Gosto de viver em Portugal porque todos os outros lugares são estrangeiros e estranhos.
Com isto não quero dizer que não goste dos outros países, à excepção que eles não são casa, não têm uma caixa multibanco a cada esquina e estão carregados de estímulos, novidades e coisas para serem descobertas que se tornam cansativas porque não são conhecidas e dominadas.
Aquela brincadeira de sair da nossa zona do conforto é muito engraçada, mas assim que estamos desconfortáveis, estranhos ou estrangeiros, não procuramos outra coisa senão sentirmo-nos em casa.
O mundo é capaz de se dividir entre quem desfaz a mala de viagem nos quartos de hotel e pendura a roupa que traz no guarda-roupa bem como coloca livros em cima das estranhas mesas de cabeceira e os outros.
O pior de ser português é o ritmo do cinema, a má condução, as adaptações dos reality shows e os comentadores dos jornais online.
O melhor de ser português é, à parte do café, o ser bairrista seja dentro do nosso bairro quando estamos a ver as marchas populares, seja a defender a nossa cidade quando temos jogos de futebol ou seja a assumirmo-nos portugueses buzinando a cada camião que passa com uma bandeirinha portuguesa no espelho dianteiro quando viajamos de carro pela Europa.
Nós gostamos muito de pertencer aqui e como uma mãe relativamente a um filho, gostamos muito de nos queixar do nosso país mas ai de quem não seja daqui ou venha de fora e diga mal dele.
Meu rico Portugal: quanto mais conheço os outros, mais gosto de ti.
Somos portugueses em muitas coisas mas as mais importantes são este bairrismo e a paixão pela comida, seja ela de que província for, nisso estamos unificados, não há nenhum lado no Mundo onde se coma melhor que em Portugal.
E não tem que ver só com a comida, mas com o sol que ilumina a esplanada, o som do mar aos nossos pés, os miúdos a correrem à volta da mesa em segurança, o cheiro a maresia e aos primeiros cremes protectores e o bitoque até pode ser uma merda.
Tanto nos dá: haja pão para molharmos na gema do ovo estrelado e uma cerveja geladinha e ficamos felizes.
Eu também.
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