sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ego-boost

Santa Maria da Feira, em frente da igreja:  passa um ribeiro, passa um maluco vestido com uma farda verde fuorescente que me quer dar o número do telemóvel e passam umas 32 FAMEL e umas 47 ZUNDAPP cujas buzinas me dedicam umas valentes apitadelas. 

Estou que não posso com o ego, ó-ó!

Leitores homens deste blog

Imaginem que comemoram 34 anos. Não ligam peva a roupa, não jogam jogos de consola, têm uma colecção demasiado grande de relógios para quererem mais um, ignoram desporto e são sempre tão originais a oferecer prendas à vossa mulher que ela fica sempre em pânico e com uma branca quando chega a hora de vos presentear. 

O que gostariam de receber?

Sermão de Santa Pólo aos haters: "Vós sois o wasabi da blogosfera"

Vós, diz o Provedor da Blogosfera, Senhor nosso, falando com os haters, sois o wasabi da blogosfera: e chama-lhes wasabi da blogosfera, porque quer que façam na blogosfera o que faz o wasabi. O efeito do wasabi é limpar o palato dos leitores, impedi-los do envenenamento por consumo de posts crus; mas quando a blogosfera se vê tão democrática como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de wasabi, qual será, ou qual pode ser a causa desta falta de bom gosto? 


Ou é porque os leitores não têm bom gosto, ou porque a blogosfera se não deixa apurar. Ou é porque o wasabi não limpa o palato, e os haters não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a blogosfera se não deixa limpar e os bloggers, sendo verdadeiros os conselhos que os haters lhes dão, os não querem receber. 

Ou é porque o wasabi não limpa o palato, e os haters dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a blogosfera se não deixa limpar, e os leitores querem antes ler o que escrevem os bloggers, que seguir o que dizem os haters.

Ou é porque o wasabi não limpa, e os haters se pregam a si e não à blogosfera; ou porque a blogosfera se não deixa limpar, e os bloggers, em vez de servir aos haters, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Suposto, pois, que ou o wasabi não limpe o palato ou a blogosfera se não deixe limpar; que se há-de fazer a este wasabi e que se há-de fazer a esta blogosfera? O que se há-de fazer ao wasabi que não limpa o palato, Provedor da Blogosfera o disse logo: Quod si haters pregarium para o bonecum, in quo haters?. «Se  os haters pregarem a sua doutrina de salvação dos leitores da escumalha que escreve blogs populares e de nada servir: para que servem os haters?» 

 Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o hater que ensina o caminho do bem e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra escrita continua a blogar sem ter em consideração os sábios insultos dos seus haters e os que, ainda assim, os continuam a ler sem se evangilizarem pelos comentários mui nobres e anónimos dos haters. 

Isto é o que se deve fazer ao wasabi que não limpa. E à blogosfera que se não deixa limpar, que se lhe há-de fazer? Este ponto não resolveu o Provedor da blogosfera, no Blogo-Evangelho; mas temos sobre ele a resolução da nossa grande portuguesa Pólo Norte, que hoje celebramos, e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhuma blogger tomou.

Isto suposto, quero hoje, voltar-me dos leitores aos haters, e já que os leitores continuam a cá vir e não se deixam limpar pelo wasabi da blogosfera, se não aproveitam, pregar aos haters. A raivinha dos dentes está tão perto que bem me ouvirão. Os demais podem deixar o sermão, pois não é para eles. Ursa, quer dizer, Domina ursis: «Ursa do Pólo Norte»; e posto que o assunto seja tão desusado, espero que me não falte com a costumada graça. Ave Ursa.

(continua)

Pequeno-almoço em Santa Maria da Feira


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sapatos e psicoterapia

A Cinderela é a prova que um par de sapatos pode mudar a sua vida. 

As botas ortopédicas são a prova que um par de sapatos pode mudar a sua vida. 

Keep calm and... 6 milhões de visitas

6 milhões de visitas e ninguém para me ajudar a lavar a loiça que tenho ali na cozinha a olhar para mim...

(Mais uma vez) obrigada (?) a todos!


1/4 do Mundo quadripolarizado

Obrigada, quadripolares!

Sois os mais maiores grandes!

Anúncio à nação quadripolar



A rubrica cenas de um casamento vai regressar!

Pedidos especiais, sugestões e questões sobre a temática na caixa de comentários que se segue...

21 dias desde 2009

Acho que é desta que fecho a conta do facebook de vez. 

Em dois dias magoou-se num lábio, deitou sangue do nariz e abriu o sobrolho

Ana: cara do pai e delicadeza da mãe...

É (também) por isto que é a minha actriz preferida de todos os tempos

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Rui Pedro enquanto meu filho, dezasseis anos depois

Temos sete anos de diferença: eu e o Rui Pedro. Acho que tinha uns dezoito anos quando o Rui Pedro desapareceu, numa história a que, na altura, não dei muita atenção, preocupada que andava na minha vida umbiguista, entrada na universidade, namorados e saídas à noite.
O tempo passou e fui assistindo, com alguma empatia, ao desenrolar do caso, aos contornos macabros do seu desaparecimento, à anorexia da mãe, ao congelar da dinâmica familiar, fotografias do quarto intacto de um pré-adolescente, para sempre cristalizado na vida daqueles pais, daquela irmã, o tempo passou pelo somar de ausências mas nunca actualizou as fotografias do Rui Pedro, uma memória que a mãe não quer que se torne memória mas sim real, ainda viva, ávida de ser encontrada.
O Rui Pedro podia ter sido eu, lembro-me de ter pensado na altura do desaparecimento, na recta final da minha adolescência, sete anos é pouco tempo. Tê-lo-iam raptado? Morto? Teria fugido? Tráfico humano? Tráfico de órgãos? Rede de pedofilia?
Como se sentiria o Rui Pedro se estivesse vivo? Lembrar-se-ia de onze anos em casa? Tê-lo-iam corrompido? Quereria ser encontrado? Teria medo?
O Rui Pedro, sete anos de diferença que tinha de mim, era um par até há um ano, cinco meses e dezanove dias. A mãe do Rui Pedro era uma mãe, como a minha, louca de desespero por encontrar o pedaço de alma que lhe tinham amputado, resistente à vida com o único propósito de estar cá, para abraçar o filho, caso ele voltasse e ela sempre acreditou que voltaria, não podia desistir de viver, desistir de acreditar que o filho está vivo, se desistisse morreria a esperança para sempre, morreria a hipótese do reencontro. E se o filho um dia voltasse e ela já cá não estivesse? Sentir-se-ia abandonado outra vez?
A mãe do Rui Pedro era uma mãe, como a minha, até há um ano, cinco meses e dezanove dias. Agora é ela meu par, mãe como eu, a Filomena sou eu naquela angústia que reconheço agora nos olhos de uma mãe que conheceu o amor maior da vida e a quem lhe foi roubada parte da alma, da vida, do coração. Coração de mãe.
Hoje, cristalizei eu o Rui Pedro no corpo daquela criança de onze anos, podia ser meu filho ("Não podia, que disparate! São apenas sete anos de diferença!"), não quero saber de contas, nem de lógica, nem de argumentos racionais. Hoje eu sou a mãe do Rui Pedro.
Hoje falo, pela primeira vez, acerca do Rui Pedro enquanto meu filho, filho de todos nós.
Hoje, neste post, sou apenas mãe Filomena.


