sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Às vezes o meu trabalho é muito mas mesmo muito giro



I love Kula!

É Carnaval, Ana, espero que não me leves a mal

Querida Ana, 

Não sei se vais adorar o Carnaval como a tua avó ou detestar tanto quanto a tua Tidinha mas, por enquanto, cá vou cumprindo os rituais de mãe. 
O ano passado fantasiaste-te de vaca ou, como diz o teu pai, de "guexa". Este ano serás uma Minnie, contra o meu gosto que acabei de abrir a minha página de facebook e dei de caras com umas 34364748 Minnies diferentes. Isto de ser mãe não é nada fácil: se por um lado quero que te mascares do que mais gostas (e, caramba. se adooooras o raio da Minnie) por outro lado acho que ficarias tão mais engraçada vestida com uma qualquer outra fantasia mais original. 
O teu pai quer que vás de Minnie desde o princípio. Defende que o Carnaval é das crianças e que as fantasias as devem fazer felizes a elas e não servir como montra de vaidades dos pais e tentativa de individualização dos mesmos. Yeahhh, ele tem razão (tem quase sempre). 
Mas, filha, o Carnaval são dois dias e não te vai custar muito alinhares na máscara que a mãe te está a fazer para o outro dia, certo? Bem sei que não é de Minnie nem de Noddy nem de Pocoyo nem de Caricas que são, basicamente, os bonecos que identificas e que adoras. Mas é fofinho, filha, faz-me lá a vontade. 
Prometo que, em troca, deste Carnaval em diante não te faço sinais gigantes no buço com eyeliner, não te maquilharei como uma traveca e não te vestirei kispos em cima dos vestidos esvoaçantes. E se te mascarar de princesa prometo- aqui perante muitos leitores- que não te vou comprar vestidos pinguços e tiaras de plástico manhoso. 
Portanto, tem paciência para esta tua mãe. Só este Carnaval, em que o teu vocabulário ainda não chega para me contrariares. 
Um beijo da tua mãe

Mãe és, filha foste...

Pólo Norte: quem nasceu para sopeira nunca chega a patroa...

Ana Morgado: a Amália Rodrigues hippie

Sofia: a mosca benfiquista

Ana Maria: "adooooro o Carnaval,olhem o meu ar de felicidade!"

Maria Esteves Pereira: a máscara clonada

Beatriz: Por Tutatis!

Vianense assaltada (cadê o oiro?)

Cláudia: princesa da mascarilha

Cláudia: dama antiga com Termoteb

Luisa e Carla: as máquinas fotográficas dos 80's tinham problemas de focagem


Cristina: Peter Bigodes Pan

Ana Rendas: Esmeralda top model

Mónica: mil-folhos

Sofia: nazarena pré McNamara

Mónica:  turista com sandália compradora de aventais portugueses

Ana Isabel e irmão: ruralidades de uma rapariga morena






(Enviem as vossas fotografias para a terapia de grupo via quadripolaridades@hotmail.com)

Sabes que a tua mãe te telefona imenso quando...

"Triiiiimmmm" (campaínha de casa)

Ana: Avó?

"Tiriri tiriri " (apito da Bimby)

Ana: Avó?

"Piiiiiiiiii" (temporizador do forno)

Ana: Avó?

"Piriri piriri piriri" (despertador)

Ana (logo de manhã e a acordar): ... Avó?



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A PROVAR | FRUUT


Já vi começarem por menos, ai já, já!

Custa 85 centimos na bomba de gasolina da segunda circular. 
Não tarda nada ando metida com as sementes de chia, ó, ó...






Descobrir snacks saudáveis mas que não sabem a nheca

O quê? Fruta desidratada
Onde? Estações de serviço, supermercados e afins

Por outro lado, o problema do fato de Carnaval está resolvido


O vestido de Minnie mais giro do Mundo


A prova do vestido antes dos ajustes finais. 
Na Minnie mais gira ever...

Luta de titãs

Hoje a Ana ficou na casa da avó:


Introdução:

Módulo básico:

Módulo avançado: 

(O que é que eu faço com a minha mãe???)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Um melhor ano novo, Catarina

Tinha acabado de perder a minha avó e havia uma data para comemorar. Tinha acabado de aaber que estava grávida e foste a primeira a quem contei. A ti e à Xana, antes de a qualquer outra pessoa.  Estava incrivelmente triste, numa tristeza demorada, numa tristeza infinita e que não cessou até hoje, que nunca mais vai passar. A minha avó tinha acabado de morrer e com ela a minha infância, a melhor parte do meu passado, o que restava vivo do meu avô, entidade una que eram. 
Tinha uma viagem paga para Nova Iorque e só me restava cancelá-la. Foste tu que me impediste de o fazer, explicando-me que às vezes era bom ir ver a tristeza do outro lado do Mundo.
Hoje não te posso levar longe, suficientemente longe para veres a tristeza noutra longitude ou latitude, mas hoje quero ir ver essa tristeza contigo numa não comemoração que não vai servir mais do que para estarmos juntas. Os dias especiais não têm que ser celebrados, aprendi contigo, mas temos que vivê-los. 
Não mais seja em homenagem a quem já não o pode fazer connosco ou sem nós. 
Um melhor ano novo para ti, minha amiga. 

