quinta-feira, 28 de junho de 2012

A minha semana de férias


Momento de diversão: bed-ski
Momento de diversão: hora do conto para bebés antes de CTG

Momento de diversão: bed-wii

Momento de diversão: ser acordada pelo Wall-E

Quem tem amigos não morre hipoglicémico

Hora da refeição (ainda mais) light


Quem tem leitores fixes não morre hipoglicémico (refeição assistida)

Hora da refeição light

Hora de refeição: cocktail de tília e tranches Marie

Tattircing= Tattoo "Constelação Ursa menor" + Piercing "Sou um coador"


Outfit 3- Pulseirinha (versão nude)


Outfit 2- Sapatinhos pink "Louboutin desbotado" style!

Outfit 1- Pulseirinha (versão branca)

Pulseirinha de acesso ao resort. Tudo incluído. Também serve de desconto de 50% em cartão Continente.

Closet inspirado no "No Sex and the Hospital". Cadeira de plástico ergonómico.


Colcha "Paris em Cascais" no hotel de 5 estrelas. TV com 4 maravilhosos canais nacionais. Em plasma.
Sem comando para um ambiente menos tecnológico e mais zen. 


Nobody looks on the bright side of life as me. :)))

Mámen. Cognome: o espirituoso.

Mámen passa em casa a meio da manhã para ver se estou bem e me trazer queijinho fresco para o almoço. 
Dá-me um abraço meiguinho e olha para a minha barriga a tocar na dele.

Mámen- Pólo, tenho que te confessar uma coisa...

Pólo Norte- Mauuuu! O que é que foi?

Mámen- Há uma mulher entre nós...


...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Tens um mano na tua barriga?"

"Tens um mano na tua barriga?" - entrou de rompante pelo meu quarto. A mãe, internada no quarto ao lado, tentou demove-la. " Não incomodes a senhora! Anda cá!". Mas ela continuava a olhar para mim, de pé, à beira da minha cama de hospital. Olhos azuis, cabelo louro, 4 anos de gente.
"Também tens um mano na barriga?"- insistia. Pego-a ao colo para se sentar aos pés da cama, leve que nem uma pluma. "Cuidado com o meu cateter!". A mãe, pálida e com ar gasto, grávida do mesmo tempo gestacional que eu, a contar-me da leucemia da filha, dos tratamentos de quimioterapia, da gravidez que pode ser uma esperança de vida, de mais vida ainda, o verdadeiro milagre da vida, para a filha que já vive. Das possibilidades de compatibilidade do novo bebé, que entretanto ganha pouco peso no útero, fruto do sistema nervoso da mãe que, internada, não acompanha pela primeira vez, em dois anos e meio, o ciclo de químio da filha.
"Tens um Bobi?"- fita-me, a pequena, de olhos pregados no suporte com rodas que me eleva o soro. E a mãe sorri, gasta e cansada, velha no pico dos seus 26 anos, a aguardar um milagre que são dois, agora. O bebé só tem um rim mas não lhe importa. A doença da filha ensinou-a a racionalizar a realidade. "Vive-se só com um rim, eu quero é que ele nasça bem, mesmo que não seja compatível,. Quero- os aos dois, bem! Percebe-me, não é?" Percebo tão bem.
E a menina canta- me aos pés. Elevo-a no elevador da cama, fica alta no cimo do colchão elevado. "Vou tocar no sol!"- e não parece doente, enquanto escorrega pelas minhas pernas, se ri às gargalhadas e folheia um livro que me ofereceu uma leitora deste blog.
A mãe a insistir que me deixe sossegada, sorriso exausto. Está desempregada, " ninguém dá trabalho a uma mulher que tem que faltar uma semana por mês para acompanhar a filha na quimioterapia". E, agora, internada. O marido teve que meter baixa para a substituir- "o dinheiro da baixa não vem logo no mês em que gozamos a baixa, este mês nao sei como irá ser". A filha, tagarela, dá gargalhadas e, por um momento, o sorriso abre-se, alheio aos problemas. Acaricia a barriga, como que a regar o crescimento do bebé que aí vem.
Falamos dos bebés que esperamos. Chega mámen para a visita, senta a menina ao colo, faz-lhe desenhos a pedido. A mãe elogia o jeito dele para desenhar. Mostro- lhe a fotografia da parede do quarto da Ana, pintada por ele. A menina pergunta se ele lhe pode desenhar uma Kitty na parede. Sorrimos os dois, cúmplices. Hoje toleramos a Kitty. Sim, irá pintá-lá, logo que a mãe regresse a casa. A menina salta de alegria.
Chega o jantar, a mãe e a menina recolhem ao seu quarto, não sem antes a pequena insistir: "Tens um mano na barriga?".
Lembro- me das discussões que temos tido acerca da preservação de células estaminais. Banco Público ou empresa privada? Se colocarmos no Banco Publico e aparecer alguém que precise, a nossa filha fica sem as suas células disponíveis. No Privado as células serão sempre guardadas para ela.
E a menina ali ao lado, a precisar de um transplante de medula. Não pode haver egoísmo na humanidade. Nem umbiguismo. Se a nossa filha fosse compatível, não hesitaríamos um segundo, sabemo-lo com o olhar, as palavras não são precisas.
E, finalmente, respondo "Sim, tenho uma (m)Ana na barriga!". Porque todos os bebés deveriam ser irmãos da menina.
A minha sê-lo-á.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Mundo divide-se entre... # 74

