quinta-feira, 21 de abril de 2022

Another maniac thursday

 

Uma das pessoas com quem trabalho está com covid e perante a pergunta acerca dos seus dados pessoais por parte da enfermeira da saúde 24 achou que lhe estavam a perguntar nome e telefone da pessoa de contacto.
Adivinhem quem foi referenciada como tendo covid-19 e não consegue falar com o centro de saúde, quem?




FML

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Transformismo quadripolar


Como passar de um cabelo loiro barracas para um cabelo loiro Io Appolloni a um cabelo loiro pomba gira a - finalmente!- um cabelo Julian Moore mas em chubby e com o comprimento Sandália Moreira?
Nas stories do meu Instagram* (com filtro e tudo como uma verdadeira influencer)
(* porque se a minha filha capitaliza seguidores de um lado para o outro quem sou eu para não aprender com a mestra?!)

A L'Oreal podia contratar-me para dar nomes aos diferentes pantones de louro

 

Afinal não estou loira- Io- Appolloni.
Estou loira- pomba- gira.

Agora que tenho a tinta na cabeça durante os trinta minutos

 

Olha com atenção a porcaria da embalagem e estou cheia de medo de ficar a Io Appolloni.



terça-feira, 19 de abril de 2022

Disclaimer de heresia

 

Rui explica à Ana detalhes sobre os três pastorinhos. Começa a descrever que um dos pastorinhos via e ouvia a nossa senhora, outro via a nossa senhora mas não a ouvia e o outro ouvia mas não a via, num atabalhoado de informação....
Ana: "Já sei qual ouvia e não via! A Lúcia!"
Porquê?- pergunta o pai, intrigado com a prontidão da resposta.
"Ela não é a que ficou velhinha com óculos muito grossos? Em criança nas fotografias ela não tinha óculos, pai, devia ser um autêntico morcego. Podia lá ver a nossa senhora?!"


[Até chorei a rir: juro-vos!]

Haja quem preste#2

 


Obrigada Catarina Domingues!

[Ainda dizem- injustamente!- que os algarvios comem na gaveta: pffff! Heresia! Heresia! Vivam os marafados!]

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Haja quem preste!

 


Obrigada, João Varela!

Tenho esperança que troque a participação num Big Brother por uma num Shark Tank


Último dia de férias de Páscoa e a Ana pede para me acompanhar ao trabalho porque "preciso de ir a Lisboa".
Durante alguns segundos fico indecisa se me vai cravar para ir à Kidzania, ao Hello Park a Monsanto ou ao Corte Inglês (a meca do consumo para ela).
"Preciso de ir ao Martim Moniz comprar mercadoria que quero inaugurar um novo negócio".
...

Oh, as maravilhas de se trabalhar na zona oriental e não trendy de Lisboa

 


domingo, 17 de abril de 2022

Ana, a pragmática

 

Nasceu o neto do namorado da minha mãe.
Comprámos um presente e peço à Ana que escreva um postal para acompanhar:
"Que disparate, mãe! Não escrevo nada! Acabou de nascer: ele não sabe ler, dahhhh!"
...

sábado, 16 de abril de 2022

Insónias da Ana

 

Estamos ambos a trabalhar na sala neste momento. Ouvimos a Ana levantar-se, meia zombie, e ir à cozinha.
Abre o frigorífico e esperamos ouvi-la a tirar o jarro de água para beber água.
Ao invés disso ouvimos um "tcccchhhh", seguido de um "clock" e regressa para a cama.
Franzimos a testa intrigados, até que nos descorre...



... a lata de chantilly de pressão, caraças!

A Ana passa o dia a cantar

 

Sinto-me a viver no teatro Politeama.
Volta não volta olho por cima do ombro a ver se o Filipe lá Féria a veio resgatar e salvar-me deste suplício ...

"Então, Ana, que tal essa Páscoa?"

 


Levezinha.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

A pergunta que ninguém tem coragem de fazer hoje

 

Mas que a Ana dá o corpo às balas e faz, a gritar-me da cozinha, enquanto abre a porta do frigorífico:
"Mãããeeeee: fiambre é carne?"

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Não sei o que mais me espanta...

