domingo, 1 de janeiro de 2017

No último ano (adeus 2016)



Comecei o ano numa festa de garagem. Confirmei a minha paixão pela gastronomia do Médio Oriente. E do Líbano, em particular. Preocupei-me meses seguidos com a saúde da Ana. A Ana mudou de sala e deixou de ficar doente. Fui ao Porto uma vez, duas, dezenas. Rendi-me às evidências que a minha colite e a minha falta de vesícula não se coadunam com francesinhas. Com muita pena minha. Graças à Mónica Lice e a um grupo espectacular de voluntários vi a ASBIHP ser pintada e ficar com uma cara tão limpinha. Voltei à Polícia Judiciária e ajudei a tornar a sala de vítimas de pedofilia um sítio digno e de afectos. Choraminguei ao ver o resultado final. Ajudei a Ana a completar a sua primeira colecção de cromos. Mascarei a Ana de sereia. Aprendi a trabalhar com uma pistola de cola quente. E vi-a muito, muito feliz. Conheci a pessoa mais importante deste ano (a Leonela) e que, em 2016, mudou a vida da Ana Rita, suportando os custos de uma professora que, durante todo o ano, a ensinou a ler. Fui à Serra da Estrela ver neve e não vi um floco sequer. Cantei os parabéns ao meu amor rodeada de estranhos. Voltei ao Grande Hotel das Caldas das Felgueiras e senti-me, como sempre, em casa. Dancei música cubana no Carnaval. Comemorei o dia dos namorados em casa, a três, a comer uma pizza pirosa em forma de coração. Fui ao Teatro São Luiz ver um meu amigo actor no palco. Tive uma paixão platónica pela Catarina Wallenstein. Senti orgulho pela Bairro do Amor ajudar a concretizar o sonho de uma pequena bailarina. Contei com a minha grande amiga Ana Isabel e a sua Móvel Vivo para tornarem as noites da Rita e do Luis mais dignas. Vi a Segurança Social saldar contas comigo. Reuni com a Marta, a Neuza e a Rafaela em Coimbra e sonhámos juntas muitas coisas que se concretizaram no ano que passou. Apaixonei-me pelo Galerias. Parti um dente a comer um caramelo. Recusei 5 convites para ir à televisão. Disse, porém, em directo na televisão nacional que tem dias que sou um bocadinho cabra. Deixei a Marta Tex provar-me que toda a gente- mesmo a com a motricidade fina de uma foca como eu- consegue desenhar. Apanhei erva azeda com a minha filha. Rejubilei com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ostentei. orgulhosa, a minha pulseira do Bairro do Amor criada pela Fio a Pavio. Instituí, oficialmente, ao sábado de manhã, o pequeno almoço de panquecas. Reabracei os meus amigos Xana e Vitor. Jantei na melhor varanda de Lisboa a melhor comida do Mundo nos Fenícios. Voltei ao Foxtrot. Fui em trabalho aos Açores. Levei a minha filha comigo para rever os avós. Declarei, oficialmente, o Faial como a ilha que mais tem eu ver comigo nos Açores. Lambuzei-me em sopas do Espírito Santo e em alcatra com milho como se não houvesse amanhã. Fiz sempre continência a kima de maracujá. Descobri a CASA e rotulei-a como o melhor spot dos Açores. Brindei com gin no Peter's. Dei entrevistas para alguns de jornais. Ouvi do meu amigo Luis as piores notícias que alguém pode ouvir. Fui portadora das mesmas e dei-as aos meus. Trocei das prendas "úteis" do Dia da Mãe que se fazem nas escolas. Mas adorei a inutilidade que a Ana me ofereceu.  Recebi o honroso convite para falar sobre a minha experiência como autora de um blog na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. E dei o meu melhor. Emocionei-me com a corrente de amor, de Norte a Sul do país, que se traduziu na organização de tantos eventos solidários para se angariar fundos para o desafio semestral do Bairro do Amor. Dei uma folga às minhas maleitas e comi a  única francesinha do ano na Francesinha Solidária, organizada pelo Bairro do Amor Porto e pela minha querida Marta. Fui sempre bem recebida pela Flávia. Assisti a um karaoke do demo num bar em frente à praia do Senhor da Pedra. Tornei a Casinha, no Porto, num dos meus spots preferidos. Provei o melhor waffle do Mundo pelas mãos do David e da Ana Águas. Fui feliz com o meu casal preferido de todos