quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Como amolecer uma ursa?- Exemplo 1








"Querida Pólo, 
venho partilhar contigo uma fotografia que tirei este fim de semana, em Matosinhos, num passeio com os meus pais e a história por detrás dela.
Neste registo não se entende, mas esta grande ursa polar era robotizada e tinha no seu colo uma cria, e as duas, executavam um enternecedor, perfeito e aconchegante abraço. Sem nunca se separarem neste movimento, repetido. E eu, quando olhei para elas, fui assolada pelo pensamento "Sou eu e a Pólo" e comovi-me. Pode parecer estúpido, mas é a mais pura das verdades. E, colada neste sentimento, só ouvi a minha mãe, "Então?! Mas o que é que estás a fazer?". E enquanto corria, depois de captar este miserável registo, disse-lhe que estava a tirar uma fotografia para te enviar. "Mas o que é isso dos blogues?". E eu expliquei-lhe, com a mesma, repetida, elucidação que era uma página na internet onde as pessoas escreviam sobre o que lhes apetecia, podendo os temas variar, consoante os seus interesses, e onde podiam colocar vídeos, músicas. Depois existiam outras pessoas que o liam e comentavam. Mas na verdade, podia ter precisado a explicação e ter-lhe dito que os blogues não são isso. Os blogues começam por ser isso e, dentro do universo dos blogues, há aqueles que se tornam especiais. O teu blogue é o exemplo perfeito disso. Comecei a ler-te de forma esporádica e, depois, foste conquistando-me. Devagarinho, como nas melhores relações. E por uma vontade maior, quando no final de 2010 tive de deixar os meus pais, amigos e cidade e perder-me, literalmente, numa outra nova, a minha relação contigo, começou a mudar. Assim, como tinha (e tenho) de falar pelo menos 3 vezes com os meus pais ao telefone, como tinha (e tenho) de mandar mensagens aos meus amigos, tinha (e tenho) de te visitar várias vezes ao dia. Porque a distância e as saudades fazem-nos ter necessidade de sentir perto aqueles de quem gostamos muito. E tu foste (e és), sem o saberes, até hoje, um dos meus maiores confortos e, não menos vezes, inspirações nesta jornada díficil que decidi (acho que loucamente, às vezes) ser a minha. És aquela ursa polar, confiante, que me afaga os sentidos e me abraça nos meus piores momentos e potencia a felicidade dos melhores. 
Tomada por esta avalanche, que te pode soar tola, decidi que te ia escrever o que aconteceu quando me deparei com esta montra e enviar a fotografia. Queria fazê-lo logo no Sábado, quando a tirei, mas tinha o cabo do telemóvel em Lisboa (a nova cidade), por isso, só quando chegasse seria capaz de ta enviar. 
Quando no Domingo vi a maravilhosa notícia de que está para chegar um Baby Bear, pensei, "Nem de propósito". E fui a correr ter com a minha mãe, super feliz, “espalhar a notícia.” "Lembras-te da fotografia para o blogue de ontem? Vem aí uma cria polar, como a do robot!!". E a minha mãe, depois de nova explicação sobre blogues, retribuiu-me assim "É sempre bom mais bebés neste mundo. Mas eu não entendo como é que tu ficas tão feliz com essa notícia.". Sabes mãe, há coisas que não se entendem. Sentem-se.
E isto pode parecer tudo uma grande “balela”, mas foi escrito num dos meus maioresmaiores actos de espontaneidade e é aquilo que eu sinto. E posso parecer uma tola, mas se não aproveitasse esta onda de coragem que me assaltou sábado, ficarias sempre sem ter saber o duplo sentido desta imagem. 
Quero só dizer-te Pólo, que estou feliz por ti, como fiquei por todos aqueles que na minha família já partilharam notícias semelhantes, como fico com as grandes vitórias dos meus amigos e com a genuína felicidade dos meus. Desejo-te, do fundo do coração, as maiores felicidades para ti e para o teu baby bear e acredito que serás uma Ursa Mãe mais que à altura. Porque se à distância és capaz de tudo isto, nem imagino o efeito pertinho da tua cria! 
Beijinho grande Pólo!
Maria Lima Costa"

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Efeito secundário nº1 de uma prenhice

Aqui

A interpretação da minha mãe acerca da minha gravidez: o polvo.

