terça-feira, 29 de março de 2016

Os filhos dos meus amigos podem não ser melhores que os dos vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 5

Fomos ao workshop de ilustração de Dia do Pai com duas amigas queridas: a Margarida e a Rita. 
Chegados ao colégio, já sentados e prontos para dar início aos trabalhos, a Margarida chama a filha Laura (da mesma idade e grande amiga da Ana):

Margarida: "Vá Laura, vamos lá desenhar o pai!"

Laura: "Mãe, podemos antes desenhar o John Lennon?"

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sábado, 19 de março de 2016

O espaço vazio



Passei, exactamente, vinte e quatro dias do Pai neste vazio. O último que comemorei tinha oito anos e era um dia bonito de Primavera, lembro-me bem, ou talvez seja esta fotografia- em que, sentada numa cadeira de rodas, carrego o último presente de dia do Pai que teve destinatário- que mo lembre. 
A partir daí sempre o mesmo suplício quando Março trazia este dia, sem ninguém que o fizesse ganhar sentido ou forma, sem ninguém que fosse a razão de o celebrarmos, este dia, o dia em que o calendário ficava vazio de mim, espectadora da celebração. 
Não é fácil crescer assim, fugindo à norma e à maioria, não nos juntando ao sentimento colectivo, não tendo razão para fazer trabalhos bonitos na escola primária, não tendo mãos para receber presentes à chegada a casa, não tendo, já adulta, compromissos de almoços ou jantares com o pai. Fica, assim, uma espécie de vazio que, no meu caso, durante anos tentei preencher avidamente com quem estava disponível e o mais preparado possível para "fazer a vez". 
O meu avô foi, de facto, o melhor avô do Mundo mas nunca conseguiu ser o meu pai. Não é possível que um avô seja pai, não acredito nisso. Um avô pode amar até ao infinito, pode ser uma referência masculina, pode exercer um modelo parental mas um avô é um avô, tem um tempo e um espaço geracional que o separa de nós e isso não é mau- na maioria das vezes é até o que faz os avós mais doces e pachorrentos, mais apaziguadores com os modelos de educação e mais flexíveis, mais amorosos e emocionais, a saber amar com a intuição e o empirismo seguro que não está acessível aos pais. Não me interpretem, por isso, mal nem me vejam como ingrata: o meu avô foi o melhor avô do Mundo mas não podia, nunca, ter feito a vez do meu pai ou aspirado a substituí-lo. 
A minha mãe foi, igualmente, a melhor mãe do Mundo. Às vezes oiço mulheres como a minha mãe dizerem que "foram mãe e pai",  também já cheguei a pensar isso da minha, assumo. Hoje não creio nisso. A minha mãe nunca fez a vez do meu pai nem nunca "foi mãe e pai" pela única razão de que essa responsabilidade, essa tarefa, esse papel, o de pai- o de meu pai- só poderia ter sido desempenhado por uma única pessoa, aquele homem que se foi embora e desistiu da parentalidade, a confundiu com conjugalidade, que entregou a gestão da minha vida, da minha educação, da rega do meu amor à minha mãe, que é, de facto, a melhor mãe do Mundo mas que, por motivos óbvios, nunca poderia ter tido a responsabilidade, a ousadia, a pretensão de ser pai. O meu pai. Aquele pai. 
Durante anos tentei preencher este espaço vazio ora com o meu avô ora com a minha mãe, numa tarefa inglória e injusta, conturbada e frustrante. 
A verdade é uma: o meu pai não soube ser pai e constato-o hoje, sem mágoas nem rancores, sem recalcamentos ou raiva. Com algum lamento e pesar pela filha do pai que eu gostaria de ter experimentado ser (e alguma curiosidade de como teria sido) e pelo pai que ele poderia ter sido se as vontades, a motivação, a predisposição e as circunstâncias o tivessem permitido. Só que não. 
Não tenho o melhor pai do Mundo, nunca o terei. Aprendi a viver bem com esse facto como uma árvore que cresce amputada mas que cresce, que ganha troncos e flores, que vê assistir, com espanto e serenidade, aos primeiros frutos. 
Hoje, muitos anos depois, e após de ter escolhido o melhor pai do Mundo para a minha filha, estou em paz. Em paz porque, não foi minha culpa, não foi minha responsabilidade, em nada contribuí para o falhanço do meu pai como pai. Em paz porque me tornei em alguém que fez as pazes com o passado e todos os dias gosta mais do presente em que se tornou o presente e sente esperança e alegria no futuro em que acredita, Em paz porque não tenta encaixar nada nem ninguém no espaço vazio que ele deixou. Já não é preciso. Sei quem sou e porque sou. 
Celebro, hoje, o dia do Pai em mim. Celebro, hoje, este espaço vazio que o meu pai deixou. E a segurança de que não preciso que ninguém o preencha. E a certeza de que ele ficará vazio para sempre, sem tristeza nem lamento. Porque este espaço vazio lembra-me quem sou, no que me tornei, recorda-me do melhor avô que nunca aqui conseguiria encaixar por ter outra forma, ser outra figura geométrica do meu amor. Lembra-me da melhor mãe do Mundo que é tão grande que neste espaço nunca poderia caber.
E lembra-me da serenidade do tempo, dos 24 anos passados a tentar preenchê-lo em vão e da aceitação de que há espaços vazios que assim têm que permanecer, com todas as memórias não concretizadas do que poderiam ter sido, com todo o vazio e silêncio que sempre ficou. Não é preciso preenchê-lo. Já não.
Este espaço vazio construiu a minha identidade, trouxe-me certezas e reconciliações, aceitação e paz. Este espaço vazio está cheio de mim. Este espaço vazio lembra-me como cheguei aqui, quem sou e porque o sou. Talvez tivesse sido uma pessoa diferente se o espaço tivesse preenchido, talvez com mais memórias positivas, com mais âncoras positivas, acredito que feliz. Mais feliz? Não sei. Diferentemente feliz.
Este espaço vazio lembra-me o que me custou chegar aqui a este ponto cardeal da minha vida. Hoje resolvida e feliz. Mesmo feliz. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Joana sabes que tens Ausfahrt? :P




"Olá Polinho! 
 Segue a quadripolarização do lindo sítio onde estou desenterrada. Pertence à região da Pomerânia e estou mais perto da Suécia do que do resto da Alemanha. Dizem que isto é a Ibiza alemã... Ahahah! Só porque tem praia. 
De resto, não interessa nem ao menino Jasus, como já te tinha dito. 
 Beijooooo , Joana Ademar"

Beijinho, Joaninha! És tão gira, caraças!


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Esfregando neve na cara da inimiga


"Ah, Pólinho, abominável ursa das neves, tás contente com granizo em Alcabideche, tás?
Toma lá neve na Islândia só para te resumires à tua frozen insignificância. "

Islândia quadripolarizada pela querida Cristiana, cujas fotografias no facebook me fazem ter uma necessidade urgente de rumar a bué, bué Norte!
Estou com uma espécie de raivinha dos dentes cheia de inveja misturada com agradecimento genuíno por esta fantástica quadripolarização!


(Todos os países quadripolarizados aqui)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

.... as pessoas que se manifestam publicamente contra o Dia dos Namorados e as pessoas que se manifestam publicamente contra as pessoas que se manifestam publicamente contra o Dia dos Namorados. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que em criança acreditavam que havia sopa* de tudo o que diziam as receitas e as outras. 


(uma colher de "sopa de farinha", duas colheres de "sopa de leite" e por aí fora...)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

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