sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Tudo sobre controlo
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
Crescemos sempre até ao fim
É a vida que acaba. É à vida que não se sobrevive e esse é, talvez, o grande paradigma da humanidade. Do amor.
sábado, 18 de dezembro de 2021
Electra
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Com força e baixinho
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
É bacalhau espiritual
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
A melhor música de Natal
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Moinho do Maneio
Há um lugar com casinhas de pedra que parecem de brincar. Com redes espalhadas à beira rio a convidarem-nos a baloiçar ao sol, à sombra, às estrelas, ao amor e à paixão, ao colo e à intimidade. Aos afectos. Com uma piscina onde podemos ser piratas e sereias em água doce e lagartixas e camaleões ao sol. Com pequenos socos com o melhor bolo de chocolate do Mundo, sumo de framboesas naturais e figos da Índia descascados, iogurtes com granola bons e pão a saber a pão e queijo de cabra e uma vista sobre o rio. Ah, o rio!
Há um lugar com um rio e uma canoa à espera de ser estreada, mesmo que já a tenhamos estreado antes, porque são sempre novas águas a correrem em direcção à pequena represa e os sapos assustam-se à nossa passagem e mergulham à nossa frente - flop!- e somos os três na canoa a cantar alto e a rir às gargalhadas ou é só ela, Pocahontas de Penamacor a remar em direcção a um mar que sabemos que existe lá longe mas que existe, e estamos sempre a caminho dele, mesmo que o rio seja no interior.
Existe um lugar com burros a zurrar e que correm quando lhes acenamos cenouras e cães amigáveis e educados a abanar a cauda, que recompensamos às escondidas com sobras do jantar. Onde pomos a tocar nas aparelhagens antigas de CD Maria Callas e Tom Jobim e as noites são,também por isso, mais estreladas.
Há um lugar onde cozinhamos comida caseira e sopa de tomate para comer nas mesas fora da porta e fazemos chá para beber ao serão, enquanto jogamos jogos de tabuleiro sem sentir falta de televisão nem rede de telemóvel porque o tempo e o silêncio são presentes dos céus.
Há um lugar onde nos recebem e se despedem de nós com o mesmo sorriso aberto e verdadeiro e onde damos por nós a cantar muitas vezes baixinho, a trautear músicas, porque quando estamos felizes cantar faz parte de quem somos. Há um lugar único em Portugal onde a minha família entra família e sai ainda mais família, mais conectada, mais íntima, mais simbiótica.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
O Mundo divide-se...
... entre as pessoas que, mal espreita o Outono, ainda andam de chinelos e as que passam logo a andar de calçado fechado/botas
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
Ana explica à avó como dá a volta ao pai...
terça-feira, 28 de setembro de 2021
Ana com febre*
"Do que gostaste mais do fim-de-semana fantástico, Ana?"
Gostava de morrer velha.
Gostava de morrer velha. Velha, velhinha. Ainda melhor, gostava de morrer velha e de velhice. Como se a vida quisesse pedir a conta final e fechar a despesa, satisfeita e de papo cheio, pronta a levantar o rabo da mesa e sair de mansinho, olhos fechados, memórias arrumadas, papo cheio, sensação de fecho da loja.
domingo, 26 de setembro de 2021
O Mundo divide-se...
...... entre as pessoas que acordam com o humor certo e não querem conversa de manhã e as outras.
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Merdas que vocês fazem aos vossos filhos para serem nomeadas para ganharem a "grã ordem de mérito da maternidade abnegada, sacrificada, carmelita descalça, cheia de culpa judaico-cristão, freudiana" e que nunca pensaram que um dia descessem tão baixo ao inferno-maternal de tal modo que batessem no fundo.
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Apartas o cabelo ao meio
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
Inventámos o nome de uma síndrome
terça-feira, 14 de setembro de 2021
Primeiro dia de aulas do 4º ano
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
As fitas
Mas depois ele continuou "e as fitas? Lembras-te das fitas?" e um portal de memórias recalcadas se abriu, como se fosse uma epifania do passado, uma visão de dor que enterrei num poço da minha memória- a psicologia explica- acabava a hora da visita a seguir ao jantar que era dado demasiado cedo, acho que pelas 19h, e a minha mãe e todas as visitas iam embora e vinham as irmãs, vestidas com o hábito creme, com as fitas.