Cenário: dia de ecografia, telemóvel em silêncio, 36758 chamadas não atendidas quando saio do consultório médico, retomo a chamada. Mãe em linha:

Pólo Norte: Olha, já vimos o teu neto/a!
Mãe: Viste o nariz?
Pólo Norte: Sim.
Mãe: Viste os bracinhos?
Pólo Norte: Sim.
Mãe (cada vez mais entusiasmada): E as pernas todas?
Pólo Norte (confusa): Hummm, duas...
Mãe (ainda mais confusa): Duas?

...

Pólo Norte: Mas tu achas que eu estou grávida de um polvo ou quê?

Charada: como saber a profissão de dois progenitores de uma assentada só sem lhes perguntar directamente?

Aqui

Os leitores deste blog são melhores que os dos vossos #2

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Hoje é domingo no Mundo e tudo bate certo nem que por um segundo



Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia
do que é quente e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Sérgio Godinho

sábado, 25 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Amiga-mãe? Não, obrigada!

Eu e a minha mãe temos 20 anos de diferença. Talvez devido a isso muitas vezes nos diziam irmãs, ao ponto de, por vezes, nós próprias tendermos a confundir os papéis. 
Para além disso, e talvez consequência da sua própria educação, a minha mãe insistiu durante anos que para além de mãe, queria também ser minha amiga: a minha melhor amiga. Numa de mãe moderna, mãe liberal, mãe open minded. 
Foi conversa recorrente durante a minha adolescência a questão da sexualidade. A minha mãe- de seu cognome "a modernaça"- apregoava que quando eu quisesse perder a virgindade, deveria comunicar-lhe para ela me poder acompanhar ao ginecologista e garantir o início de uma vida sexual protegida e consciente. Disse-o tantas vezes que eu acreditei. 
Chegada a hora dei corda aos sapatos e abordei o tema com a subtileza que sempre me caracterizou: "Mãe, quero perder a virgindade, podes levar-me à ginecologista?". 
E minha mãe- "A Modernaça"- teve um ataque de histeria: o drama, o horror, a tragédia. "Ai que só me dás desgostos.", "Mas ainda és tão nova, tens lá idade para isso?!", "Namoras à meia dúzia de meses e queres perder a virgindade com esse rapazola?", "Mas tu ainda és uma criança e queres-te armar em crescida?" e, claro, o célebre, "Se te concentrasses nos estudos em vez de nessas porcarias, é que eras esperta".
Em suma: meti a viola no saco, arrependi-me amargamente de ter confiado nas profecias teórico-conceptuais dela e pinei sem que ela me levasse ao ginecologista. 
Ontem à noite voltámos a falar desse episódio. A minha mãe diz que, na teoria, queria que eu a visse como uma amiga. Que sabia que na adolescência o grupo de pares levava vantagem aos pais e queria que eu confiasse nela como numa amiga. E que achava que estaria preparada para responder como uma amiga. Mas que, chegada a hora "s", percebeu que não era verdade. Que não tinha distanciamento emocional nem racionalidade suficiente para olhar para mim como uma pessoa. Uma jovem mulher. E que, ainda hoje, em muitas ocasiões tem dificuldade em fazê-lo: não me imagina a tomar as decisões que sabe que eu tomo em contexto profissional, não me confere legitimidade numa séria de opiniões que lhe dou tendo por base a minha formação académica e que, quando me viu vestida de noiva, por segundos, me imaginou mascarada como num dia de carnaval da minha infância. 
Que por mais que eu cresça serei sempre a "miúda", a menina dela. Concluiu que, por mais livros que tenha lido, a verdade é que não acredita que existam mães que acompanhem serenamente o crescimento dos filhos sem os cristalizarem um bocadinho no tempo. Que, hoje, sabe que nunca me deveria ter dito que queria ser minha amiga. Pelo menos não "amiga" substantivo, mas "amiga" adjectivo.
Porque os papéis são distintos e assim têm que o ser. As mães têm um papel educador e o grupo de pares um papel de partilha de experiências no mesmo registo, tempo e espaço. E que isso nenhuma mãe consegue acompanhar. Ainda que apenas 20 anos de diferença os separem.
E eu percebi bem que a minha mãe é muito minha amiga mas que nunca conseguiu ser uma amiga-mãe. 
E ainda bem.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 59

... as pessoas que bebem Sagres e as que preferem Super Bock.

