segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

Singularidades de uma rapariga loira

Uma pessoa interrompe um fim-de-semana em família para ir jantar ao Bairro. 
Uma pessoa deixa a bebé com a babysitter, careira que só ela. 
Uma pessoa come, bebe, conhece a São João, a Alexandra- a grande e o Troll of North. 
Uma pessoa diverte-se. 
Uma pessoa repara que o marido duma pessoa trouxe do bolso do casaco (que ficou esquecido no carro) o cartão Continente em vez do cartão multibanco. 
Uma pessoa tem algum cash na carteira e pede o resto emprestado ao Prezado.
Uma pessoa chega ao carro e repara que se esqueceu do cartão multibanco em casa e não no bolso do casaco. 
Uma pessoa não consegue pagar o parque do estacionamento e, consequentemente, tirar o carro. 
Uma pessoa pensa "ah, não faz mal, ligo para o pessoal que ainda prosseguiu na borga e eles vem aqui ter e emprestam-me dinheiro". 
Uma pessoa repara que ficou sem bateria no telemóvel.
Uma pessoa constata que o marido de uma pessoa se esqueceu do seu próprio telemóvel em casa. 
Uma pessoa vai procurar o pessoal para o bairro. 
Uma pessoa não encontra ninguém excepto um ex-coiso com quem acabou em circunstâncias trágicas e que, por isso, não lhe fala. 
Uma pessoa começa a ficar irritada. 
O marido duma pessoa ri-se que nem parvo. 
Uma pessoa faz chorinho ao homem do parque da EMEL (que não se comove). 
Uma pessoa lamenta não ter trazido um decote mais generoso. 
Uma pessoa apanha um táxi para casa e paga 40 euros. 
Uma pessoa chega a casa e paga 50 euros à babysitter. 
A modos que uma pessoa fica deprimida a achar que o jantar saiu caro. 
O marido de uma pessoa volta a Lisboa para ir resgatar o carro.
Uma pessoa bufa, atira com a mala fashion para cima do sofá e ali está ele: o cartão multibanco preso no forro da mala. 
Uma pessoa é loira. 
E burra.

Querida actual namorada do meu ex:

Não sei como te hei-de dizer isto: tu comentas uma vez o meu blog e eu não aprovo o comentário. Comentas segunda, terceira. Eu continuo a não aprovar. Penso que te tocaste. Não. Escreves um post no teu blog a lamentares-te que eu nunca aprovo os teus comentários mas que continuas a gostar do meu blog, que é catita, que torna os teus dias melhores. Que te identificas comigo (!!!).
Querida actual namorada do meu ex, nada contra ti, juro, admiração profunda e real por aturares esse estupor, até poderia interagir contigo, aprovar os teus comentários que até são inocentes (acho mesmo que não sabes que eu sou eu), poderia até responder-te, poderíamos- quiçá?-  ser amigas, partilhar piadas de mau gosto, humor auto-depreciativo, histórias. Tu até me pareces uma miúda fixe, a sério. Mas acho que a nossa quota de partilha esgotou-se. 
Um pénis partilhado é suficiente, boa?



Uma dica- Pergunta-lhe ao jantar se ele lê o blog da Pólo Norte. Se ele se engasgar, praguejar muito, pedir uma amêndoa amarga e lhe apetecer ver um joguinho de futebol americano, sim, é a ti que este post se dirige. Um grande bem-haja!

sábado, 19 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Aos 9 de Janeiro de 2013, à Ana por ocasião dos seus 5 meses

Quando nasceste, há cinco meses atrás, o meu corpo encaixou-se no teu. Não, Ana, não foi durante a gravidez, foi mesmo no dia em que nasceste, no dia em que te recebi.
As minhas mãos têm o tamanho exacto para engolirem as tuas e as aquecerem quando estão frias. Quando te encostas ao meu peito e te enroscas como um bichinho-de-conta, os meus braços envolvem-te, exactamente, na medida certa. O curvo da tua testa, o arrendondar da tua cabeça pedem-me que levante o queixo e os deixe pousar na curva do meu pescoço, como se fosse um modelo perfeito de uma chave e de uma fechadura. A tua pele tem a temperatura da minha, excepto quando tens frio e o meu corpo te aquece ou quando tens calor e o meu soprar tem a frescura exacta para te refrescar.
O teu sorriso engole, inteirinha, a minha alma, sem deixar nada que sobre, nada que exceda, o teu sorriso é a toca da minha vida, a casa à medida para eu ser feliz.
Quando brincamos, o teu pezinho gosta de me tocar nos lábios e eu engulo-o, num jogo de faz de conta, os dedinhos, o peito do pé e cabes inteirinha naquele jogo de amor. O meu braço esticado tem o comprimento do teu tronco, quando te repouso nele para te massajar a barriga e te afastar a possível dor. Os teus olhos, azuis, são o tecto da minha vida, o sinal de esperança de que o sol sempre brilhará, sem nuvens nem chuva nas nossas almas, sao assim os teus olhos azuis, como o céu num dia de Verão.
O meu colo, ah, o meu colo, Ana! O meu colo foi recortado para ti, ainda bem que foste tu quem aqui chegou, há cinco meses atrás, porque no meu colo não cabe desta forma nenhum outro bebé, costumizado que foi para ti, feito à medida para me tornar mãe. Mãe de ti.
Sabes, Ana, às vezes tenho medo que cresças, que deixes de me servir, que não caibas mais em mim. Mas, filha, acredito que os corpos se adaptam aos filhos, e o meu também crescerá à tua medida, como um puzzle ao qual acrescentam peças e, ainda assim, não se estraga o desenho original, tornando-o ainda mais completo e perfeito. Até ao dia em que seja o meu corpo, velhinho e vivido, que passe a caber todo em ti.

Um beijo da tua mãe

(As cartas para a Ana, a partir deste mês, passam apenas a ser publicadas aqui)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O primeiro "O mundo divide-se" do ano

O Mundo divide-se entre as pessoas que dizem dois mil e treze e as que dizem dois mil e treuze.
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