... as pessoas que não lambem as tampas dos iogurtes depois de os abrirem e as outras.

Oh no, another baby post!

( CTG da manhã. Para quem não sabe o CTG é a máquina que controla os movimentos do útero e monitoriza a frequência cardíaca do bebé. Pará quem não pesca um boi de obstetrícia é a máquina que sintoniza uns barulhos que parecem uma ventoínha género radar dentro das nossas barrigas.)

Enfermeira- Hoje está difícil apanhar a bebé. Muita interferência. Está a ouvir estes sons? A miúda está aos soluços. Vamos esperar dez minutos para ver se lhe passa, ok?

(quinze minutos depois a soluceira continua)

Pólo Norte- Enfermeira, os soluços normalmente passam com um susto , não é?

Enfermeira ( a rir-se)- O senso comum diz que sim.

Polo Norte (virando-se para a barriga)- Ana, é altura de te contar acerca do meu passado amoroso...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O carteiro toca sempre duas vezes


Obrigada à Sibila que me enviou os melhores pastéis de feijão do Mundo. Marcharam que nem ginjas!



E obrigada à Luisinha que me enviou um livro lindo, lindo, lindo para a Ana.



Vocês sao as maiores! Pólo <3 you!

Amor (cego) é...

Mámen comprar-me uma camisa de noite linda e oferecer-ma para eu ter o outfit mais giro do hospital.

O tamanho ser o "S".

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domingo, 24 de junho de 2012

Já arranjei segundo nome para a minha filha!

Dá-se o caso de, entre aumentos de peso pouco significativos e perdas esporádicas, eu ter somado pouco mais de dois kg desde o inicio da gravidez.

Mas, felizmente, da-se o caso da minha filha estar com um tamanho normal e um peso de percentual médio tendo em conta o seu tempo de gestação.

A médica brinca a dizer-me que a miúda me aspira a gordura.

Pelo que, a partir de hoje, chamem-lhe Depuralina. Ana Depuralina.

sábado, 23 de junho de 2012

Quem tem amigos não morre hipoglicémico

E porque ir ao Gregório em Sintra dá vontade de tudo menos de vomitar...

( Obrigada Vanda e Paulo)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Mundo divide-se entre... # 73

... As pessoas que entalam o chuveiro entre as pernas enquanto colocam gel e shampoo no duche e as outras.

Angustias de uma grávida internada

Será que terei alta a tempo do evento glamouroso que são as Festas da Rã?

Humor de bata branca

Polo norte- Nao desfazendo, quando é que faço check-out aqui do hotel de cinco estrelas?

Médica- Como é uma cliente VIP prolongamos-lhe a oferta da estadia, pelo menos, durante o fim de semana. E não faça essa cara que ao fim de semana as diárias são mais caras...

Polo Norte comenta a evolução do seu quadro clinico em linguagem dejogador de futebol

Uma alegria. Objectivo cumprido. Infecção fora do rim. Soro na veia. Antibiótico na veia. Tranquilidade. Etapa cumprida. Um passo de cada vez. A força do colectivo médico. Resultado justo Agora pensar na próxima etapa. Pés assentes na terra.

