quarta-feira, 7 de março de 2012

A metáfora do bolo de iogurte com nutella... e passas

Há uma tradição na minha "família de acolhimento". A minha "família de acolhimento" foi aquela que me escolheu, aquela que permanece, aquela que soma elementos e que faz de mim tia, irmã, amiga do coração. 
Mas, dizia eu, há uma tradição na minha "família de acolhimento" e que se proporcionou pelo facto de cada uma das três mosqueteiras morarem em três países distintos: sempre que nos encontramos tornamos real a máxima "o Natal é quando o homem quiser". Neste caso, quando três amigas-irmãs querem é sempre que conseguimos estar (fisicamente) juntas. 
Calha que o "nosso Natal" acaba por acontecer, invariavelmente, em Agosto. Quem vir as janelas da casa onde se celebra o Natal pintalgadas de neve artificial, pinheiro montado e iluminado e prendas debaixo da árvore vai achar que está diante de três loucas. Sabemos disso e não queremos saber. É o "nosso" Natal.  
Com a família a aumentar por todo o lado, este ano instituímos nova tradição: "o aniversário colectivo". Tendo dois dos sete elementos e meio já celebrado aniversário e na oportunidade de estarmos todas juntas no final deste mês, agendou-se o dia 31 de Março como o dia em que se fará a primeira "grande festa de anos de todos". 
Começou por se encomendar o bolo à ex-colega de faculdade de todos: a Violet. Decididas as figuras e a decoração, foi a vez de escolher a massa e o recheio. 
As opções de massa e recheio eram muitas: cenoura com avelã e nutella; cenoura com chocolate negro; chocolate (qualquer um) com morangos/frutos silvestres; limão com limão; limão com frutos silvestres; iogurte com doce de fruta; iogurte com chocolate; chocolate com limão; nata com qualquer recheio; laranja com chocolate; chocolate com ovos moles... Coube à Catarina- porque mora na Guiné e tem menos oportunidade de comer bolos mais elaborados- tomar a decisão. 
E decidiu: bolo de iogurte com nutella e... passas. Torcemos o nariz, propusemos alternativas (um bolo bom para todos e um cupcake daquela mistela para a Catarina), fizemos cara de vómito mas a Catarina manteve-se firme: se queríamos a opinião dela, ela queria iogurte com nutella e passas. Preciosismos gastronómicos à parte, o argumento era irrefutável: "se o ser humano se ficasse pelo habitual e rotineiro não estaríamos onde estamos". 
Bolo encomendado. Lição (re)aprendida. E mente aberta. Afinal, não somos nós que comemoramos o Natal em Agosto e que o ano passado, já com o perú assado no forno e à falta de vasos, montámos um pinheiro dentro de uma caixa de brinquedos da sobrinha mais velha?!

terça-feira, 6 de março de 2012

Pólo Norte ♥ Camarões


Um grande beijinho ao Ernesto porque quadripolarizar este país me parecia tão, mas tão improvável. :)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Mundo divide-se entre...

... entre as pessoas que partem o esparguete antes de o colocarem na panela e as pessoas que o colocam inteiro a cozer.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Depois de anos a chagar a minha melhor amiga da Guiné Bissau...

... que era inadmissível a Guiné ainda não estar quadripolarizada e isto e aquilo. Toma lá disto:


Mantanhas com sabor a mancarra ao Banjai!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Do amor (para sempre entre parentesis, que é como se eu dissesse baixinho)

O nosso amor não é perfeito. O nosso amor é uma trapalhada, até. Mas, vai na volta, e tem uma coisa única, um adn especial: é meu e teu, e isso faz dele único como só os amores reais conseguem ser. 
O nosso amor teve altos e baixos, sucessos e fracassos, comunhões e apartamentos.O nosso amor já foi uma grande treta mas conseguiu reinventar-se (e o bem que sabe?). O nosso amor teve flores e frutos, chegou a murchar e a apodrecer, nasceram-lhe sementes e, hoje, cresce com um tronco que nenhuma intempérie conseguirá derrubar.
A única coisa que o nosso amor tem de especial é ser nosso: meu e teu. E ter tornado a palavra "nós" uma entidade singular, única, sem nunca deixarmos de saber que 1+1=3. 
Não sei se o nosso amor será para sempre (eu sinto que sim, mas digo-o baixinho, que entre nós a incerteza do futuro sempre resultou tão bem). Mas sei que serás para sempre o meu amor. O meu grande amor.
Prometi que não falaria de ti no blog. És demasiado importante e íntimo para te expor publicamente. És demasiado parte do mais profundo de mim para partilhar palavras sobre ti, que nunca conseguiriam traduzir o que significas para mim.
Mas hoje o dia começou de uma forma única e especial e, porque é o teu aniversário, hoje este post é para ti: Feliz Ano Novo, grunguinho. 
'Bora viver o nosso final feliz?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que após um primeiro encontro se despedem usando a frase "Muito gosto" e as que se despedem com a expressão "Muito prazer!".

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Porque é que odeio a minha caixa de SPAM? De vez em quando engole-me preciosidades destas!

"Queridinha Ursa, 

Temos te a dizer que somos tuas fãs no Facebook e leitoras diárias do teu Blog e tu és a MELHOR URSA à face da terra.