Às vezes eu choramingava, tinha 4 anos, 5, 7, 8, era pequena, choramingava "não quero as fitas! Tenho comichão e não me consigo coçar" e elas não me respondiam, não me explicavam, não me consolavam, limitavam-se a apertar as fitas à volta do meu corpo pequen ino e prendiam com firmeza e eu ficava sem me mexer toda a noite, às vezes durante muito tempo a olhar para o tecto da enfermaria e a pensar que a comichão iria passar e que a minha mãe chegaria no outro dia e ouvir os gritos de outras meninas: "tirem-me as fitas! Tirem-me as fitas!", depois passos delas e o silêncio a calar os gritos das outras meninas.
Eu desisti de pedir, percebi que não me ouviam, não queria que os passos se aproximassem e se pedisse apertavam com mais firmeza, nem uma palavra, às vezes eu enchia o peito de ar para ficar com mais folga e poder mexer-me melhor até mas tirarem de manhã, muito cedo, acordavam-nos as sete para lavarem o chão com lixívia e umas máquinas que aspiravam e enceravam, tudo tinha que cheirar a limpo, a doença cheira mal.
Nunca ninguém me abraçou, consolou ou alargou as fitas, em noites apertadas e silenciosas à espera de manhãs asséticas e da minha mãe chegar outra vez.
Ele carregou com o dedo na ferida cicatrizada em vão"lembras-te das fitas?" e eu lembrei e perguntei, agora, à minha mãe se era real ou se o sonhara. "Era para vocês não caírem das camas!" e eu sei que ela acredita nisso, as irmãs diziam e ninguém questionava as irmãs- é a memória da minha mãe sobre as fitas mas não é a realidade e eu nem me lembrava que havia esta realidade mas ele perguntou pelas fitas e agora não me consigo esquecer de dormir de colete de forças grande parte da minha infância naquele hospital, do cheiro a lixívia e de tudo o que mais queria no Mundo era a hora em que chegava a minha mãe.
domingo, 12 de setembro de 2021
Tudo o que aprendi na gravidez foi com o Lobo Antunes
sábado, 11 de setembro de 2021
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
E estava óptimo. Mas hoje sinto-me a lamber todas as salinas desde Aveiro a Rio Maior.
Bacalhau à Brás.
Pode ser o último post deste blog
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Materno skills aos 9 anos e um mês da miúda
Saber qual a quantia exacta que a fada dos dentes coloca debaixo da almofada quando lhe cai um dente- checked
Saber o ângulo que os olhos devem arregalar para impor respeito à miúda quando lhe abrir os olhos sem parecer que acabei de fumar umas ganzas nem que sou um carneiro mal morto- checked
Saber o tipo de bolachas e de leite que o Pai Natal come para lhe deixar na varanda na véspera de Natal- checked
Treinar a cadência da expressão “che-gan-do a ca-sa con-ver-sa-mos”- checked
Saber sempre o nome da melhor amiga actualizado para poder usar com legitimidade a frase “não penses que falas comigo como falas com a tua amiga Joana”- checked
Saber que ela está com febre sem usar termómetro e apenas encostando os meus lábios à sua testa- checked
Ter lenços de papel na carteira que aguentem saliva para poder limpar caras badalhocas da mesma forma que odiava que a minha mãe me limpasse a mim- checked
Saber o tempo médio de um castigo para não ser rígida demais nem branda em demasia- checked
Bater palmas com convicção na plateia de cada teatrinho da escola mesmo que ela tenha tanto jeito para as artes cénicas como eu- checked
Saber exactamente o timing da contagem progressiva do "uuuuum, doooooooois...." e nunca chegar ao "trêêêês!" dando-lhe tempo para ela sair de onde está sem eu ter que me descabelar com ela- checked
Dizer com ar convicto “não te deixo comer gelados de água que isso é uma porcaria, escolhe antes um de leite”- checked
Não me esquecer de reparar em como vai agasalhada e acrescentar, invariavelmente, um “não te esqueças do casaco, que vai fazer frio!”- checked
Nunca a deixar entrar no portão da escola sem lhe dizer que a amo, mesmo que às vezes, sem querer ou de propósito, a possa vir a embaraçar- checked
Conseguir abrir a puta da tampa do Ben u ron- checked
It's Wednesday and I'm not in love
Am I alone?
