  mas alegremente de capa.


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domingo, 18 de março de 2018

Comment ça va?




A minha filha era subdotada. Parecia uma osga e limitava-se a existir. Não berrava. Não fazia fitas. Uma sonsa. Sempre boa para comer. Sempre boa para dormir. Juro que é verdade. Claro que a subdotação estendeu-se a outras coisas: teve o primeiro dente aos 18 meses quando já andava a ver na Amazon se havia dentaduras postiças para bebés. E andou na altura certa. E falou na altura certa. Nunca deu chatices. Nem varicela teve, foi a única da sala da creche que não apanhou a doença da mão-bocas-pés e- escusado será dizer- é incrivelmente bonita, sempre foi, se a adolescência não lhe der cabo do nariz e a (minha) genética do peso, temos sucessora para a Sara Sampaio e eu posso tornar-me numa  espécie de Dona Dolores das passarinheles.
E tem 5 anos e ainda não sabe ler porque eu não lhe ensino. E é esperta que se farta. E feliz. E... parvalhona.
Aos 5 anos já não é subdotada, só um bocadinho pré-adolescente, do tipo das que gosta de piadas escatológicas, de dizer "a minha professora é que sabe!" e às vezes quando se passa vai para o quarto e fecha a porta com força. Eu abro os olhos, digo "vou contar até 3", reitero "não penses que estas a falar com a tua amiga Leonor" e, de repente, sou a minha mãe.
Ando sempre cansada do dia-a-dia: pequeno-almoço, "veste isto, não vestes isso, vestes o que eu estou a dizer e a-ca-bou", "nada de queixinhas" e depois à noite apanhá-la na avó, "tens que comer a sopa, não vale a pena fingires que estás a vomitar que comigo não pega", banho, verificar unhas, cortar, passar óleo no corpo, pijama, pentear o cabelo, secar o cabelo, vai para a cama, "não podes ficar mais connosco na sala, mas não quero saber nada disso nós somos adultos, vai já antes que me passe dos carretos, estou a ficar po-sse-ssa", a meio da noite aparece-me zombie e deita-se no meio de nós, muito fofo, espreguiça-se toda, destapa-se toda, ando com as costas afanadas, ah é dos terrores nocturnos, que se fodam copulem os terrores diriam as minhas costas se tivessem boca, e no outro dia piolhos, depois virose, quero dar-lhe uma vacina e ainda não a apanhei no intervalo saudável entre bichezas, mais a mensalidade da escola e agora o inglês e o pediatra e a vacina que tenho que comprar e não é comparticipada- já falei no IMI?-  e a roupa que lhe comprei há 3 meses e está toda encolhida e estou bué cansada- já falei das minhas costas? E dos glúteos?- e continuo cheia de materno-culpa de ter que trabalhar para a sustentar e não ter tempo para a ver crescer à velocidade de calças a ficarem boas para a apanha do mexilhão, mais o Trump e as armas químicas e a pegada ecológica, tudo me consome e que mundo lhe vou deixar, e se eu morrer, e, e e culpa, já falei da culpa?
Foi uma belíssima queca cópula- há que dizê-lo com frontalidade- mas tem dias em que penso que até era Dezembro e podia ter-me demorado um bocadinho mais nas compras de Natal a bem da minha sanidade mental.
Sou mãe. Ando cansada. E cheia de dores nas costas.
De resto tudo maravilhoso.Obrigada. 
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