(Nao é difícil: é só suprimir o uso de uma data de verbos. E usar, pelo menos uma vez, o termo "tranquilidade".)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Mundo divide-se entre... #72

... as pessoas que tinham bichos da seda a comer folhas de amoreira numa caixa de cartão como animais de estimação quando eram crianças e as outras.

Sou má de Junho

Morreste-me há quatro anos atrás. Era Junho também. Dizem que hoje fazias anos mas eu sei que o verbo não deve ser conjugado no passado. Não eras Tu quem fazia anos. Era o mundo que fazia anos de ti. Continua a fazê-lo, avô.
Era meia-noite, neste quarto de hospital, quando fechei os olhos e te sussurrei "parabéns". Sabes que sou sempre a primeira a fazê-lo, espero sempre pela meia-noite. Antes de me morreres em Junho eu era boa de Junho. Agora, aqui neste quarto de hospital maldigo este mês. Este ano é uma infecção urinária. Ou ordinária, como dirias tu com o humor que era só teu.
Leio o ultimo livro de crónicas de Lobo Antunes e como um pastel de feijão que me mandou uma querida leitora do blog. Nunca tive tempo para te explicar quem é Lobo Antunes nem o que é um blog. Na altura em que rias alto e a tua pele fazia cama aos meus beijos eu não gostava de ler Lobo Antunes. Acho que mudei um bocadinho, avô. E não sei se isso é bom. O Lobo Antunes escrevia os meses em minúsculas e isso irritava-me.
Estar no hospital não me é desagradável. As pessoas querem visitar-me e eu peço-lhes que não. Acham que estou a fazer cerimonias e insistem com cortesia que fazem questão. Não me querem ver sozinha.
Os meus mortos fazem-me companhia e a minha quase vida também. Quando se tem um bebe na barriga e avós no coração ninguém esta só. Sentes a Ana a dar pontapés? Não estarei só , nunca mais, ainda que Me tenhas morrido porque o Mundo continua a fazer anos de ti.
O escritor escreve os meses com minúscula e agora percebo-o bem. Sou má de junho, com minúscula, também . Hoje sou um Plural a cantar-te os parabéns. Consegues ouvir-nos?Amar-te é um verbo que só se conjuga no presente.
Parabéns, avô!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hotel de 5 estrelas

Quarto privado. Colchao com 300 opçoes de comando. Casa de banho privativa. Aguas correntes. TV. Staff qualificado e simpático.

Nao fosse nao ter wireless e nao me dar jeito escrever posts no iPhone mudava-me de vez para este hospital.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Pólo Norte loves Coca-Cola!

Baby-shower blogosférico- a saga continua ( e sabe tãoooo bem!)


Obrigada à tia Ângela! A baby bear agradece os saquinhos para transportar a primeira muda de roupa e de sapatunfos para a maternidade.
E a ursa teme que o porta-moedas lhe dê mais jeito que o previsto (oh God, as coisas de menina são irresistíveis!).

Beijinhos das duas (uma e meia, vá!)

O Mundo divide-se entre... # 71

... entre as pessoas que adoram rebentar aquelas bolhinhas de ar dos revestimentos de plástico e as outras.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sabes que não podes descer mais baixo na escala de blheca quando...

... as outras bloggers rejubilam com o início dos saldos na Mango.

Tu ficas histérica porque hoje as fraldas estão a 50% de desconto em cartão Continente.

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sábado, 16 de junho de 2012

Das famílias que são clãs

Descobri que estava grávida duas ou três semanas depois da minha avó ter morrido. A minha família estava de luto mas permaneceu uma família. A minha gravidez veio relembrar a necessidade de nos mantermos perto uns dos outros, interdependentes, abelhas da mesma colmeia. 
O quarto da Ana é expressão máxima dessa união, desse trabalho em equipa: mámen pintou as paredes, mãe arrumou as gavetas, tios ajudaram a montar os móveis, tia tem tratado dos têxteis e prima vai dando os seus palpites ("não ponhas dossel que isso ainda cai e sufoca a miúda!!!). 
Eu? Eu carrego-a, embevecida, ansiosa pelo dia em que a possa trazer para fora de mim e oferecê-la um bocadinho a cada um deles, de nós, como se fosse uma peça de um puzzle pronto a ser completado. 
E à minha avó, também. Ela sabe-o, lá onde está. Aqui.