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Socorro!
O prémio do objeto escolar mais inútil vai para a borracha nova da minha filha
A minha família e amigos dividem-se entre...
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
sábado, 4 de setembro de 2021
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
Casamentolimpíadas: rumo à prata!
O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.
Casamentolímpicos: rumo à prata
sábado, 28 de agosto de 2021
Airbag sofa
Saturday night lalalalala
[Primeira vez em 9 anos que vai beber Pepsi ao jantar: não me julguem! É a noite da loucura, pá!]
terça-feira, 24 de agosto de 2021
O meu blog não deu um programa de rádio...
Mas tive um convite para publicar um livro com o best of do Quadripolaridades.
Ando há meses a empurrar com a barriga a decisão.
Alguém ainda lê livros de blogs? Qual a vantagem de ter tudo compilado num livro? Não é um bocado arrogante achar que estes textos trapalhões todos podem tornar-se num livro? É que um livro é uma coisa séria. Qual a motivação para se escrever um livro? O ego? O meu ego precisa disto? Eu até já plantei uma árvore, escrevi um livro em miúda e fiz uma filha. Motivações de dinheiro? Eu trabalho, nunca quis viver de dividendos do blog. Anyway, entre o que fica para a editora e o distribuidor, compensa mais fazer macramés com a miúda e vender online. E depois tenho que ir aos programas da manhã divulgar o livro e toda a gente sabe que eu curto tanto eventos televisivos como arrancar as unhas devagarinho, uma a uma. Ou injeções nos olhos. E... e...
Por outro lado, o Prezado mandou-me um draft da capa e...
Digam-me lá coisas. Vocês: os que vêm aqui, não os que só vão às redes sociais. Que esses contentam-se com os bonecos do meu instagram.
domingo, 22 de agosto de 2021
A pessoa dispersa e quando dá por ela já lá vão anos.
A pessoa dispersa e quando dá por ela já lá vão anos. Pensa voltar a escrever com regularidade num só sítio para conseguir apanhar todas as postas de pescada e sentenças defecadas no facebook, no instagram e no twitter e mais houvesse- é como calha, nunca fui muito estruturada- e reunir tudo de forma organizada, compilada e “escorreita”, como diz o açoriano cá de casa.
Às vezes a pessoa pensa “caraças,
como é que eu conseguia?” aquilo de escrever todos os dias, várias vezes por
dia com trabalhos difíceis em departamentos de recursos humanos, com vidas
sociais agitadas, com dramas familiares e depois com a miúda pequena, se bem
que toda a gente sabe que a miúda era praticamente um lémur, só comia e dormia e exibia os seus lindos e enormes olhos azuis, i did “know nothing, John Snow”,
que é como quem diz Pólo Norte, sim, que ainda sou a Pólo Norte, a ursa e fico um bocado
cheio de fernicoques quando me chamam “Quadripolaridades”, NÃO CONFUNDAM O NOME
DO BLOG COM O NOME DA PERSONAGEM, TÁ?. Agradecida.
A modos que isto de ter coisas
aqui e ali para públicos distintos, ai que os velhos ainda estão todos no
facebook, que se lixe, então ainda sou velha e são bués e eu gosto de escrever
para muita gente que se quisesse escrever para meia dúzia de gatos pingados
escrevia postais para a malta cá de casa; ai que os novos e cool estão todos no
instagram, ai mas espera aí, eu também ainda estou aqui cheia de genica e
continuo muito cool e gosto mesmo da cena das imagens bonitas com o texto a acompanhar;
a modos que a malta old school dos blogs já nem sabe para que lado se virar,
Deus me guarde e me livre do Tik Tok, que se Kapinha é o Rei do Tok Tok, agora
pensem lá…
Mas, honra seja feita, se não
fosse ter alcançado os 10 000 seguidores no Instagram (o número de visitas
médio que eu tinha à uma da tarde, todos os dias, somado no blog nos tempos
áureos que, ok, não correspondem, ao número de visitantes mas de visitas e toda
a gente sabe que as actuais dos meus ex faziam muito F5) não teria ganho aquele
bónus do swipe up para encaminhar as pessoas para aqui, logo, este come back
não teria acontecido.
