segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Colaborador o pénisinho, sim?



 Se querem mudar o trabalho, a primeira coisa a fazer é mudar o nome do principal agente no trabalho que é, como o próprio nome sugere, o trabalhador. Para a coisa parecer benéfica, o trabalhador passa a ser colaborador. Parece bem. Estamos a trabalhar para outrem, dando-lhe a ganhar lucro por uma fatia reduzida desse mesmo lucro, a que chamamos salário. Mas se em vez de dizer que estamos a trabalhar, dissermos que estamos a colaborar, parece que estamos a outro nível, que estamos mais alto, em parceria, distribuindo tarefas para um mesmo objectivo final. Quase que nos podiam chamar “sócios”. É esperar algum tempo. Claro que não é de esperar um aumento de salário com a transição de trabalhador para colaborador. Às vezes até é bem ao contrário. Somos promovidos no nome e despromovidos na remuneração. O caso dos colaboradores prestadores de serviço mostra como a distância linguística entre a aparente independência laboral e a dependência económica não poderia ser mais evidente. 


 Quando explodiu a crise, a palavra “colaborador” já andava na boca de muito empreendedor, mas com a aceleração da degradação do trabalho, deu-se o “boom”. É que quanto piores são as condições de vida das pessoas, maiores têm de ser as mentiras para mantê-las silenciosas. E é por isso que hoje nos é solicitado, em vez de trabalharmos, que colaboremos. Parece muito menos coercivo e exploratório e até podemos de vez em quando enganar-nos quando vamos trabalhar, achando que temos uma posição que não é aquela da pessoa que faz mais e recebe menos. Como o Orwell ilustrou tão bem no “1984”, as palavras importam. E tal como pedir desculpa não é demitir-se, colaborador não é trabalhador. É pior. É nem reconhecer por inteiro o nosso trabalho que faz as coisas funcionar. Por isso, da próxima vez que o teu patrão, que te paga 500 ou 600 euros por mês para trabalhar numa empresa que dá lucro, se dirigir a si falando da “nossa colaboradora”, diz, nem que seja para ti própria: “Colaboradora é a tua tia!” — vais ver que te sentes logo menos colaboracionista."

Uma brilhante crónica de João Camargo que dá que pensar aqui

Repórter(es) quadripolar(es): Exposição de André Mariano

MEUS PESSOAS I André Mariano I in Duetos da Sé I Setembro-Outubro, 2014 



 MEUS PESSOAS é uma exposição de pintura, do Arq.º e Designer André Mariano, presente no restaurante Duetos da Sé, que surgiu como louvor a Fernando Pessoa (1888-1935), um dos maiores poetas portugueses. Pois à sua semelhança a sua motivação é o sonho e, o “dever de sonhar”.

A Daniela e o Tiago foram em representação da ursa. E gostaram. Muito. 





Conhaçam o trabalho do André na sua página de facebook e no blog

Finalmente vou comprar o meu primeiro produto de merchandise Hello Kitty


(Obrigada, Duda!)

Princesa Yasmin tuga

A Ana chama à sua personagem preferida de todo o sempre Jasmina.

No fundo é como se a princesa do Aladino fosse filha de um Moahmed e de uma Felismina...

O desafio dos desafios

Se não os podes vencer, junta-te a eles.

Novo desafio do facebook:

1- Vá até um centro regional de sangue ou até um ponto de recolha de doações de sangue

2- Doe sangue e tire uma fotografia que o comprove.

3- Nomeie três amigos.




Nomeio 9 amigos, só porque sou lambona: a Sandra Alves, minha amiga do coração, a Catarina Bucho Machado da Estalagem de Marvão, a Joana Roque, a Filipa Catarino da Blueberry Frozen Yogurt, o Paulo Cabrita, a Cláudia Almeida, a Rita Maria, a Mariana e o Pedro


(Só de cabeça pensei em mais quatro amigas bloggers que só se safam porque estão prenhas. Aguardo a V. desova...).



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O maravilhoso mundo da triagem curricular...

Não escrevam como informação adicional nos vossos CVs que correm no Colour Run, plamordasanta!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

E não me deixeis cair em tentação e livrai-me das coca-colas não light. Ámen.

O Colibri já tem asas (e em breve levantará voo)

As pessoas elogiam, amiúde, a minha capacidade de criar ondas de solidariedade em torno de pessoas ou causas. Sem falsas modéstias não recolho os elogios porque acho, sinceramente, que o mérito não é meu. 
Há um acaso- que não atribuo a mais que um acaso- uma espécie de DNA blogueiro, uma conjugação aleatória de pequenas moléculas em forma de gente que faz este blog. Eu escrevo-o mas o blog não sou eu, somos todos, uma espécie de comunidade, um todo que é a soma do que eu escrevo, de quem eu escrevo e, especialmente, de quem me lê. Longe vão os tempos em que achava isto unidireccional e muito assente no ponto de partida, ignorando que maisn importante do que se escreve ser o que se lê, o que se interpreta, o que fica retido em quem se identifica, em quem volta, em quem participa sem se importar com a cara da autora, a sua cor das unhas ou o tom de voz. 
As minhas ideias (muitas delas, a maioria das que aqui partilho) dificilmente passariam de ideias a acções, de intenções a projectos, se não fossem vocês que me lêem. 
A ideia de dar o ponto de partida a uma coisa que pode tornar-se numa coisa maior, muito maior e mais impactante, mas que começa pela loja online de binuteria da Rita é um desses exemplos. 
Estava sentada à frente da Rita, nas visitas que lhe faço quinzenalmente aos sábados, no sofá da Amadora, quando a ideia da loja surgiu. O nome foi ideia da Rita (e é tão lindo, caraças!) mas podia não ter passado de uma ideia se não a tivesse aqui partilhado. 
Num instante criámos a página de facebook do que será a Colibri (ainda não é nada efectivo mas já vai sendo, devagarinho e progressivamente, uma soma de conquistas uma colecção de gente que quer participar, envolver-se, que se importa: vocês!). 
No mesmo dia a Paula enviou-me uma mensagem a dizer que quer dar um starter kit à Rita. E dito, feito, acabei de receber uma fotografia do dito, pronto, pronto a ser entregue à Rita em mãos, como pequeno incentivo, mimo tão bom de uma desconhecida para quem a Rita importa (obrigada Paula!).


