segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ventre liso? Pergunte-me como.

18 ameixas madurinhas.
De uma vez só.




(Confundi-me e pensei que eram os morangos que davam a volta à barriga e não as ameixas, o que prova que a tinta loiro escuro do post anterior é eficaz...)

Memória fresquinha

Enviam-me um relatório para fazer com tratamento estatístico: ANOVA; ANOVA one way e o Diabo a quatro.

 - "Ah,que cara é essa? Mas não deste SPSS na faculdade?"



 Dei.
Há 12 anos atrás.

Foi ela que criou o monstro

Eu: "A Luna chega hoje da sua Europe tour! Será que correu bem? Estou desejosa de saber as aventuras"

Mámen: "Podemos ir logo à noite a casa dela buscar a quarta série do "Game of Thrones" ou achas que parece desesperado?"




Nãããã, que ideia!



(Update- ele não saca nada da net, não vale a pena...)

Estão a ver a mousse de coloração loiro escuro da L'Oreal?

Pode não ser loiro.


(Oh, fuck!)

Outro dos desafios que coloco a mim mesma todos os dias: Educar para a diferença



Vale a pena reflectir sobre isto.

O air-bag da vida da minha filha

Estava grávida da Ana quando percebi que o meu corpo não era forte o suficiente para a proteger. Uma gravidez de alto risco e muitas complicações de saúde fizeram-me, desde cedo, perceber que o meu corpo não era forte o suficiente para a encarcerar dos perigos, das hipóteses de alguma coisa correr mal. 
Quando, às 30 e poucas semanas percebemos que o meu corpo punha, ele próprio, em risco a minha filha a cesariana foi inevitável e a Ana nasceu. Finalmente, nasceu. 
Cá fora tinha uma sensação de maior controlo, já não havia útero e carne e pele a separar-nos, as minhas mãos podiam acudi-la, os meus ouvidos ouvir cada suspiro, os meus olhos monitorizarem-na. Senti isto meses a fio, esta sensação de maior controlo, de não largar a miúda por um minuto, de estar atenta a cada movimento, som, expressão facial. 
A Ana cresceu e começou a querer conquistar o Mundo. Eu já não conseguia estar com ela colada ao colo, controlar cada movimento, escutar cada som. Já não conseguia prevenir acidentes, quedas, tropeções, batidas de cabeça e arranhões nos joelhos, vírus no ar e tosse à noite ao dormir. De novo, em mim, a mesma sensação de impotência, de descontrolo, de insignificância face ao Mundo. 
Eu queria ser o air-bag da vida minha filha e, quando dei por mim, restava-me muito pouco senão controlar o pouco que é possível controlar e dar beijinhos nos dói-dóis. Diz que saliva de mãe tem um efeito curativo, aprendi-o com a minha própria experiência. 
Ontem, ao ouvir as notícias, apetecia-me outra vez encarcerar a Ana em mim, com o terror de quem teme que algo de mau lhe aconteça, minha filha, meu amor, e lembrei-me do meu corpo frágil que não a protege. Apeteceu-me abraçá-la por inteiro, para que coubesse toda no meu abraço, air-bag emocional, cobri-la com o meu corpo do Mundo, dos perigos, da morte. 
Fitei-a a dormir, o sono dos anjos, reflectindo sobre a minha materno-insignificância, lembrando-me daquelas palavras de que os filhos são do Mundo. Talvez aprenda isto à custa de muita cabeçada, de lágrimas e de dor mas vem-me sempre à memória as palavras da minha amiga Ziza, tripeira de gema, que só com o devido palavrão dá a força imperativa às palavras: "os filhos são do Mundo, o caralho, os filhos são das mães!"
Eu só queria ser o air-bag da vida da minha filha. Para sempre. 

domingo, 29 de junho de 2014

Quando um post, só uns meses depois, fica completo

O post original dizia isto. Mas o post original só fica completo com este vídeo, enviado pela Mari (obrigada e beijinhos!). Aqui vai, para todas as mães:

"Recebi há uma hora um email de um ex-colega a querer saber de mim e o que tenho feito profissionalmente. Na troca de emails perguntava-me o que fiz nos últimos dois anos. Quando lhe disse que estive um ano, exclusivamente, a ser mãe respondeu-me qualquer coisa como "isso vai dar-te cabo do currículo, foi um ano deitado às urtigas onde não desenvolveste nenhuma competência..."


 

Querido Paulo, 

Uma vez que te senti preocupado com a minha vida profissional e certa que estou das tuas intenções na árdua tarefa de me ajudar a regressar ao que é importante, a fazer valer enquanto profissional, ocultando este percalço que foi o da minha maternidade e os constrangimentos que tal trouxe para a minha carreira, junto submeto o meu CV actualizado para tua análise e apreciação. 

Desde já obrigada. 

L."

CURRICULUM VITAE (actualizado)


INFORMAÇÃO PESSOAL
Pólo Norte - Mãe

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Março de 2012 - Agosto de 2012
Grávida de alto risco


Descrição da tarefa: Vomitar 300 vezes ao dia no intervalo de 30 entrevistas de selecção, fazer boa cara aos candidatos, fazer xixi de 10 em 10 minutos e aguentar sem o fazer em reuniões de três horas com clientes, ministrar formação de pé durante oito hora seguidas e, com especial destaque, para o período pós-almoço quando o sono bate tão forte que é impossível manter as pálpebras abertas. Lidar com a notícia de que as coisas não estão a correr bem apesar do esforço em gerir a gravidez e a carreira, Vir da médica com indicação de repouso absoluto. Cumpri-lo, sem fazer qualquer esforço físico, a gerar um bebé, com uma alimentação rigorosa, sem poder sair à rua, confinada a quatro paredes, sofá, cama, sófá, sem poder deprimir que o bebé pressente essas coisas, a receber uns 343637 emails por dia com pedidos de relatórios, chamadas a perguntarem onde está o dossier y e em que pasta do pc está o ficheiro z que isto de procurar é uma maçada, lidar com uma total falta de respeito, desprezo absoluto e incapacidade natural de empatia da entidade empregadora face ao teu estado de saúde frágil e risco de perda do bebé. Ir a 500 consultas, aguentar sem chorar de cada vez que somos pesadas, decifrar a mensagem do semblante da médica de cada vez que faz um ecografia e mantém o silêncio, confirmar o sexo do bebé, comprar o enxoval, decorar o quarto, escolher o nome, aguentar noites de inónias, prisão de ventre, a impossibilidade de encontrar uma posição confortável par dormir,  o peso da barriga, as dores nas costas, infecções urinárias, piolenefrites, ecografias semanais. Ter medo, todos os dias, um a um, de perder um bebé que já é o seu filho, para sempre. 


Competências desenvolvidas: Responsabilidade. Disciplina. Rigor. Adaptação à mudança. Controlo e gestão de emoções. Resistência à frustração. Paciência. Resiliência. Gestão de prioridades. Pensamento holístico.

Agosto de 2012
Parturiente e mãe de bebé-recém nascido prematuro


Descrição da tarefa: Ser submetida a uma intervenção cirúrgica que resulta num ser vivo cá fora. Aprender a cuidar dele ainda com uma barriga cheia de pontos, ser firme e recusar visitas de cortesia na maternidade para além das da família de primeiro grau, firmar a posição de que não se quer amamentar contra tudo e todos, lidar com os olhares de reprovação, aprender a gerir a culpa de todas as decisões que se tomam em detrimento de todas as opções que foram preteridas. Aprender a dar banho, a actualizar medidas de biberão, a melhor posição para arrotar, que as chuchas de bebé têm tamanhos, que há NAN mas que o NAN confort é que é melhor para os intestinos do bebé, procurar onde se vende xarope de mação reineta para passar a prisão de ventre, encontrar o ângulo para deitar o bebé de barriga para baixo nos nossos braços de modo a passarem as cólicas, aprender a melhor forma para o adormecer, a ouvir quinhentos bitatites por dia divergentes sobre o melhor para o nosso bebé, decidir pela própria cabeça o que é melhor para ele,  lidar com a pressão e com a preocupação constante sobre se ele está bem, se respira, se está com dores, se tem fome, sono, fralda suja ou está só aborrecido tendo como único indicador um choro que, ao início, parece sempre com os mesmos acordes.  Aprender a ver o marido companheiro como pai, membro com iguais direitos e deveres que partilha as tarefas e não que participa como figurante nas mesmas. Reajustar o conceito de família e criar a sua própria dinâmica familiar.