Desempate açoriano

Num livro que deram à Ana com os animais aparece a vaca e a sua filha.... a bezerrinha. Estava eu e a minha amiga a discutirmos sobre a importante temática: ela a defender que, sim senhora, é bezerrinha, eu que não, que se diz vitelinha e nisto chega mámen e resolve a situação:

"Diz-se gueixa, pá!"

...

...

...

Boa terça-feira, sim?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Raios da miúda

Ana chama-me de "mãe" e decidiu chamar o pai pelo nome próprio.

Não me chateia as pessoas acharem que o homem é padrasto dela.

Chateia-me que o

O Buda deve estar louco


Tailândia quadripolarizada!

(Obrigada Silent Man!)

Fui ao Algarve e participei num "quase-invento" blogosférico


Bagas de goji em cama de espetada de lulas em baixo, sementes de linhaça em redução de bife à cortador à esquerda e detox de iscas à direita. 

(Só és verdadeiramente quadripolar se adivinhares qual o prato da autora deste blog)





(Beijinhos à magérrima mete-nojo da Sofia e à giraça estupora da Sofia  II por me terem levado à Adega Nova! Os algarvios estão, assim, perdoados...)

A minha filha é mais desenrascada que a tua

Durante muito tempo andámos a ensinar a Ana a brincar com aqueles cubos de encaixar as formas geométricas, tarefa que ela desempenha com relativo sucesso. 
Há uns dias olhou atentamente para nós enquanto tirávamos as formas de dentro do cubo para ela as poder voltar encaixar novamente. 

Desde então- despachada que só ela!- enfia as formas todas a eito pela portinhola da saída, sem perder tempo com encaixes e exclama, vitoriosa, um "já tá!". 




(Leitoras psicólogas: acham que lhe aplique um T.R.C.G.?)

Boa segunda-feira, sim?

Freud explica

Três foi o número de dias que estive ausente de casa en trabalho. Três foi a quantidade de dias que a Ana esteve sem fazer cocó. 
Primeiro o pai desvalorizou e achou que era uma prisão de ventre, embora o intestino da miúda funcione como um relógio. Depois a tia deu o alerta que achava que "era dos nervos" resultantes da minha ausência. Finalmente, o pai rendeu-se às evidências: a Ana somatizou. Mas, ainda assim, deu o benefício da dúvida e não quis alarmar-se.
Cheguei e a Ana estava a dormitar. Assim que a beijei, e a dormir profundamente, suspirou ao sentir os meus lábios na sua pele. Um suspiro de alívio inconsciente e adormecido. 
Abriu os olhos, estendeu-me os bracinhos, pulou-me para o colo e... fez um enorme sorriso acompanhado de uma valente cocózada. 
Passei o fim-de-semana a mudar fralda-sim fralda-sim com cocó. 
Prefiro recorrer aos ensinamentos freudianos sobre a fase anal do que acreditar nas provocações infantis de mámen que goza a dizer que a filha se está a cagar fazer cocó  para mim. 

É para o que estou guardada. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Nada é mais inspirador que o humor (negro) auto-depreciativo

Sim, sim, outro post a favor da co-adopção (aguentem-me!)

"Quando era pequena, dizia. Era uma coisa nova para mim e para os outros. Não queria que os meus amigos sentissem que era uma coisa esquisita. Foi uma forma de me proteger, para não ter os bullyings. Nunca tive, não sei o que isso é. Dizia para que percebessem que era uma coisa normal. Depois deixei de dizer. Era tão normal que nem se dizia. Tenho uma amiga antiga que só percebeu quando lhe disse que iam casar. Ficou espantada. “Mas eu nunca te tinha dito que a minha mãe é homossexual?”

 (...)


Chorou toda a gente no casamento. Era uma coisa tão bonita... Era o triunfo do amor.

(...)


Tivemos uma educação estrangeirada. A normalidade tem a ver com o meio em que circulamos. Foi possível que fosse uma coisa normal. A minha mãe protegia-nos muito. Mas sempre se falou de tudo lá em casa. Sexo, amigos, problemas amorosos, escolares, dinheiro. O que nos perturba tem de ser dito. Se não se partilha, fica ali uma bola.

 Acho que isto tem a ver com a minha família, que nunca fez daquilo um bicho de sete cabeças. Nunca se escondeu. ambém nunca se expôs. Não andavam aos beijos. Acho que nunca vi um grande beijo entre a minha mãe e a Pat... Também não se vêem muitos casais hetero aos beijos, como se um entrasse dentro do outro.

(...)


Quando se começou a falar de co-adopção, disse: “Não me importava de ser co-adoptada.” Não era não ter pai ou não ter mãe. Era ter mais. Não posso ser co-adoptada porque tenho um pai, mas não me importaria. Não é uma substituição, é uma mais-valia.

 A minha mãe vive um pouco nas nuvens. A Pat não. Eu sou muito responsável. O meu pai também é, mas não tanto como eu. A minha mãe goza: “Ela sai a ti, Pat.” Saio à Pat nisso. E na noção de que há coisas que têm de ser feitas para não se viver só no sonho.

 Estando a minha mãe e a Pat casadas, é mais fácil lidar com a coisa. “Namorada” soava um bocadinho esquisito... É mulher! É mais oficial ainda. Quanto mais oficial, mais fácil é falar das coisas. O casamento põe a coisa mais ao nível de outros relacionamentos.

(...)

Se calhar não faz sentido o que vou dizer, mas digo: não se questiona o pai e a mãe. São aqueles. E eu também não questionava a minha mãe e a Pat. Desde que me lembro de mim, elas existem.

(...)


Referências? Como tenho a referência masculina do meu pai... Mas não é por aí. Acabamos por ter referências masculinas e femininas de várias pessoas. O avô, um tio, um amigo mais próximo. Acho esse argumento um bocado estúpido. Acho que depende mais da relação com os pais. Tenho amigos que não falam com os pais. Eu falo. Com os meus pais, com a Pat. Agora também falo com a Pat sobre tudo.

Referências femininas: a minha mãe nunca se pintou, eu era a miúda mais pirosa que se possa imaginar. Ainda bem que a minha fase pirosa foi aos seis anos... Pintava-me, inventava fatiotas, ia de saltos altos para a escola. A minha mãe dizia: “Há-de passar.” E passou. O maquilhar vem da minha avó materna. Ela punha um risco nos olhos e usava uns brincos brilhantes.

