quarta-feira, 26 de abril de 2017

Post para que eu nunca me esqueça

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"Sr. as e Srs.  Deputados,
Sr. as e Srs.  Convidados,
Minhas Senhoras e Meus Senhores:
Nasci no Serviço Nacional de Saúde, estudei na Escola Pública e não pertenço a uma geração ingrata. A Grândola também nos corre no peito à desfilada, e por isso obrigada capitães, obrigada a quem não se calou, a quem resistiu até ao último sopro do seu corpo, a quem desertou para não ser cúmplice, a quem viveu nos subterrâneos do medo. Obrigada a todas e todos os combatentes desse amor inventado chamado liberdade.
Todas as gerações têm os seus monstros. As gerações que viveram antes de mim nasceram e cresceram no longo inverno do fascismo e da guerra. Num regime que lhes marcava o destino do berço até à morte, sem educação, nem saúde nem a sorte das elites para quem estavam reservados os privilégios a que hoje chamamos direitos. Para a maioria o trabalho era outro tipo de prisão, o analfabetismo era a maior algema e o patrão a pior polícia. Não foi só em Caxias que se ergueram grades.
Vergílio Ferreira escreveria sobre as fronteiras da opressão: «Que a fronteira da tua liberdade te não seja a porta da casa para que tu sejas livre dentro e fora dela. Que a tua liberdade comece no pão que te espera à mesa e persista no desconhecido que te espera na rua. Que a distância de ti a ti seja por ti preenchida e nunca pela polícia ou um diretor de consciência. Tu és livre. É portanto do teu dever libertares-te».
 Sim, tenho orgulho de pertencer a uma geração que luta em liberdade. Tivesse isso chegado para não nos mandarem emigrar, para não nos sacrificarem o futuro no altar da austeridade, para não nos falharem a promessa de solidariedade numa Europa que afinal nos quer submissos.  
 Tentaram embalar a força transformadora da minha geração num conto sobre o fim da História. Deram-nos um cravo para carregar ao peito uma vez por ano e tentaram dizer-nos que lutar pela liberdade era celebrar essa História. Arrumaram os problemas do mundo na virtuosa aliança entre a democracia e os mercados, mas eles repelem-se. O muro também lhes caiu em cima e a História, longe de estar acabada, rebenta-nos nas mãos.
 Em Alepo, onde decapitaram até a esperança, no cemitério em que se transformou o mediterrâneo, nos muros de arame farpado à volta dos campos que nos prometeram que não voltariam a existir, no crescimento cada vez menos surdo da extrema-direita e da guerra.  
 Cada geração tem os seus monstros e os nossos aparecem todos os dias na televisão. Quando chamam mãe a uma bomba feita para matar os filhos de alguém porque já não interessa lembrar a rosa de Hiroshima; quando a União a Europeia determina que a deportação de refugiados é apenas uma questão de pagar o preço certo à Turquia. Quando movimentos reacionários e ultranacionalistas avançam na Europa alimentando-se dos destroços da austeridade imposta aos povos.
 Há 20 anos, Eric Hobsbawm receava que a xenofobia viesse a transformar-se na grande ideologia de massas dos nossos tempos. Que a rejeição do outro, a negação daquilo que a humanidade tem em comum seria o bode expiatório para os falhanços da sociedade. Olhando hoje para a Europa, quem pode não reconhecer – não querer ver - que houve um projeto que falhou? Falhou porque submeteu a democracia aos mercados financeiros, falhou porque perdeu contacto com os direitos sociais e económicos dos povos, porque espalhou pobreza e desemprego, porque quis rasgar a Constituição. Falhou-nos porque entregou ou privatizou o que era da nossa soberania e, portanto, da nossa liberdade.
O medo converteu-se no maior aliado de um projeto político conservador que domina a Europa. Demasiado distante das aspirações dos povos para mobilizar as suas vontades, o poder centrista procura ocupar cada espaço da nossa livre decisão com os seus burocratas, sanções e imposições.  Perigo é a austeridade que renasce quando baixamos a guarda, as troikas que espreitam atrás de cada Programa de Estabilidade. Servem apenas para nos lembrar que ainda não vencemos, que ainda temos quem se ache nosso dono, que não somos livres.
 A espera é a derrota, e confronto com as imposições europeias, que é o mais difícil, ainda é o que está por fazer.
 A propaganda de que todos os protestos são populistas, acabará por servir o branqueamento de forças odiosas. A alternativa aos projetos reacionários não é a moderação do situacionismo, com a sua defesa empenhada do sistema que salva bancos mas que condena gerações a pagar as dívidas e os défices de uma velha elite, demasiado poderosa e não raramente corrupta.
O maior erro é continuar a sacrificar a democracia aos lucros dos mercados financeiros e negar a direitos e liberdades em nome de uma segurança que nunca se cumpre, só oprime.
A alternativa é a audácia de quem não se resigna, de quem questiona, de quem não tem medo de existir.
O medo e a esperança não só não se confundem, como se combatem. E não há destino para quem fica a meio do caminho, a atrapalhar o futuro, na estreita escolha do mal menor, imagem desbotada de democracia.
É por isso que não podemos baixar a guarda na defesa de uma democracia completa, económica e social, soberana, que reclame para si a livre decisão sobre o que é de todos, do trabalho aos bens comuns. Abril, para não ser vazio, precisa de conteúdo, tem de ser esperança.
No Bloco de Esquerda batemo-nos por este projeto de esperança.
Por escolhermos a solidariedade em vez da exclusão, por escolhermos a humanidade em vez da guerra, por defendermos investir no que é nosso em vez de cumprir as regras do absurdo monetário, por defendermos que tem de haver um futuro aqui tão luminoso como foi abril, dirão que sonhamos. A melhor resposta foi dada por um homem que sabia exatamente o que existe entre a guerra e a paz e que hoje também homenageamos. Nas palavras de Miguel Portas: “sonhamos? Não sonhamos nada, somos mesmo os únicos realistas deste filme”.
Abril foi a melhor promessa que, ao libertar-se do passado, Portugal fez ao seu futuro. O futuro é hoje e nós não pusemos o barco ao mar para ficar pelo caminho. Lutemos por ele, como disse Natália Correia, “o cais é a urgência, o embarque é agora”.
 Viva o 25 de Abril!"

