domingo, 15 de julho de 2018

I had a dream





Todas as crianças crescem e desenvolvem-se através dos sentidos. Há muitas coisas que ainda hoje me são difíceis de concretizar porque tive uma infância praticamente imobilizada, entre camas de hospital, macas de reabilitação, cadeiras de rodas e standing frames. 

Não tenho qualquer auto-comiseração até porque desenvolvi muitas outras competências e uma resiliência que me é muito útil no meu dia-a-dia mas, por exemplo, nunca gatinhei. Gatinhar, para quem não sabe, é essencial enquanto experiência primária das crianças explorarem a noção de espaço, o esquema corporal, noções de lateralidade, orientação espacial, pensamento abstracto. Não aconteceu comigo como não acontece com nenhuma criança com problemas de mobilidade. 

 Também nunca andei de skate, trotinete ou patins. Aprendi à força da casmurrice da minha mãe a andar de bicicleta, contra todas as expectativas, e à força da minha casmurrice a fazer o pino de cabeça. Isso alterou muita da minha cognição, essa questão da mobilidade condicionada. 

 Percebo-o hoje enquanto vejo a Ana fazer tantas coisas com as suas pernas e com o seu corpo, de forma instintiva, apoiada e incentivada na maioria das vezes pela minha mãe,que vive agora também pela primeira vez uma “maternidade projectada” dita “normal”. É uma emoção e uma novidade para ambas: para mim e para a minha mãe. Para o pai não, é um dado adquirido, uma normalidade confortante. 

 O sistema vestibular é o conjunto de órgãos do ouvido interno dos vertebrados responsáveis pela detecção de movimentos do corpo, que contribui para a manutenção do equilíbrio.

 Embora crianças com Spina Bífida tenham estes órgãos intactos a sua lesao vertebro medular não lhes dá resposta. Crianças cadeirantes não giram sobre o próprio corpo, não sobem as árvores, nao saltam nem sentem o vento enquanto correm, não fazem o pino, andam de patins ou trotineta nem sentem esta maravilhosa experiência que é o movimento e a velocidade. 

 Quando pedi de prenda de aniversário um montante relativamente alto para custear a diária do aluguer de um autocarro adaptado que levasse as crianças do campo de treino ao único parque infantil do país, o Parque Raró era apenas com o desejo de ver neles o brilho nos olhos que todos os dias vejo na minha filha. 

 A três dias do meu aniversário... obrigada a todos! 

Conseguiram agora pintar esse brilho nos meus! 

 Muito, muito obrigada

terça-feira, 3 de julho de 2018

E agora vamos lá falar de coisas sérias. Muito sérias.



"KAFKA NA FRONTEIRA EUA-MÉXICO

Passei a tarde a informar-me sobre o que juridicamente está em causa na situação das crianças separadas dos pais nos EUA. Este é o meu principal mecanismo de preservação: informar-me para procurar manter a sanidade mental e a sensação possível de controlo do que se passa à minha volta. O que concluí é absolutamente kafkiano.
Ora atentem:

- Como o que está em causa é uma prática administrativa (policy) e não uma norma geral e abstrata, não é possível litigar contra isto de uma só vez ou instaurar uma providência cautelar única para parar este horror. É preciso litigar caso a caso.


- Como não estão em causa cidadãos americanos, o Estado americano não é obrigado a pagar um advogado a estes desgraçados. Portanto, se não houver uma ONG que lhes deite a mão, ficam sem aconselhamento jurídico naquele que é seguramente o pior momento das suas vidas. No limite, podemos ter crianças de colo a representarem-se a si próprias em tribunal.

