terça-feira, 3 de janeiro de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
O Mundo divide-se entre...
... quem passa TODAS as refeições dos primeiros dias do ano novo a morfar os restos das Festas e os outros.
E a estrear o ano quadripolar
... Israel finalmente quadripolarizado pela querida Andreia!
<3
[Todos os países quadripolarizados aqui]
domingo, 1 de janeiro de 2017
No último ano (adeus 2016)
Comecei o ano numa festa de garagem. Confirmei a minha paixão pela gastronomia do Médio Oriente. E do Líbano, em particular. Preocupei-me meses seguidos com a saúde da Ana. A Ana mudou de sala e deixou de ficar doente. Fui ao Porto uma vez, duas, dezenas. Rendi-me às evidências que a minha colite e a minha falta de vesícula não se coadunam com francesinhas. Com muita pena minha. Graças à Mónica Lice e a um grupo espectacular de voluntários vi a ASBIHP ser pintada e ficar com uma cara tão limpinha. Voltei à Polícia Judiciária e ajudei a tornar a sala de vítimas de pedofilia um sítio digno e de afectos. Choraminguei ao ver o resultado final. Ajudei a Ana a completar a sua primeira colecção de cromos. Mascarei a Ana de sereia. Aprendi a trabalhar com uma pistola de cola quente. E vi-a muito, muito feliz. Conheci a pessoa mais importante deste ano (a Leonela) e que, em 2016, mudou a vida da Ana Rita, suportando os custos de uma professora que, durante todo o ano, a ensinou a ler. Fui à Serra da Estrela ver neve e não vi um floco sequer. Cantei os parabéns ao meu amor rodeada de estranhos. Voltei ao Grande Hotel das Caldas das Felgueiras e senti-me, como sempre, em casa. Dancei música cubana no Carnaval. Comemorei o dia dos namorados em casa, a três, a comer uma pizza pirosa em forma de coração. Fui ao Teatro São Luiz ver um meu amigo actor no palco. Tive uma paixão platónica pela Catarina Wallenstein. Senti orgulho pela Bairro do Amor ajudar a concretizar o sonho de uma pequena bailarina. Contei com a minha grande amiga Ana Isabel e a sua Móvel Vivo para tornarem as noites da Rita e do Luis mais dignas. Vi a Segurança Social saldar contas comigo. Reuni com a Marta, a Neuza e a Rafaela em Coimbra e sonhámos juntas muitas coisas que se concretizaram no ano que passou. Apaixonei-me pelo Galerias. Parti um dente a comer um caramelo. Recusei 5 convites para ir à televisão. Disse, porém, em directo na televisão nacional que tem dias que sou um bocadinho cabra. Deixei a Marta Tex provar-me que toda a gente- mesmo a com a motricidade fina de uma foca como eu- consegue desenhar. Apanhei erva azeda com a minha filha. Rejubilei com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ostentei. orgulhosa, a minha pulseira do Bairro do Amor criada pela Fio a Pavio. Instituí, oficialmente, ao sábado de manhã, o pequeno almoço de panquecas. Reabracei os meus amigos Xana e Vitor. Jantei na melhor varanda de Lisboa a melhor comida do Mundo nos Fenícios. Voltei ao Foxtrot. Fui em trabalho aos Açores. Levei a minha filha comigo para rever os avós. Declarei, oficialmente, o Faial como a ilha que mais tem eu ver comigo nos Açores. Lambuzei-me em sopas do Espírito Santo e em alcatra com milho como se não houvesse amanhã. Fiz sempre continência a kima de maracujá. Descobri a CASA e rotulei-a como o melhor spot dos Açores. Brindei com gin no Peter's. Dei entrevistas para alguns de jornais. Ouvi do meu amigo Luis as piores notícias que alguém pode ouvir. Fui portadora das mesmas e dei-as aos meus. Trocei das prendas "úteis" do Dia da Mãe que se fazem nas escolas. Mas adorei a inutilidade que a Ana me ofereceu. Recebi o honroso convite para falar sobre a minha experiência como autora de um blog na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. E dei o meu melhor. Emocionei-me com a corrente de amor, de Norte a Sul do país, que se traduziu na organização de tantos eventos solidários para se angariar fundos para o desafio semestral do Bairro do Amor. Dei uma folga às minhas maleitas e comi a única francesinha do ano na Francesinha Solidária, organizada pelo Bairro do Amor