O Carnaval, as projecções psicanalíticas e os recalcamentos que me provocou a minha mãe


Acho que tudo começou no Carnaval desta fotografia. É o primeiro Carnaval de que me lembro, deveria ter uns 3 ou 4 anos, já não sei bem. Ao meu lado a minha educadora Teresa, de quem sinto umas saudades doidas até hoje.
Recordo-me que me queria mascarar de princesa. A minha mãe não assentiu: "Olha que giro que é este fatinho de criada". Não tive hipóteses e fui de criada, mesmo.
No ano seguinte o mesmo filme: de princesa, queria mesmo vestir-me de princesa. Fui de Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, uma máscara de tal forma caprichada, que a minha mãe se deu ao trabalho de montar um sistema dentro das minhas tranças com arames, que quando eu puxava um arame, as tranças levantavam. Isso. Pois...
E o pedido vinha todos os anos: eu só queria mascarar-me de princesa. E a minha mãe assobiava para o lado. Mascarou-me de chinesa (com as botas ortopédicas fica creepy), de árvore de Natal (don't ask, até estrelinha pespegada no alto da pinha eu tinha...), de mosca (com um penico cheio de mousse de chocolate para compor o boneco), de balde da roupa suja (...), de viúva Porcina e fantasias afins. O grito de Ipiranga veio quando me mascarou de "combatente do Ultramar": fato verde tropa, boina, tatuagem de "amor de mãe" e... bigode! Bigode em mim- imagine-se!- que era a miúda mais feminina que se possa imaginar e que só queria ser princesa por um dia. 
No ano seguinte berrei, esperneei e teimei na fantasia de princesa. Negociámos uma "dama antiga". Não reclamei, teria um fato comprido e tule e folhos, de certezinha. O que a minha mãe não me explicou, e vim a descobrir apenas no próprio dia, é que a sua interpretação de dama antiga era "dama antiga dos cabarets": saia curta, ligas, luvas de renda, ar coquete e boquilha com cigarrilha em punho. Na prática, puta dos anos 40. Sem folhos, nem saias a arrastar pelo chão, sem cabelos aos cachos nem mantos. Nada. Na-di-nha.
Continuo a achar que a minha mãe condicionou a minha projecção no futuro. Criada. Checked. A ideia serviu para me fazer estudar o suficiente para não ter que servir ninguém. Árvore de Natal. Checked. Não sou de fios, nem de pulseiras, nem de berloques. Less is more. Combatente do Ultramar. Checked. Sou voluntária da Amnistia Internacional e a pessoa mais anti-guerra que se possa imaginar.
Os traumas resultaram perfeitamente em mim. Até acho que. à custa das minhas experiências carnavalescas, me tornei uma pessoa criativa e nada ressabiada. Mas garanto-vos, que um dia que a minha mãe seja velha e esteja num lar, irei fazer questão de participar nas actividades de Carnaval dos velhotes. 
E mascará-la-ei de princesa. Só por causa das tosses.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Feliz ano novo, à minha futura ex-caçula!