Competências desenvolvidas: Resistência física. Assertividade. Não conformismo. Firmeza. Auto-confiança. Facilidade de aprendizagem. Multitasking. Flexibilidade. Atenção ao detalhe. Capacidade de observação. Resiliência. Resistência ao stress. Dinamismo. Criatividade. Capacidade de adaptação. Capacidade de tomada de decisão. Comunicação não verbal. Escuta activa. Atenção. Cooperação. Espírito de equipa. Capacidade de delegação e descentralização de tarefas. Adaptação à mudança.

Setembro de 2012- Fevereiro de 2013
Parturiente e mãe de bebé-recém nascido prematuro.
Mãe júnior.

Descrição da tarefa: Ver a sua casa ser assaltada e ficar sem quase nada. Lidar com o medo. Decidir mudar de casa e fazer mudanças, encaixotar e desencaixotar o que sobra, passar dias inteiros da licença de paternidade a comer pó, a limpar estores e janelas da casa nova, a arrancar papel de parede, e desmontar e montar móveis, a dispôr a mobília, a arrumar tarecos, a deixar a filha bebé na avó para que ela não coma pó e a sentir-se culpada por isso. Procurar uma pediatra, ir às primeiras vacinas, e às segundas, e às terceiras. Pagar consultas de 75€ mensais, fraldas aos magotes ao preço do whisky de 20 anos, latas de leite mais caras porque evitam as cólicas sem que o Segurança Social ainda tenha procedido ao pagamento do subsídio de maternidade. Reajustamento do orçamento familiar. Ter que confirmar no Hospital de Santa Cruz que o sopro no coração tinha, efectivamente, fechado. Receber na casa nova, ainda em mudanças, as visitas todas que queriam conhecer a miúda. Sentir-me com dores. Perceber que aquilo das hemerróidas no pós-parto não acontece só às outras. Superar o nojo de pegar, pela primeira vez, no Narihnel. Aprender a fazer vapores na máquina. Lidar com a relação bipolar da cria face ao banho (horror para entrar/horror para sair). Cozinhar as primeiras sopas. Decorar os ingredientes que se vão adicionando e estar atenta à possibilidade de alergias. Ter motricidade fina para dar a sopa e acertar na boca da miúda sem fazer um estardalhaço à volta. Não esquecer da vitamina A antes de dormir.  Prescindir da decoração minimalista de casa em detrimento das espreguiçadeiras, tapetes de actividades, livros com sons, mil telefones e afins que enfeitam todas as divisões. Fazer com que o dia renda o suficiente para fazer todas as tarefas imperativas e , ainda, não deixar que a roupa suja tenha um efeito multiplicador. Rejubilar com competências adquiridas como o virar, sentar, bater palmas. Sentir-se tonta de felicidade com coisas tão banais. 

Competências desenvolvidas: Gestão de prioridades. Combate ao materialismo. Trabalho sob pressão. Resiliência. Disponibildade para aprendizagem contínua. Espírito de iniciativa. Questionamento. Sentido crítico. Capacidade de empatia. Atenção ao detalhe. Capacidade de negociar e ceder. Gestão de tempo. Tolerância ao stress.

Março de 2013- Agosto de 2013
Mãe

Descrição da tarefa:  Ganhar hérnias discais. Ser internada com um problema grave de coluna. Ensinar gracinhas, músicas, danças. Ouvir em looping mil vezes a música do "come a papa, Joana". Assistir ao gatinhar. Resistir, incólume e valente, às primeiras quedas. Aprender o que é Arnidol. Decidir que, mesmo que de forma não popular, se assume que se vai prolongar a licença de maternidade, correndo o risco de ser ostracizada, posta de parte, preterida e ignorada pela entidade laboral quando se regressa. Correr o risco de não prescindir do direito contemplado na legislação. Fazer as primeiras papas, dar a provar os primeiros sólidos. Inscrever na natação. Derreter a vê-la de fato de banho. Deixar de ser uma figura central na esfera familiar e a passar a ouvir toda a gente perguntar pela "menina". Organizar um baptizado a milhares de quilómetros de distância. Não stressar quando os planos não resultam da forma como tinhamos pensado. Replanear. Ter capacidade de improvisar. Prescindir da sua identidade e relevar de cada vez que alguém a trata por "Mãe". Pesquisar tudo sobre percentis, deixar de pesar a miúda sem ser no médico para não stressar. Testar a resistência do coração da primeira vez que ela cai a sério. Apreciar a primeira ida à praia. Deixá-la experimentar o mundo. Ler histórias. Saber quem são os Caricas e saber de cor as coreografias. Preparar uma primeira festa de aniversário inesquecível. Cumpri-lo. Não se arrepender, um segundo que seja, do dia em que se quis ser mãe. Ser mãe, exactamente, assim.  Com tanto medo quanto amor. 

Competências desenvolvidas: Paciência. Resistência a actividades rotineiras. Auto-controlo. Sangue frio. Gestão de prioridades.  Gestão do risco. Destemor.Tolerância ao stress.  Resiliência. Gestão de conflitos 
Autonomia. Identificação de oportunidades. Planeamento.Capacidade de improviso. Replaneamento. Inovação. Persistência. Capacidade de se auto-motivar. Compromisso ético. Relacionamento interpessoal a longo prazo. Paixão. 

EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO
Auto-didacta.

COMPETÊNCIAS PESSOAIS
Língua materna- Português

Outras línguas:
COMPREENDER/ FALAR/ ESCREVER
Babylese- C1/C1/C1

Competências informáticas-  Esterilizador de biberons (nível avançado). Máquina de aerossóis (nível avançado). 

Outras competências- Especialista em adormecê-la em cinco minutos. Largo repertório de músicas infantis. Ouvido treinado para diferenciar 432 tipos de choro e seus significados. 

Carta de condução de carrinho com e sem ovo incorporado. 
Destreza no transporte de ovo só com o ante-braço.
Anca esculpida para transporte ao colo, sem qualquer risco de queda. 

INFORMAÇÃO ADICIONAL 

Referências - Ana - filha Tel.: +351 123 456 da Chicco ou contacto através de qualquer comando de televisão. De preferência do que funciona a sério, o de cá de casa. "



A Vanessa. O Rodrigo. Eu. E a (minha) Ana. Hoje a Judite. E o André.