Um melhor ano novo, Catarina

Tinha acabado de perder a minha avó e havia uma data para comemorar. Tinha acabado de aaber que estava grávida e foste a primeira a quem contei. A ti e à Xana, antes de a qualquer outra pessoa.  Estava incrivelmente triste, numa tristeza demorada, numa tristeza infinita e que não cessou até hoje, que nunca mais vai passar. A minha avó tinha acabado de morrer e com ela a minha infância, a melhor parte do meu passado, o que restava vivo do meu avô, entidade una que eram.
Tinha uma viagem paga para Nova Iorque e só me restava cancelá-la. Foste tu que me impediste de o fazer, explicando-me que às vezes era bom ir ver a tristeza do outro lado do Mundo.
Hoje não te posso levar longe, suficentemente longe para veres a triste

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Rafaela (6)



"Nasci em Portimão. Vivi em Leiria, Rio de Janeiro, Milão, Lisboa e agora estou a fazer um périplo de um ano por Rio de Janeiro > Nápoles > Nova Iorque > Lobito."
"Nasceste nómada ou tornaste-te nómada?"
"Eu ainda não sei se me tornei nómada mesmo. Porque eu quero assentar arraiais. Mas quero assentar arraiais em muitos sítios diferentes."
"Se só pudesses levar um objecto na mala e fosses começar uma vida nova num qualquer sítio do Mundo: o que levarias?"
"Hmm, as lentes de contacto. Ajudam-me a ver ao longe."


Rafaela

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

100 Quadripolares que vale a pena conhecer #Rui (5)


""A maioria dos lisboetas pode ser do Benfica mas o Sporting ficou com todos os lisboetas de bom gosto"
Rui

É hoje que fico viúva!

Há uma campanha da UNICEF que estabelece que por cada dez minutos que um utilizador esteja sem mexer no seu telemóvel um conjunto de entidades patrocinadoras oferece um dia de água potável para uma criança necessitada. É espreitar aqui e já agora participar!


A ideia é fazer a ponte entre o que é realmente vital e do qual não se podem viver privado nos vários quadros de referência. Ora, eu odeio telemóveis. Vivi quase um ano sem telemóvel, pelo que, achei que este desafio iria ser piece of cake.
O desafio começa por nos pedir que pousemos o telemóvel. Eu, não sei porque carga de água, achei que esse primeiro pousio era para "calibrar" o telemóvel (don't ask! muitos anos de wii...) e vai de o pousar ontem no meio do sofá da sala. Literalmente, no meio.
Quando dou por mim o pousio era o início do desafio e já não podia tocar na porra do telemóvel. Então ontem fiz todas as manobras de diversão possíveis para desviar a família do sofá da sala e que ninguém reparasse no mono atirado no meio do maple (o estupor do homem ia gozar comigo o resto da noite). Uma hora a jantar, meia hora na converseta na cozinha, um banho mais demorado da Ana, o pedido para irmos todos para a cama mais cedo e voilá: resultou!
De dez em dez minutos a aplicação vai-nos dando informação motivacional tipo "nestes 30 minutos sem telemóvel fez com que uma família de 5 recebesse água potável para uma semana". E eu, parecendo que não, sou uma tipa sensível.
Estou sem telefone há mais de 24 horas e a minha ideia era só acabar o desafio quando a bateria esgotasse.
Acabou de me ligar o mámen: "olha, esqueceste-te do telefone em casa mas eu vou-te apanhar e já o trago comigo".
Estive a um passo de ser recordista deste desafio e embaixadora honorária do Unicef.
Ele agora está a um passo de ser esganado...

Glup!


" Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:e

— Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. "

(autor desconhecido)

Diário de Pólo

"Olá! 
Ontem à noite estava eu a dizer como tinha à minha mãe como tinha morrido sylvia plath (suicídio com a cabeça no forno) ao que ela responde "Isso é o que a Sonia Brazão devia ter feito, assim não incomodava os vizinhos." 
O que eu queria saber é se ela é quadriploar. 
 E é isto, obrigada e boa tarde. 
 Beijinhos"

Joana R. 