Logo a seguir a Marta (conheçam-na aqui) criou a imagem da marca online. Não está linda?

Logo by Martisses



E assim, passo a passo, com muita calma e a participação de cada um, as coisas vão-se compondo. 
O próximo passo será a Rita ter formação na concepção do que será o seu produto (bijuteria) e para isso vamos ter a preciosa ajuda da Sara da Fio a Pavio. Não poderíamos ter melhor sorte!
A seguir precisamos de encontrar dois voluntários da Amadora: um que se disponibilize a ir uma vez por semana recolher as encomendas a casa da Rita e a despachá-las via CTT (só mesmo uma função de estafeta :P) e outro a ir de quinze em quinze dias com a  Rita comprar material (função de transporte e companhia). Depois uma rede de voluntários que possa levar a Rita a algumas feirinhas que haja na região de Lisboa e onde ela possa escoar as suas peças- 
Contamos em breve inaugurar a loja online (eu sonho com uma inauguração a sério, onde a Rita possa expor as suas primeiras peças e haja uma pequena apresentação pública do projecto mas, em última análise, fazemos uma virtual party) e expor as primeiras criações dela. 
Nós, por aqui, estamos com fé e crentes de que, devagarinho, vamos conquistar cada um destes passos. 

E vocês: acompanham-nos na jornada?


Legolândia? Quadripolarichecked!


"Olá Ursa,
Como leitora habitual achei que devia dar o meu contributo para a Cruzada Quadripolar.
Confesso que a foto ja deve ter um pouco de po (ja tem alguns meses) mas a organizacao nao e o meu forte.
Desculpa la a ma qualidade do "escrito" (foi o que se pode arranjar) mas acho que ficaste linda na foto.
Bejios,
Sonia"

Beijinhos gelados, Sonyte!

Ahahahahahah (not)

Taxista da manhã: "Já viu o que vem aqui no Correio da Manhã de hoje?"

Eu (revirando os olhos e esboçando um sorriso amarelo): Não, não compro o Correio da Manhã. 

Taxista: Que o Paulo Portas engravidou a Diana Chaves. Mas olhe, ao contrário da história do irrevogável e dos submarinos desta vez foi um homenzinho e vai assumir a criança... O César Peixoto é que está fininho...

Eu (com ar confuso): Ahn?

Taxista: Ah, nada! Já escolheram nome para o puto e tudo. Vai ser o .... Porta Chaves! Ahahahahahahahahahahahahahahhaha!



(mas os taxistas espirituosos estão todos reservados para mim?)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Gostava de ser fofa

Gostava de ser fofa. De não acordar mal disposta de manhã. Intratável. De não dizer palavrões e não revirar os olhos quando vejo gente "dahhh". De não fazer silêncios de desprezo quando me cruzo com gente tonta. De achar que as pessoas são todas válidas ao invés de bater de frente com todos os anormais do Mundo. De cantar no trânsito em vez de praguejar. De ser Floribela sem saias à Xana toc, toc, olhai Líria as flautas dos pastores, que feliz e bucólica, adoro flores e plantinhas ao invés de me morrer tudo no parapeito da janela, nem os cactos me escapam, De dizer "kida" e "'miga" sem me sentir uma nail designer da Bobadela. De sentir "miguices" e "kidices" mesmo, o bates forte cá dentro, assim bem fundo. De não revirar os olhos tantas vezes por dia. Gostava, sim, de ser fofa, "kida", e "'miga". De comer bolachas de água e sal devagarinho, partindo bolachinha a bolachinha com as manitas, pequenos pedaços, lentamente e saboreando cada bocado como se estivesse muito satisfeita e enfartada. De dizer olá aos meses do ano nos meus status de facebook. Mas escrevê-lo de forma sentida. De ter aquele ar de quem nunca dá puns e de quem nunca fez cocó de esguicho. De estar sempre penteadinha e quando os cabelos me vêm para a frente das fuças, perdão, do rosto, não os prender no cucuruto com um lápis que tenha à mão mas antes com travessa bonitinhas cor de carcaça de tartaruga. De ter verniz impecável e ter a mala sempre muito organizadinha, sem lixo em barda e papéis e bilehetes e senhas de espera e o diabo a quatro. De chorar, de ficar "sentida" em vez de colérica. De não beber coca-cola e não ter passado metade da minha adolescência a treinar a técnica de dizer o abecedário em versão arrotos. De correr e de gostar de correr e de ficar muito frustrada quando não corro porque me faz bem ao corpo e ao espírito ao invés de preferir alimentar corpo e alma com alcóol e amigos à mistura. E música alta. De ser delicada. Gostava muito de ser delicada. De ter sempre lencinhos de papel na mala. De ter sempre os sapatos engraxados. E de anotar todos os meus compromissos numa agenda sempre em dia ao invés das minhas que só são escritas na primeira semana do ano. De acordar antes do despertador. De comer um happy meal  quando vou ao Mac porque"ai-pá-não-consigo-comer-mais-que-fico-mal-disposta". E do hamburguer do happy meal ser natura. De achar os postais pintados com a boca genuinamente bonitos. De cumprimentar as pessoas com um beijinho discreto ao invés de abraços bonacheirões. De falar baixinho e pausadamente. De rir com graciosidade, timidamente, às vezes tapando a boca com a manita. De saber sorrir sem, automaticamente, escarrapachar a cremalheira. Gostava de saber fazer género. Gostava de ser fofa. 

(Fofas que me lêem: sois mais felizes, não sois?)

(Ah, esperem, as fofas não lêem o Quadripolaridades, é verdade!)

Acrescento o "Só me dás é desgostos..."