 (...)

 A minha família é uma família alargada. O núcleo é a minha mãe, a Pat, o meu pai e a minha irmã. Não sei se as namoradas do meu pai entram na família alargada...

(...)


Não percebo essa coisa de os filhos dos homossexuais saírem homossexuais... Eu não sou. Quer dizer, ainda não me apaixonei por nenhuma mulher, nunca me senti atraída por nenhuma mulher. Mas quem sabe?"

Das coisas mais bonitas que li sobre este tema. O texto integral aqui.

Olhar para a mesma montanha de outro ângulo: um vídeo que nos faz descentrar.




Genial!

Os leitores deste blog são melhores que os dos vossos #10



A propósito disto.

Obrigada, Cecília!

As praxes no Mundo de Sofia

Deixariam de ser permitidas associações, reuniões, manifestações relacionadas com praxes, ilegais como as dos cabrões dos nazis cabeças rapadas (e não me venham com a merda do direito à liberdade de expressão e de associação que espeto-vos já na tromba com seis mortos no meco, ao mesmo tempo que podem enfiar a Constituição pelo dito acima, para uma melhor sensação). Qualquer manifestação pública de humilhação idiota, mesmo que consentida (lá está), como aquelas que vejo durante meses (meses?!) nos jardins do Campo Grande, como prostações, elevações, calhamaços nos braços, orelhas de burro, gritos de guerra et all, punida como crime público, para não obrigar a queixas por parte dos praxados, caso em que estariam obviamente fodidos para a vida, que esta gentalha não brinca em serviço e anda há muitos anos a virar frangos.

100 quadripolares que valle a pena conhecer# Ricardo (3)



"O que fazes na vida?"
"Sou livreiro, gerente da livraria mais antiga do mundo."
"Como é que alguém de uma profissão intelectual explica o amor pelo futebol?"
" Leio muito, é verdade, e lido com intelectuais mas não considero que tenha uma profissão intelectual. Pelo futebol não tenho amor, tenho muito gosto, é verdade. 
Amor tenho pelo Benfica e é uma coisa inexplicável."
"Se Fernando Pessoa e heterónimos fossem adeptos de um clube de qual seriam?"
"O Fernando Pessoa seria claramente do Benfica, um esquizofrénico literário que gosta de passear pela Baixa e se sentava na Brasileira, certamente a discutir os resultados do Glorioso. O Caeiro só tem a quarta classe. Portanto, Benfica. O Ricardo Reis, latinista monárquico, Benfica, temos um lema em latim e o Rei Eusébio é nosso."
"E o Álvaro de Campos?"
"O Álvaro de Campos seria do Sporting, queixa-se muito."



Ricardo

sábado, 25 de janeiro de 2014

Lisbon V-Day

"Uma em cada três mulheres do planeta é violada ou espancada durante a vida. 
Isto representa mil milhões de mulheres violadas ou espancadas. 
Mil milhões de filhas, mães,avós, irmãs e amigas.
Mil milhões de mulheres e aqueles que as amam vão levantar-se, sair, dançar e exigir um fim para esta violência. Venha dançar connosco pelo fim da violência contra as mulheres de todo o mundo."

A organização portuguesa do “V-day”, um movimento global pelo fim da violência contra mulheres, convida todos os interessados para participarem, em Lisboa (local a comunicar oportunamente), no dia 14 de fevereiro de 2014, pelas 18h30, na edição deste ano da campanha global “One Billion Rising for Justice”, o “Lisbon V-day”.
O “V-day” tem como principal desiderato organizar eventos que promovam a consciencialização da população mundial para as organizações contra a violência existentes, revitalizando-as e angariando-lhes alguns fundos. O “V-day” preocupa-se, especialmente, com o fim da violência contra mulheres, incluindo violações, espancamentos, incestos, mutilações genitais e escravidão sexual.
A ideia do “V-day” surgiu depois de Eve Ensler, conhecida dramaturga natural dos Estados Unidos da América e autora, entre outros, do livro “Os Monólogos da Vagina”, ter visitado uma comunidade na República Democrática do Congo, onde as mulheres, altamente vulneráveis à violência, curavam as suas feridas através da dança.
“Vi o poder da dança e comecei a pensar o que seria se mil milhões de mulheres, e todos os homens que as amam, dançassem no mesmo dia, em todo o planeta”, explicou Eve Ensler, numa conferência de imprensa em que estiveram presentes jornalistas de todo o mundo.
O “V-day” surgiu, assim, em 2013, propondo que um número igual ou superior a mil milhões de mulheres e homens se juntassem, em todo o mundo, dançando pelo fim da violência^contra mulheres. A iniciativa foi um sucesso e contou com a participação de cerca de 205 países.
Para este ano, o objetivo é, no dia 14 de fevereiro de 2014, às 18h30, repetir e maximizar o protesto. Para isso, foram constituídas equipas que estão encarregues de organizar, em vários países diferentes, a edição deste ano do V-day.

Para mais informações sobre a campanha global, visite:
www.onebillionrising.org/ e
www.facebook.com/vday

Para mais informações sobre o “Lisbon V-day”, visite:
www.facebook.com/lisbonvday e
www.facebook.com/events/1416151048624687/

Clube do Livro Limetree/Livraria Cabeçudos

Hoje, pelas 16 horas, numa iniciativa da Limetree e da Livraria Cabeçudos, mámen irá dinamizar a sessão de Janeiro do Clube do Livro Infantil no espaço da livraria, na alta de Lisboa.

O primeiro livro em cima da mesa será o " Uma viagem, dois mundos" da autoria dos alunos do Colégio Pedro Arrupe, oferecidos na sessão de lançamento deste projecto pela Livraria Cabeçudos.

 Encontramo-nos por lá?


Ponto de encontro: 
Livraria Cabeçudos

O mundo divide-se... (edição disco pedido)

... entre as que preferiam o Brandon e as que preferiam o Dylan.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ah, e também não jogo Candy Crushs, fónix, párem de me enviar convites!

Sempre que alguém me convida para entrar numa dessas seitas de gente que corre como se não houvesse amanhã e se alimenta de sumos verdes e sementes e bagas como se fossemos todos do tempo dos celectores outra vez, recuso amavelmente com a mesma sensação de quando dizia que "não" às minhas amigas que na pré-adolescência me convidavam para me juntar nas idas às cabeleireireas para fazer permanentes no cabelo e mega poupas enquanto comiam pinta-línguas e tiravam fotografias com a língua de fora toda pintada: a sensação de que ou és da cá da malta no presente ou terás vontade de cortar os pulsos ali no futuro.

Escolho sempre o cabelo liso e ao natural. E não gosto de corantes, 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

God save OLX!