 


... se o facto da minha filha achar ok vestir o vestido de lantejoulas num dia absolutamente normal ou se o facto dela ter conseguido regatear o Sabichão numa feira em segunda-mão pelo preço de 2 euros.

Dias normais




A maravilha do regresso à normalidade dos dias cá dentro. Lá fora continua tudo uma merda: guerra, violação dos direitos humanos, incerteza e a angustia de estarmos à mercê de um ditador russo psicótico.

Mas cá dentro- por mais egocêntrico que pareça- é sempre pior. Porque antes de morarmos no Mundo moramos em nós.

A maravilha do regresso à normalidade. A minha mãe bem, de regresso ao trabalho. A minha mãe sem fumar há mais de um mês e eu sentir o cheiro da minha mãe pela primeira vez, sem resquícios de fumo e de tabaco. A Ana de férias de Páscoa, criativa e energética, às vezes- como agora- estiraçada no sofá a ver uma série na Netflix. A gata a apanhar o sol tímido desta manhã de Abril no peitoral da janela. O Rui em tele-trabalho noutra divisão, eu aqui na sala. Silêncio bom, por escolha e não por angústia ou medo das palavras, na casa. Cheira a café quente na cozinha, acabado de fazer com café solúvel e água fervida e eu acho que vou vender a máquina de pastilhas e comprar uma cafeteira das antigas.

Não faço ainda a cama. Deixo arejar os lençóis sob a incrível colcha de lã de tear que gamei à minha sogra da última vez que estive nos Açores. Já consegui dormir sem insónias, já consigo respirar sem nós na garganta nem a ansiedade a esmiufrar-me o peito.

Agradecemos muitas vezes os dias especiais e esquecemo-nos de valorizar os dias normais, sem sobressaltos e previsíveis, seguros e felizes por definição.

Lá fora está uma merda, eu sei, mas antes de moramos no Mundo moramos em nós. E em nós regressa a normalidade e o aconchego dos dias banais.

Que bom que é.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Piadola eclética só perceptível por apreciadores de chá

 

Mámen para a Ana (com ar trocista): "Sabes, hoje a mãe mandou um chá para o pai muito bom..."
Eu: "Hey: não te mandei chá ! Só O ARROZ meio queimado..."
Mámen (a correr risco de vida sem o saber): "Ah, era arroz? Achei que era chá lapsang souchong mas em bagas ..."


(Estupor!)

O Mundo divide-se entre...

 

... quem adora peixinhos da horta e os outros.

Find (kima) Wally




(Até a gata é choné, senhores! Até a gata!)

Panquecas com xarope de misérias

 

Ofereceram-me uma máquina própria, fiz a massa direitinha, sem me enganar numa só medida de farinha, açúcar e leite. À primeira porção de massa percebo que me esqueci de untar a superfície da máquina, a puta da massa enrola, cola-se tudo às bordas e desisto com a grande javardice da massa a parecer argamassa colada no raio de um metro de toda a bancada.
Nas panquecas, como na vida

Happy wife. happy life


Acordei mais cedo para fazer arroz para levar nas marmitas.
Despassarei-me e o arroz queimou um bocadinho por baixo.
Mámen levantou-se, foi à cozinha, fez um ar de gozo e ia dizer qualquer coisa mas eu lancei-lhe o olhar de esguelha antes.
Resposta imediata: " Huuuumm, arroz na brasa: adoro!"

...

terça-feira, 12 de abril de 2022

Ao cuidado dos meus fregueses que estão com covid esta semana


Esta semana?! Assim à má fila quando a minha colega está de férias e estou sozinha no estaminé?
Pffff.
Vocês não prestam!
O vosso covid é de restos de colecção, pá!

A Filipa Gomes tem sucessora

 

Ana avisa: "vou fardar-me e vou fazer peixinhos da horta para a cozinha".
Usa a expressão "fardar".
Vou à cozinha e encontro-a assim "fardada":






...

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Fátima

 

Tenho uma relação atribulada com a religião.
Cheguei, aos 41, a um compromisso: tudo o que nos faz sentir bem, acrescenta. Haja ou não racionalidade ou ciência, factos ou evidências: a fé é que nos salva sempre. E a fé pode ter diferentes metamorfoses: podemos ter fé no universo, num Deus, em várias entidades ou nas fadas e nos unicórnios, como a Ana. E tudo é válido, tudo é certo, desde que nos faça sentir bem, desde que nos faça sentir melhor.

