domingo, 20 de janeiro de 2013

Singularidades de uma rapariga loira

Uma pessoa interrompe um fim-de-semana em família para ir jantar ao Bairro. 
Uma pessoa deixa a bebé com a babysitter, careira que só ela. 
Uma pessoa come, bebe, conhece a São João, a Alexandra- a grande e o Troll of North. 
Uma pessoa diverte-se. 
Uma pessoa repara que o marido duma pessoa trouxe do bolso do casaco (que ficou esquecido no carro) o cartão Continente em vez do cartão multibanco. 
Uma pessoa tem algum cash na carteira e pede o resto emprestado ao Prezado.
Uma pessoa chega ao carro e repara que se esqueceu do cartão multibanco em casa e não no bolso do casaco. 
Uma pessoa não consegue pagar o parque do estacionamento e, consequentemente, tirar o carro. 
Uma pessoa pensa "ah, não faz mal, ligo para o pessoal que ainda prosseguiu na borga e eles vem aqui ter e emprestam-me dinheiro". 
Uma pessoa repara que ficou sem bateria no telemóvel.
Uma pessoa constata que o marido de uma pessoa se esqueceu do seu próprio telemóvel em casa. 
Uma pessoa vai procurar o pessoal para o bairro. 
Uma pessoa não encontra ninguém excepto um ex-coiso com quem acabou em circunstâncias trágicas e que, por isso, não lhe fala. 
Uma pessoa começa a ficar irritada. 
O marido duma pessoa ri-se que nem parvo. 
Uma pessoa faz chorinho ao homem do parque da EMEL (que não se comove). 
Uma pessoa lamenta não ter trazido um decote mais generoso. 
Uma pessoa apanha um táxi para casa e paga 40 euros. 
Uma pessoa chega a casa e paga 50 euros à babysitter. 
A modos que uma pessoa fica deprimida a achar que o jantar saiu caro. 
O marido de uma pessoa volta a Lisboa para ir resgatar o carro.
Uma pessoa bufa, atira com a mala fashion para cima do sofá e ali está ele: o cartão multibanco preso no forro da mala. 
Uma pessoa é loira. 
E burra.

Querida actual namorada do meu ex:

Não sei como te hei-de dizer isto: tu comentas uma vez o meu blog e eu não aprovo o comentário. Comentas segunda, terceira. Eu continuo a não aprovar. Penso que te tocaste. Não. Escreves um post no teu blog a lamentares-te que eu nunca aprovo os teus comentários mas que continuas a gostar do meu blog, que é catita, que torna os teus dias melhores. Que te identificas comigo (!!!).
Querida actual namorada do meu ex, nada contra ti, juro, admiração profunda e real por aturares esse estupor, até poderia interagir contigo, aprovar os teus comentários que até são inocentes (acho mesmo que não sabes que eu sou eu), poderia até responder-te, poderíamos- quiçá?-  ser amigas, partilhar piadas de mau gosto, humor auto-depreciativo, histórias. Tu até me pareces uma miúda fixe, a sério. Mas acho que a nossa quota de partilha esgotou-se. 
Um pénis partilhado é suficiente, boa?



Uma dica- Pergunta-lhe ao jantar se ele lê o blog da Pólo Norte. Se ele se engasgar, praguejar muito, pedir uma amêndoa amarga e lhe apetecer ver um joguinho de futebol americano, sim, é a ti que este post se dirige. Um grande bem-haja!
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