Sabes, Ana, este era um aniversário que eu ansiava. Oito anos é uma idade importante para mim e não é pelos melhores motivos. Mas sabes que te conto sempre a verdade do Mundo, mesmo que a verdade doa. Tinha 8 anos quando eles se separaram. Sei que não me ouves falar do meu pai mas eu gostava muito dele antes de desgostar isto tudo que desgosto. É estranho desgostarmos de um pai, não é? Percebo-te bem na medida em que tens o melhor e mais dedicado pai do Mundo. Dizia-te eu que tenho gravados os meus 8 anos como o ano em que os meus pais se separaram mas, na verdade, o que conta é que esse foi o ano em que me senti desamada pela primeira vez. Talvez por isso ansiava que chegassem os teus 8 anos, felizes e tranquilos, seguros e, especialmente, amados, cuidados e queridos incondicionalmente, por todos. Como se pudesse, através de ti, dar colo à menina de 8 anos que fui, dar-lhe beijinhos nas esfoladelas da alma, apagar o desamor sentido à estreia. A psicologia explica e um dia posso-te explicar tudo, vantagem de quem tem pais psicólogos, né? Crescer dói sempre, filha. Porque implica escolher e aceitar escolhas circunstanciais que a vida nos atira sem que peçamos. E todas as escolhas implicam um ganho do que se escolheu mas também uma perda do que se deixou por escolher. Aceitar e viver bem com isto é o maior desafio da nossa existência. Assim que perceberes que é assim que funciona tudo será mais fácil. Não te posso spoilar a vida, Ana, porque isto é absolutamente imprevisível e dinâmico. Essa também é a parte que tem graça. Desejo que cresças forte e segura. Não segura de ideias, que elas evoluem. Nem de dogmas ou convicções. Nem sequer de quem tu és porque vamos sendo diferentes pessoas ao longo da vida. Mas segura incondicionalmente de que és amada por nós e que nunca sairemos de perto de ti. Nunca será o último aniversário que, por nossa escolha, passaremos contigo. Como foi o meu oitavo, o último em que desconheci o desamor. Não aches que isto não é um final feliz porque sou tua mãe e tu consertaste, célula a célula da minha vida, a forma como vivo o amor. Como amo e sou amada. Eu ensino-te a verdade do Mundo mas tu retribuis-me com toda a verdade sobre o amor.
domingo, 9 de agosto de 2020
quarta-feira, 27 de maio de 2020
terça-feira, 26 de maio de 2020
Feliz Ano Novo, Marta!
A Marta celebrou o seu aniversário em quarentena.
A Marta tem um coração bonito com raízes profundas de valores e afectos e ramos que são abraços que nos dá com os olhos, o sorriso grande e também os braços.
Um coração bonito onde podemos fazer ninho e voar de lá e voltar sem cobranças nem exigências porque a Marta é toda ela Primavera, como o é o mês que escolheu para nascer.
A Marta fez anos e ele dedicou-lhe a primeira aguarela que pintou em muitos anos porque a Marta tem coração de flores.
E a sua amizade cheira a tulipas, borboletas, andorinhas e sol.
É para verem a fé que estes canastrões têm em mim
Eu: a pessoa que informa no facebook que descobriu uma app de troca de casas durante as férias e cujos amigos mandam links complementares via mp de mais apps de trocas de CASAIS durante as férias.
Tá bonito.
Ana, a precisar de relaxar
"Ai, mãe, preciso mesmo de um banhinho de impressão".
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segunda-feira, 25 de maio de 2020
"Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco, e depois morre"
“Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco, e depois morre” - in “as velas ardem até ao fim”.
Nos últimos meses aprendi tanto, cresci tanto, aprendi tanto sobre mim e sobre o Mundo, abriram-se tantas luzes, desfizeram-se tantos nós. Tem sido um processo tranquilo e sereno ao contrário de todas as outras vezes em que cresci à força, puxada por episódios marcantes específicos: a separação dos meus pais, a morte dos meus avós, o nascimento de Ana, a morte do meu tio.
Desta vez é diferente, é de dentro que o crescimento vem, não é nada externo, consigo projectar-me,pensar mais fundo como quem inspira, sentir melhor.
Faço quarenta anos dentro de dois meses, o equador da vida e já não me sinto a envelhecer, como se fosse uma coisa pesada e fatídica, sinto-me só finalmente a crescer sem ser à bruta, à força, com estaladas da vida e abanões do destino. Crescer como cresce uma planta já depois de ter caule e folhas e flores, crescer para os lados, tornar-me mais robusta e forte, melhor.
Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco. Pouco a pouco, é mesmo assim. Para compreender tudo bem. Tudo certo e melhor.
E depois poder, enfim, morrer como quem (se) apaga (n)uma estrela.
domingo, 24 de maio de 2020
quarta-feira, 8 de abril de 2020
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Ana, a mercenária
A Ana decidiu ocupar o tempo de quarentena criando pequenos caça.-sonhos. Vende-os (obviamente!) às minhas amigas, numa de juntar dinheiro para as férias (foi assim que no ano passado pagou as entradas de toda a família na Isla Mágica). É a pessoa mais poupada do Mundo.
É, também, super empreendedora e orientada para a tarefa.
Acabou uma série de caça-sonhos e decidiu publicá-los na sua conta de instagram. Uma seguidora decide fazer o quebra-gelo.
Apreciem:
É, também, super empreendedora e orientada para a tarefa.
