sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Eau d'velhice




Dói-me a omoplata há imenso tempo. 

Tomo um banho quente, visto o pijama e Mámen vem dar-me um abracinho:

"Cheiras bem! Que perfume é esse?"

...

...

...

Era um Transact que tinha acabado de colar no costado.


Fui signatária de uma carta aberta* que teve hoje projeção nos media

 Pergunta-me a minha filha, com os olhos muito arregalados:



"Tu és UMA PERSONALIDADE, mãe?!"


[* Para quem quiser saber mais pode sabê-lo aqui]

Updates #a minha tia

 Mesmo jogo que contei aqui (link). Tem escrito no post it na testa "João Baião" e já perguntou se era um apresentador de televisão e já lhe respondemos que sim. "Goucha"? Não. "Júlio Isidro"? Não. "Vasco Palmeirim"? Não. "Cláudio Ramos?" Não. 

Corre os nomes todos, menos o certo e faz um sorriso de eureka: "É o Hélder Reis! É o Hélder Reis!"

Ninguém sabe quem é o Hélder Reis e responde muito admirada, como se o dado fosse de cultura geral:

"Por amor de Deus: é o melhor amigo do Goucha"

Não acertou no Baião mas sabe tudo sobre... o Hélder Reis!

Está óptima, obrigada!

Imaginem que entram na vossa casa onde vivem sozinhos...

 ... sentem liberdade ou solidão?

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Ana, a desportista

Ana, tem excelentes notas a todas as disciplinas (é meio geek, sai ao pai...). 

Com uma excepção: a Educação Física (tem a coordenação motora de uma galinha bêbeda: sai a mim, minha ryca filha!). 

No entanto, decide que essa é a área em que tem que investir mais e inscreve-se em tudo o que pode do ponto de vista desportivo para ver se trabalha nas suas oportunidades de melhoria (não sai a ninguém, que eu e mámen somos uns loosers). 

Inscreveu-se num torneio de basket e eu e o pai ficámos muito admirados, expectantes, receosos, entusiasmados. 

Segue troca de mensagens com ela (e cuja publicação autorizou):


Eu super feliz e eufórica, ligo-lhe para reforçar os parabéns. 

Agora: adivinham ou querem que vos conte?

...



12 pinhões para o Ano Novo



Há uma memória muito antiga que tenho em que sou pequena e encontro-me a sair da creche, vestida com um bibe verdade aos quadradinhos com bolsos largos, acompanhada de todos os meninos da sala da Teresa, que era o nome da minha educadora.


Dirigimo-nos a um pinhal que havia ali mesmo à beira e sentámo-nos no chão com pedras a bater sobre pinhas caídas e depois, cada um na sua, íamos sacudindo aquela fina pele que os cobre e deliciavamo-nos com os pequeninos pinhões.

Eu que sempre tive uma motricidade fina sofrível deparava-me com visíveis dificuldades na cacetada das pinhas usando os pequenos calhaus e a Teresa abeirava-se de mim e exemplificava, tentando ensinar-me a melhorar a estratégia, mas sem me substituir. Às tantas a Diana, que era uma menina um ano mais velha, sentou-se à chinês ao meu lado e foi-me ajudando a dar pedradas nas pinhas, para que eu pudesse comer mais pinhões.

Comemos, muitos, imensos, sentadas lado a lado, as duas. Ela menos do que comeria sozinha. Eu mais que teria comido se ela não me tivesse vindo ajudar. Mas comemo-los a rir na companhia uma da outra.

Que em 2025 tenha a sorte de ter quem me exemplifica e ensina sem me substituir. Que em 2025 tenha a bondade de ter quem se senta ao meu lado a ajudar-me a sorver os pequenos prazeres da vida.

Que em 2025 tenha a maturidade de não desistir, de ser humilde e aceitar ajuda e de não sentir culpa de cada vez que coma um pinhão que a vida me oferecer.

E que não me faltem bolsos na bata, caminho em pinhais, pinhas no chão, pedras afiadas e o prazer de comer pinhão a pinhão.

Por estes dias




Já não blogo do meu local de trabalho, do meu gabinete corporativo em Miraflores. Nem do telemóvel, com urgência, na minha hora de almoço em mesas solitárias de restaurantes, como fazia quando trabalhava em consultoria e passava a vida entre clientes. Já não trabalho em Recursos Humanos nem sou anónima, por isso, já não posso escrever sobre os CV que recebia com endereços de emails como "coxaspoderosas@hotmail.com" ou relatar entrevistas inusitadas, como aquela vez que entrevistei um senhor ex-combatente do Ultramar, amputado de um braço, que me esticou o seu gancho para me dar um aperto de mão e eu ia tendo um fanico. 

Não consulto o sitemeeter nem o blogómetro. Nem sei, hoje, para que me interessavam os números. Nunca ganhei um cêntimo com este blog e, embora a maioria das minhas amigas diga que fui uma burra por isso, acho que fiz o que sempre me pareceu certo. Fazia-me bem ao ego. Escrever é, quase sempre, um exercício de ego. Sou como toda a gente. 

Já não há uma primeira liga de blogs e eu gosto disso, mesmo que sempre tenha feito meio que parte dela, nunca fiz totalmente parte dela. Sempre fui uma outlier e gosto dessa posição indefinida. Nos blogs mas também na vida. Não gosto de pessoas que são sempre muito consistentes, muito rígidas, muito uma coisa só. Fui uma multiplicidade de coisas. Vivi mil vidas. Ainda sou e ainda vivo.

Não há pressão para escrever sobre o tema do dia, ser a primeira a deixar um ponto de vista inédito ou andar a trocar cromos em caixas de comentários. Aprendi que nem sempre preciso de dar a minha opinião. E que, muitas vezes, entre ter razão e estar em paz, o melhor é sempre estar em paz. E também aprendi que nem toda a ação tem que ter uma reação. E que o silêncio também é muitas vezes uma forma de voz. 