- Os funcionários do Border Patrol estão a explorar a situação de vulnerabilidade destes pais e destas mães para os pressionarem a assinar a papelada para a deportação voluntária, dizendo-lhes que assim reencontram os filhos mais rapidamente. São depois imediatamente postos em aviões de regresso ao país de origem, sem terem sido ouvidos por um juiz que aprecie se há perigo de vida no país de origem caso sejam deportados (non-refoulement), e sem os filhos (já aconteceu; link para artigo do New York Times nos comentários). É que um menor nunca pode consentir numa deportação voluntária, tem sempre de ser ouvido por um juiz. Portanto, temos os pais de volta ao país de origem e os filhos nos EUA, sem que os pais tenham qualquer ideia de como reavê-los. Com a agravante de que, uma vez deportados, nunca mais serão elegíveis para o estatuto de refugiado porque reconheceram que entraram ilegalmente no país, cometeram um crime. No máximo, podem vir a obter um providência cautelar contra a deportação, mas estão sempre numa posição jurídica muito frágil, podendo ser deportados por funcionários do Border Patrol menos escrupulosos ou que não estejam para se maçar a ver a papelada (já aconteceu; link para artigo do New Yorker nos comentários).

- Na “melhor das hipóteses”, os pais não assinam o tal papel da deportação voluntária. São então criminalmente perseguidos por terem entrado ilegalmente no país, podendo eventualmente pedir o estatuto de refugiados nesse âmbito. Mas o seu processo corre sempre separadamente do dos filhos, ou seja, não há nenhuma garantia de que ambos fiquem ou ambos sejam deportados. Se estão tão horrorizados como eu e querem dar meios a quem pode lutar contra isto, este link permite repartir equitativamente uma doação por várias ONG que estão no terreno a lutar contra esta crueldade inominável.

- No seu estilo tão típico, o Trump assinou uma executive order para pôr fim à separação de famílias. Ou seja, é um herói porque vem resolver o problema que ele mesmo criou. O mais provável, segundo as ONG no terreno, é que essa executive order permita a detenção conjunta de pais e filhos enquanto os pais aguardam julgamento. O que é bom porque, uma vez que essa prática é ilegal, isso dá a quem está no terreno um ato jurídico concreto para atacar. E continua a colocar-se o problema da reunião familiar: não há nenhum sistema no terreno para o fazer. É inacreditável mas é mesmo verdade: os EUA separaram estas famílias sem terem um plano sobre como as reunir novamente. As ONG no terreno relatam que às vezes conseguem localizar as crianças porque os processos de entrada no país têm números sequenciais aos dos pais. Mas nem sempre. As crianças estão já espalhadas pelos EUA e ninguém sabe muito bem onde. Ou seja, isto está longe de estar resolvido e a batalha jurídica destas famílias está longe de ter acabado! Além de tudo isto, têm ainda pela frente a batalha pelo estatuto de refugiados.


- Não, o decreto executivo do Trump não resolve absolutamente nada. Significa, "na melhor das hipóteses", que as famílias passam a poder ficar detidas em conjunto indefinidamente, enquanto os pais aguardam julgamento penal e enquanto não são ouvidos por um juiz de imigração sobre o seu pedido de asilo. Não sei bem em que mundo paralelo isto pode ser uma boa notícia...

- O motivo pelo qual as famílias estavam a ser separadas na fronteira é o chamado Flores Settlement, que determina que um menor não pode ser detido em instalações destinadas à detenção de adultos por mais de 20 dias. Este acordo contém toda uma série de proteções para os menores detidos pelas autoridades de imigração que a administração Trump quer assim fazer cair. Estamos a falar da proibição de estes partilharem quarto e casa de banho com adultos que não conhecem, da obrigação de terem acesso a cuidados médicos dignos, entre muitas outras normas de proteção. Revogar isto não é solução para nada! Não se deixem iludir pela propaganda do Trump! As ONG no terreno vão certamente litigar contra isto.

- Acresce que este decreto executivo só vale para o futuro, ou seja, impede novas separações familiares. Quanto àquelas que já aconteceram, nada se prevê quanto à reunião familiar. Aliás, nem se sabe bem como fazê-lo em termos práticos porque, muito simplesmente, está o caos instalado e ninguém sabe bem onde estão as crianças. A maior parte dos pais e das mães desconhece o seu paradeiro. Para aqueles que se apresentaram num posto fronteiriço e pediram asilo, sendo depois detidos por entrarem ilegalmente no território (sim, isso mesmo que leram!), geralmente os processos de asilo dos pais e dos filhos têm números sequenciais e por isso as ONGs no terreno conseguem localizar as crianças de forma mais ou menos simples. Para aqueles que foram detidos já em território americano e só depois separados, sabe Deus!