Como um algarvio engana uma lisboeta garganeira

Algarvio: "Ah e tal, sugiro que comas xerém, é típico daqui e é bem bom!"

Lisboeta com a mania que tem mente aberta em termos gastronómicos e nem pensa em perguntar do que se trata: "Venha o xerém!!"

30 minutos depois do prato estar na mesa, comida enrolada num bolo dentro da boca, cara de pescada enjoada e garfo a espalhar a mistela no prato. 

Algarvios: ide-vos foder!

Novo pseudónimo

A actual mulher do meu ex-namorado tem uns ciúmes de morte de mim desde há 500 anos atrás, embora ela tenha sido a minha sucessora e a pessoa que ficou com a peça (um minuto de silêncio para homenagear a sua coragem). 

Isso leva a que o meu ex-namorado tenha tido necessidade de registar o meu número de telefone com um código de guerra para não gerar filmes na cabeça da senhora. 

Hoje fiquei a saber que estou registada com o pseudónimo de "bateria fraca". 

Ele, a contar-me isto e a rir-se às gargalhadas, afirma que quase não se contém quando tem uma chamada não atendida minha ou uma mensagem na caixa de comentários e ela, assim que olha para o écran do telemóvel, apronta-se a carregar-"me" a bateria.

...

...

...

Eu sei que entretanto já há outros assuntos na ordem do dia e a mini-saia da senhora assessora e já não há pachorra para este país mas eu vou continuar na minha missão de defender as causas que têm que ser defendidas

Toma, embrulha e leva para casa




(Soubesse eu onde é a paróquia do senhor padre e não o livrava de assistir a uma homilia... É que sou fã dele, pá!)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Loucas são as noites que passo sem dormir

Ontem:  eu e mámen na cama felizes da vida. Primeiro minuto de conchinha e um "mãiiii?". Levanto-me, vou até à cama dela, tapo-a, dou-lhe um beijo e deito-me novamente. Três minutos, o tempo de nos aconchegarmos devidamente e "Mãiiiiiiiii. Mãiiiiiii!". Vai lá mámen, oiço um beijo, um embalar com palmadinhas no rabo e volta para a nossa cama. Dez minutos depois, nós a entrarmos num sono profundo "Buáááá!". Levanta-se mámen, pega-lhe ao colo, consola-a, ela não se cala, pergunta-me "que queres que lhe faça?", não espera pela resposta estamos cansados, trá-la para o meio de nós. Oito horas seguintes: cabeça espetada entre a minha mama e a axila, pés no maxilar do pai, vira-se umas 243537 vezes, destapa-se umas 224214618 pois odeia ter os pés tapados, atravessa-se na cama, nós quase a cair, endireitamo-la, sobe e enfia o cucuruto entre as grades da cabeceira da nossa cama, chora, perde a chucha, choraminga, encaixa-se em mim de tal forma que pareço uma professora de yoga na posição mais lótus de que há memória,lençóis todos amarfanhados debaixo de nós,  toca o despertador, chora que não lhe apetece sair da cama, nós mortos de sono, corpo dorido, dor de cabeça. Humor de cão. 

Hoje: Faro em trabalho. Hotel de quatro estrelas. Vista para a marina. Silêncio. Suite com cama XXL. Lençóis esticadinhos e passadinhos. Possibilidades de dormir uma noite seguida com corpo e cabeça descansados. Corpo a ressacar dos pontapés da miúda. Insónia. Saudades. Humor de cão. 

Espanquem-me!

Pronto, fui conquistada!



Estou mega fã do Kid President!

Primeiro duelo blogosférico de opiniões da família Norte: a primirmã é a favor

"Ana

Hoje conto-te de uma tradição, não só nossa, mas dos estudantes. Não te conto sobre os estudantes que morreram no Meco, tens tempo para ouvir sobre desgraças. Conto-te sobre mim com 18 anos, perdida numa imensidão que era a Lusófona, uma ilusão de quando ainda não conheces o que está para vir, com um frio na barriga e mãos a tremer.

Ao entrar na sala que me esperava, a então representante do curso de Arquitectura falava para uma multidão onde ainda não reconhecia caras. Esclarecia-nos sobre as praxes, lia-nos o código e perguntava-nos se queríamos, ou não, participar desta tradição. Eu quis, mas lembro-me de muitos abandonarem a sala. E lembro-me dos que ficaram.

Ao final do dia, fiz questão de ir para casa ainda com ARQ escrito na testa, na mão o Passaporte de Caloiro, onde figurava o nome de praxe vergonhoso, cuidadosamente impresso e dobrado num livrinho que ainda guardo, junto com a t-shirt de caloira.

Ao longo do tempo fui coleccionando momentos. Por entre Rally Tascas e jogos temáticos (que iam desde questionários de arquitectura a brincar como crianças, balões de água e farinha, a correr pela relva, perdidos de riso) acabei por ganhar laços, que hoje sei, talvez nunca tivessem sido formados. Fui Miss Caloira. Recusei praxes. Fiz muitas outras e ainda hoje me consigo rir delas. No final desse ano trajei. E foi um momento de tanto orgulho. Por opção, acabei por deixar de praxar. Ser caloiro foi, para mim, óptimo, estar do outro lado não teve, efectivamente, tanta piada. 

Na bênção das pastas voltei a envergar a capa que, por entre as suas manchas, guarda tantas recordações. Gritei pelo curso, ri como antigamente e festejei com amigos, entre abraços de grupo e tendas improvisadas com as capas que nos protegiam da chuva e nos conferiam um momento só nosso. Chorei ao escrever fitas e chorei ainda mais ao ler as que me dirigiam. Chorei quando substitui as dos avós por fitas negras de luto e as saudades deles me assolavam.

Nesse dia celebrei o final do meu percurso académico, num almoço que sentava toda a nossa família, onde tu figuravas numa t-shirt que dizia " A minha Tidinha é Mestre Arquitecta", ao meu lado Mr Right Now, e à frente o meu padrinho de curso (a quem continuo carinhosamente a chamar Padrinho), melhor amigo, que nunca teria sido se não fosse esta tradição.

   À noite brindei com o curso, pelo curso.

Ana, se um dia te decidires por uma formação superior, espero que não te roubem a opção de, se for do teu agrado, um dia puderes ter o orgulho de dizer que foste praxada, de puderes envergar o traje no dia da tua bênção, de guardares as tuas próprias histórias na tua capa e, se te der uma prima, lhe dares a hipótese de te mostrar numa t-shirt o orgulho de toda a tua família. Porque afinal a praxe é, e espero que continue a ser, uma tradição opcional. "

Aviso: este post pode conter revelações eventualmente chocantes

Leiam-no aqui.

Tailândia? Done!





"Para já, ficas com estas que foram tiradas no centro de Bangkok e no MBK (o Shopping mais visitado da Tailândia)."

Obrigada, Silent Man!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Mundo divide-se entre... (post geracional)

... as pessoas que preferiam o Kevin e as que preferiam o Nick.