A última vez que vim a Fátima com o meu avô, num Citroen AX a cair de podre, com o Rui a fazer a transferência dele para a cadeira de rodas praticamente de bruços, o meu avô chorou como se fosse um menino pequeno. Que era a última vez que cá viria e que, por isso, se queria demorar. Queria ter um lenço e dizer adeus à imagem de Nossa Senhora de Fátima. Queria cantar baixinho, e já sem força nos músculos oro-faciais, o avé Maria. "Ai que parvoíce, avô: claro que voltamos! Que disparate!". Era o que eu desejava, que o tempo de vida do meu avô fosse infinito e que pudessemos voltar sempre. Todas as vezes que nos apetecesse, comigo mais velha, num carro menos rasca, com mais conforto. Mas ambos sabíamos que aquela seria mesmo a última vez e, por isso, dessa vez demorámos todo o tempo do mundo, queimámos velas e ficámos muito tempo a vê-las arder, acenámos com um lenço branco ao passar da imagem e cantámos juntos e baixinho que "apareceu brilhando, a virgem Maria".

Não sei se apareceu ou não. Ao meu avô fez bem, acrescentou.

Quando aqui volto, desde então, venho sempre- sem excepção - ao encontro do meu avô.
Hoje vim agradecer bênçãos: a minha mãe, o novo desafio. Numa semana subi do Inferno ao Céu e não sei que intervenção divina foi esta mas tenho que agradecer: à virgem, ao meu avô, aos meus mortos que mantêm a sua energia sobre mim e me protegem. É esta a minha fé.

A Ana agradeceu a saúde da minha mãe, as boas notas e pediu proteção para os avós dos Açores.
Serena-me saber que ela tem fé e acredita que não está tudo sobre o controlo dela, que há alguma ordem no Universo e que coisas boas podem acontecer a pessoas boas.

Que ela aqui encontre, sempre, de quem vier ao encontro como eu hoje, mais uma vez, nas minhas preces, encontrei o meu avô e tive a certeza de que aquela não foi, nem nunca poderia ser, a última vez que ele aqui viria.

Ele está sempre aqui.

domingo, 10 de abril de 2022

Agora pensem qual é

 

Há tempos a Teresa, leitora do meu blog, escreveu e interpretou o hino quadripolar.
Era uma prosa incrível que não sei se ainda pára no YouTube.
A Ana andou a cantar aquilo meses seguidos, quando descobriu. Entre muitas das palavras que lá constavam a Ana acabou de eleger, agora ao jantar, a sua palavra favorita. "Esta é que é, mamã!"
"Meretrista"
Adianto que ela percebeu sempre mal a palavra e nunca tivemos coragem de a corrigir.
...

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Ir

 Há dias extraordinariamente ambivalentes.

De repente, há uma janela que se abre, se escancara para ti e tu ficas ali, sem saber se trepas, se a fechas e ficas ali, indecisa entre o calor de uma casa que conheces- onde te sentes em família, onde podes andar de pés descalços e sabes que há sempre comida quente sobre a mesa, abraços à tua espera - e o fresco das aventuras que te espera no outro lado do vidro, nas ruas desconhecidas cheias de desafios por desbravar. Sentas-te no parapeito da janela e olhas ora para dentro, ora para fora, o conforto de dentro, a casa e a família e todas as possibilidades em aberto de fora, tudo o que pode acontecer, a novidade, a mudança e tu até não és nada avessa à mudança. Fechas as portinholas e voltas para o calor? Ou pões uma mão de fora para testar a temperatura e, num salto de fé (é sempre de fé que se trata) saltas para o desconhecido (e se for um abismo? E se correr mal? E se ficares perdida ao frio? E se nunca encontrares o caminho para voltar? E se nunca mais houver volta?)?

Há dias extraordinariamente ambivalentes em que ficas de coração partido e, ao mesmo tempo, de coração acelerado porque dói sempre quando deixas quem gostas na mesma proporção do entusiasmo e da expectativa de quem está por conheceres, de quem um dia irás gostar.