os tempos na Ericeira. Palmilhei Budapeste a pé de lés a lés, de madrugada. Atravesse a Chain Bridge a namorar. Andei de mãos dadas na Ilha Margarita. Assisti a partidas de futebol da selecção nacional no meio de muitos húngaros. Perdi um voo e desta vez não foi por culpa minha. Acompanhei a minha melhor amiga nas suas aflições de pré-mamã sempre que fui requisitada para tal. Adoptei Papo-Seco- o gato. Conheci Jesus e ele é goês. Vi Portugal consagrar-se campeão europeu de futebol. Subi ao Porto para participar numa renovação de um orfanato muito especial e isso foi, provavelmente, uma das coisas mais bonitas em que já participei na minha vida. Passei o meu aniversário com as minhas pessoas preferidas no Mundo no querido Hotel Golf-Mar. Recebi, pela última vez, uma chamada do meu tio no meu dia de aniversário a desejar-me parabéns. Abracei a minha irmã de outros pais (um xi-coração Xuxi!)  e embebedei-me com ela no Jardim da Parada para comemorar os meus 36 anos de vida. Tive saudades dela muitos dias ao longo do ano. Comovi-me nas bodas de prata e na renovação de votos dos meus amigos Vanda e Paulo. O meu tio morreu comigo à sua cabeceira. Fiquei com uma dívida de gratidão eterna ao meu amigo Luis. Chorei muito, sozinha. Almocei com as minhas bloggers preferidas e senti-me minúscula ao seu lado (beijinhos Mariana, Rita Maria, Luna, São João, Joana, Izzie e Dora). Confiei a minha filha às minhas grandes amigas Rosa e Cláudia e reforcei a certeza de saber com quem posso sempre contar. Fui à Tailândia com a Paula e a São João. Conheci a minha tia Maria Francisco num encontro inesperado. Fui ao mercado todos os sábado de manhã que pude numa rotina que me é tão doce. Conheci a minha sobrinha Lara, acabada de nascer, nos Lusíadas. A Somersby foi minha grande companheira de Verão. Soltei as minhas feras. Organizei uma festa de aniversário de sereias para a Ana com a ajuda da Maria João. Todos os meus amigos acorreram para me mimar na festa de aniversário da minha filha. Fiz a minha filha muito, mas mesmo muito, feliz. Fui ao S&J fazer madeixas e saí com o cabelo todo queimado. Jurei a mim mesma nunca mais ir a um cabeleireiro de shopping.  Contei com a ajuda de muitos amigos para que 30 colonos pudessem desfrutar de uma semana de férias memorável (obrigada a todos, nunca vos conseguirei agradecer o suficiente!). Trabalhámos a questão da imagem e da autoestima e defrontei-me com diferenças notáveis em cada um dos participantes (obrigada Mónica Lice, Ema, Sílvia e Ana Manana!). Mudámos a vida de muita gente.  Assisti a um luau. Vi pessoas com deficiência motora andarem de Harley graças a um conjunto de amigos do meu coração (Tehur, Tiago and whole great family; love you!).  Contei com os braços de amigos (Luis, Hugo, Manelita e Marta: sois os maiores!) para que alguns amigos com deficiência gozassem as únicas idas à praia e saídas nocturnas do seu ano. Contei com a ajuda preciosa e única da minhas Dé, Mep, Ziza e Diana numa semana inteira de voluntariado em versão Big Brother. Apresentei à minha filha a Aldeia José Franco. Comprei-lhe uns binóculos e deslumbrámo-nos na Tapada de Mafra. Fizemos muita praia, quase sempre seguida de pão com chouriço estaladiço ao entardecer. Ouvi as gargalhadas revigorantes da Ana e da sua melhor amiga Laura dentro de bolas gigantes no Clube Vimeiro. E nós os pais juntámo-nos. Tomámos tantos banhos de mar quanto conseguímos. Eu e mámen celebrámos 10 anos de casamento no aldeamento mais bonito de Portugal no Luz Houses. Reencontrei-me com Deus graças ao padre Cruz. Renovámos os nossos votos na igreja do Hospital dosCapuchos, no meio de uma multidão de desconhecidos e foi libertador. Fomos felizes em Tomar. Comemorei os 81 anos do meu tio-avô numa noite encantadora. Li, todas as noites, uma história à minha filha antes de dormir. Estive muito doente. Não corri nenhuma maratona. Participei num fim-de-semana memorável onde pessoas com mobilidade reduzida puderam experimentar desportos radicais. Contei com a minha amiga Sandra para formar cuidadores. Conheci a Sandra. Contei com o Fred e a fabulosa equipa do Instituto de Medicina Tradicional para que utentes e cuidadores tivessem uma experiência memorável. Tive saudades do meu marido, ausente numa viagem de trabalho. Limpei as lágrimas a uma amiga querida numa noite de copos. Avarei o meu pc e, progressivamente, fu tendo menos necessidade de escrever.  