Ontem foi um dia mau. O início de Junho é sempre mau para mim, sou má de Junho, já um dia escrevi aqui.
Junho traz o ar fresco do fim da Primavera, as andorinhas nos beirais, as ervas azedas que povoam as memórias da minha infância no caminho para a escola, os breves dias dos jacarandás em flor.
Junho traz os dias a espreguiçarem-de, lentos e demorados, as noites mais estreladas e o chilrear dos pássaros nas árvores, Junho traz a reboque o Verão do sol, da praia, do mar salgado, dos lábios enrugados por não se querer sair do mar.
Junho não devia ser um mês em que se morre. Ninguém deveria morrer na Primavera.
Talvez não faça sentido o que aqui escrevo mas ontem, como desde que soube do caso do Rodrigo, eu confundi-me com a Vanessa, de repente, eu sou a mãe da Ana, do Rodrigo, mãe de todas as crianças que precisam de ajuda, eu sou humana, pessoa, igual a todos os que sofrem, responsável por estender a mão ao próximo que, afinal, também sou eu.
Eu fui, muitas noites em silêncio, a Vanessa em pensamento, a imaginar a sua dor, o seu medo, o pânico da iminência de se perder o ganho que era suposto a vida nos dar para sempre. Um filho não é para morrer. "Parto" é substantivo, nestas coisas da maternidade. "Parto" não pode ser uma forma verbal no que diz respeito a um filho, sujeito que nunca deveria ser neste verbo. 
Eu fui, muitas noites, em silêncio, a Vanessa, sem mámen, sozinha com dois filhos, vinte e poucos anos, mãe coragem, mãe real, a quem nada mais resta senão lutar pelos filhos sob todas as circunstâncias. Mãe que é mãe.
Eu fui a Vanessa, e antes de ser mãe nunca o conseguiria ter sido, a dor nunca poderia ser imaginada sob este prisma tão próximo e tão real. E perguntam-me, muitas vezes, se me morreu alguém de cancro, de leucemia, porque raios me envolvo nestas causas que têem que ver com esta doença e respondo que não. E relembro que sou mãe e que o que mais temo é a aleatoriedade desta doença, o "pimponeta pitapita pitucha" com que escolhe as vítimas e que, uma vez a Ana cá fora, preciso de sentir que todos juntos podemos não dar tréguas a este cancro, idiota e nojento, podemos tentar combatê-lo, lutar contra ele, para os filhos dos outros que, nestes casos, passam a ser tão proximamente nossos, afinal. 
E uns dizem-me egoísta porque só despertei para a causa agora que sou mãe. Que antes já havia cancro e que, só depois da Ana, é que acordei para a vida. Que "preciso" de ajudar porque agora sou mãe, como se quisesse meter na conta de Deus as coisas boas que tento fazer, moeda de troca para ajustar contas com Ele, caso um dia a tragédia me bata à porta. Eles não sabem nada. 
Parir a Ana trouxe-me, apenas, a consciência de um amor imensurável, maior, para sempre. Um amor que não se explica, que sufoca o peito, que o faz transbordar, que se expande de dia para dia. Ser mãe trouxe-me esta capacidade de empatizar, tanto e tão só, de ser mãe da Ana, da mesma forma aleatória com que poderia ter sido a mãe de qualquer criança. Do Rodrigo. 
Ontem, ao entrar na casa mortuária e deparar-me com a cabeça do Rodrigo deitado num pequeno caixão, o coração estrangulou-se de dor. Da dor da Vanessa, que poderia ser eu. Da dor de uma mãe que fica apática, inerte e vazia perante a morte de um filho a quem se deu a vida, que agora a puta da doença roubou. 
Ontem, ao entrar na casa mortuária o coração parou-me, um segundo. Projectei a minha filha ali, o seu remoínho naquela cabeça inerte. Os seus peluches em vez da girafinha do Rodrigo. A minha mãe, naquela avó, a aconchegar o neto sem vida, como o faz sempre que deita a Ana no seu bercinho. Momento dilacerante para se perceber, de forma mais cruel, o significado da palavra empatizar.
(...) Porque a vida não é uma merda, como ouvi dizer ontem. Merda? Merda é a morte caramba! (...)"

Post de Junho de 2013

Quando um filho morre, morre para sempre a sua mãe, sobrevivendo, muitas vezes, para os outros filhos. 
Atrevo-me, como filha única e mãe de filha única, a adivinhar que quando um filho único morre deixa de haver razão para se, sequer, sobreviver. 
Um abraço imaginário à Judite de Sousa. Apertado e demorado. 

Já dizia a minha avó: "fugir dos sonsos..."

Eu: "Epá, tenho mesmo pena que não tenhas visto a Rosa e eu ali na converseta com o Jorge Palma, foi um happening. Onde estavas metido?"

Mámen: "Ah, estava na areia a supervisionar a brincadeira da Ana com outra menina, enquanto trocava impressões com a mãe da miúda..."

Eu: "Ah, era simpática a senhora?

Mámen: "Era a Cláudia Vieira" ...

Primeira reacção ao "pograma" "A minha vida dava um blog"

Agora a blogosfera divide-se entre as pessoas que escrevem blogs para se tornar famosas a todo o custo e as que são famosas e querem à força tornar-se bloggers? É isto?

Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré

A chegarmos à sunset party as pessoas todas cumprimentavam-se e procuravam umas pelas outras.  

Muito burburinho:

- Já cumprimentaste a Cláudia (Vieira)? Está ali ao pé da Iva (Domingues) e do Ângelo (Rodrigues)...- dizia a directora do clube para uma pessoa que acabara de chegar.

Avistou-me: "Olha a mãe da Ana! Bem-vindos!"

- Olha, não sabia que o Rui, aquele que era treinador daquele programa do "Peso Certo" era professor no Clube...- dizia o filho de uma professora para a mãe, ambos acabados de se sentar na nossa mesa. 

A professora fixa-me e cumprimenta-me, entusiasticamente:

- "É a mãe da Ana, não é?"

Todos na mesa:

- "Ah, olha a mãe da Ana: oláááá!"



E é isto: um sunset depois, se me perguntarem, já percebi que sou famosa no Clube VII. Acho é que me esqueci  foi do meu nome próprio. 

O Jorge Palma escreveu uma música a falar de mim*

Eu:  "Oh pá, e ele cantou a minha música, pá! Fiquei derretidíssima..."

Mámen- "A tua música? Mas qual tua música?"

Eu: " "Esta miúda", pá! Não sabias que ele escreveu essa música a pensar em mim?"

Mámen ( com ar estarrecido): A sério? Depois de escreveres uma música que foi musicada pelo Sérgio Godinho, tens uma música do Palma dedicada a ti? Fónix, não sabia..."

Eu: O Jorge Palma também não sabe mas um dia ele vai descobrir que escreveu essa música sobre mim...



(*Sim, em criança também tinha uma amiga imaginária, que se chamava Camila e na primária namorava com o Hugo Brito mas ele ainda não sabia que era meu namorado. Nunca soube.)

Eu já fui a uma sunset party

O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo. O Jorge Palma agarrou-me na cintura enquanto tirava uma fotografia comigo.


(e não, nem pensem em desvalorizar a coisa que eu vi-o beber coca-cola a tarde toda)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ceci n'est pas une déclaracion d'amour

Sinto uma espécie de amor adolescente pelo meu marido. Já tivemos crises. Muitas. Já desgostei dele (oh, já desgostei tanto...) mas, sempre soube, que nunca iria deixar de o amar.Cumpriu-se e nunca deixei, um segundo sequer, mesmo que a vida e o amor fossem, tantas vezes, coisas diferentes.
Amo-o até ao infinito e mais além.
Às vezes ele vem ao meu encontro e avisto-o ao longe, andar trapalhão e cabelo desalinhado, e penso "que sorte, caraças, como é bonito o meu namorado!". Muitas vezes esqueço-me que crescemos e que adultizámos, que há alianças nos dedos para nos lembrarem de promessas formais, em dias felizes, de dedos outrora vazios, de lágrimas e de vida vivida, de tudo voltar ao sítio certo, o sítio onde ele é o meu namorado da faculdade, o sítio onde ele é o meu noivo, com um anel de noivado comprado a prestações, nós num Fiat Uno, depois, agora, o meu marido. Crescemos, caramba, mas eu ainda olho para ele com aquele ar de espanto de quem não sabe como conseguiu arranjar um namorado tão bonito, são os olhos, não sei, talvez o esgar de sorriso, o cabelo despenteado, não sei, sei que é meu, o rapaz dos Açores, tão giro, é meu. 
E isto podia ser uma declaração de amor se hoje fosse um dia para comemorar, um dia especial, como mandam os compêndios do amor. Mas não é, é apenas um dia em que me atrasei de manhã e ele não se importou de se desviar do seu caminho, de se atrasar, só para me trazer à porta do escritório e no caminho cantámos com a rádio no volume máximo, em coro, e rimo-nos, esquecendo-nos que íamos ambos a caminho do trabalho, lá atrás a cadeirinha da miúda  a teimar em não nos deixar esquecer que crescemos, que somos adultos, mas hoje, na A5, lembrei-me porque gosto tanto dele, desta forma tão tonta, tão adolescente e - que se foda!- tão boa, enfim. 

"Se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma forma de o fazer" *



(* o meu novo lema)

Educo a Ana na esperança que um dia se torne uma adolescente assim

"Ouve-se, esporadicamente, alguém a explicitar que quando se é novo, e jovem, existem mais possibilidades e portas abertas para o futuro. Ora, para clarificar se esta afirmação é verdade, tem que se ter em conta diversos critérios. O primeiro, são os sonhos. É impossível haver alguém que não tenha um único sonho. Aquele desejo de se ter mais do realmente se tem. No entanto, estes tendem a transcender (ou por muito, ou por pouco)a barreira entre o plausível e o acessível, e o impossível e inacessível. Embora uma frase que afirme que, sendo jovem e tendo possibilidades à frente e sonhos por realizar, tenha um fundo de verdade, não podemos esquecer-nos do mundo em que vivemos. Meios. Meios , são a coisa mais fundamental numa era em que não existe a verdadeira felicidade, e todos os acontecimentos se resumem em torno da palavra Dinheiro. Portanto, quando se deseja prevalecer, são necessários meios monetários. Estes alcançam-se obtendo uma carreira estável e remunerada. E aqui é que entra a pergunta colocada pela afirmação em questão: tendo "portas abertas", devemos optar por uma carreira em que a obtenção de lucros é provavelmente segura, mas no entanto uma vida possivelmente monótona, ou arriscar e perseguir os nossos sonhos, não concretizá-los até que o tempo se escape por entre os nossos dedos, e seja tarde demais?

