quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quer fazer uma criança feliz? Não atrapalhe!




A maioria das pessoas olhará e tenderá a lamentar a minha infância, a questionar até que ponto terá sido feliz. 
As crianças têm uma propensão inata para serem felizes: chateia-as a condição de doentes, aborrecem-se com a tristeza, entedia-as a infelicidade. Eu não fui excepção. 
 Da criança que fui, entre muitas outras coisas, guardo isso: um instinto inato e inconsciente para ser feliz. Para procurar coisas positivas na adversidade: aprender a ler aos 4 anos porque tinha que estar, durante meses, deitada numa maca de barriga para baixo e nada mais me restava senão aprender a ler; lembrar-me do meu pai assim, presente e brincalhão, mesmo depois dos anos imensos de escuridão que se seguiram; fechar os olhos e recordar-me dos sapatos de verniz ou das sabrinas douradas de purpurinas que a minha mãe me comprou, depois de anos seguidos a usar botas ortopédicas, ali no largo do Rato. 
Onde as pessoas vêem doença e dor eu vejo reabilitação e vitória, onde as pessoas vêem abandono e ausência eu vejo reforço na vinculação com a minha mãe e com a minha família materna, onde as pessoas vêem cadeira de rodas eu lembro-me do dia em que aprendi a fazer cavalinhos. 
Da criança que fui resta muito. Tantas coisas que não vos passa pela cabeça: a impulsividade, a alegria, o coração aberto a quem passa, a crença no ser humano, a fé num futuro melhor. Mas, acima de tudo conservo, assumidamente sem medo de ser ingénua, este impulso para procurar ser feliz. E ua espécie de preguiça: é que ser triste, macambúzio, pessimista dá muito, mas mesmo muito, trabalho. 
Para se fazer uma criança feliz e criar memórias felizes na infância dos nossos filhos acredito que não seja preciso muito: acho que basta que os adultos não atrapalhem. 

Não atrapalhemos, então.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Isto é bonito, caramba! (e tenho, finalmente, o pc arranjado!)



Sérgio Godinho actuou ontem, num festival, em Belgrado. Alunos sérvios, estudantes de Português surpreenderam-no assim. Isto é maravilhoso, caramba!

"Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir"

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Abençoada foccacia!


"Olá querida Ursa!
Envio-te esta quadripolarização diretamente de Cinque Terre em Itália. 
Estou a fazer Erasmus em Bolonha e fui visitar esta belíssima terra. Passei os dias anteriores à viagem a pensar " Tenho que quadripolarizar Cinque Terre!". Acontece que me esqueci de levar um papel e uma caneta e só me lembrei desta quadripolarização uma hora antes de regressar. Sem recursos, quase sem tempo e prestes a desistir, tive que me desenrascar como boa portuguesa que sou! Lá tive que ir a um estaminé da zona comprar uma bela foccacia só para pedir um papel e uma caneta, com toda a gente a olhar para mim com cara de interrogação escrevi "I Love Polo Norte" neste belíssimo papel com cor de pastel! Foi uma quadripolarização feita com muita dedicação, espero que gostes! um beijinho :)
-- 
Liliana "

Baci mille, querida xará!

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terça-feira, 10 de maio de 2016

A Tunísia já não cheira a jasmim

[De repente estou no tribunal com o meu pai. Não nos falamos nem sequer nos olhamos. Acuso a sua 17ª mulher de stalking e a mulher é uma leitora deste blog que entretanto se tornou uma amiga e me ajudou numa fase difícil da minha vida. Saio do tribunal e estou na Tunísia. Faz aquele calor húmido e o grupo separa-se para visitar diferentes pontos turísticos de interesse. A minha mãe vai para um lado com os meus tios e eu sigo na direcção oposta com Mámen e chegamos a Sidi Bou Said e começam a chover granadas e eu corro muito mal. Pessoas em meu redor espancam-se e fecho os olhos com força e sou puxada por Mámen numa correria para a qual não tenho fôlego. A mulher do meu pai está numa gruta a vender ouro e a minha mãe está às compras lá. Entro e pergunto pela Ana, não existe ainda a Ana, nós só temos 26 anos e acabámos de nos casar. As paredes de Sidi Bou Said estão manchadas de sangue e eu entro e estou na sala de espera da consulta de Oncologia com o meu tio. A minha mãe liga-me a dizer-me que voltaram para o hotel e que para eu me apressar que temos que ir embora, que é perigoso, que temos que voltar para casa. 
Acordo, sobressaltada, e troveja e chove com força nas telhas e nas vidraças desta casa. Ele dorme, profundamente, a meu lado. Digo, baixinho, "A Tunísia já não cheira a jasmism", ainda meio embriagada entre o sono e o despertar. Levanto-me e vou ao quarto dela: dorme profundamente. O bocadinho de cheiro a jasmim que consigo cheirar na minha vida neste momento. Não volto a adormecer.]

quinta-feira, 5 de maio de 2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que após ouvirem alguém espirrar dizem "santinho" e as pessoas que dizem"saúde". 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Abril, quadripolarizações mil# 11




"Olá!
Envio duas quadripolarizações da Jordânia (mar morto e deserto em Wadi Rum)  (...)Eu gosto de ver as quadripolarizações, mas não faz muito a minha cena mandar fotos minhas para a net. Neste caso, decidi fazê-lo por duas razões. Primeiro, por carinho para com o blogue, o bairro e a ursa. Segundo, por amor à Jordânia. 

Conforme contei na minha mensagem, o pessoal de lá é bom demais... e a Jordânia constitui-se hoje em dia como um oásis de paz para as gentes que vivem os conflitos nas redondezas. A Jordânia não tem petróleo, vive essencialmente do turismo. Como as pessoas sabem que a situação na região é perigosa, julgam que a Jordânia é afetada, mas não é. É dos sítios mais seguros para onde tenho viajado. Eu gostava de contribuir para a divulgação deste destino. Gostaria que ao menos a Jordânia se aguentasse nas canetas lá para aqueles lados, e que seja um porto seguro para os que fogem. E fomos tão bem recebidos pelos jordanos, que são dos povos que ainda sabem o que é dar boa hospitabilidade (nós aqui já fomos mais hospitaleiros do que somos, acho eu).

Por isso, muito agradecia se mostrasse no seu blogue a quadripolarização da Jordânia e de caminho referisse às pessoas que eu lhe contei que é um destino maravilhoso e seguro (já que não poderá falar na primeira pessoa)."

Obrigada, querida India. Fiquei cheia de vontade de visitar a Jordânia. Quem sabe em breve? ;)


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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Abril, quadripolarizações mil #6


"Quadripolarizar a Cidade do Cabo e os seus pinguins: checked. Vera"

Beijinhos gigantes, Veríssima! :P

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