Querida Joana, 
Perante a problemática que nos coloca cabe-nos a árdua tarefa de validar a quadripolaridade da sua progenitora, pelo que, não recomendamos presentes da Hello Kitty pelo dia da mãe nem livros da Margarida Rebelo Pinto por alturas do aniversário. 
Cmps, 

P.N. 


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cascais, passado recente

As nossas mães compravam-nos a roupa na Cenoura, na Materna ou na Rabina. O Conde Barão só tinha coisas para a casa. Subíamos a rua Direita e iamos comer gelados ao Tchipepa só pelo prazer de escorregarmos na rampa gigante, onde hoje não cabe a altura de um pé. Aos fins-de-semana ia brincar ao parque, onde havia uma macaca que atirava cocó às pessoas e onde os adolescentes se beijavam lá no cimo do caracol. Perseguíamos pavões e dávamos comida aos patos e havia uma ponta de madeira, que hoje já não há. No Verão dávamos mergulhos no Mexilhoeiro e em noites encaloradas íamos à Feira do Artesanato, onde tirávamos fotografias a preto e branco que registavam o nosso crescimento todos os Verões. 
Quando voltávamos à escola as fotografias tipo passe eram tiradas no César e os livros eram comprados na papelaria da Rua da Polícia, cheia de comércio local vivo. Malas de pele eram em duas barracas ao pé da estacao. Roupa de desporto era na Faraó. Aos fins-de-semana íamos ao cinema ao Oxford ou às salas no primeiro piso do Pão de Açúcar, a que na altura ninguém chamava Jumbo. Aos domingos era dia de feira na Praça de Touros.
Roupa de cerimónia era na Pombra Branca e os bolinhos eram sempre da Sacolinha, onde havia um senhor sempre vestido de preto que fazia desenhos com borras de café. 
Depois, crescemos e queríamos ir ao Bauhaus ou ao News, mas só depois de uns copos no bar dos 300 ou no 24. Para o Bauhaus íamos a pé pela linha do comboio e quando regressávamos do News chamávamos o táxi a crédito ( 466 01 01) e pagávamos 500 escudos. Não sem antes irmos aos bolos. 
Namorávamos encostados ao muro ao pé da Palm Beach e achávamos romântico partilhar um hamburguer da Abracadabra. O Dramático era o sítio onde íamos ver os jogos de hóquei mas, mais importante, era onde os concertos mais fabulosos do país vinham até nós 
O Coconuts veio mais tarde e todas passámos pela maravilhosa experiência do strip-tease masculino em primeira mão. 
Casámos, tivemos filhos e Cascais está irreconhecível para muita gente mas ainda não para as memórias de quem cá viveu num passado recente. 

(Obrigada Rita, Carolina, Pau, Carolina e Paula Carvalho pela viagem: cascalenses ao poder!)

Cascais para não cascalenses (ou não)

O que muita gente não sabe de Cascais é que o Santini não é, necessariamente, a gelataria preferida da vila e que todos nós brincámos na rampa da outra gelataria, lá no último andar e que cascalense que é cascalense contempla a baía mas nunca toma banho na Praia do Peixe. Que os melhores restaurantes para comer peixe não são os do paredão e que, na verdade, em Cascais se podem beber as melhores cervejas do Mundo ao som de salsa e merengue.
Que há um parque maravilhoso onde as famílias podem brincar, ler, deitar-se na relva, dar comida aos patos, subir ao cimo do Mundo, procurar penas de pavões perdidas como se estivesse a caçar um tesouro e dormir em dias de poesia com estrelas, ir o museu e até casar. Ou tirar fotografias depois da cerimónia na igreja ali ao lado e que pena que tenham fechado o Miese en Scéne. Resta-nos a mezzanine mais gira do Mundo para beber um gin tónico, ali a meia dúzia de metros. 
Que a rua Direita mudou e não foi para melhor mas que alberga o melhor restaurante Indiano de Lisboa e arredores. Que não temos cá padarias da moda mas metemos na sacolinha qualquer sítio que queira ter pão e bolinhos melhores do que os cascalenses. 
Que tomar um café no museu pode ter efeitos purificadores para alma e que ninguém conhece a praia das Moitas pelo nome verdadeiro. 
Que os melhores croissants do Mundo (com gila ou doce de ovos, tanto me faz) vendem-se no sítio mais improvável e que o restaurante desse sítio tem o terraço mais catita da vila. Que em dias de futebol há um boteco escuro que guarda os melhores hamburguers especiais da linha acompanhados por cervejas, tangos, chandys ou afins. Em Cascais ninguém diz panachê.
Um dia, juro, faço um post com muitos links para poder partilhar Cascais dos cascalenses. 
Até lá, deixo-vos achar que Cascais é Santini e o resto é conversa. 