Joana Mortágua no seu brilhante discurso a propósito das comemorações do 25 de Abril de 2017

Iso-quadripolaridades da doçaria nacional

Esqueçam os pastéis de Belém. Esqueçam os pampilhos da Bijou em Santarém. Esqueçam as bolas de Berlim do Natário. Esqueçam as bolas recheadas com doce de leite da Sacolinha. Esqueçam os éclairs da Leitaria da Quinta do Paço. Esqueçam os croissants açucarados do Careca.


Foquem-se nisto que vos asseguro: o melhor bolo de Portugal vende-se em Mangualde, no Patronato, e garanto-vos que os pastéis de feijão não tem concorrente à altura em nenhuma pastelaria do país.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Terramoto? Está tudo bem...

Ali estávamos os dois, na sala de espera do hospital, cansados e esfomeados à custa de horas de uma espera que teimava em acabar.
Ele- cadeirante-com um problema numa perna. Chato, doloroso, desanimador. No saco com os últimos exames um diagnóstico que deixava reservas de uma complicação na coluna. A tosse - suspeitava-se que alérgica- tinha voltado. Não havia ponta de optimismo por onde se pegasse. 

Eu dei-lhe um cascudo: 

- "Hey miúdo, isto já esteve mais famoso, hein?"

Resposta, com sorriso terno:

- "Ainda bem que é tudo de uma vez. Assim trata-se tudo ao mesmo tempo e quando passar, passa tudo de uma vez". 

Sorrio. Ele sorri comigo e acrescenta:

- "Sempre preferi um único terramoto de grande escala do que muitas réplicas pequeninas imprevisíveis. Quando o terramoto acaba, pelo menos, sabemos que temos a segurança de voltar a reerguer tudo, não é?"


