terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem diz carrapito e entre quem diz puxo.

Pólo Norte descobre um dos segredos mais bem guardados da Humanidade*

Uma pessoa penteia-se bem penteada. Uma pessoa maquilha-se. Uma pessoa até põe uns pózinhos na cara para parecer mais rosadinha e com um ar bem saudável. Uma pessoa veste uma camisa com um decote bonito para o colo ficar apresentável.  Uma pessoa treina o seu melhor sorriso sem mostrar os dentes ao espelho. Uma pessoa sai de casa confiante. 

Uma pessoa  chega e tira uma senha. Uma pessoa percebe que tem 30 pessoas à espera de serem atendidas antes de si. Uma pessoa senta-se. Uma pessoa levanta-se. Uma pessoa vai beber um café e esborrata o batom que tinha posto de manhã. Uma pessoa compra uma revista. Uma pessoa coça a cabeça (e despenteia os cabelos) enquanto lê as fofocas. Uma pessoa começa a marcar pastilha elástica para se entreter. Uma pessoa mete conversa com a pessoa do lado. Uma pessoa começa a ficar cansada. Uma pessoa recosta-se à cadeira desconfortável. Uma pessoa esfrega os olhos e bezunta a fronha toda de rímel. Uma pessoa encosta o braço ao apoio da cadeira, leva a mão à bochecha outrora pintada com os pózinhos saudáveis para segurar a cabeça. Uma pessoa tem vontade de fazer xixi mas não há wc no serviço. Uma pessoa está desesperada, descabelada, desmaquilhada, desmiolada e destrambelhada quando, finalmente, é chamada. 

Uma pessoa está tão exaurida que o único consolo é que descobriu, finalmente, um dos segredos mais guardados da Humanidade. 




[*Está assim desvendado porque é impossível alguém ficar decente nas fotografias do cartão de cidadão.]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Foi um hygge que se nos deu!

      Resultado de imagem para hygge decor funny





Com a mudança de casa tentámos decidimo-nos a destralhar.

Muito convicta- depois de mil contas do instagram visitadas e revisitadas, depois de imagens e imagens do pinterest percorridas, de me deliciar com o ar relaxado, zen e pacífico das bloggers/instagrammers/pinteresters e senhoras com ar de quem não dá um pum com canecas de chá nas mãos e mantas brancas/cinza/bege de lãs XL de ovelhas felizes da Escócia profunda em cima dos joelhos, a viver em casas brancas, com móveis brancos, sofás brancos, tudo alinhado, tudo arrumado, filhos imaculados, quartos das crianças sem brinquedos que parecem capas de revista de decoração, cozinhas de bancadas livres, paredes sem furos nem quadros (a tendência é poucos quadros e todos em cima de móveis baixinhos e encostados às paredes) e casas de banho com sabonetes naturais e orgânicos sem corantes nem conservantes fabricados em casa por mulheres no seu décimo primeiro dia de ovulação em noites de lua cheia- eu queria uma casa hygge.

Eu queria uma casa hygge, minimalista, sem ruído visual/sonoro/auditivo/sensorial, imaculada e zen para ficar com aquele semblante feliz e pacífico das senhoras dos blogs/ instagram/pinterest com ar de quem não dá um pum.

A casa nova era o melhor pretexto para destralhar. Comecei por partilhar com mámen a ideia e de lhe mostrar alguns exemplos de ambientes que gostaria de reproduzir.

Começou logo a complicar: "mas essa gente não vê televisão? Onde é que eles enfiam a televisão? Num armário fechado?". Revirei os olhos e expliquei-lhe que poderíamos viver sem televisão e tal, que até era bom e ele lembrou-me as vezes em que precisamos de limpar a casa/trabalhar em silêncio/estar concentrados a fazer uma tarefa e que somos salvos pelo Disney Channel a hipnotizar entreter a miúda. Ok, concedo na televisão. "Mas olha lá: e os livros? Essa gente com cara de quem não come para não fazer migalhas não lê? Onde é que eles enfiam os livros?" Pronto, estragou tudo que se há coisa que eu levo a  sério são os meus ricos livrinhos e sim, tínhamos que comprar estantes q.b. que livros são mais de mil. "E se forrássemos os livros todos de brancos para ficar visualmente clean?"- atrevi-me, num delírio. Lançou-me um olhar gélido e disse-me que poderia deixar essa tarefa para a reforma, pois que era um excelente passatempo para esperar a morte.

