sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mamonas assassinas

Este post tem sido adiado sucessivamente. Primeiro, porque sei que vai gerar polémica, em segundo lugar porque as minhas hormonas já não são o que eram e corro o risco de ser gratuitamente mal-educada e, em terceiro, porque escrever sobre isto implica alguma pachorra e bom senso. Mas eis que chegou o dia. 
Tema: amamentação.
Preparados? Eu não faço intenções de dar mama à minha filha. Pronto, já disse.
Poupem-se as pessoas que estão já de dedos no teclado a quererem-me esclarecer sobre a cartilha de benefícios da amamentação que eu já a conheço de cor: o poderoso factor imunológico do leite materno, a vinculação (discutível a meu ver e olhem que eu sou psicóloga e o pai da cria pedopsicólogo, tá?) afectiva que se cria nos momentos de amamentação, a portabilidade e acessibilidade das mamas no que diz respeito ao transporte do leite, a melhoria do desenvolvimento neuro-psicomotor infantil e cognitivo, o possível aumento do QI (ainda bem que a minha mãe não me amamentou senão imaginem a sobredotada incompreendida que eu seria?!), a promoção de um melhor padrão cardio-respiratório durante a alimentação, a diminuição mais rápida do volume do útero e consequente emagrecimento por parte da mãe, o menor risco de hemorragia no pós-parto e, claro, o factor anticoncepcional da coisa. Para não falar do factor economicista da coisa. 
Pronto, agora que vos provei que conheço, de cor, as vantagens da amamentação vou repetir: não pretendo dar de mamar à Ana e é por opção. E só mudarei de ideias caso a obstetra me diga, peremptoriamente, que a vida da minha filha ficará comprometida se não o fizer. O que, até ver, não será o caso. 
E, sim, poderia disfarçar e dizer que "não posso amamentar" e que tenho muito desgosto por isso. Que, assim que parir, terei que tomar um antibiótico fortíssimo para curar a puta da infecção que me persegue há meses e que, devido à gravidez, não posso tomar. E que não o poderia tomar também se estivesse a amamentar. E esse argumento até é verdadeiro. 
Mas a verdade, a verdadinha, é que nunca fiz intenções de amamentar. Por inúmeras razões que vão desde as fúteis e estéticas às de comodismo. Às de egocentrismo e incapacidade de abnegação total. Às de necessidade de não anular o meu bem estar emocional em troca de leite directamente vindo da fonte para a minha filha. E, porque, fundamentalmente, é uma decisão passiva de ser uma escolha e há alternativas em que eu acredito. E escolho-as, conscientemente. 
E, meus amigos, eu própria não fui alimentada a mama (secou o leite à minha mãe) e sobrevivi à prematuridade, a 1600 Kg de peso à nascença, a uma doença gravíssima, a uma cirurgia com 15 dias de idade no Hospital Pediátrico de Coimbra (salvé, Dr. Torrado da Silva!) porque na Estefânia se recusaram a operar-me e a uma meningite no pós-operatório. Tirando as sequelas que ficaram (ortopédicas e urológicas) eu sou aquela que nunca ficou constipada, nunca teve uma dor de ouvidos ou garganta. Sou a pessoa mais resistente que possam imaginar! Quanto ao QI? Epá, sempre fui uma excelente aluna, nunca chumbei a uma cadeira que fosse, quanto mais um ano? Sou perspicaz e espertíssima! Quanto à vinculação com a minha mãe? Esta dispensa explicações.
Resumindo: eu sou a prova provada que, embora o leite materno seja a situação ideal, o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta. 
E, quanto mais a gravidez avança, mais certezas eu tenho quanto a este ponto: a Ana será alimentada a leite adaptado. Não dependerá de mim de duas em duas horas mas sim de ambos os pais. Porque, depois da gravidez, passamos a ser uma equipa. E criará uma relação igualmente vinculativa com ambos os progenitores e não uma privilegiada comigo. E, sabem que mais, para mim a parentalidade só assim faz sentido. 
O plano é, fundamentalmente, eu poder aliviar os 9 meses de exaustão que estou a carregar nos ombros e não perpetuá-los com a amamentação. Poder dormir quando for a vez do pai dar o biberão. E serão vezes igualmente repartidas porque, nesta família, o bebé não será da mãe e ao pai não caberá apenas a tarefa de "ajudar". O plano é não correr o risco de stressar com possíveis dores, encaroçamentos e frustrações do bebé não "pegar" nas ditas cujas. Não ter que fazer algo que encaro como sacrifício e não como prazer. Ou, como escreveu alguém numa caixa de comentários mais abaixo: "mais vale um biberão com amor do que uma mama com sacrifício".
Não condeno as escolhas de nenhuma mãe. Por mim, tirem fotografias às barrigas cheias de estrias, tenham partos em casa, dispensem médicas e contratem doulas, comam placenta, tenham partos debaixo de água, façam cesariana por opção, dispensem epidurais, amamentem até à adolescência, usem leite materno para fazer bolos, coloquem as fotografias dos vossos filhos na Internet. Cada um sabe o que é melhor para si e o que eu valorizo não tem que ser o que os outros valorizam. Não temos que nos reger todos sob a mesma batuta. Importante é que as escolhas que cada um toma sirvam a cada um, que lhes proporcionem bem estar e felicidade. Portanto, quando alguém me perguntar porque não amamento a resposta é simples: "PORQUE NÃO QUERO!". 
O que eu quero é usufruir, com a alegria que as escolha que faço (fazemos) me irão proporcionar, a maternidade. Neste caso, porque nas minhas mamas mando eu.
E eu é que decido. 

146 comentários:

Sãozinha disse...

Pólo: aprovadíssimo. Que ainda estamos num país livre, cada qual faça o que entender. E sim, há uma mãe e um pai e um biberão para os unir ao filho.

Cristina disse...

Pumbaaaassss... e quem fala assim, não é gaga!!

menina disse...

Não tenho filhos nem estou grávida,mas concordo a 100%.

MGeraldes disse...

Concordo 100% contigo.
Adoro ser mãe, ao contrário de ti adorei estar grávida... tirando algumas questões. O PIOR foi a amamentação, tentei e ODIEI.... não foi bom para mim, não para o R.... ele chorava e eu também. Foram assim 2 meses, até que disse BASTA! Eu quero qualidade de vida para mim e para o meu filho. E assim foi!

Todos nós temos direito de escolha e isso ninguém te pode tirar.

Bjinho e bom fim de semana :)

Brandie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandra disse...

(só para irritar) sabes que podem dividir à mesma as horas do biberão se tu fores tirando com a bomba, pelo que não tens sempre de lá ir tu!? Na verdade compreendo todos os argumentos... mas adorei amamentar e só o pude fazer 2 meses. É uma seca andar sempre a ferver água, aquecer água, preparar leite. Com as mamas ali... já prontas... tudo feito nas quantidades e temperaturas ideais... achei mais fácil do que andar carregada sempre com termo, pó, e mais sei lá o quÊ!

Maria.Fonseca disse...

A minha mãe não me pôde amamentar, apesar de ter um volume peitoral muitoo acima da média, o leite não era forte o suficiente para me saciar. Até hoje, garanto-lhe que não sei o que é uma gripe, constipação, dor de ouvidos, de garganta whatever! Das vezes que fui às urgências foi por ser uma criança calminha e de vez em quando rachava a cabeça. Quanto à vinculação, não imagino melhor relação possível de ter com a minha mãe. Por isso acho que, tendo em conta o que tem passado na gravidez, é uma escolha mais que justa para si. E, com certeza que, a Ana será uma bebé forte, feliz e amada :) E com uma mãe também muito mais feliz :)

CoriscaRuim disse...

As mamas não são tuas?
Então pronto!
Quem for contra, que dê as suas a mamar! Simple as that :p

Mas eu também sou a gaja que se recusa a ter filhos, por isso não sei se a intenção conta :)

Pólo Norte disse...

(só para irritar, igualmente) sabes que a ideia de tirar leite com uma bomba me lembra as vacas a serem mugidas?
É uma seca andar sempre com as mamas inchadas, com discos a ensopar o leite que molha o soutien, ter que condicionar a vida todapara estar sempre disponível para sacar da mama de x em x horas...
Acho mais fácil andar com um tupperware com pó de leite, um termo e um biberão.


(Fico feliz que tenhas adorado a experiência. Honestamente. Eu, estou certa, não iria adorar.)

S'M disse...

Polo és ursa, não vaca leiteira.
Muito bem dito...

A. disse...

Olha, pois também não fui amamentada (a minha mãe ainda tentou, mas era uma tortura tal ao ponto de ter de alimentar com um pano entre os dentes para morder), e eu ia perdendo peso, até que os médicos acharam que os possíveis benefícios eram largamente ultrapassados pelas desvantagens e estado emocional e físico da minha mãe. Assim que passei ao leite em pó, logo comecei a engordar e fiquei óptima.
E como tu sabes, não me faltaram laços afectivos com os meus pais, e muito menos fiquei traumatizada ou menos inteligente por isso.
Tenho várias amigas que tomaram essa opção, e não as vi passar pelo desespero pelo facto dos bebés nao pegarem, nao saberem mamar, não conseguirem dormir mais de uma hora seguida para dar de mamar de 2 em duas horas, etc, como vi com amigas que escolheram amamentar. Cada um sabe da dose de sofrimento que está disposta a sofrer, e o quanto isso possa afectar, até, a forma como vêem e sentem o seu bebé nos primeiros tempos. E se amamentar puder trazer sentimentos de ressentimento contra o bebé, entao mais vale nao o fazer.

Pedro M. disse...

Mámen resumia isto de maneira muito mais pragmática:

Lá por ser minha filha não há-de estragar as mamas à mãe. Antes de serem dela já eram minhas.

Unknown disse...

Vês, Ursa, já contas com 6 posts de avé avé. Sim, porque o meu também é concordante.
O corpo é nosso, a sanidade mental é nossa, não havendo contrapartidas para a saúde do baby, não vejo mal nenhum em não amamentar.

Eu não amamentei porque não tive leite, o meu filho, que nasceu prematuro de 30 semanas, recebeu durante apenas 2 semanas leite de um banco de leite materno. Depois foi sempre LA. E digo-te, ou o leite materno que ele recebeu era muita bom ou então toda a conversa dos benefícios é BS, porque o meu puto é saudável como um touro, com 2 anos e meio nunca teve mais do que uma otite e duas ou três constipações. E apesar de ser minorca (nós pais não somos nenhumas torres), está super bem desenvolvido e não sofremos problemas nenhuns de vínculo.
Por isso, a conversa dos benefícios ou malefícios... não interessa mais do que a tua vontade, a qual eu compreendo perfeitamente. O LA realmente é um conforto.

Assinado:

a conterrânea do Pão com...

A. disse...

p.s. e não fui mais doente por isso também.

Unknown disse...

Ah sim... a bomba. Essa p*** que me deixou as minhas micro mamas ainda mais micro e com um centro de gravidade muito abaixo do desejável.

POC disse...

Que tipo de meningite? A dos meninos (a viral que se ouve de vez em quando nos jornais como se fosse grande coisa) ou a à séria, meningocócica (fulminante)?

Junta-te ao grupo. Estive às portas. Escancaradas. Mas não cheguei a ser operado.

Quanto às mamas, hey, são tuas.

lampâda mervelha disse...

Falaste em sangue e pensei em cabidela. Vim enganado, ora bolas.