Como fazer uma esfoliação total ao corpo e um branqueamento dentário completamente gratuito em 6 passos? Pólo Norte responde.

1- Decida que quer ir à praia
2- Ignore que o tempo (especialmente o vento) não está assim tão favorável
3- Vá até ao Guincho
4. Desfrute da esfoliação corporal
5- Abra a boca e sinta a esfoliação dentária
6- Volte para casa

Um dia tomaremos o Mundo!




"Um dos sítios que faltava no seu mapa
Punta Cana - República Dominicana"
Obrigada, JP!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Heranças da minha mãe

A minha mãe achou que era altura de ajudar a reduzir a minha ansiedade e de me passar todo um legado de experiência maternal.
Para começar, desencantou o que ela chama da sua "Bíblia da gravidez", sendo que a senhora esteve grávida uma única vez. Há 31 anos.
Como lhe hei-de dizer que a "Bíblia" está um bocadinho para o... desactualizada?



Isto de ser (quase) mãe

Há coisa de uns dias suspeitou-se que a filha que carrego no ventre fosse portadora de uma anomalia congénita. Uma primeira ecografia morfológica não permitiu visualizar convenientemente o orgão da pequena e uma segunda não foi facilitada porque D. Ana não gosta de se pôr a jeito e insiste em virar o rabo para o ecógrafo (não sei a quem sairá...). Posto isto, a médica obstetra transferiu-nos para outra unidade hospitalar onde a tecnologia era mais avançada e poderíamos confirmar ou não, de forma certeira, a sua suspeita. 
As amigas do coração mobilizaram-se para antecipar a data do exame e para encontrarem soluções alternativas (Catarina, Xana, Inês, Pedro, Vanda e Ana Luísa: vocês são os maiores!) e tentaram, de forma comovente, animar-me (Rosa e Cláudia: you rule!). Durante os dias- que pareceram anos- em que estive à espera dormi pouco. Dormi mal. Cheguei a não dormir. Procurei literatura na internet. Falei com pessoas cujos filhos tinham essa mesma anomalia. Projectei todos os cenários. Choraminguei. Fiz-me de forte. Fiquei calada mais tempo que o habitual. Rezei. Fiquei aterrorizada. E acreditei, com muita força, que tudo se iria resolver.   
Estar grávida é diferente de ser mãe, isso eu sei. Mas nunca, antes, senti este peso, este aperto no peito, este medo de não estar a fazer o que é certo, esta relutância em tomar decisões que não me afectam só a mim, esta quase culpabilidade de ter que pensar no plural e ter terror de falhar.  
O dia do exame chegou. O pai da minha filha acompanhou-me, como sempre, como de todas as vezes que vou ao hospital, nem que seja para fazer análises. Mais calado que o costume, também. Senti-o nervoso mas os seus olhos-mar transmitiam-me confiança. Nunca concebi a parentalidade sem ser a dois, percebo-o cada vez mais porquê. Antes de entrarmos no consultório disse-me que "isto não vai ser nada e, ainda que seja, desta vez somos três para fazer face à coisa, portanto, estamos em vantagem mais que nunca!".
Não foi nada, de facto. Um falso alarme. Más imagens ecográficas e diagnóstico errado. A miúda está óptima e recomenda-se.
Saímos de lá, ainda em silêncio, como se o Mundo tivesse voado para além dos nossos ombros. De mãos dadas. Os três. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O mámen pode não ser o mais maior grande, mas eu até acho que sim...