Há 22 anos estava deitada na cama dos meus avós. Era noite e dormitava no meio deles, quentinha e ansiosa. A minha tia tinha ido para o hospital. Com ela, o meu tio e a a minha mãe. A minha avó não pregou olho e o meu avô, nesse dia, nem ressonava. Era um sono leve o meu, um sono ansioso por ser acordado, um sono quase não sono, expectante.
Há 22 anos, eram exactamente meia noite e vinte e três, quando ela nasceu. A uns 5 Km daquele quarto dos meus avós, onde esperávamos que nos anunciassem a sua chegada, nasceu a minha caçula. E quando o telefone preto antigo tocou, aquele triiim eram palavras sobre ela e aqueles minutos em que nos sentámos os dois na cama (eu e o meu avô), de olhos arregalados, atentos aos sinais não verbais da minha avó que falava ao telefone, foram dos mais emocionantes das nossas vidas. Porque há 22 anos ela nasceu e a nossa família só aí começou a fazer sentido, como se o lugar dela estivesse marcado há muito tempo e a promessa da sua chegada a tivesse feito existir em nós ainda antes da sua real existência.
Há 22 anos, senti um amor maior, um amor irmão, um amor protector, um amor cuidador, um amor incondicional. Daqueles que perdurará sempre, mesmo que a morte nos separe. 
Porque eu fiquei muito mais completa com a chegada dela e a minha existência não se concebe sem saber que ela existe e é parte de mim, como são aqueles que amamos mais do que a nós próprios.
Há 22 anos, nasceu a minha caçula e eu renasci.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Namorado do Dia

O Namorado do Dia é o que fez o jantar: bifes recheados com farinheira no forno. Que abriu o vinho certo e deixou-o respirar. Que colocou velas na mesa. Música ambiente. Que preparou leite creme e queimou o caramelo com um ferro específico com a forma pirosa de um coração.Que escreveu o postal certo e deixou-o por debaixo do guardanapo. E escreveu outro. E mais outro. E soltou muitas gargalhadas. Tantas que chegou a contorcer-se de risos e a ir às lágrimas. "Para fazer as vezes"...

O Namorado do Dia foi o que abriu a porta de casa e recebeu a namorada com um abraço. E as amigas solteiras da namorada num... "group hug"!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 57

... entre as pessoas que partem o esparguete antes de o colocarem na panela e as pessoas que o colocam inteiro a cozer.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Depois de anos a chagar a minha melhor amiga da Guiné Bissau...

... que era inadmissível a Guiné ainda não estar quadripolarizada e isto e aquilo. Toma lá disto:


Mantanhas com sabor a mancarra ao Banjai!

A minha mãe e os caminhos mais longos

 Cenário: Nove da noite dentro do carro do namorado da mãe, lotação esgotada e todos apertadinhos cá atrás. Só a mãe ia à larga no banco da frente.

Mãe da Pólo Norte: Hoje vamos jantar leitão!Apetece-me taaanto!
Pólo Norte: Boa! Boa!
Namorado da mãe: Vamos onde, afinal?
Mãe: Mealhada?

(Olhares de horror dos três passageiros: um cheio de fome, outro que é tão alto que estava numa posição de contorcionista e a outra que era eu e que estava tão apertada entre os dois marmanjos que me sentia uma "sande de coirato".)

Mãe: Hummmm. Negrais?


(Viva a linguagem não verbal!)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Coisas que sempre odiei na minha mãe (por ocasião do seu 52º aniversário)