E lá estava ela: a bosta inteirinha. Redonda e tudo. No tapete desta porta.

Deu-me uma fúria.
Deu-me uma fúria porque, especialmente, alguém se tinha esquecido de fechar as duas cancelas do elevador e subi sete andares de escadas a penantes. Cheguei cá acima, olho para o tabete e lá estava ela, inteirinha, redonda e tudo: a bosta. 
Entrei, fui buscar luvas, enchi-me de coragem, agarrei na poia com uns guardanapos, enfiei-a num saco e desci até ao rés-do-chão. 
A velha senhora vizinha abriu a porta com um sorriso desafiador e nem me deixou falar:

- Está a trabalhar lá em cima no sétimo, não está? Que sorte que pode subir e descer sem que o elevador fique preso no último andar, é sempre no vosso andar que o elevador fica com as portas esquecidas...

Pólo Norte: Olhe, não vim aqui falar de elevadores. Vim só dizer que recebemos a sua encomenda e trago aqui neste saquinho o aviso de recepção. Bem-haja e até à próxima!

(Tenho os colegas a rirem faz meia-hora)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

E depois estou a trabalhar nas instalações do cliente, tocam à campaínha e eu como estou no gabinete mais perto vou abrir a porta

"Olá, boa tarde, eu sou o vizinho aqui do escritório da frente, quer dizer somos muitos aqui no instituto da frente e era só para avisar que hoje de manhã quando chegámos tínhamos uma bosta de cão no tapete da entrada, não era cocó raspado, sabe, tipo as pessoas que limpam as solas dos sapatos porque, entretanto, pisaram na rua o cocó, era mesmo uma bosta inteirinha, redonda e tudo, e ficámos ali a discutir a manhã toda e chegámos à conclusão que foi uma pessoa por maldade que levou um cão ali para evacuar a bosta à nossa porta. Ora, a vizinha do rés-do-chão é a única que tem cão no prédio e está sempre muito zangada porque nós às vezes não fechamos as duas cancelas do elevador e o elevador fica retido aqui no último andar e nós acreditamos que ela subiu com o cão para ele pôr a bosta no nosso tapete, está a ver o filme? Uma porcaria mas enfim, viemos cá avisar-vos não vá a senhora amanhã repetir a gracinha convosco, é bem capaz. E é melhor fecharmos a porta do elevador sempre, a partir de agora, sem esquecimentos, que eu fiquei enjoado a manhã toda e só agora é que tenho apetite para ir almoçar. Adeusinho e resto de boa tarde!"

1- Nem consegui falar nem chamar quem de direito. 
2- "Bosta inteirinha, redonda e tudo" é a expressão do ano
3- Não sei que merda de instituto se trata mas o homem era tão giro que vou já ver como é que me institucionalizo
4- Se calha fazerem isso no tapete desta empresa e for eu a dar de caras com aquilo, agarro no tapete, toco na campaínha do rés-do-chão e coloco o meu melhor sorriso informando a senhora vizinha que "vim devolver a encomenda ao remetente"
5- Podem tocar à campaínha durante horas que nunca mais abro a porra da porta desta empresa, pá!

mas mais importante que tudo:



Porque raios a vizinha do rés-do-chão está tão apoquentada com o elevador?

"Banana não tem, caroço, neném"



Ontem fomos ao LIDL comprar pão quente (sim, o LIDL agora tem pãozinho quente e é uma delícia!) e, assim que entrámos a Ana agarrou-se a um peluche que estava em exposição, neste caso, uma banana com um ar catita. 
Deixámo-la transportar a banana enquanto fazíamos compras e, quando chegámos à caixa, colocámo-la no tapete rolante para pagar. Qual não foi o nosso espanto quando o caixeiro nos informou que os peluches, devidamente, expostos, não estavam à venda.
Por cada 10 euros em compras os clientes recebem um selo. Ao juntarem 20 selos, os clientes podem trocar a caderneta preenchida por um dos sete peluches. Ou seja, que teríamos que comprar 200 € em produtos que corresponderiam a 20 selos e assim levar o peluche de borla.  
Nós só íamos ao pão e eu não gosto lá muito de campanhas de marketing  parvas, ainda mais, com uma estratégia agressiva e direccionada para as crianças (se não se vendem os peluches, para quê expô-los todos no meio da loja, dando a ideia de que os podemos comprar e ali à mão de semear das crianças, apelando à necessidade de consumo destas?), recusei-me a trazer a banana fofinha para casa, não sem antes perceber que o LIDL tem 7 peluches diferentes para as crianças coleccionarem, incentivando-às ao consumo de vegetais. Feitas as contas com a módica quantia de 1400 €, até Fevereiro (sim, que a campanha dura um mês e toda a gente sabe que gastar 1400 € no LIDL mensalmente é precisamente a quantia médica de gastos em compras do público-alvo do LIDL) podia trazer o gang dos frescos completo para casa, para gáudio da minha filha que- azar o meu!- engraçou mesmo com a porra dos peluches. 
Ora uma coisa eu já percebi: a escolha da palavra "gang", uma vez que se trata de uma campanha de marketing que é a maior roubalheira de que alguma vez há memória. Quanto à palavra "frescos", depois de assistir à Ana a berrar porque a mãe é "torcida" e se recusou a fazer compras ao Deus dará para lhe trazer um peluche promocional  por duzentos euros, também cheguei a uma conclusão: o departamento de marketing do LIDL devia pôr-se ao fresco, sim, pela ideia mais estúpida da história da psicologia do consumo direccionada ao público infantil. 
É que, por 1400 euros, prefiro fazer outro tipo de compras de bananas. Ana, não seja por isso, filha, chega em breve cá a casa:



