terça-feira, 31 de dezembro de 2013

No último ano (adeus 2013)

A minha franja cresceu e fiquei menos capilar-deprimida. Consegui, finalmente, chorar a minha avó. Fui a Trás os Montes e apaixonei-me por Peso da Régua. Apeteceu-me ficar a morar no Solar da Oura. Recebi a Xuxi na minha casa e instalei-a para sempre na minha vida. Rimos muito imenso, horrores. Estive mais recolhida e, por vezes, mais só. Vivi a Ana e não me arrependo um minuto pelas consequências que isso me trouxe. Deixei de usar telemóvel.  Comecei a disfrutar da maternidade com serenidade e segurança. Fiz caminhadas à chuva no Paredão. Optei por abdicar do anonimato relativamente a este blog por uma causa maior. Conheci centenas de pessoas novas. Participei num desafio culinário. Comecei a fazer dieta. Tive um jantar de aniversário tão pavoroso que se tornou cómico. Fui muito, tanto, imensamente feliz em Paris. (Re)encontrei o meu primo e isso deixa-me tão feliz. Fui operada a um pé. Organizei um baptizado e somei aventuras sem fim. Apresentei os Açores à minha filha. Sobrevivi a um terramoto. Rebentei os pontos do pé. Matei saudades da Teresa e da Susana. Contratei uma tuna e até gostei de os ouvir. Comi todo o sushi que me apeteceu. Fui ao cinema menos que o que desejava. Fiquei desiludida mais que uma vez com as minhas melhores amigas. Praguejei mais que a conta. Senti-me triste algumas vezes. Outras a explodir de alegria. Mais vezes do que o queria meio apática. Saí da minha zona de conforto e abracei um desafio profissional numa área desconhecida. Recuperei a leitura. Passei a preferir os tintos do Douro aos Alentejanos. Voltei a Aveiro para apresentar a Ana à praia da Vagueira. Comi uma tripa de ovos moles com cheio a ria. Pensei nos meus avós todos os dias. Conheci a Luisinha e a mãe e gosto tanto delas. Escrevi muito. Não tive tempo nem energia para fazer tudo aquilo que gostaria, Conheci o meu sobrinho Pedro. Não ia sobrevivendo a um baptizado. Estive internada como uma crise de dores de coluna. Assinei um termo de responsabilidade para ter alta. Senti falta de estar mais tempo com a Vanda. E com a Inês. Doei sangue. Passei no Parque Marechal Carmona tantas vezes com a minha filha. Vi estrelas através de um telescópio num telhado de Monmartre. Andei de barco no Sena. Organizei duas festas de aniversário para a minha filha. Sentei-me na relva dos Jardins do Luxemburgo a comer um crepe com Nutella numa tarde tão feliz. Matei saudades das minhas sobrinhas. Conheci a Rititi e fiquei ainda mais fã dela. Senti orgulho, todos os dias, no pai que escolhi para a minha filha.  Reencontrei uma colega de faculdade a propósito de um evento muito especial.  Pintei o cabelo. Fui a uma benção das pastas para além da minha própria. Comecei a frequentar festas de aniversários de crianças. Fiz muita praia em horas desabituais. Comi cozido das furnas nas furnas. Zanguei-me com o S. Pedro 18 e nunca mais voltei. Fiquei tão feliz com a recuperação da Teresa. Fiz imensas sessões fotográficas com a Ana. Praguejei contra o mau tempo nos Açores e a greve da SATA. Mais tarde fiquei agradecida eternamente à mesma SATA por me trazer a Carla e a Cláudia ao aniversário da Ana. Passaram-me todas as hormonas pós-parto.  Comi até mais não os gelados de iogurte da Blueberry. Não fui a nenhum a um casamento. Deixei de conseguir manter vasos com ervas aromáticas e deixei morrer todas as plantas. Abracei gente que queria abraçar há tanto tempo. Tive a casa sempre desarrumada e com brinquedos espalhados em todas as divisões. Comi broa de Avintes em Avintes. Fiquei com uma dívida de gratidão eterna para com o Clube VII. Fui a dois eventos de moda infantil nacional- os Kids Markets ( e gostei). Bebi chá Gorreana na Fábrica dos Chás Gorreana. Fingi acreditar em desculpas esfarrapadas só para evitar conflitos. Tive no Rúben o melhor anfitrião ever. TDescobri o melhor fondue do Mundo no Jardim do Lago. Tive saudades da minha amiga Rita Cavaleiro. Fiz um workshop de cozinha com a Leonor e a Teresa. Peguei em recém-nascidos com tanta destreza. Assisti às aulas de natação da Ana. Jantei com bloggers que adoro ler. Comi uma francesinha no Capa Negra. Conheci o sítio mais paradisíaco do Mundo em Montargil. Comi pastéis de Belém numa sala privada da Fábrica de pastéis de Belém. Fui a menos spas do que o que devia. Fiz um alisamento marroquino e tenho que repetir. Tornei-me comadre da Rosa. enchi a alma de ar puro em frente da Lagoa das Furnas (é a minha preferida, que querem?). Fui ao Pink Day (e jurei para nunca mais). Bebi muitas margaritas no La Siesta. Fiz praia em Outubro em São Rafael. Geri muito mal o meu tempo. Co-organizei o "Todos por Um" com a equipa de pessoas mais poderosa de sempre num dos dias mais inesquecíveis de toda a minha vida. Fui a dois lançamentos de livros. Não fui uma pessoa muito organizada. Apresentei muitas pessoas ao melhor borboletário do Mundo. Tornei-me menos ansiosa e mais tolerante. Nunca perdi o sentido de humor. Dei uma entrevista para a revista Visão. Morreu o António Ramos Rosa. Comovi-me a primeira vez que ouvi a Ana dizer "mãe". Continuo a comover-me todos os dias. Revi as minhas prioridades. Parti numa aventura pelas noites do Porto com a Rosa, a Filipa, a Rossana, a Sandra, a Isabel e a Elisa. Apresentei queixas à polícia três vezes. Fui pagar uma promessa a Fátima. Conheci bloggers que admiro muito. Comi sopas do Espírito Santo nos Açores. Recebi a minha primeira prenda do dia da mãe. Distribuí refeições quentes a sem-abrigo. Contribuí para que 1000 pessoas se tornassem potenciais dadores de medula óssea. Ajudei a Ana a apagar a primeira vela do seu aniversário na festa de casa. Fui ao velório do Rodrigo. Não aprendi a tocar nenhum instrumento musical. Ia incendiando o meu cabelo em Notre Dame. Tirei menos fotografias que o que devia. Caguei-me nas dietas. Recusei trazer pessoas nocivas do meu passado de volta para o meu presente. Constatei que a balança da vida encarrega-se sempre de equilibrar as coisas.Vi a minha mãe voltar a cozinhar bolos fabulosos para a festa de aniversário da neta. A Alice Vieira comentou um post meu. Aliás, dois. Tive medo de perder uma amiga para sempre. Tive um sabor de gelado dedicado ao meu heterónimo blogosférico. Apaixonei-me pelas Termas das Caldas da Felgueira. Fui ao "Rocha no ar" da RFM. Decorei as letras das canções todas dos Caricas. Comio melhor manjar mexicano de sempre pelas mãos do Nuno. Bebi chá marroquino com a Carla Rocha, a Teresa, a Rosa e a Sandra. Organizei a maior festa de primeiro aniversário de que há memória e fui imensamente feliz e senti-me completamente realizada nesse dia. Tive o prazer de conhecer as melhores cake designers do Mundo que confeccionaram o mais espectacular combolo do Universo.Assisti aos primeiros passos da Ana. Li histórias para a Ana dormir. Povei banofee. Ganhei dois concursos. às vezes senti marasmo. Andei num carro de reboque. Tive um jantar tão bom no Príncipe Real. Ganhei um grafitty espectacular na parede da minha sala. Conhecia o astral tão bom do BOA. Recebi da Titá a receita do melhor bolo veggie do Mundo. Despedi-me de um amigo que vai viver para S. Francisco. Fui ao teatro com a Ana. E a um concerto para bebés. Não consegui retomar contacto com todas as pessoas que queria. Voltei ao Museu do Azulejo. Frequentei dois workshops de primeiros socorros. Fui entrevistada pela Joana. Não aprendi a fazer origami. Recebi uma declaração de amor pública. Assisti à mehor festa de 40 anos de que haverá memória. Comemorei um aniversário especial no Orixás. Fui mãe todos os nano-segundos do ano. Fortaleci o meu casamento. Decorei uma árvore de Natal a três.Tive orgulho na minha prima. Comi mexidos como se não houvesse amanhã. Nunca fui tão feliz na minha vida pessoal. Este blog trouxe-me experiências tão boas e pessoas tão queridas. Não gastei energia com merdas. A Ana continua a fazer dos meus dias dias infinitamente felizes. O seu crescimento e as surpresas de cada dia são a alegria de toda a família. Fiz novos amigos.Tornei-me numa mulher mais completa. E, sim, mais feliz. 

