sábado, 30 de março de 2013

Oh céus, ao que eu cheguei! (private post para mães de criaturas)

Sabes que andas a assistir a demasiados episódios do Pocoyo quando a tua interjeição de eleição deixa de ser "foda-se!" ou "porra!" ou "caramba!" e passa a ser "oh céus!".

Se não tens uma tradição pascal: cria-a!

Hoje chorei-me ao pé da minha tia que "não tinhamos terra". Refutou que Cascais é uma terra. "Que não tinhamos tradições pascais". Refutou que o padre de Alcabideche não vai de casa em casa a dar o Cristo a beijar há séculos. "Que não tínhamos iguarias pascais".

Amanhã inicia-a a tradição do "cozido à portuguesa para o almoço de domingo de Páscoa" nesta família. 

(Ana, ficas-me a dever uma, filha!)


sexta-feira, 29 de março de 2013

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que têm famílias com tradições pascais, cabrito assado, missa, cabrito assado, padre a benzer as casas, cabrito assado, mais comida, entre a qual cabrito assado e as pessoas com famílias como a minha.

Humpf.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Todas as terras deviam ser assim

A minha terra tem uma "Rua Direita". Tem um "Café Central" e um "Cantinho do Morais". No Largo da Igreja há um coreto. Tem um padeiro que ainda faz pão em casa e o deixa de manhã à porta das pessoas. Flores amarelas de erva azeda em vez de ervas daninhas pelas bermas da estrada, Há uma Rua 25 de Abril. Tem pessoas que dizem sempre "bom dia" a quem passa, mesmo que sejam desconhecidos. Ao meio dia toca a sirene dos bombeiros. Tem um campo da bola. Tem festas em honra da padroeira com bailaricos. Tem um velho rebarbado que adora dar beijinhos e abracinhos às amigas de infância da filha. Um posto da GNR. Andorinhas a fazer ninho nos beirais dos telhados na Primavera. Tem uma marginal. Um Grupo União Desportivo. Tem um moinho de vento. Tem um grupo de gordas que vestem coletes reflectores amarelos e fazem marcha pela aldeia à noite. Um carteiro que se entrega cartas deslocando-se numa Zundapp Famel. Tem um café com uma empregada que sabe tudo da vida de toda a gente e que se chama Patrícia mas que tem o apelido de "Correio da manhã". Tem Pão por deus dia 1 de Novembro. Tem uma mercearia que toda a gente achou que ia à falência com a abertura do shopping mais próximo mas que resiste porque vende o pão de Mafra,  o chouriço de sangue do Minho, os queijos frescos mais frescos e iguarias típicas directamente dos fornecedores locais. Tem ovelhas e pastores que fazem parar o trânsito, às vezes. Tem beatas que moram ao pé do adro da Igreja e que vão a todos os funerais e velórios, mesmo que não conheçam os mortos. Tem uma poetisa popular que faz quadras à desgarrada. Tem um sino que se ouve, altaneiro, às onze da manhã de domingo. Tem vizinhos que se cumprimentam por "vizinhos" como se fosse um parentesco. Tem um cata-vento no telhado da escola primária. Tem muita gente que não sabe o meu nome mas sabe de quem sou filha e neta. Tem o "enterro do bacalhau" todas as quartas feiras de cinzas. Tem gente que se conhece pelo nome próprio. 
A minha terra tem vida lá dentro. 

E a tua?

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que vivem numa terra que tem uma "rua direita" e os outros.

terça-feira, 19 de março de 2013

Ao Pai cá de casa (para mim, sempre, Mámen!)


