quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O S. Valentim é quando uma ursa quiser...

         

Amizade em tempos de cólera




Ser amigo não é uma tarefa fácil. Falo quer do ponto de vista do emissor da amizade como do receptor, nesta dupla função que todos desempenhamos naquele que, a meu ver, é o único papel que implica reciprocidade.
Pode-se estar apaixonado sem ser correspondido. Pode-se ser amado ser amante. Mas amigo, não. Pode-se até gostar de pessoas quem nem estão aí para nós, ou que ignoram a nossa existência ou que- simplesmente- lhe são indiferentes. Eu, por exemplo, gosto muito do Jorge Palma e ele não está nem aí para mim. Nem sempre- aliás, na maioria das vezes- as pessoas de quem gostamos têm que ser  nossas amigas, embora muita gente tenda a confundir as coisas e achem que" gosto, logo existo como amigo".
Eu não tenho vida para ter um rancho de amigos, embora a minha vontade e motivação idealista gostasse de acenar afirmativamente que, sim senhora, vamos lá  a isso, all together now. 
Ser amigo desgasta e cansa e é preciso força anímica para isso. Para gostar não, gosta-se como se respira, com naturalidade ou porque nos agradam os valores da pessoa, ou porque simpatizamos com os seus modos ou apreciamos a sua companhia. Ou, no meu caso patológico com o Jorge Palma , porque se admira a inteligência, a voz e a poesia. Mas isso não faz se nós amigos.
Há alturas na vida em que é difícil ser amigo. E nem é nas alturas em que dá trabalho, gasta-se energia, precisamos de dedicar tempo, paciência, ajeitar os ombros para lhos chorarem em cima, mudar as nossas vidas para estar presente ou apoiar quando nem se concorda. Ser amigo é especialmente difícil quando o amigo, do lado de lá, fica quieto e sossegado e pede um tempo.
Dar um tempo no amor é duro mas está na cartilha das relações e implica uma de duas estratégias: a célebre técnica do EAP (encostar à parede) do "ouve lá, queres tempo, compra um relógio, seu bandido! Onde já se viu? Eu dou-te um tempo, ah se dou! Queres andar aí a mijar fora do penico em reflexões do "problema-não- és-tu-sou-eu" e esperas que depois eu esteja aqui à tua espera de braços abertos, à tua mercê, era mais o que faltava, tira mazé o cavalinho da chuva, espera lá mas é sentado!"; ou a técnica do choro, crise existencial e drama melodramático que encurta o tempo para meio dia e "vamos fazer as pazes e o sexo louco e desenfreado e já passou!"
Na amizade ninguém está habituado a pedir tempos. As pessoas ficam muito confusas quando a outra pessoa diz que não lhe apetece ir ao cinema sem inventar uma desculpa que não magoe nem fazendo o sacrifício para agradar à amizade. Na amizade quase ninguém percebe que a necessidade de silêncio, de afastamento, de resguardo ou apenas de solidão não implica zanga, discórdia, mágoa ou cólera e que aquilo do "o problema não és tu, sou eu" não é a balela que se pratica no amor.
Amar é mais fácil que ser-se amigo. Amar é uma acção, um estado de espírito, uma forma de viver. Ser-se amigo é uma parte da nossa existência, é um contínuo, um bocado de ser. Por isso não se pode amar sem gostar com todos os altos e baixos que traz o amor, a paixão e os sentimentos em looping dentro de nós. Pode-se amar sem ser amado com toda a dor, raiva, zanga e revolta em looping dentro de nós. Amar é uma viagem de montanha russa. É uma corrida de obstáculos, uma prova de atletismo que se renova, um triatlo constante
Ser amigo implica gostar mas é mais restrito porque pode-se gostar de muita gente sem sermos seus amigos mas não se pode ser amigo sem que o destinatário da nossa amizade goste de nós. Ser amigo é extremamente exclusivo porque implica essa reciprocidade, essa lealdade, esse respeito pelo outro como parte integrante de nós, essa compreensão dos tempos e dos espaços, da necessidade de presença ou de afastamento, essa gestão astuta da "presência", essa certeza de que- aconteça o que acontecer- eu farei a minha parte para preservar isto que há entre nós para sempre. Mesmo que não compreenda, mesmo que não concorde, mesmo que seja difícil de aceitar. Gostar e ser gostado é o compromisso mais sério desta vida. Ser amigo é uma viagem de cruzeiro. Uma viagem em alto mar. Uma maratona.

Obrigada aos meus amigos que respeitam os meus tempos. Que não exigem. Que não cobram. Que perdoam e relevam. Que percebem a necessidade de silêncio, de afastamento, de solidão. Que sorriem face à ausência de telemóvel. Que quando me encontram sorriem como da primeira vez. Ninguém pode gostar do outro e deixar-se gostar sem ter os seus tempos acertados, os seus espaços individuais arrumados, a sua energia recarregada, Obrigada por esperarem, sempre. Por se manterem. Por continuarem aí, para mim.

Levantei-me da rede. O meu coração é vosso.

[Feliz Dia dos Amigos.
Porque  o Dia dos Amigos é quando uma ursa quiser. ]

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que se queixam do frio e as pessoas que se queixam das pessoas que se queixam do frio.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Aos 13 de Janeiro de 2017 por ocasião da comemoração do nosso 18º aniversário de namoro




18 anos.
Pode, finalmente, sair à rua em traje de festa.
Pode disfarçar os restos de acne que acusam a sua recente adolescência, colocar maquilhagem para parecer mais adulto e sorrir com o sorriso de sempre, feliz por existir. Por resistir.
Pode não se arrepender dos erros, pode lembrar-se de cada aprendizagem, pode colecionar memórias de dias solarengos e chuvosos, pode sentir nos ossos e nas rugas a passagem do tempo. E sentir-se confiante por tudo o que viveu e o que tem para viver,
Pode assinar os seus papéis, ser encarregado da própria educação, gerir a sua vida sozinho.
Pode beber para comemorar, ter porte de arma para matar intrusos, militar-se no partido do felizes para sempre.
Pode fazer uma tatuagem na pele com a certeza que nunca se vai arrepender, fazer um piercing só por rebeldia, sentir-se crescido, adulto e confiante.
Pode votar nas suas opções, conduzir em todos os seus caminhos, ser responsabilizado pelas suas decisões.
Pode, este amor, ser independente, decisor, livre.
Pode ser o amor de sempre. Desde o primeiro dia. Com todas as suas perfeições e imperfeições. Toda a vida vivida. Toda a essência que o fez chegar aqui.
Pode fazer tudo o que lhe der na real gana.

Amor Maior.
Pode ser, exactamente, como sempre foi.

[Parabéns a nós.]