Quando se denomina o sonho como uma ferramenta, subentende-se que este por ser utilizado como algo que nos mantém "acordados" e nos protege da monotonia (embora em vão) e, até talvez, a certo ponto, da insanidade. Um sonho ajuda-nos, significa sucesso, não obstante o seu significado ou valor. E um sonho pode ser susceptível à mudança, à medida que uma pessoa fica mais madura.
Resumidamente, a afirmação proposta é verdadeira, embora se tenha de ter cuidado com as escolhas que fazemos pois cada uma influencia o nosso destino. À medida que se envelhece, compreende-se melhor o que trará mudanças mais positivas, entre as várias opções.
É necessário optar pela vida que nos querem impingir, ou pela vida que nós queremos. Embora a segunda seja mais difícil de obter, porque não tentar ter ambas? "


João (filho da minha amiga Sofia Vieira), 14 anos, redacção de português, sem rasuras.

Opá, isto é tão bom!

White people's problems

A última vez que aqui mandei bocas sobre presentes foi no Natal. Queria, porque queria, uma máquina fotográfica para substituir a minha Nikon que avariou. Recebi uma Canon, simpática, e que ali jaz em cima do armário da sala, à espera que me afeiçoe a ela. 
Troco o meu iPhone por qualquer smartphone, não tenho mac-salamaleiques. Troco o meu Volkswagen por uma 4L e de caminho ainda acho a troca divertida. Quando nos assaltaram a casa levaram-nos mil coisas boas, entre as quais o plasma, e até hoje não o substituímos, porque há coisas prioritárias: vemos televisão numa televisão tão velha que me admiro que não seja daquelas com uma pala tipo radiografia à frente para dar cor ao ecran. Rimo-nos disso. Não ligo puto a marcas. 
Mas, no campo das máquinas fotográficas, tornei-me uma flor de estufa. Pronto, já disse. Tirar fotografias com a Canon dá-me vontade de chorar, quando penso na minha Nikon. Mas de chorar, literalmente. Não tenho vontade nenhuma de fotografar e se há coisa que me dá mesmo gozo fazer é tirar retratos, caramba. 
A minha amiga Xana chamaria a isto os meus "white people problems" e bem, ela está coberta de razão. 
Neste momento, a 20 dias do meu aniversário, venho por este meio pedir a mámen a quem de direito um milagre de aniversário: o ressuscitar da minha velha máquina. Não quero mais nada. 
A vocês uma ajuda: que me ajudem a encontrar algum técnico, simpático e voluntarioso, que me arranje a máquina, sem me sugerir que compre uma nova com o preço do arranjo ou de se recusar, sequer, a analisar-me a máquina em coma. Porque uma nova tenho eu e eu quero é a minha Nikonzinha de sempre, Ferrari das máquinas. 
Contactos na assistência técnica da Nikon? Contactos de magos das máquinas fotográficas? Ajudem esta pobre menina branca...


(Não vale sugerir que compre outra Nikon que não tenho orçamento para tal, a outra é da altura em que não tinha filhos para criar, tá?)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O blog volta ao "rezisto" habitual

Lembram-se do vídeo do primeiro beijo entre desconhecidos?

Prefiro esta versão:


24 horas (ou quando a realidade supera a ficção)

"Pronto, já resolvi e vou-te enviar um mail com o comprovativo de compra: comprei o frigorífico, o fogão e um portátil para a Carolina". Foi assim, de forma desprendida e despachada, que o Paulo se dirigiu a mim via mensagem de facebook do blog. No email, lá estava o comprovativo de compra, tudo novinho em folha, a estrear, com a morada da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, como local de entrega.
Antes disso a Sara escreveu-nos a dizer que comprava a máquina de lavar.E logo no dia em que saiu o post com a lista dos bens que a família precisa a Patrícia comprou o microondas e, como não tem carro, a Maria João ofereceu-se para o transportar até à Escola da Cruz Vermelha. 
A a Célia e a Joana ofereceram a parte do mobiliário que falta e a Ana (só podia ser Ana, caramba...) toda a decoração do quarto da Carolina. A mãe da Vanessa vai dar um jeito aos cabelos e a Diva assessoria de imagem, o sonho de qualquer adolescente! 
A Ana Rita está a organizar um cabaz de bens alimentares para o mês, sempre é uma ajuda e um grupo de meninas do Porto (beijinhos Joana Linhas e muchachas!) quer organizar-se, em princípio, para providenciar o material escolar do próximo ano lectivo. 
A Sandra está a recolher tudo, com a competência e o altruísmo a que sempre nos habituou (eu não sou ninguém sem a Sandra: beijinhos, minha estupora!).
Muita gente quer enviar vales oferta de roupa, livros para a Carolina, não consigo nomear todos com muita pena. Queria agradecer assim, um a um, por se importarem, por não se deixarem corromper pela vida, por não desconfiarem, por acreditarem que fazem a diferença. Muitas vezes a responsabilidade de todos acaba por ser a responsabilidade de nenhum, muitas vezes estes pedidos públicos geram reacções como "ah, está tanta gente a ler, alguém há-de ajudar, não sou preciso..." e é bom saber que vocês, um a um, quis saber, procurou como ajudar, despendeu tempo, dinheiro, energia e fez acontecer.
Perguntaram-me, ao longo destes dias, como faço para conseguir mobilizar tanta gente. Sem falsas modéstias (que eu não sou de salamaleiques) acho que o mérito nunca é de quem conta a história. É de quem a lê com olhos de ler, com olhos de mãos à obra, com olhos de acreditar que é possível. E que, aconteça o que acontecer, dê as voltas que dê, os desejos se vão concretizar.
A Psicologia chama a isso "profecias auto-confirmatórias". Eu traduzo-vos: é uma questão de fé!

Obrigada a todos, um a um, nome a nome. 
Daremos (eu, a Leididi e a Sílvia, jornalista do jornal "i") à Carolina um abraço carregado de vocês. 

Pergunta para queijinho: duas gémeas quadripolares fazem um par octopolar?


Grande beijinho, Joana e Inês.
Há pais com dores de cabeça chatas à custa das filhas giras, o vosso deve ter uma cefaleia crónica à vossa custa...

O Isaltino saiu em liberdade: avé Isaltino?

Eu até considero que posso falar sobre este tema com moderado conhecimento de causa pelas razões validíssimas que passo a apresentar:  fui filiada no PSD de Oeiras, o meu progenitor trabalhou directamente com o senhor e o senhor em causa é meu "amigo" de Facebook. Para além do mais vivo em Cascais, concelho "assim" (imaginar gesto dos dois dedos indicadores a esfregarem-se um no outro) pegadinho ao de Oeiras, portanto, muito dado a fenómenos de entrosamento multi-concelherial, tendo imensos amigos a viverem sob a batuta da Câmara Municipal de Oeiras. Em último lugar, mas não menos importante: sou fã de homens de farto bigode. ´
Estou, portanto, mais ue apta para arrotar a minha posta de pescada sobre esta matéria. 
Hoje não irei falar do Isaltino de Morais (ou "Tininho" como lhe chamam os mais chegados. Pelas costas, claro.)
Hoje é dia de falar dos Oeirenses (a maioria expressiva que votou no Isaltino e que o defende).
Os Oeirenses estão para o grupo de munícipes de Portugal como as vítimas de violência doméstica estão para o grupo generalizado de mulheres.
Muitas vítimas de violência doméstica estão convencidas que é normal serem agredidas. Que todos os homens são iguais e, "assim com'ássim", a este que lhes bate já lhe conhecem as manhas. Algumas, até, consideram que têm que se submeter a esse tipo de comportamento. Há ainda quem acredite que o agressor só lhes bate porque gosta delas, porque se importa, caso contrário, tratá-las-ia com indiferença. E (pasmem-se!) há quem normalize de tal forma o comportamento que estranha quando o agressor muda de registo e pára de as agredir.
Muitos Oeirenses estão convencidos que é normal terem um Presidente alegadamente corrupto. Alguns, até, consideram que todos os Presidentes são corruptos e, "assim com'ássim" ao menos este deixa obra feita (o maravilhoso SATU é prova disso). Alguns, até, consideram que não há outro voto possível que não o voto neste Presidente, estando lá o digníssimo Paulo Vistas quase por procuração, a fazer a vez de..
E (pasmem-se!) há quem normalize de tal forma o comportamento que nem projecta outra alternativa viável ao senhor, jurando a pés juntos que nas próximas autárquicas tudo voltará ao "normal" com o Isaltino (mais e outra vez) à frente. É caso de denúncia à APAV ou não?
Aguardemos. E enquanto tal não acontece e preocupada que estou com como se irá ocupar o Dôtor até às próximas autárquicas sugiro que comece a escrever um livro de auto-ajuda para o emagrecimento com o regime alimentar e o exercício que praticou durante a sua estadia na Carregueira.
Sugiro o título de "A Dieta dos 426 dias" e antevejo um sucesso de vendas. É que esta tem resultados a olhos vistos e sem falcatruas, caramba!