That's what friends are for

Meu status de facebook, a propósito do meu pc ter voado do tejadilho do meu carro para parte incerta:

"Coisas fodidas: ficar sem pc.

Coisas ainda mais fodidas: perder documentos que não estavam gravados na dropbox.

Coisas fodidíssima: o livro acabado com 250 páginas ser um desses documentos."



Comentários mais espirituosos:

Cocó: "Que horror! Eu acho que me matava (mas não te mates!)"

Mãe Sabichona: "E eu vou comprar o livro. Vai sair ainda melhor. Forca nisso!"

Mãe Sabichona (A escrita inteligente tb tem actos falhados). Força nisso!

Cocó: "Estive a pensar e matava-me mesmo. Se precisares de ajuda nesta hora difícil, diz. Não deves estar sozinha. Deves afastar-te de andares altos, facas, gás, cordas, comprimidos..."

Bé: "Nunca o ditado "palavras leva-as o vento" me pareceu tão apropriado

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Toda a gente tem direito a ter um casaco à viúva Porcina...



... a Suri de Alcabideche Ana não é excepção.

De todos os tipos de pessoas que abomino...

... de entre as más, as maldosas, as malvadas, as cínicas, as hipócritas, as fingidas, as acéfalas, as marias-vão-com-as- outras, as pedinchonas, as velhacas, as covardes, as que não pensam pelas próprias cabeças, as poucochinhas, as sem tomates, as que querem agradar a Deus e ao Diabo, as que nunca tomam partido, as "wanna-be", as graxistas, as que estão sempre em biquinhos de pés (a.k.a. "pick me! pick me!"), as mentirosas, as difamadoras, as influenciáveis, as que não suportam críticas, as que não se sabem rir de si mesmas, as "diz-que-disse", as que evitam o confronto, as alcoviteiras, as mesquinhas, as intriguistas, as que não assumem as suas merdas, as que evitam, as interesseiras, as que fogem, as que tiram ilações sem questionar, as oportunistas, as "boazinhas", as "amiguinhas" e as pobres de espírito;  não há nenhum tipo que me enoje mais do que as que não têm coluna vertebral. 

Ando um bocado sem paciência para as pessoas em geral

[Sempre acreditei que as pessoas só se afastam porque deixam de gostar umas das outras. Isto vale para todas as relações, especialmente as de amizade, sem compromissos monogâmicos, relações desgastas pela mesquinhez da vida doméstica, do saldo da conta no banco, do atraso no pagamento da factura da electricidade, pela ameaça de corte, pelo mau hálito matinal, pelo pijama debotado, pelos hábitos que irritam e as vozes esganiçadas corrompidas pelo dia-a-dia e pelos beijos sem língua que teimam em chegar à vida dos casais. 
Depois acreditei que as pessoas se afastam por tudo: porque preferem que se lhes minta, porque não têm tempo ou pachorra umas para as outras, porque não lhe apetece fazer fretes, porque levam tudo a peito, porque se cansam das mesmas conversas, porque querem mudar, porque não querem mudar, porque estão em estádios de vida diferente e as pessoas não vivem no mesmo tempo de vida, só de Mundo. 
Hoje acredito que se afastam porque sim. Não é preciso razão. Talvez porque permanecer junto dê imenso trabalho e sem uma conta conjunta não há motivo suficientemente válido que mereça o esforço de querer ficar. ]

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A carta de Júlio Isidro

"NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!

NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.

Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.

Sou dos que acreditam na invenção desta crise.


Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.

Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.

Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.

Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.

Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.

E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.

A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães.

 Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.

Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.

Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.

Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.

Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.

Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.

Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?

E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.

Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.

E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.

Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…


Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

Júlio Isidro"

Bye, bye kitty





Contextualizando...

Ele desce as escadas com a mala do meu computador, um pacote de fraldas que já não servem à Ana para oferecer à colega que tem filhas gémeas bebés e a Ana. 

Eu desci as escadas com a minha mala, a mala das coisas da Ana, a marmita da Ana e a mala de natação da Ana logo a seguir. 

Ele pousa a mala com o meu pc em cima do tejadilho do bote e coloca a Ana na cadeirinha. 

Eu entro para o lugar do morto, não sem antes colocar a tralha toda no porta bagagem.

Arrancamos com o carro. 


(Descubra o enigma)



Sábado, são agora 18 horas e 8 minutos...