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Manias

Sair de casa só a horas certas. Latas. Comer sempre na mesa da sala de jantar. Estender a roupa com as molas todas emparelhadas por cor. Caderninhos comprados compulsivamente e que nunca tenho coragem de estrear com rabiscos. Ler sempre antes de dormir. Relógios. Cantar sempre que oiço música no carro (mesmo que desconheça por completo a letra). Ter sempre água fresca no frigorífico. Conservar no roupeiro roupa que nunca mais voltará a estar na moda (e que, também, nunca mais me irá servir) por razões emocionais. Comprar frescos em quantidade suficiente que daria para alimentar um exército para os acabar por ver estragar no frigorífico. Descalçar-me assim que chego a casa. Comprar agendas e achar que este ano é que é... e escrever nelas só até fevereiro. Cheirar livros novos. Nunca lhes dobrar páginas. Contas de instagram de casas bonitas. Levar sempre para férias uma mini-farmácia na mala de viagem como se não houvesse farmácias no destino. Ler blogs só de gente de quem gosto. Mergulhar sem conseguir tirar o dedo do nariz. Óculos de sol. Dizer que não tenho qualquer mania.

Uma quadripolarização especial



Esta é a minha melhor amiga.
Quando percebi que ela estava apaixonada por um muçulmano torci o nariz, desconfiei muito, e só não agoirei porque gosto tanto dela que não podia torcer para que desse errado uma coisa que ela queria tanto que desse tanto certo.
Não acolhi o novo membro do clã como ele merecia. Deixei o meu preconceito, os meus estereótipos, o meu etnocentrismo dominar-me durante muito tempo, mais do que o razoável, demais o suficiente para me envergonhar.
Foi um processo moroso o de dar hipótese à pessoa em detrimento da sua religião, dos seus costumes, dos seus hábitos.
Hoje gosto muito dele. Mais do que alguma vez imaginava. Senti-o verdadeiramente quando, passados muitos anos, no último Verão nos abraçámos na maternidade. Ela não viu o abraço. Mas foi um abraço muito bonito e sincero, muito sentido.
Partilhei com ele um dos dias mais bonitos das suas vidas. Talvez o mais bonito de todos. Estava lá, não só testemunha de uma sobrinha especial, como a participar naquela bênção.
A minha sobrinha é filha de uma judia e de um muçulmano como se fosse um prenúncio do entendimento israelo-árabe, mais do que tolerância: de celebração da diversidade.
Esta quadripolarização do Líbano aconchega-me mais do que todas as outras. É a quadripolarização de uma amizade sem fronteiras. Que derruba todos os preconceitos, estereótipos, intolerância e sentimentos que, hoje, muito me envergonham.
À sua maneira, é uma quadripolarização de amor.


 [Líbano quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Eu avisei que em 2017 ia rebentar com o rácio de quadripolarizações por mês


"Quadripolarizámos o Japão!
Achei que o castelo Himeji, o "cisne branco", ficava bem na tua colecção. "

Beijo enorme com uma pontinha de inveja, querida Luisa.
Mil obrigadas com sabor a sushi!

 [Todos os países quadripolarizados aqui]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem passa TODAS as refeições dos primeiros dias do ano novo a morfar os restos das Festas e os outros.


E a estrear o ano quadripolar


... Israel finalmente quadripolarizado pela querida Andreia!

<3


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

domingo, 1 de janeiro de 2017

No último ano (adeus 2016)



