sexta-feira, 27 de maio de 2011

Finalmente, O meu momento "Closer"

Entro na sala onde os candidatos já estavam a fazer provas psicométricas e sento-me um bocadinho afastada. A estagiária passa-me o dossier com o processo e o nome dos candidatos bem como a planta da sala, para que eu possa assistir à dinâmica de grupo e tirar as respectivas anotações.
Os meus olhos fogem, de imediato, para um nome que me era familiar. Procuro-o na sala e reconheço-lhe o rosto de miúdo, os olhos castanhos expressivos e o sorriso de que nunca me esqueci.
O Paulo foi o primeiro rapaz que me fez palpitar o coração, aos seis anos, numa colónia de férias. Éramos "namorados", daqueles à antiga, que iam de mão dada para a praia, ele de braçadeiras enfiadas nos braços e eu de balde e ancinho na mão livre. Dávamos beijinhos na boca com as bochechas cheias de ar e marcámos os Verões da primeira infância um do outro, até que o Paulo se mudou para os Açores e lhe perdi o rasto.
Nunca se esquece as pessoas que nos marcam a nossa infância: ainda me lembrava do seu nome completo (o mesmo que constava no remetente das cartas que me escrevia e que vinham à cobrança do destinatário, mas que a minha mãe docemente pagava por achar uma ternura aquele gostar), da data de aniversário, do rosto de menino.
Permaneci calada enquanto a estagiária prosseguia com as instruções da dinâmica de grupo. O Paulo levantou os olhos e viu-me. Olhou-me, num misto de incredibilidade e admiração, e disse baixinho o meu nome. "Eu conheço-te"- foi a observação parva que me saiu da boca. Ele sorriu e disse "nunca me esqueci da nossa música". Sorrimos, cúmplices.
A música pode não ser boa, mas os momentos "Closer" na vida real não conseguem ser perfeitos. Mas têm uma ternura especial. A ternura do cheiro a infância.

 

Toda a gente merece ter um momento "closer" na sua vida



E eu achava que já tinha tido o meu.
Quanto trabalhei num estabelecimento prisional e em pleno passeio numa das alas ouvi, lá dentro, uma voz a chamar-me "Póoooolo" . Fiquei estupefacta (diálogo interno: bolas, Pólo Norte Ruth, tu és o Zé dos Plásticos , até aqui conheces gente, pá?!) ao ver um dos reclusos aproximar-se para me cumprimentar. Reconheci-o, de imediato- era o João, o meu primeiro namorado de pré-adolescência, a quem dei o primeiro french kiss- e a história que se segue é das mais cómicas que tenho no meu repertório de incidentes críticos:
Recluso: Ó miúda, o que é que andas a fazer aqui?
Pólo Norte: "Ó'messa", isso pergunto-te eu: tu é que estás preso, né?
Recluso (revirando os olhos num sinal de enfado): Dah! Tráfico de droga!
Pólo Norte (resposta de imediato); Dahhh! Psicologia...
Eu achava que já tinha tido o meu momento "Closer" (à escala da Pólo Norte porque isto dos momentos "closer" cada qual tem o que merece...).
Mas depois houve o dia de ontem... :)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Como concretizar o fétiche com fardas em 5 passos

1- Esquecer-me das chaves dentro de casa e não ter chaves sobressalentes
2- Chamar os bombeiros para entrarem pela janela
3- O procedimento obrigar a que venha também a polícia acompanhar a operação
4- Entrar em casa
5- E porque se está com a neura e não apetece fazer o jantar mandar vir uma pizza (entregue pelo respectivo estafeta)

...

O Oeste nada de novo



Entro no táxi e peço para o motorista me conduzir para o Parque das Nações.
A qualquer amiga minha que entre num táxi e peça para ir para o Parque das Nações é-lhe, automaticamente, questionado: "Para o Centro Comercial Vasco da Gama?".
A mim o taxista pergunta "É para o Casino?".

É oficial: se na vida real é isto, nunca poderei mesmo vir a ser uma fashion blogger.
Mas também é capaz de ser oficial que tenho cara de viciada no jogo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A lógica do reboot

Diz o ortopedista que o meu dedo partido resolve-se... partindo-o novamente. Mas partindo-o bem (?).
E paguei eu 120 € de consulta para me dizerem isto, han? Mas querem ver que me custa alguma coisa voltar a dar um pontapé mal educado em vez de fazer uma pequena cirurgia?
Oh, I can make it on my own.

Pólo Norte: a sintonizar trapalhadas desde 1980 (mas com antena desde 2011)

Há cerca de um mês e meio dei uma traulitada com o pé direito (em circunstâncias de que não vale a pena falar) e o dedo mindinho inchou. Inchou muito. Fiquei preocupada e com a certeza que o tinha partido mas os meus amigos- "profissionais da saúde" entendidíssimos- logo me disseram que não valeria a pena ir ao hospital, que o máximo que me poderiam fazer era atar o dedo partido ao dedo do lado para ele cicatrizar o mais direito possível. 
Claro que, nesta ocasião, logo se revelaram 328 pessoas que também já tinham partido o dedo mindinho do pé, a cagar postas de pescada numa onda de solidariedade ortopédica. A opinião "experiente" era unânime: o melhor era eu atar os dedos um ao outro em casa porque não há talas para os dedos mindinhos dos pés. Já tinha partido uma vez o dedo e, em boa verdade, não me fizeram muito mais do que isso no hospital. Assim o fiz. 
Passadas todas estas semanas o dedo continua desnivelado. Assim que enfio o pé nuns sapatos mais abertos, os dedos ficam todos encaixadinhos à excepção do parvo do mindinho que salta para fora do sapato num misto entre cogumelo e antena daqueles telemóveis antigos. Bonito, bonito como as músicas do Tozé Brito. 
Hoje à tarde vou ao ortopedista. Cheira-me que não trarei boas notícias.
Mas, em boa verdade, estou farta de andar a sintonizar rede wireless pedonal. 

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