E eu fiquei com lágrimas nos olhos. Todos os dias- todos!- a vida me dá lições. 

Elena de Avalor e o 25 de Abril

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A Ana ao pequeno almoço percebe que amanhã não há escola. Pergunta-nos porquê e explicamos-lhe que amanhã é feriado.

- "O que é um feriado, mamã?!"

- "É como um dia de férias. Ou como um fim-de-semana mas só um dia e não dois. E nesse dia não há escola nem trabalho porque devemos celebrar algo que aconteceu."

-"Humm... Tipo o Natal que é o dia de anos do Jesus?"

- "Sim, isso."

-"E amanhã é feriado porquê, mamã?"

- "Celebramos a liberdade."

- "O que é liberdade mamã?"

- "Liberdade é podermos dizer o que pensamos. É as meninas poderem usar calças e irem à escola. É podermos discutir ideias diferentes sobre o que pensamos, Amanhã celebramos que algumas pessoas se tenham juntado para pedir liberdade numa revolução, entendes?"

- "O que é uma revolução?"

"Sabes aquele episódio da Elena de Avalor em que todos do povo se juntam para acabar com o reinado da Shuriki? Isso é uma revolução. "

"Aquele episódio em que todas as pessoas do reino se juntam para lutar contra a Shuriki para poderem todas se ver livre dela e poder voltar a haver música em Avalor porque ela tinha proibido?"

"Sim, esse episódio mesmo. Isso é uma revolução!"


(Silêncio. Afasta-se e vai para o sofá. Um minuto em silêncio)

- "Mãe?"

- "Sim, Ana?"

- "Amanhã também quero celebrar: ainda bem que em Portugal já pode haver música e todos podemos tocar, cantar e dançar como em Avalor". 



(Ana incorpora a definição de liberdade aos 4 anos e 8 meses)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Como é que as vacinas causam o autismo?

Aqui.











[Mas importante mesmo é ler o link logo abaixo. Sim, este]

Bye bye minimalismo hygge!

Amanhã mámen começa a frequentar o workshop de restauro de móveis da Oficina Monstros.

Portanto, temo que em breve lá se vá o meu minimalismo para o hygge que o parta!

O Mundo divide-se entre...

... quem perante alguém a espirrar diz "santinho" e entre quem diz "saúde".

Urbano-cristãos

Fomos passar as miniférias da Páscoa à zona de Viseu.
Perdidos numa aldeia vemos um conjunto de gente a vaguear pela rua.
À frente um senhor a segurar uma cruz, uma data de pessoas com ponchos de cetim vestidos, o padre no meio.
Ficámos a assistir, parados com ar de urbano-deslumbrados, a uma procissao pascal.
Quase que juro que detectei um directo para o instagram de um dos presentes de telemóvel em punho, que isto de celebrações pascais e tradições é digno de se partilhar com os fanzes.
Sorriso nos lábios, olhar de contemplação e ternura.








Era um funeral.



quinta-feira, 20 de abril de 2017

Contra o machismo marchar, marchar






Isto tudo. E mais isto.

Ana- a sinestésica

A minha tia a cozinhar uma massada de marisco.

Ana: "Ai tia, esse cheirinho é música para os meus ouvidos"

Bom dia!

À Ana, que um dia não se vai lembrar de nada disto, para que nunca se esqueça...

Querida Ana,
Tens o melhor pai do Mundo.
Dá-te banho desde o dia em que nasceste. Primeiro a tua cabeça e metade do corpo cabiam-lhe na mão bem aberta e ele tinha receio da tua pequenez, respeito pela tua fragilidade, amor pelo meu estado de convalescença. Depois foste crescendo e ultrapassando o comprimento de cada dedo dele.

Maldito algoritmo do facebook

Uma pessoa anda a discutir com gente new age anti-vacinas e fadinhas e floribelas e logo o facebook faz das suas e sugere likes em páginas coiso:


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tudo o que aprendi- com quem sabe- sobre vacinação




Começar por ler isto (para os pais que vivem num bunker: é um link. Carrega-se em cima com o rato e abre-se numa nova janela. Ler agora, ok?)