Hoje foi um dia extraordinariamente ambivalente e eu vou saltar da janela porque a sorte protege os audazes e a mudança dá um medo do caraças mas nada nos lembra com mais poder de que estamos vivos.

Pode correr mal. Mas também pode correr bem.

Que a sorte, a fé e o afecto de quem fica dentro dos vidros da janela me proteja. Casa será sempre casa mas eu sou feita do verbo ir. Abram-se as janelas de par em par: estou a ir!

Vamos lá.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Respirar

 Entrava o sol pela janela e eu acreditei que era um bom pronuncio. Tinha comprado lírios violetas na véspera porque acreditei que seriam bons augúrios da chegada de uma Primavera há muito ansiada. Não no calendário, cá dentro, na vida.

Quando se tem esperança tudo nos parece simbólico e um pronuncio bom, agarramo-nos a tudo: ao sol a romper as frestas da janela, aos lírios a cantar opera desde os camarotes das jarras bonitas, a manta de rosetas da minha mãe a fazer arco-íris na sala.
As notícias vieram ao fim da tarde e eram boas. Quando a Dra. Mariana me ligou, desliguei o telefone e fiquei com os olhos cheios de lágrimas. A minha mãe está bem. Viva e bem.
Pensei que ia serenar e ter a paz que preciso tanto mas o meu cérebro pregou-me uma partida.
Desde então tem-me doido o peito e tenho tido dificuldade em respirar. Tenho que induzir o bocejo várias vezes para respirar fundo e sentir que respiro como deve de ser. Tenho tido pesadelos e noites pessimamente dormidas.

Tudo é compatível com uma crise de ansiedade desde segunda-feira. Ansiedade a estrear e com retroativos. Que me está a deixar exausta porque sou psicóloga e a reconheço teoricamente, sei de forma racional u estratégias para a minimizar e não consigo de forma alguma fazê-lo, como se ainda fosse preciso mais isto para eu perceber que não controlamos nada. Já tinha percebido há muito tempo, era escusado, mas o meu cérebro continua a sabotar-me e continuo cansada e a somatizar.

Não sei até quando.

As emoções são coisas sérias. As minhas estratégias de coping são sempre estratégias de resolução de problemas. Todas as minhas energias, perante um problema, são para a acção. Agora que posso descansar acho que o meu cérebro acha que se pode dar ao luxo de ficar triste, angustiado e doente com retroactivos.
Não posso fazer nada. Senão deixar toda a angustia acumulada passar.

A minha mãe está curada. Em breve o meu coração perceberá que pode relaxar e é tempo de comemorar.
Não sei quando. Sei que será quando conseguir apreciar sem sombras o sol, os lírios, a manta e, principalmente, a conseguir respirar outra vez.

Venha a Primavera.

Ana, a hiperbólica

 

Sem dar conta trago para a mesa uma colher de sopa para o gelado de sobremesa da Ana.
Atira a Ana: "Agora não te esqueças de trazer um remo para mexer o teu cafezinho, han!"

Açorianos perceberão


A palavra preferida do Rui é "ensocado",

À moda de São Jorge diz-se "ensucuado" e eu amo expressões açorianas, caraças! 

Fiz a mesma pergunta agora à Ana


"A minha palavra preferida é "mãe"."
"Não, Ana, esquece o significado! O som de palavra mesmo..."
"Sim, é "mãe". Eu grito o som, oiço o som e a seguir vens tu e resolves tudo e qualquer coisa ..
"Isso é muito fofo!"
"Sim, é "mãe". Empatado com "chulé". Não sei de qual gosto mais ..."

... 

Qual a vossa palavra preferida? (do ponto de vista fonético, esqueçam lá a simbologia, ok?)

 

Começo eu: psiché.
Agora vocês.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

O Mundo divide-se...

 ... entre quem prefere farófias com doce de ovos e quem prefere farófias com leite creme.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Ana, a actriz

 

Ana todos os dias, ao intervalo, brinca de ser atriz e representa os mais diversos papéis, inspirada vá se lá saber do quê.
Hoje, ao pequeno almoço, comentávamos que a minha mãe deixou de fumar e a pequena suspira:
"Tem sido complicado, mãe. Esta semana temos estado a representar Alice no País das Maravilhas e eu era sempre a lagarta que fumava e inspirava-me na avó e agora a lagarta teve que passar a mascar pastilha elástica e ficou assim um bocadinho esquisito...."
...

