terça-feira, 7 de janeiro de 2025

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que são orgulhosamente proprietárias de uma airfryer e as outras. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Soooooltem a parede

 A rúbrica "O Mundo divide-se" saiu do arquivo. 

Updates #Mámen

 


Continua a viver comigo e a resistir, de forma estóica, aos mil acidentes domésticos que lhe provoco. Tipo no primeiro dia do ano, o dia em que lhe pedi ajuda para me ligar o carregador do computador à tomada e quando veio ao de cima deu uma cabeçada épica na poleia do candeeiro de parede e quando vimos estava com a testa com um lenho que não parava de deitar sangue. "Queres ir ao hospital? Desculpa! Desculpa!"- eu aflita. 
"Estou casado contigo há quase 20 anos: achas que não tenho sempre pontos de colar na caixa de primeiros socorros?"

Está benzinho, obrigada. 

Piaçaba de ouro




 A pessoa volta e é muito comentário a evocar o post do IKEA. 

E o IKEA nunca deu o devido valor, nem um piaçaba de reconhecimento, nada. 

A modos que é isto: a minha carreira na blogosfera resume-se a um post mal cheiroso. 




Porca miséria.

O momento em que te sentes velha pela primeira vez.

 


No outro dia vi no threads a pergunta: "Quando foi que te sentiste, pela primeira vez, velha?".

Fiquei a remoer naquilo algum tempo. Terá sido quando me trataram por "senhora" pela primeira vez a atenderem-me numa loja? Quando me morreram os meus avós e deixei de ser a menina de alguém? Quando comecei a apreciar vinho tinto? Quando passei a ser "a mãe" e me despojaram do meu nome próprio assim que a minha filha nasceu e as educadoras, as pediatras e as pessoas que gostam mais de crianças que de adultos me passaram a tratar assim? Quando passei a não suportar a ideia de uma noite passada numa discoteca ou de um bar barulhento? A preferir passagens de ano em casa? A usar fato de banho em vez de bikini para disfarçar a barriga pós-parto? Quando passei a temer abrir a caixa do correio porque são só cartas com contas para pagar?Quando comecei a dar conta que me nascem cabelos brancos, as pálpebras descaem, tenho olheiras debaixo dos olhos e as minhas bochechas cedem à gravidade? Quando me convidaram para o jantar de 25 anos do fim de curso? Quando percebi, há dias, que este ano vou ser mãe de uma filha verdadeiramente adolescente?

Não. Foi hoje quando percebi que já não tenho dores apenas numa estação do ano mas em todas. Na Primavera as alergias e a febre dos fenos, espirros e o camandro. No Verão a tensão baixa, as coxas assadas e a sensação de desmaio constante. No Outono o início dos resfriados, constipações e gripes  várias. E, claro, no Inverno o cliché das dores musculares, os joelhos a rangerem e os ossos enregelados. 

Não sei se agora, também como com os meses do ano, se escrevem as estações do ano em letra minúscula. Eu não escrevo, quero mais que vão para o Inferno. 

Sou uma pessoa idosa de forma consistente nas 4 estações.  E no manguito constante ao uso do acordo ortográfico. 

Aguentam-me?

Morreu a Adília.

 Oiço no telejornal que a Adília Lopes morreu, enquanto ponho a mesa, pratos perfilados, os meus sogros de visita cá em casa, o Rui a chamar-me da cozinha "não te esqueças de levar os guardanapos!", a Ana a discutir com a cadela, a minha sogra a perguntar-me se pode usar a casa de banho do meu quarto, a reportagem com a cara da Adília, eu a tentar ouvir a notícia mas sem querer escutar, o meu sogro a ir buscar os guardanapos, eu estarrecida, congelada, "pode antes ir à casa de banho social? É que a minha casa de banho está desarrumada!", a cadela a ladrar para a Ana, "pões a base da panela na mesa?", a Ana a rir "a mãe odeia panelas na mesa: mete numa travessa, pai!", a minha sogra a arrastar-se, contrariada, para a casa de banho social, os guardanapos a serem dobrados por mim roboticamente, a Adília- agora morta- a recitar um poema, naquele jeito de dona de casa lisboeta, uma personagem da Alice Vieira da minha infância, a mãe da Maria João do livro "Úrsula, a Maior", a cadela a saltar em meu redor a pedir atenção, a Ana a juntar-se à sala "onde está a avó?", a minha sogra a responder "Oh Diabo, deixei cair um xanax no chão da casa de banho e a gata acabou de o comer!", a mesa posta, o meu sogro sentado à cabeceira, a Adília morta, a travessa na mesa, a gata drogada, eu incrédula, em negação.