Quanto à questão do leite, é uma opção. Há que amamente lambões até idades impensáveis, certo? Fazes bem.

Já agora, com 1600kg à nascença, quantas paletes de leite bebias ao dia?

C* disse...

Oh!! E eu à espera, ansiosamente, de coisa polémica e sangrenta! Pólo, fazes o que queres às maminhas e ao leitinho, não vejo polémica alguma nisso. Nenhum bébé se recorda do sabor inigualável do leitinho morno a jorrar do mamilo! A mim dizem-me que também não mamei, mas se tivesse mamado era igual, não me lembrava à mesma, só sei que num passei fomeca! Saí meia achacada, mas isso num tem nadica a ver com a proveniência da papa, é mesmo de mim, mas também saí espertissima carago! E bunita que só eu!
Só acho é que com esta crise, é um desperdicio de recursos, 'causa que o teu leite vem de graça!

Kelle disse...

Quanto à questão anticoncepcional enquanto se amamenta asseguro-te que uma das minhas amigas foi concebida enquanto a mãe amamentava o irmão mais velho, daí os 11 meses de diferença entre os dois irmãos, por isso não me venham cá dizer que não se engravida enquanto se amamenta que nessa eu não caio! :)

Lili disse...

As mamas são tuas e a filha também... mais argumentos para além deste é conversa para "encher chouriços".

Graça disse...

Tudo dito :)

Cristina disse...

Vou ser sincera... estou a pensar engravidar (aliás, não sei se não estarei já tal é a quantidade de vezes que vou à casa de banho...), e a parte da amamentação é aquela que me causa mais espécie.

A minha mãe tentou. Comigo, o leite secou muito cedo. Com o meu irmão, era basicamente água e ia-me matando o rapaz de fome.

E somos pessoas saudáveis e espertitas, vá...!

Felizmente, a decisão de amamentar depende da mulher e, agora que falas nisso, mamas inchadas e pingonas é motivo para se pensar 2 vezes.

Jujubis disse...

Adorei ! Chorei de rir. Parabéns !

Cisca disse...

Só para ser do contra, daqui a nada está tudo a dizer que os bebés que se alimentam de leite adaptado são mais saudáveis, mais inteligentes e adultos melhores.. acho que nem se devia fazer essa comparação, pois há de tudo: saudáveis e doentes, inteligentes ou não, a beber leite da mãe e a beber leite em pó.

Ia só atrever-me a fazer uma pergunta: este discurso (com cuja premissa base - "nós é que sabemos" - concordo em absoluto), não faria mais sentido depois da bebé nascer e ter passado pela experiência de dar de mamar? Claro que me pode dizer que nunca foi à China e sabe que lá há chineses mas em todo o caso, e dada a importância que a questão parece ter, não valeria a pena experimentar só para saber, por conhecimento próprio, como é? - Não veja aqui qualquer crítica; é só uma curiosidade.

Cisca

T. disse...

Concordo plenamente contigo, nas tuas mamas mandas tu;)

Teresa Rodrigues disse...

eu não fui amamentada bem ou mal não gostava de leite e pronto!!! mas eu sou burrinha portanto não conto para as estatísticas.

acho mesmo que cada um sabe de si e detesto pessoal que manda bitaites nos filhos dos outros.. então também deveriam mudar fraldas, perder noites de sono e tretas dessas..

contudo, polo, dsc a sinceridade.. nos comentários anteriores há muita gente que diz que não amamentou porque não conseguiu, ou porque lhe doía ou cenas dessas... não é o mesmo caso que tu, tu fizeste essa escolha à priori...

não é mau nem bom, mas para mim é efectivamente diferente.

Pólo Norte disse...

Luna,

Ainda a Nan me contrata a mim e a ti para desmistificar a relação entre QI e amamentação natural... :P

A. disse...

Olha, ainda esta semana vi não sei onde um estudo em que demonstravam que, fora a importancia do acesso à educação, etc, que a inteligência era maioritariamente genética e hereditária.

(se o conseguir encontrar mando)

Lady Cat disse...

Aqui a questão é simples: somos um povo livre cada um faz aquilo que quer, ou acha melhor. E aí de alguém que critique as tuas opções. São TUAS. Força Pólo.

Pólo Norte disse...

Cisca,

Eu assumo no post que a decisão foi tomada à priori. Eu não QUERO mesmo amamentar. E não tem só que ver com medo da minha filha não pegar na mama, de sofrer enquanto amamento, do peito me encaroçar e possíveis complicações que só saberia depois de experimentar a coisa. Tem que ver coma necessidade que eu tenho de viver uma maternidade partilhada, um pós parto mais relaxado e não assente numa total dependência da criança das minhas mamas. Tem que ver com o facto de eu precisar de dormir um mínimo de horas depois de nove meses de suplício. E, sim, também de não querer protelar a necessidade de cuidar de mim, como pessoa, e não me concentrar apenas e exclusivamente no meu papel de mãe.
Daí ter dito que "Por inúmeras razões que vão desde as fúteis e estéticas às de comodismo. Às de egocentrismo e incapacidade de abnegação total. Às de necessidade de não anular o meu bem estar emocional em troca de leite directamente vindo da fonte para a minha filha. E, porque, fundamentalmente, é é uma decisão passiva de ser um escolha e há alternativas em que eu acredito. E escolho-as. "

Beijinhos.

Pólo Norte disse...

Luna,

Uma private:

Mámen é um estudo de caso... :p

Cisca disse...

Então mas imagine só.. E se a experiência é afinal fantástica? ;)

Cisca

A. disse...

já agora, para mim, a maior vantagem da amamentação é de facto a transmissao de anticorpos da mão para o bebé, que potenciam o seu sistema imunitário nos primeiros tempos. MAS, uma vez parada a amamentação, a criança terá na mesma de desenvolver os seus próprios anticorpos e sistema imunitário adaptativo, já que anticorpos nao sao eternos nem ficam lá para sempre.

Incógnita disse...

Ontem opinei quanto às mamas, hoje opino em relação a isto:

"Quanto ao QI? Epá, sempre fui uma excelente aluna, nunca chumbei a uma cadeira que fosse, quanto mais um ano? Sou perspicaz e espertíssima!"


Um bom rendimento escolar não é nem nunca foi sinónimo absoluto de inteligência. Estou farta de ver crianças com rendimentos escolares pobres resultantes, por exemplo, de problemas do foro emocional, serem rotuladas de burras ou "cognitivamente menos dotadas". Veja-se o Einstein, que era um péssimo aluno, e cuja inteligência actualmente ninguém questiona. A pólo é psicóloga, deve saber isto melhor do que eu.

(Já se percebeu que sou uma voz do "contra", venham as censuras.)

Pólo Norte disse...

Cisca,

Não saberei. Estou a concentrar-me no fantástico que será partilhar biberão com mámen! ;)

Pólo Norte disse...

Incógnita,

Por isso acrescentei "Sou perspicaz e espertíssima! " :)

Incógnita disse...

Faltou o "modesta"... :/

Pólo Norte disse...

Modesta? Nunca. Sempre realista. ;)

Cisca disse...

Eu não sou pró (nem contra, na verdade) mamas. E acho a liberdade (de decisão e não só) dos melhores direitos que temos! Por isso faz muitíssimo bem em decidir o que achar melhor! As perguntas eram só curiosidade, não me leve a mal! ;)

Cisca

Princesa sem Reino disse...

As mamas são tuas, fazes o que quiseres. Não amamentei porque não deu. Sofri horrores a tentar que a coisa se desse e a minha filha mandou-me à merda. Está a crescer a leite adaptado e maravilhosa. E é bem verdade que mais vale um biberão com amor do que mama com lágrimas a escorrer. E reitero, as mamas são tuas, quem decide és tu!

A. disse...

Cara Incógnita

lamento informar mas essa noção de que o Einstein era péssimo aluno e teria chumbado a matemática, é o que se costuma chamar de mito urbano, possivelmente inventado por alguém que queria justificar o seu insucesso escolar e perpetuado por pessoas que se sentiam reconfortadas nessa noção, alimentando a noção de que mesmo chumbando a tudo poderiam ser génios em potência.

Aqui uma lista de linquezinhos sobre o assunto:

http://www.abc.net.au/science/articles/2004/06/23/1115185.htm

http://www.todayifoundout.com/index.php/2011/12/albert-einstein-did-not-fail-at-mathematics-in-school/

http://listverse.com/2009/05/23/another-10-fascinating-facts-that-are-wrong/

"Myth: Einstein failed math at school

This is a surprisingly old error which everyone seems to believe. Its origins seem to be a 1935 article in the Ripley’s Believe it or not magazine in which the myth first appears in print under the heading “Greatest living mathematician failed in mathematics.” Many failing students probably take heart in the myth thinking that there may be hope for them if Einstein could flunk math and still become a genius, but unfortunately for them, Einstein showed genius from a very young age – including in the field of mathematics. When he was shown the article from the magazine, Einstein laughed and said: “I never failed in mathematics. Before I was fifteen I had mastered differential and integral calculus.”

Queen of Hearts disse...

Eu já não implicava com a não amamentação por escolha (abaixo quando falei que me irritava a não amamentação por ignorância, não era obviamente a ti que me referia - desde logo, pelo que "conheço" do que te leio, sabia que estarias hiper informada. Espero não ter sido compreendida dessa forma!), acho e sempre achei que as mamas são da mãe, não dos filhos, como muitas vezes se diz. Pode não ser essa a minha escolha, mas não posso criticar quem faz escolhas diferentes da minha, especialmente quando esclarecidas e fundamentadas aos olhos de quem as faz. Mas para além desse respeito, que acho básico como princípio, depois de ter lido aquele teu post uns ali mais abaixo, confesso que, numa determinada perspectiva, até te dou "razão" em preferires não amamentar. Tiveste uma gravidez muito, muito complicada e acho que dolorosa em vários aspectos. Se decidisses amamentar a tua filha, a coisa até poderia correr bem. Mas parece-me que a probabilidade de, nos primeiros tempos, a coisa correr bem, é mais baixa que a contrária. Eu amamento porque QUERO e optei por, mas para mim só há poucos meses é que é bom :) O início foi um descalabro. Depois foi melhorando devagar. E no aspecto do descanso não é bom de maneira nenhuma. O meu sonho neste momento é voltar a dormir. Odeio andar com a bomba atrás, sinto-me vaquinha, sim. Atrapalha-me o trabalho. Mas eu quero continuar a amamentar, é a minha opção e, portanto, até ver vou suportando a falta de descanso e eteceteras. Acho, Pólo, que é uma coisa boa poupares-te a mais "sofrimento", ainda que potencial. É desnecessário. E a tua argumentação de partilha faz, toda ela, muito sentido.
Desculpa lá estes mega comentários, estou verborreica (é bonito, verborreica).

Sofia disse...

eu e os meus irmãos não fomos amamentados e nunca tivemos qualquer problema com isso...

Queen of Hearts disse...

Ah, e como ser chata ainda não paga imposto... :) Sem nunca prescindir da minha escolha e do que penso acerca dela... Eu sou filha de LA :) coitada da minha mãe, até queria amamentar, mas não teve quem lhe desse nenhum apoio e a coisa correu mal. Mas pronto, estou aqui fina e para as curvas, sou bastante inteligente embora admita que possa não o parecer, sou saudável e sempre fui, como a maioria das pessoas da nossa geração. Contra estes factos não há argumentos e não há como não se ser um pouco devil's attourney.

