segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

No soy Georgina

 Descias as escadas a caminho da ala autónoma e eu vi-te pela primeira vez. Os nossos olhares cruzaram-se num segundo e eu senti qualquer coisa cá dentro que podia ser amor à primeira vista, acreditasse eu na altura ou mesmo hoje no amor à primeira vista. Horas depois éramos amigos, como se nos conhecessos desde sempre, como se eu na altura soubesse onde ficava São Jorge no mapa e eu nem sabia ao certo tão pouco o nome das nove ilhas dos Açores. 

Depois mudei-me para a tua turma, os professores ficavam confusos, nunca pedi transferência mas às tantas as minhas notas saiam nas vossas pautas e tudo fluía, sentávamo-nos lado a lado no auditório, tu davas-me, pacientemente, explicações de história nos jardins de Belém e eu retribuía, trocista, tudo o que sabia sobre neurónios e sinapses e a estrutura do cérebro naquela cadeira do professor esquisito. 

Depois foi num instante Natal e fomos ao Martim Moniz comprar prendas, não tínhamos dinheiro para nada, comiamos sempre na macrobiótica da cantina, pediste-me dinheiro emprestado e eu achei que não voltarias das férias da ilha que eu não sabia localizar no mapa, nem me devolverias os cinco contos e era início do segundo semestre e eu tinha saudades tuas, queria lá saber do dinheiro para alguma coisa. E voltaste, devolveste o dinheiro e trouxeste-me um presente, só para mim, para mais nenhuma amiga e uns dias depois cravaste-me um beijo e eu não me fiz de esquisita, mortinha que estava para deixar de fazer cerimónias.

 E depois já desciamos a avenida de mãos dadas, e passávamos férias juntos, e um dia os teus pais vieram cá e conheci-os, também já ias a minha casa há algum tempo, todos sempre gostaram de ti, é mesmo fácil gostar de ti. 

E estudavas e trabalhavas no café, eu dava explicações, íamos de carreira que apanhavamos no arco do cego passar fins de semana em pensões com percevejos em terras mais longe e depois o curso acabou, tu ficaste, começámos a trabalhar, eu, tu, daí a alugar a casa na praceta foi um passo, casar pela igreja dois, ter a Ana num piscar de olhos, mudarmos de casa uma e depois outra vez, mobília às costas, literalmente, sempre fácil, mesmo quando era dificil.

E houve crises que não nos lembramos por preguiça ou por escolha, não gostamos de coisas complicadas, e há sempre histórias a serem escritas, aguarelas a serem pintadas, vida a ser vivida e momentos importantes a ser construídos.

 Foste e és a melhor escolha da minha vida, a única que fica sempre, a decisão mais acertada, a companhia mais certeira, a pessoa mais fácil de gostar, o pai mais fantástico que já conheci e um marido, acima de tudo, incrivelmente bondoso, generoso, paciente e um homem bom. Depois há o amor, mas do amor não há muito que se lhe diga, não tem mérito, não dá trabalho, é fácil gostar de ti, se acreditasse em amor à primeira vista seria isso, assim eu só amor em todas as vistas, em todos os ciclos, em todas as células que amo em ti. 

É fácil amar-te porque não há outra alternativa face ao homem incrível que foste crescendo comigo. Para a Ana. Para mim. 

Parabéns, Rui. 

No soy Georgina, mas o melhor do Mundo sequei-o eu.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Ana, a horticultora

 

Ana plantou uma semente e todos os dias a rega, esperando ansiosamente que aquilo pegue.
Hoje sugeriu uma nova estratégia: "Li que devemos falar com as plantas que elas com amor crescem mais rápido. Vou ser mais querida com a semente. Já lhe arranjei um diminutivo fofinho e tudo."
Vai buscar o vasinho e aponta-me:
"Mãe, diz bom dia à sémen..."
...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Mámen, o crítico gastronómico

 

Depois do incrível gelado de pipocas do Continente que sabia a gavetas velhas, mámen, meu ryco marido, decide continuar a sua carreira de crítico gastronómico.
Esta manhã, prepara um sumo daqueles todos pipi com beterraba, banana, bagas xpto e tudo e tudo.
Enquanto ele bebe (primeiro que eu, porque, lá está, alguém tem que avançar sempre nestas coisas) vejo-o a passar a língua nos dentes, muito sério.
Eu: "Então? É bom? Sabe a quê?"
Mámen: "Sabes quanto estás na relva e tropeças, cais e vais com a cremalheira ao chão e comes relva e terra e tudo? Sabe a isso".
...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Era mesmo isto que eu tinha encomendando*

 

Férias de Natal que acabam quase a meio de Janeiro. Covid. Isolamento de sete dias com todos em casa. Ana volta à escola na segunda-feira. O que se segue?
Pausa lectiva.
Hoje é quarta-feira.


suspiro*

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Ana e a vibe motivacional

 

Ana: "Sabes aquilo de tu estares sempre a dizer que é treta que somos nós que fazemos a sorte porque não chega trabalharmos, temos também de ter sorte por termos nascido em Portugal, por haver paz, por sermos da Europa e isso?"
Eu: "Sim."
Ana: "Eu por acaso acho que nós podemos mandar na nossa sorte toda."
Eu: "Como assim?!"
Ana: "Estás a ver a caixa dos cookies da sorte que estavam na despensa? ... (Pausa)
...
Comi-os todos!"

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Aquele nível basicozinho de maturidade

A minha comadre vem à minha janela entregar-me um bolo de café com leite (minha ryca comadre!):
Ela: Com'assim estás sem sabor?
Eu: É para que vejas. Agora é que está a barraca montada...
Ela: E o estás a pensar fazer?
Eu: Vou ali emborcar o whisky Talisker que trouxe da Escócia e que nunca consegui provar. Assim como assim aquilo não me vai saber a nada...
Ela: Não sabe a nada mas bate!
Eu: Isso é que é visão...

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...