quarta-feira, 30 de março de 2016

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que têm códigos PIN dos cartões mutibanco com a combinação de dia/mês ou dia/ano de uma data especial e as outras.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Quando um filho está infeliz, nada mais importa



Imagem: Desfigura (um dos artistas que colaborou no desafio semestral do Bairro do Amor)


A primeira luz pelas frestas dos estores e as manhãs a sucederem-se. O despertador a tocar uma, duas, três vezes intercalado com movimentos bruscos para o calar. Ele a acordar primeiro que toda a família, gosta assim. Oiço-o na cozinha a beber o seu café da manhã em silêncio e a fumar o cigarro proibido, antes de eu resmungar que lhe faz mal, antes da miúda fazer coro comigo. Depois, uma a uma, acorda-nos. Desperta-nos. A cada uma da maneira que sabe que nos aborrece menos (temos ambas mau acordar). Começa o barulho e a correria. O pequeno almoço partilhado, eu a vesti-la e a calçá-la, ele a penteá-la, ela gosta assim que cada um tenha as suas tarefas, a mochila feita de véspera a tira-colo, melhorámos os nossos tempos das corridas da manhã, diminuímo-los para metade desde o início do ano lectivo, vamos a cantar até ao Jardim de Infância. 
 Saímos de casa, agora, sempre a tempo de chegarmos a horas como se as horas finalmente se tivessem acertado com as vontades e as emoções. O pai veste-lhe a bata à entrada, arranjo-lhe o cabelo e dou-lhe um beijo na palma da mão que ela encosta, de imediato, ao coração, numa espécie de amor de reserva que ela guarda naquele gesto para quando sente saudades de nós: eu e ela, nós numa cumplicidade sem fim.

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