... no meu computador novo.


(Obrigada mámen!)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A saudade nas coisas do dia-a-dia

Estava a descascar batatas para fazer a sopa da Ana. Comecei a descascar sem nunca deixar cair a casca, um corte seguido e sem fim, a casca a enrolar-se numa espiral perfeita tal como fazia a minha avó que descascava a batata de uma vez só.

E senti saudades do cheiro a refogado da cozinha da minha avó.

E tantas da minha avó.

100 Quadripolares que vale a pena conhecer# Elsa (4)


"Tenho um blog de Livros- "o Efeito dos Livros""
"Qual o efeito dos livros em ti?"
"Deixei de ser uma pessoa que não lia nada para ser alguém que só este ano já leu mais de 20 livros.
Eu queria falar-vos de livros mas agora só me ocorre chamar a atenção para os recantos deliciosos que Lisboa possui para descontrairmos um pouco a ler.
Quantos são os Lisboetas nascidos e criados, no centro ou na periferia, que não gostam nem conhecem Lisboa?
Quantos são os que não se passeiam nem falam da nossa cidade com um brilho nos olhos?"



Elsa

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O contra-ataque cá de casa à avó kitty-lover




(em actualização aqui)

Tiúrsa a educar a Ana desde 2012

Estou com a minha prima e liga-me a minha mãe. Põe a Ana a "falar" comigo ao telefone:

Mãe- "Diz à mãe o que é que a avó deu? Uma casinha de..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "Tem um pai..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "Tem uma mãe..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "Tem uma mana..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "Tem um mano..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "Tem um bebé..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "Tem um cão..."

Ana- "...kitty"

Mãe- "E também tem uma ..."

Ana- "...kitty"

Eu em apoplexia por a miúda saber o nome da bicha e a minha prima saca-me do telefone:

"Ana, Ana... Não se diz asneiras, bebé! O Jesus não gosta de meninos que dizem asneiras. É feio dizer-se asneiras..."


.(pequeno silêncio do outro lado)


Ana- "...kitty"







Mongólia? Piece of cake!


Obrigada, Su! <3

(a actualização da quadrivangelização aqui)

A PROVAR | Queijo fresco com alfazema e queijo fresco fresco com tomate e manjericão

Como sou vossa amiga aviso-vos que na Feira de Queijos e Enchidos do Continente há queijo fresco com alfazema e queijo fresco com tomate e manjericão ma-ra-vi-lho-sos!

Acabei de comer ambos. De uma assentada só.