Boneka disse...

Tudo o que quero na vida é ser mãe. Se ser mãe passa pelas mamas, não sei ( mas poderíamos fazer aqui um imenso comentário ao complexo de Édipo que os homens têm com as mamas...).
Sei que não mamei, nem em mamas, nem biberão! Em nada, sublinho! Ainda adulta não chupo rebuçados, não lambo gelados etc! Não o sei fazer! Prontos!
Fui alimentada à colherada - para desespero da minha mãe. E fui precoce na sopa, que preferia ao leite!
Para concluir: sou unha e carne com a minha mãe, não tenho complexos alguns, as inseguranças são as mesmas que todas as mulheres e o QI?? Digamos que o que me faltou em mama materna sobrou-me de QI!! ;-)

As mamas são tuas, gaja!

Incógnita disse...

Luna, aceito e acredito.

Há no entanto demasiadas variáveis envolvidas no rendimento escolar de uma pessoa para que se possa resumi-lo a uma questão de inteligência. Ela conta, de facto, mas não é factor único de predição de sucesso. E os psicólogos, mais do que ninguém, sabem disto. E sendo a Pólo psicóloga, a minha sobrancelha direita tremelicou.

Pólo Norte disse...

Incógnita,

já pedi à Lusófona segunda via do meu certificado de habilitações, para que não restem dúvidas... :D

(Qual foi a parte do perspicaz e espertíssima que não ficou clara? Quer que faça uma dissertação sobre inteligência emocional e social para além das variáveis cognitivas no cálculo do QI? Ou preciso de lhe revelar os meus resultados nas matrizes de Raven?)

Beijinhos

A. disse...

Cara Incógnita

exacto, há imensas variáveis implicadas. Uma criança faminta e subnutrida nunca poderá atingir o total desenvolvimento intelectual. Uma criança que leve porrada todos os dias dificilmente poderá demonstrar as mesmas aptidões de uma criança não abusada física e psicologicamente. Há uma série de factores ambientais que contribuem para o sucesso ou insucesso escolar, que certamente serao bem mais preponderantes que ter ou não sido amamentada. E isto sem falar da simples genética. E creio que em lado nenhum a pólo refutou isso, pelo contrário.
Mas, e lamento discordar, o sucesso escolar revela desenvolvimento intelectual normal, independentemente de factores que possam retardar o desenvolvmento potencial de cada um, devido a situações anormais.
Ou seja, uma criança exposta a todos os estímulos normais no seu desenvolvimento, sem traumas fisicos e psicologicos, deverá poder atingir o seu potencial. E esse potencial revela-se, entre outras coisas, em sucesso escolar.
Posto isto, invocar crianças sujeitas a traumas como razão para insicesso escolar, é simplesmente um argumento inválido para menorizar o facto de uma criança não amamentada ter sido sempre melhor aluna e cumprido todos os objevtivos escolares, que é do que aqui se fala.
E já agora, eu e a pólo, duas pobres nao amamentadas, fomos as melhores alunas na nossa turma.

Cila disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cila disse...

Por aqui tb não houve leite materno, nem a mim nem aos meus dois irmãos e tb nunca tivemos qualquer doença, eu até acho que nunca tive febre, que me lembre. No primeiro filho ainda tentei amamentar mas odiei, tanto que se houvesse segundo pensei logo por não fazê-lo, entretanto, vieram dois (gémeos)e com mais certezas fiquei que nem sequer tentaria amamentar, no entanto, ainda tirei umas gotas durante um mês com a bomba, depois acabou, não estava mais para me sentir mal comigo se eu tinha a experiência viva que mesmo não bebendo leite materno sou super saudável e acho que também não sou burra :) . Adorei o texto e se o conseguisse escrever tão bem era isto sem tirar nem pôr :)

Incógnita disse...

Oh Pólo, a minha questão consigo já estava resolvida, eu agora estava num tête-a-tête com a Luna!

A. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Progulka disse...

Compreendo perfeitamente os teus argumentos, os meus seriam exatamente os mesmos. Sei que para a maioria das mulheres dar de mamar é uma coisa normal, mas a mim sempre me causou impressão e até uma certa repulsa. Só uma questão: será que a seguir ao parto as pessoas que te estiverem a assistir (médico, enfermeiros) não farão pressão para dares de mamar? É que já ouvi casos assim, em que a mulher é completamente pressionada e massacrada para o fazer. Já para não falar da mãe e da sogra...

Incógnita disse...

Então mas agora as pessoas já nem são avisadas directamente dos prémios que ganham? É preciso ter-se facebook? E se eu não tivesse, como era? Ia a o prémio reverter a favor de uma instituição de solidariedade só porque ninguém o reclamou? Exijo que o dilto tricotado à mão pelas rendeiras de Avis seja entregue na morada que apresentei aquando da entrega da minha candidatura!

Prezado disse...

Também, já sabias que ias pro inferno de qq forma. Assim também eu.

A. disse...

Para terminar:

quando a pólo diz que foi sempre óptima aluna e alcançou todos os objectivos escolares propostos, apesar de não ter sido amamentada, apenas mostra que isso nao foi factor decisivo, pelo que nao se podem tirar conclusoes quanto à amamentaçao como condição de sucesso. e se tiver havido influência, essa influência não é visível aparentemente.

já se a pólo dissesse que nao tinha sido amamentada, e tinha chumbado 4 vezes na primeira classe, 3 na segunda e mais duas na quarta, aí sim deveriam avaliar-se as condicionantes sociológicas a que foi exposta, antes de assumir que a culpa seria apaneas da nao amamentaçao.

e nao é preciso ser psicóloga para saber distinguir a diferença entre as duas situaçoes, ou conclusões que se podem tirar de ambas. basta ser capaz de raciocinar e ter algum raciocínio científico.

fgj disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Bem escrito!

Nem vou dizer que tu é que sabes e blá blá blá porque espero não precisares da aprovação de ninguém para fazeres o que entenderes com o teu corpo, a tua filha e a tua família. É que não temos mesmo nada com isso.

Eu ia com receios relativamente à amamentação porque queria muito amamentar mas à minha volta só ouvia histórias de horror como as muitas que aqui estão nestes comentários.
Mas eu queria mesmo amamentar e devo confessar que também era por motivos egoístas. O argumento da vinculação é a maior treta de todos os tempos, serve apenas para culpabilizar mães impressionáveis e os supostos benefícios na inteligência, give me a break... As potencialidades nutricionais e o argumento de que é mais saudável o leite materno penso serem óbvias, alimento orgânico mais orgânico não há, mas depende sempre da alimentação da mãe blá blá Enfim, who cares...

O que eu queria era simplificar as coisas. E isso passava por várias coisas que a amamentação me poderia proporcionar, se tudo corresse bem: dar o alimento que a natureza destinou ao puto e que seria o mais adequado; evitar cólicas,gases e escolhas intermináveis entre potenciais leites adaptados, poupar-me à parafernália dos biberões, tetinas e o raio e ainda (e absolutamente nada the least) ajudar a recuperar a antiga forma mais rapidamente, contraíndo o útero no pós parto e queimando todos os quilos da gravidez mamas fora.

Eh pá e sinto muito desiludir todas as aves agoirentas da amamentação, mas correu tudo lindamente desde o primeiro dia, eu dei-lhe a mama e ele pegou que foi uma maravilha, nem senti a subida do leite e a dada altura o problema até foi ter de menos, que foi uma chatice e tive que começar com o aborrecimento das sopas e papas pelos cinco meses e meio. Foi assim simples e sem floreados, se calhar foi por não me pôr com teorias e stress, se calhar tive sorte...

E a partilha de tarefas e a participação plena do pai? Dei o primeiro banho ao meu filho tinha ele quase três meses e foi porque o pai não estava em casa e tinha mesmo de ser. E poupei-me à muda de muitas fraldas. Vinculação não lhes faltou, eu assistia na boa ou ia à minha vida.

Nem sempre é um bicho de sete cabeças, meninas, só isso.

Incógnita disse...

Luna, releia o meu penúltimo comentário onde me refiro à inteligência assim "Ela conta, de facto, mas não é factor único de predição de sucesso." Portanto, nada em contradição com o que me diz. E neste caso não estava a discutir a questão da amamentação. Era um mero aparte sobre a relação entre inteligência e desempenho académico.

Maria.Fonseca disse...

E esqueci-me de dizer que a minha irmã mais nova que foi amamentada (DISCRIMINAÇÃO!!) tem asma desde pequena, montes de alergias e está sempre a caminho das urgências com crises respiratórias. A minha mãe até diz "se soubesse o que sei hoje tinha-te dado leite em pó como à tua irmã". E eu bem vi o que a minha mãe sofreu para a conseguir amamentar, desde dar leite e sangue ao mesmo tempo à filha, até ficar sem parte do mamilo porque se ia desfazendo :/ Tudo isto porque cedeu à pressão de médicos e família.

A. disse...

Incógnita

creio ser absolutamente claro que quando a Pólo refere inteligência e desempenho escolar, pretende frisar que a sua inteligência (ou seja, desenvolvimento cognitivo) e desempenho escolar nao foram afectados pelo facto de nao ter sido amamentada. Ponto.

Em nenhuma parte refere os impedimentos ao desenvolvimento da inteligência (desenvolvimento cognitivo) que possam afectar e justificar o fra o desempenho académico de crianças que teriam as mesmas capacidades inatas.

As minhas africanisses disse...

Não sou bem, nem estou em vias disso, mas sou filha, e os relatos que a minha mãe fez, não são agradáveis. Desde "foram as piores dores de sempee", "ficou tudo em ferida", e estava sempre desejosa que saísses dali, penso que com esses relatos são esclarecedores para mim. Acho que também aderia à tua opinião. Acho piada as pessoas que dão opiniões sobre as possíveis educações dos filhos dos outros, cada um decide sobre o seu próprio filho, e cada um acha que está a fazer o correcto. Acho bem não amamentares, e acho bem assumires e não dizeres mentiras só porque é bonito!

A. disse...

Maria Fonseca:

exacto, a minha mae acho que chorava enquanto me tentava amamentar, os mamilos infectaram, até que parou. Mas ainda me há de aparecer ai alguém a dizer que dar de mamar em mamilos infectados e cheios de pus que vai direitinho para o bebé é muito bom.

sem-se-ver disse...

é contigo

Maria do Mundo disse...

Pólo, desculpa a franqueza, mas vou-te dizer uma coisa: tens toda a razão. Eu tenho duas filhas, amamentei uma até aos sete meses e outra até aos três meses porque não correu bem com a última. Pois esclareço que a que foi menos amamentada É MUITO MAIS RESISTENTE A INFECÇÕES que a que foi até aos sete meses. Para mim a amamentação foi uma dor de cabeça e só uma grande depressão pós parto me fez persistir naquele sofrimento, que depois, felizmente deixou de o ser porque me habituei. Tenho uma prima que é médica de saúde pública e que é também mãe e diz que as teorias são muito bonitas mas que a amamentação é uma seca!
Portanto, resumindo: eu amamentei as duas, uma mais do dobro que o tempo que a outra e a que mamou menos toma menos antibióticos de longe! Já ficamos tão mas tão presas com a vinda dos pequeninos que não me choca nada uma mãe que não queira amamentar! Não tenho visão romântica nenhuma sobre a amamentação e a filha é tua ponto final! Ah e tenho uma amiga que nunca amamentou o filho e ele tomou o primeiro antibiótico aos quatro anos!
Beijos e boa sorte!