Como somos umas moçoilas, pouco dadas a viagens, à falta de melhor esta foto foi tirada no nosso 
 Emprego mesmo aqui em Odivelas, mas agora, finalmente, já podemos dizer que pertencemos ao Mundo Quadripolar, e é com muita devoção que te enviamos esta foto como prova de, também nós, sermos umas dignas Ursas Quadripolarizadas.


Nenhuma de nós tem blog, mas tu tornaste-te, numa leitura diária obrigatória, já nos rimos contigo e já choramos (de tanto rir), e apesar de não te conhecermos pessoalmente, temos a plena noção que tu és cá das nossas, daquelas que a malta diz que é boa gente...

Resta nos desejar te um 2012 em Grande e continua ai desse lado, que nós estaremos sempre aqui....

Beijos Quadripolares da Conguita e da Tininha"

Odivelas quadripolarizada? Checked!
Beijinhos da Ursa, girls!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O meu pequeno mundo n'o Alcoitão*" (a.k.a. Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão)



Há uma fotografia minha que anda na carteira da minha mãe há mais de 20 anos.
Foi num "Dia do Pai", teria uns 8 anos. Estava um sol lindo de início de Primavera que reluzia em toda a estrada a caminho de casa. Tinha passado os últimos seis meses n'o Alcoitão e tinha tido, finalmente, alta. A minha mãe adora o ar amuado e mimado da foto e eu lembro-me apenas que não me sentia feliz nesse dia, cansada de não poder correr rente aos muros nem dançar a coreografia do "Dia do Pai" que os meninos da Creche me tinham mostrado, da última vez que, em fila indiana, me tinham ido visitar ao Alcoitão.
O Alcoitão era a minha segunda casa. Conheci o Alcoitão com 15 dias de idade e a minha médica tornou-se minha madrinha. Voltei lá dezenas, centenas de vezes. Para consultas externas, exames complexos, encomenda de botas ortopédicas e talas, internamentos menos prolongados, internamentos mais prolongados, fisioterapia, terapia ocupacional. Para estar presente em reuniões entre amigos que se conheceram em internamentos, discursar em seminários onde pediam o meu testemunho, assistir a torneios de basket em cadeira de rodas, comparecer a pontos de encontro para se partir para colónias de férias, para ser voluntária. Para visitar ambos os meus avós, de cada vez que ambos lá estiveram internados, na sequência de um AVC. 
No Alcoitão sabiam o meu nome completo de cor, de cada vez que chegava à coordenação para avisar da minha presença na consulta externa.No Alcoitão a Enfermeira Porto baptizou-me de "patareca" e assim me chama até hoje, ainda que eu tenha 31 anos feitos e ela esteja já reformada há uns quinze anos. No Alcoitão a enfermeira Teresa gozava sempre pelo facto de eu adorar o cheiro a éter. A Felicidade sabia que ao pequeno-almoço eu bebia sempre leite frio com chocolate, e nunca se enganava servindo-mo quente. O senhor que me fazia as botas sabia que eu odiava pele castanha e fazia-mas sempre cremes e discretas. Oleava bem os aparelhos porque conhecia o meu trauma pelo chiar dos ditos, que fazia com que cães me perseguissem a ladrar (true story).
No Alcoitão fiz amigos. Pessoas com deficiências congénitas e adquiridas. Porém, nunca conheci no Alcoitão ninguém doente. No Alcoitão conheci, na adolescência, a Beta que chorou da primeira vez que juntas fomos a uma discoteca, porque desde o acidente de mota que a tornou paraplégica, nunca tinha interiorizado que não poderia voltar a dançar. A Beta que é hoje psicóloga no Alcoitão. Conheci o Luis que nasceu com uma deficiência e dançava em cadeiras de roda como ninguém. Nunca soubera dançar de outra maneira e era exímio na pista. Conheci a Rita Duarte que me desencaminhava para roubarmos de forma maldosa os doces que a Rita Gameiro, com quem partilhávamos a enfermaria, guardava na mesinha de cabeceira e se recusava a partilhar. Conheci o João, um dos homens da minha vida.
No Alcoitão aprendi a ler aos 4 anos, como única forma de afastar o tédio de quem tinha que estar deitada durante meses de barriga para baixo numa maca, para que os calcanhares pudessem cicatrizar da última operação cirúrgica. No Alcoitão aprendi a não me queixar e a odiar a auto-comiseração. Aprendi a não ter pena de pessoas diferentes. Aprendi a sentir-me igual aos diferentes e diferente dos iguais. E a não me importar com isso. Aprendi que se consegue ser feliz quando todos os outros questionam como é possível que isso aconteça. Aprendi que o mundo não é perfeito e que a realidade pode ser vivida de forma serena. Que todas as pessoas se conseguem adaptar às dificuldades e que ter-se uma diferença não significa ser-se incapaz. Aprendi a distinguir o realmente importante do acessório.
E quando olho para o screensaver do meu Iphone e vejo a fotografia do chão do Alcoitão, tirada da última vez que lá fui, sei que há jogos de xadrez que dão um gozo especial de vencer. Xeque-mate!

(*A propósito da reportagem de ontem no Jornal da Noite na SIC)
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