quinta-feira, 11 de abril de 2013

Crónicas de um hospital: como descobrir um telespectador da Júlia Pinheiro no meio de uma extensa enfermaria (mista)

Enfermeira: Então senhor José, vai almoçar uns bifinhos com cogumelos?

Doente: Ó sra. enfermeira, diga-me lá: são cogumelos do tempo?


(Não, não estou no Hospital Júlio de Matos...)

Crónicas de um hospital: a companheira de quarto

Sandra Cristina. 42 anos. Assistente de laboratório. Cabelo loiro platinado e um pele de fazer inveja a uma miúda de 20. Conhecemo-nos na manhâ de segunda, somos companheiras neste quarto de hospital. 
A Sandra Cristina diz muitas vezes "é evidente" e também "chiça penico!". Quando está com dores diz "chiça penico" umas 232 vezes por minuto. 
Há dois horários de visita. Um das 13h às 14. E outro das 16h às 20h. Desde segunda que recebe a visita de um homem muito bem apessoado à hora de almoço. Tem sapatos de comercial, e embora ainda não tenha tido lata de lhe perguntar, aposto que é comercial (os sapatos traem-nos sempre). Chega, dá-lhe um beijo na boca e fica ali a falar da vida enquanto lhe dá o almoço à boca. As enfermeiras entram e ela lá se justifica "aqui o meu irmão isto  " ou pede ele" podia arranjar uma almofadinha extra para a minha irmã". Riem-se quando a enfermeira sai e piscam o olho. A mim não me dizem nada e eu tenho pena porque andei desde segunda, encasquetada, por haver famílias cujos irmãos se osculam nas beiças. 
Na visita da tarde vem outro homem. Mais velho e com pêlo a saltar-lhe do peito, tipo volumoso, uma permanente peitoral. Num dia dá-lhe uns chinelos novos, no outro umas revistas. Beija-a sempre na boca mas só com beijos bate-chapas. 
Mantive-me calada estes dias todos. A Sandra Cristina não é de muitas conversas. E eu não quero parecer intrusiva. 
Ontem a Sandra Cristina estava melhor. O "irmão" veio à hora de almoço e ela pediu-lhe ajuda para tomar banho. Ouvi uns "ais" dentro da casa-de-banho que partilhávamos mas, já se sabe, uma cirurgia à coluna não é pêra doce. O "irmão", coitado, deve ter tido uma carga de trabalho para a ajudar, saiu transpirado e com a roupa respingada. Ouvi, ao longe, um "chiça penico" seguido de risadinhas. A Sandra Cristina é uma pessoa limpinha, apreciou o banho de certeza. 
À tarde chegou o outro senhor e trouxe o Fábio e a Íris e lá foi avisando "temos que poupar a mãe quando tiver alta, que agora não pode fazer muitos esforços, têm que a ajudar a fazer as coisas que o pai trabalha muito e não pode". "É evidente!"-. respondeu a minha companheira de quarto. A Sandra Cristina fica mais queixosa na presença do homem com pêlo volumoso com mise ao peito. 
Três dias depois pergunto-lhe a que foi operada, afinal. Responde-me, secamente, como se não quisesse socializar: "medula ancorada". 
E eu deslindo o mistério todo desta D.Sandra Flor Cristina da Rinchoa e seus dois maridos : com tanto marinheiro a saltar-lhe à espinha, CHIçA PENICO, não é de admirar que a medula ancore. É EVIDENTE!


("Irmão"! Pfff. Eu sou mesmo toné...")