Porto e pela minha querida Marta. Fui sempre bem recebida pela Flávia. Assisti a um karaoke do demo num bar em frente à praia do Senhor da Pedra. Tornei a Casinha, no Porto, num dos meus spots preferidos. Provei o melhor waffle do Mundo pelas mãos do David e da Ana Águas. Fui feliz com o meu casal preferido de todos os tempos na Ericeira. Palmilhei Budapeste a pé de lés a lés, de madrugada. Atravesse a Chain Bridge a namorar. Andei de mãos dadas na Ilha Margarita. Assisti a partidas de futebol da selecção nacional no meio de muitos húngaros. Perdi um voo e desta vez não foi por culpa minha. Acompanhei a minha melhor amiga nas suas aflições de pré-mamã sempre que fui requisitada para tal. Adoptei Papo-Seco- o gato. Conheci Jesus e ele é goês. Vi Portugal consagrar-se campeão europeu de futebol. Subi ao Porto para participar numa renovação de um orfanato muito especial e isso foi, provavelmente, uma das coisas mais bonitas em que já participei na minha vida. Passei o meu aniversário com as minhas pessoas preferidas no Mundo no querido Hotel Golf-Mar. Recebi, pela última vez, uma chamada do meu tio no meu dia de aniversário a desejar-me parabéns. Abracei a minha irmã de outros pais (um xi-coração Xuxi!) e embebedei-me com ela no Jardim da Parada para comemorar os meus 36 anos de vida. Tive saudades dela muitos dias ao longo do ano. Comovi-me nas bodas de prata e na renovação de votos dos meus amigos Vanda e Paulo. O meu tio morreu comigo à sua cabeceira. Fiquei com uma dívida de gratidão eterna ao meu amigo Luis. Chorei muito, sozinha. Almocei com as minhas bloggers preferidas e senti-me minúscula ao seu lado (beijinhos Mariana, Rita Maria, Luna, São João, Joana, Izzie e Dora). Confiei a minha filha às minhas grandes amigas Rosa e Cláudia e reforcei a certeza de saber com quem posso sempre contar. Fui à Tailândia com a Paula e a São João. Conheci a minha tia Maria Francisco num encontro inesperado. Fui ao mercado todos os sábado de manhã que pude numa rotina que me é tão doce. Conheci a minha sobrinha Lara, acabada de nascer, nos Lusíadas. A Somersby foi minha grande companheira de Verão. Soltei as minhas feras. Organizei uma festa de aniversário de sereias para a Ana com a ajuda da Maria João. Todos os meus amigos acorreram para me mimar na festa de aniversário da minha filha. Fiz a minha filha muito, mas mesmo muito, feliz. Fui ao S&J fazer madeixas e saí com o cabelo todo queimado. Jurei a mim mesma nunca mais ir a um cabeleireiro de shopping. Contei com a ajuda de muitos amigos para que 30 colonos pudessem desfrutar de uma semana de férias memorável (obrigada a todos, nunca vos conseguirei agradecer o suficiente!). Trabalhámos a questão da imagem e da autoestima e defrontei-me com diferenças notáveis em cada um dos participantes (obrigada Mónica Lice, Ema, Sílvia e Ana Manana!). Mudámos a vida de muita gente. Assisti a um luau. Vi pessoas com deficiência motora andarem de Harley graças a um conjunto de amigos do meu coração (Tehur, Tiago and whole great family; love you!). Contei com os braços de amigos (Luis, Hugo, Manelita e Marta: sois os maiores!) para que alguns amigos com deficiência gozassem as únicas idas à praia e saídas nocturnas do seu ano. Contei com a ajuda preciosa e única da minhas Dé, Mep, Ziza e Diana numa semana inteira de voluntariado em versão Big Brother. Apresentei à minha filha a Aldeia José Franco. Comprei-lhe uns binóculos e deslumbrámo-nos na Tapada de Mafra. Fizemos muita praia, quase sempre seguida de pão com chouriço estaladiço ao entardecer. Ouvi as gargalhadas revigorantes da Ana e da sua melhor amiga Laura dentro de bolas gigantes no Clube Vimeiro. E nós os pais juntámo-nos. Tomámos tantos banhos de mar quanto conseguímos. Eu e mámen celebrámos 10 anos de casamento no aldeamento mais bonito de Portugal no Luz Houses. Reencontrei-me com Deus graças ao padre Cruz. Renovámos os nossos votos na igreja do Hospital dosCapuchos, no meio de uma multidão de desconhecidos e foi libertador. Fomos felizes em Tomar. Comemorei