Que venha 2014. 

Aqui vao tres fotos de Cairo!!
:-)
 
Uma é suposto dizer Tahrir Square - claro só a placa, porque nao me atrevi a por lá os pés.
Mas fotografia teimava em nao ficar bem... :-( por ser noite e o papel muito branco
 
veijinhos e vom natal!
 
  
   


Olá Pólo Norte,

Já leio o teu blog há alguns anos, mas por timidez nunca me atrevi a quadripolarizar nenhum país. 
Este Verão tentei quadripolarizar uma das praias das terras de sua majestade (UK), mas esquecia-me sempre do papel em casa e como em vez de areia eles têm pedregulhos, acabei por não conseguir quadripolarizar Brighton. 
Hoje, ao ver o teu mapa, vi que te falta a Polónia e senti-me mal por não a ter quadripolarizado, visto que estive lá há pouco tempo.
Para me redimir dos pecados, resolvi aproveitar os primeiros flocos de neve de Outubro, para quadripolarizar Courchevel na França.
Aqui vai um “Je t’aime Pólo Norte” directamente dos Alpes franceses, a 1850m de altitude. Espero que ainda não esteja quadripolarizado. =)
Beijinhos para toda a família

Vamos lá actualizar as quadripolarizações de 2013 : Angola a todo o vapor


"Querida Pólo,
Aqui tens um miminho ao vivo e a cores da Final do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins em Angola, Espanha-Argentina, no Pavilhão Multiusos do Kilamba (Luanda). Deveria ter sido Espanha-Portugal, mas enfim!
Portugal conquistou o 3º lugar neste campeonato e por cá os tugas estão muito orgulhosos da nossa equipa!
Beijinhos!"

Susana, a quadripolarizar Angola com uma pinta do caraças! Obrigada, mangolé!

Vamos lá actualizar as quadripolarizações de 2013 : We'll always have Paris


Bisous, querida Teresa!

Vamos lá actualizar as quadripolarizações de 2013 : Saudades de eslovacalhar


"Pólo Norte,
Tu pediste e depois de eu me esquecer... Voltei a lembrar-me!
Aqui vai a vista da janela do meu quarto em Bratislava quadripolarizada. Que tal?"

Ma-ra-vi-lho-sa, Inês: maravilhosa!

Vamos lá actualizar as quadripolarizações de 2013 : A quadripolarização do país inusitado




"Cara Ursa, 

Contribuo, pela 1a vez, para a Cruzada Quadripolar. 
O destino não é exótico, as fotos não primam pela originalidade mas a beleza.... a  beleza natural de Kotor é  alucinante. É, assim, com orgulho desmedido que quadripolizo o Montenegro. 

ps - como reparaste, tentei escrever em servo croata.. :-)
ps 2 - por favor, ignora a data da agenda. isto foi em pleno Julho com 35°C

até breve,
"com açucar, com afecto" como diria Chico Buarque

Daniela"

Obrigada, DANIELA! Fiquei cheia de vontade de te seguir os passos e visitar Montenegro!

Vamos lá actualizar as quadripolarizações de 2013 : A quadripolarização que quase levou à cadeia




"Sôdona Ursa, tal como prometido aqui vão as fotos. Fique sabendo que o Guarda de azil me ia matando do coração porque me mandou um valente berro por me ter aproximado de mais do perímetro de segurança. São uns sensiveizinhos... Beijinhos à ursinha e seus progenitores Ana Pragana"

 Beijinhos Ana e espero que tenhas comido almôndegas suecas em bom, pá! (se o Guarda era giro devias ter-te entregado à luta, pá!)