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Crónicas de um hospital: o internamento

Acordei paralítica. Não é eufemismo: paralítica. Não me mexia nem conseguia sair da cama. Mámen começou a gozar e eu ali, tipo vegetal. Às tantas o tipo assustou-se. Fomos para o hospital na expectativa de levar uma injecção de Voltaren ou whatever e me vir embora. Maldisse as hérnias umas 2325 vezes e acho que esgotei todo o meu vocabulário de palavrões.
No hospital levo a primeira injecção. A dor, a dormência continuavam. Vai ao soro e aos analgésicos intra-venosos. Tudo na mesma. Quer dizer, tudo pior que para além das dores nos costados agora doía-me o nalguedo que se fartava e tinha uns 32 furos na mão (veias mais lindas e mais bailarinas da sua dona: fodei-vos!).
O médico lá nos adianta: têm que ir para o Hospital de São Francisco Xavier. "Ah, está bem, vou buscar o carro e vamos já, não se preocupe!"- sossegou-o mámen. Nada disso. O doutor achou por bem que eu teria que ir de ambulância. Nesta altura eu já não praguejava, eu já tinha reencarnado numa peixeira do Bolhão. Chegam os bombeiros e enrolam-me numa coisa tipo aqueles sacos térmicos prateados que arrefecem os vinhos nas tascas e sacam das sirenes. Sim, com sirenes e tudo! Um show! E, pronto, mais um "eu já" ali para cima para o separador da ursa: "eu já cheguei a um hospital mascarada de Kenny dos South Park mas em versão silver-Cher". Uma lindeza!
Chegada ao hospital S. Francisco Xavier eu só dizia: "é uma ligeira dor nas cruzes" mas ninguém me dava ouvidos e, quando dei por mim, parecia um peru a entrar no forno no dia de Natal mas em versão máquina de TAC. 
Entretanto, metem-me nos cuidados intensivos e mámen ali, assustado como tudo, tipo "dói-te assim tanto as costas?". Ia eu responder quando o homem apanha o susto da vida dele: Pólo Norte apaga. Sim, tipo aquele faduncho do Hérman do "mãezinhaaaa, nãaaooo te apagues!". Mámen pensou que eu tinha quinado e desatou aos berros, até que o vieram acalmar. Tinham-me dado a beber e administrado no soro dois relaxantes musculares, cujo efeito secundário era sonolência. Mámen, ainda agora sussurra: "Sonolência o caralhinho, que parece que entraste em coma em dois segundos!" (ok, ele não diz "caralhinho" porque é um queque, mas eu agora não me lembro do vernáculo beto que ele usa). 
Não morri. Acordei a entrar noutra ambulância. Eu e dois senhores doentes psiquiátricos que também vieram transferidos para este hospital, de onde vos escrevo agora. 
Na ambulância, meio atordoada, com um bombeiro do Dafundo a dar-me a mão e a fazer-me festinhas na cabeça e a dizer-me "vá, tenha calma!" pensei que tinha quinado e estava no Inferno. "Tenha calma?" As putas das médicas deram-me um relaxante muscular que até me tinha provocado dormência na boca e ele ainda queria mais calma? 
Entretanto, acorda um dos tripulantes e reage mal à camisa de forças. Olha para mim, e diz: "Shakira!" ao que o outro, mais calmo e controlado responde "Não faça caso... Dona Madonna!"

E assim, começa a minha aventura neste périplo hospitalar. Amanhã há mais. 

Entretanto estou a treinar a voz. O bombeiro disse que eu era parecida com a Jessica Simpson mas mais gordinha. Eu dos Simpson só conheço a Marge, a Lisa e a Maggie, pelo que, não sei se era, propriamente, um elogio...

(Já disse que me doem as cruzes?)

sábado, 6 de abril de 2013

Frio polar? Pólo Norte explica o que é frio polar!


"Querida Pólo -Norte,

O mais perto que estive do Pólo Norte foi quando pus os pés na Islândia, no mês passado, e como não podia deixar de ser tratei de espalhar a palavra e quadripolarizar uns marinheiros que por lá andavam (estavam um bocadinho para o estáticos, talvez fosse do frio gélido que se fazia sentir). Pus de lado a ideia de evangelizar os locais porque embora civilizados e mui educados são - digamos - parcos em simpatia!... :$ 

E pronto, depois da evangelização a sul, com a Namíbia, Botswana, etc... eis que chega a vez da Islândia! Nada mau para começar o ano de 2013, não é? ;)"

O brrrrrr igada, querida Dulce!

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