os 81 anos do meu tio-avô numa noite encantadora. Li, todas as noites, uma história à minha filha antes de dormir. Estive muito doente. Não corri nenhuma maratona. Participei num fim-de-semana memorável onde pessoas com mobilidade reduzida puderam experimentar desportos radicais. Contei com a minha amiga Sandra para formar cuidadores. Conheci a Sandra. Contei com o Fred e a fabulosa equipa do Instituto de Medicina Tradicional para que utentes e cuidadores tivessem uma experiência memorável. Tive saudades do meu marido, ausente numa viagem de trabalho. Limpei as lágrimas a uma amiga querida numa noite de copos. Avarei o meu pc e, progressivamente, fu tendo menos necessidade de escrever. Lancei as minhas fichas para que 2017 seja de crescimento profissional. Fui a sítios pela primeira vez: São João da Madeira, Arronches e Monforte. Joguei ao Tragabolas. Desejei voltar a ter uma Nikon. E um quadro bordado por uma instagramer. Reafirmei como minha causa a luta pela celebração da diversidade. Fui ao Algarve muitas vezes mas é sempre como se fosse a primeira vez. Não comecei a correr. Comi a melhor carne do alguidar do Mundo em Ponte de Sor. Deslumbrei-me com os céus carregadinhos de sonhos na 20ª edição do Festival de Balões de Ar Quente. Coleccionei brindes do LIDL para fazer a minha filha feliz. Viciei-me em açaí. Cumprimentei uma Secretária de Estado. Andei de cacilheiro. Comecei a trabalhar com uma equipa como há muito não tinha, de tão boa que é. Delirei com as primeiras frases em Inglês da Ana. Descobri a melhor tasca de sempre numa aldeia perdida da serra de Sintra graças aos meus amigos Ana Luisa e Nuno. Provei comida indonésia na estufa fria com os meus grandes amigos Ana Margarida e Paulo. Rezaram-me um desconjuro. Percorri milhares de quilómetros. Fui ao Circo. Ouvi a Ana Rita a ler em Dezembro. Fui uma fazedora. Lutei muito contra todos os preconceitos: meus e dos outros. Ministrei largas dezenas de horas de formação. Tornei-me- orgulhosa- cliente do Novo Banco. Vi passar apenas um mês entre ter visitado a casa dos meus sonhos e a escritura-la. Passei a viver numa casa nossa que adoro. Comovi-me com o dia em que eu e mámen nos vimos unidos pela propriedade de uma imóvel. Vivi mais de seis meses sem telemóvel. Continuei a perder muitos comboios. Chorei a morte de Prince. E a de David Bowie. O Bairro do Amor, os seus voluntários, as suas actividades e as pessoas que dele beneficiaram comoveram-me muitas, muitas vezes. Não aderi às dietas paleo. Não me tornei vegetariana. Não comecei a correr. Em poucas horas os meus amigos ajudaram-me a angariar dinheiro suficiente para comprar 40 colchões, 40 camas, levar 30 pessoas a uma colónia de férias e presentear com um tablet 60 pessoas que precisam que a comunicação se faça de pontes. Houve guerra na Síria e eu projectei, mil vezes, a minha filha nas crianças dos outros. Nunca deixei de me sentir grata pela vida que tenho. Dei sangue. Fui prelectora numas jornadas científicas. Fui ao pão por Deus com a Ana. Ainda não aprendi a dançar. Nem a fazer ponpons. Fui abraçar a Catarina ao Festival da Castanha de Marvão. Senti a falta da minha avó e do meu avô todos os dias. Todos. Fiquei chocada quando o Donald Trump ganhou as eleições americanas.A minha Bimby continua avariada (o preço do arranjo é pornográfico!) e já me ajeito minimamente com os tachos e as panelas. Passei a fazer parte de um cooking club. Levámos o Bairro do Amor à televisão. Senti um orgulho imenso e um amor enorme pelo facto do meu marido ter deixado de fumar. Tive medo que a minha mãe morresse. Todos os dias tive medo. Vi o Bairro do Amor organizar o evento mais espetacular do ano: a Loja do Bairro. Assisti à festa de Natal da minha filha. Comovi-me por a Ana acreditar no Pai Natal. Vi a Calinhas entrar num crematório ao som da música russa que tocava quando ela nasceu. Percebi que o essencial é a saúde e que isso não é um clichê. Disse "amo-te" à Ana todos os dias. Sem excepção. Senti-me bem na minha pele. Numa tremenda paz. Fui feliz.