Vamos lá actualizar as quadripolarizações de 2013 : A quadripolarização 4 em 1



Eslovénia


Liechtenstein


San Marino




Vaticano

"Tardou mas aqui estão! Só para que saibas quando entrei no Vaticano estava um sol espectacular... após a quadripolarização começou a fazer trovoadas secas e cinco minutos mais tarde uma carga d' água daquelas de filme de terror! Aparentemente o S. Pedro não achou piada à quadripolarização (na foto não se nota bem). Como bonús tens um pseudo João Paulo II. As outras fotos são de S. Marino, Vaduz (Liechtenstein) e Liubliana (Eslovénia). Beijos para os três, Mara Joaquim"


Obrigada Mara pela quadripolarização santa! Amei!



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

As pessoas com que 2013 me presenteou

A Sandra é provavelmente a mais importante: uma amiga para a vida, assim espero. Acho que ela não sabe disso mas é. A Bé logo a seguir, tão doce, tão querida, faz-me tão bem a sua presença. A Filipa Catarino é outra que espero que tenha vindo para ficar, cheia de pedalada, energia, generosidade e bom astral: adoro-a. A minha Luisinha, que me guarda o Minho tão bem guardado, que faz de mim na terra a que eu pertenço, sensível e delicada, emocional e humana, tão vulnerável e forte como só as mulheres do Norte. A Rossana, esperta e disponível, intrépida e prática, muito a minha cara, muito eu. A Isabelinha vem de trás, a Isabelinha não é de 2013 sendo que foi 2013 que nos permitiu um abraço de reconhecimento, o cheiro a broa da minha amorica. A Sónia foi a maior surpresa de 2013, uma surpresa tão grande que às vezes não acredito ainda que somos amigas, que estive lá, na noite em que os 40 lhe assentaram tão bem, que me entrou na vida, que gosto tanto dela, caraças, eu que achava - estúpida!- que éramos tão diferentes, com vidas tão distantes. A Sónia é uma das minhas pessoas de 2013 e fico grata que o Rodrigo- outra das minhas pessoas de 2013- nos tenha juntado. E à Sofia também, genuinamente doce e querida, sensível e boa pessoa, gente que é gente e que sabe ser gente, gosto tanto dela! A Filipa Cortez Faria  foi outra surpresa, porque eu e a Filipa tinhamos tudo para não nos darmos bem e, afinal, todos os estereótipos se dissiparam e gosto mesmo, mesmo, mesmo dela.  (Re)conhecer a Rita, naquele dia da Pensão Amor, foi outro "epá, caraças!" dos momentos do ano. Caraças, se a Rita morasse mais perto eu não a largava com convites de caipirinhas, jantaradas, tertúlias com a Sofia Vieira e a Madalena e a Luna e tudo e tudo. A Lina e o Rui podem vir em doses mais generosas em 2014 que a malta agradece, sim? O mesmo com a Ana e a Marta: estou de olhos em vocês (só não me convidem para correr, bah!). Com o Pedro não foi amor à primeira vista mas depressa deixou de ser o marido da Sandra e passou a ser meu amigo, companheiro de brainstormings e... voilá, meu boss! E a Limetree, um projecto que agora também é um bocado meu trouxe-me, igualmente, a Teresa, a Teresa tão fixe, tão açoriana rasca, tão serena, gosto tanto da Teresa, caraças, e acho que nunca tive oportunidade de lhe dizer... Cláudia eventar girl, soubeste-me a pouco, ficas já avisada! O início do ano prometeu-me uma São João e uma Alexandra com mais regularidade e não cumpriu: em 2014 não me escapais, suas coiras! Leididi, idem, idem, aspas, aspas. 2013 trouxe-me meia dúzia de abraços de que nunca mais me irei esquecer: o da Ziza, que gosto como se gosta de alguém com o mesmo sangue, o da Sibila, minha alma gémea, o da Marta Luísa, amiga desde o primeiro chat, o da Inês, minha amiga do peito, o da Fátima Agostinho, cuja família tanto admiro e o da Ana Santos, a quem acho que nunca cheguei a agradecer condignamente o empenho, a dedicação, o amor ao próximo com que me brindou no aniversário da Ana, Faço-o aqui, em jeito de homenagem pública, com a respectiva vénia! E trouxe-me as gargalhadas da Marisa Barroca, da Patrícia, da Ângela Mary Poppins, da Vânia, da Elisa e da minha mui querida Titá, gargalhadas à moda do Porto, mulheres valentes e corajosas, genuínas e de fibra. E trouxe-me de volta a Mariana, de mansinho, como acontece com os reencontros.  E o Ricardo e a Mónica, numa espécie de one afternoon stand.Trouxe-me a Rosália, o Andrea, a Leonor Noronha e a Teresa, tão queridos e gigantes, tão fixes, pá! A Rita também veio,  numa espécie de tesouro que se encontra no fim do arco-íris. Não me posso esquecer da Sílvia que quando me conheceu comparou-me ao Cristiano Ronaldo e de quem eu irei ser madrinha blogosférica em 2014 (está prometido!).E veio a Catarina, a miúda mais promissora de 2013, a quem prevejo um futuro brilhante, auspicioso e feliz, porque o merece. E a Dânia, a Joana, a Raquel Silva, a Raquel Lourenço, a Cátia, a Isabel, a Ângela, a Olga, a Maria Esteves Pereira, a Ana Filipa Correa, a Niki, o Pedro Zouk, a Patrícia Saramago, a Susana Infante, a Maria Antónia e a Cláudia Almeida e o seu H3men que são pessoas tão cool que nem sei como vos explicar. 2013 trouxe-me o doce dos pastéis de nata num tabuleiro gigante e anónimo da Dulce e da Penélope e o entusiasmo de um segredo partilhado. Ah, o meu coração açoriano alargou um bocadinho em 2013 para caberem a Carla e a Cláudia, coriscas mal amanhadas, tenho saudades vossas! Paula Cruz vai daqui um beijo grande como uma árvore para ti: 2013 foi fixe em te ter trazido na bagagem! Liliana Delgado, mesmo longe, 2013 trouxe-te até mim mas quero materializar-te em 2014, vale? Joana Guimarães, não estás esquecida, quero uma fita para assinar, sim? Por fim, quase  no final do ano veio a Carla, minha futura editora, a mulher que vai fazer o disparate de 2014: meter nas prateleiras das livrarias o livro da Pólo Norte. 
2013 foi, assim, o ano das pessoas e a palavra do ano, deste ano, está então escolhida e é "ser" porque aprendi a ser melhor com todos vós, porque os vossos verbos "ser", a vossa existência, a humanidade que vos coube fez do meu 2013 um ano abarrotado de gente e de emoções, um ano inesquecível. 
Obrigada a todos. Até 2014, sim?