Comecei o ano numa festa de garagem. Confirmei a minha paixão pela gastronomia do Médio Oriente. E do Líbano, em particular. Preocupei-me meses seguidos com a saúde da Ana. A Ana mudou de sala e deixou de ficar doente. Fui ao Porto uma vez, duas, dezenas. Rendi-me às evidências que a minha colite e a minha falta de vesícula não se coadunam com francesinhas. Com muita pena minha. Graças à Mónica Lice e a um grupo espectacular de voluntários vi a ASBIHP ser pintada e ficar com uma cara tão limpinha. Voltei à Polícia Judiciária e ajudei a tornar a sala de vítimas de pedofilia um sítio digno e de afectos. Choraminguei ao ver o resultado final. Ajudei a Ana a completar a sua primeira colecção de cromos. Mascarei a Ana de sereia. Aprendi a trabalhar com uma pistola de cola quente. E vi-a muito, muito feliz. Conheci a pessoa mais importante deste ano (a Leonela) e que, em 2016, mudou a vida da Ana Rita, suportando os custos de uma professora que, durante todo o ano, a ensinou a ler. Fui à Serra da Estrela ver neve e não vi um floco sequer. Cantei os parabéns ao meu amor rodeada de estranhos. Voltei ao Grande Hotel das Caldas das Felgueiras e senti-me, como sempre, em casa. Dancei música cubana no Carnaval. Comemorei o dia dos namorados em casa, a três, a comer uma pizza pirosa em forma de coração. Fui ao Teatro São Luiz ver um meu amigo actor no palco. Tive uma paixão platónica pela Catarina Wallenstein. Senti orgulho pela Bairro do Amor ajudar a concretizar o sonho de uma pequena bailarina. Contei com a minha grande amiga Ana Isabel e a sua Móvel Vivo para tornarem as noites da Rita e do Luis mais dignas. Vi a Segurança Social saldar contas comigo. Reuni com a Marta, a Neuza e a Rafaela em Coimbra e sonhámos juntas muitas coisas que se concretizaram no ano que passou. Apaixonei-me pelo Galerias. Parti um dente a comer um caramelo. Recusei 5 convites para ir à televisão. Disse, porém, em directo na televisão nacional que tem dias que sou um bocadinho cabra. Deixei a Marta Tex provar-me que toda a gente- mesmo a com a motricidade fina de uma foca como eu- consegue desenhar. Apanhei erva azeda com a minha filha. Rejubilei com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ostentei. orgulhosa, a minha pulseira do Bairro do Amor criada pela Fio a Pavio. Instituí, oficialmente, ao sábado de manhã, o pequeno almoço de panquecas. Reabracei os meus amigos Xana e Vitor. Jantei na melhor varanda de Lisboa a melhor comida do Mundo nos Fenícios. Voltei ao Foxtrot. Fui em trabalho aos Açores. Levei a minha filha comigo para rever os avós. Declarei, oficialmente, o Faial como a ilha que mais tem eu ver comigo nos Açores. Lambuzei-me em sopas do Espírito Santo e em alcatra com milho como se não houvesse amanhã. Fiz sempre continência a kima de maracujá. Descobri a CASA e rotulei-a como o melhor spot dos Açores. Brindei com gin no Peter's. Dei entrevistas para alguns de jornais. Ouvi do meu amigo Luis as piores notícias que alguém pode ouvir. Fui portadora das mesmas e dei-as aos meus. Trocei das prendas "úteis" do Dia da Mãe que se fazem nas escolas. Mas adorei a inutilidade que a Ana me ofereceu.  Recebi o honroso convite para falar sobre a minha experiência como autora de um blog na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. E dei o meu melhor. Emocionei-me com a corrente de amor, de Norte a Sul do país, que se traduziu na organização de tantos eventos solidários para se angariar fundos para o desafio semestral do Bairro do Amor. Dei uma folga às minhas maleitas e comi a  única francesinha do ano na Francesinha Solidária, organizada pelo Bairro do Amor Porto e pela minha querida Marta. Fui sempre bem recebida pela Flávia. Assisti a um karaoke do demo num bar em frente à praia do Senhor da Pedra. Tornei a Casinha, no Porto, num dos meus spots preferidos. Provei o melhor waffle do Mundo pelas mãos do David e da Ana Águas. Fui feliz com o meu casal preferido de todos os tempos na Ericeira. Palmilhei Budapeste a pé de lés a lés, de madrugada. Atravesse a Chain Bridge a namorar. Andei de mãos dadas na Ilha Margarita. Assisti a partidas de futebol da selecção nacional no meio de muitos húngaros. Perdi um voo e desta vez não foi por culpa minha. Acompanhei a minha melhor amiga nas suas aflições de pré-mamã sempre que fui requisitada para tal. Adoptei Papo-Seco- o gato. Conheci Jesus e ele é goês. Vi Portugal consagrar-se campeão europeu de futebol. Subi ao Porto para participar numa renovação de um orfanato muito especial e isso foi, provavelmente, uma das coisas mais bonitas em que já participei na minha vida. Passei o meu aniversário com as minhas pessoas preferidas no Mundo no querido Hotel Golf-Mar. Recebi, pela última vez, uma chamada do meu tio no meu dia de aniversário a desejar-me parabéns. Abracei a minha irmã de outros pais (um xi-coração Xuxi!)  e embebedei-me com ela no Jardim da Parada para comemorar os meus 36 anos de vida. Tive saudades dela muitos dias ao longo do ano. Comovi-me nas bodas de prata e na renovação de votos dos meus amigos Vanda e Paulo. O meu tio morreu comigo à sua cabeceira. Fiquei com uma dívida de gratidão eterna ao meu amigo Luis. Chorei muito, sozinha. Almocei com as minhas bloggers preferidas e senti-me minúscula ao seu lado (beijinhos Mariana, Rita Maria, Luna, São João, Joana, Izzie e Dora). Confiei a minha filha às minhas grandes amigas Rosa e Cláudia e reforcei a certeza de saber com quem posso sempre contar. Fui à Tailândia com a Paula e a São João. Conheci a minha tia Maria Francisco num encontro inesperado. Fui ao mercado todos os sábado de manhã que pude numa rotina que me é tão doce. Conheci a minha sobrinha Lara, acabada de nascer, nos Lusíadas. A Somersby foi minha grande companheira de Verão. Soltei as minhas feras. Organizei uma festa de aniversário de sereias para a Ana com a ajuda da Maria João. Todos os meus amigos acorreram para me mimar na festa de aniversário da minha filha. Fiz a minha filha muito, mas mesmo muito, feliz. Fui ao S&J fazer madeixas e saí com o cabelo todo queimado. Jurei a mim mesma nunca mais ir a um cabeleireiro de shopping.  Contei com a ajuda de muitos amigos para que 30 colonos pudessem desfrutar de uma semana de férias memorável (obrigada a todos, nunca vos conseguirei agradecer o suficiente!). Trabalhámos a questão da imagem e da autoestima e defrontei-me com diferenças notáveis em cada um dos participantes (obrigada Mónica Lice, Ema, Sílvia e Ana Manana!). Mudámos a vida de muita gente.  Assisti a um luau. Vi pessoas com deficiência motora andarem de Harley graças a um conjunto de amigos do meu coração (Tehur, Tiago and whole great family; love you!).  Contei com os braços de amigos (Luis, Hugo, Manelita e Marta: sois os maiores!) para que alguns amigos com deficiência gozassem as únicas idas à praia e saídas nocturnas do seu ano. Contei com a ajuda preciosa e única da minhas Dé, Mep, Ziza e Diana numa semana inteira de voluntariado em versão Big Brother. Apresentei à minha filha a Aldeia José Franco. Comprei-lhe uns binóculos e deslumbrámo-nos na Tapada de Mafra. Fizemos muita praia, quase sempre seguida de pão com chouriço estaladiço ao entardecer. Ouvi as gargalhadas revigorantes da Ana e da sua melhor amiga Laura dentro de bolas gigantes no Clube Vimeiro. E nós os pais juntámo-nos. Tomámos tantos banhos de mar quanto conseguímos. Eu e mámen celebrámos 10 anos de casamento no aldeamento mais bonito de Portugal no Luz Houses. Reencontrei-me com Deus graças ao padre Cruz. Renovámos os nossos votos na igreja do Hospital dosCapuchos, no meio de uma multidão de desconhecidos e foi libertador. Fomos felizes em Tomar. Comemorei os 81 anos do meu tio-avô numa noite encantadora. Li, todas as noites, uma história à minha filha antes de dormir. Estive muito doente. Não corri nenhuma maratona. Participei num fim-de-semana memorável onde pessoas com mobilidade reduzida puderam experimentar desportos radicais. Contei com a minha amiga Sandra para formar cuidadores. Conheci a Sandra. Contei com o Fred e a fabulosa equipa do Instituto de Medicina Tradicional para que utentes e cuidadores tivessem uma experiência memorável. Tive saudades do meu marido, ausente numa viagem de trabalho. Limpei as lágrimas a uma amiga querida numa noite de copos. Avarei o meu pc e, progressivamente, fu tendo menos necessidade de escrever.  Lancei as minhas fichas para que 2017 seja de crescimento profissional. Fui a sítios pela primeira vez: São João da Madeira, Arronches e Monforte. Joguei ao Tragabolas. Desejei voltar a ter uma Nikon. E um quadro bordado por uma instagramer. Reafirmei como minha causa a luta pela celebração da diversidade. Fui ao Algarve muitas vezes mas é sempre como se fosse a primeira vez. Não comecei a correr. Comi a melhor carne do alguidar do Mundo em Ponte de Sor. Deslumbrei-me com os céus carregadinhos de sonhos na 20ª edição do Festival de Balões de Ar Quente. Coleccionei brindes do LIDL para fazer a minha filha feliz. Viciei-me em açaí. Cumprimentei uma Secretária de Estado. Andei de cacilheiro. Comecei a trabalhar com uma equipa como há muito não tinha, de tão boa que é. Delirei com as primeiras frases em Inglês da Ana. Descobri a melhor tasca de sempre numa aldeia perdida da serra de Sintra graças aos meus amigos Ana Luisa e Nuno.  Provei comida indonésia na estufa fria com os meus grandes amigos Ana Margarida e Paulo. Rezaram-me um desconjuro. Percorri milhares de quilómetros. Fui ao Circo.  Ouvi a Ana Rita a ler em Dezembro. Fui uma fazedora. Lutei muito contra todos os preconceitos: meus e dos outros. Ministrei largas dezenas de horas de formação. Tornei-me- orgulhosa- cliente do Novo Banco. Vi passar apenas um mês entre ter visitado a casa dos meus sonhos e a escritura-la. Passei a viver numa casa nossa que adoro. Comovi-me com o dia em que eu e mámen nos vimos unidos pela propriedade de uma imóvel. Vivi mais de seis meses sem telemóvel. Continuei a perder muitos comboios. Chorei a morte de Prince. E a de David Bowie. O Bairro do Amor, os seus voluntários, as suas actividades e as pessoas que dele beneficiaram comoveram-me muitas, muitas vezes.  Não aderi às dietas paleo. Não me tornei vegetariana. Não comecei a correr. Em poucas horas os meus amigos ajudaram-me a angariar dinheiro suficiente para comprar 40 colchões, 40 camas, levar 30 pessoas a uma colónia de férias e presentear com um tablet 60 pessoas que precisam que a comunicação se faça de pontes. Houve guerra na Síria e eu projectei, mil vezes, a minha filha nas crianças dos outros. Nunca deixei de me sentir grata pela vida que tenho.  Dei sangue. Fui prelectora numas jornadas científicas. Fui ao pão por Deus com a Ana. Ainda não aprendi a dançar. Nem a fazer ponpons. Fui abraçar a Catarina ao Festival da Castanha de Marvão. Senti a falta da minha avó e do meu avô todos os dias. Todos. Fiquei chocada quando o Donald Trump ganhou as eleições americanas.A minha Bimby continua avariada (o preço do arranjo é pornográfico!) e já me ajeito minimamente com os tachos e as panelas. Passei a fazer parte de um cooking club. Levámos o Bairro do Amor à televisão. Senti um orgulho imenso e um amor enorme pelo facto do meu marido ter deixado de fumar. Tive medo que a minha mãe morresse.  Todos os dias tive medo. Vi o Bairro do Amor organizar o evento mais espetacular do ano: a Loja do Bairro. Assisti à festa de Natal da minha filha. Comovi-me por a Ana acreditar no Pai Natal. Vi a Calinhas entrar num crematório ao som da música russa que tocava quando ela nasceu. Percebi que o essencial é a saúde e que isso não é um clichê.  Disse "amo-te" à Ana todos os dias. Sem excepção. Senti-me bem na minha pele. Numa tremenda paz. Fui feliz.

