quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Isto dava um bom parágrafo de início de um livro

A minha filha aprendeu, na mesma semana que eu, que dar demasiada comida aos peixes ou amor às pessoas pode tanto dizimar um aquário como uma relação.

Dá Deus Tinder a quem não tem dedos (e olho para a coisa)

Estou no evento “noite das ideias” da Gulbenkian e só penso no potencial tinderiano que as minhas amigas solteiras ( que, curiosamente, ficaram todas em casa esta noite, provavelmente a tinderizar com tipos das redondezas de pijamas pinguços e debotados ) estão a perder.

Era ligar essa porra hoje. Aqui.

Burras, pá!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

FILHOS

Tanta porra de FILHOS assunto discutido até FILHOS à exaustão e ninguém FILHOS falta na substituição da Alexandra Fernandes que tinha a nossa auto-estima como ela tem agora pela nova senhora da Nutribalance FILHOS que vestia o 52 e agora veste o 42 e consegue dobrar-se com os FILHOS e comer com os FILHOS e ela não diz mas a gente bem sabe que também consegue fazer mais FILHOS?

Shame on you, FILHOS

Para todos os que insistem em me perguntar quando dou um irmão à Ana...


[acabou de acontecer via Messenger e são onze da noite, quarailho!]

domingo, 26 de janeiro de 2020

Sobre o Coronovírus

"Mas que desilusão. Em vez de atacarem o surto viral com acupunctura, energias yin-yang, tisanas de mandrágora, poções de dentes de javali moído, sessões prolongadas de meditação chan e outros maravilhosos recursos da sua medicina tradicional e alternativa, os chineses põem-se a construir à pressa um hospital?" 

 De José Navarro de Andrade 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Impulse

Quando um ex te adiciona no facebook e começa a pôr likes em todo o teu histórico de fotografias de perfil isso é impulse?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

"Não há racismo em Portugal". Outra vez arroz?


Não consigo conceber nenhuma razão válida para uma força policial, que frequenta uma academia, tem formação especializada e que tem por obrigação inerente à função estar na posse de um estado de saúde mental estável e equilibrado e munido de ferramentas de gestão emocional, agredir uma mulher na presença da sua filha de 8 anos. Nem se trata de agredir da forma como agrediu, desumana e covarde, trata-se simplesmente de agredir. Nem vamos falar da razão que é tão estúpida como a falta de um passe porque não há sequer nenhuma razão que eu possa imaginar válida, senão ser uma homicida ou uma serial killer que estivesse a abater a humanidade. Era um passe mas até podia ser outra coisa qualquer: não há razão.

Vi o filme e fiquei chocada. Chocada e com vontade de fazer alguma coisa.

Tenho uma filha com a idade da menina que assistiu a isto tudo e não consigo imaginar cenário de maior horror e trauma que este.

Portugal é um país racista.

É e não me venham com merdas. Se isto tivesse acontecido uma mãe branca na presença da sua filha branca... esperem: isto era capaz de nunca ter acontecido. Os populares mobilizavam-se por identificação e empatia. Aqui não: ouviram-se algumas vozes mas ninguém agiu, filmou-se para denunciar mas ninguém fez absolutamente nada para travar aquela espiral de loucura. A criança a ver. Uma criança de 8 anos, repito.

Portugal é um país hipócrita. Todos somos racistas: está-nos na matriz cultural e colonialista. E não é por dizermos que não somos que passamos a não sê-lo.

Eu, por exemplo, sou anti-racista, já que luto conscientemente contra todas as ideias de racismo que reconheço. Ma sou racista e escrevo isto com uma vergonha constrangedora.

Sou racista porque cresci a ouvir pseudo-anedotas de "tanto aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto" e as normalizei até ter idade para as analisar e questionar e decidir que gostava muito de não ser racista e que, por enquanto, só consigo ser absolutamente anti-racista. Ser anti-racista é perceber que os negros ainda são marginalizados; perceber a quantidade de meninas adolescentes que estica o cabelo e tem vergonha da sua carapinha, querendo diluir-se na "norma" branca; perceber que quando compareço a ambientes diferenciados e elitistas não há negros ou há um ou dois completamente não representativos; perceber que os negros aparecem maioritariamente como personagens pobres, bandidas e faveladas nas telenovelas; perceber que são raros os alunos negros no antigo colégio da minha filha ou no conservatório de música; perceber que não conheço nenhum CEO negro nas grandes empresas em Portugal; perceber que os trabalhos precários como as limpezas são ocupados maioritariamente por mulheres negras; perceber que há racismo subtil quando alguém diz de peito cheio que eu "eu não sou racista porque eu ATÉ tenho amigos pretos"; perceber que inconscientemente ainda correlacionamos a marginalidade com os negros. Sou anti-racista por isso tudo, porque percebo, porque entendo, porque acho que luto mas gostava muito de lutar ainda mais contra tudo isso.