12X12: Junho quadripolar




Previsão quadripolar dos signos para 2014

Carneiro

Vais ter queda para 2014...


Touro


Partyyyy!



Gémeos

Ups


Caranguejo
2014: se prepare que eu vou-lhe usar!


Leão

I'm the queen of the world!


Virgem


Eh lááá!


Balança

A coisa vai aquecer!!!


Escorpião

Ir com menos sede ao pote, ó meninos!


Sagitário

Pois... (nota-se que não conheço de perto nenhum Sagitário?)

Capricórnio

2014: give me 5!


Aquário

Numa palavra: perfeito!



Peixes

Surpresas!!!

"O casamento" by o meu melhor amigo

Não há filme piegas, comédia-romântica, pirosice cinematográfica em que não me reveja eu, a que nem gosta de DPA (demonstrações públicas de afecto) e é tão romântica como uma bota da tropa. 
Ontem, a ver pela enésima vez "O casamento do meu melhor amigo" pensava que ainda bem que a namorada do João tem obesidade mórbida que,ainda que estejamos de relações cortadas há séculos,não aguentaria uma Cameron Diaz a fazer-me sombra. Depois achei o pensamento estúpido,tão estúpido, já passaram tantos anos, demasiados anos, que parvoíce! Desta vez não, o filme não me servia. 
Será que é comum as pessoas terem um crush pelo seu melhor amigo ou fui eu que hollywoodizei a minha vida demasiado? É capaz.
O filme avançava e eu não me revia, afinal,foi tudo mais ou menos pacífico na altura em que me casei, desta vez não havia filmes na minha cabeça a coincidirem com o da televisão. O João só arranjou a namorada gorda de propósito num site de encontros online para não ir sozinho ao meu casamento,só me enviou uma sms na manhã do casamento, estava eu a enfiar-me dentro do vestido, a perguntar se tinha certeza do que ia fazer. Só foi a primeira pessoa em quem botei os olhos à porta da igreja, ainda fumava o João, olhou-me e sorriu triste, Foi a única pessoa que não aguentou o calor dentro da igreja e foi esperar pelo fim da cerimónia na rua e depois, todo o copo d'água não me olhou nos olhos, não me dirigiu a palavra, nunca mais desde então. 
Pensava isto tudo em silêncio e achava que estava a exagerar, a confabular, que a minha vida não cabia em nada neste filme, exagero meu,  quando ouvi um  "Parece o teu amigo João, só falta oferecer como prenda de casamento um serviço de pequeno-almoço da Vista Alegre... para um"...

Caraças, quando é que Hollywood me contrata para ser guionista de comédias românticas?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

É caso para dizer: Come on baby, light my fire!

Primeiras!

O Nel Monteirro da Torre

O jantar era de miúdas com duas das minhas melhores amigas com o pretexto do Natal. Há dois dias que tinha a prenda da Rosa lá em casa, um piriquito verde e estava mortinha para lho entregar em primeiro porque não gosto nada de pássaros sem ser nas árvores e em segundo porque a Ana também não é fã, pelo que, o bicho não era uma presença muito estimada cá em casa.
Assim que a Rosa abriu a caixinha com o Chiquinho II (vem substituir o Chiquinho que lhe morreu recentemente, passados uns 15 anos de habitar na sua casa, o que a deixou mesmo triste) foi uma alegria. Mas, mas... levávamos o pássaro para o restaurante? Pois claro que sim. 
O restaurante escolhido é novo e chama-se Mr. Pizza e fica ali na Torre, em Cascais. O ambiente é muito giro e as crianças têm um espaço para fazerem as suas próprias pizzas e os donos são... alemães. Ou então são familiarres do Conde de Contarrr pois falam com uma prrronúncia estrrrranha. 
Assim que entrámos agarrámo-nos ao saco onde transportávamos o Chiquinho, pois os senhores são tão simpáticos que só não nos levaram ao colo porque somos pesadas e estávamos mesmo a ver que iriam querer colocar os sacos com as prendas no bengaleiro ao pé dos nossos casacos. Chiquinho protegido e chega o empregado, de agora em diante designado pelo Nel Monteirro da Torre. 
Fui eu quem detectei logo as parecenças mas a minha amiga Rosa disse que não era bem assim que este tinha mais 1,50 cm que o Nel Monteiro original e a minha amiga Cláudia perguntou quem raios era o Nel Monteiro mas isso agora não interessa nada. 
O Nel Monteirro da Torre, tinha a mesma prronúncia de todos os empregados do restaurante com uma particularidade: ele estava em todo o lado. Eu virava-me para a direita  e o Nel Monteirro estava do meu lado a servir-me a bebida, a Rosa deixava cair o guardanapo e o Nel Monteirro ali estava a substitui-lo no mesmo segundo, a Cláudia olhava para a ementa e ali estava o Nel Monteirro a sugerir-lhe uma pasta, o Chiquinho piava e o Nel Monteirro ali estava a oferecer-nos queijo feta com pimentos saído do forno e a explicar-nos detalhadamente que vinha da Bulgária de um amigo deles que tinha uma quinta e mandava para Portugal em baldes o abençoado queijo (que era bom, sim senhora!), enfim, o Nel Monteirro estava em cada centímetro cúbico do nosso perímetro, ora a oferecer-nos panfletos para levarmos para casa ora a pedir-nos que preenchessemos num livro de visitas os nossos contactos de email ora a querer fazer-nos uma visita guiada à agrradável esplanada (estava frio, homem! "deslargue-nos!"), enfim, o homem estava em todo o ladão com o seu cabelo impecavelmente pintado de cor castanha Nel Monteiro. Era isso! Estava descoberta a semelhança: a mesma tintinha "Lórrrrreal" no mesmo cabelo com caracolito ao pé da nuca e ligeira poupa, um regalo para as vistas!
Acabámos o jantar e recomendamos o restaurante. Eu pisguei-me e deixei as miúdas para trás, não era por mim, o Chiquinho precisava de apanhar ar. Elas vinham desmanchadas a rir logo atrás e eu cheia de medo que o Nel Monteirro da Torre viesse colado às solas dos sapatos delas, credo, que o homem não desgrudava. 
A última vez que o vislumbrei estava à porta do restaurante, o que foi uma grande maçada pois os fechos das portas do carro da minha amiga Rosa estragaram-se e ela teve que entrar pelo porta bagagens e o carro levou uma trepidação tal que o Chiquinho que estava no saco em cima do tejadilho a repousar enquanto nos armávamos todas em contorcionistas ia voando dentro da caixa e tudo. 
Fomos beber o digestivo ao nosso bar preferido e, desta feita, o Chiquinho ficou no carro. Demorámo-nos pouco que a Rosa estava com medo que o pássaro se constipasse e em vez de "piu" largasse um "piun" anasalado mas juro que ao sairmos as três do bar, no meio de gargalhadas, tememos que o Nel Monteirro da Torre estivesse ali a abrir-nos a porta do porta-bagagem, à laia de carrapato, com as suas melenas castanhas e a prronúncia de conde de Contarrr.