"Having it all 


Não sejas mandona. Não te faças de vítima. Não digas asneiras. Pára de fazer queixinhas. Não te sentes de pernas abertas. Devias usar mais vestidos e saias. Não fales com estranhos. Dá um beijinho ao senhor. Nem penses que vais ao cinema só com rapazes. Vais passar as férias enfiada em casa, não tens amigos? Tens de ser boa aluna. Não sejas marrona. Penteia-te. Não sejas vaidosa. Uau és muita maluca. Não sejas careta. Copiar é muito feio. Não sejas egoísta, deixa-os ver o teu teste. Devias tirar o bigode? Tens o lábio todo vermelho da cera. Apareceu-te o período agora já és uma mulherzinha. Uma menina não fala sobre "esses assuntos" em público. Credo, andas sempre com roupas largas e escuras. Esse vestido não é demasiado curto? Uma menina não diz asneiras. Uma senhora não chora. Não sejas histérica. Então, não dizes nada? Nem penses em arranjar um namorado. Quando é que te casas? Não me apareças em casa grávida. Já estás a ficar um bocado velha para ter filhos, não? Não te podes dar ao luxo de perder esse emprego. Devias sair mais, divertir-te. Estás com um ar cansado, devias usar maquilhagem. Vais a algum lado, assim toda produzida? Ganhaste uns quilinhos nas férias não foi? Estás demasiado magra, ficas com um ar abatido. Esses saltos devem ser muito desconfortáveis. Andas sempre de ténis. Compras demasiada roupa. Queres ir ao shopping arejar a carteira? Só comes saladas, que seca. Vais comer esse bolo, isso deve ter imensas calorias. Não vais viajar? Estás sempre de férias... (continuem vocês)" 


 Da minha blogger preferida no seu "A febre dos fenos"

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que preferem massa de pizza fininha e estaladiça e o os que preferem massa alta e fofa.

sábado, 20 de setembro de 2014

Colibri


"O meu nome é Rita. Tenho 37 anos e uma deficiência física: Spina Bífida. Por vários motivos a minha vida passa-se entre 4 paredes. Não que eu não seja despachada e autónoma, que sou: vivo sozinha, sem ajuda de ninguém, com o meu marido... também ele deficiente, com paralisia cerebral, e completamente dependente. As pessoas admiram-se como eu consigo e acham que eu sou uma tipa muito valente porque, mesmo com todas as minhas limitações, o ajudo a 100%. As pessoas percebem pouco do amor e de como ele me ajuda de volta: com companhia, compreensão, afecto e amor. Muito amor. 

Nós não somos coitadinhos nem queremos que ninguém tenha pena de nós, credo! O que eu quero é ter vida para além destas quatro paredes e então pensei, com a minha amiga L., em fazer um negócio online. 

Esse negócio online serviria para eu estar ocupada, sentir-me útil, ganhar um dinheiro extra e, de vez em quando- quem sabe?- poder sair para vender os produtos que pudesse vir a criar. 

Adoro bijuteria e procuro um mentor (ou uma equipa que me queira ajudar) para me dar um empurrão no arranque deste projecto. 
Mas um empurrão devagarinho que eu ando de canadianas e sou propensa a desequilíbrios! 

A página chama-se "Colibri" porque a minha personalidade, apesar de todas as limitações, é como este pássaro: livre, embora presa em casa, colorida embora com alguns dias cinzentos e com asas. Mesmo com uma deficiência motora. 
Sejam bem-vindos aqui: https://www.facebook.com/pages/Colibri/318055251698604?fref=ts"



As mulheres sonham e o Mundo avança. 

Das ideias que tenho esperança que um dia sejam projectos



Já tentei "vender" esta ideia em alguns sítios que a podiam contextualizar, formalizar, dar-lhe um tom menos amador mas invariavelmente, tentam dissuadir-me. Ou porque não é exequível, ou porque não vou arranjar voluntários que alinhem num projecto de continuidade, ou porque vão haver questões fiscais para resolver (que vão, logo, trataremos delas), ou porque os utentes não vão conseguir ser autosuficientes ou, ou... 
Neste momento, vou por conta própria porque acredito que a ideia se possa vir a tornar um projecto e mudar a vida de algumas pessoas. Basta-me uma que seja, aquela em cuja casa estou neste momento a sonhar em conjunto com a mudança que pode vir a acontecer. 
Ao longo do meu trabalho tenho-me cruzado com algumas pessoas portadoras de deficiência em situação de grave isolamento social. Tipo, pessoas que não saem de casa há três anos porque têm vizinhos que não autorizam que se coloque uma rampa que permita que as suas cadeiras de rodas as libertem de quatro paredes ou pessoas que não conseguem arranjar emprego porque há um preconceito nas áreas envolventes às suas aldeias e todos os conhecem como "os aleijados" (citando). A minha ideia é fazer com que amigos artesãos (pessoas que façam bijuteria, que saibam fazer licores artesanais, compotas fazer velas, sei lá, vale tudo menos tirar olhos...) se voluntariem para serem tutores destas pessoas, formando-as, ensinando-as e ajudando-as a montar pequenos negócios caseiros, exequíveis de serem feitos a partir de casa e que possam trazer algum dinheiro extra a estas pessoas. 
 Tenho, neste momento, uma rapariga que adoooooora bijuteria e que gostaria de criar o seu negócio online. Já escolhemos o nome da loja virtual (e é tão giro, caraças!) e ela está super entusiasmada para ser a cobaia desta ideia. 
Agora preciso de um match, de alguém que queira oferecer o seu tempo para vir aqui durante os dias que forem necessários para a ajudar a pôr de pé o seu negócio (zona da Amadora). 
Aceito inscrições de voluntários, aceito ideias e também aceito ânimo que já estou farta de gente que só coloca entraves em vez de apontar soluções.
Seguimos em frente?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Este blog é como uma farmácia: vende tudo.

Designers de interiores de Lisboa e arrebaldes quereis ser entrevistados pela ursa, quereis?

Clicai aqui. 

Repost: Porque, sim, pode alguém ser quem não é

A vida ensina-te que as pessoas encerram várias pessoas em si. Que isto das quadripolaridades é muito engraçado, parece uma palhaçada, mas lá no fundo tem o seu quê de verdade, que as pessoas são mais do que elas julgam que são, mais do que julgam que nos mostram, mais do que elas não sabem que nós achamos que elas são, e são, no fundo, tudo isto e ainda mais ao mesmo tempo.
E voltamos à janela de Johari e este quadrado não me fazia tanto sentido quando o estudei na universidade há dez anos atrás. E hoje percebo que as pessoas também não são estanques, para além de serem mais que tudo aquilo que escrevi. São dinâmicas, mudam consoante o tempo, o espaço e nunca se deve cristalizar alguém pelo que se conheceu outrora.
As pessoas são uma caixinha de Pandora em constante transfiguração e, depois- agora- lembro-me que foi por isto que segui Psicologia e tudo me volta a fazer sentido.
Mas o que a vida mais me ensinou é que, no matter what, o único erro realmente fatal é formares uma opinião de outrém pelos olhos de terceiros: construires uma imagem, formares uma opinião, juízos de valor e estereotipos subjacentes sem conheceres de perto o objecto de análise.
O Pico visto de S. Jorge é uma montanha diferente da que se vê no Faial, garanto-vos. No entanto, é sempre a mesma montanha. A minha montanha, desde que vista, numa ou noutra ilha vizinha, pelos meus próprios olhos.
E isso eu já aprendi.