Mas sou racista quando fico com medo se passear à noite na rua e vir um homem negro vestido de fato de treino caminhar na minha direção. E não, não é porque fui assaltada por negros, porque também já fui por brancos e a criminalidade está correlacionada com grupos marginalizados e financeiramente desfavorecidos e não com factores de etnia.

A senhora foi agredida brutalmente. Uma mulher por um homem com uma evidente assimetria de poder. Uma mulher negra por um homem branco. Na presença de uma criança de oito anos. Por causa de um passe.

Sinto-me com muita vergonha. Alheia e íntima porque isto é o retrato do meu país.

Portugal é um país racista. Podemos todos- e bem!- querer ser anti-racistas. Mas racistas não deixamos de ser.

Assumamos e tentemos fazer diferente. E sê-lo devagarinho, depois.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

João

Conheci-o aos quatro anos. 
Não me lembro da minha vida antes dele mas nunca me esqueci de que a minha vida é melhor com ele. Foi o meu primeiro e único melhor amigo numa altura em que ter um melhor amigo rapaz, mais velho e inteligente era o pináculo do sonho adolescente. Ouviu-me desabafos, sonhos e desgostos, chachadas e epifanias sérias sobre a vida. Apresentou-me todos os escritores que interessavam e também alguns que já não interessam, abriu-me o mundo para tantos músicos e dedicou-me cartas e postais, escritos à mão, na altura em que se escrevia à mão, vimos filmes de três horas ao telefone fixo enquanto eu me ria alto e enrolava os dedos no fio encaracolado do aparelho, trocámos milhares de mensagens de inúteis bips e estourámos rios de dinheiro em sms no tempo em que as sms eram caras e não havia WhatsApp. Descobrimos juntos a Expo e ele foi comigo inscrever-me na faculdade depois de me ter aconselhado a escolher o curso que eu vim a escolher. É a pessoa que me conhece bem há mais tempo e por mais que o tempo passe e eu mude ele sabe sempre o que importa realmente sobre mim. 
Sabe quem sou. 
Um dia zangámo-nos a sério e não ficou nada por dizer. Apartámo-nos e jurámos que nunca mais. Eu, que tenho problemas de vinculação e que dou-me com toda a gente mas não me dou a ninguém desde o tempo em que fiquei órfã de pai vivo, chorei em silêncio dias seguidos. E embora não consiga genuinamente retomar nenhuma relação que tenha cortado sabia que, com ele e só com ele, seria diferente. É uma das pessoas da minha vida. Mesmo que nunca mais nos falássemos. E são poucas. Reencontrámo-nos em 2020, catorze anos depois. E ele continua a ser ele. E eu continuo a ser eu. E, só por isso, a minha vida está melhor. É melhor. 
Escrevo aqui, especialmente agora, para que continue a nunca me esquecer.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Não se mudem os corpos: mudem-se as modas!



Ontem a La Redoute publicou na sua conta de instagram uma imagem de uma modelo “normal” (não, não era sequer uma chamada “plus size model” e- senhores!- como acho ridícula a expressão enquanto não ouvir “less size model”, “short size model” ou “tall size model”) com a legenda “para nós, a moda não tem tamanho”.

Olhei de vários ângulos para a porra da fotografia da modelo de um tamanho absolutamente ”normal” (36, 38?) e não resisti a perguntar qual a relação entre a imagem e a legenda. Apagaram o meu comentário. Voltei à carga. Apagaram a imagem.

Não se trata de um ataque à La Redoute nem quero comprar uma guerra com o gestor das redes sociais da marca mas para quando o fim desta ditadura de tamanhos de roupa para mulher? Para quando a assunção de que os corpos das mulheres não são standartizados, iguais, perfeitos ou imperfeitos segundo padrões inventados por não sei quem? Para quando não dar montra a comentários que induzem que mulheres adultas, saudáveis e de um tamanho vulgar às comuns das mortais são gordas? Para quando as marcas começarem a não fazerem o papel de que a sua moda é inclusiva, à laia da caridadezinha, com as mulheres que não vestem o 34 e assumem que há roupa para todas, assim haja tecido disponível e tudo bem?! 

Para quando o respeito efectivo pela diversidade dos corpos e dos biótipos de cada mulher e vamos normalizar essa porra dessa diferença e, tudo bem, a moda é de todos, de todas, vamos normalizar isso a um quarailho de um ponto que não tenhamos que fazer disso bandeira? Para quando a celebração da diversidade das mulheres, sem o foco na escravatura da imagem?

Não queremos que a moda não tenha tamanho: queremos -sim!- que assuma ter uma infinidade deles!