... hoje é o teu dia, este, a coroar todos os que já se somam e os que se seguirão. Hoje é o meu dia também, um dia do Pai com Pai, ainda que não o meu, o que foi escolhido por mim. Hoje é o dia da Ana, cópia de ti, olhos de mar, sorriso húmido como as brumas das ilhas. Filha. 
Ofereceste-te por inteiro e hoje és o Pai desta casa, ofereceste-me um Pai para dedicar a uma filha, tão linda, tão tua, tão nossa. 
Hoje é o teu dia e queremos que saias cedo do escritório. Gostamos de ti assim, calmo e pachorrento, cool e divertido, adulto e ao mesmo tempo criança. Tu tens sempre vagar, Pai cá de casa, e quando te apressam dizes como quem tem todo o tempo do mundo que "o mar é já ali!" Não gostas que te pressionem e vives ao ritmo da dolência das ondas do mar dos Açores, azul como os olhos da Ana. É uma questâo de metabolismo insular.
No entanto, Pai cá de casa, sabemos que o tempo pára quanto pegas na Ana ao colo, lhe fazes cócegas na barriga, brincas com os lábios barulhentos na curva do seu pescoço ou a atacas com uma crise de beijos sem fim. Sabemos que aí, só aí, não há pressa nem tempo e gostamos quando nos confidencias que durante o dia de trabalho fechas os olhos, tão iguais aos dela, e te concentras nesse azul tão vosso, no riso dobrado e te apetece dar corda aos ponteiros do relógios e varreres o tempo para te juntares a nós. Aqui, onde a vida passa ao ritmo dos teus Açores. 
Sabemos que, durante o teu dia de trabalho, o mar às vezes está longe e não é já ali. Que o tempo tem que ser mastigado, que o ritmo te esgana o compasso da vida e que só tens pressa de voltar a casa, filha nos braços, colo do tamanho de um oceano. 
Por isso, Pai cá de casa, queremos dizer-te que o teu posto de abrigo é aqui. Pedir-te para te apressares de todas as obrigações, para beliscares os ponteiros dos relógios quando as horas nos apartam e que te lembres dos olhos cor de mar da tua filha, que te espera com um sorriso de estrela. Estrela do Mar. Porque aqui, Pai cá de casa, o tempo tem outra dimensão e é vivido à velocidade do amor. Porque aqui podes ser tu. E esperamos-te sempre com olhos de riso e de mar.
Porque, afinal, o mar é já aqui. Amar é já aqui. 





quinta-feira, 14 de março de 2013

Sou má de março

Morreste-me e a minha vida ficou amputada como uma árvore a que cortam as raízes. O meu tronco mantém-se de pé (sim, as árvores morrem sempre de pé, lembro-me da lição!) e a minha vida tem flores e até deu frutos, avó. Mas nunca serei eu inteira sem vós, sem ti. 
Morreste-me e fecho os olhos, todos os dias, para manter presente cada sinal de ti, a pele enrugada, o cheiro a terra, a erva, a Minho. As orelhas furadas com as argolas de ouro e as mãos- ingratas- a falharem-te, rijas como que solidificadas à força do pulso forte com que regias a vida. Os olhos verdes escuros, o nariz arrebitado, as sobrancelhas que me deixaste de herança. Fecho os olhos e oiço, todos os dias, a tua voz rouca, a pronúncia do Norte, o tom impaciente, as expressões tão tuas. 
Morreste-me e não passa um dia sem que me lembre de ti à força de não te querer esquecer, ainda que arda a tua morte recente, o ontem que ainda aqui estavas, a tua pele, avó, o pão com manteiga aquecido nos bicos do fogão, os teus cabelos negros, o leite morno com café e cacau, coisas tuas. 
Morreste-me mas perduras para além de todas as memórias que faço questão de alimentar, tenho medo de um dia a memória me falhar, avó, e preciso saber-te de cor e salteado- como ontem- para sempre. Perduras numa presença invisível, de sentir, sem explicação. Mas morreste-me e não podias ter morrido assim. 
Hoje é o teu dia, avó, e falo contigo no presente porque morreste-me mas nunca morrerás em mim. Serás presente enquanto eu existir porque o pretérito não foi perfeito, porque te levou num passado recente, para longe de mim. 
Quando passarás a provocar-me um sorriso saudoso nos lábios em vez de lágrimas de perda e de solidão, avó? A vida, sem ti, não me sacia. Fazes-me tanta falta. 
Hoje é o teu dia, avó. Escuta-me, baixinho, a cantar-te os parabéns. O avô ri e tu zangas-te com ele. Rimo-nos os três. Não me voltas, avó mas eu estou aí, agora estou aí, a cantar-te os parabéns. No regresso, trago um restinho etéreo de ti para alimentar a Ana pequenina, que te vai conhecer como se vivesse contigo. No regresso, trago essa raiz que a tua morte me levou para a plantar nos pés desta bebé, por estaca ou por semente, não sei, mas vai pegar, avó. 
Tu sempre me dizias que se deve falar com as flores para elas crescerem mais bonitas. 
Parabéns para ti, minha, nossa avó!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Porque hoje é dia 13...




You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, i want more stage
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
I don't see what anyone can see, in anyone else, but you


terça-feira, 12 de março de 2013

Hipoactiva e subdotada. Mas é incrivelmente bonita e isso é capaz de lhe vir a dar mais jeito! (Tooomem, que já não vos aguento!)