Diz que foi inaugurada a Primark do Norteshopping

aDORAr

Depois de um Verão muito menos Conchita Wurst e sem voltar às picadas do laser, ontem regressei à minha aDORAda exterminadora de pêlos. 
Como recebo imensos emails vossos a perguntarem-me como está a decorrer a evolução da coisa deixem-me que vos diga que foi a melhor decisão da minha vida, logo, logo a seguir a de ter escolhido este marido e ter tido a Ana. Ali, taco a taco, com a compra da Bimby. 
O pelume facial (sim, sou mesmo uma ursa, confesso...) diminuiu drasticamente e os que ainda resistem estão, extraordinariamente, mais fracos. Nas axilas a evolução foi surpreendente e estamos a falar em apenas 4 sessões. Quatro. 
Estou esperançada que possa ir passar o Natal a um destino paradisíaco com muita praia porque vou estar com uma pele de peitinho de frango. :P 
A Dora continua a mesma querida, sempre paciente, sempre profissional, sempre discreta e atenta e eu não ganhei apenas uma exterminadora implacável de pêlos: ganhei uma amiga. Gosto mesmo dela, o que dá imenso jeito quando temos que estar ali todas escanchadas numa marquesa a mostrar as pilosidades a uma gaja gira e boa, o que, só por si, seria meio caminho andado para virmos lá com a auto-estima de rastos. Mas não, a Dora é cá da malta, sem peneiras, sem "você devia isto", ou "já experimentou aquilo", sem fazer juízos de valor, sem ter aquele ar mete-nojo tem a mania que sabe tudo.  Aconselha o que tem que aconselhar sem nos tentar vender serviços plus ou produtos extra e, tirando o Biafine para hidratar a pele, não me lembro de ter tentado impingir-me nada, nem esfoliantes xpto, nem protectores solares de 50 euros nem nada. Gosto disso.
Ir ao laser da Dora passou de "um mal necessário"- que eu não vou à bola com cabeleireiros, esteticistas, depiladoras e profissionais da beleza em geral e todos os que encontrei até agora em particular- passou de uma atitude "óleo de fígado de bacalhau" (não sabe bem mas faz bem) para um momento esperado e prazenteiro. Uma pessoa vem de lá com a tosquia feita, leve que nem uma pena e bem disposta. 
Para ser melhor só faltava no fim da sessão haver um negão musculoso e bonitão a fazer-me uma massagem. 

Dora, queres providenciar esse plus

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que dizem "obrigado/obrigada" de acordo com o seu sexo e os outros.

Não há cultura popular como a brasileira, caraca!

Acabado de ouvir de uma senhora brasileira para uma amiga que a estava a aborrecer:


"Quando eu morrer vou virar santa padroeira das putas. Aí você reza e mete umas velinhas para mim, viu?



(vou adoptar)

Não fosse estar numa fase monogâmica e casava com ele...

"Aquela discussão sobre a cópia privada

Há dias, vi o Prós e Contras, provavelmente a unica vez nos ultimos 3 anos. Geralmente é uma perda de tempo: tem a Fátima Campos Ferreira, que pertence ao género de pessoas-que-sabem-ler-mas-nunca-parece, um género onde é omnipresente e que em Portugal é ocupado por peças como o João César das Neves ou o presidente do ACP.
Só assisti ao debate por 2 razões: Domino o tema e detesto o Prós e Contras; acho que a lei está assente numa premissa errada.

O tema tem visibilidade porque os poucos que querem intervir politicamente no país fazem-no na blogosfera. Em Portugal o Twitter só é usado por boys. Foram eles que deram a cara no debate, frente aos artistas ( todos velha guarda ) e à SPA. Assistir a este debate permitiu-me confirmar algo que já suspeitava - provavelmente isto é preconceito, à conta da apresentadora - há algum tempo: se extrapolar o que ouvi sobre internet, copia e consumo digital a todos os temas que passam pelo P&C, ninguém sabe do que anda a falar e o programa não tem interesse nenhum. Perdi umas horas da minha vida mas confirmei isto, posso voltar a não ver televisão de encher-chouriço como é habitual.

O argumento batido e primário "se pago uma taxa por usar um disco que pode ser usado para ter musica pirateada, então devia ir preso por homicidio por comprar uma faca" mistura 2 assuntos mas continua a ser válido, de tão mal amanhado que é o projecto de lei, uma proposta que admitiram datada por não ter sido aprovada em tempo útil e adiada pelo governo. Novamente, extrapolando o que se passou com este projecto de lei, fico com a ideia que temos legislação em barda para 98, mas nada para 2014. Ainda assim segue, datada, assente numa premissa que é cada vez mais errada, e numa altura em que, graças aos serviços online que ignoraram completamente no debate, as vendas de musica sobem, ao fim de anos de queda continua. "

Prezado no seu "Perdido pela Cidade"

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Adivinhem quem voltou?

Colecção bearborn inspirada no meu sobrinho Duarte

Beargrow- dia 1

Beargrow- dia 2

Na loja Mãegyver by Friends. :) 

Repost: "Eu ainda sou do tempo..."

