segunda-feira, 18 de abril de 2022
domingo, 17 de abril de 2022
Ana, a pragmática
Nasceu o neto do namorado da minha mãe.
Comprámos um presente e peço à Ana que escreva um postal para acompanhar:
"Que disparate, mãe! Não escrevo nada! Acabou de nascer: ele não sabe ler, dahhhh!"
...
sábado, 16 de abril de 2022
Insónias da Ana
Estamos ambos a trabalhar na sala neste momento. Ouvimos a Ana levantar-se, meia zombie, e ir à cozinha.
Abre o frigorífico e esperamos ouvi-la a tirar o jarro de água para beber água.
Ao invés disso ouvimos um "tcccchhhh", seguido de um "clock" e regressa para a cama.
Franzimos a testa intrigados, até que nos descorre...
... a lata de chantilly de pressão, caraças!
A Ana passa o dia a cantar
Sinto-me a viver no teatro Politeama.
Volta não volta olho por cima do ombro a ver se o Filipe lá Féria a veio resgatar e salvar-me deste suplício ...
sexta-feira, 15 de abril de 2022
A pergunta que ninguém tem coragem de fazer hoje
Mas que a Ana dá o corpo às balas e faz, a gritar-me da cozinha, enquanto abre a porta do frigorífico:
"Mãããeeeee: fiambre é carne?"
quinta-feira, 14 de abril de 2022
Não sei o que mais me espanta...
... se o facto da minha filha achar ok vestir o vestido de lantejoulas num dia absolutamente normal ou se o facto dela ter conseguido regatear o Sabichão numa feira em segunda-mão pelo preço de 2 euros.
Dias normais
A maravilha do regresso à normalidade dos dias cá dentro. Lá fora continua tudo uma merda: guerra, violação dos direitos humanos, incerteza e a angustia de estarmos à mercê de um ditador russo psicótico.
Mas cá dentro- por mais egocêntrico que pareça- é sempre pior. Porque antes de morarmos no Mundo moramos em nós.A maravilha do regresso à normalidade. A minha mãe bem, de regresso ao trabalho. A minha mãe sem fumar há mais de um mês e eu sentir o cheiro da minha mãe pela primeira vez, sem resquícios de fumo e de tabaco. A Ana de férias de Páscoa, criativa e energética, às vezes- como agora- estiraçada no sofá a ver uma série na Netflix. A gata a apanhar o sol tímido desta manhã de Abril no peitoral da janela. O Rui em tele-trabalho noutra divisão, eu aqui na sala. Silêncio bom, por escolha e não por angústia ou medo das palavras, na casa. Cheira a café quente na cozinha, acabado de fazer com café solúvel e água fervida e eu acho que vou vender a máquina de pastilhas e comprar uma cafeteira das antigas.
Não faço ainda a cama. Deixo arejar os lençóis sob a incrível colcha de lã de tear que gamei à minha sogra da última vez que estive nos Açores. Já consegui dormir sem insónias, já consigo respirar sem nós na garganta nem a ansiedade a esmiufrar-me o peito.
Agradecemos muitas vezes os dias especiais e esquecemo-nos de valorizar os dias normais, sem sobressaltos e previsíveis, seguros e felizes por definição.
Lá fora está uma merda, eu sei, mas antes de moramos no Mundo moramos em nós. E em nós regressa a normalidade e o aconchego dos dias banais.
Que bom que é.
quarta-feira, 13 de abril de 2022
Piadola eclética só perceptível por apreciadores de chá
Mámen para a Ana (com ar trocista): "Sabes, hoje a mãe mandou um chá para o pai muito bom..."
Eu: "Hey: não te mandei chá ! Só O ARROZ meio queimado..."
Mámen (a correr risco de vida sem o saber): "Ah, era arroz? Achei que era chá lapsang souchong mas em bagas ..."
(Estupor!)
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