À Margarida (não à leucemia da Margarida)

Querida Margarida,

Não sei se sabes mas nunca tive ninguém meu ente querido com cancro, leucemia ou carcinoma que o valha. Minto: a minha avó materna morreu de cancro da mama mas eu tinha 1 mês de idade e isso não interferiu nada com a minha vida, o meu dia-a-dia, transformando-a apenas na memória de uma pessoa querida. Por isso vais desculpar-me se cometer nesta carta alguma incorrecção, falta de sensibilidade ou tacto mas é a primeira vez que o escrevo para uma amiga.
Primeiro premissa: a leucemia pode matar. Por isso é normal que sintas medo, raiva, revolta, incompreensão e tristeza. A leucemia pode matar, é uma possibilidade, uma possibilidade como é a de eu morrer de acidente de viação (mámen conduz tão mal que nem te passa pela cabeça, a minha mãe nem se fala...) e olha cá ando, sempre a benzer-me antes de colocar o real traseiro no banco do pendura, mas cá ando. A leucemia pode matar mas ainda não matou (nem vai matar, acho que já leste aqui umas 534 coisas sobre profecias auto-confirmatórias, não preciso de repetir, pois não?), por isso, nada de dramas, ok? Acalma aí os teus cavalos e os cavalos dos que te rodeiam que isto quando a coisa fica bera há que manter o sangue frio (não vês o CSI?) e pensar em planos de fuga. Precisas de fazer os tratamentos? Faz. Precisas de estar isolada? Fica (se te emprestasse a minha sogra um dia ias agradecer esse mezinho de isolamento que era cá um regalo...) Precisas de radio? Quimio? Venham elas. Ninguém disse que era fácil (eu também não vou dizer, que gosto pouco de nhonhices) mas é um mal necessário.
Segunda premissa: não tens que ser forte. As pessoas vão-te passar a mão no ombro, esfregar as costas enquanto te abraçam e repetir a merda da lengalenga do "tens que ser forte" e eu acho mesmo que não tens. Não tens mesmo. Tens que ser frágil, chorar, ter pena de ti, apetecer auto-abraçar-te, tens que te permitir entregar-te aos mimos, aos cuidados de quem te ama, tens que ter raiva, tens que estar zangada, tens que isso tudo e mais um par de botas e só se te apetecer (e quando te apetecer) é que tens que ser forte. Agora, outra coisa diferente é que tens que colaborar e dar luta. Tens que confiar nos médicos, tens que procurar soluções, tens que ser muitas vezes racional e sempre lúcida. Não tens que ser forte, não tens que consolar os outros à tua volta, não tens que não ter pena de ti mesma (porque é uma pena que a puta da leucemia te tenha escolhido a ti quando há tanta gente ruim neste mundo), e não tens que não chorar. Não "tens que" nada. Aliás, tens: tens que te aguentar à bomboca, tens que deixar o tempo, os médicos, os tratamentos tratarem de ti, tens que viver isto com todas as emoções que te apeteça porque o pior de tudo é ter que ser forte porque sim, porque é o que os outros esperam e pedem. Não tens que ser forte o caralho, tens que te aguentar! Porque não tens outro remédio: aguenta-te e dá luta
Terceira premissa: não tens que ser forte e aguentar isto por ninguém, nem mesmo pelo teu filho. Tens que aguentar isto por ti: porque mereces viver, porque mereces ter oportunidade de passar o próximo aniversário do miúdo a lambê-lo com gosma e cuspo, porque mereces adormecer em casa, na tua cama, com o homem que amas, porque mereces levar com a chuva do Porto na fronha, respirar o ar do Norte, comer francesinhas em tascas manhosas, porque tens que ser mãe, tens que ser mulher e, mais que tudo, tens que ser pessoa e não apenas uma doente oncológica: não deixes que te resumam a esse papel, que te reduzam a um caso clínico. Tens que aguentar isto por ti, pela Margarida, pela Guida, ok?
Quarta premissa: o cabelo não é só cabelo. O cabelo é a tua imagem, a moldura do rosto, é a tua feminilidade, o cabelo conta, sim, os que o têm é que gostam de se armar em animadores e dizer que é só cabelo: não é. E sim, vai custar-te vê-lo cair, nada feito, vai ser foda! Sabes que eu não te minto. Mas ele cresce, quarailho, vamos ser práticas! Cresce, vai crescer e queremos é que estejas boa, cagamos de alto para a tua careca. Compra perucas e pensa que mais tarde as vais poder usar em fétiches com o teu homem. Compra uma loura, uma ruiva e uma morena. Aproveita para fazeres role-plays, reclamares o direito à tua quadripolaridade.
Quinta premissa: não estás sozinha. Para além de toda a gente que te rodeia, estou também aqui. Talvez não seja a pessoa mas fofinha, a que diga mais coisas acertadas ou as que mais gostes de ouvir, mas estou aqui. Se precisares que o pessoal organize uma nova brigada de recolha de medula, o pessoal ajunta-se, se precisares que a malta faça aí uma prece colectiva, uma macumba para o karma o pessoal alinha, se precisares de um pacto com o demónio, eu chamo a minha sogra, se precisares de te rir, chama-me, se precisares de chorar reclama o teu direito, se precisares de precisar, grita!
Eu acredito que vai correr bem (acredito mesmo!) e que isto vai passar. Mas que no caminho vais ter que dizer muitas asneiras. Estou contigo.

Um beijo,

Pólo Norte

12X12: Março quadripolar


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Para todas as pessoas que (ainda) não receberam postais de Natal do PPC

"Olá! Como é a primeira vez que estou a mandar postais, troquei as moradas nos envelopes (pus o remetente no lugar do destino e vice-versa...) e, portanto, hoje quando fui ao correio, encontrei lá os dois postais que eu tinha enviado. Vou reenviar hoje, mas dúvido que chegue antes do Natal. Há alguma forma de avisar a minha "amiga secreta" do que aconteceu? Obrigada"


Há mais pessoas despassaradas, sim? Vamos esperar até aos Reis? :D

Prontos para o ano novo? Nós... errrr... sim?