... em que os pais faziam dos dentes de leite que nos caíam peças de joalharia e que a Fada dos Dentes ainda não tinha sido inventada. Que a Catarina Furtado era um sex symbol e não embaixadora da Boa Vonade. Em que apanhar piolhos na escola era uma inevitabilidade e não uma vergonha.Que todas as crianças sonhavam em ser Power-Rangers! (E sempre o vermelho). Em que brincar na terra não envolvia o uso de desinfectantes anti-bacterianos. Sou do tempo em que bebíamos groselha e capilé e delirávamos. Em que não haviam vôos directos Lisboa-Porto e tinha que gramar o Campo das Cebolas e mais autocarros da Renex. Em que a Ana Malhoa era apresentadora de programas infantis e não um sex symbol da música pimba. Sou do tempo em que se usavam os verdadeiros Kispo™, sem o menor sentido de estilo. Sou do tempo das saias para dançar lambada. 
Em que existia uma personagem híbrida e com um ar macabro chamada Badaró. Em que levei com pó de talco no rabo nas mudas de fralda (agora é prejudicial, porque o bebé pode inalar o pó...). Em que quando alguém dizia "han?" se respondia "Crisan!". Eu sou do tempo em que os cromos não eram autocolantes. Em que usar verniz rosa ou vermelho nas unhas era foleiro e a minha mãe guardava os vernizes no frigorífico. Eu sou do tempo dos kalkitos. Em que se usavam Colibris (as antecessoras das Melissas) mas só para crianças (sim, que aquilo era plástico e plástico não era para gente adulta). 
Eu sou do tempo do Caprisone. Em que as únicas boys band existentes eram os Bros e os New Kids on the Block. Eu sou do tempo em que se dava óleo de fígado de bacalhau e mioleira às crianças. Em que o Luis Pereira de Sousa tinha bigode. E o Goucha também, Ah, e que o Goucha era heterossexual e namorado provável da Teresa Guilherme. Eu sou do tempo em que só havia um canal de televisão, cuja emissão era iniciada às 6 e meia da tarde.  Em que levávamos reguadas se falhássemos a tabuada (a do Ratinho).  
Sou do tempo em que se tomava Vi Dailin como xarope vitamínico. Em que misturar padrões na roupa era um escândalo. Em que o menino da lágrima ou a Anita a segurar um cãozinho ornamentavam uma parede de casa, sem ser motivo de chacota. Em que éramos criados pelos avós, à maneira deles e era bem bom. Eu sou do tempo em que os campeonatos do Mundo de futebol davam origem a desenhos animados (vide Campeonato do Mundo de Espanha e o seu Naranjito). Em que se comiam carcaças com manteiga e açúcar e era um petisco. Eu sou do tempo do Walkman.  E do Spectrum +2 com cassetes.
Eu sou do tempo em que passava o Vitinho na RTP2.  Em que a TVI era da Igreja e passava filmes pornográficos às 18h. Em que o expoente máximo do reality show era ouvir a vizinha de cima a "receber" o ex-marido a altas horas da noite. Eu sou do tempo em que no Verão nos sentávamos todos juntos na aldeia para desfolhar milho. Sou do tempo do Lecas. Em que internet, blogs, bloggers, facebook e chats eram merdas do Júlio Verne, do Phillip K. Dick, do Ray Bradbury e afins e não o pão nosso de cada dia. Em que os naperons não eram um apontamento kitsh- eram mesmo decorativos. Eu sou do tempo em que se apanhavam os "sarampos" todos e se sobreviva. Sou do tempo em que se bebia leite vitaminado grátis na hora do recreio da escola primária e em que as senhoras do lactário iam fazer o teste do flúor às escolas. 
Sou do tempo em que as grávidas podiam pintar os cabelos, as unhas e não havia toxoplasmose. Eu sou do tempo em que os passatempos de uma criança de 12 anos se resumiam a jogar ao berlinde e ao elástico, a jogar ao quente-e-frio, saltar à corda, brincar com bolas saltitonas, pega-monstros, ao mata, às escondidas, à cirumba e à macaca (com giz pintado no alcatrão) e pouco mais. Sou do tempo das Petas Zetas. Eu sou do tempo em que poupávamos um ano inteiro para passar 15 dias de férias no Algarve. Em que ficava fechada em casa na sexta à noite a ver os jogos sem fronteira e o Dennis a apitar e a contar em francês para o início dos jogos. 
Sou do tempo em que havia bibliotecas itinerantes em carrinhas castanhas. Em que se saltava à fogueira na altura dos santos populares. Em que se colocavam as pilhas no congelador para recarregarem (mesmo não acontecendo) ao pé de colares fluorescentes que se compravam nas feiras e brilhavam no escuro. Sou do tempo do Alô-alô. Em que o Freddy Krueger metia mesmo medo. Sou do tempo em que o Júlio Isidro era o Tio Júlio e que o Avô Cantigas podia ser cantor infantil e pegar meninos ao colo sem temer ser acusado de pedofilia. Em que o amolador me acordava aos sábados de manhã. Sou do tempo em que o Zé Figueiras tinha um brinco na orelha e apresentava o "Muita Lôco" com uma partner chamada Paulina, que tinha obesidade mórbida. Em que se ofereciam pulseiras de ouro com medalhinhas onde se lia "amor de madrinha" e éramos mesmo obrigados a andar com elas. Em que comia pastilhas super-gorila e ficava com a boca cheia até não poder mais.  
Eu sou do tempo em que os gelados se faziam em casa com leite e umas saquetas que se vendiam no supermercado (tipo pudim). Em que os vestidos das meninas tinham mangas de balão e folhos. Em que se apanhavam bebedeiras de Gold Strike. Eu sou do tempo em que aos domingos a família comia toda junta.  Eu sou do tempo em que a Vera Roquette mandava lá em casa, depois do almoço.  Em que o Pedro Mourinho apresentava o "caderno diário". Eu sou do tempo em que os pais tinham revistas pornográficas escondidas debaixo do estrado da cama e as cassetes pôrno na parte de cima do guarda-fatos. Eu sou do tempo em que as crianças iam de pé no carro entre os dois bancos da frente. Em que o Hugo Leal era um jogador de futebol famoso. Em que os gelados se dividiam entre os gelados de leite (os preferidos das mães) e os gelados de água (os nossos preferidos). Eu sou do tempo em que se brincava na rua até virem as mães todas à janela (gritar) chamar para jantar, a que se seguia um "já vou... quando a Ana for eu subo". Em que se telefonava antes de sair de casa a combinar uma coisa e não era preciso ligar mais 10 vezes e mandar 20 sms a fazer ajustes. 
Sou do tempo em que os ecrãs das televisões a preto e branco se protegiam com uma película de celofane azul. Em que se fazia chamadas ao calhas para números da lista telefónica a dizer "Fala da casa do senhor Leitão? É para dizer que já foi promovido a porco" ou "Está em linha? Então afaste-se que vem aí o comboio!". Sou do tempo em que se jogava ao bate-pé, ao quarto escuro e ao verdade ou consequência. Eu ainda sou do tempo  em que o ponto de encontro na praia, era a Bola Nívea Azul. Em que tínhamos de gramar com as reuniões da tupperware com a nossa mãe, mas gostávamos dos brindes e dos bolinhos no final. 
Eu ainda sou do tempo das bombocas. E dos beijinhos de açúcar. Eu sou do tempo em que as canetas mollin não tinha furinhos na tampa. Em que havia Feira Popular, onde eu ia comer farturas, beber batidos de ananás e encarnar o Demo na pista dos carrinhos de choque e no Ranger. E em que os empregados de mesa saiam para as portas dos restaurantes de frango a puxarem os clientes. Em que se faziam telefones com copos de papel e fio impregnado de parafina.  Sou do tempo em que as bicicletas eram todas BMX. E do tempo do anúncio: "quantos Polos conhece menina? 3: Polo Norte, Polo Sul e Polilon!". Sou do tempo em que as pessoas que diziam "Eu ainda sou do tempo" eram nitidamente mais velhas que eu e não da minha idade.