Mámen acordou-me com uma mensagem subtil:


Chamou-me ao quarto da filha e presenteou-me com uma obra de arte:


A miúda ainda não nasceu e já a dar-lhe maus exemplos a pintar-lhe a parede. Pfffff! :P

domingo, 10 de junho de 2012

A praça virou mercado (post regionalista)

"Diga-se, desde já, que serei «velho do Restelo», «bota-de-elástico». Aceito os apodos e espero ter oportunidade de me demonstrarem que errei.
            E explico: o mercado saloio vive da espontaneidade, da vizinhança, das vendedeiras e vendedores que, há anos, se conhecem pelo nome, sem necessidade de uniformizantes placas identificativas como nos supermercados (onde os contratos a prazo mudam os empregados como quem muda de camisa…); sem necessidade de etiquetas nos produtos; todos vestidos à saloia, sem necessidade de uniformes – e lembrei-me logo das estátuas funerárias perfiladas, todas iguais e uniformizadas que se mostram no Buddha Eden, ali na Quinta dos Loridos (Carvalhal), Deus me perdoe!...
            Fui à apresentação, e, portanto, não partilho da euforia oficialmente veiculada. Cheguei atrasado à sessão. Vi, porém, a passadeira vermelha para os VIPs (será que fecharam a outra entrada nascente, bem adequada para o efeito?), passadeira bordejada de velas tremeluzindo (a recordar que estávamos em noite de Senhora de Fátima ou em cerimonial de Iemanjá, seria?), guardada por duas meninas das Relações Públicas e, por perto, dois guarda-costas. É a primeira vez que vejo guarda-costas em iniciativas da Câmara; deve ser moda ou a Polícia Municipal estaria noutras funções. Uma multidão acotovelava-se, dizia impropérios contra a organização, porque alguém estava a tocar, mas não se via nada e, na torre, insistentemente, constantemente, repetidamente, passavam as imagens do que iria ser o novo visual do mercado. Lembro-me da etiqueta duma Carolina, toda contente… E havia dois holofotes a bailar na entrada, como naquelas festas dos clubes nocturnos. A gente punha-se em bicos de pés. Se calhar, os músicos estavam lá adiante, em frente dos felizardos (uns 200?) que tinham conseguido cadeiras. A multidão acotovelava-se, «com licença»... E veio alguém dizer que uma garrafinha de água, por ordem da Câmara, custava um euro e meio, e uma bica um euro, também por ordem da Câmara, que mandara afixar os preços, para ser tudo igual. Fôramos pela Carminho. A noite de 12 de Maio estava uma delícia de temperatura e de amenidade. Mesmo de encomenda para fados numa voz vibrante e jovem e far-se-ia silêncio quando ela começasse. Demorou a começar e muita gente abalou antes, rogando pragas à organização, decerto inexperiente nestas andanças (opinava-se). Quando sentimos que Carminho iria entrar em palco (eu digo ‘palco’, mas não cheguei a ver se havia, pois cá de traz não se enxergava nada!), todos pensámos: agora a publicidade à nova imagem desaparece e as câmaras põem-se diante da fadista e nós, cá ao fundo, e os que estão lá fora vêem a menina projectada na torre, ouvem-na melhor e… «silêncio que se vai cantar o fado!»… Nada disso! No mesmo ritmo frenético, as imagens continuaram; havia tentativas de se ver se Carminho vinha de preto ou de vermelho; as vozes de indignação impediam uma audição perfeita e estou convicto de que, apesar de se ter declarado muito contente por estar ali a actuar, Carminho gostaria de ter tido um público mais atento e silencioso. O Sr. Presidente ainda veio até à porta, antes do fado, e os circunstantes aproveitaram para lhe dizer do seu descontentamento, falarem da pirosice da passadeira vermelha e das velinhas, da falta de visão de quem terá sido pago para organizar o ‘evento’. Todos nos interrogávamos como era possível isto estar a passar-se em Cascais…
            Carminho quase nos ia apaziguando, no final, cantando para além de uma hora, na voz doce e profunda que muito lhe admiramos. E esperamos que volte, noutro cenário."

Faço minhas as palavras do meu ilustre amigo José D'Encarnação no seu "Notas e Comentários"

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Gravidezes new-age- elas existem!