Pólo Norte disse...

Oh Incógnita, a minha questão consigo já estava resolvida, eu agora estava num tête-a-tête com os seguidores do facebook do Quadripolaridades!

Tulipa disse...

Parece-me universal que a harmonia seja considerada um bem muito mais necessário do que o leite materno, para o crescimento saudável de uma criança.
Agora vou mas é ver se trato do teu presente de aniversário, a meu ver bem mais pertinente!

Anónimo disse...

A acreditar em todas essas teorias das maravilhas da amamentação, eu teria emagrecido, o meu filho nunca teria ficado doente e não estaria, neste momento, sinalizado para o ensino especial. Ou, visto noutro prisma, estaria ainda mais gorda, o piolho em maiores cuidados e nem falar saberia.

Para mim, só se compreende a amamentação quando é algo que sempre se desejou. Eu amei, tal como amei estar grávida, apesar da diabetes gestacional, anemia e placenta baixa e até o parto não me custou (17 horinhas). Mas eu não sou "normal". Assumo-me uma parideira nata, veia que devo ter herdado da parte negra da família, oriunda, certamente, de alguma tribo daquelas bem esquisitas..:)
O que interessa é que a Ana seja saudável e viva uma primeira infância com serenidade, só possível quando os pais estão bem. (parece que estou a ensinar a missa ao padre.:))

Força!
bj

Sal disse...

ainda não tenho filhos, e confesso que fico com olhos de gato das botas quando se fala na vinculação mãe-bébé, não só mas também a propósito da amamentação.

como não tenho filhos, não sei se é tanga ou não, na parte que toca á amamentação. sei que eu nasci de 8 meses e não fui amamentada ao peito por proibição do médico - a minha mãe corria risco de vida e além disso o leite não era bom devido á medicação. et voila, cresci saudável e bem nutrida, e modéstia á parte, esperta que nem um alho.

os filhos precisam essencialmente que as mães estejam felizes, tudo o mais são teorias. acho que fazes muito bem!

Sónia disse...

Não queres não queres e estás no teu direito!
Mais nada :)
Beijinhos

Unknown disse...

Bolas, mas serei eu a ÚNICA AVE RARA a quem a amamentação correu MESMO BEM, sem problemas?

OOOHHH

Eu ouvi muita história louca (toda a gente adora partilhar o quanto a sua gravidez, o seu parto, o seu bebé são super difíceis, ninguém é normal, tem uma piada...) mas ler tanto drama de faca e alguidar seguido até a mim tira a vontade de amamentar o próximo, oh mau agoiro!

Pedro disse...

Hey sis! Também não fui amamentado, a minha mãe só sangrava (querem ver que vão dizer que sou vampiro?). E ó pra mim agora!

A. disse...

Pedro, e como dá para ver, tal como eu e a pólo, também foste intelectualmente prejudicado. :)

(acho que também mamei um bocado de sangue até à desistência, seremos irmãos vampiros?)

A. disse...

podemos arranjar uma tese de que quando as maes sangram durante a amamentação nos tornamos parcialmente vampiros e com super-poderes sobrenaturais, o que explica não termos chumbado na escola.

S* disse...

Respeito totalmente. Se não a prejudica, é uma opção válida como outra qualquer.

Unknown disse...

Opá, cada caso é um caso e não podemos generalizar. A minha filha mais velha foi amamentada e correu lindamente, pegou na mama à primeira, sem stress e sem pressão até aos 3 meses. Foi até aos 3 meses pois o leite começou a ficar fraco. O 1º ano de vida dela foi terrivel, otites, amigdalites, bronquiolites.
A 2ª filha foi amamentada até aos 8 meses, outra vez sem stress. Foi sempre saudável até aos 2 anos e meio, quando lhe foi diagnosticada uma leucemia mieloblastica.
Dei de mamar por opção e terminei com a mais nova por opção. Porque correu bem, não me pressionei a nada nem criei expectativas.
Mais uma vez repito: cada caso é um caso e cada criança reage de maneira diferente!

João disse...

Eu não acho que a amamentação seja uma decisão de mera escolha, especialmente quando se tem uma série de informações (comprovadas cientificamente, especialmente as imunológicas) acerca dos benefícios. Também acho que não faz grande sentido usares o teu caso particular como justificação, até porque como sabes a ciência não lida com casos particulares mas com grandes números.

Por outro lado, também não sou um fanático. Se a amamentação causa sofrimento para a mãe (e, por conseguinte, para o casal) deve-se parar e substituir pelo leite adaptado.

O que me faz confusão na tua decisão é a opinião à priori sem sequer tentar a "coisa". E, quer se queira quer não, a maternidade/paternidade obrigam-nos a tomar decisões que nos limitam a liberdade em prol da criança. Obviamente que isto não deve ser levado ao extremo, mas no caso da amamentação não considero que seja um problema tão grande para nem sequer dar uma oportunidade.

PS: e fala um pai que deu leite adaptado à sua filha, após uma mera semana onde existiram problemas com a amamentação. E foi uma decisão simples.

Anaa disse...

O corpo é teu, logo tens o direito de escolheres como quiseres, independentemente das pessoas a quem isso cair mal. Além disso tenho a certeza que queres o melhor para a Ana e que serias a última pessoa a prejudica-la :)

Unknown disse...

Pois eu sou mãe de dois filhos e enquanto à minha volta todas as mamãs babavam a dar de mamar, eu detestei. Cheguei a deitar sangue dos mamilos, a tirar leite com uma bomba, a chorar quando os putos não bebiam, a deitar aero-om para aquelas cenas plásticas (cujo nome apaguei da minha memória), a enfiá-las num alguidar para eliminar caroços... tudo isto, sempre com uma assistência familiar... DETESTEI. E pior foi quando disse ao pediatra que não ía dar mais. Ouvi literalmente uma responsa "má mãe". Mas ou era isso ou a minha sanidade mental. Nem sequer achei bonito ou fiquei triste por estar a ser dificil. Não queria e pronto. E dei a coisa por encerrada. E os meus putos são grandes, mas grandes, espertos que só visto e ainda assim... em tão pouco tempo... lixaram-me as mamas.

Ly* disse...

Se não queres amamentar, dou-te um conselho: compra a Bib'Expresso da Béaba. Vai ser a tua melhor amiga (principalmente durante a noite). Aquece a água em 30 SEGUNDOS e fica à temperatura ideal.
Eu amamentei durante quase 3 meses (foi MUITO difícil para mim). Quando comecei a dar leite da farmácia a minha filha não queria esperar nem 1 segundo pelo leite. Durante a noite isso não dá muito jeito porque a nossa única vontade é voltarmos para a cama o mais rápido possível (com o choro de um bebé ficamos mais do que acordadas!).
É apenas uma sugestão mas eu usava essa máquina.
Amanhã vou colocar um post no meu blogue com fotografias. Vai lá espreitar se quiseres.

Bigodes de Nata disse...

(Clap clap clap)



Ainda não consegui perceber foi porque é que isto causou tanto stress a algumas pessoas!!!


Se um dia tiver um filho gostava de experimentar amamentar, mas não me faz "comichão" nenhuma que tu tenhas decidido não o fazer.

Beijinhos. Si.

Xuxi disse...

De ideologias tamos todos fartos,"amamentar é uma dívida muito ruim de pagar à natureza" e avacalhar as mamas e mugi-las eu também não!!!
Queres mama? A ursa responde:-"aqui não há mama pra ninguém" (salvo seja pró Maismen da casa) publique-se!!

B.L. disse...

Vou-me juntar aos apoiantes! Não é que seja contra a amamentação - não sou, claro, nem tenho nada que o ser. Mas também não compreendo as vozes que a defendem como se da única salvação para a criança se tratasse. Juro que não. Tal como dos muitos comentários que foram feitos, eu também não fui amamentada. A minha mãe não tinha muito leite e eu, como boa filha que sou, não andei para lá a fazê-la sofrer. Assim que experimentaram o leite artificial, não quis outra coisa (isto sim são bons resultados de uma vinculação positiva! Uma filha que, ainda bebé, "ajuda" a mãe desta forma!). Em relação a doenças... Tenho 23 anos e nunca tomei antibiótico. (ah! E também tive bons resultados nas matrizes de Raven. E na WAIS. E nos "dominós"). Pode fazer alguma confusão a frontalidade das mulheres dizerem que simplesmente não querem amamentar, mas também acho que isso tem que ser uma decisão que tem que ser feita essencialmente por elas. E ninguém tem que opinar.

Isa P. disse...

Só uma palavra: apoiado!!!

Isa P. disse...

Só uma palavra: apoiado!!!

Não há nome para isto disse...

Ah! O magnífico post da polémica


Eu quero muito responder a este post mas não pelas razões óbvias. Também não quero vender o meu peixe a ninguém porque não tenho saco para isso. Hoje, é moda amamentar mas ainda não há muito tempo, uma senhora não amantava. Em consciência cada mulher é livre de escolher o quer fazer do seu corpo, de como quer educar os seus filhos, qual a relação que quer, etc.
Contudo, reconheço que o dar de mamar tem vantagens imbatíveis: está sempre à temperatura adequada, relativamente fácil de transportar, está sempre esterilizado e tudo a custo zero. Com isto, recordo a altura em que, depois de amamentar (só amamentei 1 mês), fui passar um fim-de-semana fora e foi o cabo dos trabalhos empacotar biberões para o fim-de-semana (em média são 6 por dia), água fervida, o leite mais um aquecedor de biberões. Pelo caminho, consegui rebentar com dois esterilizadores para microondas, coleccionar tetinas e ganhar asco à palavra esterilização.

E em relação ao passar a noite a (não) dormir isso são outros quinhentos em nada relacionados com o dar de mamar. Mas não me vou adiantar para não estragar a surpresa.

PS: Cá em casa é tudo a dois.
PPS: Com tantos anticorpos à solta já estou vacinada até 2015.

Alma Vicente disse...

Clap, clap, clap!
Texto poderosíssimo.
A escolha é de cada um. A sua de não amamentar não é menos válida do que a de quem escolhe fazê-lo.
Decidiu e em consciência, percebe-se. Qual é o drama?
Parabéns pela audácia de escrever sobre algo que sabia à priori que geraria polémica.
Beijos

Jonas disse...

Melhor comentário.....

"Falaste em sangue e pensei em cabidela. Vim enganado, ora bolas."

:)

Turtle disse...

Acho que cada um faz o que quer, leite é leite, desde que a criança seja bem alimentada, não vejo porque raio de faz tanto alarido à volta deste assunto. Dito isto... não percebi, vais dar o colostro? É que esse acho importante e o leite adaptado não traz anticorpos, não é assim...

Queen of Hearts disse...

Maria de Lurdes, se amamentar fosse fácil, seríamos todos bebés de peito na nossa geração, e não somos. Porque existe a má pega, bebés sem reflexo de sucção, mamilos invertidos, etc etc (sendo que nessa altura não se conhecia a informação que há hoje). E todos esses factores são problemáticos e potencialmente causadores de sofrimento às mulheres que amamentam, por isso creio que sim, que muita muita gente tem problemas com a amamentação, quanto mais não seja nos primeiros dias/semanas. Não percebo muito bem o espanto :) Acho que tem mesmo de se alegrar com o facto de ter tudo corrido tão bem convosco, fosse assim com toda a gente.