O ano passado ficámos por casa, tios, sogros e bebé pequenina, coisa caseira e sem potencial quadripolar nenhum. O que aconteceu a seguir ficou no segredo dos Deuses desde há um ano para cá. 
Dia 1 de Janeiro, 09h da manhã, tocou o telefone. A namorado do meu tio (carinhosamente tratada por nós por "a tia fofa" pois trata o nosso tio de 60 anos por "fofo" o que dá matéria para gozo familiar há coisa de dois anos) do outro lado da linha.Dizia que estavam no hospital e o tio tinha tido um "problema de coração" (citando). 
Corri para o hospital, eu a sobrinha-galinha, aflita e com o coração nas mãos, haveria perdido a minha avó de ataque cardíaco um ano antes, uma agonia que só visto. 
No hospital a tia fofa chorava. Que se tinha comemorado o reveillon a dois, que se tinham "deitado" e que passados 15 minutos ele se tinha começado a sentir muito mal, com graves arritmias, uma aflição. Que se tinham metido no carro e dirigido aos bombeiros (oi? wtf? Então o hospital fica a meio caminho entre a casa deles e os bombeiros e eles foram para o quartel? Está bonita, esta inteligência de hortaliça...). 
Entretanto, passa por nós o médico e eu fui abordá-lo. "Que o seu tio não pode tomar certo tipo de medicamentação tendo em conta o historial de doenças cardíacas que já tem e tal... Há que ter cuidado! E a auto-medicação e beca beca" e eu sem perceber nada da conversa. "Mas vai melhorar? Qual o prognóstico?- insistia eu. "Que se tinha que esperar que o efeito da medicação passasse" e eu sem perceber patavina. Passasse ou fizesse efeito? "Que passasse, que passasse..." e um ar encabulado, e a tia fofa a tentar manobras de distracção e eu feita taralhouca ali no meio.
Vesti a bata e entrei na sala isolada onde estava o meu tio, todo entubado e com um volume numa certa zona do corpo para a qual eu não queria olhar mas que era impossível não reparar. E começámos o ano assim, em alta mas não em grande, que a minha família se não existisse, tinha que ser inventada...

Conclusão: se tens mais de 50 anos e problemas cardíacos, se tens uma namorada fofa, um reveillon para comemorar e não queres traumatizar uma sobrinha para todo o sempre, faz todas as fofices que te apetecer e toma comprimidos de todas as cores. Excepto os azuis, sob pena de começares o ano de tenda montada e quase a morreres do coração. Agradecida.

Sim, sim, somos uns pais sensíveis

(ao telefone)

Mámen- A Ana está mais bem disposta? Foi uma noite dos Diabos...

Pólo Norte- Não, ainda está muito rabugenta... Acho que são dentes a virem!

Mámen- Não é que eu seja vingativo mas vou ver a quanto está cotada a grama de marfim...

...

...

...

Natal quadripolar? Eu explico.

Manhã perfeita com chá e azevias e miúda bem disposta, almocinho bom e depois fomos ao café antes de irmos para casa da minha tia onde uma tarde na cozinha nos esperava. Estávamos os três refastelados no café quando se abeira um senhor: "Desculpem, vocês deixaram o vosso carro com o vidro aberto. Aberto, não: escancarado!" Ora, eu sou cabeça no ar mas tinha a certeza que não tinha deixado a porra da janela aberta. Parece que neste natal alguém achou que eu devia arejar as ideias e vai na volta e o Pai Natal concedeu o desejo e tumbas: avariou-me o elevador do vidro do carro! Sendo que é o quarto elevador que avaria desde que comprámos o carro novinho, vindo da fábrica. Seria tudo muito lindo se não começasse a chover copiosamente e a minha tia não vivesse a uns 20 Km de nossa casa.
Véspera de Natal à tarde: zero oficinas abertas (Murphy, vai para o quarailho!).
Pólo Norte, a engenhocas, decidiu colocar o seu poncho caríssimo a servir de tapa-vidro, para que a Ana não apanhasse frio e vento no banco traseiro pelo que senhores, se se cruzaram com um carro preto, com um vidro tartan e com uma cabeça loira a emergir do xadrez em cada cruzamento: éramos nós!
Ao sair do carro, enquanto atendia o telefone e com a Ana no colo (eu estava carregada com a mala da Bimby) mámen deixou cair o telefone (foi mais a Ana que o agarrou e atirou, mas pronto...) que se estatelou no chão. Chovia e começou a juntar as peças todas à pressa para não molhar a rapariga e quando chegámos dentro de casa reparou que se tinha esquecido da tampa de trás do aparelho e que a bateria não se segurava. Voltou à rua e foi vê-lo atrás do ribeirinho de água que entretanto se tinha formado por baixo do carro à procura da tampa que a água teria levado. Não encontrou e ficou incontactável toooda a véspera de Natal, para irritação natalícia de senhora minha sogra, meu sogro, cunhado, tias e primos até ao 345 grau de S. Jorge que, assim, não puderam felicitar o ente querido.
Já na casa da minha tia, eu e a minha prima decidimos descongelar um dos bolos da festa de casa da Ana, um daqueles todos cake coiso, espetarmos umas decorações natalícias em cima  e informarmos todos os nossos amigos via facebook que agora nos iríamos dedicar ao cake design, abrir um negócio e tal. Discutíamos que iríamos embalsamar aquele bolo e usá-lo a partir de agora nas mais variadas efemérides cá de casa, só com variações na decoração do cucuruto do bolo e tentarmos convencer toda a gente que tinha descido sobre nós um cake talent e já os comentários começavam a pulular no computador com tiradas fofi-natalícias como "Ahhhahhh. Pólo Norte, esperamos que a tua prima tenha mais jeito que tu" ou "Morro a rir! Isso deve estar uma coisa esperta que so visto...". Claro que quando colocámos a fotografia do bolo-cake as pessoas se calaram e ficaram incrédulas. A coisa foi de tal forma convincente que o filho do namorado da minha mãe, que faz sempre as compras à última hora, me decidiu oferecer um presente de Natal completamente útil. Isto:

                                    

Pior, sem talão para a troca...