Já disse que não alinho no tik
tok, não já?
De resto a vidinha vai uma
miséria franciscana: casa, trabalho, pandemia;
a miúda já fez nove anos , minha ryca filha, toda a gente sabe que
continua a mais bonita, inteligente e maravilhosa de todos os filhos do Mundo,
deve estar a guardar-se para a adolescência para me copular a idade da
menopausa e tornar a minha vida insuportável, já não vai bastar as hormonas e
os calores; mais pandemia, trabalho, casa; mámen continua um santo a aturar
todas as minhas merdas com toda a classe do Mundo, ainda não me divorciei e
ainda também não me deu nenhuma crise de meia idade; mais casa, pandemia e
trabalho; a minha mãe continua fantástica mas proibiu-me de escrever sobre ela
e a minha sogra já sabe da existência não só deste blog como das redes sociais,
portanto, CALÔ, ninguém abre a bocarra; mudei de trabalho e estou numa fase de
não saber bem o que quero para os próximos tempos mas sei do que sou capaz,
isto dos 40 tem essa coisa de bom, a pessoa não consegue controlar o decurso do
Mundo e percebe a sua infinitude perante os imponderáveis e imprevistos da vida
que não consegue controlar mas conhece-se a si cada vez melhor; de resto estou um bocadinho para o gorda mas uma
pessoa não consegue resistir a uma pandemia, à escola em casa, aos ciclos de
teletrabalho, a máscaras a fazerem acne no queixo, à propagação de pseudo
escritores como o Chagas Freitas e o Raul Alma Dele e ao Kapinha no Tik Tok sem
se consolar com comida.
De resto cá vamos, enquanto a
Margarida Rebelo Pinto continuar sossegadinha sem escrever mais livros, a malta
aguenta-se com a cabeça entre as orelhas.
Acho que voltei.
P.S.- I still hate Hello Kitty.
P.S. 2- Ainda estou a decidir se recupero o arquivo do blog ou não. Digam-me de vossa justiça.
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
Ana, a poliglota
domingo, 8 de agosto de 2021
Aos 9 de Agosto de 2021, à Ana por ocasião do seu 9º aniversário
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
Últimos preparativos para a festa de aniversário
terça-feira, 3 de agosto de 2021
quinta-feira, 1 de julho de 2021
quinta-feira, 17 de junho de 2021
sexta-feira, 11 de junho de 2021
ABC da NATUREZA
A Ana ficou com febre ontem à noite, depois de vir da praia com a minha mãe. Dei-lhe paracetamol e fui monitorizando. Hoje de manhã ainda estava murchinha e liberámo-la de ir à escola. Depois de almoço estava melhor e queria sair de casa. Eu tinha que passar no trabalho e parámos na Gulbenkian onde, com todo o tempo do Mundo, acabámos a tarde a apanhar tesouros do chão dos jardins e a construir este abecedário, sob o olhar atento dos patos.
Há beleza, mesmo nos dias febris. Há beleza porque ela nasceu e a vida com ela é sempre, mas sempre, mais bonita. Mais feliz. Melhor.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
Feliz ano novo, queridos Quadripolares!
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Acredita piamente no Pai Natal (e não lhe mente)
“Mas às vezes gosto de um bom drama”
Como não amar a honestidade da Ana na carta ao pai Natal aos 8 anos?!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
O day after
“A sério, mãe? A sério? Opá e se a Luz* me quer fazer a folha?! A sério, mãe? Que se lixe a Luz! Vou desmaiaaaarrrrr!”
[*a Luz é a namorada da Carlos Manuel na série...]




