IA disse...

Cara Pólo..eu sou pela liberdade..cada um deve fazer o que quer e como quer...são as tuas mamas e a tua filhota...
No meu caso pessoal, amamentei os meus 2 filhos e correu tudo lindamente...pegaram muito bem e era tão mais prático..não havia cá biberãos, medidas, leite em pó...bastava um saco fraldas, toalhetes e mudas de roupa e siga...sempre pronto a usar. Como nunca tiver problemas em amamentar fora de casa...era onde fosse preciso...
Na minha filha, o médico mandou-me secar o leite ao fim do 4º mês porque, apesar de ter muita quantidade, dizia que não era suficientemente bom para ela e por isso mandou-me tomar uns medicamentos - o Parlodel...passei muito mal e jurei para mim mesma que no 2º filho não iria secar leite nenhum...
Por isso e repetindo o que já disse, sou pela liberdade, mas se tomares Parlodel, tem cuidado, deves tomar à noite, pois tem efeitos secundários muito chatos (OK, não morri, mas passei muito mal)...
Bjinhos

PS - não tem nada a ver, mas não ficas irritada quando te dizem..."está quase" e tu pensas...está quase uma ova, ainda falta 1 mês..fogo..
IA
http://mimpensamentos.blogspot.pt

Pólo Norte disse...

Progulka,

A obstetra já sabe. :)

E a minha mãe respeita as minhas decisões. E a minha sogra respeita as decisões da mulher do filho. Porque as decisões sobre a nossa filha a nós nos dizem respeito. ;)

Beijinhos

Pólo Norte disse...

João,

A partir do momento em que a vida do bebé não está comprometida e que há alternativas viáveis ao leite materno, a amamentação é uma decisão de mera escolha.

As informações científicas de que fala são descritas por mim no post e reconheço-as. No entanto, não me parecem vitais e obrigatórias para um correcto desenvolvimento futuro da minha filha.

O meu caso particular rebate a generalização abusiva da supremacia da amamentação. A questão é que não é uma verdade universal absoluta e, para além do meu caso, temos aqui uma série de outros exepmplos, entre os quais os da Luna e do Pedro,cuja veracidade eu até posso testar, uma vez que se tratam de meus amigos pessoais.

A decisão foi tomada á priori e não mudou durante a gravidez. Não quero tentar, tão pouco. Nem se trata de correr o risco da coisa ser bem sucedida. Trata-se mesmo do facto de eu não querer e ter razões para tal, entre as quais o meu bem estar emocional, psíquico e biológico que ficariam limitados se optasse pela amamentação. E entre uma mama cheia de anticorpos e uma mãe exausta e sem força anímica (e, sim, contrariada) e um biberão e uma mãe com qualidade de vida e bem disposta, a minha filha usufruirá da última.

A maternidade obrigar-me-á, com toda a certeza, a tomar decisões que passarão a contemplar a minha filha mas não acredito que limitarão a minha liberdade individual. Não enquanto eu estiver lúcida e usar o meu livre-arbítrio. Porque quando decidi ser mãe a minha liberdade passou a incluir a minha filha, de forma natural, nas minhas escolhas.

Quanto à amamentação não é um problema, é mesmo uma escolha. Lúcida, ponderada e sem hipóteses de ser repensada (para além de uma hipótese hipotética da vida da minha filha ficar comprometida pela ausência do leite materno).

Cumprimentos

Pólo Norte disse...

Maria de Lurdes,

Claro que nem sempre é um bicho de sete-cabeças! Eu não sou contra quem quer amamentar (eu sou tolerante com as escolhas de cada um, como já referi no blog) e até louvo quem o faça, quem tenha adorado a experiência e quem recomenda.
A questão é que, PARA MIM, é uma opção que não me serve.
E olha que não és uma ave-rara, eu só oiço casos de sucesso e de alegria com as mamas!
Acho é que, cada uma, deve escolher o que melhor aprouver. O que defendo, sempre, é o livre-arbítrio!

Pólo Norte disse...

Luna e Pedro,

Twilight zone a esta hora? :P

Mamã da Maria disse...

Dizes isso porque tens emprego!Se tivesses desempregada, sem subsidio e com um leite hipoalergénico que te custasse 40€ por semana, acredita que ias amar dar de mamar! LOL
Como é óbvio, estou-me a meter contigo! Acho que fazes muito bem e não é por isso que a tua filha não vai ser isto ou aquilo...é muito bom dar mama mas é tão cansativo...e doloroso...chiça!
O que interessa é que foi uma escolha ponderada!
Sejam felizes :)

Guria Tuga disse...

Pólo, as marufas são tuas e tu fazes o que quiseres delas... No mercado já há tanta variedade de leites adaptados com variadíssimas características que são uma bela opção... A Ana bolsa muito - leite anti regurgitante; a Ana não suja a fralda como deveria - leite anti obstipante; a Ana suja a fralda demais - leite sem lactose; a Ana quer uma refeição gourmet - leites Premium, etc etc...
Ela assim vai ter um verdadeiro cardápio de leitinhos!!!
It's your boobs and you'll milk it if you wanted (ler isto ao som da mítica música it's my party)...

Pedro disse...

Já sabem que eu sou um bocado old fashioned, por isso é mais Bram Stoker... :P

Jonas disse...

Falando com conhecimento de causa, porque amamentei (e adorei), e não tive problemas de pega nem nada disso, a verdade é que amamentar, nos primeiros dias (vá, a 1º semana) não é pera doce, e dói como ó caraças.

Aquelas cenas dos dilmes em que se vê a mãe a amamentar, com um sorriso nos lábios e num cenário idílico é, no mínimo, publicidade enganosa.

Primeiro que a mama ganhe calo, é o cabo dos trabalhos, e só à força de muito gretalvite é que a coisa se torna menos dolorosa.

Se voltar a parir, volto a amamentar, mas ao menos, saberei ao que vou :)

(e não é só as mamas...... o útero contrai-se - paa voltar ao lugar - enquanto amamentas, o que, diga-se, também não é nada agradável, mas isso suponho que aconteça quer se amamente quer não se amamente)

Teresa I. disse...

Pois eu também sou psicóloga, e quem me dera ter tido essa coragem. Não a tive no 1º filho, nem no 2º nem no 3º... Mas já "avisei" que se por acaso vier um 4º, não há maminha para ninguém. Parabéns pela escolha (que às vezes parece tudo menos livre, tais são as pressões que vêm de todo o lado...)

Sonia disse...

Cara Polo,

Deixa que te diga que nao acertas uma no que diz respeito a maternidade mas nao te preocupes que nao es caso unico. Arrisco mesmo a dizer que todas as mulheres que algum dia estiveram gravidas ou foram maes estao sempre erradas.
Passo a explicar:
- Se nao das de mamar es ma mae e nao tens em conta os beneficios que isso iria ter para a tua filha. Se das de mamar para alem dos 6 meses, a miuda fica viciada na mama (se calhar e a razao de algumas mulheres serem lesbicas)
- Se nao gostas de estar gravida e porque nao das o devido valor ao facto de estares a gerar uma nova vida e ainda vais ter saudades. Se adoras estar gravida e porque nao te lembras de todos os enjoos, dores, etc. que tiveste.
- Se a crianca dorme sozinha e porque se sente abandonada. Se dorme convosco, habitua-se e nunca vos vai sair da cama.
- Se decides nao ter mais filhos e porque estas a ser egoista e a crianca necessita de ter irmaos para aprender a dividir. Se decides ter mais filhos estas louca ou ainda nao ouviste falar da crise.
- Se ...
Como ves estas sempre errada, pelo menos para metade da populacao, independentemente da decisao que tomares.
"In the ned of the day" o que interessa e que os pais se sintam bem com as decisoes que tomaram. O resto sao tretas.
Beijinhos,
Sonia

Sónia disse...

Maria de Lurdes não és nenhuma ave rara lol a mim com a minha princesa correu muito bem, só deixei de dar peito quase aos 2 anos e adorei todos os momentos, nunca me magoou nem deu trincas, nunca tive gretas etc. Foi muito bom mesmo. Do Tito já foi diferente mas só deixei de dar peito ao Tito porque ele ficava com fome e tive de meter suplemento. Adoro os 2 de igual modo e sou ligada aos dois :)

Beijinhos

Unknown disse...

Quanto a mim ja amamentei, e pretendo amamentar o próximo, mesmo que por vezes esteja muito cansada, que queira dormir, ou que ache que devia ser a vez do pai de fazer alguma coisa, mas como ele não tem leite sou obrigada a fazer o frete de dar a mama a um filho que não pediu para nascer e que se pudesse escolher,certamente preferiria estar em contacto com a mama da mãe, do que com uma tetina de borracha e beber leite do mais natural possivel. Mas esta sou eu, que sou uma gaja antiquada, de mamas caidas, e que dormia poucas horas seguidas. O raio da amamentação até me fez ganhar 1 cabelo branco! já vos digo que quem inventou essa porcaria de amamentar devia ser preso, e já agora dar á luz?Por amor de Deus, podia ser o marido!Mas eu sou assim uma ignorante que sempre ouviu dizer que o leite materno é melhor e portanto faz o que for melhor para a saúde do seu rebento, apesar de ás vezes as mamas andarem encaroçadas e a pingar para os discos. Mas querem saber, não morri por amamentar,adorei poder dar ao meu filho o que é o melhor para ele. E futuramente se tiver que fazer sacrificios por ele piores que amamentar ( isto para quem acha que amamentar é uma coisa assim tão terrivel)faço-os a sorrir, porque o bem estar dele é a minha felicidade.
Ok, agora podem-me crucificar!

Pólo Norte disse...

Rosa,

Pensei que tinha ficado explícito no meu post e na maioria dos comentários deste que aqui a ideia é ninguém crucificar ninguém. Se a Rosa prefere "fazer o frete" em prol daquilo que acha que é o melhor para o seu filho, pois a Rosa é que sabe, as maminhas são suas e o filho é seu. Saberá, com certeza, o que é melhor para ele e para si.
Eu, por exemplo, acredito que a minha filha preferirá estar com as suas necessidades suprimidas, não só incluindo as necessidades de alimentação como as de afiliação e as emocionais, seja de que forma for. E a mãe da minha filha é que, por ser adulta, tomará as decisões que lhe dizem respeito tendo em conta o equilíbrio de todas estas componentes.
Não a acho antiquada ou ignorante, acho que é uma mãe igual a todas as outras (a mim também) que quer fazer o que considera melhor. Acontece que "o melhor" é diferente na nossa escala de valores.
Agora lhe garanto que, SE TIVER OPÇÃO, prefiro não fazer sacrifícios pela minha filha e viver a maternidade de forma prazerosa.
Mas lá está o que defendo sempre: cada um sabe de si! :)

Beijinhos

CSC disse...