Entretanto, depois de beber uma kimazinha e de bimbar patês, mousse de chocolate, tiramisu, baba de camelo, sumos naturais e de cozinhar à panela a aletria e os mexidos, depois de cortar o queijo-ilha e a massa sovada  comprado no Espaço Açores (que a minha sogra já a adivinhar o acidente com o telemóvel, este ano decidiu que não ia enviar nem uma iguaria) achei que era altura de adormecer a Ana numa pequena sesta. E assim foi. Uma hora depois, a Ana acorda a berrar por se ver sozinha no sofá da tia (estávamos na cozinha a dois metros), pego-a ao colo para a consolar e quando vou em direcção à cozinha, o meu tio vira-se para trás para a cumprimentar e, não sei como, cai do banco e estatela-se no chão. A Ana assustou-se de tal forma com o tombo que começou a berrar eram umas 18h e calou-se eram umas 3 da manhã, o que foi uma excelente banda sonora para toda a ceia de Natal. 
A seguir houve comida, muita comida, demasiada comida e prendas. Muitas prendas, quase demasiadas prendas. E houve Ana a querer vir para o meu colo, mámen a praguejar porque estava sem telemóvel, houve Ana a querer ir para o colo do pai passados 2 minutos de estar no meu, houve a minha mãe a vestir-se de mãe Natal com um vestidinho sexy, houve Ana a berrar porque embirrou que a minha mãe não devia usar o barrete de pai Natal, houve tablets em barda, houve Ana a querer ir para o colo da avó passados três minutos de estar no do pai, houve o tio que ficou ofendido porque a tia lhe ofereceu um telemóvel com teclas XL à velho e que iria ser gozado pelos colegas de trabalho, houve a Ana a querer ir para o colo da tia amuada passados 5 minutos de estar no colo da avó , houve brinquedos sem pilhas que nos esquecemos desse pormenor, houve Ana a querer ir para o colo da Tidinha passados mais 4 minutos, houve o bolo embalsamado em cima da mesa a noite toda e ninguém se atreveu a cortar-lhe uma fatia (tanto melhor, a tia faz anos daqui a uns dias). houve Ana a querer ir para o colo do tio, houve gente que recebeu óculos graduados e gozo com isso, houve cachecóis pavorosos feitos pela minha sogra, houve a Ana a dançar a dança das cadeiras versão colos e choro, muito choro de cada vez que via o meu tio que tinha caído do banco, houve Noddy e Minie e Panda Cucu (o Panda não está cá! Está, Está!), houve uma Cook It para a avó que tem que se tornar uma melhor cozinheira, houve a televisão sintonizada no canal Panda até eu me apetecer fazer tiro ao alvo a todos os Caricas, houve uma casinha para o quintal da avó com que a Ana delirou e dezenas de livros e roupa e prendas oferecidos por todos e em particular pela avó, houve a tia a abrir os olhos ao tio porque estava a exagerar na Angelica (over reaction, garanto-vos !), houve um fato de treino das Absolutamente Fabulosas para eu encarar o início do Pilates com mais sentido de humor (grande Xana!), houve o namorado da prima que mandou mensagem com o seu Christmas Korma porque quando decidiu ir comprar ingredientes para a ceia de natal já todo o comércio local estava fechado,  houve a namorada do outro tio a quem chamamos de tia fofa e dar-nos perfumes da loja do1,5€, houve o filho da tia-fofa a oferecer-nos licores caseiros feitos por ele que mais pareciam mijoca, houve choro da Ana como pano de fundo e uma birra de que não há memória,  houve a avó com cólicas e trancada muito tempo no wc. houve gargalhadas, houve um carrinho cor-de-rosa descapotável que a mãe e a Tidinha gostaram mais que a filha, houve beijos e abraços, houve paz e amor e, mais importante que tudo: houve Natal. Porque o Natal é feito de momentos quadripolares, também. 

E há, ainda a preocupação de tentar converter a Ana para um certo sentido de humor quadripolar: onde já se viu chorar a noite toda por ver alguém dar um bate-cu? Bem-vinda aos Natais desta família, filha, habitua-te! Bem-vinda!


Neste Natal Dona Canô chamou (e eu vou)

"Passei o dia e a noite pensando em minha mãe. O dia de Natal passou a ser também o dia em que ela morreu. Nunca imaginei que fosse achar tão difícil aceitar que ela tenha morrido. Era uma grande alegria tê-la viva. Claro que alegra também saber que ela viveu bonito por tanto tempo e morreu bonito num 25 de dezembro. Mas o mundo tem me parecido, desde então, muito pior. Infelizmente não sei rezar como ela chegou a saber. Talvez tenha aprendido (principalmente com ela) que reconhecer a beleza da vida é uma maneira de rezar. Hoje, no dia de Natal, sinto como é difícil reencontrar a beleza. Não temos, no entanto - e muito menos eu que sou filho dela - o direito de abandonar a festa. A festa de tudo o que há, que é o que significa o jeito como ela habitou este mundo. Ela pôde dizer que a ideia de um Natal feliz resiste a toda tristeza. O mais justo com sua memória é acertar a ser feliz"

Caetano Veloso

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Find Wally

Cruzaram-se com uma rapariga a levar uma miúda ao colo, mais um sobretudo de adulto, mais um sobretudo de uma criança, mais uma mala, mais uns 2326 sacos e ainda a lombar com um peluche da Popota?

Era eu.

Não há Natal como o minhoto-açoriano!

Amanhã em cima da mesa o bacalhau, as batatas, os nabos e as couves a competirem com o polvo e as lulas recheadas (não há lulas recheadas melhores que as de S. Jorge, meu Deus!). Massa sovada na mesa e queijo-ilha com um bocadinho de pimenta da terra para temperar. 
Na mesa de apoio o leite-creme queimado a preceito, as filhoses, as azevias de grão e a aletria (arroz doce não, obrigada!). Os mexidos são o ponto alto da gula cá de casa, tão minhotos, tão da avó, tão nossos. 
Bolo de Natal húmido que mámen não toca em bolo-rei (mas o da Garret cá cantará!), rosquilhas brancas, donas amélias e angelica. No dia seguinte a roupa velha com azeite com pronúncia do Norte. 
O meu Natal mudou como mudou a minha família. O meu Natal acrescentou um toque atlântico a este Minho de sempre, um cheiro a azul e maresia a este bafo quente e verde minhoto, especiarias trazidas por marinheiros, o mel e os pinhões dos doces trigueiros, as couves "gostosas", um "áquela!" de satisfação a cada brinde de "binho" tinto, do bom. 
O meu Natal, o Natal desta família que ajudei a formar, o Natal da Ana é minhoto-açoriano e eu acho que sim, que afinal é possível ter o melhor de dois mundos. 