Um dia a minh'Ana inspira uma das mais queridas ilustradoras que conheço


Hoje foi o dia. 


If you pay peanuts, you get monkeys…

"Qualquer dia recém-licenciados e desempregados pagarão às empresas pelos estágios. Um pouco à semelhança do que acontece com a Alemanha, que se financia nos mercados a taxas de juro negativas. A comparação parece absurda? Permitam-me explicar.
Gosto de ver os anúncios de recrutamento da minha área. Não porque esteja à procura de emprego (felizmente) mas porque são um bom barómetro das dinâmicas da indústria. E se na área da comunicação alguns anúncios nos fazem sorrir pela criatividade do texto, outros contribuem para ficar apreensivo. Como recentemente, quando li um anúncio que nas características da oferta dizia “trabalho remunerado”.
O mundo é um local estranho quando “trabalho remunerado” é uma característica a salientar num anúncio de recrutamento.
Não tenho nada contra as pessoas ou empresas que, de sua livre vontade, estão dispostas a trabalhar de borla. Mas penso que é um mau princípio porque a longo prazo prejudica todos (dos profissionais aos clientes) e que nesses casos será mais apropriado usar termos como voluntariado ou terapia ocupacional.
Será este o espírito out-of-the-box que os empregadores tanto procuram? Ou mais uma expressão do problema de valor transversal à indústria e com origens um pouco por toda a cadeia?
Se considerarmos o número de pessoas que se forma anualmente na área – que já de si é muito vasta – e somarmos a estes os que se formam em outras áreas e se viram para a comunicação, os que não se formam em nada mas são curiosos e os que “têm uns amigos que fazem umas coisas”, é natural que o mercado não consiga absorver tanta gente e que com isso as remunerações baixem. Isto é básico, natural e no limite leva a que apareçam anúncios a dizer “trabalho remunerado”.
O que já não me parece natural é que em consequência desse excesso de oferta, algumas empresas ou quase-empresas sejam arrogantes na forma como contratam recursos, especialmente quando o fazem penduradas nos incentivos do IEFP, que actualmente deve ser o maior empregador na área.
Algures no meio desta crise perdemos o juízo e o bom senso e passámos a achar normal escrever qualquer idiotice num anúncio de recrutamento. Já vi coisas como “procuramos alguém que não se importe de trabalhar muito e ganhar muito pouco” e só falta mesmo encontrar empresas que cobram um fee por deixar as pessoas estagiar, já que assim valorizarão os seus curricula.
Se por um lado há mais oferta que procura ao nível dos recursos humanos, por outro o mercado está inundado de microestruturas, que não só são incapazes de gerar oportunidades para esses recursos – muitas trabalham com uma ou duas pessoas e mal se aguentam – como pulverizam know-how e consequentemente valor. É assim que aparecem histórias de concursos com remunerações ridículas e até leilões invertidos, que transformam a contratação de serviços num bazar chinês, onde o responsável financeiro assume o protagonismo da resposta.
A esses clientes eu pergunto: se vos oferecerem um anel de diamantes ao preço de bijuteria, não desconfiam? É que é assim que aparecem as histórias – das quais o mundo está cheio, um pouco por todas as áreas – onde o barato saiu caro e de pechinchas que se transformaram em dores de cabeça.
Será que ninguém pára para pensar em que condições lhes vão prestar um serviço por determinados preços? Ou acreditam mesmo que são tão visionários e brilhantes que conseguem comprar caviar ao preço de amendoins?"

Artigo de opinião de Diogo Madeira da Silva (consultor, diogo.madeira@sapo.pt) aqui

Perguntam-me "Quem é a Pólo Norte, afinal?"

[A Pólo Norte não sou eu. Mas é uma boa pessoa. É como se fosse o meu alter-ego, uma fotocópia de acetato da minha alma, ora transparente, ora lúcida, ora translúcida, ora eminente. A minha alma não se vê. A Pólo Norte também não se vê, porque é uma alma e porque não gosta de ser vista. 
A Pólo Norte guarda coisas. Costuma dar-me uma imagem quando as quero encontrar. A Pólo Norte é uma alma mas podia muito bem ser uma história, uma nuvem ou uma fada boa, irónica, subversiva, politicamente incorrecta, tresloucada mas boa. Mas não é. 
É uma alma. ]

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A EXPERIMENTAR| Das tripas coração

Foi por acaso hoje, ao sair do Hospital Dona Estefânia, que dei de caras com uma lojinha nova ali mesmo à frente do hospital. O nome chamou-me a atenção "Das tripas coração" e como sou uma abelhuda fui lá enfiar o nariz. E, meu Deus, como a vida é minha amiga!

Das tripas coração é uma loja com doce típicos de onde?- perguntam-me vocês.

 Da minha terra do coração: Aveiro, pois está claro. 

E foi o êxtase quando percebi que posso passar a comer tripas de ovos moles, bolacha americana com ovos moles e barquinhos de ovos moles na capital sempre que me der na real gana! Literalmente. Até se me der desejos nocturnos que esta lojinha de doçaria tradicional está aberta até à meia-noite aos fins-de-semana. 

Vai ser a loucura! É o que vos digo! A lou-cu-ra!







Repórter quadripolar: Mercado de Sabores do Continente

E vem que na rentrée a ursa criou nova rubrica: o repórter quadripolar será responsável por ir a todas festas de croquetes e acepipes para as quais a ursa é convidada. 
Portanto, amigos da ursa, leitores fiéis, gente de quem eu gosto: chegou a hora de brincar aos pseudo-vipes!

