quarta-feira, 20 de abril de 2022

Transformismo quadripolar


Como passar de um cabelo loiro barracas para um cabelo loiro Io Appolloni a um cabelo loiro pomba gira a - finalmente!- um cabelo Julian Moore mas em chubby e com o comprimento Sandália Moreira?
Nas stories do meu Instagram* (com filtro e tudo como uma verdadeira influencer)
(* porque se a minha filha capitaliza seguidores de um lado para o outro quem sou eu para não aprender com a mestra?!)

A L'Oreal podia contratar-me para dar nomes aos diferentes pantones de louro

 

Afinal não estou loira- Io- Appolloni.
Estou loira- pomba- gira.

Agora que tenho a tinta na cabeça durante os trinta minutos

 

Olha com atenção a porcaria da embalagem e estou cheia de medo de ficar a Io Appolloni.



terça-feira, 19 de abril de 2022

Disclaimer de heresia

 

Rui explica à Ana detalhes sobre os três pastorinhos. Começa a descrever que um dos pastorinhos via e ouvia a nossa senhora, outro via a nossa senhora mas não a ouvia e o outro ouvia mas não a via, num atabalhoado de informação....
Ana: "Já sei qual ouvia e não via! A Lúcia!"
Porquê?- pergunta o pai, intrigado com a prontidão da resposta.
"Ela não é a que ficou velhinha com óculos muito grossos? Em criança nas fotografias ela não tinha óculos, pai, devia ser um autêntico morcego. Podia lá ver a nossa senhora?!"


[Até chorei a rir: juro-vos!]

Haja quem preste#2

 


Obrigada Catarina Domingues!

[Ainda dizem- injustamente!- que os algarvios comem na gaveta: pffff! Heresia! Heresia! Vivam os marafados!]

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Haja quem preste!

 


Obrigada, João Varela!

Tenho esperança que troque a participação num Big Brother por uma num Shark Tank


Último dia de férias de Páscoa e a Ana pede para me acompanhar ao trabalho porque "preciso de ir a Lisboa".
Durante alguns segundos fico indecisa se me vai cravar para ir à Kidzania, ao Hello Park a Monsanto ou ao Corte Inglês (a meca do consumo para ela).
"Preciso de ir ao Martim Moniz comprar mercadoria que quero inaugurar um novo negócio".
...

Oh, as maravilhas de se trabalhar na zona oriental e não trendy de Lisboa

 


domingo, 17 de abril de 2022

Ana, a pragmática

 

Nasceu o neto do namorado da minha mãe.
Comprámos um presente e peço à Ana que escreva um postal para acompanhar:
"Que disparate, mãe! Não escrevo nada! Acabou de nascer: ele não sabe ler, dahhhh!"
...

sábado, 16 de abril de 2022

Insónias da Ana

 

Estamos ambos a trabalhar na sala neste momento. Ouvimos a Ana levantar-se, meia zombie, e ir à cozinha.
Abre o frigorífico e esperamos ouvi-la a tirar o jarro de água para beber água.
Ao invés disso ouvimos um "tcccchhhh", seguido de um "clock" e regressa para a cama.
Franzimos a testa intrigados, até que nos descorre...



... a lata de chantilly de pressão, caraças!

A Ana passa o dia a cantar

 

Sinto-me a viver no teatro Politeama.
Volta não volta olho por cima do ombro a ver se o Filipe lá Féria a veio resgatar e salvar-me deste suplício ...

"Então, Ana, que tal essa Páscoa?"

 


Levezinha.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

A pergunta que ninguém tem coragem de fazer hoje

 

Mas que a Ana dá o corpo às balas e faz, a gritar-me da cozinha, enquanto abre a porta do frigorífico:
"Mãããeeeee: fiambre é carne?"

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Não sei o que mais me espanta...

 


... se o facto da minha filha achar ok vestir o vestido de lantejoulas num dia absolutamente normal ou se o facto dela ter conseguido regatear o Sabichão numa feira em segunda-mão pelo preço de 2 euros.

Dias normais




A maravilha do regresso à normalidade dos dias cá dentro. Lá fora continua tudo uma merda: guerra, violação dos direitos humanos, incerteza e a angustia de estarmos à mercê de um ditador russo psicótico.

Mas cá dentro- por mais egocêntrico que pareça- é sempre pior. Porque antes de morarmos no Mundo moramos em nós.

A maravilha do regresso à normalidade. A minha mãe bem, de regresso ao trabalho. A minha mãe sem fumar há mais de um mês e eu sentir o cheiro da minha mãe pela primeira vez, sem resquícios de fumo e de tabaco. A Ana de férias de Páscoa, criativa e energética, às vezes- como agora- estiraçada no sofá a ver uma série na Netflix. A gata a apanhar o sol tímido desta manhã de Abril no peitoral da janela. O Rui em tele-trabalho noutra divisão, eu aqui na sala. Silêncio bom, por escolha e não por angústia ou medo das palavras, na casa. Cheira a café quente na cozinha, acabado de fazer com café solúvel e água fervida e eu acho que vou vender a máquina de pastilhas e comprar uma cafeteira das antigas.

Não faço ainda a cama. Deixo arejar os lençóis sob a incrível colcha de lã de tear que gamei à minha sogra da última vez que estive nos Açores. Já consegui dormir sem insónias, já consigo respirar sem nós na garganta nem a ansiedade a esmiufrar-me o peito.

Agradecemos muitas vezes os dias especiais e esquecemo-nos de valorizar os dias normais, sem sobressaltos e previsíveis, seguros e felizes por definição.

Lá fora está uma merda, eu sei, mas antes de moramos no Mundo moramos em nós. E em nós regressa a normalidade e o aconchego dos dias banais.

Que bom que é.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Piadola eclética só perceptível por apreciadores de chá

 

Mámen para a Ana (com ar trocista): "Sabes, hoje a mãe mandou um chá para o pai muito bom..."
Eu: "Hey: não te mandei chá ! Só O ARROZ meio queimado..."
Mámen (a correr risco de vida sem o saber): "Ah, era arroz? Achei que era chá lapsang souchong mas em bagas ..."


(Estupor!)

O Mundo divide-se entre...

 

... quem adora peixinhos da horta e os outros.

Find (kima) Wally




(Até a gata é choné, senhores! Até a gata!)

Panquecas com xarope de misérias

 

Ofereceram-me uma máquina própria, fiz a massa direitinha, sem me enganar numa só medida de farinha, açúcar e leite. À primeira porção de massa percebo que me esqueci de untar a superfície da máquina, a puta da massa enrola, cola-se tudo às bordas e desisto com a grande javardice da massa a parecer argamassa colada no raio de um metro de toda a bancada.
Nas panquecas, como na vida

Happy wife. happy life


Acordei mais cedo para fazer arroz para levar nas marmitas.
Despassarei-me e o arroz queimou um bocadinho por baixo.
Mámen levantou-se, foi à cozinha, fez um ar de gozo e ia dizer qualquer coisa mas eu lancei-lhe o olhar de esguelha antes.
Resposta imediata: " Huuuumm, arroz na brasa: adoro!"

...
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