2012 foi assim
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
2016 quadripolar
2016 não teria sido um ano especialmente mau se o meu tio não tivesse morrido. Mas morreu. E a par de 2008 e de 2011, anos em que perdi os meus avós, tornou-se num dos piores anos da minha vida.
Mas não foi pior que esses anos não obstante o Trump e a Síria e todo o caos no Mundo.
Não que sejamos autistas sociais mas, na verdade, o Mundo é uma coisa muito íntima e pessoal. Poderia ter havido o fim do conflito israelo-árabe, o fim da violência sob todas as formas, o Obama ter continuado na Casa Branca e Portugal ter, por milagre, ganho o Euromilhões dos países e saldado a dívida externa que nada disso teria melhorado o meu ano, quando assisti, de mãos dadas, ao último suspiro de um dos meus.
Por isso digo que o Mundo é uma coisa muito íntima e pessoal e em 2012 até poderia ter eclodido a terceira guerra mundial que ninguém conseguiria transformar o melhor ano da minha vida noutra coisa que não isso mesmo: o melhor ano da minha vida, o ano em que me tornei mãe da Ana.
2016 foi duro, áspero e azedo.
Não chorei o que deveria ter chorado por força de ter que ser forte, imposição inata de mim para mim. Por outro lado, permiti-me à tristeza profunda, ao silêncio, a não querer falar com ninguém porque não me apeteciam vozes nem palavras. Permiti-me ao pensamento como forma de afastar os meus demónios interiores, à racionalização de mãos dadas com o luxo de ouvir a minha voz interior e de lhe obedecer sem, como sempre o faço, a contrariar em prol dos outros. Abracei- aliviada!- a minha vulnerabilidade.
Em 2016 tive medos e inseguranças como mãe, mulher e pessoa. E nem sempre tomei as decisões certas. Mas deixei de me auto-flagelar por cada erro, cada tiro ao lado, cada falhanço.
Em 2016 nem sempre a vida me proporcionou as coisas certas. E percebi que o ser humano é presunçoso e acha que controla tudo. Mas depois há a sorte, o acaso, o destino e o Mundo lá fora. Em 2016 redimensionei a minha auto-percepção face ao Mundo. E aconcheguei-me, confortável e em casa, com a minha pequenez.
Em 2016 perdi pessoas que tinha e que estavam para vir. Como uma passageira num aeroporto que perde voos de chegada e partida e se sente perdida no meio do maranhal de pessoas e de caos. Deixei de olhar para o mostrador de voos e prendi-me, com força ao chão. Quis ficar em casa, em terra, chão firme e seguro da vida.
Em 2016 cresci muito, horrores e não se vê por fora mas eu sinto-o como nunca. Não envelheci, cresci, como crescem as plantas que nem sempre têm a obrigação de dar flores.
Em 2016 disse mais vezes que não podia e não queria. Fiz menos vezes fretes. Não disse sempre o que pensava para não magoar pessoas. Porque nem sempre o que nós pensamos, mesmo sendo verdade, é o melhor para se dizer. Fui, ainda assim, mais verdadeira. Não quis ganhar todas as guerras. Escolhi cada batalha. Entre ter razão e ser feliz preferi, muitas vezes, deixar de ter razão para ser feliz.
Em 2016 não tive nem um esqueleto no armário. Não me senti injusta com ninguém. Dormi, todos os dias, de consciência tranquila. Não magoei, deliberadamente, ninguém. Fui mais gentil. Fui melhor pessoa.
Em 2016 cumpri muitos objectivos. Sonhei em segredo porque percebi que quem sonha em murmúrio e não faz alarido tem mais probabilidades de os concretizar. Concretizei um sonho de uma vida. Fiz mais do que escrevi. E fiz muito, tanto, imenso, E muita gente acreditou, confiou e juntou-se a mim. Em 2016 fiz parte de uma corrente de gente fazedora. E foi absolutamente compensador.
Em 2016 dediquei-me aos outros como forma de me alimentar a mim. Ajudei a mudar vidas. Muitas vidas. E em cada contributo para a mudança na vida dos outros mudei um bocadinho a minha.
