segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
Ana, a pragmática
domingo, 27 de fevereiro de 2022
sábado, 26 de fevereiro de 2022
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Ah, o maravilhoso mundo dos trabalhos manuais que a escola manda para casa
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Ana, a esfalecer
domingo, 20 de fevereiro de 2022
Fui eu que fiz esta miúda
sábado, 19 de fevereiro de 2022
Croma dourada

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
Está oficialmente para adopção
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
Causa Própria
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Era o "Absolutamente Fabulosas" e a CPCJ deve estar a bater-me à porta
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
"Sonhos que sonhei: onde estão?" Aqui.
Em Agosto quando fomos à Eurodisney a Ana atirou uma moeda para o poço de desejos na caverna dos piratas. Eu ouvi ela a desejar baixinho, de olhos fechados, enquanto a atirava: quero voltar aqui com toda a minha família.
A minha mãe e a minha tia fazem tudo pela Ana desde o dia em que ela nasceu. Apanham-na na escola, levam-na a lanchar, ficam com ela até regressarmos de Lisboa e chegamos sempre antes de jantar, às vezes dao-lhe elas o jantar e adiantam o banho, vão às compras com ela, a passear, a fazer aventuras na natureza (aqui é a minha mãe!), Se ficamos até tarde em projetos pós laborais, reuniões, formações, lá estão elas sempre a dar suporte. E isto tudo sem nunca se queixarem, felizes por estarem com a Ana, gratas por a poderem acompanhar. E nas férias ainda ma raptam para praia, campismo, piscina e dão-lhe os melhores Verões da infância.
Partilham o dia-a-dia, todos os dias, desde há dez anos, com a Ana. Era normal que a Ana quisesse retribuir. Porque se trata de gratidão, este desejo da Ana.
Há seis meses que fazemos mealheiro: a Ana guardou todas as notas e moedas do Pão por Deus, do Natal, da venda dos seus macramés aos amigos e vizinhos, da venda no OLX de livros, brinquedos e roupa usados, eu das formações que dei fora de horas, o Rui das aguarelas que tem pintado timidamente.
Neste fim-de-semana o sonho da Ana tornou-se magicamente real.
A lâmpada do Aladino funciona mesmo. Fomos mesmo, mesmo felizes.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
A minha mãe fez anos e eu não lhe escrevi nada
A minha mãe fez anos e eu não lhe escrevi nada.
Fiquei a consumir-me desde então porque não lhe tinha escrito nada. Não gosto de estar em falta com a minha mãe.Estava doente nesse dia. Uma infecção urinária que não passa. Mas fui deixar a Ana à escola e passei no supermercado para comprar coisas para fazer o jantar para a família, na minha casa. E depois fui à fábrica de bolos e comprei o melhor bolo de amêndoa e chantilly do mundo, com raspas de chocolate por cima. E passei no shopping para lhe comprar um presente. No espaço de uma hora, sempre a correr. Trabalhei toda a manhã e tinha febre. Na minha hora de almoço dei uma geral na casa, para que ao jantar estivesse tudo apresentável. Arrastei-me a fazer isto. E voltei a trabalhar até ao fim da tarde. Acabei o trabalho e pus a mesa bonita. Fiz bacalhau espiritual, leite creme e preparei todo o jantar. Encomendei picanha e fomos buscá-la ao restaurante.
Chegou a minha mãe com a Ana e a seguir toda a família. Foi um jantar tão bom, que quase me esqueci da febre, da infecção urinária e do cansaço extremo.
Depois ao deitar-me percebi que não lhe tinha escrito nada bonito. A minha mãe gosta de palavras bonitas, eu bem sei. E merece todas as do Mundo, porque é a mulher mais valente e inteira que eu conheço.
A minha mãe fez anos e eu não lhe escrevi nada. Na sala ainda há restos do seu aniversário, incluindo o quadro de luz que a Ana lhe preparou.
A minha mãe gosta de palavras bonitas mas ensinou-me que as palavras valem pouco quando não são acompanhadas por gestos de bem querer. Acho que estarei perdoada.
Eu tenho a minha mãe e a Ana tem-me a mim: todo o amor entre mães e filhas é por aglutinação. Não poderia ter melhor. Acho que mereço esta mãe, a minha mãe, apesar de não ter escrito palavras mas lhe ter dedicado todo o meu dia, mesmo sem estar ao seu lado.
Amar é sempre cuidar e querer bem.
Talvez as palavras estejam sobrevalorizadas.
Fico a dever-te um poema, mãe mas tenho troco, gorgeta e juros no amor infinito que sinto por ti. No bem querer.
Parabéns. Também a mim que te tenho só para mim.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
No soy Georgina
Descias as escadas a caminho da ala autónoma e eu vi-te pela primeira vez. Os nossos olhares cruzaram-se num segundo e eu senti qualquer coisa cá dentro que podia ser amor à primeira vista, acreditasse eu na altura ou mesmo hoje no amor à primeira vista. Horas depois éramos amigos, como se nos conhecessos desde sempre, como se eu na altura soubesse onde ficava São Jorge no mapa e eu nem sabia ao certo tão pouco o nome das nove ilhas dos Açores.