É favor partilhar. Partilhar muito.

AGENDA QUADRIPOLAR | Dia de degustação no Espaço Açores

Acontece amanhã.
O Espaço Açores habituou-nos, às primeiras quintas de cada mês, a uma prova gratuita de montes de produtos regionais açorianos mas amanhã é uma quinta-feira especial. Perguntam-me vocês: mas porquê, corisca honorária?
Eu faço o boneco:


Amanhã é a prova anual de Sopas do Divino Espírito Santo.

As sopas do Divino Espírito Santo são sopas açorianas que tiveram a sua origem devido ao pagamento de promessas que os crentes faziam ao Espírito Santo, oferecendo esta comida como sinal de agradecimento. Nas ilhas, celebra-se cada pedido divino atendido com um pequena procissão a que se chama coroação que culmina na oferta de uma refeição a todos as pessoas (conhecidas ou não conhecidas) que quiserem atender o convite que é feito a toda a comunidade. 
Estas sopas são confeccionadas com pão que é posteriormente coberto com a água que cozeu a carne de vaca tenrinha açoriana, numa espécie de caldo. É também adicionada hortelã e outros condimentos. 
 Para além destas sopas, no grupo Central junta-se, ainda, a famosa Alcatra de Carne. 
Por fim, ainda é servido o Arroz Doce. Em todas as ilhas é possível comer estas sopas, todavia a receita vai variando de ilha para ilha e até mesmo de freguesia para freguesia.


Juntem-se. Vão ver que é podrios de bom!

Pergunto-lhe: "Ana quantos beijos envias às pessoas que ajudaram a Carolina?"

terça-feira, 24 de junho de 2014

Começam a chegar e eu fico tão mas tão comovida...


Eu avisei a jornalista do "i" que as ofertas não eram intenções, eram futuras concretizações. 
Chegou o microondas, Sílvia!

Sim, Carolina, ó i sem ais! Sim Carolina, sem ais, meu bem!

Passados mais dias do que o que gostaríamos, temos notícias da Carolina para vos dar. 
Primeira boa notícia (a melhor de todas as possíveis): a família tem uma casa nova! Por razões mais que óbvias não divulgaremos onde, mas o que importa é que há uma casa nova para recomeçar. 
Recebi mais de 700 emails (e peço desculpa por não ter respondido a todos mas não consegui mesmo), agradeço a todos e a cada uma das pessoas que perdeu o seu tempo a endereçar-me palavras, a dar ideias, a oferecer ajuda: obrigada a todos, do coração!
Nunca se pediu directamente dinheiro a ninguém, embora tivesse centenas de pedidos de NIBs de pessoas que gostavam de contribuir monetariamente. Por questões de confidencialidade não podemos abrir uma conta em nome da Carolina e, para vos dizer a verdade, tenho alguma relutância em abrir uma para este fim em meu nome. Aguardo sugestões de forma a contornar isto (eu e a Leididi também andamos a matutar acerca disto) porque, nesta fase de recomeço, toda a ajuda será bem-vinda. 
No entanto, como sei que há gente desejosinha de ajudar, fica aqui a lista de coisas que a família da Carolina, a muito custo, assumiu que precisa (obviamente que podem ser em segunda-mão):

  • Máquina da roupa (oferta da Sara Cardoso Lopes)
  • Frigorífico  (oferta do Paulo Cabrita)
  • Fogão (oferta do Paulo Cabrita)
  • Microondas (oferta da Patrícia Nunes)
  • Móveis e decoração para o quarto da Carolina (oferta da Ana Araújo)
  • Um roupeiro  (oferta da Célia Azevedo)
  • Um móvel de gavetas (oferta Joana Gonçalves)
  • Uma máquina de café (oferta da Pólo Norte)
  • Plantas de interior para a marquise e tornar tudo mais bonito (oferta da Leididi)
  • Uma espécie de extreme makeover para a Carolina (cabelo, etc)- (oferta da Vanessa Semedo e da Diva Couto)
  • Roupas (tamanho xs)
  •  Um part time nocturno para a mãe da Carolina (de dia ela ainda tem de ficar com a filha)
Como sei que há muitos amigos que se podem juntar para ajudar, em vez de oferecerem para dar dinheiro, sugiro que se organizem e vejam se conseguem em conjunto adquirir alguns destes bens.
Peço-vos, por favor, que só me enviem email (quadripolaridades@hotmail.comoblogdesassossegado@hotmail.com) se puderem dar estes bens em espécie, escrevendo no título do email o objecto que poderão ceder, para que eu me consiga organizar. Vou colocar a lista no topo do blog e vou actualizando conforme os objectos forem cedidos para irem ficando a  par da situação, sim?
Às pessoas que continuam a querer contribuir com dinheiro peço que aguardem nova comunicação, ok?

De resto, casa nova, vida nova. No próximo ano lectivo espera-se que a Carolina reingresse na escola e há uma rede de técnicos de suporte que estão a dar todo o suporte necessário. 
Os pais agora procurarão emprego perto da nova área de residência (obrigada a todos os que enviaram emails com links de anúncios e ofertas específicas:  foi tudo reencaminhado para os interessados!), a vida seguirá dentro de momentos!
A Carolina terá uma nova saia. Pintada de fresco. A condizer com a nova vida. 

A todos obrigada. Vale a pena escrever um blog só por ter desse lado pessoas como todos e cada um de vós.

UPDATE- Todas as ofertas deverão ser enviadas ou entregues em mãos 
A/C Professora Sandra Alves 
Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. 
Av. De Ceuta, edifício urbiceuta. 
 1350-125 Lisboa

Humor auto-depreciativo

A Inês pede-me boleia para ir ao cinema com o André. Usam os dois canadianas. 
Trocam mil sms e de repente a Inês confidencia-me, num esgar de riso, o dilema de ambos:

- Se usamos os dois canadianas como raios vamos levar o balde de pipocas até à sala de cinema?


(Ri-me tanto que até me dói a barriga...)

E se os papéis se invertessem?

Crowdfunding pela Carolina

Que vos parece?

S. Juaum quadripolarizado, carago!


Granda beijo Amélia e amiga da Amélia! <3

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Querida filha, querida filha, o melhor que a gente tem!

Uma tia de mámen daquelas chatas no skype com o filho e a neta. Eu peço para mámen dizer que não estou em casa.
Faz-se a ligação, eles na cozinha, eu na sala.

Tia- Então, a Pólo, ainda não chegou do trabalho?
Mámen- Não, tia.
Tia- Então Ana, onde está a mãe? Onde está? A mão não tá cá!
Ana- Tá, tá! Tá na xala...

O Mundo divide-se entre ... (post bairrista)

... quem não percebe mesmo qual a graça em levar com alhos porros na pinha no São João e os outros.


(Que me desculpem os portuenses,  que eu cá adoro a tradição das lanternas mas isto dos alhos porros não tem piléria nenhuma, pá!)

Os meus amigos empreendedores start-upistas Silicon Valleyzistas

São dois.
Renderam-se ao start-upismo e agora todas as conversas vêm com estrangeirismos. Fundaram start-ups, estiveram incubados como se as empresas fossem prematuros, são founders, "ouners, ciôs, cifiôs", foram acelerados, são entrepreneurs.
Acreditam que as ideias levam sempre ao sucesso, tentam start-up-evangelizar todos em redor, avé investidores, empreendedorismo, foco no target, foco nos goals. Viver 24/24 em salas de co-working, sinergias, troca de ideias, criative mornings, novos mind sets. Objectivo de vida: o vale do silicone. 