Em 2016 tive a certeza de quem está ao meu lado. E foi nisso que me foquei. Não em quem está à frente ou atrás. Mas, simplesmente, em quem está ao meu lado porque são essas as minhas pessoas. Senti-me mais segura e confiante que nunca.
Em 2016 senti-me em paz com quem sou. Senti muito. Abracei cada emoção e sentimento sem medos: os bons e os maus. Em 2016 fui a melhor pessoa que consegui ser. E muito certa de quem sou, gostando de quem me tenho vindo a tornar.
E, mesmo tendo sido um dos piores anos da minha vida, foi um ano em que cresci tanto que, não sendo por mais nenhum motivo, esse é o suficiente para acreditar que, em 2016, não deixei de ser feliz.
sábado, 26 de novembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Ana: a fashionista
A Ana e a minha mãe às compras:
Minha mãe: "Ana, escolhe lá quais as botas que queres que a avó te compre!"
Ana (apontando para umas botas de cano alto): "Avó, quero aquelas!
Minha mãe: " Essas não,essas são para meninas crescidas!"
Ana (insistindo): "Avó, mas eu gosto tanto!"
Minha mãe: "Ana, tem paciência, mas não. Escolhe umas destas pequeninas. Quando fores mais crescida a avó dá -te umas dessas... "
Ana (frustrada): "Avó, mas eu já tenho muitas botas de MANGA CURTA e gostava tanto de ter umas de MANGA COMPRIDA... "
Minha mãe: "Ana, escolhe lá quais as botas que queres que a avó te compre!"
Ana (apontando para umas botas de cano alto): "Avó, quero aquelas!
Minha mãe: " Essas não,essas são para meninas crescidas!"
Ana (insistindo): "Avó, mas eu gosto tanto!"
Minha mãe: "Ana, tem paciência, mas não. Escolhe umas destas pequeninas. Quando fores mais crescida a avó dá -te umas dessas... "
Ana (frustrada): "Avó, mas eu já tenho muitas botas de MANGA CURTA e gostava tanto de ter umas de MANGA COMPRIDA... "
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Esta coisa do Thanksgiving
Agradeceria à minha mãe em primeiro e último, como se o ciclo fosse todo dentro dela (porque o é). Ao meu pai pelo contributo genético que me deu e que, de quando em vez, muito me dá jeito. Aos meus avós pela sabedoria da humildade, pela bondade, pela generosidade, pelo Minho nas veias, pelo amor sem contrapartidas nem regras. À minha tia pelo amor diferente, materno-fraternal, uma coisa de cromossoma X, de mãe sem exigência, de cumplicidade fraternal. Aos meus tios pela testosterona que o meu pai me privou, pela protecção, pelo sentir de pertença. À minha prima, por existir, não precisa de fazer mais nada, a existência dez anos depois de mim perdoam-lhe tudo, justificam-lhe tudo, dão-lhe charme em tudo.
Ao Rui pelo plural que me trouxe e do qual não quero abdicar, pela família que somos agora, pela Ana, pelo amor que se escolhe e se deixa ser escolhido. À Ana por fazer com que tudo faça sentido, por ser o meu amor de sempre e para sempre, fechada no ciclo que desenhou em mim.
Aos amigos, os que partiram e os que ficaram, aos que resistem e os que insistem por darem recheio a tudo isto, que são o tijolo e o cimento desta estrutura maior, isolamento térmico das paredes da minha vida.
Sempre a pessoas. Porque a minha vida são as pessoas.
À minha mãe, outra vez, por tudo o que me fez e que me permite ser hoje grata por quem sou e saber agradecer.
Ao meu pai, outra vez, por tudo o que não me fez e que me permite hoje ser grata por quem me tornei e, por isso, ter necessidade de a tantos agradecer.
Ao Rui e à Ana, amores da minha vida.
[Tanta merda que copiam, halloweens e coisos e isto que até é bonito assobiam para o lado. Ide cagar à mata, pá!]
How to save a life?
Tive uma insónia. Vim para a sala fazer zapping. Nada de jeito na televisão. Vim para o instagram. Aborreci-me passada meia hora. Apeteceu-me escrever no blog mas tive preguiça de me levantar do sofá para ir bucar o portátil. Parei o zapping na Anatomia de Grey. Não via um episódio desde a terceira série para aí. Já não há homens bonitos na Anatomia de Grey nem a barbie loura em cujo corpo eu desejava ter nascido e da chinesa nem sombra. Passou demasiado tempo desde que eu tinha tempo para seguir séries, passou demasiada energia desde que eu tinha energia para me levantar e alcançar o portátil para blogar, passaram-me demasiados interesses pela frente desde que eu tinha interesse em ver o TLC em noites de insónias.