Post sem parceria nenhuma

O post a(tordo)ado

Começou a tourada.
Fernando Tordo emigrou aos 65 anos para o Brasil. Eu admiro o Tordo que acreditou que nunca é tarde para se fazer à vida. E fez.
O Tordo emigrou e foi procurar alternativas. Quantos, aos 65 anos, não acabam por se conformar e deixar-se envelhecer, desistir de procurar e sentarem-se a ver os programas do Goucha, a dizerem mal do (des)Governo e a morrer devagarinho? Quantos têm a coragem e os tomates para dizer "basta" a uma situação que não conseguem sustentar e tentar fazer alguma coisa para a reverter com 65 anos?
Claro que há quem não possa, não consiga, não tenha recursos físicos, intelectuais ou ferramentas para o fazer. O Tordo ainda tem e usou-as, a seu favor, sem pedir subsídios, rendimentos de inserção ou depender do Estado. Agarrou na sua guitarra, na sua mulher e foi.
O Tordo emigrou aos 65 anos e eu tenho pena porque o Tordo não emigrou, segundo me parece, para ter uma vida melhor, luxuosa ou cheia de glamour. Emigrou para poder ter uma vida digna. Emigrou para ter trabalho remunerado e digno. É errado?
Os argumentos anti-Tordo são tão tontos que me dão azia. "Que o senhor não descontou para a Segurança Social e que geria mal o seu dinheiro e beca-beca". Que sabemos nós da gestão financeira do Tordo? Conhecemo-lo? Somos seus gestores de conta? Ou somos é bons, muito bons mesmo, a especular?
A mim parece-me que o Tordo viveu da sua arte toda a vida, com seriedade, dignidade e fiel às suas crenças e valores. Tal como o Paulo de Carvalho ou o Carlos Mendes E o Tordo foi um cantor de intervenção na altura em que cantores e futebolistas não eram Shakiras e Cristianos Ronaldos. E manteve-se fiel à sua arte a vida toda.
Os contra-argumentos continuam: " O que é que o Tordo é mais que os serralheiros que emigraram a vida toda?" Esta hierarquização das profissões não me parece justa. Porque é que um serralheiro vale mais que um músico? Esta crucificação das profissões intelectuais ou artísticas e desvalorização face a profissões físicas parece-me tão parva que mete dó. Eu preciso de passar uma ponte e do trabalho resultante de uma refinaria, sim senhora, mas a minha vida seria muito menos feliz sem música e sem os artistas que fizeram parte da revolução, dando-lhe voz e acordes, para que hoje pudesse estar aqui livremente a escrever a minha opinião. 
"Ai que está tudo com pena do Tordo e esquecem-se dos anónimos que partem todos os dias em todas as idades?" Eu acho que está tudo parvo! Mas desde quando é que temos quotas de lamento? Eu lamento por todos, por novos e velhos, emigrantes a vida toda e emigrantes recentes. E lamento, mais que tudo, as pessoas que partem não por escolha, não por opção, não para terem uma vida melhor, mas como única alternativa para terem uma vida digna. Lamento por todos. Lamento pelos serralheiros e pelos cantores, pelos quadros técnicos e especialistas a quem foi vendida, na minha geração, que um curso e educação superior era a chave para se ter uma vida melhor e que foram defraudados por (des)governos sucessivos. Lamento pelos profissionais indiferenciados. Pelos recém-licenciados. Pelos pais de família que vão sozinhos e vêm os filhos crescer via Skype. E lamento pelo Tordo que não sendo anónimo é o rosto conhecido que representa todos os que têm que partir sem querer partir. E lamento pelo Tordo e por todos os que aos 65 anos, uma vida inteira vivida na expectativa de uma velhice tranquila e sem sufocos, se vêm obrigados a partir. A recomeçar. 
A minha prima emigrará em breve para a Noruega. Vai-nos custar a todos mas-não me venham com merdas!- tem 24 anos, energia, coragem, saúde, ânimo e uma dose de loucura para enfrentar o desafio que se avizinha. É esperta, jovem, pensa fora da caixa e sei que tem muitos mais recursos para fazer face à emigração que a minha mãe com 54 teria, depois de 30 anos a descontar impostos, a construir raízes, uma casa, rotinas e uma vida toda estruturada num determinado sentido. Por isso, sim, lamento pelo Tordo. E por todos os que se venham a sentir compelidos a emigrar no fim da vida. 
Respondem-me que o Tordo fez um circo mediático em torno da sua partida. Eu acho que o Tordo é só um bode expiatório. Que toda a gente está muito zangada com a vida e tem que descarregar a sua frustração na saia da assessora ou no Tordo para se distrair. E percebo também outra das razões porque o Tordo partiu: não é bom viver num país assim, frequentado por gente zangada e que critica quem parte sem querer, quem parte para trabalhar sendo velho, quem parte com lamento. 
"Que vá! Que não faz cá falta nenhuma! Que só viveu de cantigas..:"   E eu tenho pena que quem diz (pensa) isto seja quem fica. Porque eu também quero ficar mas, infelizmente, vou acabar por ficar num país rodeada desta gente mesquinha. E atordoada.
E, então, percebo o Tordo. 

O que é nacional é bom



(E há um dos cantores que é i-gual-zi-nho ao Harry Potter, caraças!)

O Mundo divide-se entre...

... quem dá beijinhos no pão antes de o deitar fora e os outros.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A coleccionadora de memórias



A colecção de brinquedos retro e eighteenage da Ana vai crescendo...

Hoje sou ucraniana



É tornar viral, se faz favor!