Uma das coisas giras de se estar grávida é que, mesmo que tenhas cara de mula como eu tenho, de repente toda a gente passa a olhar para ti de forma ternurenta e delicada, a dirigir-te palavras de simpatia, a meter conversa contigo por dá cá aquela palha e- medo!- quem sabe a querer ser tua amiga. Já não sentia isto desde os Verões da minha infância quando ia à praia e tinha as forminhas mais giras para se fazer castelos de areia ou quando na puberdade participei num programa de televisão e as câmaras foram filmar-me à escola. Toooda a gente queria ser minha amiga, caramba!
Ontem estava sentada numa esplanada a fim da tarde e a senhora sentada na mesa do lado meteu conversa comigo. Com o pretexto habitual: a gravidez.
Primeira pergunta assim logo de chofre: "Vai contratar uma doula?"
Uma quê? Diz que uma doula é coisa chique, um retorno às origens, uma figura de suporte emocional e que ajuda na preparação para o parto. "Ah, uma parteira?!"- perguntei eu. Respondeu-me logo que não, que as doulas não fazem procedimentos médicos, que ajudam durante a gravidez com apoio e informação e no parto e pós-parto com suporte emocional. "Ah, eu tenho a minha mãe e a minha tia, não obrigada!"
A senhora deveria ter uma missão parecida com as Testemunhas de Jeová mas no que concerne à propagação das filosofias new-age para grávidas. Continuou.
"Ah, e o parto? Já ponderou fazê-lo em casa?". Gargalhada de mámen: "Minha senhora, corríamos a risco de eu ter uma paragem cardíaca e, ainda por cima, da vizinha de baixo chamar a GNR se passasse da meia-noite, que já não é hora para se fazer chinfrim. Sabe, ainda que lhe passassem essas ideias pela cabeça ela não poderia pois está a ter uma gravidez de alto risco."
"Ah, coitada!"- continuou. "Mas isso não a vai impedir de ter parto natural, pois não?". Já a perder a paciência, respondi-lhe que sim, que impediria e que estava de cesariana marcada. "Oh que pena, sabe, não é a mesma coisa: parir é dor. Os antigos é que sabiam, era tudo a natural e assim é que deveria continuar a ser". E suspirou.
 A esta altura eu já estava com as narinas dilatadas e como o destino é um cabrão, a mulher entorna o café em cima da camisa de seda.
"Ah, que maçada! Vou ter que pôr a camisa na lavandaria, bolas!"- queixou-se, enquanto limpava a nódoa com um paninho com água quente que tinha pedido à empregada.
"Na lavandaria?"- perguntei-lhe eu, com ar escandalizado. "Então não tem um tanque onde possa lavar com sabão azul e branco a camisa, à mão?"
"Um tanque? À mão? Onde é que já se viu isso nos dias de correm?"- respondeu-me, com espanto.
"Tss, tsss. Que pena! Sabe, os antigos é que sabiam..."

Afinal ainda sou mula. E aposto que aquela não volta a querer ser amiga de mais nenhuma grávida.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Eu chamo-lhe o "Grande Baby-Shower Blogosférico"

Mámen chama-lhe "Pareces o Fernando Mendes da Blogosfera". Invejoso...

Os brioches maravilhosos que a Gata Escaldada me dava todos os dias quando me hospedou no Benelux e de que eu tinha saudades


A Ana Melo mandou-me Pips de Maçã da  ilha Terceira! Para a baby bear começar já a perceber o que é bom...

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 13

Mámen em treinos

Agora há pouco deixou-me à porta da casa da minha mãe e saiu-se com um:

"Porta-te bem, não batas nos outros meninos!"

Perante o meu olhar fulminante, acrescentou:

"O que é que queres? Tenho que treinar, pá..."

terça-feira, 5 de junho de 2012

O Mundo divide-se entre... # 70

... as pessoas que dizem pastéis de bacalhau e as que dizem bolinhos de bacalhau.

Os meus leitores podem não ser melhores que os vossos mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar! # 4

Sabes que andas demasiadamente envolvida na vida da Pólo...‏

... ... quando estás a trabalhar matérias sérias para o doutoramento e dás de caras com o primeiro autor de um artigo e ficas a rir feita tolinha.