Acho que virei adulta.
Ou se calhar já o era há muito tempo mas só agora me caiu a ficha. Estou muito chata numa série de coisas, muito pragmática noutras, as vezes acho que são sinónimos: pragmatismo e chatice. Não sei bem. Cada vez tenho menos certezas e cada vez vivo melhor com esse facto.
Ontem limpei o guarda fatos e assumi que há roupa que não vou voltar a usar. Ou porque provavelmente não voltarei a ter 50 kg ou, na maioria dos casos, porque já não tenho idade para usar t-shirts do Planet Hollywood ou camisolas com frases de afirmação tipo "I'm the boss". "Ah, a idade é um estado de espírito!" O caralhinho. Avisem as minhas costas dessa do espírito quando muda o tempo e alertem a minha incapacidade para lidar com ressacas de que afinal tem 20 anos de humor. Só que não. (Não me sinto bem como t-shirts que realcem a minha necessidade de afirmação. Cada vez preciso menos de me afirmar. Cada vez sei mais quem sou. Despida. De quaisquer artefactos, t-shirts incluídas). Desfazeres-te de roupa emocional é como te despedires de quem já foste e sabes que não voltarás a ser e assumires que não voltaras a ter 50 kg nem sequer é a parte mais dolorosa.
Não consegui ver a parva da Meredith até ao fim mais os seus dramas de primeiro mundo (eu disse que ser pragmática era uma chatice, não disse?) e depois, ainda por cima, metia ao barulho uma criança às portas da morte e já se sabe que depois de ser mãe projecto a Ana em todas as crianças do mundo, o que é uma espécie de "maternóia" (paranóia maternal) da qual provavelmente nunca me verei livre.
Tenho saudades da minha avó que acordava a cada insónia minha e em silêncio se enroscava ao meu lado e me embalava, mesmo adulta, até me sentir adormecida novamente. "Mesmo adulta" é um jeito de dizer porque, na verdade, só me senti adulta depois deles morrerem e de eu já não ser a menina de ninguém. E depois de hoje, depois de me ter despedido das minhas roupas tamanho "S" coloridas e cheias de certezas, para ficar com um guarda roupa de "adulta".
Guardei a camisola roxa com uma estrela ao peito. Ele olha para mim e sorri.
"É para, um dia, a Ana a usar"- justifico-me em voz alta.
(Ninguém acredita. Especialmente eu. Até porque a Ana nem gosta de roxo).
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Ana, a raínha do equídeo-gado
A nova tara da Ana são unicórnios. A Elsa já se reformou (e nem quero pensar na quantidade de coisas frozenianas que tenho cá por casa), a Rapunzel não chegou a ficar velha e andamos numa fase pouco virada para personagens de filmes de animação.
Não sei como aterrou a tara dos unicórnios cá em casa mas já não suporto os poneys mono-cornos e já vomito os bichos por todos os poros.
Como se está a aproximar o Natal e porque a Ana fala de unicórnios com tooooda a gente achei por bem deixar um aviso público a toda a minha rede. Qualquer coisa como um status de facebook a suplicar a pedir: "Amigos queridos, POR FAVOR, não dêem todo um Mundo de unicórnios à miúda pelo Natal sob pena dela passar a ser a raínha do equídeo-gado!"
Claro que os meus amigos são uns estupores fofinhos e a minha amiga Sandra, feliz proprietária da Babyblue e estupora fofa que só ela, decidiu que não ia esperar pelo Natal para me desafiar dar um miminho à Ana e cá vai disto:
Estou preocupada com esta nova paixão da petiza e vou escrever baixinho o porquê:
A avaliar pela mochila, temo que a miúda me consiga unicórnio-evangelizar fácil, fácil. Humpft!
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Mãegyver
O Mundo divide-se entre...
... a possível vitória de Hillary Clinton nas eleições de hoje e a possibilidade do Mundo deixar de se dividir no quer que seja.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Neste momento ele está dentro de um avião..
... e eu estou ansiosa como uma adolescente a esperá-lo.