Agora, licencinha vá, ler este decreto-lei que não foi alterado até ver (novamente para os pais amish: repitam o procedimento).


As vacinas são obrigatórias?

Existem apenas duas vacinas obrigatórias: a da difteria e a do tétano. Todas as outras são apenas recomendadas pelo PNV, logo, não obrigatórias.
Afinal, diz que não. "Aquelas duas vacinas eram de facto obrigatórias, mas não para toda a gente. Eram apenas para gente que desempenhava determinadas profissões. E parece que já nem para esses, o decreto lei, que era de 1960 e qualquer coisa, consta que foi revogado. Por isso em Portugal há zero vacinas obrigatórias e nenhuma escola, pública ou privada, pode recusar legalmente matrícula com base em boletim de vacinas não actualizado. Infelizmente."- assegura-me a minha amiga Mariana (médica).

Mas- tratando-se de um caso de saúde pública- NÃO É MESMO OBRIGATÓRIO vacinar?

"Não é obrigatório vacinar, da mesma forma que alguém com tuberculose bacilífera (contagiosa pela via aérea) não é obrigado a tratar-se, ainda que seja um perigo para a Saúde Pública. O mesmo para o HIV (com potencial de infectar outras pessoas, por via sexual ou por partilha de agulhas...).
É a questão da liberdade individual. A única situação em que tal é quebrado é quando existe uma situação psiquiátrica, em que o doente não está capaz de decidir, podendo ser então desencadeado um internamento compulsivo (contra a vontade do doente), que tem de ser aprovado em última instância por um juiz. E como a estupidez ainda não é doença..."- aferiu-me a Daniela Marto, médica e ilustre pólete.

Mas quando matriculei os meus filhos pediram-me fotocópia do boletim de vacinas?

As escolas pedem-no para efeitos de verificação se as duas vacinas - que como eu, muitas escolas.- julgam ser as obrigatórias lá constam. No entanto, as escolas não podem excluir para efeitos de matrícula crianças que não tenham sido vacinadas nem esse factor pode constituir motivo de exclusão.

Mas existem pais que só permitem administrar estas duas vacinas aos filhos?

Sim, precisamente, porque julgam que assim  não ficam excluídos do ensino obrigatório. Outros há que não permitindo nenhumas optam pelo ensino doméstico ou contornam a questão com metodologias de ensino alternativas. Há ainda estabelecimentos de ensino que solicitam apenas fotocópias do boletim de vacinas e existem pessoas que não acreditam no poder da ciência mas acreditam no poder do Photoshop. (Googlar: artistas do bunker).

Mas as escolas privadas não podem vetar o acesso de crianças não vacinadas aquando das matrículas?

Não, constituindo discriminação. As escolas privadas podem ter regulamentos internos que estabelecem esta recomendação mas, em última instância, a lei está acima do regulamento da escola.

E os pais das crianças vacinadas têm acesso à informação de que os seus filhos têm na turma crianças não vacinadas?

Tendo em conta questões de confidencialidade e protecção dos dados, estes não podem ser fornecidos aos restantes pais. (Inserir balão de pensamento: podemos proteger os dados dos filhos cujos pais não querem proteger mas não podemos ter informação que proteja os nossos e permita o livre arbítrio de decidirmos se queremos manter os nossos filhos num ambiente desprotegido. Inserir segundo balão: PQP!)

Os tribunais não deveriam poder interceder para que as crianças fossem todas vacinadas tendo em conta o superior interesse destas?

"As crianças não pertencem a ninguém. As crianças são sujeitos de direitos, e não objecto de direitos (como -ainda- são os animais). Os pais são tutores e, em todas as decisões que tomam, estão obrigados e zelar pelo melhor interesse da criança. Se não o fizerem, o Estado pode e deve intervir. Exemplo: se por convicção religiosa ou outra os pais recusam tratamento médico necessário (seja uma transfusão, seja outro simples tratamento), o Estado, via tribunal de menores, pode determinar seja prestado o tratamento. Caso exista um risco iminente para a vida da criança, os médicos podem tomar a decisão de tratar, antes ainda de expressa determinação do tribunal.".- escreveu a minha amiga Isabel, que percebe de leis.
No entanto, no que diz respeito à vacinação não obrigatória os tribunais (ainda) não têm competência para actuar de forma generalizada.