Beijo"

Da Clara via e-mail

A PROVAR| Gastronomia açoriana

Há que esclarecer que aqueles três belíssimos exemplares ali de baixo se chamam "bolos de véspera". Comem-se durante as festas do Espírito Santo com manteiguinha e um chá Gorreana e são uma iguaria de se revirar os olhos!
Na minha opinião os Açores têm, a par do meu Minho, o melhor pão do Mundo: já aqui vos mostrei a inigualável massa sovada (que assim se chama por ser sovada, isto é, levar uma sova quando é amassada) e quem não conhece os famosos bolos lêvedos?! Há também um pão de milho baixinho e fabuloso cuja imagem não encontro na net mas que é de comer e chorar por mais!
O marisco dos Açores faz-me salivar tanto como a oportunidade de dar uma belinha à Margarida Rebelo Pinto: as cracas são um pecado, as cavacas metem qualquer lagosta a um canto, as ameijoas de Santo Cristo são indescritíveis e, aqui me confesso, tenho um quase-orgasmo de cada vez que vou  comer lapas grelhadas para a fajã ao entardecer!
Mas há um segredo da cozinha açoriana que vou aqui desvendar: a pimenta da terra. A pimenta da terra pode confundir-se com massa de pimentão mas não tem nada que ver! Cá em casa nunca faltam frascos de pimenta da terra e tudo (repito: tudo mesmo!) se tempera com aquilo. Sem necessidade de se usar qualquer outro condimento. A melhor invenção de todos os tempos!
O queijo não é preciso falar, pois não? Cá em casa, por razões óbvios, o queijo ilha é o favorito. No entanto, quando vamos a S. Jorge preferimos o queijo que só circula para consumo interno por não obedecer às normas xpto da certificação: é mais picante e ainda mais delicioso! O melhor é mesmo o queijo do Topo e eu tenho a convicção que é porque as vacas nadam desde a ponta do Topo até ao ilhéu e o leite fica salgadinho da água do mar. True story!
De resto todos os queijos são bons: o Terra Nostra, o do Pico e o da Graciosa. E queijo pede quê para acompanhar? Pede vinho Terra de Lava, pede Angelica e pede Vinho de Cheiro. E pede qualquer um dos licores que por lá faz-se licores de tudo. Literalmente.
Para quem não gosta de bebidas alcóolicas há o chá Gorreana (novo slogan: "Chá Gorreana: gosta e a Pólo e gosta a Ana"), o Pips de maçã (não, não é igual a qualquer sumo de maçã, não me venham com histórias!) e, claro, a jóia da coroa:

Obrigada Corisca Ruim!


Depois deste post pergunto: "Quando mas quando, Senhor Espírito Santo e Senhor Santo Cristo, o Carlos César se vai decidir a condecorar-me com a faixa de 'Comendadora blogosférica do Ordem dos Açores'?"
Ou ao menos um cabaz, não?

Este blog inaugura- oficialmente- o primeiro baby-shower blogosférico

Anotem isto: ninguém mas NINGUÉM mesmo tem leitoras tão fixes como as do meu blog!


Se PóloNorte não pode ir às festas do Espírito Santo, vêm as festas do Espírito Santo até à Pólo Norte!

Obrigada à Elisabete. Os bolos de véspera estão "perfueitos"!

(Colocar aqui onomatopeia de um relincho)

A última grande maravilha do último trimestre da gravidez são as fabulosas dores abdominais acompanhadas pela impossibilidade de espetar Voltaren, emplastros de eucalipto e mentol e soluções afins que costumam resultar nas dores musculares normais mas que são interditas a grávidas. 
Ontem, num acesso de desespero, fui à farmácia comprar uma cinta sexy para grávidas, linda, linda que só ela, cor de pele e das cintas da minha avó. I don't care, as dores são tantas que me arrisco a acabar este périplo a parecer o Corcunda de Notre Dame. 
Antes de me deitar e depois de tomar banho, ao colocar a dita cinta (tem apoio para a barriga, apoio lombar e é mega feia) deu-me a sensação que ouvi um relincho. Ignorei. Ando tão aborrecida com as dores lombares que já devo estar a ouvir vozes. 
Antes de me deitar o mesmo som. "Já estou avariadinha de sono"- pensei. 
Hoje, de manhã, mámen antes de sair para o trabalho foi dar-me um beijinho à cama e lá ouvi outra vez: o cabrão relinchou a gozar comigo. Apanhado!
Levantei-me e olhei-me ao espelho: sim, esta merda é tão grande que parece uma sela. 
Que grande foda-se!

domingo, 3 de junho de 2012

Ah, nossa Sra. Do Cabo, doem-me as costas e o rabo!