2013 foi assim
2012 foi assim

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016 quadripolar

2016 não teria sido um ano especialmente mau se o meu tio não tivesse morrido. Mas morreu. E a par de 2008 e de 2011, anos em que perdi os meus avós, tornou-se num dos piores anos da minha vida.
Mas não foi pior que esses anos não obstante o Trump e a Síria e todo o caos no Mundo.
Não que sejamos autistas sociais mas, na verdade, o Mundo é uma coisa muito íntima e pessoal. Poderia ter havido o fim do conflito israelo-árabe, o fim da violência sob todas as formas, o Obama ter continuado na Casa Branca e Portugal ter, por milagre, ganho o Euromilhões dos países e saldado a dívida externa que nada disso teria melhorado o meu ano, quando assisti, de mãos dadas, ao último suspiro de um dos meus.
Por isso digo que o Mundo é uma coisa muito íntima e pessoal e em 2012 até poderia ter eclodido a terceira guerra mundial que ninguém conseguiria transformar o melhor ano da minha vida noutra coisa que não isso mesmo: o melhor ano da minha vida, o ano em que me tornei mãe da Ana.
2016 foi duro, áspero e azedo.
Não chorei o que deveria ter chorado por força de ter que ser forte, imposição inata de mim para mim. Por outro lado, permiti-me à tristeza profunda, ao silêncio, a não querer falar com ninguém porque não me apeteciam vozes nem palavras. Permiti-me ao pensamento como forma de afastar os meus demónios interiores, à racionalização de mãos dadas com o luxo de ouvir a minha voz interior e de lhe obedecer sem, como sempre o faço, a contrariar em prol dos outros. Abracei- aliviada!- a minha vulnerabilidade.
Em 2016 tive medos e inseguranças como mãe, mulher e pessoa. E nem sempre tomei as decisões certas. Mas deixei de me auto-flagelar por cada erro, cada tiro ao lado, cada falhanço.
Em 2016 nem sempre a vida me proporcionou as coisas certas. E percebi que o ser humano é presunçoso e acha que controla tudo. Mas depois há a sorte, o acaso, o destino e o Mundo lá fora. Em 2016 redimensionei a minha auto-percepção face ao Mundo. E aconcheguei-me, confortável e em casa, com a minha pequenez.
Em 2016 perdi pessoas que tinha e que estavam para vir. Como uma passageira num aeroporto que perde voos de chegada e partida e se sente perdida no meio do maranhal de pessoas e de caos. Deixei de olhar para o mostrador de voos e prendi-me, com força ao chão. Quis ficar em casa, em terra, chão firme e seguro da vida.
Em 2016 cresci muito, horrores e não se vê por fora mas eu sinto-o como nunca. Não envelheci, cresci, como crescem as plantas que nem sempre têm a obrigação de dar flores.
Em 2016 disse mais vezes que não podia e não queria. Fiz menos vezes fretes. Não disse sempre o que pensava para não magoar pessoas. Porque nem sempre o que nós pensamos, mesmo sendo verdade, é o melhor para se dizer. Fui, ainda assim, mais verdadeira. Não quis ganhar todas as guerras. Escolhi cada batalha. Entre ter razão e ser feliz preferi, muitas vezes, deixar de ter razão para ser feliz.
Em 2016 não tive nem um esqueleto no armário. Não me senti injusta com ninguém. Dormi, todos os dias, de consciência tranquila. Não magoei, deliberadamente, ninguém. Fui mais gentil. Fui melhor pessoa.
Em 2016 cumpri muitos objectivos. Sonhei em segredo porque percebi que quem sonha em murmúrio e não faz alarido tem mais probabilidades de os concretizar. Concretizei um sonho de uma vida. Fiz mais do que escrevi. E fiz muito, tanto, imenso, E muita gente acreditou, confiou e juntou-se a mim. Em 2016 fiz parte de uma corrente de gente fazedora. E foi absolutamente compensador.
Em 2016 dediquei-me aos outros como forma de me alimentar a mim. Ajudei a mudar vidas. Muitas vidas. E em cada contributo para a mudança na vida dos outros mudei um bocadinho a minha.
Em 2016 tive a certeza de quem está ao meu lado. E foi nisso que me foquei. Não em quem está à frente ou atrás. Mas, simplesmente, em quem está ao meu lado porque são essas as minhas pessoas. Senti-me mais segura e confiante que nunca.
Em 2016 senti-me em paz com quem sou. Senti muito. Abracei cada emoção e sentimento sem medos: os bons e os maus. Em 2016 fui a melhor pessoa que consegui ser.  E muito certa de quem sou, gostando de quem me tenho vindo a tornar.  
E, mesmo tendo sido um dos piores anos da minha vida, foi um ano em que cresci tanto que, não sendo por mais nenhum motivo, esse é o suficiente para acreditar que, em 2016, não deixei de ser feliz.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ana: a fashionista

