segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Carnaval, as projecções psicanalíticas e os recalcamentos que me provocou a minha mãe


Acho que tudo começou no Carnaval desta fotografia. É o primeiro Carnaval de que me lembro, deveria ter uns 3 ou 4 anos, já não sei bem. Ao meu lado a minha educadora Teresa, de quem sinto umas saudades doidas até hoje.
Recordo-me que me queria mascarar de princesa. A minha mãe não assentiu: "Olha que giro que é este fatinho de criada". Não tive hipóteses e fui de criada, mesmo.
No ano seguinte o mesmo filme: de princesa, queria mesmo vestir-me de princesa. Fui de Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, uma máscara de tal forma caprichada, que a minha mãe se deu ao trabalho de montar um sistema dentro das minhas tranças com arames, que quando eu puxava um arame, as tranças levantavam. Isso. Pois...
E o pedido vinha todos os anos: eu só queria mascarar-me de princesa. E a minha mãe assobiava para o lado. Mascarou-me de chinesa (com as botas ortopédicas fica creepy), de árvore de Natal (don't ask, até estrelinha pespegada no alto da pinha eu tinha...), de mosca (com um penico cheio de mousse de chocolate para compor o boneco), de balde da roupa suja (...), de viúva Porcina e fantasias afins. O grito de Ipiranga veio quando me mascarou de "combatente do Ultramar": fato verde tropa, boina, tatuagem de "amor de mãe" e... bigode! Bigode em mim- imagine-se!- que era a miúda mais feminina que se possa imaginar e que só queria ser princesa por um dia. 
No ano seguinte berrei, esperneei e teimei na fantasia de princesa. Negociámos uma "dama antiga". Não reclamei, teria um fato comprido e tule e folhos, de certezinha. O que a minha mãe não me explicou, e vim a descobrir apenas no próprio dia, é que a sua interpretação de dama antiga era "dama antiga dos cabarets": saia curta, ligas, luvas de renda, ar coquete e boquilha com cigarrilha em punho. Na prática, puta dos anos 40. Sem folhos, nem saias a arrastar pelo chão, sem cabelos aos cachos nem mantos. Nada. Na-di-nha.
Continuo a achar que a minha mãe condicionou a minha projecção no futuro. Criada. Checked. A ideia serviu para me fazer estudar o suficiente para não ter que servir ninguém. Árvore de Natal. Checked. Não sou de fios, nem de pulseiras, nem de berloques. Less is more. Combatente do Ultramar. Checked. Sou voluntária da Amnistia Internacional e a pessoa mais anti-guerra que se possa imaginar.
Os traumas resultaram perfeitamente em mim. Até acho que. à custa das minhas experiências carnavalescas, me tornei uma pessoa criativa e nada ressabiada. Mas garanto-vos, que um dia que a minha mãe seja velha e esteja num lar, irei fazer questão de participar nas actividades de Carnaval dos velhotes. 
E mascará-la-ei de princesa. Só por causa das tosses.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Depois de anos a chagar a minha melhor amiga da Guiné Bissau...

... que era inadmissível a Guiné ainda não estar quadripolarizada e isto e aquilo. Toma lá disto:


Mantanhas com sabor a mancarra ao Banjai!
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