Já não vou a todas. Escolho as batalhas, criteriosamente, e aprendi a reservar a minha energia para apenas algumas guerras. Aquelas que quero mesmo travar. E nas quais faço a diferença. Poupo-me. Poupo-me muito. 

Já (ainda?) não há hate blogs nem malucos à solta. Gosto dessa sensação não persecutória que isso me permite neste exercício de escrever. 

Escrevo, agora, sempre quando chego do trabalho nada glamouroso mas que é uma incrível fonte de realização. Venho almoçar a casa, com mámen, e esse é dos maiores luxos que conquistei. Almoçamos comida caseira que preparamos na véspera à noite, sentados e com vista para o jardim, sem correrias, enquanto conversamos. Temos tempo para passear a cadela que cumpre a sua função e representa um grande objecto emocional nesta fase da minha vida, em que a miúda está a crescer e precisa menos de mim. Precisamos sempre que precisem de nós? Estou a descobrir.

Escrevo sempre sentada no sofá, com tempo e disponibilidade. Reservei uma slot de tempo do meu dia para isto. Começo por ler os comentários que me deixam e que me provocam um excitex do camandro (comentem, por favor!). 

Depois escrevo o que me apetece, como este texto, e sinto aliviada a necessidade de deitar cá para fora estes pensamentos soltos. A gata fica ao meu lado a receber o calor da fonte de alimentação do cumputador. Os gatos nunca precisam de nós: toleram-nos. Esta- coitada- lá me tolera a mim e à cadela, sempre com ar enfastiado. Havia muito a aprender com os gatos. 

Já não cravo imagens ao Prezado. Faço-as todas utilizando a inteligência artificial e isso diverte-me imenso. 

O fim do anonimato inibiu-me de escrever sobre muitas coisas giras, da forma como gostava de escrever sobre elas. Da forma como as penso e interpreto. Rio-me muitas vezes para dentro ou em círculo fechado de amigos. Tenho, agora, que pensar como as posso reescrever de forma a não melindrar ninguém. A Ana lê este blog e isso, parecendo que não, muda tudo. O que vale é que, aos 12 anos, ainda me acha graça.

Tenho tido uma pica enorme neste regresso. Não sei até quando. Mas aprendi que a vida é uma sucessão de presentes. E que "logo se vê" é a resposta certa para quase tudo o que nos acontece. 

Obrigada por estarem por aí. Mesmo.  

Foram dias e dias. E meses e anos no mar. Percorrendo uma estrada de estrelas. A stalkar.

Há um episódio de Modern Family em que a DeDee, ex-mulher de Jay, morre. 

DeDee não é uma personagem muito querida, até porque Gloria, a jovem e sexy mulher actual de Jay, sente-se ameaçada pela mãe dos filhos mais velhos do marido e, na verdade, a Gloria é a personagem estrela de toda a série. 

Ora, neste episódio específico, e depois de muitas peripécias ao longo de várias temporadas, a DeDee morre. Quina. Kaput. 

E antes de morrer a Dedde manda fazer uma figurinha dela em pvc que oferece aos netos para que não se esqueçam dela. Acontece que, durante todo o episódio, a figurinha da agora falecida é esquecida, pousada, encafuada em vários sítios inusitados, sendo que, inadvertidamente, Gloria apanha vários cagaços ao cruzar-se com a bonequinha de plástico da ex-rival que está, literalmente, em todo o lado.

Sou suspeita- que adoro a trama de Modern Family- mas o episódio divertiu-me, à época, horrores. 

Até que o esqueci mas só até este Natal, em que os meus sogros vieram passar as festas connosco. Porque... a minha sogra decidiu fazer-se acompanhar da sua própria DeDee. 

No primeiro dia, ao pequeno almoço, esqueceu-se dela na consola da entrada e eu, acabada de sair da cama, bati com os olhos na senhora, ali, pousada, a fitar-me. Sorri, intrigada sobe o que raio fazia aquela figura ali.

No segundo dia, já me tinha esquecido da senhora, quando sentada à mesa de jantar, viro-me para trás para apanhar um saca-rolhas, e ali está ela em cima da estante, armada em Mona Lisa a micar-me. 

Fingi não ter reparado, não tossi, não mugi, não perguntei nada. Aquele mistério haveria de se desvendar. 

E, durante quinze dias, entre fases em que a minha sogra via reels e rezava em simultâneo porque o multitasking a assiste, a porra da senhora estava em todo o lado: na cozinha, na sala, na casa de banho social, na minha casa de banho, no bolso da minha sogra, na mala da minha sogra, no parapeito da janela da sala, em cima da escrivaninha, no quarto da Ana, quase que podia jurar que a cheguei a ver dentro do microondas. Everywhere. A fitar-me, a micar-me, a stalkar-me. 

Acabaram as férias de Natal e a minha sogra voltou para a terra. 

Não sei como vos dizer que sinto um certo vazio face ao seu desaparecimento. Mas depois lembro-me que ela era exactamente assim:


Não é medo: é respeito. 

Mentira: é medo mesmo, caredo!

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Ajuda do público




E agora?

Desbloqueio rubricas que estão em rascunho (as Quadripolarizações?)?

Transfiro para aqui posts que estão perdidos nas redes sociais?

O que mantenho das rubricas anteriores?

Quem me estará a ler em 2024? Existirão leitores do início e dos primórdios do blog?

Haverá por aqui pessoas pela primeira vez?

O que gostariam mesmo de ler estas pessoas?


Sim: vocês!


[Se isto se aguentar até Dezembro fica aqui a promessa pública do regresso do PPC]

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...