A Ana e a minha mãe às compras:


Minha mãe: "Ana, escolhe lá quais as botas que queres que a avó te compre!"

Ana (apontando para umas botas de cano alto): "Avó, quero aquelas!

Minha mãe: " Essas não,essas são para meninas crescidas!"

Ana (insistindo): "Avó, mas eu gosto tanto!"

Minha mãe: "Ana, tem paciência, mas não. Escolhe umas destas pequeninas. Quando fores mais crescida a avó dá -te umas dessas... "

Ana (frustrada): "Avó, mas eu já tenho muitas botas de MANGA CURTA e gostava tanto de ter umas de MANGA COMPRIDA... "

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Quando voltas a blogar todos os dias, Pólo Norte?

Hoje.



[Obrigada, Vanessa! És a maior!]

Esta coisa do Thanksgiving



Agradeceria à minha mãe em primeiro e último, como se o ciclo fosse todo dentro dela (porque o é). Ao meu pai pelo contributo genético que me deu e que, de quando em vez, muito me dá jeito. Aos meus avós pela sabedoria da humildade, pela bondade, pela generosidade, pelo Minho nas veias, pelo amor sem contrapartidas nem regras. À minha tia pelo amor diferente, materno-fraternal, uma coisa de cromossoma X, de mãe sem exigência, de cumplicidade fraternal. Aos meus tios pela testosterona que o meu pai me privou, pela protecção, pelo sentir de pertença. À minha prima, por existir, não precisa de fazer mais nada, a existência dez anos depois de mim perdoam-lhe tudo, justificam-lhe tudo, dão-lhe charme em tudo. 
Ao Rui pelo plural que me trouxe e do qual não quero abdicar, pela família que somos agora, pela Ana, pelo amor que se escolhe e se deixa ser escolhido. À Ana por fazer com que tudo faça sentido, por ser o meu amor de sempre e para sempre, fechada no ciclo que desenhou em mim. 
Aos amigos, os que partiram e os que ficaram, aos que resistem e os que insistem por darem recheio a tudo isto, que são o tijolo e o cimento desta estrutura maior, isolamento térmico das paredes da minha vida. 
Sempre a pessoas. Porque a minha vida são as pessoas. 
À minha mãe, outra vez, por tudo o que me fez e que me permite ser hoje grata por quem sou e saber agradecer. 
Ao meu pai, outra vez, por tudo o que não me fez e que me permite hoje ser grata por quem me tornei e, por isso, ter necessidade de a tantos agradecer. 
Ao Rui e à Ana, amores da minha vida. 



[Tanta merda que copiam, halloweens e coisos e isto que até é bonito assobiam para o lado. Ide cagar à mata, pá!]

How to save a life?



Tive uma insónia. Vim para a sala fazer zapping. Nada de jeito na televisão. Vim para o instagram. Aborreci-me passada meia hora. Apeteceu-me escrever no blog mas tive preguiça de me levantar do sofá para ir bucar o portátil. Parei o zapping na Anatomia de Grey. Não via um episódio desde a terceira série para aí. Já não há homens bonitos na Anatomia de Grey nem a barbie loura em cujo corpo eu desejava ter nascido e da chinesa nem sombra. Passou demasiado tempo desde que eu tinha tempo para seguir séries, passou demasiada energia desde que eu tinha energia para me levantar e alcançar o portátil para blogar, passaram-me demasiados interesses pela frente desde que eu tinha interesse em ver o TLC em noites de insónias. 
Acho que virei adulta. 
Ou se calhar já o era há muito tempo mas só agora me caiu a ficha. Estou muito chata numa série de coisas, muito pragmática noutras, as vezes acho que são sinónimos: pragmatismo e chatice. Não sei bem. Cada vez tenho menos certezas e cada vez vivo melhor com esse facto. 
Ontem limpei o guarda fatos e assumi que há roupa que não vou voltar a usar. Ou porque provavelmente não voltarei a ter 50 kg ou, na maioria dos casos, porque já não tenho idade para usar t-shirts do Planet Hollywood ou camisolas com frases de afirmação tipo "I'm the boss". "Ah, a idade é um estado de espírito!" O caralhinho. Avisem as minhas costas dessa do espírito quando muda o tempo e alertem a minha incapacidade para lidar com ressacas de que afinal tem 20 anos de humor. Só que não. (Não me sinto bem como t-shirts que realcem a minha necessidade de afirmação. Cada vez preciso menos de me afirmar. Cada vez sei mais quem sou. Despida. De quaisquer artefactos, t-shirts incluídas). Desfazeres-te de roupa emocional é como te despedires de quem já foste e sabes que não voltarás a ser e assumires que não voltaras a ter 50 kg nem sequer é a parte mais dolorosa. 
Não consegui ver a parva da Meredith até ao fim mais os seus dramas de primeiro mundo (eu disse que ser pragmática era uma chatice, não disse?) e depois, ainda por cima, metia ao barulho uma criança às portas da morte e já se sabe que depois de ser mãe projecto a Ana em todas as crianças do mundo, o que é uma espécie de "maternóia" (paranóia maternal) da qual provavelmente nunca me verei livre. 
Tenho saudades da minha avó que acordava a cada insónia minha e em silêncio se enroscava ao meu lado e me embalava, mesmo adulta, até me sentir adormecida novamente. "Mesmo adulta" é um jeito de dizer porque, na verdade, só me senti adulta depois deles morrerem e de eu já não ser a menina de ninguém. E depois de hoje, depois de me ter despedido das minhas roupas tamanho "S" coloridas e cheias de certezas, para ficar com um guarda roupa de "adulta". 
Guardei a camisola roxa com uma estrela ao peito. Ele olha para mim e sorri. 
"É para, um dia, a Ana a usar"- justifico-me em voz alta. 