Depois mudei-me para a tua turma, os professores ficavam confusos, nunca pedi transferência mas às tantas as minhas notas saiam nas vossas pautas e tudo fluía, sentávamo-nos lado a lado no auditório, tu davas-me, pacientemente, explicações de história nos jardins de Belém e eu retribuía, trocista, tudo o que sabia sobre neurónios e sinapses e a estrutura do cérebro naquela cadeira do professor esquisito.
Depois foi num instante Natal e fomos ao Martim Moniz comprar prendas, não tínhamos dinheiro para nada, comiamos sempre na macrobiótica da cantina, pediste-me dinheiro emprestado e eu achei que não voltarias das férias da ilha que eu não sabia localizar no mapa, nem me devolverias os cinco contos e era início do segundo semestre e eu tinha saudades tuas, queria lá saber do dinheiro para alguma coisa. E voltaste, devolveste o dinheiro e trouxeste-me um presente, só para mim, para mais nenhuma amiga e uns dias depois cravaste-me um beijo e eu não me fiz de esquisita, mortinha que estava para deixar de fazer cerimónias.
E depois já desciamos a avenida de mãos dadas, e passávamos férias juntos, e um dia os teus pais vieram cá e conheci-os, também já ias a minha casa há algum tempo, todos sempre gostaram de ti, é mesmo fácil gostar de ti.
E estudavas e trabalhavas no café, eu dava explicações, íamos de carreira que apanhavamos no arco do cego passar fins de semana em pensões com percevejos em terras mais longe e depois o curso acabou, tu ficaste, começámos a trabalhar, eu, tu, daí a alugar a casa na praceta foi um passo, casar pela igreja dois, ter a Ana num piscar de olhos, mudarmos de casa uma e depois outra vez, mobília às costas, literalmente, sempre fácil, mesmo quando era dificil.
E houve crises que não nos lembramos por preguiça ou por escolha, não gostamos de coisas complicadas, e há sempre histórias a serem escritas, aguarelas a serem pintadas, vida a ser vivida e momentos importantes a ser construídos.
Foste e és a melhor escolha da minha vida, a única que fica sempre, a decisão mais acertada, a companhia mais certeira, a pessoa mais fácil de gostar, o pai mais fantástico que já conheci e um marido, acima de tudo, incrivelmente bondoso, generoso, paciente e um homem bom. Depois há o amor, mas do amor não há muito que se lhe diga, não tem mérito, não dá trabalho, é fácil gostar de ti, se acreditasse em amor à primeira vista seria isso, assim eu só amor em todas as vistas, em todos os ciclos, em todas as células que amo em ti.
É fácil amar-te porque não há outra alternativa face ao homem incrível que foste crescendo comigo. Para a Ana. Para mim.
Parabéns, Rui.
No soy Georgina, mas o melhor do Mundo sequei-o eu.
domingo, 6 de fevereiro de 2022
Ana, a horticultora
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Mámen, o crítico gastronómico
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Era mesmo isto que eu tinha encomendando*
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Ana e a vibe motivacional
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
Aquele nível basicozinho de maturidade
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
domingo, 23 de janeiro de 2022
Tenho uma amiga
domingo, 16 de janeiro de 2022
A estrela da serra
sábado, 15 de janeiro de 2022
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
quinta-feira, 13 de janeiro de 2022
Borboletas na barriga
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Ten years challenge
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
A pessoa tenta sr modernaça e acompanhar as tendências e tudo e tudo
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
Sim, mostrámos a Casa de Papel à miúda
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Parabéns tia Cinda!
É por sua causa que começamos o ano sempre em festa. Foi a última dia meus tios a nascer mas foi sempre a primeira tia a chegar em todos os momentos da minha vida. É aparentemente serena mas interiormente ansiosa mas tem o condão de fazer com que nós achemos que tem sempre tudo sobre controlo. Na verdade, tem.
É como uma segunda mãe para mim e sempre que imagino como deve ser ter uma irmã tenho como referência a relação dela com a minha mãe. É uma segunda avó para a Ana, que não podia ser mais cúmplice dela, mais compatível, mais tudo. É a Titocas da Ana, a minha tia Cinda.É doutorada em comida pré feita nos corredores dos hipermercados mas é a melhor costureira do Mundo. Quando era pequena preparava-me sempre banhos de espuma com gel da Avon e deixava-me ficar na banheira até ter as mãos engelhadas. Deixava-me comer delícias do mar directamente do congelador e fazia a melhor salada russa do Mundo, inundada de maionese. Na adolescência encobriu-me namoros e curtes em Monte Gordo e tem o condão do chantilly dela nunca falhar. Deu-me a minha prima, aos nove anos e meio, que foi a melhor coisa que me podia ter dado.
Na verdade nunca deixou de dar.
Há um ano não lhe pudemos cantar os parabéns e tivemos medo de nunca mais o podermos fazer.
Mas este ano, aos sessenta acabadinhos de estrear, cá está forte, gira e plena. Ela diz que teve sorte mas a sorte foi toda nossa!