A minha vida é uma agitação

"Sabe menina soube há pouco que as palmeiras aqui ao pé das Amoreiras estão assim todas depenadas porque houve um insecto que veio de Espanha que, por sua vez é natural do Norte de África, que se aloja nas folhas e as estraga todas, daí ficarem todas murchas, coitadas. Mas depois transportei um biólogo que me explicou que há uma forma de as regar, não sei se é só com água se leva outro produto qualquer, é capaz de levar mesmo outro produto qualquer, que consegue matar o insecto mas que é muito caro mandar um tipo subir às palmeiras para borrifar as folhas com a uilo, lá isso é um facto, o custo do trabalho do homem mais do borrifador que deve ser um borrifador industrial mais o da água e às tantas, se levar o tal produto, não nos esqueçamos que o produto também não deve ser de borla. Sei de fonte segura que fizeram esse tal tratamento nas palmeiras ali da Quinta das Conchas- devem ser as únicas de Lisboa que não estão com as folhas neste estado- agora não sei quem pagou porque se foi a Câmara vai dar raia ou paga a todas as palmeiras ou então não pagava só às da Quinta das Conchas, às páginas tantas foi a Junta de Freguesia porque a Câmara também não tem dinheiro para tudo, já ajuda a pagar a conservação dos jardins da Gulbenkian, não pode ser tudo, né, qualquer dia tratam-se melhor as flores que as pessoas. Mas também ouvi dizer que há umas aves que comem estes insectos, haviam era de mandar vir as aves de Espanha, com este frio os insectos ficam todos baralhados, pode ser que as aves também fiquem, agora o que eu não sei é se também há tantos insectos que justifiquem as aves e depois ficam as folhas das palmeiras mortas, os insectos e as aves para aí ao Deus dará e é pior a emenda que o soneto. Por falar em emenda e soneto, sabe de onde vem essa expressão? Um dia um aluno do Bocage queria a aprovação do poeta e pediu-lhe que analisasse um soneto que ele tinha feito, a coisa estava tão má que Bocage devolveu o soneto limpinho, sem nenhuma correcção, sem nenhuma sugestão, ao que o aluno perguntou: "então, não emendou nada?" e o poeta respondeu "se rasurasse seria pior a emenda que o soneto". Ahahahahha. Percebeu, né? Estava tão mau que se pegasse naquilo só ia piorar ianda mais, não tinha ponta por onde se pegasse. A menina disse-me que era para ir para onde mesmo?"

Ah, o maravilhoso mundo dos taxistas lisboetas. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Humor paternal

A Ana tem quatro feijões todos na gengiva superior. Mámen acorda e pergunta-me:

- "Onde é que se meteu a "quatro em linha"?"


sábado, 18 de janeiro de 2014

Europa Central quadripolarizada!


"Olá PN
Quando disseste que te faltava a Polónia, fiz logo o meu namorado (o Rui) tratar do assunto, já que ele está a morar temporariamente lá. Enfim, é um país muito injusto para se ter o namorado, dado que as mulheres são todas naturalmente loiras, de olhos azuis e altas comó diabo, mas pronto, pelo menos mais um bocadinho do mundo está Quadripolarizado, haja alguma vantagem. :)

Beijinhos "

Obrigada, querida Eva Luna! Toda a gente sabe que os homens casam é com as morenas, pá! :P 

Melhor que um plano poupança

Quatro dentes novinhos em folha na boca da Ana desde quinta-feira.

Daqui a 5 anos espero duas coisas: que não esteja novamente na moda aquela tendência estúpida de colocar os dentes de leite em pendentes de ouro para os fios das mães. 
E que o marfim esteja a um bom preço no mercado. 

De uma vez por todas:

"Viver (em Portugal) todos os dias cansa"

Não tenho pedalada para isto. Preciso de um relação de identidade nacional mais tranquila, os meus trinta e três anos já não aguentam este frenesim.
Numa semana

Estou farta destes dePUTAdos!

A Ordem dos Psicólogos (OP) aprova a co-adoção por parte de casais do mesmo sexo, invocando, com base em estudos científicos, que a orientação sexual não tem impacto no desenvolvimento da criança e nas competências dos pais.
Num parecer, apresentado na quinta-feira ao grupo de trabalho parlamentar da co-adoção e publicado hoje no portal da OP, a Ordem conclui que "os resultados das investigações psicológicas apoiam a possibilidade de coadoção por parte de casais homossexuais, uma vez que não encontram diferenças relativamente ao impacto da orientação sexual no desenvolvimento da criança e nas competências parentais".
Segundo a OP, as evidências científicas "sugerem que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da coadoção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais".
O documento reforça que a orientação sexual parental e a configuração familiar "não parecem ser um fator determinante" para o desenvolvimento das crianças nem para a competência dos pais.
"Um desenvolvimento saudável não depende da orientação sexual dos pais, mas sim da qualidade da relação entre pais e filhos", frisa.
A Assembleia da República aprovou, na generalidade, a 17 de maio (com 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções), um projeto de lei do PS para que os homossexuais possam co-adotar os filhos adotivos ou biológicos da pessoa com quem estão casados ou com quem vivem em união de facto.

A Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais decidiu a 05 de junho, por consenso, criar um grupo de trabalho para discutir, na especialidade, o projeto de lei socialista.
Nesse grupo de trabalho têm estado a ser ouvidos diferentes especialistas e entidades, representativos da sociedade civil.
No "Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais", apresentado ao grupo de trabalho, a OP sustenta que "não existe base científica para afirmar que os homossexuais femininos e masculinos não são capazes de criar e educar crianças saudáveis e bem ajustadas".
A Ordem alega que "não existe fundamentação científica para concluir que os pais homossexuais ou as mães homossexuais não serão bons pais/mães apenas com base na sua orientação sexual".
O relatório adianta ser consensual que "não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias homoparentais e heteroparentais", em termos do seu desenvolvimento cognitivo, emocional, social e educacional.

De acordo com a Ordem dos Psicólogos, os estudos empíricos internacionais revistos, nos quais se baseia, "indicam que as crianças de famílias homoparentais não têm maior probabilidade de serem homossexuais do que as crianças de famílias heteroparentais".
O mesmo documento defende ainda que o fundamental "é que o contexto familiar ofereça afeto e comunicação, seja sensível às necessidades da criança, viva de modo estável e impondo normas adequadas, no seio de relações harmoniosas".

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Os filhos dos meus amigos podem não ser melhores que os dos vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 3

Depois de um fim de tarde de pura loucura diz a minha amiga Sandra ao filho Francisco:

-"Filho, chega! Ou páras de fazer disparates ou dou-te uma palmada no rabo". 

Resposta imediata:

- "Olha mãe tu é que sabes, mas quem vai à guerra dá e leva!"

.....

.....

Coisas que não compreendo: 4/10

Convoquei 10 pessoas para um processo de recrutamento que estou a liderar. Trata-se de uma vaga para uma posição interessante, com potencial de crescimento, vencimento justo e numa empresa em (real) crescimento. Contrato de trabalho, seguro de saúde, tudinho direitinho. 

Estão a fazer testes neste momento, quatro pessoas das dez convocadas. Quatro, repito. 

(Quando desabafei com alguém sobre isto, respondeu-me: "ah pois, mas hoje há greve do metro e, ainda por cima, está a chover". Está certo...)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sabes que um amigo é engenheiro quando...

... ao dar-te a indicação de como deves chegar ao sítio onde ele se encontra diz "agora contornas a rotunda num ângulo de 270 graus".

Ahahahahha.



(Dei três voltas à rotunda até fazer contas e perceber que porra são 270 graus...)