 (Ninguém acredita. Especialmente eu. Até porque a Ana nem gosta de roxo).

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ana, a raínha do equídeo-gado

A nova tara da Ana são unicórnios. A Elsa já se reformou (e nem quero pensar na quantidade de coisas frozenianas que tenho cá por casa), a Rapunzel não chegou a ficar velha e andamos numa fase pouco virada para personagens de filmes de animação. 
Não sei como aterrou a tara dos unicórnios cá em casa mas já não suporto os poneys mono-cornos e já vomito os bichos por todos os poros. 
Como se está a aproximar o Natal e porque a Ana fala de unicórnios com tooooda a gente achei por bem deixar um aviso público a toda a minha rede. Qualquer coisa como um status de facebook a suplicar a pedir: "Amigos queridos, POR FAVOR, não dêem todo um Mundo de unicórnios à miúda pelo Natal sob pena dela passar a ser a raínha do equídeo-gado!"
Claro que os meus amigos são uns estupores fofinhos e a minha amiga Sandra, feliz proprietária da Babyblue e estupora fofa que só ela, decidiu que não ia esperar pelo Natal para me desafiar dar um miminho à Ana e cá vai disto:

Estou preocupada com esta nova paixão da petiza e vou escrever baixinho o porquê:

A avaliar pela mochila, temo que a miúda me consiga unicórnio-evangelizar fácil, fácil. Humpft!

O Mundo divide-se entre...

... a possível vitória de Hillary Clinton nas eleições de hoje e a possibilidade do Mundo deixar de se dividir no quer que seja.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Neste momento ele está dentro de um avião..

 
 
... e eu estou ansiosa como uma adolescente a esperá-lo.
Um companheiro de uma vida acaba por se tornar em família, quer queiremos quer não, como se a vida antes dele chegar fosse embrionária nestas coisas do amor passional, do amor da conchinha na cama, do amor do cafuné no sofá, do amor da canja levada à cama quando estamos doentes e do amor do ADN misturado num filho a dois.
Há muito tempo que não estávamos separados tantos dias seguidos e é bom perceber que somos independentes, que o curso do dia segue fluido independentemente da presença um do outro, que não precisamos funcionalmente um do outro e que é isso tudo que faz com que termos decidido ficar um com o outro, que faz sabermos que estarmos juntos é sempre melhor que estarmos sós, que termos decidido ser um plural sem precisarmos um do outro mas por gostarmos tanto um do outro, torna tudo mais mágico e especial.
Um companheiro de uma vida acaba por ser parte de nós, ter lugar nos espaços que percorremos todos os dias e ter timings certos nas horas dos nossos dias.
E o bom disto das saudades é que são provisórias e não tarda muito ele está aqui a contar-me como foram os seus dias, o que aprendeu, o que me quer ensinar e todas as histórias que viveu na ausência de nós enquanto plural que somos. E o bom disto das saudades é que a distância não muda nada e não tarda nada eu conto-lhe como foram os meus dias, o que vivi, o que memorizei para não me esquecer de lhe contar e todas as pequenas histórias que vivi na ausência de nós como plural que somos. E o bom disto das saudades é lembrarmo-nos, por força da separação dos dias, da bifurcação provisória dos caminhos, que somos seres individuais e que essa individualidade se mantém e se pode transportar até ao reencontro do plural que somos.
Neste momento ele está dentro do avião. "Coração ao ar!"- assim está o meu. O bandido conquistou-me para todo o sempre.
E, sim, o bom disto das saudades é que estão quase a terminar. Um companheiro de uma vida faz parte de nós mesmo quando não estamos nós. Sim, estamos. Porque nós, independentemente de onde cada um de nós estiver no tempo ou no espaço, somos sempre um nós.
Um plural mesmo bom.

domingo, 30 de outubro de 2016

A fé que as minhas amigas têm em mim

De repente, aparece a sugestão de fazermos um cookbook club (a ideia é que um grupo de amigas fazem receitas todas do mesmo livro e se juntem para partilhar os resultados e... comer).
 
Adivinhem lá a quem foi dirigido o seguinte comentário:

"Tu levas bebidas!"

...

...

...

Os Jogos Paralímpicos já se acabaram, continua a luta e nem sempre "they can"

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Quadripolarização durante despedida de solteira? Done!


"Olá Pólo,
Finalmente segue a quadripolarização de Maastricht, na Holanda.
Tirei a foto na minha despedida de solteira, daí aquele belo ovo a adornar a paisagem, com que tive de andar todo o dia!
Coloquei "we ❤ pólo norte!" Porque efectivamente é assim, eu e 4 amigas, tudo emigrado na Holanda, somos tuas leitoras assíduas! (Ana M.,  Ana R., Liliana, Magda e Joana).
Espero que gostes! 
Bjinhos

Ana M"


Adorei, querida Ana! Que cuides dos tempos de casada que aí vêm como cuidaste desse ovo: com cuidado e zelo.

Beijinhos enormes para ti e para a outra Ana (vivam as Anas), a minha xará Lilas, a Magda e a Joana


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

sábado, 3 de setembro de 2016

Para os meninos ursos, muitos anos de amor

"Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade." 

Afonso Cruz in "Jesus Cristo Bebia Cerveja" (Alfaguara)


Estamos de partida para assinalar a data em que assumimos perante o Deus em que ele acredita e as pessoas em que eu mais acreditei e acredito na vida que, sim senhor, queríamos tentar ser o final feliz um do outro. 


Muitas vezes temo-lo conseguido.
Hoje também. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Só por causa das tosses...

Lombok(Indonésia)-Kuta, Selong Balanak Beach

Lombok(Indonésia) -Sengigi Beach

Os amigos das outras pessoas trazem-lhes ímans, canecas e t-shirts deprimentes como recuerdos das férias.
As minhas quadripolarizam-me os sítios como se espetassem uma bandeira de amizade quadripolar pelos sítios por onde passam.

Obrigada, querida Marta.


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

"Eu não quero ser bonita, eu quero ser respeitada."





Da estralópiteca São João, minha amiga e artista da cassete pirata no seu "Não mudes nunca"

O Mundo divide-se entre...

... quem está de férias em Agosto e os outros.

E assim começa Setembro...


E Singapura- pelas mãos da querida Marta na infinity pool do Marina Bay Sands- está quadripolarizada!

Obrigada, Martinha!


[Todos os países quadripolarizados aqui]

terça-feira, 30 de agosto de 2016

We’re The Superhumans!

“We’re The Superhumans” é a campanha de apoio do Channel 4 à equipa Paralímpica Inglesa nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Ao som de " I Can” assistimos a garra, superação, espírito de sacrifício, esforço, trabalho, disciplina, talento e, feito de tudo isto, desporto.