O Sérgio é o primeiro repórter quadripolar e foi em missão quadripolar ao Mercado de Sabores do Continente. 

E foi assim:











Obrigada, Continente!

O psico-fotógrafo mais talentoso do Mundo está de volta


"Dream" - Não é para quem quer. É para quem sonha!
Cliquem no link abaixo e vejam o teaser. Desvendaremos em pleno as sessões "Dream" muito em breve. Fiquem atentos 

Cliquem aqui

Vinte coisas que os adultos não nos disseram


"Um dia fomos crianças adoráveis com pele macia e bochechas redondas. Um dia fomos jovens com amigos, estudos e férias intermináveis.
Um dia fomos adultos e não estávamos nada preparados para isso. Dava jeito que os crescidos nos tivessem preparado para algumas coisas que íamos encontrar, porque assim talvez a vida fosse mais fácil. Aqui fica uma lista de 20 coisas – pouco ou muito importantes – que eles não nos disseram:

1. Trabalhar dá trabalho. Estudar dá trabalho. Fazer uma coisa bem feita dá trabalho.
2. É estúpido tentar agradar a toda a gente. É impossível forçar alguém a gostar de nós, muito menos com frases feitas e poses estudadas.
3. É impossível não errar. Sempre que fazemos uma coisa nova, vamos começar por fazê-la mal.
4. Pôr dentes debaixo da almofada não dá dinheiro. O dinheiro custa a ganhar – ainda mais do que perder dentes – mas desaparece num instante.
5. Ter medo é normal. Não há problema em sentir medo, desde que façamos o que temos a fazer, apesar do medo.
6. Não há famílias perfeitas. Cada família é funcional e disfuncional de uma forma única.
7. Não há pessoas perfeitas. Se alguém que admirávamos nos desilude, é porque estávamos iludidos.
8. Somos mais do que as coisas que fazemos. É possível ter feito asneirada e continuar a ser boa gente.
9. Vamos sofrer. O mundo não é cor-de-rosa, e há coisas que nos vão magoar. Mas não adianta nada preocuparmo-nos com isso.
10. Há coisas contagiosas. Como o bocejo, o riso ou o herpes labial.
11. As relações não são como nos filmes. Estar casado não é um mar de rosas e ninguém está sempre apaixonado.

12. Amar uma pessoa a sério dá muito trabalho. Mas vale a pena.
13. O barulho do mar não fica armazenado dentro dos búzios. Nem a água das piscinas é azul.
14. Há coisas que não mudam. Há situações e pessoas que não vão mudar, mas a nossa forma de lidar com isso pode sempre mudar.
15. Apanhar um escaldão não é sexy. Nem apanhar uma bebedeira. Nem dizer palavrões.
16. O mundo real é melhor que o virtual. A internet é simpática mas uma conversa ao vivo é melhor.
17. O papel higiénico acaba-se. Tal como todas as coisas que se compram. Só não se acaba o que não tem preço.
18. Não se pode acreditar em tudo o que nos dizem. Há quem não faça o que diz, e há quem não diga o que faz.
19. Querer estar em todo o lado ao mesmo tempo não é possível. Nem é o que nos faz mais felizes.
20. Há listas de bons conselhos que não servem de nada, porque há coisas que só se aprendem se forem vividas."

ASSIM NO BAIRRO COMO NO MUNDO


Escrever textos concisos é, cada vez mais, uma arte. Quem se perde em metáforas, em ilustrações da realidade e joga tudo numa amálgama de palavras caídas em desuso é, normalmente, acusado de baralhar o leitor, a pessoa que é, regra geral, considerada a mais interessada no texto. Depois, já se sabe: se um texto começa, por exemplo, da maneira como este começou, dificilmente será lido até ao fim sem provocar a náusea.

Sinal dos tempos.

No entanto, nem sempre é assim. Quem escreve fá-lo, normalmente, como forma de se entender, projectando no papel ou no monitor considerações sobre o mundo que nem o escritor sabia que as tinha em si. Quando se escreve um texto, mascara-se o texto de uma aparência considerada regular mas quem escreve sabe que, no fundo, o que quer dizer é somente para si e para algumas pessoas que terão, por momentos, atravessado a malha fina do seu universo. E sabe-o por uma razão que prevalece sob todas as outras: já leu, leu muito e de forma muito intensa.

Esta ideia é normalmente considerada “uma ideia de escola”, daquelas ideias que se transmitem de pais para filhos como se os primeiros soubessem que os últimos nunca irão perceber que é importante ler mas que, por momentos na vida, irão pensar no assunto nas alturas em que for preciso tomarem decisões.

Escrever um texto é quase como ser afectado de Spina Bifida ou quase, no fundo, como estar vivo. Se para uns estar vivo ou ter Spina Bifida é o contrário de estar morto, para outros é, definitivamente, muito mais que isso.

Sou afectado de Spina Bifida há 30 anos e cresci com muitos outros afectados, gente que sempre considerei, no meu âmago, muito estranha e complexa. Penso que isso se deveu e continua a dever-se ao facto de essas pessoas serem o espelho mágico que reflecte o que fui, o que vou sendo e o que quero (ou não quero) ser. Quando olhamos para nós próprios através dos outros, sentimos uma sensação de estranheza tão grande que tentamos desviar o olhar para dentro deles tentando fugir rapidamente de nós próprios.

É um movimento brusco e extremamente cirúrgico, mas talvez não seja só isso.

Devo dizer que sempre lamentei profundamente o facto de ter Spina Bifida e de ter nascido com esta deficiência. Sejamos muitos claros: não é bom para ninguém sentir que aos 14 anos é olhado com pena por miúdas de 14 anos que iniciaram na noite passada a sua vida sexual e marcaram os lençóis. Não é bom urinar fora da sanita. Não é, igualmente, bom sentir que desde o berço há um misto de dúvidas, incertezas e algum dó por quem nos aconchega nos braços ou quem nos mostra, pela primeira vez, uma bola de futebol.

Por outro lado, sempre senti que estava a ser empurrado para o futuro. É certo que, e não obstante saber que a sorte pode muito rapidamente mudar amanhã, a minha situação permite-me olhar para mim de uma forma relativamente mais próxima da felicidade. No entanto, pretender estar incluído numa sociedade que, de forma repentina, começou a compreender a pessoa com deficiência como alguém que teria de ser afastado de pessoas que quisessem, simplesmente, ajudar foi extraordinariamente difícil. Brutal, até.