"Mas as vacinas estão cheia de químicos e yada-yada. "

Tudo o que ingerimos/tocamos/manipulamos está cheio de químicos. O problema está na dose, ok?

"Isto é tudo campanha das farmacêuticas para ganharem mais dinheiro à custa dos pais histéricozinhos, hipocondríacos e incautos!"

"Quando me dizem que "as vacinas são um estratagema das farmacêuticas para ganhar dinheiro", quando ainda tenho paciência e julgo conseguir uma conversa de interesse pedagógico, costumo perguntar se, feitas as contas achamos que a farmacêutica ganha mais com uma vacina que nos vende duas vezes na vida e cujo preço às vezes é menor que o de uma pomada para o rabo do bebé, ou com uma caixa de medicamentos que tratasse os sintomas e que muitas das vezes tem que ser tomado meses sem fim. Mas, na cabeça de quem não compreende ou não quer compreender, eu estou sempre do lado dos maus da fita." - a Ana Pragana,-minha amiga farmacêutica- elucida.

"Mas se os vossos filhos estão vacinados, o que temem vocês?"

Googlar: "Imunidade de grupo".
Mas eu vou tentar resumir: quanto maior o número de pessoas vacinadas, aumenta-se a imunidade na maioria dos vacinados, reduz-se o risco de infecção nos vacinados e reduz-se drasticamente a hipótese de transmissão aos vacinados e aos não vacinados.
A imunidade de grupo é um efeito indirecto da vacinação por protecção dos vacinados e por protecção dos não vacinados por redução da circulação do agente e da transmissão da infecção. garantindo a protecção de toda a comunidade.
Existem crianças que não podem ser vacinadas ou porque são bebés e ainda não atingiram a idade em que é administrada a primeira dose da vacina (12 meses) ou porque tiveram, por exemplo, uma doença oncológica e tratamentos como quimioterapia reduzem a sua imunidade e impossibilitam o seu sistema imunitário de lutar contra as bactérias e vírus ´(mesmo que apenas aatenuados como os que compõem as vacinas) administrados na vacinação.

Que devo fazer se tenho dúvidas sobre vacinação?

Informar-me com médicos, enfermeiros. Ler artigos de fontes credíveis. Não ir na conversa do empirismo dos vizinhos. Não me contentar com a informação que meio nos blogs (inclusive neste) e procurar informar-me no meu Centro de Saúde, junto do pediatra do meu filho, do médico de família.


"Que posso fazer se sou pró-vacinação e tudo isto me faz muita espécie?"

Informar, informar, informar. Debater, explicar, elucidar. Trazer a discussão à luz. Assinar esta petição.

A culpa é da comunidade vegan?

Meus amigos, porque algumas pessoas que não vacinam sejam adeptas da alimentação vegetarina ou vegan, isso não significa que estamos perante um dogma de toda uma comunidade. Atenção às generalizações abusivas, tá?
A maioria das pessoas vegan escolhe um tipo de alimentação com que se identifica, não escolheram ser amish, tá?

"Mas se eu insistir que quero continuar a não vacinar os meus filhos e viver em comunhão com a mãe natureza?"

A mãe natureza explica também a selecção natural das espécies (googlar "Darwin"). As epidemias que dizimaram ciclicamente grande percentagem das populações foram interrompidas pela vacinação mas, pronto, podes dar o corpo às balas e decidires que a natureza é que é sábia e morreres porque sim. Só não metas os teus filhos ao barulho, tá? É que se a mãe natureza fosse assim tão sábia não te tinha dado a oportunidade de te reproduzires a ti e deixar tantas casais sensatos, com bom senso e atentos, a ter que lidar com problemas de fertilidade.
Volta para o bunker, tá?