Brilhante!

              

sábado, 13 de agosto de 2016

O Mundo divide-se entre...

... quem prefere aletria e quem prefere arroz doce.

MÃEGYVER| Festa das sereias

Quando a Maria João me apresentou os serviços da Party Lovers, numa fase em que me apetecia tudo menos pensar em festas, preparativos, lanche, decoração da mesa, pude finalmente suspirar. 
Adoro organizar as festas da Ana, adoro a excitação que antecede o grande dia, o entusiasmo da Ana, a escolha do tema, o facto das minhas grandes amigas, entre as quais a madrinha da Ana, se envolverem e participarem na organização de tudo mas este ano não tinha energia nem ânimo, motivação ou disponibilidade mental para o fazer. 
E se, por um lado, gosto de acompanhar tudo, de controlar todos os detalhes, de pôr o meu amor em cada pormenor, este ano tive que me resignar à minha incapacidade para o fazer com a atenção e dedicação que a minha filha merece e confiar em alguém que fizesse a minha vez. E não me arrependi pois a Maria João percebeu o que a Ana queria e concretizou cada ideia, cada desejo, cada detalhe e organizou a festa com um ingrediente essencial, o único segredo que garantia que não se notasse a minha ausência de todo este processo: amor. 
E assim foi. O tema estava escolhido desde há meses e era Rapunzel mas, como é apanágio da minha filha, a duas semanas antes do dia, decidiu alterar a temática e andava a suspirar por uma festa com sereias. Sabíamos que queríamos um lanche de final do dia para respeitarmos as sestas de quem ainda faz sesta, para evitarmos as horas de maior calor e para conseguirmos que quem trabalha pudesse juntar-se a nós no final do expediente e foi a melhor ideia de sempre. 

Convite: Ditongo

Quanto ao espaço - e devido a todas as circunstâncias familiares- andámos à procura de um espaço que não a nossa casa (embora tenhamos espaço exterior) e, num instante, a escolha recaiu na Quinta do Marquês,  mesmo ao lado de casa, um sítio que conheço desde sempre, onde brinquei muito em criança e fui muito feliz e que é, agora, também um local maravilhoso para festas, com um espaço exterior fresco e cheio de sombras, espaçoso e ideal para as correrias das crianças, a instalação de insufláveis e trampolins e com sombras onde os crescidos podem usufruir sentados em poufs fofos e confortáveis. Em suma: perfeito!



´



Tivemos sorte com a tarde e uma brisa refrescou-nos durante toda a festa. Percebi este ano, pela primeira vez, que havendo um insuflável e um trampolim, a festa está feita para os mais pequenos e nunca mais abdicarei destes. Os miúdos puderam correr e saltar à vontade, tiveram espaço para gastar energias e sentirem-se livres  e não passaram a vida "em cima" dos adultos, que puderam usufruir da festa, descansados, uma fez que o espaço estava resguardado e exclusivo para usufruto dos convidados da Ana, sentindo todos uma liberdade, uma descontracção e uma sensação de segurança partilhada. Obrigada à querida Vera da Quinta do Marquês por todo o apoio que nos deu, pela simpatia e disponibilidade constantes e parabéns pelo projecto que tem tudo, tudo, para continuar a ser o maior sucesso!
Depois? Depois aconteceu magia pelas mãos da Maria João da Party Lovers que  decorou todo o espaço interior e exterior de uma forma querida e criativa que fez as delícias de todos mas, em especial, da Ana: afinal, havia sereias! Sereias por toda a parte!



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Aos 9 de Agosto de 2016: à Ana por ocasião do seu 4º aniversário



Fazes quatro como uma espécie de teste de equilíbrio que trouxeste às nossas vidas.

És o meu maior amor e amar-te faz parte de mim como respirar, ter pulsação ou sorrir involuntariamente quando estou feliz.
Amo-te pelo que és e somos tão diferentes em tantas coisas. Amo-te pelas novidades que me trazes todos os dias, pela pessoa que te revelas a cada momento como um tesouro no fundo do mar, que se descobre devagarinho, quando mais fundo se mergulha, quanto mais abertos conseguimos manter os olhos debaixo de água, quanto mais crescemos juntas, tu e eu.
Amo-te em todas as nossas diferenças de personalidade, de gostos, de reacções ou formas de estar. Amo-te em cada reacção, em cada acção, em cada gesto, em cada obstáculo ultrapassado, em cada conquista, em cada resposta, em cada "amo-te, mamã!" que me dizes de repente, em cada birra, em cada pedaço de ti.
Nasceste dia 9 e eu sei que não foi por acaso. Trouxeste às nossas vida esta prova dos nove e alertaste-nos para cada erro, acertaste todas as contas das nossas vidas, puseste cada coisa, cada emoção, cada afecto, cada pedacinho do coração no sítio certo, sem margem de erro, sem subtracções nem divisões, só somas e multiplicações. E exponenciais.
Somos maus de matemática, nós os teus pais das letras e dos desenhos, das histórias e das cantigas, dos colos e das cavalitas, dos abraços de família. Tu trouxeste-nos a magia dos números que amas, das contas que te desafiam, dos dedos estendidos a fazerem cálculos, da prova dos nove e deste quatro que fazes hoje, como um teste de equilíbrio que trouxeste às nossas vidas.
Um teste de equilíbrio superado.
Fazes quatro, querida Ana, com o equilíbrio das 4 estações do ano, com a precisão das pontas dos compassos e com a plenitude dos quatro elementos. Com o espanto de um trevo de quatro folhas. 
Quatro anos, querida filha: olhos de água, cabelo de terra, coração de fogo e sorriso do ar que faz todo o céu.

Feliz Ano Novo, meu amor. Para sempre.


[Texto escrito a 09-08-2016]

E na véspera do seu aniversário, à noite, ela abraçou-me...

 "Quando voltas a ficar feliz, mamã?"



[Sim, consegue-se dar um intervalo à tristeza demorada, à tristeza resignada, à tristeza que veio para ficar. Um filho consegue dar-nos motivos para dar intervalo à tristeza quando precisa da nossa alegria para ser feliz. No dia 9 não fingi nem me esforcei. Estive feliz por ela. Para ela. No dia 9 dei um intervalo à tristeza porque o amor é mais forte que a morte.]

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Festa do 4º aniversário da Ana: preparativos


"Então Ana, como vamos fazer a tua festa este ano?"

"Eu queria uma festa da Pequena Sereia, mãe!"

"Hummm, boa! Deixa a mãe pensar..."

"É fácil: tu mascaras-te de Athena, o pai de Tritão e alugamos o fundo do mar, que achas?"

...

...

...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Agosto, o tempo e as ideias a pousarem



"Quantos anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada.
E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho?
Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…
Valem muito mais que isso
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto."