Olá Pólo,
Sigo o teu blog, ou melhor: sigo blogs, mais ou menos pela altura em que anunciaste à blogoesfera a tua gravidez. Derreti-me nesse momento, tanto mais porque também foi com um "espalhem a notícia" que anunciei o nascimento do João, há 3 anos atrás. Como te disse, sigo o teu blog e gosto imenso: Parabéns! Só hoje comento porque até agora não tinha "conta" :-) e também porque o assunto me toca de perto. Pois bem, como te tenho por uma rapariga inteligente, sei que este post não existe para que te aplaudam, nem para te apaziguar com a tua decisão. Então, porquê? Se é ouvir experiências que queres, aqui fica a minha.
Amamentei o João até aos 15 meses sem um único drama, uma única dor, um único sofrimento... sem segredos também, apenas calma. Adorei. Não acho que isto faz de mim melhor mãe, não julgo esta ou outra opção, estou apenas a contar-te a minha, como tu contaste a tua.
Há uma coisa que é certa, Pólo, e que eu sei ao fim de 3 anos de maternidade e tu saberás também quando tiveres a Ana nos braços: as nossas decisões em tudo o que diz respeito aos nossos filhos, nunca serão só racionais, mas terão muitos sentimentos à mistura. Nunca saberemos se serão as certas. Tudo faremos para que o sejam.
E remato com a conclusão que importa: claro que a decisão é tua.
Muitas felicidades para ti e para a Ana.

Unknown disse...

Claro que cada um sabe de si e pode fazer as escolhas que achar melhor, por isso escolhi amamentar, o " fazer o frete" assim como a maior parte do meu comentário foi dito de uma forma sarcastica, porque já reparei que a maioria dos comentários ao seu post são de pessoas que encaram a amamentação como um bicho de sete cabeças. Adorei amamentar por isso o vou fazer de novo. Em relação a viver a maternidade de uma forma prazerosa,de certeza que o vai fazer assim como todas as mães que se encontrem bem de saúde, agora que muitas vezes se vai sacrificar acredite que vai como todas as maes, tem é a opção de escolher se prefere ver o copo meio cheio ou meio vazio.E isso muitas vezes é que faz a diferença no estado de espirito. As maiores felicidades e que corra tudo bem, eu também sei o que é passar uma gravidez de risco cheia de problemas, dores infecções, depressão, ansiedade e afins, tambem detestei estar grávida, mas nesta segunda gravidez as coisas estão a correr ás mil maravilhas. Depois da sua filha nascer irão viver momentos maravilhosos.

solana disse...

Desde ontem que era para escrever algo, mas só me ocorre " é sempre a mesma merda, a mãe é quem sabe". Este assunto irrita-me e para mim foi o pior na minha gravidez. Tinha medo do parto, correu bem, gravidez também. A amamentação que eu achava canja, era só por a mamã e tudo era lindo, não correu assim. Foi a pior experiência que tive, o pior stress, a desilusão. Não tou a falar de peitos gretados a sangrar que tive, não tou a falar de apanhar eqzema nos peitos, não tou a falar de me apertarem as mãmãs até "fazer o bico", nem vou falar da mamastite... o pior foi mesmo a atitude de médicos e enfermeiros e alguns familiares em relação à amamentação. Cagaram bem na fragilidade de uma recente mãe, cagaram bem no "estado em que estava" e tudo se resumia " ao se não amamentar não é boa mãe. Até no curso pós- parto, tive deo levar com olhares e respostas desagradaveis, como se fosse má mãe, uma mãe que não servia para o seu filho. Mandei todas para o caralhinho, fui à minha médica e quando esta me viu com os peitos em ferida a sangrar, disse logo que era para secar imediatamente. A enfermeira do Centro se saúde disse para não por lá a boca do bebé, para tirar com a bomba...anormal, não eram as mamãs dela, nem sentia dor. Até fui ao pediatra do puto e ele só me disse óh mãe se há outras soluções,é para utilizar, assim não pode continuar. Hoje penso naquelas anormais e o que passei, em vez de estar a apreciar o nascimento do meu filho e todas as horas e dias seguintes, tive dores, mau estar fisico e psicológico, porque há mães que se acham melhores que as outras. Conselhos, guardem-nos! Não há melhor mãe para o nosso filho do que nós próprias, ninguém! E tu Pólo, faz o que tens programado e com base na opinião da tua médica, o resto caga bem.

C.e.C disse...

Activismo em prol de mamas "desmamadas"? ...Como vocês andam.

Admito que não sei que pensar; é óbvio que a escolha será sempre de cada um - ¡principalmente da mãe!, mas por alguma razão deixa-me a pensar naqueles pais algo proselitistas que argumentam de mil e uma formas sobre não vacinarem os filhos, e outros afins disparatados.

Compreendo algumas das escolhas, mas igualmente fico a pensar que são decisões demasiado prematuras. Afinal de contas a simples bomba de sucção facilitaria muito do trabalho, juntando a isso toda a lactação que irá naturalmente ocorrer - isto caso haja alguma abundância de leite.

Mais que correcto ou incorrecto, deixa-me a pensar em desaproveitamento.

beijo de mulata disse...

Valha-me Nossa Senhora do Leite, Pólo Norte!

Tenho a certeza de que dar de mamar para uma pessoa forte e descomplexada como tu seria mais um desafio superado à partida. E acredito tanto que dar de mamar seja abdicar de liberdade como casar ou ter filhos seja uma prisão. Depois de tudo o que já passaste não é uma fissura num peito que te vai deitar abaixo. E o pai pode sempre dar biberão durante a noite.

Seria capaz de pôr as mãos no fogo em como vais conseguir! E como não vais resistir a pôr a bebé ao peito quando ela nascer...

(um) beijo de mulata

Pólo Norte disse...

Rosa,

Não tenho dúvidas de que me irei, com toda a certeza e em vários momentos da vida pós-Ana, sacrificar por ela.
No entanto, reitero: "SE TIVER OPÇÃO, prefiro não fazer sacrifícios pela minha filha e viver a maternidade de forma prazerosa."

Beijinhos e obrigada pelos votos formulados que são, obviamente, extensivos a si.

Pólo Norte disse...

C. e C.,

Ia responder mas como parece que o comentário "activismo em prol de mamas "desmamadas" reflecte a sua errada interpretação do ponto de vista que expresso neste post, aconselho-o a ler de novo. ;)

Pólo Norte disse...

Beijo de Mulata,

Sabes que te adoro e o quanto respeito a tua opinião meeeesmo. Reitero aqui.

Tenho a certeza de que, se tivesse decidido em consonância e na predisposição de amamentar, seria tão bem sucedida quanto me fosse possível. No entanto, é um desafio que eu não quero assumir (não se pode combater em todas as batalhas!)e estou certa que a minha filha será igualmente porreiraça e feliz não tendo mama mas uma mãe contente com as escolhas que fez do que tendo mama e uma mãe frustrada por ser coagida a fazer algo que não quer. Não se trata de perder liberdade, trata-se de zelar pelo que eu considero o meu bem estar a todos os níveis, especialmente, o emocional. Porque se trata de não querer, mesmo.

Btw, preciso de uma pediatra. Conheces alguma? :P

Muitos beijinhos

C.e.C disse...

Ora essa, Pólo Norte; endereçava-me aos comentários alheios. Não à escolha pessoal. A isso comentei depois, quer-me parecer.

Aconselho, por isso, e também, a reler o que escrevi depois.

João disse...

Pólo Norte,

eu não faço parte dos que defendem a supremacia da amamentação. Reconheço os seus benefícios, mas, tal como disse, não considero que seja indispensável ao ponto de causar sofrimento psíquico à mãe. Contudo, também não faço parte do outro lado, que renega a amamentação e que a desvaloriza (e não estou a dizer que este é o teu caso). As posições extremadas são, normalmente, erradas.

Como te disse, continua a fazer-me confusão que partas do princípio que a amamentação te vai causar problemas sem dares uma oportunidade. É verdade que há coisas que sabemos à priori que não nos fazem bem, mas será a amamentação uma delas? Especialmente quando existem vários casos de mães que amamentaram e retiraram prazer do acto, bem como benefícios práticos? No fundo é isto que questiono.

E sobre a questão da liberdade individual, o exercício da paternidade/maternidade é limitador. Sempre. A questão é que os pais passam a encarar a liberdade individual de outra forma e deixam de priorizar coisas que outrora eram vitais para o seu bem-estar. E isso é natural e saudável, há uma disponibilidade natural e maior que tem de ser descoberta. É por isso que por vezes (muitas vezes) fazemos coisas que nos limitam para expandir a criança. É neste sentido que encaro a amamentação. E os casos individuais são apenas isso: meros casos. Tal como existem outros de pessoas saudáveis que passaram por uma série de coisas que causam, de facto, problemas reais ao nível do desenvolvimento - ao contrário da amamentação que é uma questão menor.

Para finalizar, eu não pretendo culpabilizar-te até porque percebo o teu ponto de vista, mesmo não concordando com ele. E até te digo que há coisas bem mais importantes do que a amamentação para o desenvolvimento saudável da criança. Aliás, o alimento psíquico é bem mais importante do que o alimento físico. O que não faltam são casos de mães muito funcionais que renegam o afectivo, que dão a mama e têm uma série de cuidados dentro do género mas esquecem-se do principal.

Mesmo assim, não podia é deixar de partilhar a minha opinião, mesmo que seja contra-corrente.

Beijinhos e boa sorte!

Anónimo disse...

As mamas são tuas e a vida é vossa!
Por isso só se tem de respeitar as opiniões e as decisões alheias!

Acho que fazes bem...

Beijos

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pólo Norte disse...

João,

Nada a acrescentar ao teu último comentário. Também não sou nada contra a amamentação (aliás, acho que está bem patente no post que não sou contra nada e que cada um sabe de si). Aliás, reitero que até louvo as mães que optam pela amamentação e que essa solução se lhes adequa.
E, também, parece-me que percebeste muito bem o meu ponto de vista quando o resumes a "E até te digo que há coisas bem mais importantes do que a amamentação para o desenvolvimento saudável da criança.".

De resto, quanto à liberdade individual, estou certa que com toda a certeza ela integrará o novo elemento da família. Assim como integrou um parceiro a partir do momento em que passei a viver em casal. E acredito, MESMO, que a adaptação pode ser natural e pacífica.

O que eu também acredito é que, se tivermos opção que não comprometa o bem-estar da criança, não temos que fazer coisas que nos limitam para expandir a criança. E, sim, é neste sentido que encaro a amamentação.

Beijinhos

Pólo Norte disse...

Unknown,

Já a mim a amamentação não me mete aflição nenhuma, volto a reiterá-lo. Somos mamíferos mas também somos racionais e, parafraseando a brilhante Jonas que comentou sobre isto noutro post:

"o que nos separa dos animais irracionais é a nossa capacidade de escolha e de fugir ao que estamos programados fisica e fisiologicamente para fazer.

O facto do meu corpo estar preparado para parir, não me obriga a fazê-lo. O facto do meu corpo estar preparado para ter relações sexuais, não quer dizer que eu o faça, o facto do meu corpo estar preparado seja para o que for não deve obrigar-me a fazer algo que eu não escolho.

Os filhos são nossos filhos, não são nossos donos. Há vida para além dos filhos e, em última análise, o nosso equilíbrio e estabilidade são mais importantes e têm um impacto mais positivo nos nossos filhos, do que outras coisas que lhes podem fazer bem, mas que fazemos contrariadas e a contragosto, com sacrifício e resistência.

(...) Mas fi-lo porque escolhi fazê-lo, o potencial fisiológico apenas serve para eu escolher, não para me condicionar as escolhas."

E cito a Jonas porque, eu própria, não o conseguiria traduzir melhor.

Uma das premissas básicas que se aprende no 1º ano de Psicologia é a encarar o seu humano como um ser "biopsicossocial", um ser que vem cravejado de ADN mas que sofre a influência do ambiente.