Chove em nós

Já não são os nossos avós: são os pais. Depois do pai da Xana, um cinquentão saudável e charmoso ter morrido no balneário do seu ginásio, da mãe da Rosa aos 51 anos ter sucumbido a um AVC, desta feita foi o pai da Catarina,
Morreu para muitos um homem importante. Um ícone da Guiné-Bissau.
Acho que não conheço muita gente que tenha conhecido heróis. Talvez, a Calinhas, avó da Catarina, que conheceu Fernando Pessoa e tem um livro autografado por ele. Fico sem fólego de cada vez que me lembro disto. Mas eu falo de heróis vivos, pessoas reais, que vestem calças de ganga e usam cachecóis do Sporting quando assistem aos jogos directamente do sofá. Eu conheci.
Conhecer o Pepito, era conhecer um herói. Casou-se à revelia dos pais e, assim que nasceu a primeira filha, a família aterrou numa Bissau recém-independente, de onde era natural e onde queria mudar o (seu) mundo. Foi o pai da reforma agrária na Guiné, um político social por vocação e o maior impulsionador do desenvolvimento comunitário daquele país. Não queria dar peixe às pessoas mas ensiná-las a pescar. Não queria substituí-las, queria dar-lhes ferramentas. De Norte a Sul da Guiné, tabanca a tabanca, toda a gente sabia quem era o Pepito, o branco mais preto de que há memória. Viu-lhe ser pilhada a casa e a vida mil vezes e voltou a erguer tijolos, mobílias e a dignidade mil e uma. Dizia que "desistir é perder, recomeçar é vencer". Recusava ser comparado com o Che Guevara afirmando que "Morrer pela revolução é fácil, viver pela revolução é que é difícil". Ele viveu.
Morreu para muitos um homem importante. Um ícone da Guiné-Bissau.Para nós morreu o pai da Catarina, o pai de um de nós. 
Sentiremos a falta do seu sorriso franco de cada vez que nos recebia em Oeiras ou em São Martinho, das histórias da Guiné e do ar embevecido quando ficava criança outra vez só por brincar com a neta com quem dançava música africana e embalava em crioulo. Sentiremos falta do tom propositadamente sério para nos intimidar, do porte de gigante e dos olhos vivos de cada vez que se falava do Sporting. Sentiremos falta da sua presença no quintal com vista para a baía em almoçaradas cheias de gentes vindas de todos os lados do Mundo com quem acabávamos por confraternizar porque a sua casa era como o seu coração: aberta a quem viesse por bem. 
Hoje não chove lá fora mas chove em nós. Morreu para muitos um homem importante.Para nós morreu o único herói que conhecemos e, mais importante que tudo, morreu um pai. O pai de um de nós.

(Um beijo, Catarina. Gosto tanto mas tanto de ti.)



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Morreu um Homi-garandi!



A família deste blog está de luto.

Morreu o Pepito, o pai de um de nós.

Sneak Peek para a próxima rubrica (estava mortinha por ter um título com a expressão "sneak peek", pá!)











Tirem-me tudo na vida e o mais que consigam, mas não me tirem o hotmail!

Tive a minha primeira conta de email em 1998, tinha 18 anos. Foi no primeiro dia de faculdade e pediram-me o email e, no tempo em que não havia cá computadores portáteis como mato nem internet em todas as casas nem muito menos wireless, fiquei com cara de parva sem ter nada para responder à senhora da secretaria. 
Na sala de informática da faculdade a que tinha acabado de chegar, todos os computadores estavam ocupados e tive que fazer tempo no bar da D. Júlia à espera que algum vagasse. Nos anos seguintes, era sempre este o filme de cada vez que tinha que usar um dos computadores (fixos, claro) da sala de informática do ISCTE. 
Nesse dia, assim que entrei, tropecei logo num fio da ligação à internet e desliguei logo o computador do Rui  (eu e os Ruis, caraças...) que viria uns tempos depois a enrolar-se comigo, naquele dia não, só levantou a cabeça por detrás do monitor e praguejou. 
O Paulinho era o help desk da sala de Informática. Percebeu a minha atrapalhação e logo tratou de me apalpar toda enquanto me ajudava a dirigir para um computador que entretanto vagara. "Cabrão do cego!"- pensei eu e desde esse dia passei a tratá-lo pelo "mãozinhas". Ficámos amigos. 
Liguei o computador e tratei de fazer a porra da conta de email, era para isso que ali estava e o Rui, o tal do computador que eu tinha desligado, aproximou-se para me ajudar. Com uma desenvoltura que eu não tinha lá me abriu conta no "hotmail" perante o meu ar ignorante e desconfiado com o nome do domínio: "HOT MAIL? MAS TENS A CERTEZA QUE NÃO ME ESTÁ A ABRIR CONTA NUM SITE PORNO?" Sim, tenho uma mente porca desde os 18 anos. 
Tenho este email, direitinho, desde o primeiro dia de faculdade, Setembro de 1998 para ser mais precisa, um endereço perfeito sem under scores nem números, o meu primeiro e último nome seguidos da arroba e do hotmail ponto com e gosto dele, nunca o tendo substituído por nenhum gmail, aeiou, iol, sapo ou o diabo a quatro. 
Hoje o cabrão do hotmail diz-me:

Here's to a great year

Now is the perfect time to get an @outlook.com address.

É esta a paga de 16 anos de amor e fidelidade, quer que mude para "outlook.com" e eu não quero, recuso, amuo e faço birra. Estou tão zangada que estou quase a chamar o Rui de I.G.E para me acudir, para interceder por mim, afinal este "hotmail" foi "the beginning of a beautiful friendship"... 

(Será que ainda está giro? :P )


I love Cocó e Cocómen!