Lancei as minhas fichas para que 2017 seja de crescimento profissional. Fui a sítios pela primeira vez: São João da Madeira, Arronches e Monforte. Joguei ao Tragabolas. Desejei voltar a ter uma Nikon. E um quadro bordado por uma instagramer. Reafirmei como minha causa a luta pela celebração da diversidade. Fui ao Algarve muitas vezes mas é sempre como se fosse a primeira vez. Não comecei a correr. Comi a melhor carne do alguidar do Mundo em Ponte de Sor. Deslumbrei-me com os céus carregadinhos de sonhos na 20ª edição do Festival de Balões de Ar Quente. Coleccionei brindes do LIDL para fazer a minha filha feliz. Viciei-me em açaí. Cumprimentei uma Secretária de Estado. Andei de cacilheiro. Comecei a trabalhar com uma equipa como há muito não tinha, de tão boa que é. Delirei com as primeiras frases em Inglês da Ana. Descobri a melhor tasca de sempre numa aldeia perdida da serra de Sintra graças aos meus amigos Ana Luisa e Nuno.  Provei comida indonésia na estufa fria com os meus grandes amigos Ana Margarida e Paulo. Rezaram-me um desconjuro. Percorri milhares de quilómetros. Fui ao Circo.  Ouvi a Ana Rita a ler em Dezembro. Fui uma fazedora. Lutei muito contra todos os preconceitos: meus e dos outros. Ministrei largas dezenas de horas de formação. Tornei-me- orgulhosa- cliente do Novo Banco. Vi passar apenas um mês entre ter visitado a casa dos meus sonhos e a escritura-la. Passei a viver numa casa nossa que adoro. Comovi-me com o dia em que eu e mámen nos vimos unidos pela propriedade de uma imóvel. Vivi mais de seis meses sem telemóvel. Continuei a perder muitos comboios. Chorei a morte de Prince. E a de David Bowie. O Bairro do Amor, os seus voluntários, as suas actividades e as pessoas que dele beneficiaram comoveram-me muitas, muitas vezes.  Não aderi às dietas paleo. Não me tornei vegetariana. Não comecei a correr. Em poucas horas os meus amigos ajudaram-me a angariar dinheiro suficiente para comprar 40 colchões, 40 camas, levar 30 pessoas a uma colónia de férias e presentear com um tablet 60 pessoas que precisam que a comunicação se faça de pontes. Houve guerra na Síria e eu projectei, mil vezes, a minha filha nas crianças dos outros. Nunca deixei de me sentir grata pela vida que tenho.  Dei sangue. Fui prelectora numas jornadas científicas. Fui ao pão por Deus com a Ana. Ainda não aprendi a dançar. Nem a fazer ponpons. Fui abraçar a Catarina ao Festival da Castanha de Marvão. Senti a falta da minha avó e do meu avô todos os dias. Todos. Fiquei chocada quando o Donald Trump ganhou as eleições americanas.A minha Bimby continua avariada (o preço do arranjo é pornográfico!) e já me ajeito minimamente com os tachos e as panelas. Passei a fazer parte de um cooking club. Levámos o Bairro do Amor à televisão. Senti um orgulho imenso e um amor enorme pelo facto do meu marido ter deixado de fumar. Tive medo que a minha mãe morresse.  Todos os dias tive medo. Vi o Bairro do Amor organizar o evento mais espetacular do ano: a Loja do Bairro. Assisti à festa de Natal da minha filha. Comovi-me por a Ana acreditar no Pai Natal. Vi a Calinhas entrar num crematório ao som da música russa que tocava quando ela nasceu. Percebi que o essencial é a saúde e que isso não é um clichê.  Disse "amo-te" à Ana todos os dias. Sem excepção. Senti-me bem na minha pele. Numa tremenda paz. Fui feliz.

2013 foi assim
2012 foi assim

1 comentário:

м♥ disse...

Estava a ver que 2016 não tinha direito a este documentário magnífico dos teus dias. Adoro sempre este post do fim de ano! Bom 2017 ursa.

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