- Tudo isto para dizer que nada está resolvido, que a batalha jurídica destas famílias e das demais que venham a ser detidas em conjunto vai durar meses ou anos e que não podemos desmobilizar. Estar atento, estar informado, contribuir na medida das nossas possibilidades para ajudar quem está no terreno a lutar contra a barbárie -- é esta a nossa "to do list"!

- O nosso interesse e contributo continuam a fazer todo o sentido! Não desmobilizar até que TODAS as crianças estejam de volta aos braços dos pais!

Aqui fica o link para ajudarmos estas famílias: 

Da minha amiga Inês Melo Sampaio Antunes que trabalha no Tribunal de Justiça Europeu 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 42


O outro queria um Ferrari amarelo



Eu queria uma camisa amarela, a modos que no Natal a minha mãe ofereceu-me uma muito gira da Primark.

No entanto, fiquei doente e foi em Maio que, a propósito de uma reunião importante com um parceiro chique, com sede ali no Marquês de Pombal, a estreei. 

Típica camisa da Primark: simples, tecido leve e com botões meio soltos. 

Sou uma nódoa a andar de canadianas, pelo que, quando cheguei à sede do parceiro todo eu era uma instalação desconchavada tipo Joana Vasconcelos: camisa de fora, mala sempre a cair do ombro e a empecilhar na canadiana, a outra mão a segurar uma pasta com papéis toda amarrotada também a empecilhar na outra canadiana e o ar mais esgroviado do Mundo. 

"Respira fundo e compõe-te, Lilana!"- pensei eu, enquanto chamava o secular elevador, daqueles com gradeamento. 

Dou o primeiro passo para entrar no famigerado elevador e não sei como, parece que ainda estou a ver o momento em câmara lenta, a canadiana enriça-se num botão, o botão solta-se e cai, em slow motion, para o exacto espaço entre o
elevador e a entrada, caindo para sempre naquele fosso.

Qual dos botões, perguntam vocês? O de baixo? O de cima? Nããã!
O do meio, pois está claro: o botão principal, o que tapa as mamas, precisamente, lá podia ser outro?!

E ali estava eu, a ver subir o cabrão do elevador e a pensar, piso a piso, como iria resolver o facto de aparecer com o mamaçal todo de fora (para quem não me conhece,eu sou "amiga do peito"!) a uma reunião onde as pessoas se cumprimentam só com um beijo.

Ao sair, tentei compor a camisa, enquanto me equilibrava nas canadianas e... cai segundo botão (eram três) e nesta altura estava boa para ir para o Meco, não para uma reunião num parceiro chique. 

Pensei que a única solução era andar com os braços mesmo coladinhos às costelas, de forma a apertar violentamente as "meninas" e tentar cobrir-me com o tecido, anteriormente conhecido como camisa, e agora uma espécie de lenço inútil.  

Entro, ninguém dá por nada (ou fingiram muito bem) e quando me perguntaram se queria um café, aceitei de imediato, para ganhar tempo enquanto a secretária se afastava e me deixava sozinha uns minutos até o meu interlocutor chegar. 

E foi assim, que aos 37 anos, tive uma reunião espectacular com a minha poderosa camisa amarela toda agrafada com um agrafador de mesa que ali jazia. 

Estou assim, capaz de patentear a ideia!
Ou só de mandar a Primark para o amarelo que a pariu!

domingo, 1 de julho de 2018

Da Ópera do Chiado à Lyrica de Arroios ou há ironias verdadeiramente quadripolares.

Disclaimer: eu sou a pessoa que nem sequer bilhete de ida e volta no comboio compra, porque conheço de ginjeira o potencial para me acontecerem imprevistos na puta da vida e não quero arriscar.