(estou á procura do autor)

sábado, 23 de julho de 2016

Para a Vanda e para o Paulo...




Conheço-vos há dez anos e tínhamos tudo para não dar certo. As diferenças (de idade, de geração, de gostos, de vidas, de horários e de dinâmicas familiares) eram tão grandes- à data que nos conhecemos- que nunca pensei que se viesse algum dia a tornar esta amizade boa que se tornou.
Em dez anos anos aprendi muito convosco, mesmo quando a vida, os tempos, os calendários, os telefones e as disponibilidades andaram desencontrados. 
Aprendi que o amor e a vida podem ser a mesma coisa. Que um casal não deixa de ser um casal quando passa a ser uma família. Que o segredo para um casamento duradouro e feliz é a tolerância, a persistência, a resiliência. E um certo desequilíbrio como se nisto de "dar certo" seja requisito uma certa homeostasia  Que para um amor chegar longe deve-se correr ao mesmo ritmo, ao mesmo compasso, dois a dois, cabendo a cada um empurrar ou puxar o outro- cansado- conforme as suas pernas tenham mais força, cabendo a cada um gritar palavras de encorajamento e ânimo quando as metas parecem ficar mais longe, cabendo a cada um partilhar água e ensinar como se respira melhor quando os tempos são difíceis. Que uma relação duradoura não é um sprint nem sequer uma maratona: é um pentatlo, cheio de desafios e provas, meios adversos e força necessária em todos os músculos dos nossos corpos. Em todos, sem excepção, mas em especial no músculo cardíaco. 
Convosco aprendi que nem sempre se pode ser feliz sempre mas, feitas as contas, se pode aprender a ser feliz para sempre. 

Feliz bodas de naftalina, miúdos: venham mais 25! 

sábado, 25 de junho de 2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que preferem areia e as que preferem as rochas.



[Mámen: esta é para ti!]

Gabão? Eh lá!






"Olá Polo Norte. 
 Tarda mas não falha. 
 Podes juntar o Gabão à lista. 
 E resume-se a isto: plataformas, petróleo, calor, água quentinha, pé na areia e muita praia. Bisous.

Andreia Silva"

Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

terça-feira, 14 de junho de 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Barómetro da amizade

Passar férias em conjunto com outras famílias: pernoitar, partilhar refeições e despesas, respeitar ritmos, negociar, celebrar diferenças, experimentar rotinas alheias e permitir que experimentem as nossas, ser flexível e acabar os dias em comum desejando que se repita a experiência. 

Não basta ser-se amigo para se fazer férias em conjunto. Até na amizade é preciso haver compatibilidade.



[Paulo e Margarida: obrigada.]

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Georgia on my Mind




"Querida Pólo,
Sou leitora quase diária do blog e adoro a cruzada quadripolar!
Este ano contribuí com a Geórgia e a Arménia!!! Espero que seja a primeira!
A primeira foto é do lago Sevan, na Arménia (destaque para as montanhas com neve lá atrás!) e a segunda é uma vista da capital da Geórgia, Tbilisi. Viajei um pouco por estes países, de norte a sul.
A viagem foi óptima e recomendo, as montanhas do Cáucaso são lindas mesmo!

Um grande beijinho,
Matilde"


Obrigada, querida Matilde! Graças ao teu duplo contributo, na Europa só nos restam, agora, 17 países por quadripolarizar! Yey!

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Come a papa (da) Joana, come a papa!

A Joana é, indubitavelmente, a melhor blogger de culinária portuguesa. E a minha preferida. Calha também ser minha amiga e eu gostar muito, muito dela. 
A Joana na culinária (tal como a Mónica na moda) é minha contemporânea nos primórdios da blogosfera, quando as pessoas tinham blogs mas não tinham pretensões de ser bloggers, escreviam para comunicar e para partilhar e não para receber borlas, fazer parcerias ou fazer negócio com os blogs. Era um tempo diferente na blogosfera e acredito que os que resistem dessa altura são verdadeiramente resilientes, genuínos e originais. A Joana é uma delas: a rainha da culinária da blogosfera, uma cozinheira de mão cheia, mais preocupada com o sabor que com a fotografia, mais implicada na comida de conforto, na comida que junta pessoas à volta da mesa, que remete aos afectos, às histórias das famílias que nos pratos e nos ingredientes da moda. 
E o blog "As minhas receitas" da Joana comemorou, por estes dias, 10 anos e só me resta desejar-lhe, para os próximos dez, o mesmo que conseguiu reunir nesta última década: originalidade, genuinidade, talento, audácia, seriedade e inovação. E manter-se fiel ao que sempre tem sido porque a Joana é tudo de bom. 

            

Um beijinho, minha guru culinária! Venham mais dez!



Subscrevam o canal de youtube da Joana aqui

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quer fazer uma criança feliz? Não atrapalhe!




A maioria das pessoas olhará e tenderá a lamentar a minha infância, a questionar até que ponto terá sido feliz. 
As crianças têm uma propensão inata para serem felizes: chateia-as a condição de doentes, aborrecem-se com a tristeza, entedia-as a infelicidade. Eu não fui excepção. 
 Da criança que fui, entre muitas outras coisas, guardo isso: um instinto inato e inconsciente para ser feliz. Para procurar coisas positivas na adversidade: aprender a ler aos 4 anos porque tinha que estar, durante meses, deitada numa maca de barriga para baixo e nada mais me restava senão aprender a ler; lembrar-me do meu pai assim, presente e brincalhão, mesmo depois dos anos imensos de escuridão que se seguiram; fechar os olhos e recordar-me dos sapatos de verniz ou das sabrinas douradas de purpurinas que a minha mãe me comprou, depois de anos seguidos a usar botas ortopédicas, ali no largo do Rato. 
Onde as pessoas vêem doença e dor eu vejo reabilitação e vitória, onde as pessoas vêem abandono e ausência eu vejo reforço na vinculação com a minha mãe e com a minha família materna, onde as pessoas vêem cadeira de rodas eu lembro-me do dia em que aprendi a fazer cavalinhos. 
Da criança que fui resta muito. Tantas coisas que não vos passa pela cabeça: a impulsividade, a alegria, o coração aberto a quem passa, a crença no ser humano, a fé num futuro melhor. Mas, acima de tudo conservo, assumidamente sem medo de ser ingénua, este impulso para procurar ser feliz. E ua espécie de preguiça: é que ser triste, macambúzio, pessimista dá muito, mas mesmo muito, trabalho. 
Para se fazer uma criança feliz e criar memórias felizes na infância dos nossos filhos acredito que não seja preciso muito: acho que basta que os adultos não atrapalhem. 

Não atrapalhemos, então.

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