sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O meu pequeno mundo n'o Alcoitão*" (a.k.a. Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão)



Há uma fotografia minha que anda na carteira da minha mãe há mais de 20 anos.
Foi num "Dia do Pai", teria uns 8 anos. Estava um sol lindo de início de Primavera que reluzia em toda a estrada a caminho de casa. Tinha passado os últimos seis meses n'o Alcoitão e tinha tido, finalmente, alta. A minha mãe adora o ar amuado e mimado da foto e eu lembro-me apenas que não me sentia feliz nesse dia, cansada de não poder correr rente aos muros nem dançar a coreografia do "Dia do Pai" que os meninos da Creche me tinham mostrado, da última vez que, em fila indiana, me tinham ido visitar ao Alcoitão.
O Alcoitão era a minha segunda casa. Conheci o Alcoitão com 15 dias de idade e a minha médica tornou-se minha madrinha. Voltei lá dezenas, centenas de vezes. Para consultas externas, exames complexos, encomenda de botas ortopédicas e talas, internamentos menos prolongados, internamentos mais prolongados, fisioterapia, terapia ocupacional. Para estar presente em reuniões entre amigos que se conheceram em internamentos, discursar em seminários onde pediam o meu testemunho, assistir a torneios de basket em cadeira de rodas, comparecer a pontos de encontro para se partir para colónias de férias, para ser voluntária. Para visitar ambos os meus avós, de cada vez que ambos lá estiveram internados, na sequência de um AVC. 
No Alcoitão sabiam o meu nome completo de cor, de cada vez que chegava à coordenação para avisar da minha presença na consulta externa.No Alcoitão a Enfermeira Porto baptizou-me de "patareca" e assim me chama até hoje, ainda que eu tenha 31 anos feitos e ela esteja já reformada há uns quinze anos. No Alcoitão a enfermeira Teresa gozava sempre pelo facto de eu adorar o cheiro a éter. A Felicidade sabia que ao pequeno-almoço eu bebia sempre leite frio com chocolate, e nunca se enganava servindo-mo quente. O senhor que me fazia as botas sabia que eu odiava pele castanha e fazia-mas sempre cremes e discretas. Oleava bem os aparelhos porque conhecia o meu trauma pelo chiar dos ditos, que fazia com que cães me perseguissem a ladrar (true story).
No Alcoitão fiz amigos. Pessoas com deficiências congénitas e adquiridas. Porém, nunca conheci no Alcoitão ninguém doente. No Alcoitão conheci, na adolescência, a Beta que chorou da primeira vez que juntas fomos a uma discoteca, porque desde o acidente de mota que a tornou paraplégica, nunca tinha interiorizado que não poderia voltar a dançar. A Beta que é hoje psicóloga no Alcoitão. Conheci o Luis que nasceu com uma deficiência e dançava em cadeiras de roda como ninguém. Nunca soubera dançar de outra maneira e era exímio na pista. Conheci a Rita Duarte que me desencaminhava para roubarmos de forma maldosa os doces que a Rita Gameiro, com quem partilhávamos a enfermaria, guardava na mesinha de cabeceira e se recusava a partilhar. Conheci o João, um dos homens da minha vida.
No Alcoitão aprendi a ler aos 4 anos, como única forma de afastar o tédio de quem tinha que estar deitada durante meses de barriga para baixo numa maca, para que os calcanhares pudessem cicatrizar da última operação cirúrgica. No Alcoitão aprendi a não me queixar e a odiar a auto-comiseração. Aprendi a não ter pena de pessoas diferentes. Aprendi a sentir-me igual aos diferentes e diferente dos iguais. E a não me importar com isso. Aprendi que se consegue ser feliz quando todos os outros questionam como é possível que isso aconteça. Aprendi que o mundo não é perfeito e que a realidade pode ser vivida de forma serena. Que todas as pessoas se conseguem adaptar às dificuldades e que ter-se uma diferença não significa ser-se incapaz. Aprendi a distinguir o realmente importante do acessório.
E quando olho para o screensaver do meu Iphone e vejo a fotografia do chão do Alcoitão, tirada da última vez que lá fui, sei que há jogos de xadrez que dão um gozo especial de vencer. Xeque-mate!

(*A propósito da reportagem de ontem no Jornal da Noite na SIC)

domingo, 8 de janeiro de 2012

É nestas alturas que eu gostaria que o País Basco fosse independente (sempre seria outro país quadripolarizado)





"Na foto esta a minha filhota Mariana..e foi ontem há noite em frente ao Museu Guggeinhein, em Bilbao.
 
Perdoa a qualidade da foto..mas era de noite..e foi com telele Piscar o olho
(que os reis também estam em crise não puderam trazer machine nova)."
 

Beijinhos à Sónia. Muitos. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ouro, incenso e... prenda da Pólo Norte!

Tinha uma prenda para V. oferecer a todos no dia de Natal. Na altura, por circunstâncias que já aqui falámos, não tive disponibilidade para o fazer.
E o Natal chega atrasado mas o Dia de Reis chega adiantado.
Já não há desculpa para não quadripolarizarem, que nem loucos, esse Mundo todo. Desmesuradamente. Vocês próprios e os V. amigos. Desconhecidos com quem se cruzem. Pessoas mais tímidas e todos os outros.

Enjoy e... que surpreendam-me!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A verdadeira pedagogia


"Olá.
Na impossibilidade de ir a Roma nos próximos tempos, resolvi quadripolarizar a minha turma de Latim do 10.º ano. A qualidade não está grande coisa, mas a intenção foi a melhor.
Beijinhos."

Ago gratias, Carla!
Tia Pólo <3 you all, coriscos mal amanhados!
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