Odeio projectos a longo prazo porque acho sempre que isso me vai deixar refém das coisas e limitar-me caso me apeteça mudar de ideias.

Portanto, a compra da prenda de Natal do meu marido só se pode explicar pela facto de eu, à altura, já estar doente e a achar que ia quinar, portanto, que tinha que me despedir dele partilhando com ele experiências há muito adiadas e cumprindo um date por mês, com bilhetes comprados, lugares reservados e tudo planeado com uma antecedência que hoje, à distância de meio ano, ainda me deixa, como diria a minha avó "barada" (se não sabem o que é, perguntem ao minhoto mais próximo!"). Ou então explica-se porque estava já doente e com falta de imaginação e numa ida à FNAC tratei de tudo duma sé vez e despachei o assunto. 

Durante os últimos sete meses arrastei-me, primeiro com dores, depois com o efeito arrebatador da medicação, portanto, neste momento sinto que estive numa espécie de coma e lembro-me das coisas muito ao longe, meio difusas e, a esta distância, nem sei como consegui ir aos sítios e fazer coisas. Mas diz que fui, há fotografias que o provam e tudo. 

Assim,em Janeiro fomos comemorar o nosso aniversário de namoro ao Cooking and Nature Hotel (não gostámos muito e nem tem que ver com eu estar doente, foi mesmo uma desilusão), em Fevereiro adorámos o visionamento do Harry Potter em concerto (foi uma altura em que tive uma ligeira melhoria e deste lembro-me bem!) na Altice Arena, em Março (no auge das dores) consegui fazer a "aventura na serra" com mámen sabe-Deus-como porque estava no auge das dores e em Abril já estava praticamente e enlouquecer de dores. Em pura agonia.
Claro que era em Abril que tinha que estar marcado o programa mais desejado pelo homem: a ida à ópera. Pronto vocês têm maridos fits e desportivos, urbanos e coiso: a mim saiu-me um betinho erudito. É que o temos. E como é das ilhas, de uma em particular bastante pequena onde a vida cultural resume-se ao encontro de bandas filarmónicas, assistir à ópera no São Carlos era um desejo há muito adiado. Claro que eu em Dezembro, na loucura, comprei um camarote inteiro (onde estava com a cabeça?) e foi, claramente, o espectáculo com que ele mais delirou quando recebeu o presente de Natal. E claro que tinha que estar marcado para Abril, o pior mês que tive em termos de dores. 

O rapaz que, não desfazendo os das outras, é o mais fixe disse que não se importava de não ir, que haveria de haver outras oportunidades, o que importava era eu estar confortável. Mas, perante a fixeza do homem e mais a minha culpa judaico-cristã (e vá, porque gosto mesmo dele e sabia que era uma coisa que ele tinha tanta vontade de fazer comigo) enfiei uma data de comprimidos no bucho, estiquei o cabelo com a escova de esticar o cabelo que recebi no Natal, pus base a rodos para ver se disfarçava o ar doentíssimo e pálido com que estava, enfiei o único vestido de gala que me servia, todo ele preto e cheio de pedras tcharan- um Mango A/W 1999- enfiei as canadianas (a.k.a. muletas) no braço e lá fui. 

Claro que em Abril, água mil. Claro que chovia a rodos. Claro que o meu cabelo ficou um merdum 5 minutos depois e, de repente, achei que aquele era look para o Harry Potter dois meses antes pois eu estava tipo a Hermione e claro que andar de canadianas, com as borrachas dos ponteiros a escorregar sem parar fizeram logo com que o meu mood ficasse espectacular. Claro que ao chegar, o empregado me conduziu a um elevador de mil oito troca o passo e claro que o camarote que eu tinha reservado era super longe e senti que estava a fazer o triatlo de São Carlos, depois da molha que tinha apanhado já tinha nadado, agora estava na parte da corrida e não tarda muito ia pedalar dali para fora, mais de dez minutos a andar sobre a alcatifa almofadada de São Carlos e a perna a doer-me e eu de vestido a empecilhar-me, cabelo lambido e o ar mais miserável do Mundo. O homem todo feliz no seu fato piu-piu e o cabelo ligeiramente molhado, só paradar aquele ar blasé. 