Ode ao mar. Ó de mar. Ódio ao mar. (das palavras que não queremos ler)

"Desde manhã que as televisões mostravam em contínuo o funeral de Nelson Mandela, “foi um grande homem mas já estava farto”, conta António Soares, por isso, não estava verdadeiramente atento ao que se estava a passar no ecrã quando viu passar um rodapé, lembra-se bem, era em fundo azul : “Cinco jovens desaparecidos no Meco”. Mais nada.
A filha tinha ido passar um fim-de-semana com colegas de faculdade em Aiana, perto da praia do Meco (concelho de Sesimbra). Era uma reunião dos responsáveis da comissão de praxes da Universidade Lusófona de Lisboa. Catarina Soares era a responsável pelas praxes do seu curso, Turismo. Havia mais cinco jovens de outras licenciaturas, e o "Dux", o chefe máximo da praxe na instituição e o único que sobreviveu. A única coisa que a filha lhes disse era que iam planear as praxes do ano lectivo de 2014, e eles nada mais perguntaram. Estavam habituados a vê-la sair de traje académico, era o pai que lhe fazia o nó da gravata. Levou um pacote de massa como contribuição para o jantar. Ainda falaram ao telefone por volta das nove da noite desse dia sobre a máquina de fazer massa que a família tinha acabado de comprar, com que iam fazer a massa das filhós para o Natal, Catarina queria saber se tinha valido a pena a compra. Viria almoçar a casa no dia seguinte. Cozido à portuguesa, o seu prato preferido.
Mal viram o rodapé a passar em fundo ligaram-lhe para o telemóvel, chamou, era bom sinal, devia estar ainda a dormir. Ligaram para o namorado que era colega de faculdade e a tinha ido levar à casa, para tentar saber mais. Mas, conduzidos pela dúvida, saíram de casa os três, pai, mãe e o irmão mais velho, pela faixa da esquerda, os quatro piscas ligados, até que, já próximos do Meco, o pai encostou o carro e percebeu que não sabia para onde ir, o que fazer a seguir.
Foi naquele pedaço de berma da estrada, à direita de quem entra em Alfarim, junto à bomba de gasolina, “que eu soube”. Um telefonema do namorado, a chorar, confirmou-lhes que Catarina era uma das “desaparecidas”.
Houve um casal que os viu e lhes disse “não sabemos o que passa mas os senhores estão a precisar de ajuda”. Foi a senhora quem se sentou ao volante do carro da família e os conduziu à praia. Não sabe como se chama “o casal de bons samaritanos”, sabe que levavam um cão de raça labrador. Querem que este texto seja escrito também porque querem agradecer ao que chamam “as pessoas certas na hora errada”, uma cadeia de "conhecidos e desconhecidos, que se foram atravessando no seu caminho”, desde que a filha de 22 anos foi levada pelo mar da Praia do Meco faz esta quarta-feira um mês, incluindo os oito dias que demorou o mar a devolver-lhes o corpo.
Conduzidas pela senhora cujo nome nunca souberam foram os primeiros a chegar a um sítio que estava à espera deles. Havia ambulâncias dos bombeiros e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e uma enorme tenda branca vazia montada para os receber a eles e aos que a seguir viriam. Nunca esquecerão a psicóloga do INEM que os recebeu e lhes “compreendeu a dor”, “a Dra Lena”, não sabem o seu nome completo. Continua até hoje a mandar-lhes sms para saber como estão, ela que depois teve de dividir a sua atenção por tantos quantos os familiares que foram chegando à tenda onde eles não conseguiram permanecer. “Era sufocante”, a dor que ia avolumando, “os gritos”. Fernanda Cristóvão preferiu passar os dias de espera dentro do carro, rodeada dos amigos da escola secundária onde dá aulas de Economia, a Augusto Cabrita, no Barreiro, que se revezaram para lhe fazer companhia.
Junto ao mar durante oito dias
Já António nunca conseguiu estar longe do mar durante aqueles oito dias. Tinha um amigo que ia buscá-lo todos os dias a casa, no Barreiro, mal o sol nascia, que o levava ao Meco, e que o ia devolver a casa depois de o sol se por porque à noite nada se vê. Agradece ao senhor do parque de estacionamento pago da praia que todos os dias lhes abria a cancela, à senhora do restaurante junto ao areal aonde nunca comeram mas que sempre os convidou a abrigarem-se quando estava frio.
Não se lembra da maioria das respostas às perguntas decerto “ignorantes” que foi fazendo aos responsáveis das autoridades marítimas quando andava no areal durante aqueles dias em que se alimentava de barritas de chocolate. “O vento está de Oeste, vai trazer o corpo?” Ou então, a cada vez que mudava a maré, se aumentavam a probabilidade de vir dar à costa. “Naquelas circunstâncias tornamo-nos chatos”. Por isso, quer assinalar a forma serena e calma com que estiveram sempre prontos a responder-lhe, às vezes pontuando o discurso com um “há uma forte probabilidade de o corpo da sua filha nunca aparecer”, como ouviu do capitão da capitania do porto de Setúbal, Lopes da Costa, ou então do comandante da capitania do Porto de Sesimbra. António Soares continuou os dias atento às gaivotas que pousavam em terra e a pedaços de negro que podiam ser do traje académico que a filha e os colegas tinham vestidos.
De tanto perguntar, explicaram-lhe que nas primeiras horas os corpos flutuam e, por isso, é quando as buscas devem ser mais intensas, depois afundam, depois libertam gases e vêm de novo ao de cima. “Eu queria saber tudo, aprendi tudo naqueles dias”. Ouviu pescadores que se abeiravam dele e que lhe contaram que “o mar às vezes tem dores, às vezes tudo leva”.
Num desses dias, agradece ao amigo que esteve sempre com ele e que, a dada altura, o convidou a saírem do sítio onde estava sem explicar muito bem porquê. Estava a desviá-lo de uma ambulância que ali vinha recolher o corpo de um dos jovens que tinha dado à costa. A filha tinha sido encontrada do mar nesse mesmo dia a 3,2 quilómetros da costa mas ele ainda não sabia que era ela.
Estava irreconhecível e António agradece a outro amigo que o ajudou a escrever numa folha A4 todos os traços físicos da filha, como pediu o médico legista. Fernanda Cristóvão refere a médica dentista que fez 30 quilómetros em véspera de Natal para ir buscar as fichas dentárias da filha que os pais entregaram ao Gabinete Médico Legal do Hospital de Setúbal. Lembram o técnico da Polícia Judiciária que foi ao funeral e lhes disse que a equipa trabalhou na véspera de Natal para reconhecer todos os corpos, e que a identificação do corpo de Catarina foi confirmada por impressão digital. António Soares é agnóstico mas acredita que os mortos se visitam nos cemitérios, precisava do corpo da filha.
Catarina já não existe
Nos dias seguintes ao seu funeral foram à sua universidade, foram ao hotel de luxo onde ela estava a estagiar. E essa é outras das razões por que querem que se escreva este texto. Catarina Soares já não existe, mas sentiram que no sítio onde estava a estagiar é como se ela nunca tivesse existido. O que presenciavam que é todos os dias se levantava às 6h30 para estar em Lisboa às 8h e sair às 16h e que no final de estágio iria receber uma remuneração simbólica que a ajudaria a comprar um Iphone, à noite estava a acabar as últimas cadeiras da licenciatura em Turismo. Queriam receber o que lhe era devido e doar o dinheiro a uma instituição, mas era como se Catarina fosse "invisível, não havia uma ficha com os dados dela, não tinham a morada dela”. Querem que a morte da filha sirva “pelo menos de alerta contra os estágios não remunerados que supostamente dão experiência e currículo mas que mais não são do que trabalho escravo”. Custa-lhes saber que a filha ia trabalhar no dia de Natal porque o chefe lhe tinha dito “que é nesse dia que se ganha mais”, quando nunca tiveram intenção de lhe pagar.
Com dois filhos, a Catarina de 22 anos, o irmão de 25, qual é o grande medo de qualquer pai nestas idades? “Que morram num acidente carro”, responde Fernanda Cristóvão. Nenhum pai pensa que um filho vai morrer assim. Mais ainda quando a filha não era sequer afoita no mar, na casa que têm no Algarve, bastava estar mais bravo para ela se manter afastada, e as ondas do Algarve são o que são, pequenas e mansas. “Nunca me passaria pela cabeça perder assim um filho, levado por uma onda…”, diz a mãe.
É quase tudo o que sabem, que foi o mar que a levou, que os sete jovens fizeram sete quilómetros a pé da casa onde estavam até à praia vestidos de traje académico, que pararam num café onde quatro deles beberam bicas. Tudo o resto está envolto em dúvidas. “Não sabemos o que é que se passou na praia, por que é que sobrou um e morreram seis”. Afinal, como é que foi dado o alerta: a partir de uma cabine telefónica ou através do telemóvel do sobrevivente? Porque é que decidiram fazer aquela distância a pé? Porque é que estavam de madrugada na praia? Afinal, qual é verdade? Estavam sentados na areia ou estavam no mar e porquê?
Tal como acontece em todos os óbitos cujas causas são desconhecidas, o Ministério Público ordenou que fosse aberto um inquérito para averiguar a causa das mortes. "Não existem, por enquanto, quaisquer elementos que indiciem a prática de crime. O Ministério Público ordenou a inquirição, na qualidade de testemunha, do sobrevivente, que vai ser feita pela Polícia Marítima de Setúbal em data a determinar", refere a assessoria de imprensa da Procuradoria Geral da República em resposta ao PÚBLICO.
António Soares só quer que a justiça faça o seu trabalho, que avalie se foi "um acidente natural" ou não. “Tenho de saber tudo o que se passou desde que ela saiu de casa. Cada um tem a sua teoria da conspiração, eu tenho a minha, não quero especular”. Talvez saber o que aconteceu ajude. António Soares deixou de conseguir ir pensar para a beira-rio, como sempre fez, Fernanda Cristóvão deixou de conseguir comer peixe. Tudo lembra o mar."