A certa altura, pensou-se que, a qualquer preço, seria fundamental proclamar a independência da pessoa com deficiência ligando-a à ideia de que estava a ser ajudada de forma desnecessária, limitando o seu desenvolvimento e as suas capacidades próprias. Tal, ainda capaz de ser verificado em muitos casos, foi, em relação a tantos outros, bruscamente aplicado, como se de um golpe de tratasse.

Foi o grito de independência das instituições ligadas às pessoas com deficiência e a voz de comando de pessoas que, com ou sem deficiência, entenderam que ajudar seria crime, ajudar seria uma forma de limitar a independência funcional dessas pessoas. A certa altura da minha vida, senti que tinha sido impelido para um futuro que só de mim dependia.

Nada mais errado, porque preciso mais dos outros que de mim próprio. Além disso, sou o primeiro a defender a importância de tomarmos medidas radicais se as situações o exigirem mas serei o último a vê-las como a primeira solução.

Hoje, ajudar alguém, para além de ser uma espécie de negação da nossa individualidade, é, enquanto ajudar alguém com deficiência, a negação da individualidade dessa própria pessoa. Não bastasse isto, parece não ser uma atitude contemporânea (a atitude da moda) e, caso se possa gastar menos tempo e dinheiro com os outros, tanto melhor para nós que até somos nós e vamos precisando.

Temos que ter sempre muito cuidado com aquilo que dizemos porque pode ser verdade. Assim foi, e a verdade fere.

Hoje, com 30 anos, passada uma adolescência e o início da idade adulta a ver passar os comboios, a atravessar nas passadeiras e a contemplar as gajas boas e menos boas do meu descontentamento, fiquei dorido. Safei-me. Mas fui, muitas e muitas vezes, levado a pensar que teria de viver o resto da minha vida com as nódoas negras que fiz e me fizeram, como o tipo que passa diante da montra da pastelaria e nunca chega aos melhores bolos.

No entanto, tal como não sou nenhum herói, não sou nem nunca fui um tipo optimista e, por isso, o que digo pode ser interpretado por quem me conhece como um sinal apenas da minha personalidade.

Alguns dirão, é certo, que falar em pastelarias e bolos é sempre uma forma de pensar abjecta e miserabilista, mas viver com Spina Bifida, para além de não ser um conto de fadas, é uma coisa muito real.

Outros dirão o contrário: o que sentem, o que já sentiram ou o que pensam vir a sentir.

E viver assim ou de outra maneira é um constante reencontro connosco ou com os outros: se, por um lado, existem pessoas com deficiência que se cercam em si próprias e conseguem viver com o seu próprio peso dentro delas desafiando a sua física interior, outras há que se entregam aos outros de forma quase desesperada, em busca delas próprias. Não vejo que adoptar uma postura de entrega incondicional às causas do outros seja um sinal de que estamos bem connosco próprios: antes pelo contrário, entregar-me aos outros é normalmente sinal de quero fugir a sete pés de mim próprio, do meu corpo, da minha presença factual, da minha existência (ou, como brilhantemente brincava, um dia destes, uma amiga minha, da minha x-sistência...)

Ser pragmático é a mais fácil das soluções. Olhamos para os outros, vemos do que precisam, enchemos dois sacos de farinha, mas à boa maneira da milenar cultura chinesa, esquecemo-nos do mais importante: olhar mais além e ensiná-los a pescar essa farinha.

O que forma uma cultura de apoio à pessoa com deficiência é, como meu primeiríssimo ponto de vista, perceber que a verdade que a encerra é igual a todas as outras verdades: perene, humana e muito, muito falível.

Ter Spina Bifida, para além, como disse, de ser o contrário de estar morto, é assumir a lesão na coluna como uma espécie de lesão maior, que atravessa a nossa vida, a minha, a sua, a dos meus amigos, a dos seus, a dos mais próximos, dos menos distantes. Mas, às vezes, há dores boas. E, além de tudo o mais, dores que fazem brotar uma maneira diferente de ver as coisas.

A deficiência ensinou-me que o meu maior inimigo não são os outros, sou eu próprio e o meu medo. ter medo das palavras que usamos é ter medo do mundo. A linguagem é o mundo.

Continuo a pensar e a ter esperança no futuro (a nivelar por cima, como costumo dizer) porque me recuso a entrar numa linguagem pragmática, normalmente usada porque não se conhece outra. Se escolho ouvir uma música em detrimento de outras, não posso ficar contente se não a passarem naquela rádio porque só passam uma outra música que toda a gente ouve. Um dia, uma rádio arriscará passar essa música, a minha música.

Mais tarde, todas as rádios estarão a passar essa música. Na música como na vida, assim é tudo e tudo acontece desta forma,  muito, mas mesmo muito mais natural do que aquela que normalmente supomos.

Aspectos como a cura para a Spina Bifida ou para um dos aspectos que, regra geral, mais nos condicionam durante toda a vida – a incontinência, são, normalmente, alvo de chacota e desprezo, em principal pelos próprios afectados (eu próprio o faço, quase sem contar). Entendo, como quase toda a gente entenderá, que assim seja. Mas porque não pensar nesses aspectos? Porque não acreditar mesmo e mesmo, com toda a verdade, no hoje dito impossível?

Às vezes, as perguntas são muito mais esclarecedoras que as respostas.

Não defendo o pragmatismo como não defendo o lirismo. Eu não defendo nada. A única coisa que entendo deva ser feita para que, assim no bairro como no mundo, se volte a sonhar é voltarmos a acreditar que também sofremos, que também temos dúvidas, que também somos donos e senhores de uma pesada herança genética de raiz animal e que, mais que qualquer outra coisa, não podemos olhar para o futuro como o único caminho possível.

Por último, devo lembrar que já muita gente escreveu muita coisa e não foi por isso que a relva deixou de crescer (aliás, há até quem diga que cresce mais depressa). Apesar de escrever para mim próprio e acreditar mais na brisa que noutras coisas, peço, secretamente, que me leiam, que me entendam, que sintam as minhas palavras e que consigam mudar o mundo, o nosso e o outro, levemente inspirados por aquilo que agora, sempre à margem, vos transmito.

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