Acabou uma série de caça-sonhos e decidiu publicá-los na sua conta de instagram. Uma seguidora decide fazer o quebra-gelo.
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Juro que sou mãe dela!
Tarefa do dia da Ana: transformar a sua biblioteca da sala num arco-íris.
Não sei o que me mais espera mas tenho medo...
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O mundo divide-se entre...
... quem organiza os livros na estante por tamanho dos livros e quem organiza por ordem alfabética de autores.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Covifado
Depois do incrível samba da quarentena do Brasil e da fabulosa ópera da quarentena de Itália, temo o faduncho colectivo de homenagem à luta pela Covid-19.
sábado, 28 de março de 2020
Nova estratégia de mámen: embebedar-me.
O mundo divide-se entre quem prefere vinhos do Douro e quem prefere vinhos alentejanos.
sexta-feira, 27 de março de 2020
quinta-feira, 26 de março de 2020
O meu nome é Pólo Norte e sou vítima de cozinho-bullying
Mámen e Ana voluntariam-se, muito diligentes e solícitos, para fazer o jantar (idiotas!).
Ouço-os aos risinhos na cozinha.
Abeiro-me e a Ana pergunta-me, muito séria: "Sabes qual foi o último filme de terror que eu e o pai vimos, mamã?"
Aceno que não.
Responde-me com ar de gozo: "Chovem almôndegas!"
Estão há vinte minutos a rirem-se da minha cara.
Ouço-os aos risinhos na cozinha.
Abeiro-me e a Ana pergunta-me, muito séria: "Sabes qual foi o último filme de terror que eu e o pai vimos, mamã?"
Aceno que não.
Responde-me com ar de gozo: "Chovem almôndegas!"
Estão há vinte minutos a rirem-se da minha cara.
Petit noms fofinhos que mámen me chama
O meu excelso esposo brinda-me, regularmente, com uma lista imensa de petit noms fofinhos.
Vale tudo: Li, Lilica, Licas, Lica, Lilicosa, Grunguinha, Grungui, Grungosa e, quando eu estou furibunda, sai-lhe sempre uma interjeição que eu oiço como Jumarruá, e cuja origem nunca percebi nem nunca lhe perguntei porque, enfim, quando ele me chama isso eu estou sempre puta da vida.
Hoje à hora de almoço, depois da cena das almôndegas e de eu ter usado a cartada do "vocês são uns ingratos, eu dou o meu melhor, beca beca", ele virou-se para a Ana e disse "não cutuques a Jumarruá" e eu voltei atrás e esclareci, de uma vez por todas, onde raio tinha ele desencantado aquele petit nom fofinho.
É Juma Marruá.
Preferia ter-me mantido na ignorância. [Cabrão!]
Vale tudo: Li, Lilica, Licas, Lica, Lilicosa, Grunguinha, Grungui, Grungosa e, quando eu estou furibunda, sai-lhe sempre uma interjeição que eu oiço como Jumarruá, e cuja origem nunca percebi nem nunca lhe perguntei porque, enfim, quando ele me chama isso eu estou sempre puta da vida.
Hoje à hora de almoço, depois da cena das almôndegas e de eu ter usado a cartada do "vocês são uns ingratos, eu dou o meu melhor, beca beca", ele virou-se para a Ana e disse "não cutuques a Jumarruá" e eu voltei atrás e esclareci, de uma vez por todas, onde raio tinha ele desencantado aquele petit nom fofinho.
É Juma Marruá.
Preferia ter-me mantido na ignorância. [Cabrão!]
Ana, a ingrata quase vegetariana
Tenho sobras de frango e quero aproveitá-las de alguma maneira. Tenho a ideia peregrina de fazer almôndegas de frango. Não ficam, propriamente, geniais (que toda a gente sabe que não fui bafejada com o talento da mão para a cozinha).
Ponho o almoço na mesa.
Mámen dá uma garfada, arregala os olhos e continua a comer em silêncio, para não me cutucar.
Ana mete a primeira almôndega de frango à boca, mastiga durante muito tempo, enrola a comida na boca e, finalmente, engole, fazendo uma expressão de puro enjoo.
Arregalo-lhe eu os olhos.
Defende-se de imediato: "Tens noção que morreu uma galinha para isto, mãe?"
...
...
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quarta-feira, 25 de março de 2020
Ana, a sopeira católica
Mámen e Ana a fazerem o jantar.
Sopa na bimby a terminar. Apita a bimby e mámen destapa a tampa e verifica, com uma concha, a consistência da sopa, verificando a necessidade de juntar mais água para diluir a dita. Vira-se para a Ana e estende-lhe um copo, instruindo-a:
"Vai ali buscar água para baptizar um bocadinho a sopa"
Ana, olha confusa para o copo, destapa outra vez a bimby, olha muito séria para a sopa e arrisca:
"Eu te baptizo em nome do pai, do filho e do espírito santo. "
Estamos há uma hora a chorar a rir.
Sopa na bimby a terminar. Apita a bimby e mámen destapa a tampa e verifica, com uma concha, a consistência da sopa, verificando a necessidade de juntar mais água para diluir a dita. Vira-se para a Ana e estende-lhe um copo, instruindo-a:
"Vai ali buscar água para baptizar um bocadinho a sopa"
Ana, olha confusa para o copo, destapa outra vez a bimby, olha muito séria para a sopa e arrisca:
"Eu te baptizo em nome do pai, do filho e do espírito santo. "
Estamos há uma hora a chorar a rir.
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