(Obrigada pelos esclarecimentos à Daniela Marto, Marta Botelho, Raquel Lourenço, Ana Pragana, Mep, Mafalda Chambino, Isabel, Sara Cordeiro e Patrícia Nunes).

Tenho um casal amigo...

Era uma vez um casal que foi almoçar a dois num restaurante bonito, perto do rio, e para além de uma excelente feijoada de marisco, decidiu beber dois jarros de vinho frisante de pressão fresquíssimo.
A ideia era regressarem à quinta onde sogros e filha estavam e fazerem uma sesta para curar o alegretto.
Assim que chegaram, a família empurrou-os para dentro do carro para irem all together lanchar a Viseu.
Passados 10 minutos, o membro masculino do casal -sem saber como- deu por si a patinar numa pista de gelo com a filha.


O resto deixo para a vossa imaginação.

Pessoas das Beiras: porque nunca me falastes deste tema antes?

Vinho branco frisante. De pressão. Fresquíssimo.

Bicheza on top

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Estamos na geração da sobreinformação.
Temos ao nosso dispor, à distancia de um click, artigos científicos, estudos clínicos, dados históricos precisos, noticias de media nacionais e internacionais, livros e matéria vária sobre exactamente... tudo.
De repente, passamos do paradigma da sensação de conhecimento limitado, da finitude do saber, da humildade para reconhecer que "cada macaco no seu galho" para a sensação de omnipoder, omniconhecimento, omnicompetência. De repente, lemos meia dúzia de livros online de auto-ajuda e trocamos powerpoints no webtransfer de pseudo-cursos de coaching ou PNL vendidos ao desbarato e passamos a acreditar que somos psicólogos, assistimos a tutoriais de como construir casas no youtube e somos engenheiros civis ou aprendemos a fazer pasteis de nata na bimby e estamos prontos a assumir o comando da cozinha da fabrica de pastéis de Belém.  O conhecimento está ali, acessível a quase todos e, na era do imediatismo e da velocidade da informação, de repente estamos preparados para lançar um foguetão depois de termos imprimido uns esquemas de um curso online para curiosos da SANA (é NASA ao contrário, portantosss, a bom ver é capaz de ser uma espécie de sucursal, né?!).
A informação disponível está ao dispor de todos para o bem e para o mal.
Se por um lado deixámos de endeusar e dizer amén a quem tem conhecimento, de ter sentido crítico e capacidade analítica para questionarmos e discutirmos recursos alternativos, opções, causas e consequências quando um médico nos explica porque sugere determinada intervenção ou passámos a ter capacidade de discutir com o mecânico sobre o orçamento que ele nos apresenta porque podemos pesquisar preços de peças, de googlar causas e efeitos de queixas que sentimos no carro e razões que o técnico nos aponta para aquilo estar a acontecer; por outro, recorremos a grupos de pais no FB para perguntar se vale a pena levar o nosso filho que está com 42 de febre ao hospital ou se estamos a sobrevalorizar ou se vale a pena consultar um advogado para nos resolver um problema legal ou se basta descarregar uns templates da net e assim poupamos nos seus honorários.
De repente, todos temos a sensação idiota de que podemos saber tudo, que o conhecimento sobre tudo está ao acesso de todos, que o empirismo vale tanto quanto a ciência, que os factos e as opiniões diversas sobre os factos podem coexistir na mesma dimensão.
É perigoso.
São perigosos os tempos que correm. Nunca foi tão fácil saber tanto e nunca se soube tão pouco e tão mal.
As pessoas, especialmente as pessoas da minha geração, não foram preparadas para gerirem tantos estímulos, tantas informações, processarem tantos factos, tomarem tantas decisões por minuto, analisarem e resolverem tantos problemas por dia, gerirem tantas relações no mesmo espaço físico e  virtual e de repente anda tudo a passar-se da pinha.