A ver as casas de banho dos ambientes por mim seleccionados no pinterest dei por ele a rir às gargalhadas: "Tu estás a gozar comigo? Esta gente não tem papel higiénico à vista! Não têm caixote do lixo para meter papel nem piaçabas? Ou não limpam os rabos ou têm problemas de canalização e lá se vai o hygge deles cá com uma pinta..." Respirei fundo., Respirei muito fundo.

Fomos ao quarto da Ana e começámos a olhar com o filtro do hygge para aquilo. O hygge reforça a ideia de desapego e minimalismo e o quarto da Ana é um souk de Pinipons, Barbies, Nenucos e Legos. Um atentando a qualquer hygge que se preze, portanto. "Bem, poderíamos reduzir o número do brinquedos, não achas?" "Sim, sim. Tiras a TV da sala, gamas-lhe brinquedos e depois é melhor tapares as tomadas de casa e preparares-te para uma dolorosa e hygge conta de pedopsiquiatra, boa ideia, sim senhora". Estúpido, a boicotar o meu hygge!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que se queixam do frio e as pessoas que se queixam das pessoas que se queixam do frio.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Há algoritmos inteligentes. E depois há os meus...


[Vide post anterior.]

De noite todos os gatos são pardos. E de dia também, granda porra!

cat crazy wow kitten spinning


Disclaimer número 1- não sou uma animal lover. Não sou, pronto, já disse. Não que seja uma animal hater, credo, que horror! Mas não sou aquele tipo de pessoa que se derrete com bichinhos, que pára na rua para fazer festinhas a gatos vadios nem que têm um impulso imediato para resgatar todos os cães abandonados com que se cruza. Também gosto demasiado de chicha para um dia ponderar vir a ser vegetariana e nem me passa pela cabeça deixar de comer carne (Aliás, de cada vez que penso na alcatra dos Açores salivo. Pavlov explicará.) Em minha defesa, também vos afianço que não consigo fazer mal nem a um insecto. E se vir um animal em apuros sou incapaz de não o socorrer, que não sendo uma animal lover, sou sensível. E desde que pari que deixei de comer leitão à conta disto

Disclaimer número 2- Depois da minha cadela Laica ter morrido fiquei com dificuldade em afeiçoar-me a animais de estimação (a Psicologia também explicará.) E só cedi aos gatos porque a minha filha adoooora bichos e sei as vantagens de crianças e animais coabitarem.




Tenho azar com os bichos. Com gatos, mais propriamente. O Freud de Mámen morreu de velhice e deixou-o num pranto. A seguir tivemos a Tuvy que morreu de uma doença manhosa e eu jurei que nunca mais queria gatos.
A Mimi foi a minha primeira excepção. Maria Emília era uma gata distinta que o pessoal da empresa resgatou da rua e me empandeirou. Eu disse que não, que não era uma "animal lover" mas ninguém me ligou. Um dia, mámen e Ana foram buscar-me ao trabalho e a Ana apaixonou-se pela gata. Trouxemo-la para casa. Mimi tinha problemas: atirava-se contra os vidros das janelas, miava muito, esgravatava a porta e todas as janelas da casa. Queria, desesperadamente, sair. Ora eu não percebia aquela fixação da ingrata: tinha cama, comida (da húmida!) e roupa lavada lá em casa. A Ana adorava-a de paixão. Nas férias levavamo-la connosco e acompanhava-nos para todo o lado para onde íamos. Mas o que a gata mais queria na vida era bazar. A veterinária disse-nos que parecia que ela tinha uma psicopatologia qualquer (claro, com tantas gatas no Mundo a gata maluca tinha que me calhar a mim!) e aconselhou-nos a colocá-la num quintal com outros animais. Foi assim que tivemos que a colocar na casa de uma pessoa da família, onde vive feliz desde então e não nos liga peva quando estamos lá de visita. A Ana continua a ficar desgostosa com tanta ingratidão. E eu voltei à minha conviccão: acabaram-se os animais cá em casa.
Mas depois abandonaram o gato à minha porta. Literalmente. E a senhora da loja de animais estava a passar na rua nesse preciso momento e "Óóoo, fica lá com ele! Eu amadrinho-a! É tão bom para a Ana e mimimimi". Ficámos. Baptizámo-lo de Papo-Seco (baptizou a Ana, honra lhe seja feita).
Papo-Seco era um lord na minha casa. O gato mais lord que possam imaginar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Uma quadripolarização especial