Não posso fazer futurologia e não deverei quaisquer explicações à minha filha sobre as decisões que tomo, hoje ou até à independência dela, em consciência. Farei, com toda a certeza, o melhor que sei, com os recursos que tenho. E, estou certa, que irei errar ocasionalmente nestas decisões mas não é por isso que vou viver com medo de decidir com base em "e se?".

Se ela tiver alergias terríveis (eu não sou alérgica a nada, por exemplo. Já o pai, que foi amamentado, é alérgico a n coisas) cá estaremos para a levar a alergologistas e ajudá-la a minimizar o problema. Se ela tiver lúpus ou outra doença congénita ou adquirida, com toda a certeza, cá estaremos para a ajudar a minimizar a dor, a encontrar alternativas que a façam ultrapassar as limitações que saí advirem. Infelizmente, estou consciente que não poderei controlar o futuro da minha filha nem evitar todos os potenciais perigos a que ela possa vir a estar exposta. E se ela, por exemplo, tiver um acidente de viação? Ou se for atropelada? Posso evitá-lo? Posso impedi-la de tirar a carta de condução? De andar na rua? De viver?

A questão é que eu não tenho pretensão de ser Deus da minha filha. Tenho só pretensão de ser a melhor mãe que conseguir ser. Sem culpas.

Como, aliás, escrevi no post, eu também estou esclarecida quanto ao factor imunológico inerente à amamentação. E eu, como psicóloga, tenho que acreditar novamente naquilo que disse em cima sobre o factor "biopsicossocial" do ser humano. Não ignorando que a Natureza é fantástica mas a humanidade e a racionalidade que nos coube em sorte é também igualmente fabulosa.

Eu não dique que o leite materno não seja a situação ideal. Repara, eu digo que "eu sou a prova provada que, embora o leite materno seja a situação ideal, o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta.". Porque não compromete.
E, sim, acredita que o meu exemplo não é "excepcional", ao longo desta caixa de comentários poderás encontrar imensos outros, que não serão excepção.

(continua no comentário a seguir)

Pólo Norte disse...

A meningite que tive em bebé e a poderosa infecção que tenho agora não têm que ver, rigorosamente nada, como facto de não ter sido amamentada. Têm que ver, precisamente, com aquela parte em que partilho que nasci com uma doença congénita gravíssima que me deixou sequelas ortopédicas e urológicas. E, garanto-te, que conheço n pessoas que sofrem da mesma doença e que, tendo sido amamentadas, têm iguais ou mais graves repercussões na sua vida adulta. Portanto, atribuir a causalidade disto à falta de amamentação é errado.

Quanto à igualdade de papéis no casal e apoio, se leres com atenção verás que é apenas um dos factores que aponto, e não o exclusivo. A questão da bomba nunca se colocou na medida em que a minha escolha é não amamentar, de todo.

Quanto ao exemplo da vaca, se reparares a que comentário isso foi resposta, denotarás com certeza o tom sarcástico do mesmo. Porque se quisermos ser extremistas pró-amamentação e invocar argumentos pouco racionais como foi a pessoa a quem respondi também o seu ser nos argumentos pró escolha de não amamentação.

Eu diria que deverias ler com o rigor de um cientista, mas visto que és uma...

Quanto ao descanso, olha não há verdades universais. Conheço pais que não pregam olho noites seguidas e conheço casais que, depois das rotinas estabelecidas com os seus filhos recém-nascidos, conseguem tem o mínimo de descanso que lhes permite viver a recém parentalidade com padrões regulares de bem-estar.Quanto a isso não me pronuncio porque não faço futurologia mas sei que a amamentação não será um factor que entrará nessa equação.

E, garanto-te, que não será melhor mãe que eu. És com certeza a melhor mãe que consegues ser como se aplicará no meu caso. Porque cada mulher vive a maternidade com os modelos e valores que melhor lhes servem. Estarei preparada para fazer todos os sacrifícios que tiverem que ser feitos mas recusarei os sacrifícios que poderão ser evitados se me forem oferecidas alternativas viáveis e em que eu acredito. Como, neste caso, a amamentação. Sem culpas.

Não sou melhor nem pior que ninguém. Quero o melhor para a minha filha. Para o pai dela. E para mim. Em igual proporção porque o bem estar de um passará pelo bem estar dos restantes.

Beijinhos

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pólo Norte disse...

Acho saudável que cada uma defenda aquilo em que acredita (não é, desde sempre, o pressuposto implícito a este post?)

Parece-me, a mim, que partes de pressupostos psicológicos que se aplicam a ti. Repara, quando dizes, "um acto tão simples de protecção" referes-te a algo que para ti parece-te "simples". E se, a mim ou a outras mulheres, não parecer? O conceito de "simples" não é subjectivo e não depende das experiências e da perspectiva de cada indivíduo? Conheço mais do que uma mãe que decidiu, por factores fisiológicos, comer a sua própria placenta, defendendo a natureza e a condição de mamíferos que lhes assiste, a par do que explicaste em cima. Se eu acho simples? Nada. Para elas? Simplicíssimo. Portanto, isto está assente num juízo de valor e sobre isso não há discussão possível.

Não ponho em causa o benefício do leite materno em qualquer que seja a percentagem de pessoas. Reitero o que escrevi no post (e já me cansa estar a repeti-lo): "embora o leite materno seja a situação ideal, o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta. " A questão, a grande questão, é que eu opto por não escolher a situação ideal para a minha filha mas sim uma solução alternativa que não compromete a sua vida e que se me afigura igualmente válida. Uma solução que, não sendo a ideal para um dos membros da família, é a melhor para os interesses dos três membros que a compõem. E isto tem que ver com a dinâmica familiar da minha família, logo, também não me parece que seja assunto passivo de discussão.

Agradecendo, sinceramente, toda a explicação científica que forneces e que já era do meu conhecimento, espero que tenha ficado claro para ti que a minha decisão nada tem que ver com falta de informação sobre os inúmeros benefícios da amamentação natural.

Eu, por acaso, discordo contigo e acho que a questão é só dos pais. Desde que, devidamente, informados pela ciência e conscientes das vantagens e desvantagens da sua escolha.

A mim, aflige-me que te aflijas acerca do direito que eu tenho sobre tomar decisões sobre o meu corpo e sobre a minha filha. Sobre o meu bem estar e, consequentemente, o bem estar da minha filha, para além do mero fisiológico.

Ironia gera ironia e sobre o rigor de cientista, continuo a achar que estou certa. Análises de discurso e de conteúdo podem estar no âmbito da área de letras e das ciências sociais e humanas. Mas o rigor (a atenção?) estão subjacentes à metodologia da tua disciplina.

Ter a minha filha foi uma opção e, acredita, estou consciente para os desafios que a vinda dela irão trazer à minha vida. À nossa vida. E estou consciente que, enquanto desafio, colocará à prova competências novas que, eu própria, terei que desenvolver. Estou preparada para o cansaço da maternidade que daí advir. Mas, o cansaço que eu possa minorar ou evitar, pois esse dispenso, em prol do bem estar de toda a família e de uma parentalidade feliz, de acordo com aquilo que nós valorizamos.

Para finalizar, sobre a tua questão, reitero (pela enésima vez) que sei que o leite natural é a situação ideal. Mas, na minha perspectiva, há outra condicionantes a ter em conta nesta escolha que, por ser escolha, não é uma solução única, universal e obrigatória.

Obrigada pela tua opinião. De verdade. Mas lamento que tenhas aqui vindo "tentar". Porque eu não tento nada com este post relativamente às escolhas de cada um. Respeito-as, da mesma forma que espero que respeitem as minhas. Ao invés de tentar convencer as pessoas que as minhas opiniões são verdades absolutas e mais válidas que as contrárias.

Beijinhos.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pólo Norte disse...

Para concluir (16h30: está na hora de poder sair, apanhar sol e tomar banho de mar): a mim, se me dissessem que a minha filha SÓ seria saudável se comesse uma posta de mim, faria o mesmo que tu. No entanto, se me dissessem que poderia ser MAIS saudável se eu o fizesse mas não significaria que NÃO pudesse ser saudável se eu não o fizesse, pois que não o faria, com toda a certeza.

São, de facto, opiniões e personalidades. (Não vou entrar na discussão das vacinas como não entrei na do sexo à canzana, pois acho que já é dispersão a mais...)

Talvez não saiba o peso dos micro-organismos. Mas sei o peso do meu bem estar que se reflectirá, com certeza, no bem estar da miúda. (Que, tenho em crer, será uma porreira!)

Atena disse...

A minha mãe teve que parar de dar-me de mamar porque eu estava a ficar desnutrida, não ia com aquilo nem por nada! A minha mãe desesperada decidiu dar-me leite em pó, ganhei uns bons quilos e fiquei saudável. Acho que não devemos julgar as pessoas, as mamas são tuas e tu é que escolhes, certo? Não é nenhum crime.

Fi* disse...

Concordo tanto contigo!!! E também já tinha pensado sobre isso... o pior é o que me rodeia... se digo que gostaria sequer de ponderar essa decisão, desconfio que ainda me esterlizam!

**

Anamar disse...

Olá,

tenho 2 filhos, detestei amamentar o 1º, mas era novinha demais e deixei-me levar por toda a gente á minha volta a dizer" aguenta porque é o melhor para ela", o que é certo é que ela durante 3 meses nunca dormiu mais de 1 hora seguida com tantas cólicas. Ainda assim amamentei-a até aos 4 meses. posso dizer que desde essa altura até ao 4 anos de idade todos os outonos e invernos fez imensas bronquiolites e inclusivamente 2 pneumonias com internamento, infecções respiratórias graves que sempre me disseram que a minha filha não iria ter porque o leite milagroso que mamava das minhas mamas a imunizava! Hoje tem 13 anos, todas as primaveras tem que tomar antihistamínicos para amenizar os surtos de borbulhas que normalmente lhe ocorrem por todo o corpo devido ao polens e já para não falar nos espirros constantes e rinite alérgica crónica que a martiriza diariamente!...Quem me disse que o sistema imunitário da minha filha ficaria muito mais fortalecido por lhe dar de mamar, enganou-me descaradamente! Não voltei a cair na mesma asneira...tenho agora um outro filho de 1 ano e 2 meses, o João, foi alimentado a aptamil desde a nascença. Felizmente, nem cólicas, nem alergias, nem febres, nem uma constipação até hoje!
Mais, desta vez até o parto do João foi feito por cesariana, a meu pedido! Nada como desfrutar do meu filho, desde o parto, sem dores, com musica na sala de partos e com muitos sorrisos em vez de gritos e dores horríveis de dilatações, gretas nos mamilos e coisas no género!
E considero o João uma criança mais feliz e equilibrada na primeira fase da sua vida do que a minha primeira filha, sabem!?

Opta sempre pelo que sentes que te fará mais feliz a ti, logo farás os outros também, mais felizes!

bjs
Ana

ritix disse...

Só quando a Ana nascer é que vais decidir...

Já sei de mamar e não gostei nada mas provavelmente daria outra vez. Porquê não sei muito bem, mas daria...

Tanucha disse...

Bem tanto se diz, e a mim entristece-me que tanta gente fala sem ter experimentado, parece um movimento anti-amamentação.

Que disseste que não irias mais sofrer por antecipação e estás a fazê-lo. Eu nunca digo que não gosto de algo sem experimentar, cada um sabe de si. Certo!

ìa para dizer mais mas não merece a pena, gosto do teu blog, da maneira como escreves. JInhos

Pólo Norte disse...