Socorro, não os aguento! :P

As leitoras deste blog são melhores que as dos outros



Quadripolarizações em directo de NYC. 

"Aqui vão as quadripolarizações do 911 memorial e do novo World Trade Center! Beijos de NYC. Filomena."
"

AGENDA QUADRIPOLAR | Sunset Party do Clube VII


O ginásio da minha filha é o melhor do Mundo

A partir das 16h - Baptismo de surf
17h - Bodycombat 30'
17h45 - Bootcamp 60'
20h30 - jantar no Restaurante da Praia do Castelo
Exibição de Tango Argentino
Concerto privado do Jorge Palma

Tudo isto com jantar incluído por 20€? Clube VII we love you!

(Vou quadripolarizar o Jorge Palma, vocês torçam por mim...)

domingo, 22 de junho de 2014

Afinal, é (mesmo) o fim do Mundo em cuecas


Obrigada (?) Teresa. Hoje já não vou conseguir dormir.

Caracol, caracol, põe as ______ ao sol!


Complete o espaço em branco and find Wally. 

Sobrevivi a uma venda de garagem

Ou melhor, em Cascais, eleva-se sempre as expectativas e chama-se à coisa "Garden Sale". Chegámos pela fresca, cheios de sacos e com um ar desnorteado. Nunca vendi nada na vida, acho que nem rifas. Não tenho qualquer aptidão comercial. Mas hoje a ideia era diferente: fazer uns trocos, livrar-me dos monos (ou como se diz na gíria dos garden salers "destralhar") e fazer um programa diferente a dois com mámen. Assim foi.
A coisa começou logo na entrada do Parque Marechal Carmona, o sitio onde decorria a pseudo feirinha da ladra. Virámos à esquerda depois da entrada, o que significa que escolhemos ficar no lado que não é o de passagem para os visitantes do parque. Mámen ripostou porque raios queria ir eu para o lado onde passava menos gente, onde estava o meu sentido de oportunidade mas contrapus com o facto dali poder ficar na relva em vez de no caminho cheio de pó, de ter a sombra das árvores e de me diferenciar da confusão. Encolheu os ombros e fez-me a vontade. A contra gosto. 
Estendidas as toalhas comecei a dispor dos objectos criteriosamente seleccionados na véspera. Ia mirando um a um, com olhar de mãe que vê os filhos partir para a guerra, num silêncio de pesar. Puxei da cadeirinha mete-nojo e sentei-me. Olhei para o lado e a vizinha da banca bebia café num termo (nota mental nº 1- trazer comida e bebidas para estas andanças é essencial). Mámen- esse santo- prontificou-se a ir a um café buscar bebidas quentes e a um supermercado ali perto abastecer-se de pic-nic e fiquei sozinha. 
Começam a chegar as primeiras pessoas. Uma inglesa pede-me para ver um bule em forma de autocarro britânico que trouxe da minha primeira viagem a Londres com o homem e que por ser tão piroso kitsh nunca chegámos a usar. Comprámo-lo numa lojinha de Covent Garden e assim que a freguesa mo pediu para o ver, fiquei com um nó na garganta. Passei-o para a sua mão e, na tentativa de regatear preço apontou um defeito na pintura do bule. Arranquei-lho da mim "que sim, senhora, tinha toda a razão, onde já se viu eu estar a querer vender um bule com defeito, mil perdões, milhões de desculpas, retiro já o bule da banca". A mulher ainda tentava negociar, que não havia problema, que bastava eu fazer uma pequena atenção mas que não, que ia lá vender uma coisa estragada, por quem sois... Foi-se embora com um ar confuso e eu respirei de alívio, enquanto guardava o meu bulinhe querido num saco refundido. 
A seguir veio outra senhora e começou a remexer numa capa de lã muito gira que comprei quando estava separada, lembro-me que assim que a vesti pela primeira vez me senti muito distinta, a capa aumentava-me a auto-estima e costumava coordená-la com umas botas de peter-pan de meia estação e sentia-me mesmo gira quando as vestia. As botas estragaram-se e, por causa disso, deixei de usar a capa de lã. A freguesa perguntou-me o preço e inflacionei um bocadinho, na tentativa vã de a dissuadir a levar a minha rica capinha. Nem ripostou, remexia na carteira quando eu avancei com um "mas não a quer ao menos experimentar?". Disse-me que não era preciso, que gostava mesmo da capa. Estava eu a acabar de proferir a frase "ah, espere não a leve, que tem aí uns inestéticos borbotos..." quando o homem regressou com os cafés e o lanchinho. De repente, só o vi a agarrar na capa e a elogiar a cor, que com certeza ficaria a matar com a tez da senhora, que era de uma lã boa, os borbotos eram da falta de uso e de estar a apodrecer no armário, que nunca me tinha visto com aquela capa... 
Engoli em seco, quando a mulher se afastou com  minha capinha querida, miando que ainda por cima era uma peça vintage que a Tie Rack já nem existe em Portugal, enquanto mámen, esse estupor insensível, me arregalava os olhos. 
Entretanto, um casal de franceses comprou uma camisola da Gant e outra de lã de caxemira do homem que, todo contente, arrumava o dinheiro na latinha, enquanto eu- incrédula- lhe perguntava se ele tinha noção que nunca mais iríamos ter a vida que já tivemos para comprar camisolas de lã de caxemira daquela qualidade. Encolheu os ombros e disse-me que lhe estavam ambas larguíssimas e já não as iria nunca mais usar. ainda lhe soltei uma praga de que, os homens depois dos 40 engordam, vais-te arrepender, ao que me respondeu que gostava da ideia dos objectos terem uma segunda vida. Estupor, que sempre me disse que não acreditava na reencarnação!
A seguir começou a chuviscar e eu pensei que era altura de ir para casa mas não. Mámen, sempre alerta, ex-escuteiro dos quintos costados, trouxera um plásticozinho para cobrir a mercadoria... Bufei. Bufei muito.
Nesta altura, a nossa vizinha de banca desistira (um abraço solidário, se me estás a ler!) e mámen insistiu que tínhamos que mudar, mesmo, de localização. Assim foi.
De repente, localizados no meio do caminho, começaram a chover clientes. Muitos clientes. A primeira apontou-me um cachecol Pierre Cardin: "é verdadeiro?". Antes de eu alvitrar um "Não tenho a certeza", já mámen dizia que sim, por quem nos tomais vós, pode sentir a qualidade através do toque, ora experimente lá. E lá foi a senhora, toda contente, com o meu cachecol branco, que não uso vai para mais de dez anos, mas que me foi oferecido pela minha tia e lhe custou os olhinhos da cara. 
A machadada final foi quando uma grávida me perguntou o preço da banheira Shantala da Ana, objecto que nunca me deu jeitinho nenhum. Mas olhando para ela vinha-me à memória a minha filha bebézinha, coisa mais linda de sua mãe, com ar de gato escaldado a entrar na banheira, e dava-me memórias sorridentes. Mámen avançou com o preço e a senhora disse que a levava. Perguntei-lhe se esperava um rapaz ou uma rapariga e avançou-me que era um rapaz. "Mas a banheira é cor-de-rosa, isso para si não é um problema?". Que não, não era, viesse daqui a shantala. 
Enquanto ela se afastava com a minha banheirinha, os meus olhos enchiam-se de lágrimas. "És um insensível, mámen!"- atirei-lhe, com revolta. "Pensa que vai ter uma segunda vida, outro bebé lá dentro, fazer outra mãe feliz..." respondeu-me o idiota.  "Segunda vida já tinha ela..."- ripostei.  Desta vez mámen perdeu a paciência: "servir de alguidar para tirares a roupa da máquina de lavar não é segunda vida, Pólo Norte! E para a próxima ficas em casa que és a pior negociante de que há memória..."
Engoli em seco e calei-me. Para a próxima não é preciso ficar em casa. Basta que, em vez de café, ele me traga vodka e uns calmantes. Muuuitos calmantes.