Houve muitos dias em que a Adília escreveu para mim. Sobre mim, que sou mortal e desinteressante, igual a ela.  

De um xanax preciso eu.

domingo, 5 de janeiro de 2025

A revolta dos blogs #oMovimento



E quem mais, em 2025, ainda tem um blog activo ou vai reactivar o seu velho blog?


Chutem-me os vossos links na caixa de comentários para eu actualizar ali na minha barra lateral. Váááá!

Updates # a minha mãe

Ontem a minha tia celebrou mais um aniversário e o jantar foi cá em casa. 

No final da noite, decidimos jogar um jogo que gostamos muito: cada um escreve um nome de um personagem famoso num post it e cola na testa da pessoa sentada ao seu lado. 

Depois, um a um, vamos fazendo perguntas fechadas (ou seja, cuja resposta possa ser apenas "sim" ou "não") até descobrirmos "quem somos".

Primeira rodada, antes mesmo do jogo começar, a minha mãe agarra muito discretamente no telemóvel, como quem vai ver se caiu alguma mensagem, ouve-se um click do obturador da câmara, pousa o telemóvel, com a maior cara de pau. 

Eu, que a topo a léguas, percebo tudo: tirou uma selfie para descobrir o nome que tinha escrito no post it na testa para ganhar logo à primeira, e todos a admirarmos pela profunda perspicácia. 

Está igualzinha, obrigada. 

Acabei o ano a arrumar a arrecadação


Peluches do Noddy, da elefanta cor-de rosa de cujo nome já não me lembro, da Ursa Teresa e do Mafarrico. Mershandising variado dos vários festivais do Panda e porcarias várias com a cara da Pipa porque a Ana nunca gostou da Clarinha. Nenucos, roupinhas dos Nenucos e carrinhos dos Nenucos e a miúda nem nunca curtiu por aí além bebés e jogo simbólico com bebés. Todo um manancial de vestidos de princesas e bonecas da Elsa e da Ana e o dinheiro que congelei para todo o sempre em porcarias da Frozen. Tendas, casinhas, yourts e cheira-me que, se um dia, a miúda for uma nómada hippie fui eu que impulsionei a trend. Camisolas da Vampirina, malinhas da Princesa Sofia, iô-iôs da LadyBug e walkie-talkies do Gato Noir. LOLs e o atentado ecológico de toneladas de plástico em bolas redondas onde vinham as bonecas, cada uma ao preço de uma caixa de camarão. Barbies, barbies, muuuuuuitas barbies, casas das Barbies, carros das Barbies, a caravana das Barbies a esperança que um dia venha a ter uma neta para amortizar a fortuna gasta em Barbies. Unicórnios em overdose: peluches, roupas, my little poneys, livros, miniaturas, um busto de unicórnio para a parede tipo aqueles bustos de veados que os caçadores malucos americanos têm nas cabanas. Portas de casas de fadas e miniaturas variadas de mobiliário de casas de fadas. Trolls, cadernetas de cromos dos Trolls, bandoletes com organza a imitar os cabelos dos Trolls. Harry Potter, varinhas, cachecóis, bloquinhos de folhas, canetas e lápis e mais umas cenas de borracha com caras de Harry, do Ron e da Hermione com um buraco e que se enfiam no topo dos lápis. Wednesday, tote bags da Wednesday, sweatshirts da Wednesday, gorros da Wednesday. 

Tenho a história do imaginário de 12 anos da minha filha encafuada em caixas de plástico. 

E, de repente, a Taylor Swift já não me parece tão mal.

O Mundo divide-se...

... entre quem sabe o que é um blog e os outros. 

[Acham que vale a pena eu libertar o histórico da rúbrica "o Mundo divide-se"?]
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