Precisamos de reflectir urgentemente sobre o assédio, a comunicação social e a forma como tudo anda prevertido

 

Lisboa. Março de 2022. Uma diretora de serviço de um hospital de referência demite-se depois de ter sido acusada, por dezenas de enfermeiros, enfermeiras e assistentes operacionais, de alegado assédio moral e laboral. Dezenas. Que apresentaram, em bloco, uma carta à Administração do Hospital afirmando que se não fosse aberto um inquérito interno e uma averiguação, avançariam para a barra dos tribunais.
Face a isto a Administração decidiu abrir o inquérito, ouvir as dezenas de pessoas e, na sequência disto, suspender a profissional da suas funções que, segundo as notícias de orgãos de comunicação social mais sérios, se viu forçada a apresentar demissão neste contexto. E que o fez.
Jornal Expresso. Abril de 2022. Sai uma notícia que avança que "Em declarações ao Expresso, a médica disse que foi uma decisão pessoal e apontou como motivo a forma como se gerem as pessoas no Serviço Nacional de Saúde".
O Expresso, um jornal que sempre considerei sério, isento e de referencia, escreve exactamente esta notícia a propósito do caso:
"Sem adiantar em concreto o que a fez abandonar o SNS depois de uma carreira dedicada à prestação de cuidados na rede pública, a pediatra acrescentou apenas: “Não estou zangada com o SNS, que sempre servi com lealdade e com o melhor do meu conhecimento técnico. Este ciclo está encerrado.” (...)
Acrescenta a notícia "O fim de funções da responsável pela Infeciologia do Dona Estefânia é conhecido na mesma semana em que o hospital deixou de conseguir assegurar exames de imagiologia, como ecografias, no período noturno (a partir das 20 horas) por falta de profissionais."
Remata, ainda, com "Ao Expresso, a administração garante que tenta encontrar uma solução: “Há uma efetiva falta de radiologistas no SNS, cenário que complica a gestão das escalas. Estamos a procurar uma solução definitiva a contar a partir de 1 de abril, pois até esta data tudo está assegurado. Reforçamos que nenhuma criança deixa de ser vista ou fica sem cuidados.”
Temos, portando, uma culpabilização encapotada do SNS face à saída de profissionais especialistas e aparentemente com elevada competência técnica dos hospitais, por não lhes serem garantidas condições mínimas de trabalho.
Zero referências às acusações de alegado bullying, denunciado por DEZENAS de profissionais. Zero referências ao inquérito que foi aberto, à suspensão da profissional que daí resultou. Zero voz às DEZENAS de profissionais que alegadamente foram vítimas de assédio por parte desta senhora.
A caixa de comentários é inanarrável: as pessoas são facilmente manipuladas porque não procuram mais informação, porque lhes comem o que lhes põem à frente. Não as culpo. Houve tempos em que, se lesse no Expresso, não precisaria de procurar em mais lado nenhum. Não são estes os tempos.
Um profissional, especialmente, um médico faz-se de "humanidade" e amor às pessoas". Escrevi-o há dias a propósito da sorte que tenho em encontrar médicos incríveis no meu caminho. E enfermeiros e enfermeiras. E assistentes operacionais. Também nesse hospital de que se fala nas notícias, onde nasci, onde fui seguida e onde já colaborei como profissional.
Lisboa. Abril de 2022. Um abraço para todas as vítimas que são esquecidas nas notícias, que são duplamente violentadas com o desprezo da comunicação social e a falta de um espaço onde possam ter voz, onde possam denunciar abusos, onde possam alertar outros pares do que não é aceitável. Um abraço a todas as vítimas que, dão corpo, sangue e suor por um serviço público frágil mas cheio de gente com valor e que têm que ler que o SNS não presta e que por isso deixa sair "os melhores", os "especialistas", os "diretores".
O SNS está vivo graças a estas pessoas. A estas vítimas também. E graças à valentia e coragem de enfermeiros, enfermeiras e assistentes pessoais que, em bloco, não aceitam menos que o respeito que merecem e não permitem que o SNS perpetue desumanidade. Saibam que vos escuto e que muito gostaria de ouvir bem alto a vossa voz.
Para vocês: o meu mais profundo obrigada.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O melhor da pandemia


Começo eu: não ter que enfrentar a perda de tempo imposta pelo trânsito.