"Quadripolarizei Delhi, Pólo Ruth Norte! (a folha era manhosa, tinha texto atrás, mas foi o possível!)"

प्रिय Cocó eu amo vocêses, pá!


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Amar para dentro

Eu chamo-lhe a teoria do amor em casca de cebola mas para estes efeitos chamar-lhe-emos a teoria do amor matrioshka.
A primeira pessoa que amei incondicionalmente foi a minha mãe. Amor daquele tipo mesmo cego, amor de placenta, de cordão umbilical, amor para fora. A minha mãe é como a matrioshka maior, a mais robusta e a que alberga em si, como no seu coração, as matrioshkas mais pequeninas. No nosso caso, a mim. Agora à Ana.
Amar a minha mãe é amar para fora, amar numa linha hierárquica inferior, amar com reverência, admiração, com menos divisas da vida. Amar a minha mãe é amar sem responsabilidade de proteger, é amar em posição fetal, amar no colo dela aninhada, amar podendo ser frágil, pequenina, amar sabendo que tudo vai correr bem porque ela está ali, exoderme da cebola, matrioshka de fora, carapaça da minha alma, senhora de mim.
Foi com a minha prima, muito antes da Ana, que aprendi a amar para dentro. Amar sendo eu o escudo, eu o capacete, amar com a capacidade de dar o corpo às balas por ela, primeiro pequena, minúscula e frágil, depois maior que eu em altura mas sempre mais pequenina em idade e em mimo, a minha primeira caçula. O meu primeiro amor bebé.
Dez anos nos separam, a mim e à minha prima, cuja existência me ensinou a amar protegendo, amar com o peito inchado, amar com responsabilidade, amar dando colo, fazendo festinhas e dando beijinhos para o dói-dói passar, amar sendo brava, fingindo ser adulta, dando lições de moral enquanto aparava golpes, amar esboçando alguns sorrisos nas costas dela, amar sem dar parte fraca, amar com condescendência, com voz grossa e olhos arregalados, amor com colo. Colo meu.
 Foi com a existência da minha prima que aprendi a amar para dentro, pequenina matrioshka dentro do meu coração, por quem iria ao fim do Mundo para salvar, por quem enfrentaria intempéries e tempestades para ceder o meu agasalho, por quem daria um orgão do meu corpo, por quem faria sacrifícios para ver feliz.
Hoje, tenho duas camadas de cebola por debaixo da minha casca, duas bonecas matrioshkas mais pequeninas que tão bem encaixam dentro de mim. Mas foi, há 24 anos atrás, com dez anos de idade, que a minha prima me ensinou a amar assim: amar para dentro. 

Feliz Ano Novo Didi, caçula maior, raínha dos digitais! Love u. 

Duas ou três almas percebem o contexto mas tenho como missão responder isto a toda a gente que me fala do frio esta manhã

"Frio? Eu não tenho frio: eu uso thermoteb."

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Publicidade desencapotada




Almofada e porta-chaves personalizados: aqui

Fiesta caliente

Eu e mámen sentados à mesa do jantar de aniversário. Amiga, de pé, ao lado, a conversar connosco. Namorado da amiga chega-se e brinca com ela, acendendo o isqueiro junto do casaco de ganga desta. 

De repente, um calor enorme, um bafo gigante de uma só vez. Amiga um segundo calada e depois um grito: "Estou a ardeeeeer!!!!" 
Mámen, levanta-se, munido do espírito de bombeiro "Estás a ardeeeeer, pá!" e esbraceja.

Amiga tira o blusão de ganga num ápice. 

Duas amigas sentadas à frente assistem ao episódio imperturbáveis. Uma delas, com ar muito calmo:

-"Ligaram o ar condicionado na ventoínha quente aí na parede em cima de vocês, sim?"



Estou a rir-me até agora e isto já foi ontem eram umas duas da manhã. 

Cozinhar é química ou arte?

Ela faz o melhor risotto de que há memória munida de relógio com cronómetro, copos com medidas certinhas em decilitros e um rigor científico, fruto de anos e anos de laboratórios e investigação.
Ele cozinha como quem pinta: por instinto, sem medidas nem tempos certos, ao sabor da inspiração.
Ambos são os melhores anfitriões gastronómicos do Mundo e eu agradeço ao destino ser amiga dos dois.
Ontem, foi a festa de aniversário dela. Ele terá que esperar pelo próximo mês. Nós? Nós gostamos de presentes personalizados.
Porque há casais que se complementam também como o sal e o açúcar, o azeite e o vinagre, vinho tinto e queijo da serra.
Porque para ele cozinhar é arte. Para ela:




Parabéns, Luna!



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