(Para além do signo o facto de eu ser filha única também serve de atenuante, certo?)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A(ssa)ssinar a parentalidade

Eu já estive no outro lado da barricada. Estávamos em 2000 e troca o passo e a Maria acabara de parir o pequeno João. Acabada de chegar ao departamento de Recursos Humanos de uma multinacional de um país de suposto primeiro mundo, não me chegara a cruzar com a Maria grávida mas, ao rever os processos dos colaboradores, percebi que iniciara a licença de maternidade há coisa de um mês. Era a única cara que me faltava ser apresentada, a da Maria.
Numa das primeiras reuniões com o Administrador um dos pontos de agenda era o caso da Maria, Unit Business Manager e uma peça-chave para a organização pelo seu know-how e perfil de competências. Instruía-me o Administrador, nessa primeira reunião, entre despedir uma colaboradora difícil, ter que assumir medidas pouco populares para o pessoal, que contactasse a Maria, pressionando-a que interrompesse a licença de maternidade e voltasse a assumir funções com a maior brevidade possível. A empresa precisava dela e, caso não acedesse, teríamos que arranjar uma substituta do mesmo nível, que a função assim o exigia, e não iríamos recrutar e formar alguém para dispensá-la passados meia dúzia de meses. Caso não acedesse, respondia-me o Administrador, depois quando voltasse "logo se via"...
Eu tinha 20 e poucos anos e um foco na carreira como nunca mais voltarei a ter e encarei aquelas instruções como sempre: como um cão de fila. A empresa que me pagava esperava que eu resolvesse aquela questão e ali estava eu para numa prova de fogo, a poucas semanas de ser admitida na empresa dos meus sonhos, corresponder às expectativas da entidade patronal. 
Lembro-me de ter ligado à Maria e me ter apresentado, voz doce do outro lado e de, de forma polida e manipuladora, lhe ter transmitido a posição da empresa. Sem grande empatia, de uma forma dura e crua, que hoje tanto me envergonha.
O João tinha nascido com uma cardiopatia e a Maria não podia deixar o filho, depois de ser submetido a uma cirurgia de peito aberto, ao cuidado de terceiros. Era um bebé e precisava dela.
Não consegui deixar de empatizar com a situação, a Maria era, afinal, a minha mãe há 25 anos atrás, quando deixara tudo para me acompanhar, internamento após internamento, no Pediátrico de Coimbra, no Sant'Ana e no Alcoitão.
No regresso ao gabinete pomposo do CEO transmiti-lhe a actualização da situação da Maria, crente que o tocaria, também ele era pai, afinal. Respondeu-me, a despachar, que se ela não voltasse não sabia o que era pior, se o Joãozinho ficar sem a mãe no hospital- onde poderia ter o acompanhamento de enfermeiras e assim com'assim era bebé e nem se ia lembrar disto quando crescesse- ou passar necessidades porque a mãe poderia ficar desempregada e isso é que era capaz de ser mais chato. Assim, à bruta,
A Maria voltou. E arrastava-se, dia após dia, numa tristeza sem fim e com uma eficiência ímpar, correspondendo às expectativas que a empresa tinha dela. Ela, tal como eu.
Depois foi o Pedro que foi pai e as instruções eram para que se deixasse das mariquices da licença de paternidade, que as crianças precisavam era da mãe (esquecendo-se do caso recente da Maria) e que viesse trabalhar no dia a seguir à mulher parir. "Ah, mas é um direito do trabalhador e a Segurança Social paga e tem que se comunicar mediante preenchimento de formulário!"- alvitrava eu, tentando apelar ao bom senso através do cumprimento da lei (e das multas que daí podiam advir). "Eu quero lá saber da lei, menina"- continuava o todo poderoso- "preencha o que tem que ser preenchido e o Pedro recebe dos dois lados, que ele agora precisa é de dinheiro para criar o filho, não é de férias...". O Pedro recusou e viu, passados dois meses de ser pai, o seu contrato não ser renovado. Afinal, não era assim tão importante para a empresa.
A empresa mudou e eu mudei com a empresa. Dia à dia, os episódios de tirania sucediam-se. Deixei de sofrer empatizando com as pessoas, tinha que me proteger, não pensar que eram gente, que tinham família, casas para pagar e uma vida fora daquele edifício moderno e chique. Tornei-me num ser execrável mas altamente apreciada pela Administração, pelos chefes da sede do país de primeiro Mundo, nesta altura, já acumulando um cargo ibérico e um estatuto e salário invejáveis.
Trabalhava para ganhar dinheiro, acumulava dinheiro no banco porque não tinha tempo para o gastar, trabalhava em média 14 horas por dia. Ia todos os dias visitar os meus avós de raspão e eles estavam a envelhecer mas eu não tinha tempo livre nenhum. Devolvia as chamadas dos amigos ao final do dia, quando não me esquecia, porque não misturava vida pessoal com trabalho nem atendia chamadas pessoais durante o horário de expediente.O casamento chegara ao fim, não tinha tempo para nada, nem para mim. O meu avô morreu e eu não tinha razões para ter vida própria, acabara de morrer também. (Sobre)vivia para a empresa.
Mas depois... Primeiro veio a crise, depois as extinções de posto de trabalho, depois o downsizing. Nesta altura eu era a única mulher no quadro directivo da empresa, Directora de Recursos Humanos resistente e testa de ferro.
Um dia, deu-me o click. Olhei para a minha avó e decidi que não queria deixar de ter tempo, que iria abrandar o ritmo. Que queria aproveitar os meus amigos, recuperar o meu amor. Tentei vir ao de cima, respirar. Precisava de voltar a ser dona da minha vida, do meu tempo, das minhas pessoas.
A produtividade diminuiu, aliás, o número de horas que passava na empresa teve que diminuir. Quando saia às 20h30, o Administrador sussurrava um "Já vai sair?" com ar reprovador, embora o meu horário de saída fosse às 18h. Voltei a ter casa, marido, família. Um dia o Administrador perguntou-me, com tom irónico, se eu não tinha isenção de horário de trabalho. Respondi-lhe, por email, anexando informação que a IHT não implica acréscimo de horário de trabalho indiscriminadamente e que, na loucura, até obedecia a limites que eu, já há muito, ultrapassara. Não gostou. Foi não gostando, sucessivamente. 
Um dia engravidei e fui, assim que soube, avisar o Administrador que me respondeu um "Como é que isso aconteceu?" com o ar chocado de quem nunca tinha olhado para mim como um ser humano, com capacidades reprodutivas. Como uma mulher. Pessoa. Gente. 
Uns dias depois, ao entrar no bloco de partos, onde me iam fazer uma curetagem tive que deixar para trás o telefone de serviço, constantemente a tocar, depois de ter respondido que não podia aceder ao pedido do senhor CEO que precisava que eu parasse tudo o que estava a fazer para lhe actualizar umas tabelas de excel com dados para concluir um relatório. Na caixa de voz uma mensagem: "a menina é que está a fazer a cama onde se vai deitar, está a negligenciar e a prejudicar o trabalho de toda a empresa e a empresa não pode esperar". Eu também não podia, depois de ter visto cair no chão o feto já com forma humana, a meus pés, depois de dores intermináveis. Eu também não podia, tinha que ir limpar as entranhas, curar a dor física e da alma. Mas ele nunca perceberia...
Chegada a casa uma carta do advogado, com quem eu trabalhava há anos: a empresa queria prescindir dos meus serviços. Uma mulher que precisa de ter tempo para a família, que quer ter uma família, que quer ter vida própria, horários para poder viver não interessava. Eu já não prestava. 
Mas depois há também leis, advogados, direitos do trabalhador, direitos da mulher, direitos humanos. Há ACT, Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, há advogados, há a UMAR e há a voz. A voz que ele sempre apreciara em mim, a mesma voz determinada, a voz que não se calava, a voz assertiva que defendia os interesses da empresa cegamente... como poderia o senhor achar que a voz, que era minha, não me defenderia, igualmente, principalmente, a mim?
E a sentença foi lida. E houve uma belíssima indemnização. E a obrigatoriedade de me reintegrarem. E houve a minha voz a dizer que bastava, que era gente. Que, agora, quem não queria ali trabalhar era eu. 
E houve um abraço, em privado à Maria, e um pedido de desculpas. E houve uma lição, talvez a maior da minha vida. A lição da humildade, a chapada na cara que a vida me deu, o baixar a crista, o reduzir-me à humanidade que me cabe. 
Eu mudei. Ainda bem que mudei. Mudei muito, tanto, que às vezes quase que não me reconheço.
Não sei se me tornei melhor. Claramente, menos bem sucedida profissionalmente, menos admirada pelos colegas da área, com menos hipóteses de fazer capa da Exame. Mais pelintra. 
Mas, claramente, mais feliz. Muito, mas muito mesmo, mais feliz. 
Por isto é que hoje o meu apelo vai para as mulheres: defendam-se. Não assinem contratos que vos obrigam a anular-se enquanto gente, a prescindir de direitos fundamentais da mulher, como é o da maternidade. Não adiem a vossa vida pessoal. Não esperem medalhas das entidades empregadoras por vetarem para segundo plano o direito a terem vida própria. Não aceitem assinar termos de responsabilidade, declarações, ser alvo chantagens emocionais ou pressões. Não tenham medo. Não deixem que vos obriguem a tratar como não gente as outras mulheres. 
Nesta guerra, caramba, somos todas uma unidade. Aqui me penitencio. Mas agora, muitos anos depois, sendo uma mera psicóloga e tendo deixado de usar tailleurs elegantes e de ter cartões de visita raistaparta, prometo-vos que há coisas melhores que ser uma profissional de topo. Por exemplo? Ser dona da nossa vida.
Ser -inteiramente-feliz.  