Agradecida.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Deus é sereia

Quando chegámos à Fuzeta olhaste para a areia com os olhos muito esbugalhados: taaaaantas conchas, mãe! 

Eu sorri e convidei-te a descalçares-te e começaste a explicar-me que as sereias só visitam as praias com areias cheias de conchas. Que são estas conchas as jóias que as sereias já não querem usar e assim as disponibilizam aos humanos. E a cada concha que apanhavas havia uma expressão de espanto: olha esta toda riscada, olha esta com tantas cores de arco-íris por dentro, olha este búzio que enroladinho. 

O gáudio de te ver durante mais de uma hora a maravilhares-te com pedaços do mar da cor dos teus olhos. 

E quando o sol começou a mergulhar no horizonte sentaste-te, cansada e em silêncio, e encostaste-te a mim, sentadas à chinês no areal. E eu levantei-me, enfim, e enquanto virava as costas para irmos beber um chocolate quente ali no borda d’água e tu um chá de limão e aquecermo-nos, comecei a ouvir um barulho repentino da maré a encher, a água a subir inesperadamente, o mar há um minuto parado e quieto, agora, de repente, a manifestar-se. 

Olhei para trás e estavas estarrecida: “mãe, shiiiiuuu! Ouve as sereias a abanarem as caudas debaixo do mar e a dizerem-nos adeus!” 

E depois um sussurro: “adeus, sereias! Adeus!” 

E ensinaste-me neste fim de tarde, Ana, tudo o que é importante saber sobre fé e amor, crença e sonho. Deus pode ter cabelos de algas e cauda de sereia. 

Obrigada por trazeres até mim esse segredo sem filtros, como esta fotografia, como tu, querida Ana, meu grande amor.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Matrafona fora de época

Por motivos que não interessam para aqui, mámen ficou de fazer a minha mala para o fim-de-semana com a ajuda da Ana e depois irem ter comigo ao trabalho para seguirmos para a nossa escapadinha de fim-de-semana.

Tenho a dizer-vos que será um longo fim-de-semana vestida de matrafona de Torres Vedras com colares de macarrão pintados pela miúda e contas de plástico para ainda ser mais tcharam. E a dormir em pelota porque os pijamas ou as camisas de noite estão sobrevalorizados.

É possível que não haja fotografias...

(Eu mereço?)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Vou mandar fazer medalhinhas e pagelas

Sugiro uma oração colectiva à santinha padroeira das reuniões de pais neste início de segundo período.


Amén.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Ana e os estrangeirismos gastronómicos

Nós a preparar a carne e os molhos do fondue para o jantar e diz a Ana, muito convicta:

"Olhem, escusam-me de dar outros molhos, porque eu só gosto do molho cheesecake*, ok?"



[*Era o molho cocktail]

domingo, 5 de janeiro de 2020

2020

Há dias que são metáforas de desejos, de prioridades, de importâncias. 
Acordar cedo sentindo-me viva, deambular por Lisboa, decidir organizar o jantar de aniversário da minha tia (escrevo pouco sobre a minha tia em proporção inversamente proporcional ao quanto gosto dela) e depois ir às compras e escolher as coisas de comer de que a minha família mais gosta, comprar um bolo bonito de fruta, pôr a mesa com cores de afecto e cozinhar com paciência, calma e atenção: tudo o que preciso de lhes dar mais. E tempo, especialmente tempo. 
E à mesa sentam-se gargalhadas, saudades, vícios e manias, certezas absolutas e pensamentos a que nunca acederemos. E os meus avós estão ali nas nossas memórias em palavras e no sentir, concentradas no nome e nos abraços da minha filha, denominador comum do amor. 

E no fim, levantamo-nos e viramos as costas à loiça em cima da mesa e vamos ver a lua a fazer sombra ao fogo gigante do madeiro. A Ana, como eu na vida, aproxima-se fascinada pelo fogo e afasta-se assustada com o calor abrasador, numa dança fascinante. 

Assim se dance a vida.

Um caloroso, vivo e vibrante 2020!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Ana



É o epicentro de todas as minhas decisões directas ou indirectas, fáceis ou difíceis, individuais ou colectivas, pequenas ou grandiosas. E o que quer que eu pense, sinta ou deseje ela está sempre no encalço do meu pensamento, sentir ou desejo numa espécie de sol, estrela, ursa maior sobre a qual giro em redor. Como uma bailarina numa caixa de música que vê todos os lados do Mundo, dança todas as notas musicais mas nunca sai do sítio onde alcançou o ponto de equilíbrio. Ando de pontas na maternidade, às vezes parece que a corda vai acabar mas já não conseguiria dançar ao som de nenhuma outra melodia
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