No ano passado planeámos que este ano regressaríamos a São Jorge. Há 5 anos que cá não vínhamos.
Seria uma viagem de reconciliação com esta terra que desde essa altura, a propósito do batizado da miúda, nos falhou. Estivemos no Faial há 2 anos. E as nossas pessoas de São Jorge têm-nos visitado em Cascais amiúde. Portanto, não eram saudades das pessoas nem das ilhas: era uma necessidade absoluta de reconciliação com a ilha do dragão.
Mas nós não somos rígidos e sabemos que planos são só planos até serem realidades. E que são voláteis e, por vezes, não passam de planos. Daí eu fiquei doente. Muitos meses. E o dinheiro que tínhamos amealhado para a viagem foi usado em médicos e medicamentos. E na entrada de um carro pois o nosso velhinho decidiu que este era o ano ideal para morrer. Ficámos zerados. Nós não somos materialistas e sabemos que o dinheiro vem e vai. E que se recupera, ao contrário do tempo e do amor que não se pode adiar.
Então os nossos amigos esmagaram-nos de generosidade em forma de férias: a Sofia ofereceu-nos dias na casa de Vilamoura, a Margarida disponibilizou-nos a chave da da Ericeira e a Inês abriu-nos a porta da casa do Norte. Eram esses os planos saltimbancos: correr as casas de férias de quem nos quer bem, comer massa com atum e aproveitar o Verão em que perdemos quase todas as nossas economias mas eu recuperei a minha saúde e mobilidade e, por isso, eles me recuperaram a mim.
Mas depois veio um projecto de formação comportamental e um budget disponível de que não estava a contar. E decidi em segredo que, desta vez, os planos voltariam aos eixos. E no dia do aniversário da Ana, ao fim do dia, cansados e felizes, sozinhos em casa disse-lhe que iríamos voltar a sua casa.
Ele sorriu e disse “a minha casa és tu”. E eu tive a certeza de que o dinheiro não vale nada.
Ele regressou à terra e há muito tempo que não o via tão feliz. E nós felizes por ele. Felizes com ele.
Felizes porque todo o ano, para lá das férias, a nossa casa também é ele.
Ele veio ajustar os seus pilares a esta ilha à prova de sismos.
E a vida é uma metáfora do caraças!
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