Chegados ao camarote respirei fundo. O pior tinha passado. Havia três lugares: um para cada um de nós e uma para a minha perna (abençoada ideia peregrina em ter comprado o camarote inteiro!).O ambiente no São Carlos é épico e o homem estava ali a realizar o seu sonho de tenor frustrado. 

Começa a ópera.


Ok, tem legendas, boa! Dá para ir acompanhando a história e eis que entra o Romeo (ler "Rrrrrrróóóómeeeeeooooo!") mas epá...
- "Ó Rui, o Romeu é uma gaja?"
- "Shut, não sei! Deixa-me ouvir!"
- "Epá, ó Rui, isto não pode ser da medicação: quem está a fazer de Romeu é uma gaja!"
- "Shut, não interessa, é mesmo assim que a ópera foi escrita..."
- "Não interessa?! Era virmos ver um musical sobre a Tieta do Agreste e aparecer-te a Guida Scarlati, gostavas? O Romeu tem que ser um homem. Um homem cheio de pêlo, muito macho e italiano, pá!"
- "Liliana, estamos na ópera, importas-te de te abstrair desse detalhe?"
-" Com'ássim abstrair? Isto faz algum sentido? Não me consigo abstrair agora..."
E foi assim que eu, que como toda a gente sabe sou pela liberdade sexual, cada uma sabe da sua camae tudo e tudo que, aos 37 anos e nove meses, percebi que isto tudo é perfeito e fantástico: mas não ponham uma mulher a fazer de Romeu e a beijar a Julieta que eu não me consigo abstrair do potencial lésbico do momento, ok?"

Intervalo. Vou espreitar o telemóvel. Uma mensagem da minha médica neurologista já reformada mas que pedira a um colega ortopedista de topo o favor de olhar para uns exames meus e dar o seu parecer a perguntar se tinha os exames comigo,  pois o colega estava de banco no Hospital Dona Estefânia e tinha ali um furinho entre cirurgias para me dar uma opinião. 

E, de repente, ali estava eu, para espanto de muitos pais na sala de espera das urgências de um hospital pediátrico, a entrar ofegante, vestida de gala e a rigor, acompanhada por um gajo vestido de gala e a rigor, a entrar numa consulta de um hospital pediátrico... sem estar acompanhada por nenhuma criança!

A cara das pessoas era impagável e eu lá me dei conta do plus da maquilhagem entretanto esborratada (esfreguei muito os olhos para conseguir ver bem o palco, que o camarote era tão bom que era de lado e tínhamos que fazer ginástica para ver algumas partes da cena) que me fazia parecer um guaxinim e do cabelo à Hermione,entretanto seco mas em mau. 

O ortopedista não teceu nenhum comentário. Disse que não era nada da poda dele mas aconselhou-me a mudar de medicação. Em 5 minutos prescreveu-me daquelas receitas modernaças que vão descarregar no nosso telemóvel e deu-me alta. 

Já não fomos a tempo de apanhar o fim da ópera (assim com'assim se eu quiser ver cenas lésbicas vou ao Youporn e Romeu de pipi não é para mim) e voltámos para casa cabisbaixos: mámen estava desgostosíssimo porque não conseguiu ver o espectáculo até ao fim (e não achou graça quando eu lhe expliquei que aquilo morria tudo no fim,que não se apoquentasse) e eu particularmente desanimada porque era mais uma especialidade que se descartava de mim e não me apontava nenhuma orientação. 

Fizemos a A5 em silêncio, a caminho de casa. Parámos na farmácia de serviço e eis que vem a nova medicação:




A minha vida é uma trágico-comédia.
E estávamos a assistir de camarote.  

[Fuck my life!]


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