Eu não suspiro por uma filha racing. Não aspiro uma filha que dê voltas à pista da vida mais depressa que os outros. Que chegue primeiro a lado nenhum.
Eu não faço questão que a minha filha se sente aos 4 meses, que ande aos 6 e que fale aos 9. Eu quero uma filha com tempo para experimentar a vida, ao seu ritmo. Uma filha que não engula a vida, com pressa, mas que a saboreie devagarinho.
Eu não sonho com uma filha que leia aos 3 anos, que faça fracções aos 6. Eu quero uma filha com tempo para questionar cada aprendizagem, para reflectir sobre ela, a aperfeiçoar ou a pôr de lado e explorar alternativas. Uma filha que experimente a vida como se estivesse num provador e que escolha a que melhor lhe assente, sem olhar a moda ou padrões impostos.
Eu desejo que a minha filha tenha o seu próprio estilo de vida. Sem pressões para ser mais rápida, mais esperta, melhor. Eu ambiciono que a minha filha não entre em corridas, comparações, inseguranças de quem se baliza pela norma. Eu desejo uma filha que crie as suas próprias regras de felicidade e seja fiel às suas convicções . Eu quero uma filha com tempo para poder reflectir naquilo que serão os seus dogmas, as suas crenças, a filosofia com que regerá o que a torna feliz. 
Eu não quero que a minha filha seja "primeirasss!", uma filha de "quadro de honra" da vida, uma filha que faz para se sentir admirada, invejada ou role-model para os outros. Eu não quero uma filha que precise de validação externa, de palminhas, de público. Eu quero uma filha que tenha os aplausos dentro de si. 
Eu não desejaria uma filha sobredotada. Eu quero mesmo é uma filha sobrefeliz. 




O mundo divide-se...

... entre as pessoas que na adolescência compravam a "Bravo" em alemâo, sem perceberem um boi do que lá vinha escrito só por causa das fotografias dos ídolos da altura e as outras. 

domingo, 10 de março de 2013

Quadripolaridades da minha vida familiar

Mámen prepara-se para fazer o jantar. Pergunta-me pelo martelo dos bifes. Respondo-lhe que parti o cabo e o deitei fora. Cala-se. Vai à lavandaria, passa no armário da casa de banho, vislumbro-o a passar no corredor com um frasco de álcool etílico. Encosta a porta da cozinha. Oiço-o a martelar os bifes.  Silêncio. Sinto o cheiro a carne grelhada, 
Muito intrigada, espreito pela friesta da porta da cozinha.
Em cima da bancada jaz isto:

Martelo IKEA

...

...

...


sexta-feira, 8 de março de 2013

A maior glória de uma blogger


Theme song à laia da Ally McBeal

Reunião às 08h da manhã. O interlocutor chama-se Serafim.
Maldito Herman, que me impediu de me concentrar na conversa pois estava ocupada a tentar silenciar isto na minha cabeça:


quinta-feira, 7 de março de 2013

Com tão pouco se faz feliz uma criança

No Santini a empregada tratou-me por "menina". 

Fiquei tão contente que enfiei logo no bolso a mão da aliança e virei-me para a bebé e disse-lhe "a tia já te pega ao colo...". :P

domingo, 3 de março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ó p'ra mim armada em psicóloga social!

"A teoria frustração-agressão de Dollard et al. (...)  No quadro desta teoria, a frustração, decorrente de interferências na realização de expectativas, conduz à agressão (v. Monteiro, 1993), e, quando um mesmo conjunto de factores produz simultaneamente em diversos indivíduos um estado de frustração, assiste-se à produção de formas de agressão colectiva"- Professor Jorge Vala (Avé!)

(crise/desemprego/país na miséria)




 "No grupo experimental, apenas um dos sujeitos é o verdadeiro sujeito experimental, e por isso é o sujeito ingénuo, enquanto os restantes 7, são comparsas do experimentador. Cada um dos sujeitos dá a avaliação em voz alta, sendo que os comparsas dão doze respostas erradas em dezoito ensaios experimentais. Estes respondem antes do sujeito. Deste modo, o sujeito ingénuo encontra-se numa posição minoritária e, apesar de não existir qualquer tipo de pressão explícita por parte do grupo, este chega a cometer erros que atingem os 5 cm. Como resultados, Asch obteve que menos de 30% dos sujeitos experimentais não se conformaram à pressão implícita pelo grupo, ou seja, um terço dos sujeitos mantiveram-se independentes o que leva a colocar a questão de quais são os factores que explicam o conformismo. O conformismo do sujeito será aumentado se reforçarmos a dependência do indivíduo em relação ao grupo: por exemplo, se o grupo é apresentado como particularmente atraente, o indivíduo deseja integrar-se nele. No entanto, é preciso notar que, quando o sujeito está de novo sozinho, ele volta às estimativas correctas." 

(fenómenos de interacção grupal/influência social/normas de grupo/conformismo(carneirada)

Polémicas várias de Pépa. Et al. 

(o "et al" em latim é para dar um ar de entendida no assunto, mesmo!)

Sim, meistre!


E assim voltamos com a rubrica "Avé, facebook!"
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