terça-feira, 5 de abril de 2022

Precisamos de reflectir urgentemente sobre o assédio, a comunicação social e a forma como tudo anda prevertido

 

Lisboa. Março de 2022. Uma diretora de serviço de um hospital de referência demite-se depois de ter sido acusada, por dezenas de enfermeiros, enfermeiras e assistentes operacionais, de alegado assédio moral e laboral. Dezenas. Que apresentaram, em bloco, uma carta à Administração do Hospital afirmando que se não fosse aberto um inquérito interno e uma averiguação, avançariam para a barra dos tribunais.
Face a isto a Administração decidiu abrir o inquérito, ouvir as dezenas de pessoas e, na sequência disto, suspender a profissional da suas funções que, segundo as notícias de orgãos de comunicação social mais sérios, se viu forçada a apresentar demissão neste contexto. E que o fez.
Jornal Expresso. Abril de 2022. Sai uma notícia que avança que "Em declarações ao Expresso, a médica disse que foi uma decisão pessoal e apontou como motivo a forma como se gerem as pessoas no Serviço Nacional de Saúde".
O Expresso, um jornal que sempre considerei sério, isento e de referencia, escreve exactamente esta notícia a propósito do caso:
"Sem adiantar em concreto o que a fez abandonar o SNS depois de uma carreira dedicada à prestação de cuidados na rede pública, a pediatra acrescentou apenas: “Não estou zangada com o SNS, que sempre servi com lealdade e com o melhor do meu conhecimento técnico. Este ciclo está encerrado.” (...)
Acrescenta a notícia "O fim de funções da responsável pela Infeciologia do Dona Estefânia é conhecido na mesma semana em que o hospital deixou de conseguir assegurar exames de imagiologia, como ecografias, no período noturno (a partir das 20 horas) por falta de profissionais."
Remata, ainda, com "Ao Expresso, a administração garante que tenta encontrar uma solução: “Há uma efetiva falta de radiologistas no SNS, cenário que complica a gestão das escalas. Estamos a procurar uma solução definitiva a contar a partir de 1 de abril, pois até esta data tudo está assegurado. Reforçamos que nenhuma criança deixa de ser vista ou fica sem cuidados.”
Temos, portando, uma culpabilização encapotada do SNS face à saída de profissionais especialistas e aparentemente com elevada competência técnica dos hospitais, por não lhes serem garantidas condições mínimas de trabalho.
Zero referências às acusações de alegado bullying, denunciado por DEZENAS de profissionais. Zero referências ao inquérito que foi aberto, à suspensão da profissional que daí resultou. Zero voz às DEZENAS de profissionais que alegadamente foram vítimas de assédio por parte desta senhora.
A caixa de comentários é inanarrável: as pessoas são facilmente manipuladas porque não procuram mais informação, porque lhes comem o que lhes põem à frente. Não as culpo. Houve tempos em que, se lesse no Expresso, não precisaria de procurar em mais lado nenhum. Não são estes os tempos.
Um profissional, especialmente, um médico faz-se de "humanidade" e amor às pessoas". Escrevi-o há dias a propósito da sorte que tenho em encontrar médicos incríveis no meu caminho. E enfermeiros e enfermeiras. E assistentes operacionais. Também nesse hospital de que se fala nas notícias, onde nasci, onde fui seguida e onde já colaborei como profissional.
Lisboa. Abril de 2022. Um abraço para todas as vítimas que são esquecidas nas notícias, que são duplamente violentadas com o desprezo da comunicação social e a falta de um espaço onde possam ter voz, onde possam denunciar abusos, onde possam alertar outros pares do que não é aceitável. Um abraço a todas as vítimas que, dão corpo, sangue e suor por um serviço público frágil mas cheio de gente com valor e que têm que ler que o SNS não presta e que por isso deixa sair "os melhores", os "especialistas", os "diretores".
O SNS está vivo graças a estas pessoas. A estas vítimas também. E graças à valentia e coragem de enfermeiros, enfermeiras e assistentes pessoais que, em bloco, não aceitam menos que o respeito que merecem e não permitem que o SNS perpetue desumanidade. Saibam que vos escuto e que muito gostaria de ouvir bem alto a vossa voz.
Para vocês: o meu mais profundo obrigada.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O melhor da pandemia


Começo eu: não ter que enfrentar a perda de tempo imposta pelo trânsito.


O pior da pandemia


Começo eu: os diretos de vendas no facebook.
Agora vocês.

Esta loucura boa de ser mãe

 

Chegamos- atrasadas- ao portão da escola.
Ana sai do carro a equilibrar a lancheira, muito despachada, bate com a porta do carro e toca à campainha do portão para que lho abram.
Naquele compasso de espera, em que o nosso carro não arranca porque ela ainda não entrou, grito-lhe da janela do carro: "És liiinda!"
Ela vira-se para mim, pisca o olho, e atira um "Foste tu que fizeste, sua maluca!"
...

domingo, 3 de abril de 2022

O Mundo divide-se...


... entre as pessoas que têm, pelo menos, um sobrenome que é o nome de uma terra e as outras.

Ah, assim faz sentido!

 

Acordei às 08h. Adormeci a seguir ao almoço e estive a fazer uma sesta no sofá até agora.
Passei, portanto, a ser uma pessoa que dorme em suaves prestações....

FML.

La decadence

 

É domingo, a Ana está a passar o fim-de-semana na tia e eu acordo às 08h da manhã. Sem despertador.
A seguir o quê?

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Suspiro*


Apresento-vos a Alícia Sierra de Alcabideche...




Uma hora de nerf cá em casa

 

Este ano substituo a tradicional caça ao ovo na Páscoa pela caça às balas, caraças!

Pronto, a miúda ganhou uma Nerf*

 

"Sou a Alicia Sierra de Alcabideche, mamã"
...


[* Para quem, como eu até há horas não sabe o que é: uma pistola tipo paintball com balas de borracha...]


[** Leitoras fofinhas que trabalham na CPCJ: ups, foi sem querer que a deixámos ver a Casa de Papel...]
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