Um companheiro de uma vida acaba por se tornar em família, quer queiremos quer não, como se a vida antes dele chegar fosse embrionária nestas coisas do amor passional, do amor da conchinha na cama, do amor do cafuné no sofá, do amor da canja levada à cama quando estamos doentes e do amor do ADN misturado num filho a dois.
Há muito tempo que não estávamos separados tantos dias seguidos e é bom perceber que somos independentes, que o curso do dia segue fluido independentemente da presença um do outro, que não precisamos funcionalmente um do outro e que é isso tudo que faz com que termos decidido ficar um com o outro, que faz sabermos que estarmos juntos é sempre melhor que estarmos sós, que termos decidido ser um plural sem precisarmos um do outro mas por gostarmos tanto um do outro, torna tudo mais mágico e especial.
Um companheiro de uma vida acaba por ser parte de nós, ter lugar nos espaços que percorremos todos os dias e ter timings certos nas horas dos nossos dias.
E o bom disto das saudades é que são provisórias e não tarda muito ele está aqui a contar-me como foram os seus dias, o que aprendeu, o que me quer ensinar e todas as histórias que viveu na ausência de nós enquanto plural que somos. E o bom disto das saudades é que a distância não muda nada e não tarda nada eu conto-lhe como foram os meus dias, o que vivi, o que memorizei para não me esquecer de lhe contar e todas as pequenas histórias que vivi na ausência de nós como plural que somos. E o bom disto das saudades é lembrarmo-nos, por força da separação dos dias, da bifurcação provisória dos caminhos, que somos seres individuais e que essa individualidade se mantém e se pode transportar até ao reencontro do plural que somos.
Neste momento ele está dentro do avião. "Coração ao ar!"- assim está o meu. O bandido conquistou-me para todo o sempre.
E, sim, o bom disto das saudades é que estão quase a terminar. Um companheiro de uma vida faz parte de nós mesmo quando não estamos nós. Sim, estamos. Porque nós, independentemente de onde cada um de nós estiver no tempo ou no espaço, somos sempre um nós.
Um plural mesmo bom.
Um plural mesmo bom.
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Dia 13
domingo, 30 de outubro de 2016
A fé que as minhas amigas têm em mim
De repente, aparece a sugestão de fazermos um cookbook club (a ideia é que um grupo de amigas fazem receitas todas do mesmo livro e se juntem para partilhar os resultados e... comer).
Adivinhem lá a quem foi dirigido o seguinte comentário:
"Tu levas bebidas!"
...
...
...
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Ah 'migos
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Quadripolarização durante despedida de solteira? Done!
"Olá Pólo,
Finalmente segue a quadripolarização de Maastricht, na Holanda.
Tirei a foto na minha despedida de solteira, daí aquele belo ovo a adornar a paisagem, com que tive de andar todo o dia!
Coloquei "we ❤ pólo norte!" Porque efectivamente é assim, eu e 4 amigas, tudo emigrado na Holanda, somos tuas leitoras assíduas! (Ana M., Ana R., Liliana, Magda e Joana).
Espero que gostes!
Bjinhos
Ana M"
Adorei, querida Ana! Que cuides dos tempos de casada que aí vêm como cuidaste desse ovo: com cuidado e zelo.
Beijinhos enormes para ti e para a outra Ana (vivam as Anas), a minha xará Lilas, a Magda e a Joana
sábado, 3 de setembro de 2016
Para os meninos ursos, muitos anos de amor
"Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade."
Afonso Cruz in "Jesus Cristo Bebia Cerveja" (Alfaguara)
Estamos de partida para assinalar a data em que assumimos perante o Deus em que ele acredita e as pessoas em que eu mais acreditei e acredito na vida que, sim senhor, queríamos tentar ser o final feliz um do outro.
Muitas vezes temo-lo conseguido.
Hoje também.
Hoje também.
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Dia 13
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Só por causa das tosses...
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| Lombok(Indonésia)-Kuta, Selong Balanak Beach |
![]() |
| Lombok(Indonésia) -Sengigi Beach |
Os amigos das outras pessoas trazem-lhes ímans, canecas e t-shirts deprimentes como recuerdos das férias.
As minhas quadripolarizam-me os sítios como se espetassem uma bandeira de amizade quadripolar pelos sítios por onde passam.
Obrigada, querida Marta.
[Todos os países quadripolarizados aqui]
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
"Eu não quero ser bonita, eu quero ser respeitada."
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