Odiava os teus olhos abertos e pontapés por debaixo da mesa quando eu era inconveniente. 
Que limpasses alguma sujidade que eu guardasse no rosto com um lenço de papel molhado com a tua saliva.
Odiava que me dissesses que quando chegássemos a casa "conversávamos",.
Que me medisses a febre com os lábios e nunca usasses o termómetro. 
Odiava que após cada reunião de encarregados de educação, depois de um aproveitamento excelente, voltasses sempre para casa com um ar zangado porque não suportavas as queixas de que eu era muito faladora e irrequieta, 
E que, também, tu, sem moral nenhuma, fosses faladora e irrequieta. 
Odiava que me dissesses que não podia falar contigo com determinados modos porque "não estás a falar com as tuas amigas".
Quando gostavas de me exibir e pedias que declamasse poesia. E, perante as minhas recusas, que acabasses amuada comigo. 
Odiava que não me passasses a mão pelo pêlo e só dissesses bem de mim nas minhas costas.
Que mostrasses às visitas os dossiers com todos os recortes de textos meus que saiam na Teenager Testemunhos. 
Odiava a fotografia que nunca chegaste a tirar da carteira e onde estou gorda e cabeçuda, e que fazes questão de mostrar de vez em quando. 
Que, quando me levavas à escola, mesmo perante o meu ar independente e autónomo, com a mania que era adulta e desprendida, fizesses questão de me dar sempre um beijinho à frente dos meus colegas. 
Odiava teres-me mentido e dito que os pais da Heidi tinham emigrado e, por isso, ainda hoje ser gozada pelos meus amigos mais próximos. 
Que nunca me desculpasses falhas e erros quando sabias que não era por incapacidade mas por desleixo ou negligência.
Odiava que nunca me deixasses comer "gelados de água" mas só de leite. Nem pirâmides, porque eram feitas com os "restos dos bolos". Nem soprar com a palhinha para dentro do sumo, fazendo bolhinhas de ar.
Odiei aquele dia em que me ofereci como voluntária para ser partner de um atirador de setas no circo e me foste buscar ao palco com um puxão de orelhas. Tendo acabado por ficares lá tu, no meu lugar. 
Que não fosses uma mãe que faz bolinhos e é uma boa dona de casa mas que me preferia acompanhar a saltar de pára-quedas. 
Odiei cada vez em que alguém se lembrava de dizer que parecíamos irmãs. E de te encontrar, ocasionalmente, com o teu grupo de amigas, nas mesmas discotecas que eu frequentava. 
Que cada vez que acabava a hora da visita no hospital fizesses um ar desprendido e rijo e não sucumbisses às minhas chantagens emocionais. Mesmo que agora saiba que ias a chorar sozinha durante todo o caminho de regresso a casa. 
Odiava que quando não tinhas argumentos de negociação comigo me ordenasses que te obedecesse "porque sim". E, em última instância, "porque eu sou a tua mãe e eu é que mando". 
Que sempre me tratasses pelo primeiro nome, sem diminutivos nem usando a expressão "filha". Porque dizias que me tinhas dado uma identidade e que não ias renegá-la. 
Odiava a tua personalidade crítica, exigente e insatisfeita. Que as minhas vitórias nunca te fossem, aparentemente, suficientes. 
Mas sei, agora, que a pessoa que sou hoje é fruto de tudo aquilo que, ao longo da minha vida, fui odiando em ti. 
E estou certa que irei reproduzir tudo o que odeio em ti. Porque só assim poderei vir a ser a melhor mãe do Mundo. Ou a segunda, vá. Logo, logo, a seguir a ti. 
Parabéns, mãe!

A EXPERIMENTAR | Marginalíssimo

... o Marginalíssimo aumentou o preçário.

(Mas continua a ser o melhor restaurante de fondue da cidade e cada tostão que se paga é tãããão bem empregue.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Do amor (para sempre entre parentesis, que é como se eu dissesse baixinho)

O nosso amor não é perfeito. O nosso amor é uma trapalhada, até. Mas, vai na volta, e tem uma coisa única, um adn especial: é meu e teu, e isso faz dele único como só os amores reais conseguem ser. 
O nosso amor teve altos e baixos, sucessos e fracassos, comunhões e apartamentos.O nosso amor já foi uma grande treta mas conseguiu reinventar-se (e o bem que sabe?). O nosso amor teve flores e frutos, chegou a murchar e a apodrecer, nasceram-lhe sementes e, hoje, cresce com um tronco que nenhuma intempérie conseguirá derrubar.
A única coisa que o nosso amor tem de especial é ser nosso: meu e teu. E ter tornado a palavra "nós" uma entidade singular, única, sem nunca deixarmos de saber que 1+1=3. 
Não sei se o nosso amor será para sempre (eu sinto que sim, mas digo-o baixinho, que entre nós a incerteza do futuro sempre resultou tão bem). Mas sei que serás para sempre o meu amor. O meu grande amor.
Prometi que não falaria de ti no blog. És demasiado importante e íntimo para te expor publicamente. És demasiado parte do mais profundo de mim para partilhar palavras sobre ti, que nunca conseguiriam traduzir o que significas para mim.
Mas hoje o dia começou de uma forma única e especial e, porque é o teu aniversário, hoje este post é para ti: Feliz Ano Novo, grunguinho. 
'Bora viver o nosso final feliz?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 56

... as pessoas que após um primeiro encontro se despedem usando a frase "Muito gosto" e as que se despedem com a expressão "Muito prazer!".
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