As festas de Nossa Senhora do Cabo acontecem em Alcabideche, de 26 em 26 anos, razão pela qual andei enganada anos a fio a julgar que não tinha terra. 
Recebemos a Santa o ano passado e este ano vamo-nos despedir na mesma, eu convicta de que quando a voltar a ver já estou na menopausa, que grande merda!
Havendo uma comissão de festas que precisa de angariar verbas para a despedida em Setembro próximo organizou-se hoje um peddy-paper pelas ruas da aldeia. As equipas eram constituídas por pares, o que resultou no facto de eu ficar numa equipa concorrente à da minha mãe.
E um percurso que era para ser feito calmamente (ando quinada das costas, remember?) acabou por ser meio a correr, entre arrastar a pança, fugir das tentativas da minha mãe copiar as respostas que eu escrevia na carta de prova e a pressa do meu par em chegar à meta, onde nos esperava uma mega feijoada comunitária. 
Os resultados saem agora às 18h. O nosso objectivo é apenas um: ficar à frente da minha mãe. 
Ainda que fiquemos em penúltimo. 

sábado, 2 de junho de 2012

Oh, Bryan Adams!

Tu sabes, meu grande querido, que não é por falta de amor incondicional, paixão platónica e- há que confessá-lo!- tesão refreada. 
Tu sabes que eu deliro contigo desde 1991, que vi o "Robin Hood, o príncipe dos ladrões" umas 6 vezes e aquela porra dos "Três Mosqueteiros" umas dez vezes em cinema só por causa da banda sonora e que "There's all for one, all for love" e o camandro, que não perdia um "Top +", um dominguinho que fosse. 
Tu sabes que fui ao concerto de 1994 no Estádio de Alvalade e o quanto me custou conspurcar os meus pés no estádio do Sporting, depois em 2005 voltámo-nos a ver e eu assumi a minha paixão por ti sem pudores, numa altura em que já era embaraçoso fazê-lo.
E sabes que tinhas os bilhetes para hoje, que estava a pensar levar um cartaz a dizer "Bryan, faz-me (outro) filho!" mas a minha obstetra é uma invejosa e proibiu-me de me meter em "confusões e apertos" e que seu eu fosse seria "à minha responsabilidade" e eu sou uma caguinchas, é o que sou. 
Mas Bryan, honey-bunny, estou ligadíssima à televisão e a criatura que transporto hoje leva uma overdose de músicas tuas a bem ou a mal e juro-te que- não me chame Pólo Norte!- a tipa vai ser tua fã incondicional e dá-nos meia-dúzia de anos que lá te iremos escutar, ao vivo, as duas. Seja onde for. 
Ah, e já agora: se vires aí dois caramelos a quem fui forçada a oferecer ofertei generosamente os bilhetes faz-lhes um piretezito, pode ser?

E see dumb people!

As dores nas costas têm-me aborrecido. Descobri que se colocar uma botija de água quente sobre a zona dorida me alivia.
Hoje aproveitei que tinha um vestido cai-cai e prendi no elástico das costas a botija, andando-me a passear pela casa com a dita às cavalitas.

Mãe: Credo, pareces uma gueixa!

Já mámen foi muito mais subtil e imprimiu a seguinte imagem, pespegando-a no frigorífico:


(Eu mereço?)

Cascais. Sábado de manhã.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O carteiro toca sempre... duas vezes.



E como nem só de prendas para a faneca vive este blog, a Ana mais linda enviou-me as melhores queijadas  de requeijão e pão de canela que já provei na minha vida e dois frascos de doce (um de tomate e outro de abóbora com nozes) que apetece comer às colheradas!

Pólo Norte <3 you!

O carteiro toca sempre... uma vez.




Obrigada à tia Alexandra do Porto (FCP olé, olé!!!) que enviou prenda para a baby bear, hand made e com a temática que se quer.

Pólo Norte adorou e a Ana, assim que nascer, vai-se babar- literalmente- para esta prenda!

O Mundo divide-se entre... # 69

... as pessoas que não usam luvas de plástico nem toalhetes para agarrar na mangueira da gasolina enquanto atestam o depósito e as outras.
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