Ritix,

Falso. Já está decidido.

E o porquê, no meu caso, sei-o muito bem. :)

Beijinhos

A tua mamã! disse...

Foi a pior experiencia que tive enquanto mãe, passei mal, muito mal mesmo psicologicamente e fisicamente (ninguém imagina as dores que tive)até dizer basta e passar a alimentar o Matias a suplemento. Tenho um filho do mais saudavel que conheço e muito provavelmente um dia que tenha um irmão o pequeno nem irá saber o que é a mama da mãe, pelo menos para mamar!
Para se amamentar um bebé, muito mais importante que ter leite é estar motivada para tal tarefa!

Pólo Norte disse...

Tanucha,

A mim entristece-me que generalizes as pessoas que aqui contaram os seus testemunhos como fazendo parte de um "movimento anti-amamentação".

Aqui ninguém é contra a amamentação. O que muitas pessoas são contra é fazerem algo que não querem/gostam/retiram prazes porque a norma moral e valorativa instituída vai neste sentido e quem for contra ela é, automaticamente, apelidada de má mãe.
Eu própria já aqui disse mil vezes que considero a amamentação natural a situação ideal para o bebé mas não a quero para mim. É um direito que e assiste.
E não se trata de sofrer por antecipação. Também já aqui referi que nao sei se é bom, se é mau, se seria bem sucedida ou não nesse processo. A questão é que não o quero experimentar. Não sei se ia gostar se não mas sei que, neste momento, não o quero experimentar e quero escolher outro modelo.
Obrigada por gostares do blog.

Beijinhos

L. Mattos disse...

Não concordo totalmente com esta maneira de pensar, mas cada um é livre de fazer o que entende. Eu, por exemplo, dei de mamar e continuo a amamentar a minha filha de 16 meses e planeio continuar até ela desmamar naturalmente. Para a minha família esta é a nossa escolha, e não admito que me venham dizer que está errada - da mesma maneira que não está certo dizerem que a tua escolha é errada. Mas vai ser certamente mais cansativa (aquecer agua, esterilizar biberões, esperar que arrefeça, etc), demorada (pelas mesmas razões atrás mencionadas) e dispendiosa (o leite em lata é caro). Boa sorte, tudo a correr bem.

L. Mattos disse...

Não partilho das mesmas opiniões da maior parte de vocês. Amamento a minha filha desde que nasceu, ela tem agora 16 meses. Não gosto que as pessoas me digam que dar-lhe mama nesta idade lhe faz mal, blah, blah, blah... Certamente o leite de vaca não é melhor para a minha filha, e por isso ela só bebe do meu e bebe leite de soja modificado quando não estou. Tenho um trabalho que me toma muito tempo e não abdico do tempo da maminha por nada: é o nosso momento. Partilho da mesma opinião que o casal deve ser uma equipa, o meu marido lava a loiça enquanto eu dou de mamar, e traz-me um copo de àgua, e da-lhe banho enquanto eu faço o jantar: dividimos as tarefas a dois e tem resultado bem. Mas este é o modelo que escolhemos para a nossa família, o que não quer dizer que o teu modelo esteja errado: cada familia sabe de si. No entanto, todas as decisões acarretam sacrifícios. Não amamentar tem desvantagens: a comida do bebé demora tempo (o que não é muito bom quando a criança abre o berreiro às 4 da manhã), e é dispendioso. Boa sorte com esta etapa na tua vida.

Mafalda disse...

O que posso deixar aqui de testemunho é que antes de ser mãe me considerava o ser mais racional do Universo (inclusivé de profissão sou professora de matemática). O que a maternidade me trouxe e que desconhecia é o nosso lado irracional, animal e não tem a ver com amamentar, esse é apenas um pormenor do nosso lado animal. E desde logo tive necessidade de compreender que tipo de amor sentia pelo pai e pela minha filha, dado que antes de ser mãe o amor que sentia pelo pai era e é infinito, por ele iria e vou até ao fim do mundo e não me vejo sem esse amor ao meu lado. Pela minha filha sinto um amor infinito mas diferente, é um amor animal por ela eu sei que era capaz de matar ou dar a minha vida e é assim que descrevo o amor de mãe.
Amamentar é uma opção e deve ser respeitada, principalmente quando a mãe está bem informada. A maioria das inglesas não o faz por opção e bem informadas, como também dão sedativos aos filhos para dormirem a noite toda e acham-no normal - posições e culturas. Mais acrescento que a amamentação deve ser um prazer para ambas as partes, mãe e filho, não uma obrigação ou sacrifício - e quando há um cansaço extremo seja compreensível a posição.
As mamas não deitam leite a toda a hora nem é necessário andar com discos a toda a hora - é uma fase que rapidamente passa e a amamentação passa a ser confortável. Compreendo o cansaço, mas alerto que um bebé, seja amamentado ou não, exige muito nos primeiros dias e que os níveis de cansaço ainda se elevam independente do pai ajudar ou não, e se o bebé tiver cólicas, muitas vezes agravadas pelo LA? Como mãe não vai conseguir descansar...
O que posso dizer é que mais uma vez respeito a decisão, e deixar o meu testemunho do quanto é maravilhoso satisfazer todas as necessidades da minha filha e dizer que os bebés crescem RÀPIDO e que tudo compensa e há tempo para tudo mesmo amamentando. Que tudo corra bem e que seja bem sucedida em todas as decisões, é o que desejo.

Claudine Wolf disse...

as mães não dão de mamar pelos benefícios da amamentação.....dão de mamar porque é o que é NATURAL fazer-se e é o que fazemos há milhares de anos...

Pólo Norte disse...

Leonor,

Não procuro, com este post, obter a concordância das pessoas que o lêem. Mas fico grata que tenhas o bom senso e a lucidez de respeitares outras opiniões e decisões diferentes da tua.

Cada pessoa saberá, na balança de custo/benefício, o que é melhor para a sua situação. Quer amamentar de forma natural quer artificial têm as suas vantagens e desvantagens.

No MEU caso, amamentar tem mais desvantagens que amamentar artificialmente. :) É simples.

Unknown disse...

Acho que tu própria tens consciência que há um quê de "errado" em não amamentares a tua filha, ou então não te terias descosido em justificações. Mas é como dizes... cada mãe sabe de si, e visto que os teus argumentos são fortíssimos e bastante válidos, não me oponho (ainda que isso não importe para nada) à tua decisão. Em certos aspectos como o da vinculação repartida, é uma escolha sensata.
Felicidades!

Pólo Norte disse...

Claudine,

Cuidado com as generalizações abusivas!

"as mães não dão de mamar pelos benefícios da amamentação". Deixe-me rir. Conheço dezenas de mães que só dão de mamar por estar razão e, se se der ao trabalho de ler esta caixa de comentários, verá que muitas delas não só o decidiram fazer como o continuaram a fazer apesar de frustradas e fartas, prestes a desistir, por esta mesmo razão.
Se no seu caso é uma escolha natural, isso não pode ser generalizado ao universo de todas as mães.

Quanto ao que é natural, olhe nem me apetece contra-argumentar (o disco já está riscado). Natural para mim é a mãe continuar a a ter livre arbítrio como mulher e como pessoa.

Unknown disse...

Pólo, estive a pensar sobre o assunto hoje de manhã... quando o bebé nascer (e provavelmente por esta altura também) vai gerar esse leite materno que "normalmente" se dá à criança. Não será pouco vantajoso para si em termos de saúde não o retirar? Ou ele vai saindo naturalmente?
É que se tiver que o ir tirando para efeitos de saúde, então sugiro que utilize uma daquelas sugadoras de leite materno que existem, podendo conservá-lo e dá-lo de biberão. Assim a criança não perde o acesso ao leite materno e torna perfeitamente possível a ideia do vínculo partilhado, bem como a alivia de ter que se levantar de noite na mesma porque já armazenou o leite durante o dia e o seu marido poderá tratar do assunto. Com alguns dos meus sobrinhos foi assim que se fez e resultou muito bem. Fica a sugestão :)

Mum's the boss disse...

Polo Norte,
detestei amamentar o primeiro mês. Adorei os restante 8.
AMEI este teu post completamente libertador! Dos melhores que já li!
Os meus parabéns! Muito mas mesmo muitoooooo bom!

Anónimo disse...

Se calhar se tivesse sido amamentada saberia que a forma correcta é 'eu não faço tenção de...' ou 'eu não tenho a intenção de...'. Lá se vai a teoria do 'perspicaz e espertíssima' (é uma piada, relax!). Além disso, como quase-médica este post mexe especialmente comigo. Deixa-me triste, o que é que se há-de fazer? :)

Pólo Norte disse...

Por exemplo, eu acho que ser "perspicaz e espertíssima" tem que ver com imensas coisas como respeitar as escolhas alheias e não se ficar triste com as escolhas dos outros, nem os querer "evangelizar" à força com as nossas ideias e convicções. ;)

Anónimo disse...

Repare que não referi um único argumento pró-amamentação, não tentei alterar a opinião de ninguém (muito menos à força) e não senti que desrespeitasse a sua decisão. Aliás rematei com um 'o que é que se há-de fazer?'. Limito-me a ficar triste, que não faz de mim menos perspicaz ou esperta mas que demonstra que me interesso.. Ah e também me limito a guardar as opiniões contrárias para mim porque já percebi que não lhe agradam :p

Ana Rita disse...

cada um faz o que quer (menos os bebés que têm de comer e calar... ou não!)

eu tenho um rapaz de 22 meses que amamento, sempre quis amamentar (mas não ia morrer de desgosto se não conseguisse). Não pegou de inicio (acho que com a exaustão do parto ele queria era dormir...) depois lá pegou (ao inicio com a ajuda dos bicos de silicone), tirava leite com a bomba (até aos 9 meses +-) nunca tive dores nem problema e sempre correu tudo bem! não sei até quando vai mamar e não me ralo com isso (nem com as pessoas que dizem que é só vicio e que não alimenta) somos os 2 felizes assim e estou feliz com a minha escolha.

Cada um que faça como bem entender (mas como para mim tem sido uma experiência positiva, recomendo)

Beta disse...

Olá Polo Norte,
Encontrei o teu blog há pouco tempo e, como gostei tanto do que escreves, comecei a ler o resto. O ano passado lembro-me de ter lido posts ofendidíssimos, por causa de uma mãe que tinha decidido não amamentar o bebé, sem nunca mencionar a quem se referiam.. Afinal, encontrei-te! Lembro-me de ter pensado, na altura, porque é que essa malta só sabe falar da vida dos outros. A vida delas não lhes chega, claro! Haja pachorra para fundamentalismos.
Abraço de uma recém-fã.
Beta
P.S. E eu até tenho uma bebé de 3 meses (que nasceu de 4 kgs e 53,5 cms!!! ah, ah, ah!) e amamento. :)

Eolo disse...

Olá Polo,

Vim cá parar por acidente, mas adorei o texto, a frontalidade.

Confesso que não resisti e li os comentários MAS gostei particularmente da opinião que meninas que ficam viciadas na amamentação provavelmente tornam-se lésbicas.

Esta é uma decisão tua, eu também não fui amamentado, nasci prematuro e tal como tu considero-me perspicaz e espertíssimo.

Acho giro como se incendeiam por decisões dos outros que nada lhes digam respeito.

Espero que a Ana seja uma criança muito feliz e que tenha o teu sentido de humor e jogo de cintura.

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