Morra o Facebook, morra, pim!

A Funalcoitão Lda- serviços funerários- acabou de me pedir amizade no facebook.




Não sei se chore se morra a rir.

15 de Janeiro de 2014 (um ano, cinco meses e seis dias de loirinha)

Os pais (eu também) apontam os dias em que eles começaram dobrar o riso, a sentar, a gatinhar, a andar, a dizer a primeira palavras mas eu quero registar que hoje, 15 de Janeiro de 2014, a minha filha olhou-me nos olhos de manhã, com aquele olhar de quem ama, com aquela expressão de quem já tem intenções, sorriu-me, agarrou-me pelas bochechas e espetou-me um beijo ruidoso e demorado.

E eu estou com um sorriso de parva desde de manhã.

A voz desvenda o segredo da Teresa Guilherme


A Teresa Guilherme era a Mocinha do Roque Santeiro...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

As saudades que eu já tinha de um alegre taxista tão maluco quanto eeeuuuuuu...

No táxi peço para me levar a um hospital da capital onde tenho uma reunião de trabalho. O taxista, cabelo à raistaparta, echarpe ao pescoço, ar de beto do CDS pergunta-me, educadamente, pelo retrovisor se estou doente. Digo que não, que vou em trabalho. Pergunta-me se sou médica. Digo que não, que sou psicóloga. 
A partir daí não se ouviu mais a minha voz. 
Amigos, se quiserem chamar o Alfredo-  um taxista que não se assume como taxista e que já foi motorista na Assembleia da República, durante três anos, motorista particular de uma senhora ministra, que ele por questões éticas não pode dizer o nome, mas pronto só para mim era a Dra. X, uma senhora vaca, que lhe fez a folha e que o obrigava a ir em excesso de velocidade para o Porto várias vezes por semana e ele a arriscar-se a perder a carta, já vi, e um dia deu-lhe um ataque de pânico, e ele respirou fundo assim (onomatopeia de inspirar e expirar a decíbeis indecifráveis, quase a arfar), e o táxi pára num semáforo nesta altura exacta e não consigo descrever a cara de uma senhora a atravessar na passadeira à nossa frente e a ouvir o arfanço, que o Alfredo também tem claustrofobia e tem que ir de janela aberta até porque eu não me importei que ele continuasse a fumar enquanto conduzia, por quem sois, é muito stress segundo ele e depois do ataque de pânico chegou à Praça da Alegria, para onde a ministra ia dar uma entrevista, e as senhoras da produção deram-lhe logo um copinho de água com açúcar, ainda pensaram que fosse da tensão, mas que não, era um ataque de pânico, e ainda bem que eu sou psicóloga que assim ele podia desabafar, e depois ficou em tal estado que ele se recusou a pegar no carro e a ministra é que trouxe o bólide para baixo e depois reencaminharam-no para uma colega minha que diz que não sofre de ansiedade e que aquilo foi pontual, que também não sofre de ataques de pânico, quero lá ver que a minha colega, eu desculpo o termo, que era uma grande vaca, sabia melhor do que ele o que era um ataque de pânico, e depois disse para ele próprio que chegava, que não queria ser mais motorista da Assembleia, assim como assim para passear gente maluca antes ser taxista mas que gostava muito quando lhe apareciam psicólogas no táxi, só para ter a certeza que ele não é maluco e que, eu desculpo a expressão, a vaca da minha colega é que era passada dos carretos e eu sabia dar-lhe valor e posto isto tudo o que ele acabara de me contar tinha tido um ataque de pânico ou não? Era evidente que sim. Olha agora que estávamos em amena cavaqueira já tínhamos chegado ao hospital, que pena, peguei cá um cartão dele e ligo-lhe sempre que precisar, pois então.- peçam-me os contactos, sim? No cartão consta nome, telemóvel com número das três operadoras e um email que acaba em 69. Só não consta referências porque a ministra era mesmo uma senhora vaca. 
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