Desde teorias sobre o 11 de Setembro que foi encomendado ou ficcionado, anúncios do fim do Mundo, mês sim mês não, segundo profetas da república democrática do Congo ou os dilemas da Maria Helena, benefícios e malefícios do leite de vaca bastando fazer scroll down nos murais de facebook, passamos a vida a gerir informação e contra-informação, até enchermos o saco e nos apetecer mandar às urtigas todas as redes sociais e tornarmo-nos uma espécie de eremitas/Amish/Fernandos Pessoas naquela do "olhai, Lídia, as flautas dos pastores".
Andamos de cabeças cheias.
Eu defendo a liberdade. Ninguém imagina como é essa a minha causa todos os dias: a luta pela liberdade de cada um fazer as suas opções sem medos, cobranças ou julgamentos. Na maternidade, mais que tudo porque acredito que cabe às famílias decidirem o que é melhor para as suas dinâmicas familiares. Estou-me nas tintas para se as famílias decidem pelo co-sleeping até à puberdade, dar de mamar até aos 9 anos ou escolher não amamentar, ensinar uma religião logo que a criança nasça ou preferir não introduzir nenhuma crença religiosa até que os filhos tenham livre arbítrio,  preferirem deixar os filhos pequenos com os avós ou optarem por uma creche assim que termina a licença de maternidade. Estou-me nas tintas é como quem diz, folgo para que as famílias decidam o que é melhor para elas como um todo, para as suas crianças e os seus adultos, para os novos membros e a família alargada, que escolham o que mais se ajusta às suas dinâmicas familiares. O que é melhor para cada um, tendo por base a premissa de que isto do "melhor" assenta muito nas escolhas individuais e diverge de pessoa para pessoa, de família para família.
Há uma excepção que assenta num cliché " a minha liberdade acaba quando começa a do outro". Escolher ser new age e querer um parto em casa, na água, acompanhado por uma doula índia da amazónia pode correr mal para a grávida e para o pobre do recém-nascido mas não afecta o grupo, a comunidade onde esta família está inserida. O que não faz sentido é escolher-se não se vacinar os filhos e, com essa escolha, poder pôr em risco os filhos dos outros.
Pais não podem, segundo a lei, escolher andar de carro com  filhos pequenos sem cadeirinha de bebé. Pais não podem, segundo a lei, uma série de coisas tendo em conta os superiores interesses da criança. Mas podem decidir não as vacinar e, com isso, darem cabo da imunidade de grupo e contribuírem para que doenças erradicadas num país voltem em forma de surto. Pais podem decidir pôr em risco, de forma deliberada, os filhos dos outros.
Está certo.
Meus amigos, a Ciência não é uma crença, não é uma religião, não é um dogma. A Ciência não tem suspeitas, a Ciência não tem convicções, a ciência não pressupõe: a ciência sabe, provou, tem evidências. A Ciência são factos. A Ciência deve ser lei, entendem?
A Ciência diz que a vacinação é o caminho.
Sabem o que eu proponho?
Proponho fazermos uma colónia de férias só com estes pais sujeitos a muitos vírus. Só os pais e a bicheza, tiremos as criancinhas deste filme. Tipo experimentação. Tipo Big Brother Viral ou Casa dos Segredos dos Bichos. "Bicheza on top", sugeriram-me a Nélia e o Ricardo. Todos "uns comojoutos". Com provas tipo conta as pintinhas das costas e quem tiver mais ganha. Ou bora lá ver quem tem a papeira mais inchada. Ou quem tiver borbulhas com mais pus. Isto tudo num bunker que se é para ter comportamentos de idade média temos que ter o setting certo. Sem wifi, pois está claro que se os químicos fazem mal às criancinhas, as radiações dos telemóveis também fazem mal às cabecinhas dos adultos. Sem acesso a redes sociais que se isto há  "complô" das farmacêuticas e teorias da conspiração, então os satélites e o Mark Zucka também são conspiradores implacáveis. Back to basics, não é? Tudo a lavar roupinha à manita, tudo a comer com as mãos. Tudo a trocar cromos de vírus como quem troca cromos do LIDL: "já tens uma maláriazinha?", "Ah eu pego-te se me deres um dengue para a troca!".
Ganha o prémio final quem tiver o cérebro mais mirrado.
O prémio?
Uma viagem para o vírus que os pariu.
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