O pior da pandemia


Começo eu: os diretos de vendas no facebook.
Agora vocês.

Esta loucura boa de ser mãe

 

Chegamos- atrasadas- ao portão da escola.
Ana sai do carro a equilibrar a lancheira, muito despachada, bate com a porta do carro e toca à campainha do portão para que lho abram.
Naquele compasso de espera, em que o nosso carro não arranca porque ela ainda não entrou, grito-lhe da janela do carro: "És liiinda!"
Ela vira-se para mim, pisca o olho, e atira um "Foste tu que fizeste, sua maluca!"
...

domingo, 3 de abril de 2022

O Mundo divide-se...


... entre as pessoas que têm, pelo menos, um sobrenome que é o nome de uma terra e as outras.

Ah, assim faz sentido!

 

Acordei às 08h. Adormeci a seguir ao almoço e estive a fazer uma sesta no sofá até agora.
Passei, portanto, a ser uma pessoa que dorme em suaves prestações....

FML.

La decadence

 

É domingo, a Ana está a passar o fim-de-semana na tia e eu acordo às 08h da manhã. Sem despertador.
A seguir o quê?

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Suspiro*


Apresento-vos a Alícia Sierra de Alcabideche...




Uma hora de nerf cá em casa

 

Este ano substituo a tradicional caça ao ovo na Páscoa pela caça às balas, caraças!

Pronto, a miúda ganhou uma Nerf*

 

"Sou a Alicia Sierra de Alcabideche, mamã"
...


[* Para quem, como eu até há horas não sabe o que é: uma pistola tipo paintball com balas de borracha...]


[** Leitoras fofinhas que trabalham na CPCJ: ups, foi sem querer que a deixámos ver a Casa de Papel...]

Como saber que uma criança é filha de um casal de psicólogos?

 

Ana chega da escola super querida comigo, toda ela mimos e festinhas e risinhos e tudo, e o pai fica atónito e ofendido a olhar para ela armado em Calimero.
Resposta da bicha :
"Ai pai: tem paciência que eu hoje estou com a Electra avariada..."
Freud ficaria orgulhoso, caraças!

quinta-feira, 31 de março de 2022

Hospital de Santa Maria

  


Para se ser um bom profissional são precisas muitas coisas: formação, experiência, dedicação, interesse, motivação, disciplina, competência, brio, capacidade de entrega, inspiração. Acredito que para todas as profissões mas em particular para os médicos.

Não se trata de ser a profissão mais nobre, que isto não é uma competição de ego e estatuto mas, especialmente, de ser a profissão que segura as vidas de todos nós, com cuidado, nas mãos.

Conheci dezenas de médicos ao longo da minha vida: sou uma paciente com doutoramento. Talvez por isso, na óptica muito experiente do utilizador, consiga perceber o que faz de um bom médico um médico excepcional. Seja em que especialidade for.

Quando entrei pelas urgências do Santa Maria com a minha mãe tive o pior dia da minha vida. Para além das notícias e do prognóstico difícil , sair dum hospital distrital como acabávamos de sair (onde conhecemos os cantos à casa e profissionais lá dentro) para um central, gigante e labirinto, assusta e desorienta.

Foi esta médica que me acolheu. À minha mãe mas especialmente a mim, em pânico e desvairada, cheia de medo e de tristeza e me deu tempo para falar, para perguntar, me esclareceu todas as dúvidas, me apazigoou, me permitiu acompanhar a minha mãe, não fez nenhum juízo de valor, nunca deixou de encontrar um espaço para vir falar comigo e me orientar. E percebi que é isto e só isto que faz um médico excepcional: o serviço às pessoas, a sensibilidade, a atenção e, sobretudo, a humanidade.

Diz-se que quem nossos filhos beija, nossa boca adoça. Eu acrescento que quem nossas mães trata com respeito e humanidade, aos nossos corações dá colo.

Chama-se Mariana Caetano, é médica otorrinolaringologista do Hospital de Santa Maria e, por mais vidas que viva, nunca lhe conseguirei agradecer.