Porque me sinto sempre um bocadinho traidora quando falo de Aveiro...



Também se está bem em Lisboa.

Esqueçam o polvo, ignorem o camelo, quem sabe é a ursa...

Status do facebook quadripolar no dia 16/06:

"O Jorge Jesus que ligue ao Paulo Bento e lhe explique como se ganha com 10 em campo, sff!"

  O que aconteceu? Isto

O mundo divide-se entre...

... as mulheres que, em pequenas, usaram saias da lambada e as outras.

Gente da zona do Homem, do Ave e do Cávado

Fui desafiada a escrever um artigo sobre a zona do "Homem, do Cávado e do Ave". Preciso de dicas, segredos dos locais, spots a não perder, os melhores sítios para se petiscar e tudo, tudo, tudo. 
Prometo uma visita em breve para fazer o test-drive. 

Agradecida. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Cruzada quadripolar: descubra o(s) país(es)...






Beijinhos à Cristina que me enviou quadripolarizações fabulosas, esquecendo-se de identificar os sítiso onde as fez. 
Isto é que é a essência da verdadeira quadripolar, caramba!

(Alguém tem palpites?)

Até hoje não tinha segunda selecção de futebol preferida...



Mas agora já tenho.

Questão basilar sobre a coroação de Filipe

Onde raio enfiaram a coroa?

Chico Buarque faz anos

"‪#‎Chico70‬ 
"Chico chega aos setenta (e até agosto sou apenas um ano mais velho do que ele, prazer de dois meses a cada ano). O Brasil é capaz de produzir um Chico Buarque: todas as nossas fantasias de autodesqualificação se anulam. Seu talento, seu rigor, sua elegância, sua discrição são tesouro nosso. Amo-o como amo a cor das águas de Fernando de Noronha, o canto do sotaque gaúcho, os cabelos crespos, a língua portuguesa, as movimentações do mundo em busca de saúde social. Amo-o como amo o mundo, o nosso mundo real e único, com a complicada verdade das pessoas. Os arranha-céus de Chicago, os azeites italianos, as formas-cores de Miró, as polifonias pigmeias. Suas canções impõem exigências prosódicas que comandam mesmo o valor dos erros criativos. Quem disse que sofremos de incompetência cósmica estava certo: disparava a inevitabilidade da virada. O samba nos cinejornais de futebol do Canal 100, Antônio Brasileiro, o Bruxo de Juazeiro, Vinicius, Clarice, Oscar, Rosa, Pelé, Tostão, Cabral, tudo o que representou reviravolta para nossa geração foi captado por Chico e transformado em coloquialismo sem esforço. Vimos melhor e com mais calma o quanto já tínhamos Noel, Haroldo Barbosa, Caymmi, Wilson Batista, Ary, Sinhô, Herivelto. A Revolução Cubana, as pontes de Paris, o cosmopolitismo de Berlim, o requinte e a brutalidade de diversas zonas do continente africano, as consequências de Mao. Chico está em tudo. Tudo está na dicção límpida de Chico. Quando o mundo se apaixonar totalmente pelo que ele faz, terá finalmente visto o Brasil. Sem o amor que eu e alguns alardeamos à nossa raiz lusitana, ele faz muito mais por ela (e pelo que a ela se agrega) do que todos nós juntos.”

Caetano Veloso

E depois disto adeus, este blog encerrará


e a sua autora reformar-se-á e partirá para parte incerta*


lonra@slagelse.dk

From: Lone Rasmussen
Sent: Thursday, June 19, 2014 11:25 AM
To: Pólo Norte
Subject: Donation
GIFT...53105

My Wife Violet and I are donating 2Million Dollars to
you.Contact us via my wife email: 
violet.foundation03@rogers.com

Co-ordinator: Lagström-Burkvist Erika

(* a não ser que haja uma boa wireless nas ilhas Fiji...)

Do Brasil não vem só futebol

"Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos: “Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá. Ela deve ser independente [...]


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta."

Texto da autoria de Ruth Manaus (ou o meu pai é capaz de ter andado a fazer das suas pelo Brasil e tenho uma irmã com um nome quase tão original quanto o meu)

Ele diz que a coisa é mais grave do que parecia

O homem acorda e eu ainda nem estou bem neste Mundo a arrastar-me até à casa de banho quando oiço: "Pólo Norte, onde está o candeeiro da Tieta do Agreste?"

Eu- "Na arrecadação. Porquê?"

Ele (de forma muito descontraída)- "Para vendermos na feirinha da ladra no sábado!"

Eu- "MAS TU TENS CORAÇÃO OU QUÊ?"

Ainda do nome do baby M...

Eu: A Sónia não sabe se põe Miguel, Mateus ou Matias ao miúdo que aí vem...

Mámen: Tem que ser com a letra "M" não é?

Sónia: Sim, para os irmãos terem todos nomes com a mesma inicial.

Mámen: Se não for Miguel e ela insistir num nome com sonoridade brasuca, sugere-lhe que o faça com dignidade. Qual a dúvida? MadeinIndia, pá!




Disclaimer- Já sugeri e diz que não. Que com essa lógica teria que ter nome de programa de TV com o top de vendas de discos nacional...

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vocês sabem o meu sobrinholas que nasceu ontem?


Aguenta-se?



A criatividade nunca antes vista de Leonor Poeiras

A Leonor Poeiras decidiu render-se a última moda das estrelas: ter um blog. Depois da Cristina Ferreira ter inaugurado as hostes (nO único blog realmente diferenciador dentro do género), a Tânia Ribas de Oliveira seguiu-lhe os passos e agora vem-nos a Nonô com as duas ideias DIY no seu novo blog. 
Eu até gosto de ideias DIY (agradeço links de blogs a sério dentro do género na caixa de comentários) e foi, com genuína curiosidade e entusiasmo que acudi à chamada para conhecer o blog da mocinha. 
Fiquei em êxtase com as propostas apresentadas e estou aqui na dúvida sobre qual a que merece maior ovação: estender um cobertor em cima de uma chaise long- que ideia do outro mundo!-,  enfiar flores num jarro esmaltado- a loucura! nunca me tinha ocorrido tamanha genialidade... - ou, ainda, agarrar numa tesoura e cortar uma T-shirt, transformando-a numa camisola de alças- estou pasma com tamanha criatividade!
A seguir espero que aproveite cápsulas nespresso vazias para fazer artesanato urbano, caixas de ovos vazias para fazer pequenas sementeiras ou será que vai inovar mais e usar chávenas de chá partidas para plantar flores e colocar no beiral de uma janela?

Continuo a segui-la, Nonô, até porque as caixas de comentários em que toda a gente se espanta com fantásticas e nunca antes vistas ideias DIY divertem-me sobremaneira...

Querida SMS, eu não me meto nos nomes de filhos alheios, como sabes.

Só desejo que o baby M seja


criativo


inteligente


pertinente


bonito


e deliciosamente divertido!



Disclaimer- este post não tem qualquer mensagem subjacente até porque eu não palpito nos nomes que os pais dão aos respectivos filhos, era maizoquefaltava! :P


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