Parabéns, minha tia!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
Andorinha
Em 2021 senti-me profundamente triste. E aflita. E impotente E devastada. Tive terror em perder a minha tia e perdi o meu tio num momento de terror. Confortei a minha prima. Alimentei o meu outro tio. Percebi definitivamente que nunca mais retomarei relações com a minha outra prima Tomei conta de muita gente e pouca de mim. Fui promovida na pior altura para o ser. Trabalhei horrores. Tive muitas mudanças no trabalho até que apareceu a Ana Lúcia para me serenar. Serenou. Ajudei a organizar uma manifestação pela vida independente. Gritei num megafone. Fiz uma vigília e dormi à porta da Assembleia da República. Reforcei a certeza de que o meu casamento é para sempre e que há amores para a vida toda (até podem não haver casamentos, mas amor há!). Perdi a Joana. Dei centenas de horas de formação. Vi a Monalisa. Tive o melhor jantar do ano aos pés da Torre Eiffel. Vi, finalmente, toda a Casa de Papel. Tive pouco com amigos. Voltei a organizar campos de férias. Diverti-me tanto na Isla Mágica. Fui vacinada. Falhei nos exames de rotina da mama mas compenso em breve. Passei o dia da mãe com a minha mãe sem máscara e viseira. E com a Ana. As três na Lx Factory. Vi um espectáculo de flamenco ao vivo. E comemos tantas tapas, os três felizes em Sevilha. Comovi-me na Eurodisney. Namorei muito no Verão com tinto de Verano e Manchego. No meu aniversário um conjunto de bandalhos bons juntou-se no mato para me cantar os parabens. Foi tão importante para mim. Comi marisco em São Martinho do Porto. Fui feliz em Elvas com a Inês e o Bruno. Recebi os meus sogros em tranquilidade. Li pouco. Fui a Itália em trabalho e conheci gente incrível A Ana fez a sua primeira comunhão. A minha mãe esteve sempre por perto e isso é tudo para mim. Fui feliz com a Eillen a cantar a banda sonora da Tieta. Fiz yoga no Moinho de Maneio. A Ana cresceu, cada vez mais pessoa inteira e boa. Aprendi a jogar Rummy. Permiti-me a falhar e abracei a vulnerabilidade com auto-compaixão. Em 2021 fui uma andorinha sempre em vôo numa constante tentativa de regresso a casa.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
Foi um ano tão mau
Foi um ano tão mau. Não me apetece fazer redução da minha dissonância cognitiva e dizer que não foi mau, que afinal foi apenas duro, desafiante, de crescimento, difícil. Não foi. Aliás, até pode ter sido isso tudo mas foi, sobretudo e sobre tudo, mau.
Perder pessoas, mas perder a sério, não o deixar ir, não o decidir cortar relações, perder sem escolha e definitivamente, nunca pode fazer de qualquer ano que seja algo menos do que terrível.Tudo o que possa ter sido bom e que muitas vezes damos por adquirido- estou com saúde e a minha mãe e filha também, tenho emprego e salário, tenho casa e não tenho contas por pagar, tenho uma relação amorosa saudável e um marido com saúde e emprego- é um alívio mas não apaga o terror que foi este ano.
Sinto-me em catarse, como no fim de uma tragédia onde tens que lutar cheia de adrenalina, sem dispersar, sem tempo para merdas, e no fim, campo de batalha vazio, podes finalmente sentar-te e chorar.
Comecei o ano a perder a minha tia e eu não sei perder gente e acho que nunca irei aprender. Quando ela voltou, do lado de lá do covid nos cuidados intensivos, lembrei-me do dia em que ela emigrou. Eu tinha 5 anos e fui levá-la ao aeroporto. Ela despediu-se com lágrimas nos olhos e começou a subir as escadas rolantes. Eu, cá em baixo, segurada por um adulto que não me lembro quem era, a gritar: " não vás, tia, não me deixes, tia!". E ela foi. Foi talvez o primeiro trauma da minha vida, esse dia, embora tivesse tido tantos motivos para trauma, as hospitalizações, as noites sozinha internada, as saudades da minha mãe, o meu pai que nunca mais voltou, esse por opção. É a falta de escolha que me mata por dentro. A inevitabilidade da vida. Quando a minha tia voltou do covid senti que estávamos, finalmente, de contas saldadas: ela tinha fintado o sentido das escadas rolantes e voltava finalmente para trás, para não me deixar sozinha.
2021 foi um ano de merda, desculpem o discurso depressivo. Para 2022 não quero nada. Só que mais nenhum dos meus parta sem poder regressar. Escadas rolantes paradas.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
Dores (maternais) de crescimento
A gente anota o primeiro dia em que se sentam, em que lhes nasce o primeiro dente e depois em que lhes cai também, em que dão os primeiros passos, do primeiro dia de creche e depois, todos os anos, de escola. A gente anota a primeira palavra dita e a primeira escrita, o primeiro desenho de figura humana e o inaugurar de tantos estadios.
domingo, 26 de dezembro de 2021
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Tudo sobre controlo
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
Crescemos sempre até ao fim
É a vida que acaba. É à vida que não se sobrevive e esse é, talvez, o grande paradigma da humanidade. Do amor.