Esta é a minha melhor amiga.
Quando percebi que ela estava apaixonada por um muçulmano torci o nariz, desconfiei muito, e só não agoirei porque gosto tanto dela que não podia torcer para que desse errado uma coisa que ela queria tanto que desse tanto certo.
Não acolhi o novo membro do clã como ele merecia. Deixei o meu preconceito, os meus estereótipos, o meu etnocentrismo dominar-me durante muito tempo, mais do que o razoável, demais o suficiente para me envergonhar.
Foi um processo moroso o de dar hipótese à pessoa em detrimento da sua religião, dos seus costumes, dos seus hábitos.
Hoje gosto muito dele. Mais do que alguma vez imaginava. Senti-o verdadeiramente quando, passados muitos anos, no último Verão nos abraçámos na maternidade. Ela não viu o abraço. Mas foi um abraço muito bonito e sincero, muito sentido.
Partilhei com ele um dos dias mais bonitos das suas vidas. Talvez o mais bonito de todos. Estava lá, não só testemunha de uma sobrinha especial, como a participar naquela bênção.
A minha sobrinha é filha de uma judia e de um muçulmano como se fosse um prenúncio do entendimento israelo-árabe, mais do que tolerância: de celebração da diversidade.
Esta quadripolarização do Líbano aconchega-me mais do que todas as outras. É a quadripolarização de uma amizade sem fronteiras. Que derruba todos os preconceitos, estereótipos, intolerância e sentimentos que, hoje, muito me envergonham.
À sua maneira, é uma quadripolarização de amor.


 [Líbano quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Eu avisei que em 2017 ia rebentar com o rácio de quadripolarizações por mês


"Quadripolarizámos o Japão!
Achei que o castelo Himeji, o "cisne branco", ficava bem na tua colecção. "

Beijo enorme com uma pontinha de inveja, querida Luisa.
Mil obrigadas com sabor a sushi!

 [Todos os países quadripolarizados aqui]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pai Natal kinky

O primo lá de casa prontificou-se.
Fizemos o plano: ele ausentar-se-ia, discretamente, por altura das sobremesas. O fato de Pai Natal estava no meu quarto para onde ele se escapuliria. Saia pela janela do meu quarto e aparecia a passear pelo quintal, fazendo algum ruído, até que a Ana o vislumbrasse e começasse a euforia.
Dir-lhe-ia um adeus, corria até à janela do quarto da Ana onde dava cabo do leite do copo e mordiscava a bolacha e roubava a cenoura e deixava lá toooodas os presentes que nós, convenientemente, levaríamos para a sala, onde a pequena os abriria.
Correu tudo como planeado, foi o êxtase e correu tudo perfeitamente.

Ontem ao jantarmos, nós os dois sozinhos e a fazermos o debriefing das festas:

Eu: "Epá, o Hugo foi brilhante!"

Mámen: "Por acaso, foi. Foi perfeito. Até do sino ele não se esqueceu..."

Eu: "Ele trazia sino? Eu estive a tirar o fato e as botas de Pai Natal do saco dele e não vi sino nenhum..."

Mámen: "Trazia, pois. Foi com o sino que a Ana deu sinal da presença dele..."

Eu: "Estranho... Onde é que ele desencantou o sino?"

(Mando um sms ao primo a perguntar onde é que o tipo foi desencantar o sino"

Resposta: "Ah, estava um no teu quarto..."


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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem passa TODAS as refeições dos primeiros dias do ano novo a morfar os restos das Festas e os outros.


E a estrear o ano quadripolar


... Israel finalmente quadripolarizado pela querida Andreia!

<3


 [Todos os países quadripolarizados aqui]
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