Sim, a minha mãe foi a melhor mãe do Mundo e era atenta, regrada e rígida e tudo e tudo. Tinha até a pretensão de que me policiava 24 horas por dia. E isso não me impediu de:
- Sair de casa com uma roupa tapadíssima em Dezembro e chegar à escola e mudar de vestimenta na casa de banho das raparigas e vestir, por diversas vezes, decotes em que se via o meu estômago;
- A minha mãe dar-me boleia para o ILPA no Estoril, cuja mensalidade era na altura 7 contos, chegar lá, assistir a uma hora e ao intervalo ir com a minha amiga Cláudia para a praia, ali a 200 metros, e voltar para apanhar boleia da minha mãe à hora de término da aula de Inglês, como quem não quer a coisa e com medo dela topar grãos de areia na minha roupa;
- Dizer que ia dormir à casa da Tânia porque tinha que fazer trabalhos de grupo e ir passar a noite n vezes com o namorado que já tinha casa própria;
- Esperar pelo dia em que fazia 18 anos para fazer um piercing depois de várias tentativas em acorrer à "Bad Bones" para mo fazerem antes da idade.
- Tatuar o nome do amor da minha vida, aos 16 anos, na omoplata. Era Inverno e a minha mãe só deu por isso na Primavera porque me entrou de rompante na casa de banho enquanto tomava duche. Levei uma coça memorável, fiz uma remoção a laser daquela porra (não sem antes a minha mãe quase me ter arrancado a pele com esfregão com palha de aço na tentativa de poupar dinheiro) e trabalhei dois Verões seguidos para repor o dinheiro em caixa.*
Portanto, estou solidária com todas as mães das miúdas acampadas para assistirem ao concerto do Justin Bieber. E solidária também com as galhetas que elas derem às filhas depois destas aparecerem constipadas por terem dormido ao relento numa tenda.
Ser pai é alertar para o erro. Por vezes ter que ser condescendente e deixar os miúdos provarem do próprio veneno e verem as consequências dos seus actos.
Deixá-los aprender no duro, na constipação por culpa do decote, na pior nota a Inglês no final do período e no respectivo castigo, na dor do esfregão de palha de aço na pele. Deixá-los aprender com a raivinha de terem que ouvir o célebre "Bem feita! Eu não te avisei?"
Não sei se serei uma mãe permissiva ou rígida, porque a miúda ainda é bebé. Sei que nestas coisas da educação cada vez menos cuspo para o ar, cada vez menos julgo ou critico. Ainda que à vista desarmada me apetece dar um chapadão à miúda das seis tatuagens. Talvez porque saiba que o ADN é uma coisa lixada.
E, meus amigos, nada é definitivo. Sim, o amor pelos nossos ídolos não é. As certezas próprias da adolescência muito menos. Mas, espero pela graça a Deus, que o maior disparate que a Ana me faça na adolescência seja tatuar uma merda no corpo ou fazer um piercing.
É que ou furos fecham. E com o laser, nem as tatuagens são definitivas.
And we'll always have... palha de aço.
(*Chamava-se Sérgio e o idiota do tatuador, ainda por cima, esqueceu-se do acento.)
And we'll always have... palha de aço.
(*Chamava-se Sérgio e o idiota do tatuador, ainda por cima, esqueceu-se do acento.)



















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