Uma das melhores coisas do meu Natal para os leitores do Quadripolaridades


Ingredientes:
1 Lt água
250 g açúcar
1 cálice vinho do Porto
casca de meio limão
2 dl mel
50 g pinhões
50 g nozes partidas
50 g de amêndoas
50 g passas
250 g miolo de pão
10 gema(s) de ovo
canela em pó
 

Preparação:
1. Leve a água ao lume com a açucar, a casca de limão, o pau de canela e o mel, até que atinja o ponto de espadana (quando se retira a escumadeira do caldo, este cai com o aspecto da lâmina de uma espada fina).
2. Reire do lume, corte pão de forma grada e junte ao preparado anterior, mexendo com uma colher de pau para incorporar o pão e não formar grumos.
3. Acrescente os frutos secos, o vinho do Porto e as 10 gemas mexidas e vá mexendo progressivamente, para cozer a gemas, mas sem deixar talhar.
5.  Deite em pequenas taças e polvilhe com canela.

Quadripolarização muuuuuito a Norte


"Olá ursa,
 
Diretamente do Zoo de Copenhaga um urso polar quadripolarizado. Infelizmente não sabia estar quieto!
 
Saudações ursinas"

 Tumbas: Dinamarca quadripolarizada!

(Obrigada, querida Heidi!)

12X12: Fevereiro quadripolar



domingo, 22 de dezembro de 2013

I wish you a... phallic Christmas?


(Obrigada, Marta!)

https://apps.facebook.com/pausmandados/?video=52b741b51b128

Rainha morta, princesa posta.

Faz hoje dois anos que a minha avó morreu. Lembro-me segundo a segundo, minuto a minuto daquele dia, como se estivesse a observar a história do lado de fora, narradora não participante. 
Tocou a campainha cá em cima. Segundos antes ouvi os passos a correr pelas escadas acima do meu tio, a minha mãe no quarto ao lado, abri a porta e percebi sem perceber, entendi sem querer entender, sem palavras, aquela expressão desolada, de pura infelicidade, tragédia nos olhos. 
A minha avó morreu e eu não consigo esquecer, minuto a minuto, todos os movimentos daquele dia-deste dia- há dois anos atrás. A minha mãe a correr porta fora, doida de dor, a tentar fazer o que faz sempre: a tentar resolver, a tentar emendar, a tentar salvar a minha avó de uma morte que já tinha chegado. Eu no duche, as lágrimas em competição com a água a sair com tanta pressão do duche, eu a tentar lavar a dor, a esfregar a raiva do dia em que fiquei amputada de avó, bi-amputada da minha infância. 
A minha avó morreu e eu não queria ter a memória viva de todos os minutos daquele dia, queria esquecê-los, enterrá-los como fizeram com a minha avó- não quis ver!- e esquecer também o barulho seco da terra a engolir o corpo que foi meu colo, minha casa, minha terra toda a vida. 
Tenho saudades da minha avó. Todos os dias. Todos. Todas as horas na pele, todos os segundos na alma, toda a vida terei numa recordação viva, tão viva, do Minho na sua voz, cabelos pretos, olhos verdes, sardas semi-apagadas, mangas arregaçadas, minha avó, princípio de mim.
Sinto-a hoje viva na minha filha, no nome, nas expressões, naquele trejeito de olhos, nos lábios carnudos, no sorriso irónico, no ritmo do embalar, o mesmo, hoje embalo-a a ela com a mesma cadência, igualzinha, com que a minha avó mo fazia. As três numa dança espiritual secreta, tão nossa. 
"Eu vi a Amélia num arvoredo", "era meia noite cantava o cuquinho" e a Ana ressuscita-me recordações de um passado ainda mais para trás, a que nunca mais tive acesso enquanto a minha avó foi envelhecendo, um passado da minha infância cantada por ela, a Ana traz-me memória embrulhadas pela minha avó, anjo que a protege, que me manda agora mensagens de amor, de carinho, de afecto e de vida em canções adormecidas na minha memória, expressões enterradas na minha lembrança.
Faz hoje dois anos que morreu a menina da minha avó Faz hoje dois anos que, sem saber, renascia essa menina na mãe da Ana. Eu passado, eu futuro. 
Depois, chegou a Ana, Ana como todas as mulheres da minha vida. Como a minha mãe. Como a minha avó. Ana como a vida que nunca deixarei morrer em mim. 
Gosto tanto de ti, avó. Um beijo daqui, de nós, do plural que nasceu de ti. Um beijo de vida. Muita vida.


(Com um beijo especial para a minha Luísa)

Neste Natal Pólo Norte não quer ficar Optimuxcluída

Oltugedernau!

Mais ou menos como as pessoas que ligam para a linha 0800 da rádio para actualizarem o estado do trânsito

(18h)

Cascaishopping: limpinho, fácil de estacionar, gente q.b., sem filas, tranquilo.

Fórum Sintra:o pandemónio.


(Actualizem com informação dos shoppings perto de V. aqui nos comentários, sff!)

(18h30)


Fórum Algarve impossível! Estacionamento subterrâneo: a transbordar. Estacionamento de superfície: a transbordar. Tudo o que é canto, recanto, calçada, descampado, zona de habitação num raio de 5 km do Fórum: a transbordar!- Ana Ademar

12X 12: Janeiro quadripolar

sábado, 21 de dezembro de 2013

A Fernanda Mendes da blogosfera (PPC report)

Centenas de postais recebidos (ainda não os contei a todos)
queijadas de toucinho à estreia
2 bolos de mel da Madeira
2 broas de Avintes
chocolates dos Açores
uma camisola giríssima
bolachas home made arco-íris
bolachas home-made feitas pela filha de uma pólete
1 caixa de ovos moles de Aveiro
3 caixinhas de docinhos do Algarve
1 chocolate suiço
3 licores caseiros
1 calendário do Zoo de Lisboa
4 livros para a Ana
1 garrafa de Kima de maracujá
13 enfeites temáticos home-made para a árvore de Natal
1 presépio feito de conchas

Se me oferecerem uma Lenka agora no Natal e as juntas de freguesia se dignarem a enviar-me aquelas bandeirolas com os brasões das terras juro que faço uma petição para substituir o Gordo no Preço Certo. 

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