Talvez este texto nunca lhe chegue às mãos mas fica aqui para que todos decorem o seu nome: Mariana Caetano. Mariana Caetano: médica mas, sobretudo, pessoa.

Obrigada pelo amor. É sempre de amor ao outro que se trata.

quarta-feira, 30 de março de 2022

Melodia de só desgostos em estrogénio maior*

 

"Estou assim, mãe, asssim- e junta o indicador com o polegar- de me tornar uma fashionista. Vais ter que lidar com o desgosto. Estas meias são mesmo wow, não picam nada. Estou mortinha por usar saltos altos e batom encarnado e vestidos de lantejoulas e glitering. Quando for adulta vou para todo o lado de lantejoulas, vais ver. E vou continuar a ter um Instagram de costas mas com todas as minhas roupas. A tua amiga diz que eu tenho as costas mais famosas da internet. Imagina quando nas minhas costas forem só lantejoulas, imaginas? Lantejoulas douradas sempre. Vou parecer um globo de ouro igual aqueles da SIC... "

Ana, 9 anos e picos


(* Foi karma lançado pela minha amiga Mónica Lice )

terça-feira, 29 de março de 2022

Só para nascidos nos anos 80

 


Tenho a rencarnação da viúva Porcina em casa...






FML

Ah, o sabor da pré-adolescência pela manhã

 

"Mãe, vamos ter que ter esta conversa: podes parar de me comprar collants de lã que eu gosto mesmo é daqueles de mousse macia na pele?"
...

domingo, 27 de março de 2022

Se calhar tenho que a inscrever numa arte marcial

 

A Ana quis ajudar-me a amaciar uns bifes de alcatra com o martelo da carne.

O almoço vai ser bolonhesa...

sábado, 19 de março de 2022

Como vive uma criança sem pai?

 

Como vive uma criança sem pai? Pergunto-me muitas vezes, olhando para os outros que conheço sem pai, mas olhando especialmente para dentro.
Eu tinha um pai. Era divertido, presente, falador e extrovertido, brincalhão mas, acima de tudo, era o meu. Um dia ele foi embora e eu fiquei com um espaço vazio para sempre.
Cresce-se sem pai. Sobrevive-se sem pai. Aprende-se sem pai. Até se pode ser feliz sem pai. Estou aqui a comprová-lo.
Mas cresce-se a pensar que não se é importante o suficiente para o pai ter escolhido ficar. Sobrevive-se a pensar que um dia talvez se consiga compreender o porquê, se consiga explicar como aconteceu, entender razões, não ser culpa nossa que os adultos confundissem conjugalidade com parentalidade, atirar as culpas para quem escolheu não nos escolher; sobrevive-se a tentar preencher esse espaço vazio com outras figuras de referência, a mãe que também é pai mas que nunca consegue ser, coitada, é um puzzle e o formato dela não encaixa naquele buraco, o avô que até é homem mas que nunca consegue ser pai por ternura a mais, gap geracional, os avôs nunca conseguem ser os mais fortes. E aprende-se que esse espaço vazio nunca se preenche porque é uma amputação no crescimento e tudo o resto são próteses para a alma, e a alma aprende a andar mas o campeonato é outro, não é a mesma velocidade, a mesma estrutura emocional, não é a mesma certeza de amor inabalável. Não se cura. Não se preenche. Não se substitui.
Aprende-se a ser feliz sem pai. Estou aqui a comprová-lo. Sou uma pessoa feliz, contente com quem é e com o modo como a vida vai correndo.
Quando os vejo - Rui e Ana- percebo o bom que deve ser esse amor que vocês falam, os posts com as fotografias dos vossos pais no dia do Pai, essa estrutura firme e rochosa do amor entre pais e filhos (ah, e filhas ..) e fico com pena.
Não apenas de não viver isso igual mas com muita pena do meu pai ter escolhido que não queria viver isso comigo. Não foi só ele que perdeu. Fomos os dois.
Mas eu ganhei a minha mãe que também foi pai, o meu avô, os meus tios. E agora o Rui. Foram todos eles que me ensinaram a ser feliz, querida, amada, importada e importante mesmo sem pai. O amor regenera.
Obrigada.
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